segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Como diferenciar demência rápida de Alzheimer e outras doenças

O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob recebido pelo especialista em aviação Lito Sousa, confirmado em agosto de 2026, acendeu um alerta sobre quadros de demência de progressão rápida. Diferente do Alzheimer, que avança lentamente ao longo de anos, essas condições neurológicas podem levar a perdas cognitivas e motoras severas em questão de meses ou até semanas, tornando o diagnóstico ágil um fator decisivo.

A principal característica que distingue a demência rapidamente progressiva (DRP) de outras doenças neurodegenerativas é a velocidade. Enquanto uma pessoa com Alzheimer pode levar anos para apresentar sintomas incapacitantes, um paciente com DRP pode evoluir de uma confusão mental leve para um estado de dependência total em menos de um ano. Esse declínio acelerado é o sinal mais importante para procurar ajuda médica urgente.

<><> Sinais que exigem atenção imediata

A perda de memória acelerada é um sintoma comum, mas geralmente vem acompanhada de outros sinais que não são típicos das fases iniciais do Alzheimer. É fundamental observar o conjunto de manifestações para entender a gravidade do quadro.

Os principais sintomas incluem:

•        Problemas motores: Dificuldade para andar, falta de coordenação, tremores e espasmos musculares involuntários, conhecidos como mioclonias.

•        Alterações de comportamento: Mudanças bruscas de humor, apatia severa, agitação ou quadros psicóticos que surgem de forma repentina.

•        Dificuldades na fala e visão: Problemas para articular palavras, perda de vocabulário ou distúrbios visuais, como visão dupla ou embaçada, que não tinham causa oftalmológica.

<><> Causas diversas e a importância do diagnóstico

As demências de progressão rápida não são uma doença única, mas um conjunto de condições com múltiplas causas possíveis. A doença de Creutzfeldt-Jakob, de origem priônica, é uma das mais conhecidas, mas também muito rara, com incidência de cerca de um caso por milhão de habitantes ao ano. Sua evolução costuma ser fatal, com aproximadamente 90% dos pacientes evoluindo para óbito em até um ano. Outras origens para DRPs incluem encefalites autoimunes, onde o sistema imunológico ataca o cérebro, infecções no sistema nervoso central, distúrbios metabólicos e até algumas formas atípicas de Alzheimer.

A investigação médica é crucial porque, ao contrário da maioria das demências degenerativas, algumas causas de DRP são tratáveis e até reversíveis. Quadros provocados por deficiências vitamínicas, infecções ou condições autoimunes podem ser revertidos se identificados e tratados a tempo. Exames de imagem, como a ressonância magnética, e a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor), que pode incluir testes modernos de alta precisão como o RT-QuIC, são essenciais para determinar a causa e iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível.

•        Creutzfeld-Jacob: entenda doença rara e sem cura

A mulher do influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Musica, contou em um vídeo que ele recebeu o diagnóstico de Creutzfeld-Jacob, doença que não tem tratamento e causa a perda gradativa dos movimentos e demência.

No vídeo, publicado nesta sexta-feira nas redes sociais, a esposa de Lito, Mila, comentou que o diagnóstico demorou a ser fechado, mas que nas últimas semanas o influenciador perdeu parte da capacidade motora e recebeu a notícia da doença.

A doença Creutzfeld-Jacob (DCJ) é uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e sem cura, caracterizada por provocar um quadro clínico inicial de demência, desordem cerebral com perda de memória e tremores, associados a outros sinais e sintomas neurológicos e multifocais. Existem quatro formas conhecidas de DCJ: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante.

Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados da enfermidade entre 2005 e 2021, período que corresponde aos primeiros 17 anos desde que a DCJ passou a integrar a lista de notificações compulsórias.

A DCJ é causada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon, que se multiplica no cérebro e destroem neurônios, deixando no tecido cerebral um padrão de buracos que dá origem ao tempo “espongiforme”. Até hoje, não há tratamento capaz de reverter ou interromper sua evolução.

