Lula
cresce após fim das bets e polêmica religiosa
A
campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou a
última semana antes do primeiro turno ganhando um pouco de fôlego nas
pesquisas, após permanecer empacada por semanas. Dois levantamentos divulgados
na segunda-feira (28/09) apontam que Lula está em viés de alta e que ampliou
sua vantagem sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, saindo
da situação de empate técnico.
As
pesquisas sugerem que essa reação possa estar ligada em parte ao banimento das
bets – assinado pelo presidente na semana passada – e a polêmica sobre Nossa
Senhora Aparecida que tomou as redes sociais nos últimos dias e que colocou a
campanha de Flávio na defensiva. Os dois acontecimentos coincidem com
movimentações doseleitorados católico e feminino na preferência por Lula,
indicam as pesquisas.
De
acordo com o levantamento BTG/Nexus, Lula avançou de 40% para 42% em relação à
semana passada. Flávio permaneceu com 37%. Dessa forma, a vantagem de Lula
finalmente saiu da situação de empate técnico, considerando a margem de erro de
dois pontos.
A
pesquisa Quaest mostrou a mesma oscilação positiva para Lula, com o petista
aparecendo com 39%, ante 37% na semana passada. Flávio, por sua vez, apareceu
com 34%, contra 33% na pesquisa anterior. Assim como na pesquisa Nexus, a
vantagem de Lula também saiu da margem de erro.
Desde o
início de setembro, as pesquisas BTG/Nexus vinham mostrando um cenário estável
no primeiro turno, com Lula e Flávio num persistente empate técnico, com uma
leve vantagem para Lula. Um cenário similar de estagnação também vinha sendo
observado na Quaest.
Até
mesmo escândalos como as conexões entre o Banco Master e ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF), que dominaram o noticiário na primeira metade de
setembro, não pareciam alterar a tendência de estabilidade das pesquisas. Mas
dois novos fatos nos últimos dias podem ter finalmente rompido o engessamento
de uma parte do eleitorado.
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Polêmica sobre Nossa Senhora: crescimento de Lula entre católicos
Na
pesquisa BTG/Nexus, Lula avançou três pontos percentuais entre eleitores
católicos, indo de 44% para 47% em uma semana na pesquisa estimulada. Já Flávio
Bolsonaro oscilou negativamente um ponto percentual nesse grupo religioso, de
34% para 33%.
Na
pesquisa Quaest, o crescimento de Lula entre católicos foi de cinco pontos, de
43% a 48%. Flávio, por sua vez, teve uma oscilação positiva entre católicos, de
27% para 29%, dentro da margem de erro.
Lula
também melhorou sua preferência na Quaest quando os eleitores católicos foram
questionados sobre qual candidato não votariam de jeito nenhum no primeiro
turno. A rejeição ao petista entre católicos caiu de 49% para 45%, enquanto a
de Flávio se manteve em 62%.
A
movimentação ocorre após uma polêmica envolvendo a padroeira do Brasil, que
começou na semana passada após publicações em perfis de esquerda nas redes
associarem Flávio Bolsonaro a iniciativas de retirada do título de Nossa
Senhora Aparecida. Flávio Bolsonaro classificou a movimentação como a maior
"fake news dessa campanha" e acionou a Justiça Eleitoral para pedir a
remoção das publicações.
Lula
aproveitou o momento e disse no último fim de semana que "esse negócio de
mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável". A primeira-dama, Janja
da Silva, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, também aproveitaram para surfar
na polêmica, ajudando a colocar a campanha de Flávio na defensiva.
No caso
da pesquisa Quaest, o questionário da pesquisa havia sido registrado junto à
Justiça Eleitoral quando a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida se
disseminou nas redes. "Mas há forte evidência de que o tema favoreceu Lula
ao aumentar o medo da volta da família Bolsonaro entre católicos", aponta
Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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Fim da bets: Lula amplia vantagem entre mulheres e consegue até avançar entre
evangélicos
Na
pesquisa Quaest, Lula também apareceu em tendência de alta entre mulheres,
subindo três pontos percentuais, dentro da margem de erro de três pontos desse
segmento, indo de 37% para 40%.
Flávio
Bolsonaro, por sua vez, oscilou três pontos para baixo, indo de 32% para 29%.
Há uma semana, Lula tinha vantagem de quatro pontos porcentuais em relação a
Flávio entre o eleitorado feminino. Agora, a vantagem do petista é de 11
pontos. Outros nomes somaram 7%, os brancos e nulos, 11%, as indecisas, 8%. Já
na pesquisa BTG/Nexus, Lula aparece com vantagem de 14 pontos sobre Flávio: 46%
contra 32%.
No
levantamento Quaest para o segundo turno, o avanço de terreno de Lula também
ficou mais nítido. Empatado tecnicamente com Flávio duas semanas atrás, o
petista agora tem uma vantagem de nove pontos.
Segundo
Nunes, o aumento da vantagem entre mulheres "parece estar muito associado
ao pacote de medidas anunciado pelo governo na última semana",
especialmente a proibição das bets, o reajuste do Bolsa Família e a
distribuição das canetas emagrecedoras pelo SUS.
