terça-feira, 26 de maio de 2026

Esmael Morais: Filme sobre Bolsonaro leva Master ao colo de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou nesta quarta-feira (13) no ponto mais sensível do caso Master: a denúncia de que Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado pelo Banco Central, teria financiado o filme Dark Horse, cinebiografia internacional sobre Jair Bolsonaro (PL), em uma operação negociada por aliados do clã e cobrada pelo próprio pré-candidato ao Planalto.

A revelação foi publicada pelo The Intercept Brasil. A reportagem afirma ter analisado mensagens, áudios, comprovante bancário e tabela de pagamentos que indicariam negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para bancar a produção. Segundo o site, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

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Flávio Bolsonaro negou a acusação. Questionado pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao filme, o senador respondeu que a informação era mentira. O GPS Brasília também registrou a negativa do parlamentar, que atribuiu o dinheiro a recursos privados e rejeitou a ligação com o banqueiro.

O ponto político é o timing. Flávio vinha tentando empurrar o escândalo para o governo Lula e para o Banco Central, enquanto defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Master. A denúncia muda a linha de defesa, porque desloca o debate da fiscalização bancária para uma relação direta entre o pré-candidato bolsonarista e o dono do banco no período em que o Master já enfrentava pressão regulatória.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) já havia puxado o clã Bolsonaro para o centro da crise ao citar Marcello Lopes, publicitário escolhido para cuidar da comunicação de Flávio Bolsonaro. Gleisi afirmou nas redes que Lopes foi estrategista de um plano contratado por Daniel Vorcaro para atacar o Banco Central, e acusou o senador de pedir CPMI em vídeo, mas silenciar quando poderia agir no Congresso.

A fala de Gleisi ganhou peso porque antecedeu a revelação sobre o filme. Primeiro, a crítica mirava o entorno de comunicação da pré-campanha. Depois, a denúncia do Intercept colocou o próprio Flávio Bolsonaro no roteiro financeiro do projeto cinematográfico, sempre segundo os documentos e mensagens analisados pela reportagem.

A suspeita de que o filme sobre Jair Bolsonaro tenha sido financiado com recursos atribuídos a Daniel Vorcaro, somada à fala de Gleisi Hoffmann sobre a relação entre o entorno de comunicação de Flávio Bolsonaro e o caso Master, deve servir de combustível para a manifestação programada para 29 de maio, em Curitiba, durante a festa de aniversário do deputado federal Filipe Barros (PL-PR), no Clube Curitibano. Flávio Bolsonaro é esperado no evento, que já entrou na mira de movimentos progressistas com faixas sobre o chamado “BolsoMaster”.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) elevou o tom. O parlamentar fluminense afirmou que vai pedir à Polícia Federal (PF) a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. À Exame, Lindbergh também disse que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens do senador e do PL.

O líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), também entrou no caso. Ele pretende pedir ao STF a abertura de inquérito sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Uczai afirma que a reportagem reforça a pressão pela CPMI do Master.

Do outro lado, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), tentou blindar a pré-campanha. Ele disse que o caso Master não atingirá Flávio Bolsonaro, chamou a expressão “BolsoMaster” de eleitoreira e afirmou não haver comprovação de envolvimento de políticos de direita no escândalo.

A defesa política, porém, tem custo. O próprio Cabo Gilberto admitiu que, se ficar comprovado envolvimento de Ciro Nogueira (PP-PI) com o Master, seria ruim mantê-lo no palanque de Flávio Bolsonaro. O tema pesa porque Flávio Bolsonaro já citou Ciro como nome com bom perfil para vice, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reafirmou essa possibilidade nesta quarta-feira (13).

O Banco Master não é um caso lateral. As liquidações do Master e da Reag como um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro, com cerca de 1,6 milhão de clientes afetados. O conjunto Master e Will Bank é o maior colapso bancário da história do país, com rombo estimado de R$ 47,3 bilhões.

