segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Jornalistas passam a ser alvo de Israel em ataques no Líbano

A morte de três jornalistas em um ataque aéreo israelense na região sul do Líbano renovou os apelos para que a impunidade de Israel pelos abusos cometidos seja encerrada, e também as críticas à comunidade internacional, em especial aos Estados Unidos.

Como explica reportagem da Al Jazeera, o exército de Israel atacou um complexo onde estavam hospedados diversos jornalistas e profissionais da mídia, longe da área dos combates. Não houve aviso prévio sobre o ataque, que destruiu prédios e deixou carros cobertos de escombros.

Nas redes sociais, o Ministro da Informação do Líbano, Ziad Makary, afirmou que a ação israelense foi um “assassinato, após monitoramento e rastreamento, com premeditação e planejamento, pois havia 18 jornalistas presentes no local representando sete instituições de mídia”.

Pelo menos 128 jornalistas e profissionais da mídia estão entre as dezenas de milhares de mortos em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano apenas em 2023 – o momento mais mortal para os jornalistas desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) começou a rastrear os assassinatos há mais de quatro décadas, mas tudo indica que o número pode ser ainda maior.

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Enquanto isso, autoridades israelenses têm acusado os jornalistas mortos em Gaza de serem integrantes do Hamas e de outros grupos. O governo de Benjamin Netanyahu chegou a acusar seis jornalistas da Al Jazeera de serem “operativos” do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina – isso não só foi categoricamente rejeitado pela imprensa, como gerou o medo de que o governo esteja justificando os alvos.

Sob a lei internacional, as pessoas só podem ser considerados alvos legítimos em uma guerra caso sejam combatentes ou estejam envolvidos em lutas, e a acusação de uma pessoa de filiação a um grupo armado, seja ela verdadeira ou não, não os torna um alvo.

Para Raed Jarrar, diretor de advocacia do grupo de direitos humanos DAWN, sediado nos EUA, a campanha de Israel contra os jornalistas “apenas prova ainda mais o desespero de Israel para encobrir seus crimes de guerra e genocídio sistemático contra palestinos”

¨      Premiê libanês chama ataque que matou três jornalistas de “crime de guerra”

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, emitiu uma declaração nesta sexta-feira (25) condenando o recente ataque israelense que atingiu jornalistas na cidade de Hasbaya, no sul do Líbano.

Mikati o descreveu como “mais um capítulo nos crimes de guerra que Israel comete sem dissuasão ou voz internacional para acabar com essas ações”.

O premiê afirmou no comunicado que o ataque foi uma “tentativa deliberada” de intimidar os meios de comunicação e ocultar os crimes e a destruição.

Ele destacou que instruiu o Ministério de Relações Exteriores a adicionar este incidente no compilado de documentos do Líbano sobre alegados crimes israelenses, que serão submetidos às autoridades internacionais.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também emitiu uma declaração “condenando veementemente” Israel pelo assassinato dos três profissionais.

<><> Mais sobre o ataque

Um cinegrafista e um engenheiro de transmissão que trabalhavam para o canal de TV Al Mayadeen, com sede no Líbano, foram mortos, segundo a empresa de comunicação.

Outro cinegrafista que trabalhava para o canal de TV Al-Manar, afiliado ao Hezbollah, também foi morto, de acordo com o canal

O Exército de Israel disse à CNN que estava “analisando as informações”.

Entenda a escalada nos conflitos do Oriente Médio

ataque com mísseis do Irã a Israel no dia 1º de outubro marcou uma nova etapa do conflito regional no Oriente Médio. De um lado da guerra está Israel, com apoio dos Estados Unidos. Do outro, o Eixo da Resistência, que recebe apoio financeiro e militar do Irã e que conta com uma série de grupos paramilitares.

