segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Como a Argentina baniu a oposição

Imagine a pessoa em quem você já havia decidido votar na próxima eleição — o líder em quem seu grupo mais confia, aquele cujo nome você colocaria na cédula sem pensar duas vezes. Não uma figura marginal. Não alguém flagrado enriquecendo ilicitamente ou acusado de forma crível de ordenar um assassinato em uma esquina. Imagine acordar com a notícia de que essa pessoa não estará na cédula, porque um tribunal decidiu que as atividades comuns de governar — um contrato assinado, um subsídio aprovado, um programa lançado, um orçamento promulgado — constituíam, na verdade, um crime e a condenou à prisão, banindo-a da vida pública para sempre.

Mantenha essa pessoa em mente, seja quem for. Para metade do país, é de esquerda; para a outra metade, de direita. Esse é exatamente o ponto. Todo líder que de fato governou deixa um legado de decisões contestáveis ​​— a essência de governar nada mais é do que decisões contestáveis ​​— e qualquer uma delas pode ser relida posteriormente por um promotor motivado e um tribunal complacente, não como política, mas como crime. A máquina política não se importa com quem você votou. Ela só precisa de um alvo e um tribunal.

A maioria dos cidadãos, independentemente de suas convicções políticas, reconheceria imediatamente o que estava diante de seus olhos. Não se tratava do Estado de Direito, mas de sua inversão: os tribunais transformados em instrumento para eliminar o oponente que as urnas não conseguiriam. Compreenderiam que uma república na qual o Estado pode prender e desqualificar o favorito das pesquisas, criminalizando os atos do governo, deixou de ser uma democracia em qualquer sentido relevante — e que as eleições realizadas posteriormente, por mais transparente que seja a contagem dos votos, são, em sua essência, vazias.

Para os argentinos, nada disso exige imaginação. São simplesmente as notícias.

<><> Banida da vida política para sempre

Essa política é Cristina Fernández de Kirchner. Eleita presidente duas vezes e posteriormente vice-presidente, ela nunca perdeu uma eleição nacional. Hoje, lidera o Partido Justicialista e continua sendo a figura mais formidável que a política argentina produziu neste século. Sua estatura política tem sido comparada à de Eva Perón.

Desde junho de 2025, no entanto, Kirchner está presa. Por ter mais de setenta anos, ela cumpre sua pena em prisão domiciliar em um apartamento na rua San José, 1111, em Buenos Aires. Uma tornozeleira eletrônica monitora seus movimentos. Suas visitas são restritas por ordem judicial. Até mesmo seu acesso ao terraço de sua casa tornou-se objeto de litígio federal. Este mês, um tribunal de apelações recusou-se novamente a flexibilizar essas condições. Sua sentença — seis anos de prisão e inabilitação permanente para cargos públicos — é definitiva. Ela não aparecerá nas urnas em 2027. Ela não aparecerá em nenhuma outra cédula eleitoral.

O caso que originou essa condenação, conhecido como Vialidad, dizia respeito à administração de contratos de obras rodoviárias públicas na província de Santa Cruz, no sul do país. É importante especificar em que se baseia a condenação, pois os detalhes constituem a essência da argumentação. O laudo pericial que sustentou a alegação de fraude analisou apenas cinco dos cinquenta e um projetos rodoviários. O próprio tribunal admitiu não ter provas diretas de conduta criminosa e ter fundamentado sua argumentação com base em inferências.

O Supremo Tribunal que proferiu a condenação foi reduzido a três juízes. Até mesmo Raúl Zaffaroni, ex-ministro do Supremo Tribunal e figura de destaque, observou que nenhum país sério confia sua mais alta corte a um painel de apenas três pessoas. Vários dos juízes que atuaram no caso em diferentes fases mantêm laços sociais bem documentados com Mauricio Macri, o presidente conservador sob o qual o processo ganhou forma. Kirchner era a inimiga perfeita para Macri e a direita argentina: mulher, peronista e defensora da redistribuição de renda.

<><> Dos tanques aos tribunais

Vale lembrar também que a primeira tentativa não foi por meio do tribunal. Em setembro de 2022, quando a acusação chegava ao seu clímax, um homem abriu caminho pela multidão em frente à casa de Kirchner, apontou uma pistola para o rosto dela e apertou o gatilho duas vezes. A arma não disparou.

Anos depois, a questão de quem, se é que alguém, o instruiu permanece sem resposta. Um dos maiores jornais do país registrou a sequência em uma manchete muito comentada na época: a bala que não disparou e a sentença que dispararia. A bala falhou. A sentença, não.

