Por
que a saída dos Emirados Árabes Unidos representa um grande revés para a OPEP?
A saída
dos Emirados Árabes Unidos do grupo enfraquece a capacidade da organização de
influenciar o mercado global de petróleo, em meio à crise energética
desencadeada pelo conflito no Oriente Médio.
Segundo
informações publicadas pelo The Wall
Street Journal, a saída do terceiro
maior produtor do
grupo enfraquece significativamente a coesão interna da organização.
A
Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que produz
aproximadamente 40% do petróleo
mundial, enfrenta
agora uma perda crucial de capacidade produtiva e influência no controle
da oferta global.
O conflito com o Irã intensificou as
tensões dentro do bloco, além de afetar rotas estratégicas como o estreito de
Ormuz, por onde transita grande parte do petróleo bruto exportado.
Nesse
cenário, os Emirados Árabes Unidos optaram por priorizar sua independência
energética, alavancando sua capacidade de redirecionar
exportações e
reduzir sua dependência de rotas vulneráveis.
De
acordo com reportagens citadas pelo The Wall Street Journal, o país
busca aumentar sua produção sem as restrições impostas pelas cotas do
cartel.
"A
sua saída elimina um dos pilares fundamentais que sustentam a capacidade da
OPEP de gerir o mercado", afirmou Jorge León, especialista em geopolítica
energética.
A Agência
Internacional de Energia (AIE) estima que esta ação represente
uma redução de aproximadamente 13% na capacidade de produção do
grupo.
Os
Emirados Árabes Unidos, juntamente com a Arábia Saudita, eram um dos poucos
membros com capacidade excedente suficiente para responder à crise de
abastecimento.
O
enfraquecimento do grupo ocorre num momento em que a influência da OPEP já
estava a ser corroída pela ascensão do petróleo de xisto nos Estados
Unidos.
Além
disso, o conflito com o Irã afetou diretamente os Emirados
Árabes Unidos, que têm sido alvo de ataques, acelerando o seu
distanciamento do bloco.
"Perder
um membro com uma capacidade de produção significativa significa privar o
grupo de uma ferramenta crucial", sublinhou León. Os analistas apontam que
a decisão reflete também tensões geopolíticas com a Arábia Saudita e uma
reconfiguração das alianças na região.
Ao
deixar o grupo, os Emirados Árabes Unidos ganham maior flexibilidade para
aumentar sua produção, que poderia ultrapassar 4,8 milhões de barris por
dia.
Especialistas
alertam que essa medida levanta
questões sobre o futuro da OPEP e sua capacidade de manter a relevância em
um mercado de energia cada vez mais fragmentado.
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Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é
importante
A saída
abrupta dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da Opep, a Organização dos
Países Exportadores de Petróleo, é um movimento relevante. O país aderiu à Opep
em 1967, antes mesmo de se tornar um Estado-nação, em 1971.
A Opep
reúne principalmente exportadores de petróleo do Golfo e, por
décadas, influenciou o preço do barril ao ajustar a produção e estabelecer
cotas entre seus membros.
Teve
papel central nas crises do petróleo dos anos 1970, que transformaram a
política energética global. A Opep foi formada em 1960 como um cartel, com o
objetivo de controlar a oferta mundial de petróleo e seu preço.
Hoje,
as nações da Opep produzem cerca de 30% do petróleo bruto do mundo. Em 2016,
quando os preços do petróleo estavam particularmente baixos, a Opep se uniu a
10 outros produtores de petróleo para criar a Opep+, com 23 membros que somam
cerca de 40% da produção global. O Brasil participa de discussões da Opep+, mas
não aderiu aos compromissos do grupo.
Embora
a produção da Opep seja liderada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos
detêm a segunda maior capacidade ociosa de produção. Em outras palavras, são o
segundo principal "produtor de ajuste", com capacidade de elevar a
produção para ajudar a conter eventuais aumentos dos preços, por exemplo.
Foi
justamente esse papel que levou a reavaliar sua posição no longo prazo. Em
termos simples, os Emirados Árabes Unidos querem usar a capacidade em que
investiram.