São sete frentes de conflito abertas atualmente: a República Islâmica do Irã; o Hamas, na Faixa de Gaza; o Hezbollah, no Líbano; o governo Sírio e as milícias que atuam no país; os Houthis, no Iêmen; grupos xiitas no Iraque; e diferentes organizações militantes na Cisjordânia.

Israel tem soldados em três dessas frentes: Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Nas outras quatro, realiza bombardeios aéreos.

O Exército israelense iniciou uma “operação terrestre limitada” no Líbano no dia 30 de setembro, dias depois de Israel matar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um bombardeio ao quartel-general do grupo, no subúrbio de Beirute.

As Forças de Defesa de Israel afirmam que mataram praticamente toda a cadeia de comando do Hezbollah em bombardeios semelhantes realizados nas últimas semanas.

No dia 23 de setembro, o Líbano teve o dia mais mortal desde a guerra de 2006, com mais de 500 vítimas fatais.

Ao menos dois adolescentes brasileiros morreram nos ataques. O Itamaraty condenou a situação e pediu o fim das hostilidades.

Com o aumento das hostilidades, o governo brasileiro anunciou uma operação para repatriar brasileiros no Líbano.

Na Cisjordânia, os militares israelenses tentam desarticular grupos contrários à ocupação de Israel ao território palestino.

Já na Faixa de Gaza, Israel busca erradicar o Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro que deixou mais de 1.200 mortos, segundo informações do governo israelense. A operação israelense matou mais de 40 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo Hamas.

O líder do Hamas, Yahya Sinwar, foi morto pelo Exército israelense no dia 16 de outubro, na cidade de Rafah. 

¨      ONU diz que forças de paz foram atacadas por Israel no Líbano

As forças de paz da ONU, localizadas em um posto de observação permanente perto de Dhayra, no sul do Líbano, foram atacadas por soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI) na terça-feira (22), segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) através de um comunicado nesta sexta-feira (25).

De acordo com a Unifil, os soldados dispararam contra as forças de manutenção da paz, que precisaram se retirar.

A missão também afirmou que as FDI pressionaram diversas vezes para a missão de manutenção da paz desocupar a fronteira entre Israel e o Líbano e danificaram equipamentos considerados essenciais, incluindo câmaras, luzes e sistemas de comunicações, em vários pontos de observação.

“Apesar da pressão exercida sobre a missão e sobre os países que contribuem com tropas, as forças de manutenção da paz permanecem em posição e em missão”, declarou a Unifil.

 Relatórios anteriores da missão indicam que pelo menos quatro forças de manutenção da paz foram atingidas no início de outubro durante dois ataques israelenses.

Israel acusou o Hezbollah de operar em áreas próximas aos postos da Unifil.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou há duas semanas que as forças de manutenção da paz da ONU no Líbano estão “em perigo”.

Ele lamentou que algumas tenham sido atingidas no início de outubro e apelou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, para retirá-las “imediatamente”.

Entenda a escalada nos conflitos do Oriente Médio

ataque com mísseis do Irã a Israel no dia 1º de outubro marcou uma nova etapa do conflito regional no Oriente Médio. De um lado da guerra está Israel, com apoio dos Estados Unidos. Do outro, o Eixo da Resistência, que recebe apoio financeiro e militar do Irã e que conta com uma série de grupos paramilitares.

São sete frentes de conflito abertas atualmente: a República Islâmica do Irã; o Hamas, na Faixa de Gaza; o Hezbollah, no Líbano; o governo Sírio e as milícias que atuam no país; os Houthis, no Iêmen; grupos xiitas no Iraque; e diferentes organizações militantes na Cisjordânia.

Israel tem soldados em três dessas frentes: Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Nas outras quatro, realiza bombardeios aéreos.

O Exército israelense iniciou uma “operação terrestre limitada” no Líbano no dia 30 de setembro, dias depois de Israel matar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um bombardeio ao quartel-general do grupo, no subúrbio de Beirute.