No Brasil, a doença atinge principalmente pessoas mais velhas, e a faixa de 55 a 74 anos concentrou 60,2% das notificações, com idade média de 66 anos entre os casos suspeitos, perfil diferente do caso de Lito, já que a forma esporádica costuma acometer pessoas entre 60 e 80 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses. 

A forma exata de transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) esporádica é desconhecida. Não existe evidência científica indicando que a doença possa ser transmitida pelo ar ou pelo contato diário social e casual com os pacientes, como vestimenta, uso comum de copos e utensílios de cozinha ou contato íntimo (abraço, beijos, relações sexuais etc.). Portanto, não apresenta risco diferencial para os familiares do paciente em relação ao cidadão comum. Além disso, não existem casos relatados associados à exposição ao agente etiológico da DCJ em superfícies como pisos, paredes ou bancadas.

Os sintomas são variáveis e inespecíficos, mas a doença pode se apresentar por meio de um quadro clínico inicial de demência associada a outros sinais e sintomas neurológicos multifocais e psiquiátricos, como desordem cerebral, perda de memória, tremores, ataxia, afasia, falta de coordenação motora, distúrbios visuais, espasmos musculares e alterações de comportamento.

Os cuidados se concentram no manejo dos sintomas, suporte ao paciente e controle de complicações, o mesmo tratamento paliativo mencionado por Mila, esposa de Lito. O diagnóstico combina avaliação clínica com exames de imagem, como ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia, além do exame RT-QuIC, feito a partir do líquido cefalorraquidiano, que tem alta especificidade para confirmar casos suspeitos.

•        Cuidados paliativos na doença de Creutzfeldt-Jakob: guia prático

 O diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) no especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, confirmado por sua família em agosto de 2026, trouxe à tona a discussão sobre uma condição rara e sem cura. A doença neurodegenerativa provoca uma rápida deterioração das funções cerebrais e motoras, tornando a abordagem de cuidados paliativos essencial desde o diagnóstico.

Diferente de tratamentos que buscam a cura, os cuidados paliativos na DCJ focam em proporcionar a melhor qualidade de vida possível. O objetivo é aliviar os sintomas dolorosos e estressantes, oferecendo dignidade ao paciente durante o avanço da doença, que costuma ser rápido, levando ao óbito em até um ano na maioria dos casos. Essa abordagem envolve uma equipe multidisciplinar que trabalha para controlar o sofrimento físico, psicológico e emocional.

<><> Principais focos do tratamento de suporte

A estratégia de cuidados é personalizada, adaptando-se à medida que novos sintomas surgem. O planejamento é feito em conjunto com a família, sempre respeitando os desejos do paciente enquanto ele consegue se comunicar. O suporte se concentra em áreas críticas para garantir o bem-estar e o conforto.

As ações práticas para o alívio dos sintomas incluem diversas frentes de atuação:

>> Controle da dor e espasmos:

- o uso de medicamentos analgésicos e relaxantes musculares é fundamental para lidar com a dor e os espasmos musculares involuntários (mioclonia), que são comuns na DCJ e causam grande desconforto.

>> Nutrição e hidratação:

- com o avanço da doença, a dificuldade para engolir (disfagia) se torna um desafio. A alimentação pode ser adaptada para texturas mais seguras ou, em estágios avançados, administrada por vias alternativas para evitar desnutrição e desidratação.

>> Conforto respiratório:

- o comprometimento dos músculos respiratórios pode gerar dificuldades. Medidas como posicionamento adequado e, em alguns casos, suporte de oxigênio ajudam a garantir uma respiração mais confortável.

>> Saúde mental:

- o suporte psicológico é crucial tanto para o paciente quanto para os familiares. O acompanhamento ajuda a lidar com a ansiedade, a depressão e o processo de luto.

>> Ambiente seguro:

- adaptar a casa para prevenir quedas e lesões é uma medida importante, especialmente no início da perda de coordenação motora. O objetivo é manter a mobilidade do paciente com segurança pelo maior tempo possível.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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