As
cotas da Opep limitavam a produção dos Emirados Árabes Unidos a algo entre 3
milhões e 3,5 milhões de barris por dia. Na prática, o país vinha se
sacrificando, com perda de receita, por causa de exigências do acordo com a
Opep.
O
momento da decisão indica impactos da guerra com o Irã. A tensão crescente no
Golfo afetou a relação dos Emirados Árabes Unidos com o Irã e pode agravar o
desgaste com a Arábia Saudita.
Para a
Opep, este é um golpe relevante, num momento em que já se questiona a coesão do
grupo no longo prazo.
Não é
só uma questão de os Emirados Árabes Unidos buscarem níveis próximos de 5
milhões de barris por dia, caso consigam escoar plenamente sua produção por mar
ou oleodutos. Há também o risco de reação da Arábia Saudita, possivelmente com
uma guerra de preços, algo que a economia mais diversificada dos Emirados
Árabes Unidos poderia suportar, mas que outros membros mais pobres não
conseguiriam.
Muito
dependerá da resposta da Arábia Saudita.
Autoridades
dos Emirados Árabes Unidos discutem a construção de novos oleodutos a partir
dos campos de Abu Dhabi, contornando o estreito de Ormuz e direcionando a
produção ao porto de Fujairah, hoje subutilizado.
Já
existe um oleoduto em operação, mas será preciso ampliar a capacidade para dar
conta do aumento da produção e de mudanças duradouras na circulação e no custo
do transporte de petróleo no Golfo.
No
momento, com o tráfego marítimo no estreito de Ormuz afetado por um bloqueio
duplo, esse não é o principal fator a influenciar os mercados, que impactam os
preços de petróleo, gás, combustíveis, plásticos e alimentos.
Embora
o foco esteja no barril a US$ 110 (cerca de R$ 550), não se pode descartar a
possibilidade de queda para perto de US$ 50 (aproximadamente R$ 250) no próximo
ano, por exemplo, se a situação no estreito for resolvida a tempo das eleições
legislativas nos EUA ainda este ano.
A Opep
hoje tem menos peso no mercado global do que nos anos 1970. Sua participação no
comércio internacional de petróleo caiu cerca de 85% para cerca de 50%. O
petróleo também é menos central para a economia mundial. A organização ainda
exerce influência, mas não tem mais o poder de impor suas condições ao restante
do mundo.
Lembro-me
de ouvir do líder da Opep, o ex-ministro do petróleo da Arábia Saudita, Sheikh
Yamani: "A Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras. A
era do petróleo não vai terminar porque o mundo ficará sem petróleo". A
frase antecipa um cenário em que os hidrocarbonetos são substituídos por outras
fontes de energia.
Uma
forma de entender a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é como um sinal da
redução da dependência global em relação ao petróleo. Há outros sinais à vista:
os investimentos da China em eletrificação ajudaram a aliviar no país o impacto
do aumento dos preços do petróleo e do gás durante a guerra dos EUA e de Israel
contra o Irã.
Segundo
algumas estimativas do mercado, o processo de eletrificação na China de carros,
caminhões e trens reduziu a demanda por petróleo em 1 milhão de barris por dia.
Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos
EUA. Como essa tendência de eletrificação tem acelerado em outros países, a
demanda global por petróleo pode atingir seu ápice em breve.
Sob
esse ponto de vista, faz sentido extrair o máximo valor possível (e o mais
rápido possível) das reservas de petróleo antes que a demanda despenque. Os
Emirados Árabes Unidos têm poder de fogo financeiro e uma economia parcialmente
diversificada por meio de serviços financeiros e do turismo.
Muito
vai depender do que será o "novo normal" se e quando cessar o
conflito na região.
A saída
dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode desencadear um efeito dominó em outros
países do grupo, elevando a pressão sobre a Arábia Saudita.
Quando
os cargueiros voltarem a transitar pelo estreito de Ormuz novamente, ou se os
Emirados Árabes Unidos redobrarem suas tentativas de construir novos oleodutos,
o petróleo vai fluir dos Emirados Árabes Unidos como nunca, sem qualquer
restrição ligada a compromissos com a Opep.
