Jornalistas passam a ser alvo de Israel em
ataques no Líbano
A morte de três
jornalistas em um ataque aéreo israelense na região sul do Líbano renovou os
apelos para que a impunidade de Israel pelos abusos cometidos seja encerrada, e
também as críticas à comunidade internacional, em especial aos Estados Unidos.
Como explica reportagem da Al Jazeera, o exército de Israel atacou um complexo onde estavam
hospedados diversos jornalistas e profissionais da mídia, longe da área dos
combates. Não houve aviso prévio sobre o ataque, que destruiu prédios e deixou
carros cobertos de escombros.
Nas redes sociais, o
Ministro da Informação do Líbano, Ziad Makary, afirmou que a ação israelense
foi um “assassinato, após monitoramento e rastreamento, com premeditação e
planejamento, pois havia 18 jornalistas presentes no local representando sete
instituições de mídia”.
Pelo menos 128
jornalistas e profissionais da mídia estão entre as dezenas de milhares de
mortos em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano apenas em 2023 – o momento mais
mortal para os jornalistas desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas
(CPJ) começou a rastrear os assassinatos há mais de quatro décadas, mas tudo
indica que o número pode ser ainda maior.
Enquanto isso,
autoridades israelenses têm acusado os jornalistas mortos em Gaza de serem
integrantes do Hamas e de outros grupos. O governo de Benjamin Netanyahu chegou
a acusar seis jornalistas da Al Jazeera de serem “operativos” do Hamas e da
Jihad Islâmica Palestina – isso não só foi categoricamente rejeitado pela
imprensa, como gerou o medo de que o governo esteja justificando os alvos.
Sob a lei
internacional, as pessoas só podem ser considerados alvos legítimos em uma
guerra caso sejam combatentes ou estejam envolvidos em lutas, e a acusação de
uma pessoa de filiação a um grupo armado, seja ela verdadeira ou não, não os
torna um alvo.
Para Raed Jarrar,
diretor de advocacia do grupo de direitos humanos DAWN, sediado nos EUA, a
campanha de Israel contra os jornalistas “apenas prova ainda mais o desespero
de Israel para encobrir seus crimes de guerra e genocídio sistemático contra
palestinos”
¨ Premiê libanês chama ataque que matou três jornalistas de “crime
de guerra”
O primeiro-ministro
libanês, Najib Mikati, emitiu uma declaração nesta sexta-feira (25) condenando
o recente ataque israelense que atingiu jornalistas na cidade de Hasbaya, no
sul do Líbano.
Mikati o descreveu
como “mais um capítulo nos crimes de guerra que Israel comete sem dissuasão ou
voz internacional para acabar com essas ações”.
O premiê afirmou no
comunicado que o ataque foi uma “tentativa deliberada” de intimidar os meios de
comunicação e ocultar os crimes e a destruição.
Ele destacou que
instruiu o Ministério de Relações Exteriores a adicionar este incidente no
compilado de documentos do Líbano sobre alegados crimes israelenses, que serão
submetidos às autoridades internacionais.
O Comitê para a
Proteção dos Jornalistas (CPJ) também emitiu uma declaração “condenando
veementemente” Israel pelo assassinato dos três profissionais.
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Mais sobre o ataque
Um cinegrafista e um
engenheiro de transmissão que trabalhavam para o canal de TV Al Mayadeen, com
sede no Líbano, foram mortos, segundo a empresa de comunicação.
Outro cinegrafista que
trabalhava para o canal de TV Al-Manar, afiliado ao Hezbollah, também foi
morto, de acordo com o canal
O Exército de Israel
disse à CNN que estava “analisando as informações”.
Entenda a escalada nos
conflitos do Oriente Médio
O ataque com mísseis do Irã a Israel no dia 1º de outubro marcou uma nova etapa do
conflito regional no Oriente Médio. De um lado da guerra está Israel, com apoio dos Estados Unidos. Do outro, o Eixo da Resistência, que recebe apoio financeiro e militar do Irã e que conta
com uma série de grupos paramilitares.
