Quem
é a organização que levou Mário Frias para os EUA
Desde
12 de maio de 2026, oficiais de Justiça tentam notificar o deputado federal
Mário Frias (PL-SP) em uma ação que apura o repasse de emendas parlamentares a
organizações não governamentais ligadas à produção do filme Dark Horse, obra
que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. As tentativas frustradas de
localizá-lo nos endereços funcionais em Brasília e em São Paulo se devem ao
fato de que o parlamentar estava fora do Brasil.
O
roteiro oficial de Frias, segundo ofício apresentado à Câmara dos Deputados,
incluía uma passagem pelo Bahrein para discutir oportunidades de investimento e
uma escala nos Estados Unidos. O destino americano, mais especificamente a
cidade de Dallas, no Texas, teve como anfitrião o grupo Yes Brazil USA. Agora,
a viagem, classificada como missão oficial, entrou na mira do Supremo Tribunal
Federal (STF). O ministro Flávio Dino determinou um prazo de 48 horas para que
a Câmara explicasse a autorização, a duração e os custos do deslocamento.
Em
entrevista nesta quarta-feira, 20 de maio, concedida ao SBT News, Mário Frias
buscou afastar a ideia de fuga. Declarou estar em busca de investimentos na
área de segurança pública e afirmou que retornaria. “Não devo nada. Estou
pronto para prestar contas”, disse o parlamentar. A viagem ocorreu em meio a
investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse e sobre o repasse de R$
2 milhões em emendas parlamentares à Academia Nacional de Cultura, entidade
presidida por uma empresária que também integra a produtora do longa. Frias
negou irregularidades.
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Yes Brazil USA: o que a Pública já investigou
O
convite que levou o deputado aos Estados Unidos partiu de uma organização que,
nos últimos anos, consolidou-se como elo entre políticos brasileiros e a
comunidade conservadora no exterior. O Yes Brazil USA foi formalmente
registrado como uma organização sem fins lucrativos no estado da Flórida em
agosto de 2021. Na prática, o grupo já operava desde 2019. A estrutura tem
Mário Martins como diretor-executivo e Larissa Martins como diretora
financeira. De acordo com a página do Yes Brazil USA no Instagram, eles são um
“grupo de direita que reúne cristãos comprometidos com um Brasil livre da
ideologia comunista”.
Mário
Martins, diretor-executivo, e Larissa Martins, diretora financeira da Yes
Brazil
Como
organizadores, o casal já declarou que “as liberdades estão sendo tolhidas no
Brasil” e que havia chegado a hora “de nós, que moramos no exterior,
levantarmos a nossa voz e denunciarmos todas as atrocidades que estão
acontecendo no nosso país”.
Nas
últimas eleições presidenciais, o Yes Brazil USA e outros grupos aliados
organizaram a inscrição de fiscais nas seções eleitorais do exterior. “Nós já
começamos fazendo bastante barulho, porque, pela primeira vez nas eleições do
Brasil, houve fiscais e delegados em todo o exterior. Vocês estão de parabéns”,
afirmou Larissa à época.
A conta
do grupo no Instagram tem milhares de seguidores e publica conteúdo
desinformativo com frequência, sobretudo sobre a segurança do sistema eleitoral
brasileiro. Ao tentar seguir o perfil, o Instagram avisa que “esta conta
publicou repetidamente informações falsas que foram analisadas por
verificadores de fatos independentes ou que eram contra nossas Diretrizes de
Comunidade”.
A
atuação da organização ganhou contornos mais definidos durante as eleições
presidenciais de 2022. Nas redes sociais, o perfil do grupo passou a divulgar
conteúdo sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro e sobre campanhas de
arrecadação de fundos, tanto para Bolsonaro quanto para as famílias de presos
por atos golpistas de 8 de janeiro.
