As
dinastias com mais candidatos nas eleições de 2026
Do
Norte ao Sul, do Nordeste ao Centro-Oeste e Sudeste, famílias políticas do
Brasil miram sua permanência no poder nas eleições de 2026. Com candidatos à
Câmara, Senado, Assembleias e governo estaduais e até à Presidência, clãs com
múltiplos membros na política entraram em peso no pleito.
O
recorde de candidatos pelo mesmo clã é dos Bolsonaro, que contam com oito
candidatos neste ano, divididos em quatro estados. Há ainda oligarquias
regionais com múltiplas candidaturas, como os Barbalho, os Calheiros e os
descendentes de Miguel Arraes, que tentam manter uma influência que se estende
por décadas. Já no Rio de Janeiro e em São Paulo, um clã evangélico conta com
cinco irmãos disputando cargos.
Em
alguns casos, como no Ceará e em Mato Grosso do Sul, os clãs políticos entram
na disputa rachados por causa de alianças que refletem a disputa nacional entre
o lulismo e o bolsonarismo.
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Oito Bolsonaros pelo Brasil
Dinastia
política distribuída há décadas por cargos eletivos, o clã Bolsonaro apresentou
oito candidatos (excluindo as dezenas de postulantes que usam o sobrenome
Bolsonaro sem compartilhar parentesco).
Com o
patriarca Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e banido de concorrer pela
primeira vez em quase quatro décadas, o principal nome da eleição é o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho "01", que concorre à Presidência.
Carlos
Bolsonaro (PL-SC), o filho "02", concorre a uma vaga ao Senado por
Santa Catarina, mas tem enfrentado uma campanha acirrada, apesar do peso do
poder do sobrenome no estado majoritariamente conservador. Um meio-irmão de
Carlos, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), concorre a uma vaga de
deputado federal pelo mesmo estado.
Na
mesma estratégia de distribuir familiares pelo Brasil, a mulher de Jair, a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), concorre a uma vaga ao Senado pelo
Distrito Federal.
Já uma
ex-esposa de Jair e primeira "franquia" do ex-capitão a estrear como
vereadora ainda nos anos 1990, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), que também é mãe de
Flávio, disputa uma vaga à Câmara Federal pelo Rio de Janeiro. Irmão de Jair,
Renato Bolsonaro (PL-SP) tenta uma vaga de deputado federal por São Paulo.
Por
fim, a atual deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL-SP), casada com um primo
distante de Jair, concorre à reeleição em São Paulo e Marcelo Bolsonaro
(PL-SP), outro primo distante, também disputa uma vaga pela Assembleia do mesmo
estado.
Além de
Jair, outra baixa na família nesta eleição é o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Cassado e vivendo no exterior, ele está impedido de concorrer a novos cargos,
após ocupar três mandatos na Câmara Federal.
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A grande família evangélica do eixo Rio-SP
Se Jair
Bolsonaro conseguiu emplacar quatro filhos na política, o pastor evangélico
R.R. Soares deixa o ex-presidente para trás. Nesta eleição, cinco filhos do
televangelista da Igreja Internacional da Graça de Deus concorrem a cargos
eletivos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
No Rio,
concorrem à reeleição o deputado estadual Marcos RR Soares e o deputado federal
Filipe RR Soares, ambos filiados ao PSDB. Já por São Paulo, concorrem à
reeleição o deputado federal David RR Soares (Podemos) e o deputado estadual
Daniel Soares (União). O quinto irmão é André RR Soares (Republicanos),
ex-deputado que desta vez concorre como primeiro suplente do ex-prefeito
Waguinho (Republicanos), que disputa vaga ao Senado pelo Rio.
Ao
disputar como suplente, André RR Soares está concorrendo contra um primo, o
deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que desta vez tenta voltar ao
Senado. Crivella é sobrinho da mulher de R.R. Soares. O clã estendido ainda
conta com um sétimo membro, a deputada estadual Edna Macedo (Republicanos-SP),
que concorre à reeleição e é tia de Marcelo Crivella e irmã da esposa de R.R.
Soares. Edna ainda é irmã do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do
Reino de Deus.
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O clã amazônico dos Barbalho
A
oligarquia dos Barbalho, que há décadas domina a política do estado do Pará,
conta com seis candidatos nestas eleições. Filho do patriarca Jader, o
ex-governador Helder Barbalho (MDB) disputa desta vez uma vaga Senado e tem
justamente como primeiro suplente o pai, hoje com 81 anos e no fim do seu atual
mandato como senador.
Outro
filho, Jader Barbalho Filho (MDB), que ocupava até abril o Ministério das
Cidades, concorre a deputado federal. Já a mãe de Helder e Jader Filho e
ex-esposa do patriarca Jader, a deputada federal Elcione Barbalho (MDB),
disputa desta vez uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará.
Por
fim, a vereadora Nay Barbalho (MDB), sobrinha de Jader, concorre a uma vaga
como deputada estadual. O último membro do clã é o deputado federal José
Priante (MDB), primo de Jader e que concorre à reeleição.