As Forças de Defesa de Israel afirmam que mataram praticamente toda a cadeia de comando do Hezbollah em bombardeios semelhantes realizados nas últimas semanas.

No dia 23 de setembro, o Líbano teve o dia mais mortal desde a guerra de 2006, com mais de 500 vítimas fatais.

Ao menos dois adolescentes brasileiros morreram nos ataques. O Itamaraty condenou a situação e pediu o fim das hostilidades.

Com o aumento das hostilidades, o governo brasileiro anunciou uma operação para repatriar brasileiros no Líbano.

Na Cisjordânia, os militares israelenses tentam desarticular grupos contrários à ocupação de Israel ao território palestino.

Já na Faixa de Gaza, Israel busca erradicar o Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro que deixou mais de 1.200 mortos, segundo informações do governo israelense. A operação israelense matou mais de 40 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo Hamas.

O líder do Hamas, Yahya Sinwar, foi morto pelo Exército israelense no dia 16 de outubro, na cidade de Rafah. 

¨      Norte de Gaza vive “momento mais sombrio da guerra”, segundo ONU

O ‘momento mais sombrio’ da guerra de Israel contra os palestinos está acontecendo na região norte de Gaza, segundo o Alto-Comissário para Direitos Humanos da ONU, Volker Turk.

O representante da ONU destacou que o exército de Israel “está efetivamente sujeitando uma população inteira a bombardeios, cercos e risco de fome”. Além de o bombardeio na região norte de Gaza ser “ininterrupto”, Turk destacou que “o exército israelense ordenou que centenas de milhares se mudassem, sem garantias de retorno. Mas não há uma maneira segura de sair”.

O representante da ONU destacou que a região e a organização estão enfrentando “o que pode equivaler a crimes de atrocidade, incluindo potencialmente uma extensão a crimes contra a humanidade”.

Turk pediu para que os líderes globais atuassem, uma vez que todos os estados são obrigados a garantir o respeito ao direito internacional humanitário pelas Convenções de Genebra.

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Segundo o site Al-Arabiya, Turk afirmou que “mais de 150 mil pessoas estão supostamente mortas, feridas ou desaparecidas em Gaza” desde o início do contra-ataque israelense contra o grupo palestino Hamas.

“Inimaginavelmente, a situação está piorando a cada dia”, disse ele. “Meu maior medo é que, dada a intensidade, amplitude, escala e natureza flagrante da operação israelense atualmente em andamento no norte de Gaza, esse número aumente dramaticamente”.

¨      O que se sabe sobre ataque de retaliação de Israel contra o Irã

O Exército de Israel afirmou na noite desta sexta-feira que estaria fazendo "ataques direcionados contra alvos militares" no Irã. A mídia estatal iraniana afirmou que várias explosões foram ouvidas na capital, Teerã. Ainda não se sabe exatamente que pontos foram atingidos. Desde ataques iranianos contra Israel com 200 mísseis em 1º de outubro, era esperada alguma retaliação por parte de Tel Aviv.

A Casa Branca afirmou "entender" que Israel está conduzindo os ataques em autodefesa e em resposta à ofensiva do Irã no início de outubro. Mas uma fonte do Pentágono garantiu que os EUA não têm participação no ataque, embora tenham sido informados previamente sobre os planos de Israel.

As forças israelenses afirmaram que, "como qualquer outro país soberano do mundo", o país teria "o direito e o dever de responder" a ataques que "o regime do Irã e seus representantes na região" têm realizado contra Israel desde 7 de outubro de 2023. Nessa data, o grupo palestino Hamas realizou vários ataques a Israel, matando aproximadamente 1.200 pessoas e levando cerca de 250 reféns para Gaza.

Desde então, em retaliação, os ataques de Israel ao território palestino já deixaram mais de 42.840 mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Daniel Hagari, gravou um vídeo anunciando os ataques contra o Irã nesta sexta.