A
presença do grupo nas plataformas digitais foi limitada. O Instagram incluiu
avisos de que a conta publicava informações consideradas falsas por
verificadores independentes, o que limitou a realização de transmissões ao
vivo. Uma das coordenadoras do grupo, Luciana Mazzaro da Costa Martins, que
atuou como fiscal em uma seção eleitoral em Orlando, teve sua conta no Twitter
suspensa por violação das regras da rede.
<><> Urnas, Yes Brazil USA e Jair Bolsonaro
A
relação do Yes Brazil USA com o ex-presidente Jair Bolsonaro se estreitou no
início de 2023. Quando Bolsonaro viajou para Orlando antes da posse do
presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, a organização assumiu parte da
articulação de sua agenda. O grupo promoveu encontros com apoiadores em Orlando
e em Boca Raton. Em um desses eventos, realizados na Church of All Nations, os
ingressos se esgotaram. Na ocasião, Bolsonaro referiu-se aos detidos pelos atos
de 8 de janeiro como “presos políticos”.
A
organização de eventos não se restringiu aos Estados Unidos. Em parceria com o
Institutum Veritas Liberat, o Yes Brazil USA promoveu seminários em cidades
europeias como Roma, Novara, Zurique, Lisboa e Madrid. Os encontros serviram de
palco para questionamentos sobre o sistema eleitoral. Em Zurique, o deputado
federal e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (PL-RJ), discursou sobre a
necessidade de apuração pública dos votos.
A
participação de parlamentares brasileiros nesses eventos gerou custos ao
Estado. Um levantamento da Agência Pública indicou que deputados e senadores
utilizaram mais de R$ 127 mil em verbas públicas para passagens e diárias
relacionadas a seminários na Europa.
A
estrutura do Yes Brazil USA na Flórida, no entanto, apresenta contrastes. Em
julho de 2023, repórteres da Pública visitaram dois endereços ligados a Larissa
e Mário Martins no estado americano. Os locais estavam vazios, e funcionários
do prédio onde a empresa está registrada afirmaram não conhecer o casal. As
tentativas de contato com os responsáveis pela organização permaneceram sem
resposta até a publicação das investigações sobre a Yes Brazil.
• Rachadinha: ex-funcionária de Mario
Frias devolveu parte do salário e pagou despesas de deputado, diz site
Uma
ex-funcionária do gabinete do deputado Mario Frias (PL-SP) devolveu parte do
salário ao então chefe de gabinete e pagou despesas ligadas à família do
parlamentar. A denúncia é do site g1.
Comprovantes
de PIX, extratos bancários e relatos da ex-assessora indicam transferências
para o ex-chefe de gabinete Raphael Azevedo, além de pagamentos destinados à
mãe e à esposa do deputado. A prática é conhecida como rachadinha e costuma ser
enquadrada pelo Ministério Público como peculato.
Segundo
os documentos obtidos pelo g1, a ex-funcionária Gardênia Morais foi nomeada
secretária parlamentar entre fevereiro de 2023 e maio de 2024. Os registros
mostram que ela recebia salários líquidos entre R$ 10 mil e R$ 21 mil e fazia
transferências da conta em que recebia os valores para outra conta de sua
titularidade. Depois disso, parte do dinheiro era enviada para Raphael Azevedo,
para a ex-mulher dele e para outra parente do ex-chefe de gabinete.
Os
comprovantes mostram transferências de R$ 4,6 mil em fevereiro de 2023, R$ 5
mil em março, R$ 1,5 mil em abril e R$ 4 mil em março de 2024 para Raphael
Azevedo. Também aparecem repasses de R$ 3,2 mil para a ex-mulher do ex-chefe de
gabinete em diferentes meses de 2023, além de outros depósitos menores para
familiares dele. Os valores identificados somam R$ 35.116.
Gardênia
afirmou que existiram outros repasses além dos identificados pela reportagem e
disse que “tinha mais pessoas devolvendo” dinheiro no gabinete.
Documentos
obtidos pela reportagem também apontam pagamentos ligados à família de Mario
Frias. Em janeiro de 2024, Gardênia fez um PIX de R$ 1 mil para Maria Lucia
Frias, mãe do deputado. Em dezembro de 2023, ela quitou uma fatura de cartão de
crédito de Juliana Frias, esposa do parlamentar, no valor de R$ 4.832,32.