É por isso que a denúncia sobre o filme atinge o coração da narrativa bolsonarista. Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como herdeiro eleitoral do pai, candidato viável da direita e porta-voz de uma agenda anticorrupção. A suspeita de pedido de dinheiro a Vorcaro, mesmo negada pelo senador, entrega munição aos adversários e obriga aliados a defenderem uma relação que agora aparece documentada em áudios e mensagens, segundo o Intercept.

O desgaste também alcança Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e operadores citados na reportagem. O Intercept afirma que o fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, aparece ligado à produção do filme e tem conexão com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A reportagem também cita mensagens envolvendo Mario Frias e intermediários nas tratativas do projeto.

Para os bolsonaristas que dependem de Flávio Bolsonaro para se viabilizar nas urnas, o risco é concreto. Deputados do PL, candidatos estaduais, aliados do Centrão e nomes que buscavam carona no palanque presidencial passam a carregar uma pergunta incômoda: se o caso Master avançar no STF, na PF ou em uma CPMI, quem continuará aparecendo ao lado do candidato?

A denúncia não condena Flávio Bolsonaro, e a negativa do senador é levada em conta na cobertura do Blog do Esmael. Mas a política opera também por associação, desgaste e repetição pública. A pré-candidatura que tentava usar o Master contra adversários agora terá de explicar por que o dono do banco aparece, segundo a reportagem, como financiador de um filme feito para fortalecer a memória política de Jair Bolsonaro às vésperas da eleição.

O caso empurra Flávio Bolsonaro para a defensiva, dá ao PT um alvo de alto impacto e testa a fidelidade dos aliados que viam no filho zero um o passaporte eleitoral para 2026.

•        Áudios confirmam esquema ‘Bolsomaster’, denunciado por Paulo Pimenta: ‘Tornozeleira já!’, pede da tribuna

O líder do Governo Lula na Câmara, Paulo Pimenta, afirmou nesta quarta-feira (13) que os áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil confirmam as denúncias feitas por ele na tribuna da Câmara sobre o esquema que batizou de “Bolsomaster”, envolvendo a família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Pimenta, as revelações mostram uma relação de “intimidade, proximidade e irmandade” entre Flávio Bolsonaro e o empresário investigado.

Durante pronunciamento e coletiva de imprensa, o deputado afirmou que há indícios de que recursos desviados do esquema do Banco Master e de operações consignadas teriam abastecido contas ligadas ao entorno da família Bolsonaro nos Estados Unidos.

Pimenta destacou que mais de R$ 60 milhões foram enviados para uma conta no Texas ligada a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro e defendeu o rastreamento internacional desses valores pelo Banco Central, COAF e Polícia Federal.

O líder do governo anunciou que irá formalizar pedidos ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao ministro André Mendonça para o bloqueio imediato de R$ 65 milhões e de bens ligados à família Bolsonaro, incluindo a mansão adquirida por Flávio Bolsonaro em Brasília.

Segundo Pimenta, os recursos devem ser utilizados para ressarcir o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e investidores que teriam sido prejudicados pelo esquema financeiro investigado.

Paulo Pimenta também defendeu a adoção de medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Para o parlamentar, há “risco real de fuga”, diante da possibilidade de avanço das investigações da Polícia Federal. “Por muito menos, outras pessoas já foram presas ou submetidas a medidas cautelares. A Justiça precisa agir com rapidez diante da gravidade dos fatos”, afirmou.

Ao concluir, Pimenta disse que as novas revelações ampliam a dimensão do escândalo e reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações sobre a atuação do Banco Master, do entorno da família Bolsonaro e do destino dos recursos movimentados no exterior.

Segundo ele, “o Brasil começa a compreender o tamanho da estrutura criminosa que operava para proteger interesses financeiros e políticos às custas do povo brasileiro”.

<><> Financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

O novo capítulo do caso ganhou repercussão nacional após reportagem publicada nesta quarta pelo The Intercept Brasil revelar mensagens, documentos, comprovantes bancários e áudios atribuídos a negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Segundo o veículo, o material foi obtido a partir de conversas e registros verificados por cruzamento de dados bancários, telefônicos e documentos públicos.

Em um dos áudios divulgados, Flávio cobra a liberação de recursos e demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos da produção cinematográfica.

