Investigação
e processos criminais: o rastro legal dos deputados da Comissão de Segurança
Responsável
por analisar e votar propostas de segurança pública e de combate à
criminalidade, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da
Câmara dos Deputados (CSPCCO) tem 32 titulares, dos quais 19 têm relação direta
com forças de segurança. Um levantamento feito pela Agência Pública identificou
que 12 dos deputados ligados a corporações policiais aparecem como acusados,
partes, investigados ou réus em procedimentos judiciais de natureza criminal.
As ações vão desde injúria e difamação até violência contra a mulher.
Parte
das ações judiciais levantadas tramitam sob sigilo. Nos casos dos deputados
Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Delegado da Cunha (União Brasil-SP), ambos figuram no
polo passivo de processos que apuram crimes de violência contra a mulher.
Capitão Alden (PL-BA) foi acusado de invadir as dependências de um hospital
durante a pandemia da Covid-19. Já Aluísio Mendes (Republicanos-MA), Capitão
Meira (PL-PE), Delegado Caveira (PL-PA) e Delegado Fábio Costa (PP-AL)
respondem por crimes contra a honra em ações que ainda tramitam na Justiça.
Num
outro grupo estão os titulares que conseguiram se livrar dos procedimentos.
A
Delegada Adriana Sauthier Accorsi (PT-GO) e o Sargento Fahur (PSD-PR)
responderam, respectivamente, por irregularidades nas contas eleitorais e por
abuso de autoridade, mas firmaram acordos com o Ministério Público. Enquanto
Pedro Aihara (PP-MG) respondeu por crime praticado contra a Administração, mas
teve o processo encerrado na Justiça Federal após o MP entender que o imposto
devido seria “irrisório”.
Entre
os parlamentares absolvidos das acusações estão Alberto Fraga (PL-DF), que
respondeu por posse ilegal de arma de fogo e suposta cobrança de propina, e o
Sargento Gonçalves (PL-RN), investigado por metralhar um suspeito durante uma
operação policial.
Uma
pesquisa internacional publicada em 5 de abril de 2025 pelo Centro de Pesquisa
em Política Econômica (CEPR), que tem como um dos autores o professor da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Breno Sampaio, cruzou dados sobre a
prevalência de candidatos com antecedentes criminais ocupando cargos públicos
no Brasil. O estudo identificou que indivíduos já acusados de crime têm até o
dobro da probabilidade de se candidatarem e serem eleitos. “Um padrão que
persiste em todos os partidos políticos e níveis de governo”, diz a pesquisa.
Para o
analista político Melillo Dinis, várias razões permitem inferir a quantidade
expressiva de políticos respondendo a processos criminais, especialmente no
Congresso Nacional, a exemplo de: foro privilegiado, financiamento de
campanhas, alianças políticas, infiltração do crime organizado na política
local e permissividade da legislação eleitoral.
Segundo
Dinis, o estudo do CEPR sugere que o próprio sistema político atrai
proporcionalmente mais indivíduos com problemas jurídicos prévios, “em parte
devido à busca por poder econômico ou pelas proteções jurídicas que o cargo
oferece”. “É um fenômeno mais brasileiro que de outros países, o que aponta
para um desvio da função política”, pontuou.
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Delegado Da Cunha
Figurinha
carimbada nas páginas policiais, Carlos Alberto da Cunha foi denunciado à
Justiça pelo Ministério Público, em 2023, por violência doméstica contra sua
então companheira. À época, um vídeo em que ele aparece agredindo, xingando a
mulher e ameaçando matá-la foi veiculado na imprensa. A defesa negou as
acusações e afirmou que provaria a inocência do parlamentar no processo, que
corre sob sigilo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A ação ainda não
foi encerrada.
Anos
antes, um outro episódio colocou o ainda delegado no centro de outras
investigações administrativas e judiciais, quando o então policial passou a
responder por suspeitas de abuso de autoridade e constrangimento ilegal
relacionadas à simulação de prisão durante um resgate num caso de sequestro na
Zona Leste de São Paulo.
A
ocorrência ocorreu em julho de 2020, quando a polícia localizou um cativeiro e
libertou a vítima. Segundo apurado, Da Cunha chegou após o fim da operação e
teria determinado que o resgate fosse reproduzido para a gravação de imagens,
posteriormente publicadas em seu próprio canal no YouTube.