Os argentinos têm uma palavra para o que está sendo feito com Kirchner, e eles não a criaram para a ocasião: “proscripción” — proscrição. Após o golpe de 1955 que derrubou Juan Domingo Perón, o peronismo — o movimento da classe trabalhadora organizada do país e, durante a maior parte desse período, sua maioria eleitoral — foi banido completamente das eleições nacionais por dezoito anos. Seu líder viveu no exílio; seus candidatos foram excluídos das cédulas; seu próprio nome foi declarado, por um tempo, ilegal de ser impresso.

Os generais e seus aliados civis entenderam algo que seus descendentes ainda entendem: quando um movimento enraizado entre os trabalhadores e os pobres continua vencendo, a maneira mais simples de governar contra a maioria é impedir que ela escolha. O que mudou desde 1955 foi apenas o instrumento. Onde antes se apoiavam em tanques e decretos, agora usam acusações e tribunais de três juízes.

<><> Lawfare argentino

Éisso que a palavra “lawfare” denomina — não uma teoria da conspiração, mas um padrão reconhecível e recorrente com sua própria gramática, que se espalhou pela região neste século. Fernando Lugo destituído do cargo no Paraguai por um processo de impeachment de dois dias. Dilma Rousseff destituída no Brasil por irregularidades na contabilidade orçamentária. Luiz Inácio Lula da Silva preso e impedido de exercer cargos públicos antes de ser finalmente inocentado. Rafael Correa condenado no Equador e forçado ao exílio. Evo Morales destituído do cargo na Bolívia. Os detalhes diferem; a coreografia, não: um judiciário complacente, uma mídia concentrada que chega a um veredicto antes dos tribunais, uma diplomacia que aprova o resultado e sempre — sempre — um alvo que governou para as pessoas erradas.

Os argentinos irão às urnas em 2027 em um país onde a líder do maior partido de oposição permanece sob vigilância em seu apartamento, impedida de concorrer. Os votos serão quase certamente contados honestamente. É exatamente isso que torna a situação tão instrutiva e sombria: é possível corroer uma democracia sem sequer tocar na contagem dos votos, simplesmente decidindo antecipadamente quem tem permissão para se candidatar.

Então, voltemos ao experimento mental, porque na verdade não é uma hipótese — é uma tradução do que já está acontecendo. Se você reconhecesse a prisão e a desqualificação do candidato em quem pretendia votar como uma crise democrática, então já entenderia o que está acontecendo em Buenos Aires.

¨      Colômbia e Israel: a cínica diplomacia do desastre. Por Gabe Levine-Drizin

Na manhã de 10 de agosto, um poderoso terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, deixando quase 300 mortos, 4.000 feridos e, segundo as últimas estimativas, potencialmente milhares de desaparecidos. A crise representou um teste inicial para o novo presidente de extrema direita, Abelardo de la Espriella, que havia assumido o cargo poucos dias antes. Poucas horas após o terremoto, enquanto colombianos ainda jaziam sob os escombros de prédios destruídos, o governo emitiu uma longa declaração reconhecendo a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, território sírio ocupado ilegalmente por Israel desde 1967. A declaração, que desencadeou uma crise diplomática com os países árabes, colocou a Colômbia ao lado dos Estados Unidos como o único outro país do mundo a reconhecer a reivindicação de Israel sobre o território.

Embora o governo colombiano tenha sido justamente criticado, tanto nacional quanto internacionalmente, pelo momento escolhido para o anúncio, isso não foi por acaso. Apesar de o desejo de De la Espriella de estreitar laços com Israel ser anterior ao terremoto, as ações do novo governo desde o desastre demonstram que ele pretende usar a crise para justificar relações mais próximas com o país do Oriente Médio. Essa dinâmica já se evidenciou na Venezuela, onde o envio de ajuda humanitária por Israel após os terremotos devastadores abriu caminho para a restauração das relações consulares entre os antigos inimigos.

A reaproximação entre a Colômbia e Israel é particularmente difícil de aceitar, dado o papel recente da Colômbia como líder do movimento global de solidariedade com a Palestina sob a presidência de Gustavo Petro, antecessor de De la Espriella. No entanto, faz parte de uma tendência regional mais ampla em que governos de extrema direita demonstram sua lealdade a Israel ou fazem gestos imediatos aos seus líderes assim que assumem o poder.

<><> A diplomacia do desastre

O terremoto de 10 de agosto causou extensos danos nos departamentos de Chocó (seu epicentro), Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas. Houve cortes de energia, desabamentos de prédios e o número de mortos continua subindo. Lutando para lidar com o caos, o governo mobilizou recursos estaduais e contou com as comunidades locais para grande parte do socorro imediato. As primeiras 72 horas são consideradas críticas em uma resposta a terremotos para preservar a vida de sobreviventes presos nos escombros, mas o governo levou três dias inteiros para aceitar formalmente o auxílio das equipes internacionais de resgate e, quando finalmente o fez, estabeleceu cooperação apenas com aliados de direita: Estados Unidos, Equador, El Salvador e Israel.

