Luís
José Bassoli: A impunidade de Flávio Bolsonaro
O
senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), não tem condenação
criminal, transitada em julgado, até hoje; seus inúmeros processos se arrastam,
em fases de inquéritos e investigações preliminares, nos Tribunais de Justiça
do RJ e DF, no STJ e no STF.
RACHADINHA
O
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) elaborou cinco Relatórios
de Inteligência Financeira (RIFs), que embasaram denúncias contra Flávio
Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no RJ. O MP carioca denunciou
Flávio e seu assessor Fabrício Queiroz por peculato, lavagem de dinheiro,
apropriação indébita e organização criminosa; o juízo da 27.ª Vara Criminal do
RJ determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de ambos; a 3.ª Câmara
Criminal do TJ/RJ julgou que Flávio tinha foro privilegiado, porque era
deputado estadual na época; o MP/RJ recorreu para que a investigação voltasse à
1.ª instância; a 2.ª Turma do STF seguiu o voto do relator Gilmar Mendes,
manteve a decisão do TJ/RJ, determinou que ele fosse julgado pelo Órgão
Especial do TJ/RJ, anulou quatro relatórios de inteligência financeira do Coaf
e declarou a “imprestabilidade” das provas colhidas pelo MP/RJ; posteriormente,
a 5.ª Turma do STJ, por maioria, invalidou as decisões do juiz da 27.ª Vara
Criminal do RJ – resultado: Flávio e o comparsa Queiroz não tiveram seus
sigilos quebrados!
LOJA DE
CHOCOLATE
O MP/RJ
apurou depósitos desproporcionais ao faturamento da loja Kopenhagen, de
propriedade de Flávio Bolsonaro, no período em que seu assessor Queiroz
comandava o esquema da rachadinha na Alerj. A loja seria para lavagem de
dinheiro, cujo valor chegaria a R$ 1,6 milhão. As decisões do STF e STJ que
impediram a quebra de sigilo, no caso da rachadinha, se estenderam ao caso Loja
de Chocolate, livrando, novamente, Flávio e Queiroz.
COMPRA
DA MANSÃO
Em
2021, o juízo da 1.ª Vara Cível do DF absolveu Flávio na ação popular, proposta
pela deputada Erika Kokai, que questiona a compra de uma mansão, de R$ 6
milhões, através de financiamento ilegal junto ao Banco de Brasília (BRB). A
deputada recorreu, a 4.ª Turma Cível do TJ/DFT cassou a sentença e o processo
segue em andamento.
CALÚNIA
CONTRA O PRESIDENTE LULA
O
inquérito foi aberto, a pedido da PF, após publicações nas redes sociais
associarem o presidente a crimes internacionais e fraudes eleitorais; o senador
prestou depoimento à PF e o processo está no STF, sob relatoria de Alexandre de
Moraes, sem data para julgamento.
FILIAÇÃO
FRAUDULENTA
O
senador Flávio Bolsonaro, que é do PL, se filiou, de forma fraudulenta, ao
partido Missão, que tem como candidato a presidente Renan Santos. A fraude veio
à tona quando Flávio tentou registrar sua candidatura e não conseguiu. O
presidente do TSE, ministro Kassio Nunes, determinou que a PF apure o caso e
ordenou a refiliação de Flávio ao PL, acatando o registro de sua candidatura.
DARK
HORSE/BANCO MASTER
A PF
apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, no financiamento do
filme Dark Horse, que trata do pai Jair Bolsonaro, junto ao Banco Master e ao
banqueiro Daniel Vorcaro. O dinheiro teria origem ilícita, com desvio de
emendas parlamentares, cujos valores chegariam a R$ 131 milhões. O inquérito
está no STF, sob sigilo, imposto pelo relator André Mendonça.
MARIELLE
FRANCO
Recentemente,
mensagens obtidas pela PF mostram que a assessoria de Flávio Bolsonaro negociou
uma emenda parlamentar de R$ 200 mil com Robson Calixto, conhecido como
“Peixe”, miliciano carioca que foi assessor de Domingos Brazão,
condenado
pela morte de Marielle Franco – o bandido se refere a Flávio Bolsonaro como
“nosso senador”.
CRIME
DE LESA PÁTRIA
Há
tempos, Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro articulam ações junto ao governo
norte-americano contra a soberania nacional. No dia 12/9, o deputado cassado
Eduardo defendeu, publicamente, que “no Brasil pode perfeitamente, ser
necessário a vinda de caças F-35 e de navios de guerra [americanos] porque é o
atual estágio da Venezuela, e não se consegue mais consertar com remédios
diplomáticos como as sanções”. Essa posição se configura Crime contra a
Soberania Nacional, tipificado no art. 359-I, do Código Penal (incluído pela
Lei 14.197/2021): “Negociar com governo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim
de provocar atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo. Pena: reclusão
de 3 a 8 anos”.
Os
irmãos atuam em conluio, ambos têm que ser responsabilizados como traidores da
pátria – e a prisão cautelar de Flávio Bolsonaro é necessária para se preservar
o Estado Democrático de Direito.
• Lula: ‘Flávio Bolsonaro nunca trabalhou
na vida, não tem nada a oferecer’
O
presidente Lula (PT) disparou duras críticas ao senador e candidato à
Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e a Jair Bolsonaro (PL) durante
entrevista a um pool de comunicadores alternativos nesta quarta-feira (30). O
chefe do Executivo questionou a falta de biografia e de propostas da família
Bolsonaro, apontando a contradição entre a alta escolaridade de parte do
eleitorado e o apoio a nomes da extrema-direita.
Durante
a entrevista, o presidente desabafou sobre a relação entre o nível de
escolaridade da população e o alinhamento ideológico conservador. “Teve um
tempo em que eu achava que a gente só ia ter consciência política através da
educação. Você já reparou que quanto mais as pessoas são graduadas mais elas
são conservadoras? Você não fica com pena disso?”, indagou Lula.
O
mandatário prosseguiu expressando indignação com o perfil do eleitorado de seu
principal adversário político. “Quando eu vejo um cara com diploma
universitário, economista, cientista, votar no Bolsonaro eu fico pensando ‘o
que esse cara espera da vida?’. ‘O que esse cara aprendeu de política na
vida?’. ‘Qual é o compromisso que essa gente tem?’”, questionou.
Ao
direcionar o foco para Flávio, Lula foi enfático ao atacar a falta de histórico
profissional do senador. “Vamos pegar esse Flávio [Bolsonaro]. Qual é o
compromisso com qualquer seriedade que esse cara tem? Nenhum. Ele não tem
biografia. Ele nunca trabalhou na vida”, afirmou Lula. Ele lembrou o início da
carreira política do parlamentar, ressaltando que “ele foi eleito vereador com
21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado, pelos milicianos, e nunca
mais parou” — cabe observar que Flávio foi eleito pela primeira vez para um
cargo público em 2003, aos 22 anos, como deputado estadual do Rio de Janeiro.
Lula
também estendeu os reparos à trajetória de Jair Bolsonaro, resgatando passagens
do histórico militar e legislativo da família. “O pai nunca trabalhou. O pai
foi para o Exército, tentou estourar o quartel, foi expulso e foi fazer o quê?
Foi ser deputado. 29 vivendo como deputado. Eu fiquei quatro anos como
deputado. Eu só queria ser Constituinte. Quando terminou eu falei ‘não quero
mais’. Mas eles viveram a vida inteira nisso”, alfinetou o presidente.
“Eu
queria que alguém me dissesse o que esse cara [Flávio Bolsonaro] tem a oferecer
no presente e no futuro. Nada! Não tem conteúdo. Não tem nada a oferecer”,
declarou o presidente.
Ao
analisar o comportamento da sociedade brasileira e o avanço da polarização,
Lula questionou as razões que levam ao endurecimento de posições ideológicas no
país. “Eu fico pensando: o que está faltando? É desinformação? É narrativa? Ou
a sociedade está entorpecida em um momento de ‘inlucidez’. Não é possível”,
ponderou.
Por
fim, o chefe de Estado lamentou o nível de adesão do eleitorado opositor frente
à ausência de propostas concretas para o país. “Quando você vota em alguém você
vota procurando alguém para fazer as coisas melhor para você. Mas eles não.
Quanto menos oferece, mais os bolsonaristas são fanáticos”, concluiu o
presidente.
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‘O dinheiro era para a sobrevivência do Eduardo Bolsonaro nos EUA’, diz Lula
sobre o caso Dark Horse
O
presidente Lula (PT) acusou integrantes do clã Bolsonaro de promoverem
articulações internacionais e esquemas financeiros para financiar a permanência
do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) em solo norte-americano. Durante
entrevista concedida a um pool de comunicadores alternativos nesta quarta-feira
(30), o chefe do Executivo relacionou repasses financeiros vinculados à
produção do filme cinebiográfico Dark Horse a uma estratégia de apoio
financeiro no exterior.
Ao
analisar a atuação de opositores no cenário internacional e o uso de redes e
alianças estrangeiras, o mandatário brasileiro criticou a interferência externa
e as viagens internacionais promovidas pelo grupo político de Bolsonaro. “Um
cara num país quer interferir nas eleições de outro país pela internet. A
família Bolsonaro foi para Israel para ver como eles poderiam ajudá-los a não
perder as eleições”, afirmou Lula.
Em
seguida, o presidente direcionou suas críticas às investigações em curso sobre
movimentações financeiras suspeitas e mirou a relação entre o senador e
candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro
e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. “Tem um filho
conspirando contra o Brasil, um [ex]deputado, que recebe dinheiro do Vorcaro.
Aquele famoso dinheiro do filme [Dark Horse] é o dinheiro que ele [Flávio
Bolsonaro] pegava do Vorcaro para poder mandar para a sobrevivência do Eduardo
lá [nos Estados Unidos]”, declarou o chefe do governo federal.
A
declaração do presidente faz referência direta ao chamado caso Dark Horse, uma
apuração conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal que
investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no
financiamento de um projeto audiovisual no estilo cinebiografia sobre Jair
Bolsonaro. O pivô financeiro apontado pelas apurações é Daniel Vorcaro,
investigado no âmbito da liquidação e de fraudes no Banco Master. Relatórios da
Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam que
Vorcaro atuou como o principal financiador do filme, repassando montantes
milionários por meio de fundos e estruturas de investimento no exterior, como a
Havengate e a Entre Investimentos.
As
investigações também detalham a participação direta dos filhos de Jair
Bolsonaro presidente no circuito financeiro da produção cinematográfica.
Mensagens e áudios obtidos pelos investigadores mostram que o senador Flávio
Bolsonaro atuou ativamente na articulação política e operacional para a
captação e liberação das verbas junto a Vorcaro. Nas conversas, o parlamentar
cobrava prazos e pressionava o banqueiro para liberar parcelas financeiras
destinadas à produtora norte-americana, justificando a necessidade de evitar
calotes em atores e diretores estrangeiros envolvidos na obra, como o ator Jim
Caviezel, além de demonstrar forte proximidade com o empresário.
Por sua
vez, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro aparece citado em relatórios da
Polícia Federal por sua participação em tratativas nos Estados Unidos voltadas
à gestão dos recursos direcionados à produção. O foco das autoridades policiais
e do Ministério Público Federal é apurar se verbas destinadas ao filme
custearam despesas pessoais e o sustento de Eduardo durante sua estada em
território norte-americano, mediante um circuito financeiro internacional
composto por empresas de fachada e estruturas situadas em paraísos fiscais ou
no exterior.
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Lula dispara contra Nikolas Ferreira: “imbecil de marca maior”
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao comportamento de
usuários nas redes sociais e direcionou um ataque direto ao parlamentar mineiro
Nikolas Ferreira durante entrevista a um grupo de veículos de comunicação
alternativa nesta quarta-feira (30). Na ocasião, o chefe do Executivo lamentou
a disseminação desenfreada de desinformação na internet e defendeu maior
responsabilidade no debate público.
Ao
analisar o cenário atual das interações digitais, o mandatário brasileiro
argumentou que as tecnologias de comunicação transformaram as dinâmicas de
convivência e intensificaram posturas hostis no cotidiano da população. “O
mundo se individualizou. E todo mundo está mais irritado, e mais canalha,
porque as pessoas que pegam o celular conseguem mentir com muita facilidade. As
pessoas sérias, de bem, desse país, tanto faz ter celular ou não. São sérias,
não falam mal de você, não inventam coisa. Mas o cara que não presta inventa”,
declarou o presidente.
Em
seguida, o chefe de Estado exemplificou a situação citando nominalmente o
congressista e criticando a atuação do parlamentar no ambiente digital. “Tem um
tal de deputado Nikolas [Ferreira], que eu nem conheço, que é imbecil de marca
maior. Passa o tempo inteiro fazendo fake news, sem se preocupar com a educação
que passa para a juventude”, disparou Lula.
Preocupado
com os efeitos dessas condutas na formação da sociedade e dos jovens, o líder
do governo enfatizou a necessidade de ponderação e empatia ao manifestar
opiniões públicas. “Toda vez que a gente abrir a boca para falar, toda vez que
a gente fizer uma publicação, você tem que levar em conta que você está falando
com alguém. E você tem que saber como vai reagir a cabeça daquelas pessoas”,
alertou.
Por
fim, o presidente da República externou sua incerteza quanto às soluções para
contornar o problema do envenenamento do debate público e manifestou apreensão
com o rumo das relações humanas. “Como a gente muda isso eu confesso que não
sei. Só acho que o mundo está ficando complicado”, concluiu Lula.
Fonte:
Brasil 247

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