A
reportagem também revelou um saque de R$ 49.999,99 realizado pela
ex-funcionária em março de 2024. Segundo os extratos, ela recebeu três
depósitos de R$ 50 mil feitos por Raphael Azevedo e pela esposa dele. No dia
seguinte, transferiu o valor para outra conta e sacou o dinheiro em espécie.
Gardênia disse apenas que entregou a quantia, sem revelar o destinatário.
Em
entrevista ao g1, a ex-funcionária confirmou a devolução de parte do salário e
afirmou que havia um acordo com Raphael Azevedo e conhecimento de Mario Frias.
“O meu salário foi subindo gradativamente. Lá na Câmara a gente tem os ‘steps’.
No final, estava girando em torno de R$ 20 mil. Me restavam, em média, de R$ 6
mil a R$ 7 mil. Eu devolvia todos os meses, de acordo com o meu ‘step’”,
declarou.
Ela
também afirmou que o deputado acompanhava os repasses. “O deputado sabia, o
deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um combinado inicial, o
deputado sempre participa. E depois as tratativas do dia a dia ocorriam com o
Azevedo, que na época era o chefe de gabinete, braço direito do deputado”,
disse.
Gardênia
relatou ainda ter feito cinco empréstimos consignados que somaram R$ 174.886.
Segundo ela, apenas um foi para uso pessoal e os demais teriam sido solicitados
por Mario Frias e Raphael Azevedo para pagar dívidas da campanha eleitoral de
2022. “Dos cinco empréstimos, um é meu particular, no restante todos foram
feitos a pedido do deputado e do Raphael Azevedo para quitar dívidas de
campanha. Os empréstimos foram feitos e eles não foram quitados, estão todos em
aberto no Serasa”, afirmou.
O atual
chefe de gabinete de Mario Frias, Diego Ramos, afirmou ao g1 que desconhece as
suspeitas porque entrou no gabinete depois do período citado e disse acreditar
que o deputado também não tinha conhecimento. Segundo Ramos, “aparentemente são
ex-funcionários aproveitando a situação midiática”. Raphael Azevedo não
respondeu aos questionamentos da reportagem.
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Filme “Dark Horse” e mensagens com Daniel Vorcaro
Nesta
semana, Mario Frias também apareceu em mensagens divulgadas pelo site The
Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a
trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado atua como
produtor-executivo do longa.
Mensagens
e áudios mostram conversas entre Frias e o banqueiro Daniel Vorcaro após
negociações conduzidas pelo senador e pré-candidato à presidente da República
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para financiar o projeto. Em um áudio, Frias agradece
o apoio de Vorcaro e afirma que o filme “vai mexer com o coração de muita
gente”.
Segundo
o Intercept, Flávio Bolsonaro negociou US$ 24 milhões para financiar a
produção. Desse total, US$ 10,6 milhões teriam sido pagos em seis operações. Em
mensagens enviadas ao banqueiro, o senador cobrou parcelas atrasadas e
demonstrou preocupação com pagamentos ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus
Nowrasteh.
Após a
divulgação das conversas, Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido recursos para o
filme e alegou que o tema estava protegido por cláusulas de confidencialidade.
“Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade”, afirmou em
entrevista à GloboNews.
Em
nota, a defesa de Mario Frias afirmou que as mensagens mostram “uma relação
legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da
iniciativa” e negou que o deputado tenha atuado como articulador político ou
financeiro do banqueiro. A produtora GOUP Entertainment declarou que não
recebeu recursos diretos de Daniel Vorcaro nem do Banco Master.
Daniel
Vorcaro está preso em Brasília sob acusação de chefiar um esquema de fraudes
financeiras investigado pela Polícia Federal. As suspeitas envolvem desvios que
podem chegar a R$ 12 bilhões.