Após a divulgação, o senador admitiu que pediu apoio financeiro para o filme, mas afirmou que se tratava apenas de uma busca por patrocínio privado, negando qualquer favorecimento ou irregularidade nas tratativas.

•        Líder do PT: ‘Extremamente grave’ a denúncia envolvendo Flávio Bolsonaro e Master; CPI, PF, Conselho de Ética e quebra do sigilo

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), classificou hoje (13) como “extremamente grave” a denúncia sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Diante disso, Uczai defendeu a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as irregularidades da instituição financeira, após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio no qual o senador de extrema-direita negocia um repasse de R$ 134 milhões com o banqueiro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Bancada do PT, junto com PSOL e PCdoB, vai atuar no âmbito do Congresso Nacional para que seja instalada imediatamente uma CPI.

Há duas possibilidades, segundo Uczai: uma, na Câmara, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), para investigar o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB); e outra, uma CPMI, de autoria das deputadas Fernanda Melchiona (PSOL-RS) e Heloisa Helena (Rede-RJ). Ambas têm o apoio da Bancada do PT.

<><> Mansão de Flávio Bolsonaro

No caso específico da CPI do Master e BRB, Uczai frisou que é preciso investigar a fundo quem pagou a compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões, sendo metade financiada em condições privilegiadas pelo BRB.

“Quem pagou a mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília? Se o ex-presidente do BRB recebeu seis apartamentos de luxo que totalizam, com valores atualizados, R$ 146 milhões, como foi feita a operação financeira e quem pagou o financiamento de Flávio Bolsonaro em tão pouco tempo?”, questionou.

Segundo Uczai, também será encaminhado um requerimento de informações à Receita Federal para saber se houve registro das doações do banqueiro Daniel Vorcaro para as filmagens sobre Bolsonaro.

Conforme o líder do PT, é preciso saber ainda se houve registro do envio de dinheiro ao exterior e os nomes dos destinatários.

“Precisamos saber a origem desses R$ 134 milhões— ou pelo menos dos R$ 61 milhões que foram pagos —, se houve transação financeira acompanhada pela Receita, se teve relação tributária ou não”, disse.

“Essa relação próxima de Flávio Bolsonaro com Daniel, nessa busca por recurso financeiro para o filme, não é algo qualquer. Ninguém doa R$ 134 milhões sem ter relação pessoal, política, até afetiva”, comentou.

<><> Investigação da PF

A Bancada do PT, PSOL e PCdoB também encaminharam uma Notícia de Fato à Polícia Federal para investigar a denúncia envolvendo o senador de extrema-direita, inclusive com pedido de quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Além disso, Uczai informou que, a partir das graves denúncias, serão feitas gestões para abrir uma investigação no Conselho de Ética do Senado Federal. “É grave, tudo muito grave”, sublinhou o líder do PT.

Para Uczai, o caso demonstra mais o porquê de um “acordão” entre a extrema-direita e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para derrotar a candidatura de Jorge Messias ao STF, há duas semanas, e depois derrubar os vetos do Presidente Lula ao PL da Dosimetria, que aliviou penas de golpistas.

“O que estava em jogo não era derrotar o Presidente Lula ou derrotar a democracia, mas sim a não leitura da CPMI do Banco Master”, explicou.

Em sua conta na rede social X, Uczai escreveu que as mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro revelam “intimidade, dependência financeira e cobrança por novos repasses”.

Ele lembrou que o senador chamava Vorcaro de “irmão”, agradecia afirmando que “tudo isso só está sendo possível por causa de você” e pedia socorro para não perder contrato, ator, diretor e equipe.

Para o líder do PT, o caso “tem cara de financiamento político disfarçado de cinema”.

Ele ressaltou que envolve um banqueiro investigado, um banco em liquidação e o filho do ex-presidente negociando milhões para viabilizar uma narrativa eleitoral. “Isso exige apuração imediata”, escreveu.

Segundo Uczai, as relações suspeitas do clã Bolsonaro com Vorcaro começam ainda no governo Jair Bolsonaro, em 2019, quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, concedeu total liberdade de ação ao banqueiro.

 

Fonte: Brasil 247/Viomundo

 

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