Rinite
e sinusite podem atrapalhar o controle do diabetes? Entenda por que a glicemia
pode mudar
Uma
crise de rinite ou sinusite costuma ser associada a espirros, nariz entupido,
secreção e dificuldade para respirar.
Mas,
para quem tem diabetes, existe outra mudança que pode aparecer nesse período e
nem sempre é relacionada ao problema respiratório: a glicemia pode ficar mais
difícil de controlar.
Isso
não significa que toda crise de rinite ou sinusite vai aumentar a glicose. O
que pode acontecer é que o organismo, ao enfrentar uma doença ou infecção,
entre em um estado de estresse físico. Como resposta, libera hormônios que
ajudam o corpo a lidar com o problema, mas também podem elevar a glicemia.
Segundo
os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), quando
uma pessoa com diabetes fica doente, os hormônios liberados pelo organismo para
combater a doença podem aumentar temporariamente a glicose no sangue.
Dependendo do quadro, também podem ocorrer mudanças na alimentação, na
hidratação e na rotina, o que interfere ainda mais no controle da glicemia.
Por
isso, uma alteração inesperada da glicemia durante uma crise respiratória não
deve ser analisada apenas pela alimentação ou pela dose habitual dos
medicamentos para o diabetes.
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Rinite e sinusite não são a mesma coisa
Embora
muitas vezes sejam confundidas, rinite e sinusite são condições diferentes.
A
rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. Na forma alérgica, o sistema
imunológico reage a substâncias como ácaros, pólen, pelos de animais e mofo.
Espirros, coceira no nariz, coriza e congestão estão entre os sintomas mais
comuns.
A
sinusite, também chamada de rinossinusite, envolve a inflamação dos seios da
face, estruturas localizadas ao redor do nariz e dos olhos. O quadro pode
causar congestão nasal, secreção, dor ou pressão no rosto e dor de cabeça.
Grande
parte dos casos de sinusite aguda está relacionada a infecções virais e melhora
sem antibióticos. O CDC alerta que antibióticos não são necessários para a
maioria das infecções dos seios da face, e seu uso deve ser definido de acordo
com a avaliação do quadro.
A
diferença entre as duas condições importa porque a presença de uma infecção
muda a forma como o organismo responde ao problema. Uma crise alérgica e uma
infecção não produzem necessariamente a mesma resposta no corpo.
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Por que uma infecção pode deixar a glicemia mais alta?
Quando
o corpo precisa combater uma infecção, o sistema imunológico entra em ação.
Para sustentar essa resposta, o organismo libera hormônios do estresse, como
cortisol e adrenalina.
Esses
hormônios ajudam a disponibilizar energia rapidamente. Uma das formas de fazer
isso é aumentar a quantidade de glicose circulando no sangue. Em quem tem
diabetes, essa elevação pode ser mais difícil de compensar porque a ação ou a
quantidade de insulina disponível pode não ser suficiente para acompanhar a
mudança.
É por
isso que uma pessoa pode estar seguindo a alimentação e o tratamento habituais
e, ainda assim, perceber que a glicemia está mais alta durante uma doença.
O CDC
orienta que pessoas com diabetes monitorem a glicose com mais atenção quando
estão doentes justamente porque a resposta do organismo à doença pode elevar os
níveis de açúcar no sangue. Em quem usa insulina, a necessidade do hormônio
também pode mudar durante esse período.
A
alteração também não precisa acontecer apenas quando há febre. Uma infecção ou
outra doença aguda já pode ser suficiente para modificar o padrão da glicemia.
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E a rinite, também pode interferir?
Aqui é
importante fazer uma distinção.
Não há
motivo para afirmar que uma crise de rinite alérgica, por si só,
necessariamente provoca uma elevação da glicemia. A relação é mais complexa e
depende do que está acontecendo com cada pessoa.
Uma
revisão publicada em 2025 analisou a relação entre diabetes e diferentes
doenças do nariz e dos seios da face. Os autores descrevem interações entre
alterações metabólicas, inflamação e funcionamento das vias aéreas,
especialmente nos casos de rinossinusite crônica. Ao mesmo tempo, os próprios
autores destacam que ainda existem questões a serem esclarecidas sobre essas
relações.
Na
prática, uma crise alérgica pode vir acompanhada de fatores que indiretamente
dificultam o controle do diabetes, como noites mal dormidas, desconforto,
alterações na rotina e uso de determinados medicamentos.
Isso é
diferente de dizer que a rinite causa hiperglicemia. O contexto da crise é que
deve ser observado.
O
medicamento usado para tratar a crise também importa
Existe
outro ponto que merece atenção: alguns medicamentos utilizados para controlar
inflamações podem alterar a glicemia.
Os
corticosteroides, conhecidos popularmente como corticoides, reduzem processos
inflamatórios, mas também podem aumentar a quantidade de glicose no sangue.
