quinta-feira, 1 de outubro de 2026

PF aponta ACM Neto como líder de organização criminosa ligada a contratos superfaturados em Minas

Um relatório da Polícia Federal atribui ao candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, a função de liderança de uma organização criminosa suspeita de obter recursos públicos por meio de contratos superfaturados. A investigação relaciona o político ao grupo do empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e a supostas fraudes em contratações públicas em Minas Gerais.

Segundo relatório sigiloso produzido pela PF em novembro do ano passado, registros extraídos do celular de Marcos Moura mostram que ele e ACM Neto mantiveram 232 conversas entre agosto e dezembro de 2024, volume que, na avaliação dos investigadores, reforçaria a relação entre os dois.

“Ao analisarmos todo o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”, afirma o relatório da Polícia Federal, segundo a CNN.

Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados no âmbito da investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos relacionados à destinação de emendas parlamentares. A PF estima que o esquema investigado tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos considerados fraudulentos.

<><> PF aponta atuação em contratos da Educação de Belo Horizonte

De acordo com os investigadores, o grupo teria buscado obter vantagens econômicas a partir de contratos fraudulentos e superfaturados celebrados pela Prefeitura de Belo Horizonte.

O relatório cita ainda “movimentações atípicas de dinheiro em espécie transportado em malas de viagens em aeronaves fretadas”.

A suspeita é de que o esquema tenha atuado em processos de contratação realizados pela Secretaria Municipal de Educação da capital mineira entre abril de 2024 e abril de 2025.

Segundo a PF, integrantes do grupo teriam sido inseridos em pontos da administração municipal para direcionar licitações e contratações a pelo menos seis empresas fornecedoras de produtos e serviços.

“Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, afirma outro trecho do relatório divulgado pela CNN.

ACM Neto comandou a Prefeitura de Salvador entre 2013 e 2020.

<><> Gonet apoiou medidas solicitadas pela PF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente a medidas solicitadas pela Polícia Federal durante a investigação.

Em parecer encaminhado no início de fevereiro ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirmou, segundo a reportagem, que os elementos reunidos pelos investigadores seriam consistentes em relação à materialidade dos fatos e à possível participação dos investigados na organização criminosa.

A Procuradoria-Geral da República também sustentou que uma nova operação poderia permitir a obtenção de documentos, registros, aparelhos eletrônicos, mídias e outros materiais considerados relevantes para o aprofundamento da apuração.

Para Gonet, os elementos apresentados pela PF indicavam ainda que o grupo investigado teria permanecido em atividade mesmo depois das primeiras etapas da Operação Overclean.

<><> PF pediu busca contra ACM Neto e bloqueio de R$ 77,8 milhões

A Polícia Federal solicitou ao STF autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto.

A corporação sustentou que o candidato teria participado da inserção de integrantes do grupo investigado na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

Os investigadores também pediram o bloqueio de até R$ 77,8 milhões em bens e valores de ACM Neto. Segundo a PF, o montante corresponde aos pagamentos realizados em três contratos analisados no curso da investigação.

O ministro Nunes Marques, porém, rejeitou as medidas contra o candidato.

Embora tenha autorizado outras providências na operação, o ministro considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar busca e apreensão ou bloqueio patrimonial contra ACM Neto naquele momento.

Nunes Marques permitiu medidas consideradas mais invasivas contra auxiliares e assessores investigados, com o objetivo de buscar provas que pudessem confirmar ou afastar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal.

A decisão judicial, portanto, não confirmou a conclusão da PF sobre ACM Neto e entendeu que as provas reunidas até então não sustentavam as medidas solicitadas diretamente contra ele.

<><> Defesa fala em tentativa de interferência eleitoral

Em nota divulgada após a revelação do relatório, a assessoria de ACM Neto rejeitou as acusações e afirmou haver uma “tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”.

Segundo a equipe do candidato, vazamentos seletivos estariam sendo utilizados para relacionar o nome de ACM Neto a fatos dos quais ele não participou.

“Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na eleição estadual da Bahia”, afirmou a assessoria.

•        Mensagens revelam que Luciano Huck foi sócio, amigo e conselheiro de Vorcaro

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam que o apresentador da TV Globo Luciano Huck manteve uma intensa relação de negócios, amizade e conselhos com o empresário enquanto este lutava para sustentar seus empreendimentos, informa a revista Veja.