Além de
disputarem cargos eletivos, os Barbalho também mantêm presença na máquina
pública do Pará. A mulher de Helder, Daniela Baralho, é conselheira do Tribunal
de Contas do Estado. Já Mara Lúcia Barbalho, irmã de Jader e Helder, é
conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Em 2023, um
levantamento do jornal O Estado de S. Paulo identificou pelo menos 20 membros
do clã atuando em cargos do governo paraense.
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Os herdeiros de Miguel Arraes em Pernambuco
Em
Pernambuco, cinco parentes do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), líder
histórico da esquerda brasileira no século 20 e patriarca de uma mais e
influentes dinastias do estado, estão disputando cargos nestas eleições.
Bisneto
de Miguel Arraes, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) desta vez disputa o
governo do estado. Seu irmão, o deputado federal Pedro Campos (PSB) está
concorrendo à reeleição.
Outro
núcleo que concorre é formado pelas irmãs Marília (PDT) e Maria Arraes (PSB),
netas de Miguel Arraes. A primeira disputa o Senado. A segunda, atual deputada
federal, desta vez tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
O
quinto familiar é Daniel Arraes de Alencar Valença (PSOL), também neto de
Miguel Arraes e que concorre a uma vaga de deputado estadual. Ao contrário de
outros familiares, Daniel decidiu omitir o sobrenome famoso, optando por usar
Daniel Valença nas urnas, o mesmo de outro parente famoso: o tio e cantor Alceu
Valença.
Ao
contrário de outras dinastias, os Arraes-Campos nem sempre operam como um clã
político unitário, e já travaram disputas públicas, como durante a eleição para
prefeitura do Recife em 2020, que colocou Marília e João em lados opostos.
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A família Calheiros em dois estados do Nordeste
Outra
oligarquia política, os Calheiros contam com quatro candidatos em 2026: três em
Alagoas e um em Pernambuco. Nome mais conhecido do clã, o veterano Renan
Calheiros (MDB-AL), que já soma mais de 30 anos no Senado, tenta a reeleição.
Seu filho, o também senador e ex-ministro Renan Filho (MDB-AL), disputa mais
uma vez o governo de Alagoas, após ter comandado o Executivo estadual entre
2015 e 2022.
Há
ainda dois irmãos de Renan na disputa. Remi Calheiros (MDB), que concorre à
reeleição como deputado estadual em Alagoas.
Membro
da família que construiu sua carreira no estado vizinho de Pernambuco, o
deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB-PE) também busca a reeleição.
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A família rachada de Mato Grosso do Sul
Uma das
famílias políticas mais influentes de Mato Grosso do Sul, os Trad contam com
três candidatos nestas eleições: os irmãos Fábio Trad (PT), Nelsinho (PSD) e
Marquinhos Trad (PV). Os três são filhos do ex-deputado federal Nelson Trad
(1930-2011).
Apesar
de integrarem a mesma família e por anos terem atuado em conjunto, os irmãos
estão em lados opostos nestas eleições. Fábio Trad concorre ao governo de MS,
apoiando o presidente Lula. O vereador Marquinhos Trad (PV), outro candidato
alinhado com Lula, está disputando uma vaga de deputado federal. No lado oposto
está Nelsinho, que concorre como suplente ao Senado numa coligação com o PL dos
Bolsonaro.
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...e a família rachada do Ceará
Similar
aos Trad, a família Gomes, do Ceará, tem três irmãos candidatos neste pleito e
também enfrenta uma situação de racha. Nome mais conhecido do clã, o
ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) disputa o governo local, após ter comandado o
Executivo estadual entre 1991 e 1994.
Seu
irmão, o senador Cid Gomes (PSB), disputa a reeleição. A irmã mais nova da
dupla, a deputada estadual Lia Gomes (PSB), também tenta se reeleger. Nestas
eleições, Ciro formou uma coligação local com o PL de Flávio Bolsonaro,
enquanto Cid e Lia não só apoiam Lula para a Presidência como também a
reeleição do atual governador Elmano de Freitas (PT), que é concorrente de Ciro
no pleito.
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O trio de irmãos de SP e as famílias do Maranhão e Paraná
Em São
Paulo, concorrem o trio de irmãos petistas Jilmar Tatto, Enio Tatto e Nilto
Tatto, membros de uma família que domina a política do extremo sul da capital
paulista e que conta com mais um vereador local e um ex-vereador. Os deputados
federais Jilmar e Nilto disputam a reeleição. Já Enio Tatto tenta se manter
como estadual.
No
Maranhão, o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL) foi barrado de
concorrer à reeleição após uma condenação, mas sua família vai contar com
quatro candidatos. Sua esposa, a deputada federal Detinha (PL), e o filho
Josimar Júnior (PL) concorrem a vagas na Assembleia Legislativa. No sentido
Brasília, os sobrinhos Aldir Júnior (PL) e Fabiana Vilar (PL) tentam vagas na
Câmara Federal.
No
Paraná, o ex-deputado Fernando Francischini (Solidariedade) tenta voltar à
Câmara após ser cassado em 2021. Sua mulher Flávia Francischini (PL) tenta se
reeleger deputada estadual. O filho de Fernando, o deputado federal Felipe
Francischini (Podemos) também concorre à reeleição. Mãe de Felipe e ex-mulher
de Fernando, Luciane Bonatto (Podemos) tenta uma vaga como deputada estadual.
Fonte:
DW Brasil

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