Embora este último caso possa ser uma surpresa, trata-se de um papel já conhecido dos israelenses na região. Há décadas, o país fornece ajuda humanitária e equipes de resgate após desastres naturais. Nos últimos anos, as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o Fórum Israelense para Ajuda Internacional (IsraAID) foram mobilizados para o Peru, México e Haiti após terremotos, bem como para o Brasil após o rompimento de uma barragem em 2019.

Essa ajuda funciona como uma forma de diplomacia do desastre, buscando melhorar a imagem de Israel no cenário internacional, mesmo enquanto utiliza a ajuda humanitária em Gaza como arma de guerra contra os palestinos. Por meio desses mecanismos, o Estado israelense busca melhorar as relações diplomáticas com países cujos governos podem ter sido, em algum momento, mais críticos.

Na vizinha Venezuela, o envio de ajuda israelense após os devastadores terremotos seguidos lançou as bases para o restabelecimento das relações consulares. Como Simón Rodríguez relatou recentemente para o North American Congress on Latin America (NACLA), a missão de resgate de Israel foi explicitamente apresentada por ambos os lados como uma forma de reiniciar as relações diplomáticas que haviam sido rompidas sob o governo do ex-líder venezuelano Hugo Chávez. Desde o início, a presidente interina Delcy Rodríguez expressou sua esperança de que a ajuda “abrisse novos caminhos e portas” com “países com os quais não temos relações diplomáticas”; o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por sua vez, agradeceu à equipe de resgate israelense por “reconstruir ruínas e relações”.

Na Venezuela, os mesmos agentes humanitários que participaram da missão desempenharam um papel ativo na justificativa e perpetuação do genocídio israelense em curso em Gaza. Como Rodríguez destaca, a ZAKA, uma ONG fundada na década de 1990 por um ex-membro de uma organização terrorista ultraortodoxa, estava presente no local logo após os terremotos. A organização, especializada em resposta a emergências e operações de resgate em Israel e no exterior, foi uma das principais fontes de muitos dos mitos que a mídia estadunidense usou para justificar o genocídio em resposta aos ataques de 7 de outubro, incluindo a história dos bebês decapitados. Yosef Garmon, seu diretor para a América Latina, chegou a postar um vídeo falando em espanhol das ruínas de Gaza, apelando ao apoio de sionistas cristãos; em Caracas, ele se encontrou com estudantes universitários, que foram filmados cantando, de forma desajeitada, o cântico “Am Yisrael Chai” (O povo de Israel vive).

ZAKA elogiou o anúncio de que Israel e Venezuela estavam restabelecendo formalmente as relações consulares. Ele também se atribuiu o mérito de sua participação, destacando que a missão foi um elemento essencial no processo.

<><> O manual venezuelano na Colômbia

De volta ao país, tendo chegado a Bogotá horas antes, Garmon concedeu entrevistas à televisão israelense da Colômbia logo após o terremoto que atingiu a região na manhã de segunda-feira. Dias antes, ele esteve na cidade de Cali, onde já havia atuado como rabino, para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella.

De la Espriella definiu o estreitamento dos laços com Israel como uma prioridade. Antes de assumir o cargo, ele havia anunciado sua intenção de transferir a embaixada da Colômbia para Jerusalém e adiar a inauguração da embaixada em Ramallah, além de se reunir com o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon As’ar. Ele também anunciou a criação de uma comissão econômica bilateral e a visita formal de uma delegação colombiana ao país em outubro.

Sob o pretexto de responder à crise gerada pelo terremoto, a Colômbia elevou seu apoio a Israel a novos patamares, incluindo uma declaração reconhecendo a soberania israelense sobre as Colinas de Golã. De forma mais substancial, o governo aproveitou o desastre natural para revogar dois decretos que proibiam a exportação de carvão colombiano para Israel. O prazo obrigatório de cinco dias para comentários sobre a legislação proposta começou no dia seguinte ao terremoto, quando a atenção estava voltada para outros assuntos.

Essas ações foram recebidas com entusiasmo pelo governo israelense. Na terça-feira, um dia após o terremoto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou um vídeo agradecendo à Colômbia pelo reconhecimento da reivindicação de Israel sobre as Colinas de Golã, afirmando que, assim como o “povo apoia as Colinas de Golã”, hoje o “povo apoia a Colômbia”. No dia seguinte, após um pedido de De la Espriella, Netanyahu ordenou o envio de uma missão humanitária formal.