A
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público sobre o caso e tornou Da Cunha
réu, em processo que ainda tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça de São
Paulo.
Na
esfera administrativa, após a apuração de irregularidade funcional da
Corregedoria, o Conselho da Polícia Civil decidiu demiti-lo. A demissão,
confirmada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no
Diário Oficial de 3 de setembro de 2026, no entanto, não foi efetivada. No
mesmo dia, a Justiça de São Paulo concedeu liminar, assinada pelo desembargador
Álvaro Torres Júnior, que impediu a decisão, exigindo análise mais aprofundada
sobre o caso.
À
Pública, o parlamentar disse que o “processo instaurado em 2023 [violência
doméstica] segue em segredo de justiça”. “No segundo caso, o procedimento foi
arquivado com a extinção da punibilidade”, informou. O deputado não comentou a
demissão por Tarcísio.
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Capitão Alden
O
Capitão Alden (PL-BA) responde a pelo menos dois processos que não podem ser
acessados publicamente pela internet. Em um deles, o parlamentar foi denunciado
pelo Ministério Público por invadir as dependências do Hospital Riverside,
localizado no município de Lauro de Freitas (BA), acessando áreas restritas da
unidade de saúde.
O
processo 8016892-62.2023.8.05.0150 corre em sigilo e derivou do Procedimento
Investigatório Criminal n.º 003.9.103129/2020, que relata como, no dia 17 de
junho de 2020, o deputado descumpriu as regras sanitárias e administrativas que
estabeleciam a restrição de acesso e circulação de pessoas no âmbito de
unidades destinadas ao tratamento de pacientes acometidos com o vírus
SARS-CoV-2.
O
coronel ainda aparece como acusado em um inquérito da Polícia Militar da Bahia,
no processo 0027464-98.2011.8.05.0001, de 2011, por “crime militar”.
A
reportagem procurou, por semanas, o parlamentar por e-mail e telefone, mas não
obteve resposta. Em caso de manifestação, esse espaço será atualizado.
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Paulo Bilynskyj
O
deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que também possui carreira como delegado, foi
acusado de ameaçar e praticar violência psicológica contra uma ex-namorada. O
processo 1504500-16.2022.8.26.0050, de 2022, tramita sob sigilo na 1ª Vara de
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum Regional II de Santo
Amaro.
Não foi
o primeiro caso do parlamentar envolvendo ex-companheiras que foi parar na
Justiça. Em 2020, Bilynskyj foi baleado seis vezes pela então namorada Priscila
Barrios, que, segundo a investigação, teria tirado a própria vida em seguida.
Conforme
as investigações da Polícia Civil de São Paulo, o episódio ocorreu no
apartamento do delegado depois de uma discussão entre os dois. O deputado teve
um dos dedos da mão amputado devido aos ferimentos. A Justiça arquivou o caso.
A
reportagem procurou o deputado por e-mail e telefone, mas não obteve retorno.
Em caso de manifestação, esse espaço será atualizado.
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Coronel Meira
Luiz de
França e Silva Meira, o Coronel Meira (PL-PE), aparece em pelo menos quatro
processos públicos ou ações de natureza criminal relacionados a acusações de
crimes contra a honra, injúria, difamação e ameaça.
Em um
dos casos, Meira foi alvo de uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF)
feita pelo coronel da reserva Elias Miler da Silva, após supostas ofensas e
ameaças durante sessões da Comissão de Segurança Pública na Câmara dos
Deputados. Miler é assessor de assuntos parlamentares e representante da
Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais, por isso,
acompanha a tramitação de propostas da área no Congresso.
“Cheguei
aqui e disse que quem fez isso aqui é um filho da puta, e aí o coronel veio
para cima de mim questionando se eu estava falando com ele. Se a carapuça caiu
na cabeça dele é problema dele. Agora meus problemas eu resolvo, tá certo,
Miler? Aqui dentro, no braço, lá fora, na bala. Eu não vou ficar desonrado”,
disse o parlamentar em sessão da CSPCCO do dia 7 de outubro de 2025.
A
defesa de Elias Miler afirmou que as manifestações do deputado ultrapassaram os
limites da imunidade parlamentar. O processo movido resultou, em abril de 2026,
numa medida cautelar determinada pelo ministro Flávio Dino, proibindo Meira de
se aproximar mais do que 50 metros do assessor.