• Chico Alencar aciona PGR contra Mário
Frias após ex-assessora revelar esquema de rachadinha
Deputado
federal Chico Alencar (PSOL-RJ) protocolou neste sábado (23) na
Procuradoria-Geral da República uma representação criminal contra o parlamentar
Mário Frias (PL-SP) para que o órgão o investigue pelas possíveis práticas de
crimes como concussão, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização
criminosa.
A ação
de Chico Alencar foi motivada após matéria do G1 revelar que a ex-assessora
parlamentar de Mário Frias, Gardênia Morais, deixava parte de seu salário no
gabinete e a familiares de Frias.
Alencar
também revelou que a Federação PSOL-Rede vai acionar o Conselho de Ética da
Câmara dos Deputados e pedir a cassação do mandato de Mário Frias.
“O
deputado e dublê de roteirista Mário Frias foi denunciado por uma
ex-funcionária de seu gabinete, que o acusa de apropriar-se de parte dos
salários de assessores em proveito próprio, a famosa rachadinha, tão conhecida
e praticada nas hostes bolsonaristas”, ironizou Chico Alencar.
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Ex-assessora de Mario Frias confirma devolução de parte de salários para o
deputado
Comprovantes
de pagamento e extratos bancários de uma ex-funcionária do gabinete do deputado
federal Mario Frias na Câmara dos Deputados indicam que ela devolveu parte do
salário ao então chefe de gabinete e a familiares dele. Ela também afirma ter
pago despesas de parentes do parlamentar entre fevereiro de 2023 e março de
2024. O esquema é copnhecido como “rachadinha”
A
ex-funcionária, Gardênia Morais, foi nomeada secretária parlamentar entre
fevereiro de 2023 e maio de 2024. Segundo documentos obtidos pelo G1, ela
também contratou cinco empréstimos consignados em seu nome, que somam R$
174.886. Parte dos valores, de acordo com os registros bancários, teria sido
transferida ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo em datas próximas à
contratação dos empréstimos.
O g1
teve acesso, com exclusividade, a comprovantes de PIX e extratos bancários da
conta de Gardênia no Banco do Brasil, onde ela recebia o salário pago pela
Câmara. O valor líquido recebido mensalmente variava entre R$ 10 mil e R$ 21
mil, já descontados os encargos.
Os
documentos mostram que a ex-assessora transferia os salários da conta do Banco
do Brasil para outra conta de sua titularidade no Itaú. A partir dessa conta,
ela fazia repasses ao então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, à ex-mulher
dele e a outra parente.
Entre
os comprovantes obtidos pela reportagem estão:
• um PIX de R$ 4.600 para Azevedo em
fevereiro de 2023;
• um PIX de R$ 5.000 para Azevedo em março
de 2023;
• um PIX de R$ 1.500 para Azevedo em abril
de 2023;
• um PIX de R$ 3.200 para a ex-mulher de
Azevedo em maio de 2023;
• dois PIX, de R$ 3.200 e R$ 816, para a
ex-mulher e outra parente de Azevedo em julho de 2023;
• quatro PIX de R$ 3.200 para a ex-mulher
de Azevedo entre agosto e novembro de 2023;
• e um PIX de R$ 4.000 para o próprio
Azevedo em março de 2024.
Segundo
Gardênia, os valores identificados pela reportagem, que totalizam R$ 35.116,
representam apenas parte dos repasses realizados. Ela afirmou ainda que “tinha
mais pessoas devolvendo” salário no gabinete.
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Pagamentos a familiares e saque em dinheiro
Um dos
comprovantes obtidos mostra que Gardênia fez um PIX de R$ 1.000, em 29 de
janeiro de 2024, para Maria Lucia Frias, mãe do deputado.
Outro
documento aponta que, em dezembro de 2023, a ex-funcionária quitou uma fatura
de cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do parlamentar, no valor de R$
4.832,32.
A
reportagem também obteve comprovante de um saque em espécie no valor de R$
49.999,99 realizado por Gardênia em 27 de março de 2024. A ex-funcionária disse
que o dinheiro foi entregue, mas afirmou que não revelaria a quem.
Os
documentos e o relato da ex-assessora indicam que a operação teria sido feita
para dificultar o rastreamento do valor:
• Gardênia recebeu três depósitos de
Raphael Azevedo e da esposa dele, somando R$ 50 mil, na conta-salário do Banco
do Brasil em 26 de março de 2024;
• no mesmo dia, ela transferiu os recursos
para a conta no Itaú;
• e, no dia seguinte, realizou o saque em
dinheiro vivo.
Não há
informação sobre o destino final dos valores.
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Ela afirma que deputado sabia de tudo
Questionada
pela reportagem, Gardênia Morais confirmou que devolvia parte do salário
conforme um acordo firmado com o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, e
afirmou que o deputado tinha conhecimento da prática.
“O meu
salário foi subindo gradativamente. Lá na Câmara a gente tem os ‘steps’. No
final, estava girando em torno de R$ 20 mil. Me restavam, em média, de R$ 6 mil
a R$ 7 mil. Eu devolvia todos os meses, de acordo com o meu ‘step’”, disse.
Raphael
Azevedo trabalhou no gabinete de Mario Frias entre fevereiro de 2023 e
fevereiro de 2024, segundo registros da Câmara dos Deputados.
“O
deputado sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um
combinado inicial, o deputado sempre participa. E depois as tratativas do dia a
dia ocorriam com o Azevedo, que na época era o chefe de gabinete, braço direito
do deputado”, afirmou Gardênia.
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Empréstimos consignados e dívidas
A
ex-funcionária afirmou que apenas um dos cinco empréstimos consignados foi
contratado para uso pessoal. Segundo ela, os demais foram feitos a pedido do
deputado e do então chefe de gabinete para quitar dívidas de campanha eleitoral
de 2022.
“Dos
cinco empréstimos, um é meu particular, no restante todos foram feitos a pedido
do deputado e do Raphael Azevedo para quitar dívidas de campanha [de 2022]. Os
empréstimos foram feitos e eles não foram quitados, estão todos em aberto no
Serasa. Enfim, meu nome… Para você ter noção de como ficou minha situação hoje,
eu moro de favor na casa da minha ex-sogra”, declarou.
A
prática de exigir a devolução de parte dos salários de assessores parlamentares
é popularmente conhecida como “rachadinha”. Embora não exista um crime
específico com esse nome na legislação brasileira, o Ministério Público costuma
enquadrar casos do tipo como peculato, delito caracterizado pelo desvio de
recursos públicos em benefício próprio ou de terceiros.
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Ligação com produção de filme sobre Bolsonaro
Mario
Frias ganhou destaque recentemente por atuar como produtor-executivo do filme
“Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro
sob a ótica de aliados políticos.
Mensagens
e áudios divulgados pelo site The Intercept Brasil apontam que o senador Flávio
Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, solicitou recursos ao
banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem.
Segundo
as revelações, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para a produção.
Mensagens divulgadas pelo Intercept e confirmadas pela TV Globo e pelo g1
mostram Mario Frias agradecendo ao banqueiro pelo financiamento do projeto.
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O que dizem os citados
A
reportagem procurou o atual chefe de gabinete de Mario Frias, Diego Ramos. Ele
afirmou desconhecer as suspeitas, alegando que ingressou no gabinete após o
período investigado, e disse acreditar que o deputado também não tinha
conhecimento das denúncias.
Segundo
Ramos, “aparentemente são ex-funcionários aproveitando a situação midiática”.
Ele
informou ainda que encaminharia os questionamentos ao deputado, que está no
exterior. Até a publicação da reportagem, Mario Frias não havia se manifestado.
O
ex-chefe de gabinete Raphael Azevedo também foi procurado, mas não respondeu
aos questionamentos da reportagem.
Fonte:
Por Thiago Domenici, da Agencia Pública/Brasil de Fato/Fórum

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