As interações entre ambos começaram dois anos antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal, ocorrida sob a acusação de liderar a maior fraude financeira da história do país. Embora as mensagens não apresentem ilegalidades diretas, elas demonstram a busca do banqueiro por aliados no grupo de comunicação para impulsionar seus negócios, no mesmo período em que promovia espionagem e articulava atos violentos contra jornalistas do Grupo Globo que investigavam seus esquemas.

O primeiro contato registrado ocorreu no final de 2023. “Bom te encontrar pessoalmente hoje. Nos devemos um papo. Abração”, escreveu Huck ao banqueiro em 5 de novembro daquele ano. Em resposta, Vorcaro afirmou: “Fala, amigo. Bom demais te ver. Foi bacana hoje”, ao que o apresentador replicou: “Muito”.

A prisão do controlador do Banco Master ocorreu por volta das 22h de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando ele tentava deixar o Brasil. Na mesma data, ciente da ordem de prisão iminente — conforme revelaram mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes —, o banqueiro comunicou a suposta venda da instituição financeira a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Pouco antes da prisão, às 21h47, o apresentador enviou a última mensagem registrada ao parceiro comercial. “Vi a boa notícia da compra do Master agora no JN. Muito bom. Parabéns. Você merece sair inteiro desta turbulência toda”, declarou Huck.

O conjunto de conversas obtido pelos investigadores demonstra que a relação se desdobrou em encontros e jantares no Brasil e no exterior, parcerias comerciais e trocas constantes de favores pessoais. Os diálogos detalham tratativas com executivos e negociações de acordos publicitários com a TV Globo que renderam R$ 83 milhões em mídia para a emissora e R$ 26 milhões para o apresentador por meio de um contrato pessoal.

A verba veiculada refere-se ao patrocínio do banco digital Will Bank, controlado por Vorcaro, ao programa “Domingão com Huck”. Além disso, ambos tornaram-se sócios em uma aeronave executiva modelo Gulfstream G550 e chegaram a se reunir com o ex-jogador Ronaldo Nazário para discutir a candidatura frustrada do ex-atleta à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A proposta de sociedade na aeronave partiu de Huck em fevereiro de 2024. “Daniel, na paz? Valeu hoje pelo apoio. Salvou o dia. Nosso avião já volta na segunda. Sigo esperando poder retribuir as gentilezas. Estou buscando um sócio para o G550. Se te interessar, bora falar”, escreveu o comunicador. Vorcaro respondeu prontamente: “Vamos conversar”.

As negociações sobre a parceria comercial com o Will Bank avançaram no mês de abril de 2024. “Boa conversa ontem. Cabeça pensando muito aqui. Bora seguir construindo ideias”, afirmou o apresentador. O banqueiro respondeu: “Gostei demais também! Vamos avançar!”.

Em maio do mesmo ano, Huck convidou o empresário para uma festa privada associada ao show da cantora Madonna no Rio de Janeiro. “Bele? Você tá no Rio? Vem ao show da Madonna? Pergunto porque tô organizando uma festa pós-show para ela”, perguntou em 4 de maio de 2024. O banqueiro declinou o convite alegando viagem aos Estados Unidos para acompanhar o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Miami.

Ao longo do primeiro semestre de 2024, Huck demonstrou otimismo com o fechamento do acordo publicitário. “Vai dar samba. Vamos fazer muito barulho”, pontuou o apresentador em uma das mensagens. Ele também aconselhou o banqueiro a agir com transparência e seguir normas de conformidade regulatória para assegurar a assinatura com a emissora.

A formalização do negócio ocorreu após um jantar em 29 de outubro de 2024, quando Huck escreveu: “Valeu pelo jantar e, principalmente, pela conversa e confiança. Tenho certeza que estamos começando um capítulo relevante na construção de uma marca que os brasileiros vão admirar. E, mais do que isso, uma amizade que irá gerar excelentes frutos em muitas frentes. Te mando notícias ao longo do dia sobre a Globo”. O contrato foi assinado em dezembro.

