A
rede de tráfico de cocaína comandada por alunos de uma das faculdades mais
famosas dos EUA
Eles
vieram para a Penn State — a universidade do Estado da Pensilvânia — de todos
os lugares dos Estados Unidos: atletas universitários e alunos de destaque
atraídos pela forte reputação acadêmica e pelas oportunidades sociais da
universidade.
Agostino
Abbatiello se formou em uma prestigiosa escola católica só para meninos em Long
Island, Nova York. Durante o ensino médio, ele se autodenominava um "coach
de vida" — o tipo de pessoa que vivia de acordo com o código moral da
escola, que pregava "fazer a coisa certa na hora certa porque é a coisa
certa a se fazer, independentemente de quem esteja observando".
Na Penn
State, no entanto, sua adesão a esse lema desmoronou.
Abbatiello,
de 24 anos, foi preso e indiciado esta semana, acusado de ser o líder de uma
organização de tráfico de drogas que incluía membros de fraternidades locais —
organizações exclusivamente masculinas presentes em muitos campi universitários
dos EUA. Nos EUA, algumas fraternidades são notórias por submeterem seus
membros em potencial a rituais de iniciação elaborados, conhecidos como hazing.
Ao todo, 13 estudantes, entre atuais e antigos, foram indiciados.
Mas, em
vez de submeter jovens universitários a desafios de consumo de álcool, os
promotores afirmam que os jovens criaram uma quadrilha de tráfico de drogas e
forçaram alguns estudantes a processar e embalar cocaína.
O
advogado de Abbatiello, que se entregou à polícia da Pensilvânia, não respondeu
ao pedido de comentário da BBC.
<><>
'Horror'
A
Universidade Estadual da Pensilvânia expressou seu horror diante das alegações
contra seus alunos atuais e antigos.
"Atividades
criminosas, incluindo hazing, como esta, não têm lugar em nossa instituição, e
cooperaremos com as autoridades policiais em tudo o que pudermos", disse
Andrea Dowhower, vice-presidente de assuntos estudantis, em um comunicado.
De
certa forma, o esquema, conforme descrito pelos promotores, lembra um roteiro
de filme de Hollywood: extenso e sofisticado, criado por jovens que haviam
acabado de sair do ensino médio.
As
autoridades alegam que os suspeitos utilizaram aplicativos como Snapchat e
Venmo. Semelhanças entre os nomes de usuários e seus nomes reais acabaram
ajudando na sua captura.
Eles
estão sendo acusados de obrigar candidatos a membros da fraternidade a cortar e
embalar a cocaína. Quando os policiais invadiram a casa da fraternidade, um dos
líderes do esquema alegou ter pensado que era uma pegadinha — até que a polícia
usou uma arma de choque contra ele ao descobrir um carregamento de drogas e uma
arma.
"Não
havia nada de amador ou infantil nesse tipo de conduta", disse o
procurador-geral da Pensilvânia, Dave Sunday, ao anunciar o indiciamento.
"Esta era uma organização de tráfico de alto nível para esta região da
Pensilvânia."
De
acordo com um relatório obtido pela BBC, membros da fraternidade Delta Upsilon
vendiam cocaína obtida junto a Abbatiello, membro da fraternidade Sigma Chi.
Abbatiello recebia as drogas de um fornecedor da Pensilvânia com quem Lars
Zeepvat, também membro da Sigma Chi, já havia feito negócios.
Mas
quando essa fonte de cocaína se esgotou, Abbatiello supostamente "buscou
uma nova fonte" e encontrou uma pessoa "em sua cidade natal, em Nova
York, que lhes forneceria quantidades ainda maiores de cocaína".
Depois
disso, segundo o relatório, Zeepvat percebeu "uma mudança em Abbatiello, e
ficou claro para ele que Abbatiello agora vendia drogas para obter lucro, em
vez de consegui-las para si mesmo e para alguns amigos".
Zeepvat
disse que Abbatiello lhe perguntou se ele "queria ganhar dinheiro e
ajudá-lo a distribuir cocaína", alega o relatório.
Não
demorou muito para que Zeepvat acompanhasse Abbatiello em entregas ou dirigindo
para "comprar grandes quantidades".