A
determinação foi atualizada um mês depois, em maio, após Coronel Meira assumir
a presidência da CSPCCO, o que, segundo a defesa do parlamentar, o impediria de
exercer suas funções na Casa Legislativa. O STF, então, suprimiu a restrição,
mas determinou a continuidade do impedimento de qualquer tipo de discussão
acalorada, presencial ou virtualmente, entre as partes. O processo ainda
aguarda recebimento ou rejeição da queixa-crime.
Mas
essa não é a única questão com a qual o coronel tem que lidar na Justiça. Duas
ações envolvendo o parlamentar tramitam no Supremo Tribunal Federal por crimes
contra a honra, como injúria e difamação. Uma delas, a PET 16354, foi
apresentada este ano pelo senador José Renan Vasconcelos Calheiros Filho e
tramita sob sigilo.
Uma
segunda ação, a Petição 15.942, é uma queixa-crime movida pelo cacique Marcos
Xucuru, prefeito de Pesqueira (PE). Segundo a denúncia, o deputado teria
utilizado as redes sociais e a tribuna da Câmara dos Deputados para fazer
acusações e ofensas contra o cacique, incluindo uma suposta ligação com o
tráfico de drogas e outros crimes.
Na
Justiça estadual, uma decisão liminar da 2ª Vara Cível de Pesqueira determinou
a retirada de vídeos das redes sociais relacionados ao caso. A determinação foi
dirigida ao Facebook Serviços Online do Brasil, responsável pelo Instagram.
Enquanto isso, no STF, o processo está em análise, sob relatoria do ministro
Luiz Fux.
À
Pública, a assessoria do Coronel Meira informou que “os processos mencionados
referem-se a ações de natureza penal relacionadas exclusivamente a alegadas
manifestações e declarações de caráter político atribuídas ao deputado”: “Todas
decorrentes de divergências e disputas inerentes à atividade parlamentar”.
“Tratam-se
de processos ainda em tramitação, sem decisão judicial definitiva quanto aos
fatos imputados, sendo que, em alguns casos, sequer houve a citação do
deputado. Assim, a existência de tais registros processuais não se confunde com
condenação ou reconhecimento judicial da prática dos crimes alegados,
permanecendo as questões submetidas à apreciação do Poder Judiciário.”
Um
quarto processo criminal envolvendo o coronel Meira já foi encerrado após um
acordo. O Ministério Público Federal (MPF) moveu ação penal contra o deputado
após suas declarações sobre a então superintendente da Polícia Federal Carla
Patrícia Cintra, durante entrevistas, em que, segundo a acusação, teria
afirmado que Cintra protegeria políticos do PSB e estaria obstruindo
investigações em Pernambuco. O parlamentar firmou acordo e pagou R$ 7,9 mil,
dividido em parcelas, e o caso transitou em julgado em julho de 2024.
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Delegado Caveira
Lenildo
Mendes dos Santos Sertão, conhecido como Delegado Caveira (PL-PA), é alvo de
uma ação apresentada pela prefeita de Ulianópolis, Kelly Cristina Destro, que
teria sido chamada de “vagabunda” e “desonesta” pelo deputado durante evento
político em 2022.
A
acusação reúne vídeos, publicações nas redes sociais e registros da repercussão
das declarações na imprensa, entendidas pela prefeita como ataques à honra e à
atuação dela como autoridade pública.
A
Justiça recebeu a ação e determinou que o deputado apresentasse sua defesa. O
processo passou por diferentes instâncias antes de retornar à Justiça de
Ulianópolis. Até o momento, não houve decisão.
A
reportagem procurou, por semanas, o deputado por meio de email e telefone, mas
não obteve resposta. Em caso de manifestação, esse espaço será atualizado.
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Alberto Fraga
Ex-presidente
da Comissão de Segurança Pública, o deputado Alberto Fraga (PL-DF) foi
condenado duas vezes, em ocasiões diferentes, mas em ambos os casos teve o caso
revisto pela Justiça e foi absolvido.
Em
2011, durante o cumprimento de mandado judicial no apartamento de Fraga em
Brasília, no contexto da Operação Regin, que investigava um esquema de propinas
na Secretaria de Transportes do Distrito Federal, policiais encontraram um
revólver de uso restrito .357 Magnum e centenas de munições. Em 2013, ele foi
condenado a quatro anos de prisão, em primeira instância, e sua defesa recorreu
da decisão.
Em
setembro de 2018, o Exército Brasileiro assinou portarias autorizando a
aquisição de até duas armas de fogo de uso restrito, calibre 9 milímetros, para
uso particular de servidores da segurança pública. Em fevereiro de 2019, Fraga
acabou absolvido após desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito
Federal entenderem que a resolução do Exército gerou a absolvição do crime.
Também
em setembro de 2018, Fraga foi condenado a uma pena superior a quatro anos de
prisão em regime semiaberto em um processo movido pelo Ministério Público do
Distrito Federal dez anos antes, em que o político foi acusado por supostamente
exigir R$ 350 mil em propina para autorizar a operação de uma cooperativa de
micro-ônibus em Brasília.
A
defesa dele recorreu, e em 2020, a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e Territórios (TJDFT) reformou a sentença. Os desembargadores
consideraram que as provas reunidas seriam frágeis e insuficientes para
sustentar a condenação e o parlamentar foi absolvido por unanimidade.
À
Pública, a equipe de Fraga ressaltou que o deputado não sofreu penalidades:
Tanto é
assim que todas as certidões negativas criminais foram devidamente apresentadas
e juntadas ao pedido de registro de candidatura perante o TRE/DF, tendo o
registro de candidatura sido deferido sem objeção. Assim, o deputado e atual
candidato não possui nenhum processo criminal em andamento e nenhuma
condenação, decorrente desse ou de qualquer outro processo.”
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Aluísio Mendes
Aluísio
Guimarães Mendes Filho (Republicanos-MA) foi processado, em 2026, pelo juiz
federal Magno Linhares. Trata-se de uma queixa-crime por calúnia que tramita no
STF, mas ainda aguarda manifestação do MPF.
Segundo
o magistrado, o parlamentar imputou contra ele o crime de interferir no
Judiciário maranhense e obter condenação criminal em “tempo recorde” do
ex-prefeito de Rosário (MA), Calvet Filho, aliado de Mendes. O juiz, autor da
ação, é pai do atual prefeito de Rosário, Jonas Magno (PDT).
“Essas
pessoas que usam de forma ardilosa e covarde o Judiciário do nosso Estado para
perseguir as pessoas inocentes terão a resposta que merecem”, discursou Mendes
na Tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados.
A
reportagem procurou, por semanas, o deputado por email e telefone, mas não
obteve resposta. Em caso de manifestação, esse espaço será atualizado.
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Delegada Adriana Accorsi
A
delegada e ex-candidata à Prefeitura de Goiânia Adriana Sauthier Accorsi
(PT-GO) foi alvo de uma ação do Ministério Público Eleitoral (MPE) relacionada
à prestação de contas da campanha de 2016.
No
processo, o MPE apontou suspeitas de irregularidades nas contas eleitorais,
incluindo despesas de campanha que não teriam sido declaradas e o órgão
desconfiou de possível “caixa 2”. Um inquérito foi aberto, mas um acordo de R$
5 mil como reparação foi firmado antes da continuidade da ação penal e a ação
foi encerrada.
À
Pública, a assessoria da deputada informou que “Adriana Accorsi não responde a
qualquer ação penal e não possui condenação criminal”. “O procedimento citado
foi encerrado e arquivado definitivamente mediante acordo proposto pelo
Ministério Público, sem qualquer julgamento do mérito, sem reconhecimento de
culpa, sem condenação ou impacto em seus antecedentes.”
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Fábio Costa
O
Delegado Fábio Costa (PP-AL) se tornou, em 2024, alvo de uma queixa-crime
apresentada pelo presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo
Victor Correia dos Santos, após uma publicação nas redes sociais.
Segundo
a acusação, Costa teria associado o presidente da Assembleia a uma mala de
dinheiro e levantado suspeitas sobre a promoção de um militar. Na ação, Marcelo
Victor afirmou que as declarações são falsas e atingiram sua honra.
A
defesa de Fábio Costa, por outro lado, sustenta uma versão diferente. Segundo
os advogados, as manifestações estão protegidas pela imunidade parlamentar e
fazem parte do debate político. O processo ainda não teve decisão no STF. A
análise está sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.
