terça-feira, 25 de agosto de 2026

Fifa pune Argentina por racismo, Malvinas e briga na Copa

A Comissão Disciplinar da Fifa decidiu aplicar sanções de dez partidas a Leandro Paredes, sete a Nahuel Molina, uma a Thiago Almada, três a Roberto Ayala, todos da Argentina, e uma ao espanhol Gavi pelos incidentes ocorridos após a final da Copa do Mundo, na qual a Espanha venceu a Argentina por 1 a 0.

Todos eles deverão cumprir a pena nas próximas partidas das seleções nacionais.

O órgão da entidade máxima do futebol mundial impôs ainda multas a Paredes e Molina no valor de 90 mil dólares cada (R$ 462,7 mil), e de 30 mil dólares (R$ 154,2 mil) cada a Almada, Ayala e Gavi.

Além disso, a Associação do Futebol Argentino (AFA) foi multada em 321 mil de dólares (R$ 1,6 bilhão) por incidentes ocorridos em várias partidas do torneio. A seleção argentina terá que disputar as duas próximas partidas em casa com restrição de público (50%).

A AFA reagiu, qualificando as sanções de "exageradas", mas reconheceu a importância de "conscientizar as pessoas [...] a se comportarem de maneira adequada" nos estádios — referência a diversos episódios de racismo protagonizados por torcedores argentinos.

A entidade anunciou que pretende recorrer das penalidades ao Tribunal de Arbitragem do Esporte.

<><> Confusão e pancadaria na final

A final entre Argentina e Espanha na Copa do Mundo foi marcada por diversos confrontos, ocorridos após o encerramento do jogo.

Paredes e Almada tiveram conduta antidesportiva com o espanhol Eric García e, quando Gavi apareceu para defender o companheiro, foi derrubado pelos argentinos; já Molina desferiu um soco no torso de Rodri enquanto este corria comemorando o título, e Ayala também deu um soco em Dani Olmo.

A multa à AFA também está relacionada a incidentes em partidas da albiceleste contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha.

<><> Exibição de faixa no gramado sobre as Malvinas e manifestações racistas na torcida

Já a multa à AFA foi motivada "por violação do artigo 13, parágrafo 2, no que diz respeito a utilizar um evento esportivo para realizar manifestações de natureza não esportiva", segundo a Fifa, em referência à exibição, pela seleção argentina, de uma faixa que afirmava que as ilhas Malvinas são argentinas.

A Fifa também viu violação do artigo 14, sobre conduta inadequada de uma equipe; do artigo 15, por discriminação e agressões racistas, pelos cânticos e gestos discriminatórios de seus torcedores; e do artigo 17, sobre ordem e segurança nas partidas do Código Disciplinar.

Da multa de 321 mil dólares a ser paga pela AFA, 100 mil dólares "deverão ser investidos em um plano de combate à discriminação", segundo a Fifa.

A implementação de uma parte da sanção contra a AFA — uma das duas partidas com restrição de público e 100 mil dólares da multa — ficará suspensa por um período probatório.

Segundo o assessor jurídico da AFA, Andrés Paton Urich, as suspensões dos jogos valem apenas para as partidas oficiais da Fifa, não para amistosos e partidas da Copa América.

•        Por que Fifa decidiu punir Argentina e suspender jogadores

A Associação Argentina de Futebol (AFA) foi multada pela Fifa em US$ 321 mil (R$ 1,6 milhão) por uma série de violações ao código disciplinar da entidade durante a Copa do Mundo de 2026.

Entre elas estão o uso do evento para manifestações de natureza não desportiva, comportamento inadequado da equipe e cantos e gestos discriminatórios de seus torcedores.

Um dos episódios que motivaram a punição ocorreu após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, quando vários jogadores argentinos exibiram uma faixa com a frase "Las Malvinas son Argentinas" — As Malvinas são argentinas, na tradução para o português—, reivindicando a soberania do país sobre as Ilhas Falklands, território britânico ultramarino.

Do valor total da multa, US$ 100 mil (R$ 500 mil) deverão ser destinados a um plano de combate à discriminação. Outros US$ 100 mil (R$ 500 mil) ficaram suspensos e poderão ser cobrados caso a Argentina cometa novas infrações durante o período determinado pela Fifa.

Além da sanção financeira, a Argentina terá de disputar os próximos dois jogos em casa com 50% da capacidade dos estádios, embora uma dessas partidas esteja suspensa.

A Fifa também puniu jogadores e integrantes da comissão técnica da Argentina envolvidos nos confrontos com jogadores espanhóis após a derrota por 1 a 0 na final contra a Espanha.

O meio-campista Leandro Paredes foi suspenso por dez partidas, enquanto Nahuel Molina recebeu uma suspensão de sete jogos. Além das suspensões, ambos terão de pagar multas de US$ 90 mil (R$ 460 mil).

Paredes agarrou Eric García pelo pescoço e derrubou Gavi no chão durante uma disputa, antes de acertá-lo no rosto.

Molina, por sua vez, pareceu dar um soco no melhor jogador da partida, Rodri, enquanto o espanhol corria para comemorar a vitória da Espanha.

Gavi — que afirmou não acreditar que Paredes deveria ser punido — cumprirá uma suspensão de uma partida e pagará uma multa de US$ 30 mil (R$ 154 mil) por sua participação nos confrontos após a partida. A mesma punição foi aplicada ao argentino Thiago Almada.

Roberto Ayala, integrante da comissão técnica da Argentina, foi suspenso por três partidas e multado em US$ 30 mil (R$ 150 mil) por acertar o espanhol Dani Olmo no rosto.

"É uma punição dura, que deixa claro o quanto a Fifa ficou incomodada com o fato de seu principal evento, transmitido para uma audiência estimada em 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo, ter sido marcado por cenas tão graves", analisa Simon Stones, repórter-chefe de futebol da BBC.

As suspensões só serão cumpridas em partidas internacionais.

A Argentina afirmou que recorrerá das sanções e, caso não tenha sucesso, levará o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).

 

Fonte: DW Brasil/BBC Sports

 

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