Aos
16 anos, ela ainda não sabia ler nem escrever. Conheça a trajetória de Marina
Silva
os 16
anos, Marina Silva ainda não sabia ler nem escrever. Anos depois, ela se
tornaria uma das principais vozes do mundo na defesa do meio ambiente, em uma
trajetória marcada pela educação, pela luta social e pela defesa da Amazônia.
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Uma Infância na Floresta
Nascida
em 8 de fevereiro de 1958 na colocação Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre,
Maria Osmarina Marina Silva de Souza era filha de Pedro Augusto e Maria
Augusta, retirantes nordestinos que haviam migrado para a Amazônia em busca de
sobrevivência. Em meio à dura realidade dos seringueiros, Marina cresceu em um
ambiente de extrema simplicidade e privações. “Eu acordava sempre às 4h da
manhã, cortava uns gravetos, pegava uns pedaços de seringueiras, acendia o
fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café
da manhã”, recordaria mais tarde.
A
família era numerosa: dos onze filhos do casal, três morreram ainda pequenos.
Marina, a segunda mais velha entre os oito sobreviventes, precisou ajudar desde
cedo no corte da seringa e no plantio de roçados para o sustento da família. O
acesso à educação era um privilégio distante. Aos 14 anos, aprendeu as quatro
operações básicas de matemática com outro seringueiro.
Aos 15
anos, Marina perdeu a mãe e passou a assumir responsabilidades pela casa e
pelos irmãos. Aos 16, contraiu hepatite e precisou buscar tratamento médico em
Rio Branco. Seu histórico de saúde incluía ainda episódios de malária e uma
leishmaniose, doenças associadas às condições precárias de vida na floresta.
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O Encontro com a Educação
Foi
nessa migração para a cidade que sua vida se transformaria radicalmente. Marina
tinha um sonho antigo: tornar-se freira. Mas, como a avó lhe dizia, “freira não
pode ser analfabeta”. Aproveitando a oportunidade de estar em Rio Branco para
tratamento de saúde, ela se dedicou à vida religiosa e, ao mesmo tempo, começou
a estudar.
Com a
permissão do pai, deixou a floresta e, para se sustentar na capital, trabalhou
como empregada doméstica, estudando durante as madrugadas. Foi por meio do
Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) que Marina começou a aprender a
ler e escrever.
Depois
do Mobral, cursou o ensino supletivo e ingressou no curso de História da
Universidade Federal do Acre. Em 1984, formou-se em História, após ter sido
aprovada em 18º lugar no vestibular.
Sua
formação foi complementada com pós-graduação em Psicopedagogia e Teoria
Psicanalítica, além de títulos de Doutora Honoris Causa concedidos pela
Universidade Federal da Bahia e pela Academia Chinesa de Silvicultura.
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O Despertar do Ativismo
Foi
nesse período que sua vida se entrelaçou com a causa ambiental e a luta social.
Sua iniciação política esteve ligada às Comunidades Eclesiais de Base e aos
movimentos sociais da Igreja Católica. Em 1979, Marina conheceu o líder
seringueiro Chico Mendes durante uma atividade de formação de lideranças
promovida pela Comissão Pastoral da Terra.
Em
1984, Marina ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre,
ao lado de Chico Mendes, que foi o primeiro coordenador da entidade, enquanto
ela atuava como vice-coordenadora. Enquanto Chico liderava os seringueiros em
Xapuri, Marina assumia boa parte da liderança do movimento sindical no estado.
A morte
de Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988, marcou profundamente sua
trajetória. O líder seringueiro, que lutava pela preservação da floresta e
pelos direitos dos trabalhadores extrativistas, tornou-se um símbolo
internacional da defesa da Amazônia.
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A Carreira Política
A
carreira política de Marina Silva deslanchou rapidamente. Em 1988, foi eleita
vereadora de Rio Branco e tornou-se a mais votada daquela eleição. Em 1990,
chegou à Assembleia Legislativa do Acre com 3.331 votos, também como a
candidata mais votada.
Em
1994, aos 36 anos, tornou-se a senadora mais jovem da história do Brasil,
eleita com mais de 64 mil votos no Acre. Reeleita para o Senado em 2002,
aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assumiu o
Ministério do Meio Ambiente, cargo que ocupou de 2003 a 2008.
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Legado Ambiental
À
frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva participou da implementação
de políticas públicas de combate ao desmatamento que se tornaram referência
internacional. Entre 2004 e 2012, o desmatamento na Amazônia caiu 84%, em uma
trajetória de redução que começou durante sua gestão e continuou após sua saída
do ministério.
Seu
trabalho lhe rendeu diversos prêmios, incluindo o Goldman Environmental Prize,
uma das principais premiações ambientais do mundo, e o Champions of the Earth,
concedido pela Organização das Nações Unidas.
Em
2023, Marina Silva retornou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima,
em um contexto de intensos debates sobre políticas climáticas e reconstrução
institucional. Em novembro de 2025, participou ativamente da atuação brasileira
na COP30, realizada em Belém, no coração da Amazônia.
Marina
também tem defendido que o enfrentamento da crise climática seja articulado ao
combate à desigualdade. Essa perspectiva esteve presente em sua atuação
internacional e nas discussões sobre justiça climática durante a COP30.
Seu
compromisso com essa agenda lhe rendeu, em 2025, o Prêmio de Liderança em
Desenvolvimento Sustentável do TERI, concedido em reconhecimento à sua atuação
em favor do desenvolvimento sustentável e da ação climática.
Marina
Silva foi candidata à Presidência da República em três oportunidades — 2010,
2014 e 2018 — apresentando propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável,
ao combate às desigualdades e à modernização institucional do país. Em 2015, a
Rede Sustentabilidade obteve seu registro partidário na Justiça Eleitoral.
Sua
história, que começou com uma alfabetização tardia, tornou-se um exemplo da
capacidade de transformação proporcionada pela educação. Dos seringais do Acre
aos principais fóruns internacionais sobre clima, Marina construiu uma
trajetória política marcada pela defesa da Amazônia, dos povos tradicionais e
de políticas de desenvolvimento sustentável.
Fonte: Por Yuri Ferreira, para Fórum

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