São sete frentes de
conflito abertas atualmente: a República Islâmica do Irã; o Hamas, na Faixa de
Gaza; o Hezbollah,
no Líbano; o governo Sírio e as milícias que atuam no país; os Houthis, no Iêmen; grupos
xiitas no Iraque; e
diferentes organizações militantes na Cisjordânia.
Israel tem soldados em
três dessas frentes: Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Nas outras quatro,
realiza bombardeios aéreos.
O Exército
israelense iniciou uma “operação terrestre limitada”
no Líbano no dia 30 de setembro, dias depois de
Israel matar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um bombardeio ao quartel-general do grupo, no subúrbio de
Beirute.
As Forças de Defesa de
Israel afirmam que mataram praticamente toda a cadeia de comando do Hezbollah
em bombardeios semelhantes realizados nas últimas semanas.
No dia 23 de setembro,
o Líbano teve o dia mais mortal desde a guerra de 2006, com mais de 500 vítimas fatais.
Ao menos dois adolescentes brasileiros
morreram nos ataques. O Itamaraty condenou a situação e pediu o fim das hostilidades.
Com o aumento das
hostilidades, o governo brasileiro anunciou uma operação
para repatriar brasileiros no Líbano.
Na Cisjordânia, os militares israelenses tentam
desarticular grupos contrários à ocupação de
Israel ao território palestino.
Já na Faixa de Gaza, Israel
busca erradicar o Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro que deixou
mais de 1.200 mortos, segundo informações do governo israelense. A operação
israelense matou mais de 40 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde do
enclave, controlado pelo Hamas.
O líder do
Hamas, Yahya Sinwar, foi morto pelo Exército israelense no dia 16 de outubro, na
cidade de Rafah.
¨ ONU diz que forças de paz foram atacadas por Israel no Líbano
As forças de paz da
ONU, localizadas em um posto de observação permanente perto de Dhayra, no sul
do Líbano, foram atacadas por soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI) na
terça-feira (22), segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)
através de um comunicado nesta sexta-feira (25).
De acordo com a
Unifil, os soldados dispararam contra as forças de manutenção da paz, que
precisaram se retirar.
A missão também
afirmou que as FDI pressionaram diversas vezes para a missão de manutenção da
paz desocupar a fronteira entre Israel e o Líbano e danificaram equipamentos
considerados essenciais, incluindo câmaras, luzes e sistemas de comunicações,
em vários pontos de observação.
“Apesar da pressão
exercida sobre a missão e sobre os países que contribuem com tropas, as forças
de manutenção da paz permanecem em posição e em missão”, declarou a Unifil.
Relatórios anteriores da missão indicam
que pelo menos quatro forças de manutenção da
paz foram atingidas no início de outubro durante dois
ataques israelenses.
Israel acusou o
Hezbollah de operar em áreas próximas aos postos da Unifil.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu, alertou há duas semanas que as
forças de manutenção da paz da ONU no Líbano estão “em perigo”.
Ele lamentou que
algumas tenham sido atingidas no início de outubro e apelou ao secretário-geral
da ONU, António Guterres, para retirá-las “imediatamente”.
Entenda a escalada nos
conflitos do Oriente Médio
O ataque com mísseis do Irã a Israel no dia 1º de outubro marcou uma nova etapa do
conflito regional no Oriente Médio. De um lado da guerra está Israel, com apoio dos Estados Unidos. Do outro, o Eixo da Resistência, que recebe apoio financeiro e militar do Irã e que conta
com uma série de grupos paramilitares.
São sete frentes de
conflito abertas atualmente: a República Islâmica do Irã; o Hamas, na Faixa de
Gaza; o Hezbollah,
no Líbano; o governo Sírio e as milícias que atuam no país; os Houthis, no Iêmen; grupos
xiitas no Iraque; e
diferentes organizações militantes na Cisjordânia.
Israel tem soldados em
três dessas frentes: Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Nas outras quatro,
realiza bombardeios aéreos.
O Exército
israelense iniciou uma “operação terrestre limitada”
no Líbano no dia 30 de setembro, dias depois de
Israel matar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um bombardeio ao quartel-general do grupo, no subúrbio de
Beirute.