A
medida terá poucos efeitos nos bloqueios atuais. Mas pode mudar tudo depois.
A saída
dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode redefinir o mercado global de petróleo.
Os efeitos podem, a médio prazo, derrubar o preço do barril.
Como
disse, no curto prazo, os preços continuarão atrelados à crise no Golfo,
especialmente no estreito de Ormuz. O bloqueio marítimo é hoje o principal
fator de pressão sobre o mercado.
Mas o
cenário pode mudar rapidamente. Caso a situação se normalize, há espaço para
uma queda relevante nos preços.
Por
isso, não se descarta a possibilidade de que ele possa estar mais próximo de
US$ 50 (cerca de R$ 250) em algum momento no próximo ano — se a situação no
estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições de meio de mandato
nos EUA ainda este ano, quando o controle do Congresso americano pode passar
das mãos do Partido Republicano (ao qual o presidente Donald Trump pertence)
para o Partido Democrata (de oposição ao governo Trump). O preço dos
combustíveis e a inflação serão centrais nessa disputa eleitoral.
Existe,
portanto, a possibilidade de o barril recuar significativamente em relação aos
níveis atuais.
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Como ficam os preços do petróleo após saída dos Emirados
Árabes Unidos da Opep
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram sua
saída dos grupos Opep e Opep+, que
reúnem as principais nações produtoras de petróleo, após quase 60 anos.
Os EAU
afirmaram que a decisão reflete sua "visão estratégica e econômica de
longo prazo e seu perfil energético em evolução".
A
decisão é vista como um golpe para o grupo. Um analista descreveu a saída de um
dos seus membros mais importantes como "o começo do fim da Opep".
O
ministro da Energia do país do Golfo afirmou que, por não ter mais obrigações
com os grupos, o país terá mais flexibilidade.
Os
Emirados Árabes Unidos aderiram à Opep em 1967 e sua saída deixará o grupo dos
produtores de petróleo com 11 membros.
Saul
Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Financial, disse que este é
"o começo do fim da Opep".
"Com
a saída dos Emirados Árabes Unidos, a Opep perde cerca de 15% de sua capacidade
e um de seus membros mais obedientes."
De
acordo com os dados mais recentes da Opep, os Emirados Árabes Unidos produzem
2,9 milhões de barris de petróleo por ano. A Arábia Saudita, líder de fato da
Opep, produz 9 milhões de barris de petróleo.
"A
Arábia Saudita terá dificuldades para manter o restante da Opep unida e,
efetivamente, terá que assumir a maior parte do trabalho pesado em relação à
conformidade interna e à gestão do mercado sozinha", disse Kavonic,
acrescentando que outros membros da Opep podem seguir o mesmo caminho.
"Isso
representa uma reconfiguração geopolítica fundamental do Oriente Médio e dos
mercados de petróleo", acrescentou.
A Opep
foi formada em 1960 por cinco países: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e
Venezuela. Seu objetivo tem sido coordenar a produção para fornecer receita
estável para seus membros.
O
número de países no grupo tem flutuado ao longo dos anos, mas, além dos cinco
membros fundadores, hoje também fazem parte Argélia, Guiné Equatorial, Gabão,
Líbia, Nigéria e República do Congo.
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O que pode acontecer com os preços do petróleo?
Para o
editor de economia da BBC, Faisal Islam, a saída dos Emirados Árabes Unidos da
Opep pode redefinir o mercado global de petróleo. Os efeitos podem, a médio
prazo, derrubar o preço do barril.
"É
um acontecimento muito importante que os Emirados Árabes Unidos tenham
anunciado sua saída abrupta", escreve.
No
curto prazo, os preços ainda vão estar atrelados à crise no Golfo,
especialmente no Estreito de Ormuz. Islam ressalta que o bloqueio marítimo é
hoje o principal fator de pressão sobre o mercado.
Mas ele
aponta que o cenário pode mudar rapidamente. Caso a situação se normalize, há
espaço para uma queda relevante nos preços.