A proximidade entre os dois envolveu o empréstimo de aviões do banqueiro para viagens do apresentador. Durante a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, Huck solicitou uma aeronave de Vorcaro para ir a Canoas, pois estava sem seu avião. Em outra oportunidade, o empresário cedeu a aeronave que transportou Huck até Varsóvia, na Polônia, a caminho de uma entrevista com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Em contrapartida, o apresentador sugeriu uma compensação em horas de voo na aeronave compartilhada por ambos.

As mensagens revelam ainda auxílios prestados pelo comunicador para que a família do banqueiro obtivesse atendimento VIP, passeios e reservas em restaurantes na Flórida, além de tentativas de aproximar o empresário do alto escalão da emissora. Em mensagem enviada em dezembro de 2024, Huck destacou: “Hoje testei mais uma vez seu nome em alto escalão. Quando der me dá um toque e falamos”.

Huck também orientou o parceiro a gerenciar sua imagem pública diante de crises. “Sigo insistindo que você tem que tomar as redes da sua narrativa. Senão farão isso por você e não é bom”, recomendou. Em outro momento, tentou organizar um encontro na sua residência no Rio de Janeiro com a participação do ex-jogador Ronaldo. “Tudo bele? Na segunda o Ronaldo vai estar no Rio. Vou fazer uma pizza em casa para ele. Se animar e quiser se juntar à mesa. Será mega bem-vindo. Precisamos começar a construir esta candidatura à CBF”, enviou o apresentador, mensagem que não teve resposta do banqueiro.

Com o início do patrocínio do Will Bank ao programa dominical, Vorcaro visitou os estúdios da emissora no Rio de Janeiro e tirou fotos no local. Ao longo de 2025, enquanto as investigações sobre o Banco Master avançavam, Huck manifestou apoio constante ao banqueiro. “Tudo em paz? Como estão as coisas por aí? Quando puder, vamos falar. Quero entender como as coisas estão andando e onde está sua cabeça. E, obviamente, se posso ajudar em alguma frente”, perguntou o apresentador.

Em momentos de turbulência no mercado, o comunicador reiterou sua lealdade: “E, só pra reforçar, estou com você em qualquer frente”. Em meados de 2025, durante viagem de barco pela Indonésia, voltou a procurar Vorcaro para prestar apoio moral e trocar informações sobre o passeio. Naquele período, Vorcaro articulava ações de espionagem contra a jornalista Malu Gaspar e cogitava atos de violência contra o colunista Lauro Jardim, ambos profissionais do Grupo Globo.

As insatisfações de Vorcaro com as matérias jornalísticas foram abordadas raramente nas conversas. Em uma ocasião, após Huck elogiar a participação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa — posteriormente preso —, o comunicador escreveu: “Bom dia. Paulo Henrique muito bem na GloboNews. Bom esclarecimento”. Vorcaro rebateu demonstrando contrariedade: “Também achei. Globo caiu pesado pra cima”.

A Veja procurou o apresentador Luciano Huck para comentar o teor das mensagens divulgadas pela Polícia Federal e aguarda manifestação.

•        Dois pesos: mídia esconde Rolex e orgias de Flávio e destaca suposta viagem de Fábio Luís. Por Tereza Cruvinel

A força da verdade tarda, mas não falta. Ela é que traz à luz fatos graves de um recente e tenebroso passado de Flavio Bolsonaro, como tráfico de influência, recebimento de presentes, participação em orgias e outras condutas ilícitas, como mostrou com riqueza de detalhes a reportagem de Rodrigo Rangel no site PlatôBR.

Os grandes veículos, entretanto, vêm ignorando tais revelações, que incluem o recebimento de um relógio rolex de R$ 305 mil e o pagamento sistemático de despesas pessoais por um lobista.  Nas mesmas 24 horas que se seguiram à publicação do PlatôBR, os jornalões, seus sites e as emissoras de TV foram pródigos em repercutir matéria da jornalista Malu Gaspar em O Globo, afirmando que a empresária Roberta Luchsinger bancou uma viagem à Escandinávia para o filho do presidente Lula, Fábio Luís e sua família, ao custo de R$ 1,8 milhão.  Mais uma vez, a jornalista foi beneficiada por um vazamento seletivo da Polícia Federal.