A
reportagem procurou, por semanas, o deputado por email e telefone, mas não
obteve resposta. Em caso de manifestação, esse espaço será atualizado.
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Sargento Fahur
O
deputado federal Gilson Cardoso Fahur, o Sargento Fahur (PSD-PR), respondeu a
uma ação penal na Justiça Federal por abuso de autoridade a partir de um vídeo
em que o policial militar aposentado aparecia, durante uma operação, ofendendo
verbalmente pessoas detidas sob sua custódia, o que foi entendido como
situações de constrangimento e vexame.
O juiz
Fernando Tonding Etges, encerrou a ação penal e determinou o arquivamento do
processo após a homologação de um acordo para suspensão condicional que
envolvia o pagamento de R$ 1,2 mil e comparecimento mensal do deputado em juízo
– o que a defesa depois justificou a ausência alegando as atividades
legislativas do parlamentar em Brasília.
Em nota
à Pública, Fahur afirmou que todos os envolvidos foram autuados legalmente pela
Polícia Civil. “Durante uma entrevista sobre a ocorrência, me referi aos três
envolvidos como ‘Gordo’, ‘Gordinho’ e ‘Robocop’. Cabe esclarecer que as
alcunhas ‘Gordo’ e ‘Gordinho’ foram informadas pelos próprios detidos durante a
abordagem. Já a expressão ‘Robocop’ foi utilizada em referência ao terceiro
indivíduo, que caminhava de forma rígida porque estava com haxixe preso às
pernas com fita adesiva”, narrou. O parlamentar disse não se envergonhar do
ocorrido.
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Sargento Gonçalves
Em
2022, Evandro Gonçalves da Silva Júnior, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN),
foi processado criminalmente por matar um suspeito de roubo de veículo com uma
submetralhadora durante uma perseguição policial em julho de 2021, quando ainda
atuava como 3º Sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.
O caso
chegou a tramitar na Justiça Militar, mas posteriormente foi encaminhado para a
Justiça Comum. A investigação concluiu que os policiais haviam atuado em
legítima defesa.
Em
nota, a defesa do sargento informou que as 1ª e 2ª Varas Criminais de Natal
arquivaram o caso que “foi encerrado na fase de investigação, sem denúncia ou
condenação do Sargento Gonçalves”. “A apuração militar também concluiu pelo não
indiciamento dos policiais envolvidos, por não identificar crime militar ou
transgressão disciplinar”, afirmou a equipe do deputado.
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Pedro Aihara
Em
2024, o deputado Pedro Doshikazu Pianchao Aihara (PP-MG), que é bombeiro
militar, foi alvo de procedimento investigatório criminal conduzido pelo MPF
por suspeita de descaminho – crime que consiste em iludir, no todo ou em parte,
o pagamento de impostos ou direitos devidos pela entrada, saída ou consumo de
mercadorias permitidas no país.
A
Receita Federal apreendeu quatro notebooks de procedência estrangeira com
Aihara no aeroporto de Foz do Iguaçu. Segundo o relatório fiscal, o valor dos
impostos que deixaram de ser recolhidos era de R$ 2,8 mil.
O MPF
pediu o arquivamento do procedimento, citando o princípio da insignificância e
jurisprudência dos tribunais superiores que afasta a tipicidade criminal em
determinadas situações envolvendo débitos tributários inferiores a R$ 20 mil. O
procedimento foi encerrado sem aplicação de penalidade.
Por
meio de nota, a assessoria do deputado informou que “o episódio decorreu
exclusivamente de um contratempo logístico e de interpretação burocrática por
parte da fiscalização”: “O grupo viajou em quatro pessoas, mas, devido a
contingências de retorno (parte da equipe deslocou-se por via terrestre e o
deputado por via aérea), os equipamentos acabaram sendo concentrados
temporariamente para transporte conjunto”.
“Não
houve qualquer intuito comercial, clandestinidade, fraude ou dano ao erário,
premissas atestadas pela absoluta boa-fé e transparência com que os bens foram
portados e apresentados. Inclusive há a comprovação de todos esses aspectos no
recurso administrativo que foi apresentado”, informaram.
Fonte:
Por Jéssica Ribeiro, em Agência Pública

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