"Isso
é uma razão para não descartar a possibilidade de que ele possa estar mais
próximo de US$ 50 em algum momento no próximo ano — se a situação no Estreito
for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições de meio de mandato nos EUA
ainda este ano", afirma, mencionando a possibilidade de o barril recuar
significativamente em relação aos níveis atuais, próximos de US$ 110.
Fora
das cotas da Opep, que limitavam sua produção a 3–3,5 milhões de barris por
dia, o país pode expandir sua oferta. "Os Emirados queriam usar a
considerável capacidade na qual investiram", afirma.
"Não
é apenas o fato de que os EAU, quando puderem colocar totalmente seu petróleo
de volta no mercado por mar ou por oleodutos, provavelmente mirarão uma
produção de 5 milhões de barris por dia."
A
medida também pode provocar reações dentro da organização. "A Arábia
Saudita pode responder com uma guerra de preços do petróleo que a economia mais
diversificada dos EAU poderia suportar, mas outros membros mais pobres da Opep
talvez não."
Islam
argumenta que a decisão dos Emirados também reflete uma mudança mais profunda
no sistema energético. A Opep perdeu parte de sua influência. Hoje, a
organização responde por cerca de metade do petróleo comercializado
globalmente, quando já foi responsável por 85%.
"Uma
forma de interpretar a ação dos EAU é como um sinal desse mundo de menor
dependência do petróleo, e houve alguns outros indícios na atual turbulência:
os investimentos da China em eletrificação ajudaram a amortecer o impacto
econômico do aumento dos preços do petróleo e do gás."
A
eletrificação de carros, caminhões e trens na China já reduziu a demanda por
petróleo na segunda maior economia do mundo. E a demanda global pode se
estabilizar à medida que essa tendência se acelera.
"Nessa
visão, faz sentido arrecadar o máximo possível com as reservas de petróleo o
mais rápido possível antes que a demanda despenque."
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Insumo transversal: como alta do petróleo impacta
dinâmica inflacionária e eleição no Brasil
Economistas
ouvidos pela Sputnik Brasil apontam como alta no preço do barril de petróleo
tem impacto não só na política monetária, mas na consciência do consumidor
durante ano eleitoral brasileiro.
A
guerra no Oriente Médio e o bloqueio no estreito de Ormuz, deflagrado em
consequência, estão causando um grande impacto no mercado global de petróleo.
Países já declararam estado de emergência pela falta do insumo energético e os
piores impactos, preveem analistas, ainda deverão ser
sentidos.
Atualmente,
o preço do barril de petróleo Brent opera em algo em torno de US$ 110
(cerca de R$ 550), um aumento de mais de 50% quando comparado à faixa de US$ 70
em que o barril se encontrava antes dos ataques norte-americanos e israelenses
ao Irã.
Nesse
ambiente de inflação global, bancos centrais se deparam com um cenário
desafiador e, justo hoje, dois grandes reguladores monetários farão uma reunião
a respeito da definição da taxa de juros: o Sistema de Reserva
Federal dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) e o Banco Central
brasileiro.
Nos
Estados Unidos, o Fed deve manter sua taxa de juros na banda de 3,5% a 3,75%,
em que está desde dezembro. Porém, há a possibilidade de aumentar a taxa
caso a inflação acelere. Já no Brasil, a expectativa é de que o Comitê de
Política Monetária (Copom) mantenha a tendência de baixa de 0,25 pontos
percentuais, de 14,75% para 14,5%. Isso significa que o BC mantém sua postura
cautelosa de afrouxamento monetário.
A
situação, para além de afetar o cenário macroeconômico, também tem impacto
político, uma vez que estamos em ano eleitoral no Brasil. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, a fim de amortecer os efeitos do conflito no Irã na alta
de combustíveis, estuda usar a alta nas receitas das exportações petrolíferas
para desonerar a carga
tributária sobre
gasolina e etanol.
Para
viabilizar a medida, o governo pretende encaminhar ao Congresso um projeto que
flexibiliza o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ação
controversa especialmente em ano eleitoral.
Ainda
não há definição sobre o tamanho da redução dos tributos, nem é de conhecimento
se haverá prorrogação das desonerações já aplicadas ao diesel e ao biodiesel.
De acordo com estimativas, cada redução de R$ 0,10 nos impostos da gasolina
representa um custo de aproximadamente R$ 404 milhões por mês. No caso do
etanol, o impacto é menor, mas ainda significativo, em torno de R$ 165 milhões
mensais para cada R$ 0,10 de corte.
Consultado
pela Sputnik Brasil, Mauro Rochlin, economista da Fundação Getulio
Vargas (FGV), explica que o tema se tornou protagonista em todos os níveis
decisórios, pois o peso do petróleo vai muito além do setor energético, já que
se trata de um insumo transversal na economia.
"Como
o petróleo é um insumo importante em várias cadeias produtivas […], o
impacto da variação de preço tem rebatimento em vários serviços e
produtos."
Já Maria
Beatriz de Albuquerque David, economista e professora da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ), pontua que, embora o país importe pouco
petróleo, ainda há dependência externa na cadeia de refino, o que impede a
autossuficiência completa.
"Nós
não somos tão dependentes assim, porque importamos pouco e temos uma produção
grande, mas não temos o tipo de refino para atender toda a demanda
brasileira."
Ela
ressalta ainda que um aumento nos combustíveis sempre impactará a economia
brasileira por esta ser "muito dependente" do transporte terrestre.
Sobretudo,
a economista vê maior impacto nos fertilizantes, um insumo essencial para
o agronegócio brasileiro e diretamente
sensível às oscilações do petróleo e do cenário internacional. Embora o Brasil
busque alternativas, como o fornecimento pelo mercado russo e a retomada da
produção doméstica, os custos logísticos tendem a subir com a alta do petróleo,
o que limita o alívio.
Ela
também chama atenção para o efeito sobre o comércio exterior
brasileiro. Países árabes, envolvidos ou afetados pela crise, são
importantes compradores de produtos agrícolas do Brasil, o que pode levar à
redução nas exportações, especialmente de proteínas como o frango. De acordo
com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), exportações para países
árabes atingiram US$ 1,75 bilhão (cerca de R$ 8,73 bilhões) no primeiro
semestre de 2025.
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Impacto na inflação do Brasil
A inflação brasileira acelerou em
abril, impulsionada principalmente pelos alimentos, em razão de fatores
sazonais e dos efeitos da guerra no Oriente Médio, como o aumento dos
combustíveis. O IPCA-15 subiu 0,89% no mês, elevando a taxa acumulada
em 12 meses para 4,37%, próxima do teto da meta.
Maria
Beatriz avalia que o cenário externo tende a influenciar a atuação do Banco
Central. Para ela, a tendência é de uma condução mais conservadora dos
juros: "A queda pode parar ou ser mais lenta do que o esperado sem esse
conflito". Para ela, o impacto dos combustíveis é disseminado e
sensível politicamente.
"Impacta
todos os eleitores. Então, nenhum governador vai querer se posicionar contra
medidas de alívio, porque isso também repercute diretamente na população."
Rochlin,
por sua vez, classificou que o comportamento do Brent se torna uma
variável-chave na definição da política monetária. "O Copom, nas suas
reuniões, se utiliza de várias ferramentas para definir o seu posicionamento
[…] ele olha não só o IPCA, mas também o núcleo da inflação e a chamada
inflação de serviços", explica.
"Difícil
dizer se a inflação vai ser, de fato, controlada. Isso depende muito de
como o preço do petróleo se comportar."
Segundo
ele, caso o cenário externo permaneça volátil, a tendência é de uma política
monetária mais cautelosa, com risco de desaceleração mais intensa da economia
brasileira.
Rochlin
também chama atenção para o papel do diferencial de juros entre Brasil e
Estados Unidos no comportamento do câmbio e da inflação, algo que será
definido hoje a partir das reuniões do Fed e do BC.
"Quando
a diferença entre as taxas de juros se acentua […], isso certamente atrai
capital para o Brasil, o que faz com que o real se valorize", explica.
Esse movimento ajuda a conter os preços, ao reduzir o custo de importados, e
dar mais estabilidade às commodities.
Fonte: Sputnik
Brasil/BBC News Mundo