Notícia, se bem apurada, é para ser publicada, doa em quem doer. O que eu aponto aqui é a assimetria no tratamento. Ao contrário da matéria sobre a viagem de Fabio, amplamente reproduzida por outros veículos, a densa reportagem do PlatôBR só encontrou eco maior em mídias independentes ou regionais.

A Folha de S. Paulo, falsamente isentona, falou do assunto de forma canhestra. Em vez de reproduzir as graves revelações sobre Flávio, preferiu dizer que o “PT explora reportagem que liga Flavio Bolsonaro a garotas de programa e rolex e candidato evita responder”. Fez o chamado “deslocamento do fato”, ao invés de tratar dele.

Se o rolex tivesse sido dado a Fabio Luís ou a algum aliado de Lula estaria sendo escondido assim pela mídia? Duvido.

As coisas escabrosas contadas pelo Platô, em outras condições, já teriam produzido uma “notícia crime” por parte do Ministério Público, e uma investigação já estaria aberta contra o ministro Kassio Nunes. A matéria revela atuação de Flavio para aproximar lobistas do ministro indicado por seu pai.

Como deputado estadual no Rio, Flavio atolou-se no escândalo da fachadinha mas, graças à ascensão do pai e à sua eleição como senador em 2018, livrou-se do processo.

Chegando ao Senado, lambuzou com o poder trazido pela nova condição política e familiar. Começou comprando a casa de mais de R$ 6 milhões com o suspeito financiamento do BRB, que só devia financiar moradias populares. A gente não sabia mas o BRB já vinha tendo uso político pelo grupo no poder.

A partir de 2019, conta o Platô, Flavio e seu sócio naquela loja de chocolates no Rio, Alexandre Ferreira Dias Santini, entregaram-se à luxúria, à corrupção passiva e ao tráfico de influência. Santini organizava orgias sexuais coletivas em hotéis de luxo, em Brasília e no Rio, com garotas de programas. E dinheiro não faltava.

Tudo ia bem até que os dois se desentenderam por conta do fechamento da loja de chocolates. Santini sentiu-se lesado, queria mais dinheiro. Passou a ameaçar Flavio e a compartilhar informações perigosas com terceiros.

Flavio, inicialmente, ignorou o ex-sócio. Como senador, ele havia encontradp novos parceiros interessados em sua especial influência. Um deles foi o advogado Willer Tomaz, na época sócio de Daniel Vorcaro naquele avião em que já voaram Flavio e o ministro Alexandre de Morais.  Willer também tinha um “racho” na periferia de Brasília para encontros libertinos. Ele é barra pesada. Está sendo investigado por suposta lavagem de dinheiro via Bets: em 18 meses, apostou R$ 6,6 bilhões.

Achegou-se também o advogado Alan Belaciano, com sua teia de interesses no governo Bolsonaro e no Judiciário. Segundo Santini, além de propiciar ao senador festas, orgias e viagens, ele pagou os equipamentos de academia, uma TV de 75 polegadas para a casa recém comprada e o rolex de R$ 305 mil, colocando as notas fiscais em seu próprio nome. Belaciano bancava tudo para Flávio, inclusive reparos e adaptações na casa. Substituiu Santini como caixa e operador do senador.

Todas estas informações, e até mesmo cópias de mensagens e fotos de notas fiscais, Santini compartilhou com amigos e conhecidos. Durante a briga ele chegou a dizer: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”. Numa mensagem, mencionou o fato de Flavio ter intermediado o encontro de um cliente com o ministro Kassio Nunes.

Sua maior ousadia foi contar a Fernanda, mulher de Flavio, sobre as orgias de que o marido participava, o que gerou grave crise conjugal que quase terminou em divórcio, O casal se reconciliou e Fernanda até tentou mediar um acordo entre eles.

A matéria não revela e parece não ter descoberto o que foi que Flavio deu a Santini para encerrar a briga. O que ele sempre quis foi mais dinheiro por sua cota na loja. Alguém deve ter dado o “cala boca” ao ex-sócio, pois é fato que os dois se reconciliaram e hoje Santini apoia o candidato do PL. As tenebrosas histórias que ele revelou, entretanto, ganharam pernas, apesar do desinteresse da grande mídia.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: