Alguns fatores levaram o projeto petista
de assumir o comando da capital baiana, principalmente neste período, onde
Salvador vai está bastante visível, não só por ser a sede da copa de 2014, mas
pelo que ela representa de peso político para o País, ter sido derrotado,
O partido se apresentou com um
discurso vazio, sem muito conteúdo, girando basicamente em torno da necessidade
do atrelamento aos governos federal e estadual - como só assim se poderia
administrar um Estado ou município, ou seja, teria que ser do PT ou de partidos
aliados para as verbas federais serem liberadas -, rotulando o adversário como
representante do atraso, sucessor do carlismo.
Procurou através de promessas, apelar
para uma distinção entre dois projetos de governo, cuja distinção não passava
de retórica eleitoreira, sem qualquer substância ideológica.
Apregoavam o terror anticarlista,
esquecendo que em seu palanque, estava rodeada com a mais fina flor do
carlismo, transformando assim, na marca da degeneração da ética petista.
Além da degeneração política petista,
some-se o abandono pelo PT da bandeira de defensores da ética e da moral na
política, assumindo após o mensalão, que tudo não passa de uma questão de
cálculo para a manutenção, conquista e ampliação do poder, mesmo ao custo de
mentiras e do abandono da verdade.
O anticarlismo foi à bandeira
desfraldada durante a campanha e os discursos inflamados em relação ao retorno
ao atraso político que o carlismo representa, era gritado por todos os cantos
da capital. Esquecendo os petistas, que o seu líder maior, o Lula, contou com o apoio de ACM na Bahia
no segundo turno das eleições
presidenciais de 2002, quando esse coronel político ainda
estava entre nós e mandava e desmandava por aqui.
Tradicionalmente a população baiana
sempre esteve ao lado das oposições ao carlismo. Mas entre ser oposição ao grupo
liderado por ACM e ser burra, está uma distancia muito grande.
Enquanto o candidato a prefeito e sua trupe
bradava contra o carlismo, o governador Jaques Wagner vive rodeado deles,
trazendo-os para perto de si, o que havia de mais puro sangue do grupo, figuras
exponenciais, como seu vice-governador Otto Alencar, os ex-deputados Clovis
Ferraz, Pedro Alcântara, Jairo Carneiro e mais recentemente o ex-senador César
Borges que, quando governador, ordenou a ação da Polícia Militar de invasão ao
campus da UFBA, cuja truculência Pelegrino e o PT apresentavam em sua
propaganda eleitoral, sem, contudo, identificar o seu autor ou mesmo o comandante policial da ação,
o qual fora promovido pelo mesmo Wagner.
Todos eles estavam no palanque de
Pelegrino. Como criticar o carlismo se ao seu lado estava à fina flor carlista?
Para complicar, o maior financiador da sua campanha era a OAS, conhecida no meio
político como “Obrigado Amigo Sogro”, pelas obras que conseguia, com quem o
candidato petista, dizem, teria negociado apoio para um grande empreendimento
imobiliário no futuro.
Aliado a tudo, deve ainda ser
considerado o fracasso do governo Wagner em políticas de segurança pública, das
negociações com os policiais militares e com professores, somado a promessas não cumpridas.
Quando pensávamos que tínhamos rompido
com as amarras do coronelismo, eis que o PT se apresenta com a mesma roupagem,
tentando transformar Salvador em mais um dos seus currais, e que os
soteropolitanos deviam obediência ao seu "rei".
A ética petista é fundamentada
no argumento que, ninguém é ruim se estiver ao seu lado, só quem não presta são os que não
estão a eles aliados. Isto tem sido visto ao longo destes anos que o PT está no
Poder.
Passada a eleições em Salvador, após
derrota do seu candidato à prefeitura, diversos artigos e postagens na internet
foram colocadas, onde petistas e aliados, criticavam duramente os eleitores
soteropolitanos pela escolha de ACM Neto, afirmando que a população havia apostado em candidatos que representavam o passado.
Ora, não vimos às mesmas análises
quando Lula se aliou a Sarney, Renan Calheiros, Collor de Melo e por último a Paulo Maluf,entre outros, no
afã de eleger o seu candidato em São Paulo, como um retrocesso, muito pelo
contrário, Lula com isto é considerado pelos petistas como grande estrategista.
Ninguém ousou tecer críticas quando o
governador Jaques Wagner optou por governar com antigos aliados do carlismo
(PP, PR, PTB, etc.), ou seja, como dizem alguns analistas políticos, “lulistas genéricos” e “carlistas
transgênicos”, mantendo a surrada e velha fórmula clientelista e patrimonialista
de governar, para orgulho de Malvadeza I, que lá onde estiver se sentirá orgulhoso
dos amigos que aqui deixou.
Aquele sonho de mudanças na política,
com o governo Wagner acabou, quando este optou pela continuidade do modelo de
governar que a população já estava acostumada a ver, ou seja, descaso com os
serviços públicos, principalmente na saúde, educação; criminalização da pobreza; investimento em repressão como política de segurança pública; tratamento
autoritário nas diversas reivindicações dos servidores públicos quando em
greve; privatizações, etc.
Diante dessa conjuntura, aqueles que
sempre lutaram contra o carlismo, como o ex-governador Valdir Pires assiste
desolado, Wagner se cercar de carlistas
e adesistas por todos os lados..
Só para recordar: quando Waldir foi governador,
enfrentou uma oposição ferrenha, comandada nada mais nada menos que por Antonio
Carlos Magalhães e por aqueles que hoje estão ao lado de Wagner. Mesmo com uma
oposição ferrenha, Waldir resistiu, sem jamais se socorrer dos adesistas como
faz Wagner agora.
Hoje, apenas para lembrar, podemos
citar o caso de Otto Alencar, que foi condecorado por Wagner com o título de
"o melhor dos carlistas": As chicotadas com que ACM ameaçava dar aos
inimigos foram aplicadas sem dó e piedade por Otto Alencar contra Waldir. Àquela
época Waldir apanhou de Otto, hoje feito vice-governador de Jaques
Wagner, como só ele sabe a dor.
O pior ainda, é ver o ex-deputado Clóvis
Ferraz, carlista doente e que agora representa Wagner até em solenidade na
Assembleia Legislativa, desfilar como representante de um governo que se diz de esquerda. Este é o quadro que desfila hoje na política baiana,
que não deixa de ser desalentador. E ninguém ouve qualquer crítica de parte do
PT e dos antigos aliados.
Voltando a derrota em Salvador, o
maior cabo eleitoral de ACM Neto, foi o próprio governador Jaques Wagner, o
único dos grandes governadores nordestino que não elegeu o seu candidato, fomentando o sentimento e o nascimento de um antipetismo no Estado, que
tende a crescer na mesma proporção em que as pessoas se decepcionam com a gestão Wagner.
O sentimento hoje, é o de considerar Wagner
um governador estranho.
De militante sindicalista se
transformou num dos governadores mais apáticos e cruel que pode existir. Deixou de dialogar com o povo, de
andar pelas ruas da cidade – aliás, optou por andar de helicóptero -, não
visita bairros, nem sequer vai mais às portas das fábricas, onde começou sua
trajetória política.
Ao contrário, escolheu Jaques Wagner em conviver com "antigos carlistas", que em um passado
recente sempre combateu - como Otto Alencar, Cesar Borges, entre outros já
citados a cima -, em lugar de estimular o arejamento e a qualificação do partido, de quadros
limitados,
Enquanto vemos surgir lideranças em
outros estados nordestinos, transformando os seus governos com a marca do
desenvolvimento, da inovação, da transformação na educação do crescimento e de
uma gestão bem pensada, na Bahia assiste-se o contrário.
A população baiana cansou da falta de
renovação dos quadros petistas e desse esse jogo de comadres onde se revezam os
nomes de Wagner, Pelegrino e Pinheiro. Sempre os mesmos, sem que haja qualquer
alternância.
Diante da mesmice petista, a tendência, realmente,
é pelo ressurgimento do carlismo, até porque a grande maioria do seu quadro,
hoje se encontra lado a lado com
Wagner, o qual tem exercido um papel fundamental para o seu retorno, através da
cooptação e das alianças espúria em seu governo.