Behnam Ben Taleblu, membro sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, afirmou à BBC que enquanto o regime iraniano tenta passar mensagens e imagens de tranquilidade, a população está demonstrando muito receio nas redes sociais.

Ainda não está claro se Israel está mirando apenas as instalações que fabricam e guardam mísseis, ou toda a rede aeroespacial iraniana. "Com base nos alvos que estamos vendo até agora, foi algo projetado para neutralizar — mas não destruir — a ameaça iraniana de mísseis de longo alcance", disse Taleblu.

As agências de notícias Reuters a AFP relataram que, de acordo com a TV estatal da Síria, também foram ouvidas explosões perto da capital, Damasco. Os alvos seriam bases militares, mas os mísseis teriam sido interceptados pela defesa síria.

Israel ainda não se manifestou sobre a situação na Síria.

<><> Um conflito que se expande

Nas últimas semanas, o conflito escalou em direção ao Líbano, onde Israel realiza ofensiva contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, assim como o Hamas.

"Nossas capacidades defensivas e ofensivas estão totalmente mobilizadas", disse o e o exército israelense nessa sexta-feira.

"Faremos o que for necessário para defender o Estado de Israel e o povo de Israel."

Desde os ataques de 7 de outubro de 2023, analistas e governos de todo o mundo expressaram preocupação de que o conflito pudesse provocar uma reação em cadeia na região — e um confronto aberto e direto entre iranianos e israelenses.

Em 1º de abril deste ano, um ataque aéreo israelense ao consulado do Irã na Síria matou dois generais de alto escalão.

No que pareceu uma retaliação, o Irã atacou Israel com drone e mísseis em 13 abril.

No início de outubro, a Guarda Revolucionária do Irã novamente atacou Israel com mísseis, e descreveu o ataque como uma retaliação pelo assassinato em julho do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, assim como do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em setembro. Em meados de outubro, Israel matou o líder do Hamas, Yahya Sinwar, em Gaza.

¨      Erdogan acusa EUA de usarem terroristas na Síria e Iraque 'para seus interesses e os de Israel'

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou Washington na sexta-feira (25) de usar grupos terroristas que operam na Síria e no Iraque para o benefício dos Estados Unidos e Israel.

Erdogan disse que os EUA estavam atrasando sua retirada do Iraque, deixando evidente que a retirada seria tática e não estratégica. A Turquia está monitorando a situação no Iraque e na Síria e não comprometerá a presença de grupos terroristas, disse ele, referindo-se às unidades separatistas curdas PYD/YPG.

"As discussões sobre a retirada dos EUA da região, lembre-se, estão acontecendo há muito tempo. O fato de que a retirada será tática e não estratégica já ficou claro", disse o líder turco.

Ancara acusa o PYD e o YPG de laços com o PKK, que é listado como uma organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

"É um fato bem conhecido agora que os EUA usam organizações terroristas na região em seus próprios interesses e no interesse da segurança israelense. Os EUA estão fornecendo a Israel todos os tipos de ferramentas, equipamentos, munição e todo o suporte possível na região? Sim, estão. Dinheiro também", ele disse a repórteres no voo de volta da cúpula do BRICS em Kazan, na Rússia.

Em março, o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Mohammed Hussein, disse à Sputnik que o Iraque e os EUA estavam continuando suas negociações sobre a possível retirada das forças da coalizão internacional liderada pelos norte-americanos no solo iraquiano, mas nenhuma decisão final ou cronograma havia sido acordado.

Em janeiro, o primeiro-ministro iraquiano Mohammed Shyaa Al Sudani disse ao The Wall Street Journal que não havia mais necessidade da presença da coalizão para derrotar o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países) no Iraque, acrescentando que não estava mais preocupado que a saída das forças da coalizão pudesse prejudicar as capacidades militares iraquianos.

 

Fonte: Jornal GGN/CNN Brasil/BBC News/Sputnik Brasil

 

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