As Forças de Defesa de
Israel afirmam que mataram praticamente toda a cadeia de comando do Hezbollah
em bombardeios semelhantes realizados nas últimas semanas.
No dia 23 de setembro,
o Líbano teve o dia mais mortal desde a guerra de 2006, com mais de 500 vítimas fatais.
Ao menos dois adolescentes brasileiros
morreram nos ataques. O Itamaraty condenou a situação e pediu o fim das hostilidades.
Com o aumento das
hostilidades, o governo brasileiro anunciou uma operação
para repatriar brasileiros no Líbano.
Na Cisjordânia, os militares israelenses tentam
desarticular grupos contrários à ocupação de
Israel ao território palestino.
Já na Faixa de Gaza, Israel
busca erradicar o Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro que deixou
mais de 1.200 mortos, segundo informações do governo israelense. A operação
israelense matou mais de 40 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde do
enclave, controlado pelo Hamas.
O líder do
Hamas, Yahya Sinwar, foi morto pelo Exército israelense no dia 16 de outubro, na
cidade de Rafah.
¨ Norte de Gaza vive “momento mais sombrio da guerra”, segundo ONU
O ‘momento mais
sombrio’ da guerra de Israel contra os palestinos está acontecendo na região
norte de Gaza, segundo o Alto-Comissário para Direitos Humanos da ONU, Volker
Turk.
O representante da ONU
destacou que o exército de Israel “está efetivamente sujeitando uma população
inteira a bombardeios, cercos e risco de fome”. Além de o bombardeio na região
norte de Gaza ser “ininterrupto”, Turk destacou que “o exército israelense
ordenou que centenas de milhares se mudassem, sem garantias de retorno. Mas não
há uma maneira segura de sair”.
O representante da ONU
destacou que a região e a organização estão enfrentando “o que pode equivaler a
crimes de atrocidade, incluindo potencialmente uma extensão a crimes contra a
humanidade”.
Turk pediu para que os
líderes globais atuassem, uma vez que todos os estados são obrigados a garantir
o respeito ao direito internacional humanitário pelas Convenções de Genebra.
Segundo o site Al-Arabiya, Turk
afirmou que “mais de 150 mil pessoas estão supostamente mortas, feridas ou
desaparecidas em Gaza” desde o início do contra-ataque israelense contra o
grupo palestino Hamas.
“Inimaginavelmente, a
situação está piorando a cada dia”, disse ele. “Meu maior medo é que, dada a
intensidade, amplitude, escala e natureza flagrante da operação israelense
atualmente em andamento no norte de Gaza, esse número aumente dramaticamente”.
¨ O que se sabe sobre ataque de retaliação de Israel contra o Irã
O Exército de Israel
afirmou na noite desta sexta-feira que estaria fazendo "ataques
direcionados contra alvos militares" no Irã. A mídia estatal iraniana
afirmou que várias explosões foram ouvidas na capital, Teerã. Ainda não se sabe
exatamente que pontos foram atingidos. Desde ataques iranianos contra Israel
com 200 mísseis em 1º de outubro, era esperada alguma retaliação por parte de Tel Aviv.
A Casa Branca afirmou
"entender" que Israel está conduzindo os ataques em autodefesa e em
resposta à ofensiva do Irã no início de outubro. Mas uma fonte do Pentágono
garantiu que os EUA não têm participação no ataque, embora tenham sido informados
previamente sobre os planos de Israel.
As forças israelenses
afirmaram que, "como qualquer outro país soberano do mundo", o país
teria "o direito e o dever de responder" a ataques que "o regime
do Irã e seus representantes na região" têm realizado contra Israel desde
7 de outubro de 2023. Nessa data, o grupo palestino Hamas realizou vários
ataques a Israel, matando aproximadamente 1.200 pessoas e levando cerca de 250
reféns para Gaza.
Desde então, em
retaliação, os ataques de Israel ao território palestino já deixaram mais de
42.840 mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas.
O porta-voz das Forças
de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Daniel Hagari, gravou um vídeo
anunciando os ataques contra o Irã nesta sexta.