Israel foi um dos poucos países autorizados a enviar uma equipe de resgate, juntamente com os Estados Unidos, Equador e El Salvador. Embora o governo tenha negado qualquer motivação ideológica — alegando, em vez disso, que essas missões eram as únicas que “cumpriam os protocolos internacionais” —, fica claro que só estavam dispostos a aceitar a ajuda desesperadamente necessária de seus aliados de direita. A rejeição, por parte do governo, de uma equipe de elite de busca e resgate do México — cuja entrada no país, como revelou a presidente Claudia Sheinbaum na manhã do dia 13 de agosto, foi negada — deixou evidente a politização da ajuda.

A missão formal de ajuda de Israel complementará o trabalho da ZAKA, que já atua em cidades afetadas como Cali e Pereira. Assim como fizeram na Venezuela, os israelenses já estão compartilhando com a imprensa relatos sobre a recepção positiva que têm recebido dos cidadãos colombianos. Um empresário israelense que também compareceu à posse de De la Espriella contou como colombianos o abordaram para pedir sua bênção após os terremotos. Foi “o oposto do ódio”, disse ele. Políticos colombianos de direita também estão elogiando publicamente organizações israelenses como a ZAKA, destacando sua capacidade tecnológica e a contribuição essencial que darão aos esforços de recuperação.

A ajuda israelense pode ser um componente essencial para salvar vidas em uma situação que permanece perigosa; pessoas ainda estão presas sob prédios e a janela de oportunidade para encontrar sobreviventes nos escombros praticamente se fechou. Da mesma forma, para muitos colombianos, a crença na capacidade tecnológica de Israel provavelmente é apolítica, uma resposta a uma situação cada vez mais desesperadora. No entanto, a rejeição, por parte do governo, de missões de resgate estrangeiras como a da brigada mexicana — uma força com muito mais experiência em operações pós-terremoto — sem dúvida levará a mortes desnecessárias.

O foco do governo colombiano em questões israelenses contrastou fortemente com a coordenação de seus próprios esforços de resgate.

<><> Uma tendência regional

Sob a liderança de Gustavo Petro, a Colômbia foi um líder global na luta para responsabilizar Israel por seus crimes genocidas. Petro rompeu relações diplomáticas e proibiu as exportações de carvão para Israel. Seu apoio declarado à causa palestina também o colocou na mira do governo Trump, que em determinado momento revogou seu visto estadunidense devido às suas críticas.

Embora tenha ido mais longe do que qualquer outro líder da região, Petro não estava sozinho em suas críticas ao genocídio israelense. Na época, os líderes da Bolívia, do Chile e de Honduras faziam o mesmo, muitas vezes unindo forças em organizações como o Grupo de Haia, dedicado a encontrar maneiras de responsabilizar Israel. A América Latina estava na vanguarda do movimento de solidariedade com a Palestina: além de seus líderes influentes, estudantes lideraram acampamentos de solidariedade, sindicatos lançaram campanhas inovadoras para boicotar produtos israelenses e grupos indígenas viram suas próprias lutas refletidas na situação dos palestinos.

No entanto, no último ano, uma série de vitórias eleitorais da direita mudou drasticamente o cenário, já que esses novos líderes reverteram rapidamente quaisquer políticas pró-Palestina. No último ano, presidentes recém-eleitos como Rodrigo Paz na Bolívia, o de extrema direita José Antonio Kast no Chile e Nasry Asfura em Honduras (que, aliás, é de ascendência palestina) reabriram ou fortaleceram ativamente seus laços com Israel desde que assumiram o cargo.

Um ano antes, com o governo cada vez mais isolado no cenário global, Israel voltou sua atenção para a América Latina, e seus esforços parecem estar dando frutos. No final do ano passado, o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon As’ar, declarou que 2026 seria o “Ano da América Latina” para Israel. Desde então, ele tem trabalhado para tornar esse sonho realidade, reunindo-se com ministros de relações exteriores de países aliados e visitando a região pessoalmente.

Nos casos da Venezuela e da Colômbia, o auxílio humanitário proporcionou ao Estado israelense um meio de se conectar diretamente com as populações locais. Também permitiu que esses governos legitimassem sua aproximação com um Estado amplamente condenado pela maioria de sua população.

As missões de ajuda externa são há muito entendidas como uma extensão da diplomacia. No entanto, a ajuda motivada principalmente por objetivos políticos em vez de humanitários — exemplificada pela rejeição, por parte do governo colombiano, de missões de resgate de países não alinhados e pela forma como Israel enquadra a ajuda humanitária como um veículo para alcançar objetivos geopolíticos e garantir o acesso a recursos — reflete apenas a aversão dos líderes de direita à cooperação diplomática em favor do transacionalismo.

 

Fonte: Por Delfina Rossi e Franco Metaza - Tradução Pedro Silva, para Jacobin Brasil

 

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