Eles podem fazer isso, entre outros mecanismos, estimulando o fígado a liberar
mais glicose e reduzindo a sensibilidade do organismo à insulina.
O
efeito varia conforme o tipo de corticosteroide, a dose, o tempo de tratamento
e a forma de administração. Doses mais altas por via oral ou injetável tendem a
produzir efeitos mais importantes sobre a glicemia.
Isso
explica por que algumas pessoas com diabetes percebem uma mudança significativa
na glicemia depois de iniciar um tratamento com corticoide.
Mas
existe um cuidado importante: o fato de um medicamento poder elevar a glicemia
não significa que ele deva ser suspenso ou substituído por conta própria. Se o
tratamento foi prescrito, a equipe de saúde deve avaliar a necessidade do
medicamento e orientar como acompanhar a glicose durante o uso.
Também
não é correto colocar todos os medicamentos para rinite e sinusite na mesma
categoria. Existem diferentes tratamentos, com mecanismos e efeitos distintos.
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O diabetes também pode influenciar a saúde respiratória
A
relação entre diabetes e problemas respiratórios não acontece somente em uma
direção.
O
próprio diabetes pode afetar a resposta do organismo às infecções. O CDC
explica que níveis elevados de glicose podem dificultar o funcionamento
adequado de células do sistema imunológico. Com isso, algumas pessoas com
diabetes podem ter maior dificuldade para combater determinadas infecções e
levar mais tempo para se recuperar.
Entre
as doenças infecciosas observadas com maior frequência estão algumas infecções
do trato respiratório.
Isso
cria uma relação que merece atenção: uma doença pode dificultar temporariamente
o controle da glicemia, enquanto a glicemia persistentemente elevada também
pode prejudicar a resposta do organismo às infecções.
Por
esse motivo, controlar o diabetes faz parte dos cuidados gerais com a saúde,
inclusive durante períodos em que a principal preocupação parece ser apenas uma
crise respiratória.
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O que fazer quando a glicemia muda durante uma crise?
Se a
glicemia começar a apresentar um padrão diferente enquanto a pessoa está
doente, o primeiro passo é aumentar a atenção ao monitoramento, seguindo o
plano estabelecido pela equipe de saúde.
As
orientações do CDC para os chamados “dias de doença” incluem acompanhar a
glicemia com maior frequência, manter a hidratação e continuar os medicamentos
conforme a orientação recebida. Para pessoas que utilizam insulina, a doença
pode alterar a necessidade do hormônio, por isso o acompanhamento individual é
importante.
Alguns
cuidados são especialmente importantes:
• acompanhe a glicemia de acordo com a
orientação da equipe de saúde;
• mantenha uma boa hidratação;
• não interrompa a insulina por conta
própria;
• antes de iniciar um novo medicamento,
informe que você tem diabetes;
• pergunte se o tratamento escolhido pode
interferir na glicemia;
• siga o plano individual definido para
períodos de doença.
Não
existe uma quantidade universal de insulina que deva ser acrescentada durante
uma infecção. Qualquer ajuste precisa considerar o tipo de diabetes, o
tratamento utilizado e o comportamento da glicemia.
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Quando a alteração da glicemia merece atenção imediata?
Na
maioria das vezes, uma mudança temporária da glicemia durante uma doença pode
ser acompanhada de acordo com o plano estabelecido pela equipe de saúde. Mas
algumas situações exigem atendimento.
Em
pessoas que utilizam insulina, principalmente no diabetes tipo 1, uma doença
pode aumentar o risco de cetoacidose diabética quando há deficiência de
insulina e formação de cetonas.
Náuseas,
vômitos, dor abdominal, respiração rápida ou profunda, muita sede,
desidratação, sonolência ou confusão são sinais de alerta. O CDC também orienta
atenção às cetonas durante períodos de doença, especialmente quando a glicemia
está elevada.
Além
disso, dificuldade para respirar, incapacidade de manter líquidos, vômitos
persistentes ou piora importante do quadro respiratório são motivos para
procurar atendimento médico.
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Uma crise respiratória pode mudar o padrão da glicemia
Rinite
e sinusite não devem ser tratadas como causas automáticas de glicemia alta. O
que existe é uma relação mais ampla entre doença, resposta inflamatória,
infecção, medicamentos e controle do diabetes.
Durante
uma infecção, o organismo pode liberar hormônios que aumentam a glicose. Em
paralelo, alguns medicamentos, principalmente determinados corticosteroides,
também podem interferir no controle glicêmico.
Por
isso, se a glicemia começar a se comportar de maneira diferente durante uma
crise respiratória, vale observar o quadro como um todo: quais sintomas
apareceram, se existe uma infecção, quais medicamentos estão sendo utilizados e
como os níveis de glicose estão respondendo.
Entender
essa relação ajuda a evitar interpretações equivocadas e permite que a pessoa
procure orientação quando perceber uma mudança que foge do seu padrão habitual.
Fonte:
Um Diabético

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