Behnam Ben Taleblu,
membro sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, afirmou à BBC que
enquanto o regime iraniano tenta passar mensagens e imagens de tranquilidade, a
população está demonstrando muito receio nas redes sociais.
Ainda não está claro
se Israel está mirando apenas as instalações que fabricam e guardam mísseis, ou
toda a rede aeroespacial iraniana. "Com base nos alvos que estamos vendo
até agora, foi algo projetado para neutralizar — mas não destruir — a ameaça
iraniana de mísseis de longo alcance", disse Taleblu.
As agências de
notícias Reuters a AFP relataram que, de acordo com a TV estatal da Síria,
também foram ouvidas explosões perto da capital, Damasco. Os alvos seriam bases
militares, mas os mísseis teriam sido interceptados pela defesa síria.
Israel ainda não se
manifestou sobre a situação na Síria.
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Um conflito que se expande
Nas últimas semanas, o
conflito escalou em direção ao Líbano, onde Israel realiza ofensiva contra o
grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, assim como o Hamas.
"Nossas
capacidades defensivas e ofensivas estão totalmente mobilizadas", disse o
e o exército israelense nessa sexta-feira.
"Faremos o que
for necessário para defender o Estado de Israel e o povo de Israel."
Desde os ataques de 7
de outubro de 2023, analistas e governos de todo o mundo expressaram
preocupação de que o conflito pudesse provocar uma reação em cadeia na região —
e um confronto aberto e direto entre iranianos e israelenses.
Em 1º de abril deste
ano, um ataque aéreo israelense ao consulado do Irã na Síria matou dois
generais de alto escalão.
No que pareceu uma
retaliação, o Irã atacou Israel com drone e mísseis em 13 abril.
No início de
outubro, a Guarda Revolucionária do Irã novamente atacou Israel com
mísseis, e descreveu o ataque como uma retaliação
pelo assassinato em julho do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, assim como do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em
setembro. Em meados de outubro, Israel matou o líder do Hamas, Yahya Sinwar, em Gaza.
¨ Erdogan acusa EUA de usarem terroristas na Síria e Iraque 'para
seus interesses e os de Israel'
O presidente da
Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou Washington na sexta-feira (25) de usar
grupos terroristas que operam na Síria e no Iraque para o benefício dos Estados
Unidos e Israel.
Erdogan disse que os
EUA estavam atrasando sua retirada do Iraque, deixando evidente que a retirada
seria tática e não estratégica. A Turquia está monitorando a situação no Iraque
e na Síria e não comprometerá a presença de grupos terroristas, disse ele,
referindo-se às unidades separatistas curdas PYD/YPG.
"As discussões
sobre a retirada dos EUA da região, lembre-se, estão acontecendo há muito
tempo. O fato de que a retirada será tática e não estratégica já ficou
claro", disse o líder turco.
Ancara acusa o PYD e o
YPG de laços com o PKK, que é listado como uma organização terrorista pela
Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
"É um fato bem
conhecido agora que os EUA usam organizações terroristas na região em seus
próprios interesses e no interesse da segurança israelense. Os EUA estão
fornecendo a Israel todos os tipos de ferramentas, equipamentos, munição e todo
o suporte possível na região? Sim, estão. Dinheiro também", ele disse a
repórteres no voo de volta da cúpula do BRICS em Kazan, na Rússia.
Em março, o ministro
das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Mohammed Hussein, disse à Sputnik que o
Iraque e os EUA estavam continuando suas negociações sobre a possível retirada
das forças da coalizão internacional liderada pelos norte-americanos no solo
iraquiano, mas nenhuma decisão final ou cronograma havia sido acordado.
Em janeiro, o
primeiro-ministro iraquiano Mohammed Shyaa Al Sudani disse ao The Wall Street
Journal que não havia mais necessidade da presença da coalizão para derrotar o
Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países) no Iraque,
acrescentando que não estava mais preocupado que a saída das forças da coalizão
pudesse prejudicar as capacidades militares iraquianos.
Fonte: Jornal GGN/CNN
Brasil/BBC News/Sputnik Brasil

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