O
banimento das bets é aprovado por 62% do eleitorado, segundo a pesquisa Quaest.
Entre as mulheres, a aprovação é levemente maior: 64% (contra 61% dos homens).
Flávio Bolsonaro, por sua vez, se manifestou publicamente a favor do banimento
de certos tipos de apostas, como o "jogo do tigrinho", mas disse que
é contra banir bets esportivas.
Ainda
na Quaest, Lula melhorou suas intenções de voto entre os evangélicos, passando
de 23% para 27% na comparação com a pesquisa da semana passada. O segmento
ainda é largamente dominado por Flávio Bolsonaro, mas o senador viu suas
intenções de votos oscilarem negativamente entre os eleitores evangélicos,
passando de 49% para 46%, dentro da margem de erro de três pontos para esse
recorte.
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Segundo turno ainda permanece indefinido, segundo as pesquisas
O
crescimento de Lula entre católicos e mulheres também pode ser observado nas
pesquisas de voto estimulado do segundo turno. Na pesquisa BTG/Nexus, Lula
oscilou de 51% para 52% entre os católicos questionados sobre o voto na segunda
rodada. Já Flávio oscilou negativamente de 40% para 39%.
Na
Quaest, o presidente apareceu com 50% dos votos católicos no segundo turno,
contra 37% de Flávio. Na semana passada, os índices eram 46% e 37%,
respectivamente. Entre os evangélicos, Lula também passou de 28% para 30%,
enquanto Flávio registrou uma osculação negativa de 58% para 54%.
No voto
das mulheres do segundo turno, Lula também oscilou positivamente, oscilando
dois pontos para cima e aparecendo com 46%. Já Flávio permaneceu com os mesmos
37%.
Apesar
da tendência de alta observada em relação a Lula, o segundo turno permanece em
aberto tanto na pesquisa BTG/Nexus quanto na Quaest.
Na
primeira, o presidente aparece com 46% das intenções de voto, mesmo índice da
pesquisa anterior. Já Flávio Bolsonaro soma 44% tendo oscilado negativamente um
ponto em relação ao levantamento da semana passada. Apesar da diferença, os
dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois
pontos.
Na
pesquisa Quaest para o segundo turno, Lula oscilou positivamente de 41% para
42%, mesmo índice de Flávio Bolsonaro. Os dois, portanto, aparecem empatados.
Indecisos somam 3%, e 13% afirmam que não pretendem votar em ninguém.
O
perde-perde da Globo para Lula. Por Florestan Fernandes Jr
Trinta
e sete anos após a edição do último debate eleitoral de 1989, que terminou com
a vitória de Fernando Collor de Mello no enfrentamento com Lula, a Rede Globo
parece disposta a se superar. Nem precisará utilizar seus editores. Indo ou não
ao debate, o candidato Lula poderá sair como o grande perdedor, pelo menos na
visão canhestra da emissora.
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Se
comparecer nesta quinta-feira (1º) aos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro,
o presidente ficará engessado pelo modelo do debate. Além de ser o alvo dos
três adversários, produzirá falas que poderão ser recortadas e utilizadas à
exaustão, com a ajuda de robôs e algoritmos, até o dia da votação.
Se não
comparecer, o que é um direito de qualquer cidadão de declinar de um convite
para debates e até para entrevistas, Lula também poderá pagar um preço alto.
Segundo
o Painel da Folha de S.Paulo, a emissora dos Marinho decidiu que irá punir o
candidato que faltar ao debate não apenas com a exibição da cadeira vazia.
Pasmem: os outros três candidatos também terão o direito de fazer perguntas ao
ausente.
Ou
seja, a Globo não apenas registrará a ausência de Lula, mas criará uma dinâmica
que permitirá aos três adversários dirigir perguntas a um candidato que não
estará presente para respondê-las. Na prática, trata-se de uma regra que pode
produzir um efeito político-eleitoral relevante sobre quem decidir não
participar do debate.
Mais do
que isso, na minha avaliação, a emissora estará utilizando uma concessão
pública para impor uma espécie de punição editorial a um candidato que tomou
uma decisão contrária aos interesses da emissora. Se essa regra for mantida,
estaremos diante de uma interferência editorial com viés político-eleitoral.
A
questão é ainda mais grave quando se considera um dos compromissos fundamentais
do bom jornalismo: a imparcialidade. E, neste caso, há também um princípio
elementar que não deveria ser abandonado: quando alguém é acusado ou criticado
publicamente, deve ter assegurado o direito de resposta e de apresentar sua
versão dos fatos.
Criar
uma situação em que três adversários possam questionar um candidato ausente,
sem que ele esteja presente para responder, significa transformar a ausência em
uma espécie de tribunal sem direito de defesa. Se isso se confirmar, a Globo
não estará apenas organizando um debate: estará estabelecendo uma regra com
potencial de interferir na disputa eleitoral a três dias da votação.
É por
isso que a questão ultrapassa os limites de uma emissora e de um candidato.
Quando uma concessão pública entra na disputa eleitoral como instrumento de
punição, o problema deixa de ser apenas jornalístico. Passa a ser uma questão
de defesa da nossa democracia.
Fonte:
DW Brasil/Brasil 247

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