"Eles
dirigiam até um local com base em um endereço fornecido por Abbatiello, um
homem entregava uma sacola com cocaína... e eles retornavam com a sacola para a
universidade da Pensilvânia e a entregavam a Abbatiello", diz o relatório.
Dois
membros da fraternidade Delta Upsilon, Mohammed Huraibi e Thomas Robinson — que
também enfrentam acusações criminais — tornaram-se sócios no negócio de cocaína
em 2023, segundo os promotores, e a dupla começou a fazer compras cada vez
maiores de cocaína de Abbatiello.
Segundo
o relatório, no final de 2023, "vários dos aspirantes a membros da
fraternidade Delta Upsilon foram usados para embalar as drogas em pacotes de
meio grama para venda".
O
procurador-geral descreveu "um padrão de eventos que demonstrava que
cortar e embalar cocaína era, para alguns candidatos a membros da fraternidade,
uma forma de doutrinação nas fraternidades Delta Upsilon e Sigma Chi".
Os
advogados de Zeepvat e Huraibi não responderam aos pedidos da BBC por
comentários. Não havia advogado listado nos autos do processo para Robinson e a
BBC não conseguiu contatá-lo.
No
outono de 2024, o esquema que começou com alguns membros da fraternidade
vendendo entre si estava em plena expansão, e Robinson e Abbatiello
supostamente estavam recrutando mais ajuda, de acordo com o relatório. Amigos e
membros da fraternidade ajudavam na embalagem, entrega e distribuição.
Ao
mesmo tempo, porém, a polícia estava investigando tudo, conforme revelaram
documentos judiciais de 2024 obtidos pela CBC News.
De
acordo com esses documentos, um informante confidencial disse à polícia que um
homem usando o apelido "T-Rob" estava vendendo cocaína na sede da
fraternidade Delta Upsilon e aceitando pagamentos via Venmo com o nome de
usuário "Tom-Robinson".
As
autoridades não demoraram a rastrear a origem do dinheiro até o estudante da
Penn State. Posteriormente, a polícia fez uma busca em seu quarto na
fraternidade Delta Upsilon em dezembro de 2024, informou a CBS.
Robinson
pensou que era uma brincadeira. Ao não obedecer às ordens dos policiais, foi
atingido por uma arma de eletrochoque, segundo a CBS, citando os registros do
tribunal.
Segundo
a CBS, a polícia encontrou um saco com 220 gramas de maconha, frascos de
comprimidos, apetrechos para consumo de drogas, uma pistola e um carregador com
munição.
Ele
então apontou Abbatiello como seu fornecedor para a polícia — e o resto foi
revelado.
No
relatório obtido pela BBC, o co-réu Zeepvat descreveu Abbatiello como o
"maior distribuidor de cocaína da Universidade Estadual da
Pensilvânia" — ele foi acusado de vários crimes graves.
Essas
acusações incluem múltiplos crimes de posse ilegal de drogas com intenção de
distribuição e conspiração. Ele não compareceu a uma audiência em 17 de agosto,
mas se entregou no dia seguinte.
Robinson,
Zeepvat e Huraibi também foram acusados de crimes graves. A maioria dos outros
suspeitos enfrenta acusações de contravenções.
A Penn
State informou que a fraternidade Delta Upsilon está sujeita a suspensão
provisória. A Sigma Chi opera fora da supervisão da universidade.
O
diretor executivo da Sigma Chi, Michael Church, afirmou em um comunicado
divulgado pela CBS que a conduta alegada foi "uma violação flagrante de
nossos valores", que os membros acusados foram suspensos e que a
fraternidade envolvida também foi suspensa provisoriamente.
O
diretor executivo da Delta Upsilon, Justin Kirk, disse que a fraternidade está
trabalhando em estreita colaboração com a Penn State e os investigadores, e que
os suspeitos associados à fraternidade foram "expulsos, suspensos ou
renunciaram", de acordo com um comunicado à imprensa americana.
"Temos
o prazer de informar que os membros mais importantes desta organização de
tráfico de cocaína foram localizados e enfrentarão o devido processo
legal", disse o procurador-geral do Estado.
"Essas
são acusações muito sérias e os próximos passos serão as audiências
preliminares."
Fonte:
BBC News nos EUA

Nenhum comentário:
Postar um comentário