segunda-feira, 28 de outubro de 2024

G20: há grande fissura entre Norte e Sul, e o Norte Global não está disposto a ceder, diz analista

Na reta final, antes da Cúpula dos Líderes do G20, o Brasil encerrou em Washington, a última reunião da Trilha de Finanças presidida pelo país. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sensação é de dever cumprido. Para analista, propostas do Brasil e de outros países do Sul Global tendem a encontrar resistência do Norte na cúpula.

"O Brasil está muito satisfeito com os resultados dos dois comunicados aprovados por consenso, como de costume, que refletem nossas intenções, anunciadas no final de 2023, quando assumimos a presidência do grupo", disse o ministro, coordenador da Trilha de Finanças do fórum junto com o Banco Central do Brasil.

Neste último encontro, o país anunciou a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP, na sigla em inglês). O mecanismo tem como objetivo facilitar investimentos internacionais que apoiem projetos estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país, com foco na transição ecológica e no combate à mudança do clima — uma das prioridades brasileiras durante sua presidência do G20.

Além disso, o Brasil conseguiu avançar em outras pautas de sua agenda, como a Aliança Global Contra a Fome, obtendo consenso no grupo pelo combate às desigualdades; também no avanço do debate sobre reformulação dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDBs), assegurando que estejam mais preparados para enfrentar desafios globais, especialmente nos países de baixa e média renda.

No contexto do combate à desigualdade, uma das pautas encampadas pelo Brasil foi a ambiciosa proposta de taxação dos super-ricos, o que pode gerar arrecadação de até US$ 250 bilhões (R$ 1,42 trilhão) por ano, segundo o governo. O último comunicado publicado pela trilha prevê mais cooperação entre os países, a fim de garantir que "indivíduos de altíssimo patrimônio sejam efetivamente tributados".

Para Bruno de Conti, professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pauta é quase irrefutável, haja vista o aumento da desigualdade social nos últimos anos. "Não é uma panaceia", ele ressalta, mas tem um efeito importante, inclusive de caráter simbólico.

O especialista também aponta que as propostas discutidas estão sobre a mesa, mas a implementação dos acordos firmados no âmbito do grupo é outra questão.

"O G20 não tem, digamos, um mandato, a possibilidade de enforcement. A maioria das declarações são feitas, assinadas, com graus maiores ou menores de compromisso, mas depois os governos nacionais têm que adotar, e aí a gente não sabe o que acontece. Há trocas de governo, enfim. Tudo fica no campo dos compromissos", explica.

·        Discussões em Kazan podem impactar a cúpula do G20?

Enquanto Haddad se reunia com seus pares no último evento da Trilha das Finanças do G20, acontecia em Kazan a 16ª Cúpula do BRICS, a primeira desde que o bloco foi ampliado.

De Conti afirma ser evidente que os países do BRICS tentam aumentar a representatividade do Sul Global, porém acendem reações do outro lado.

"É um momento tenso, do ponto de vista da geopolítica global. Não nos enganemos. […] Existe uma fissura grande entre certas demandas do Sul Global e do Norte Global, e o Norte Global não está disposto a ceder."

Como exemplo da afirmação, o analista cita a proposta do BRICS em fomentar transações comerciais com pagamento a partir das moedas nacionais, em claro detrimento ao dólar.

"Os Estados Unidos estão reagindo", afirma, quanto à proposta do BRICS, citando que a atual secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, já ponderou ser má ideia uma moeda do BRICS, e o próprio ex-presidente Donald Trump prometeu sanções aos países que fizerem esforços para a desdolarização.

No âmbito de uma reunião dessa magnitude, "o que fica são os consensos", destaca. Porém, com tantas fricções, "muita coisa vai ficando pelo caminho", avalia.

A Cúpula de Líderes do G20 acontece nos dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro, com a presença das lideranças dos 19 países-membros, mais a União Africana e a União Europeia.

¨      Rússia se foca para criar ordem mundial alternativa à hegemonia ocidental, diz ex-analista do Pentágono

Mais de 30 países enviaram representantes para a Cúpula do BRICS 2024, que foi realizada na cidade russa de Kazan de 22 a 24 de outubro.

O aparecimento de "representantes da metade da população mundial" na cúpula do BRICS em Kazan esta semana destacou o fato de que "a Rússia não está isolada", disse à Sputnik Michael Maloof, ex-analista sênior de política de segurança do gabinete do secretário de Defesa dos EUA.

"O fato de até mesmo o secretário-geral da ONU [António] Guterres estar aqui, significa a importância e significado que o BRICS está a ter", observou.

"Mas o fato de que isso aconteceu sob o sr. Putin, mostra que ele está muito empenhado em tentar criar uma ordem mundial alternativa em resposta às sanções e à hegemonia dos EUA e do Ocidente, tentando isolar não só a Rússia, mas também a China e o Irã, e também tentar reforçar os países em desenvolvimento", acrescentou Maloof.

O especialista disse também que, mesmo que a cúpula de Kazan tenha "realmente captado a atenção do mundo", o Ocidente aparentemente considera o encontro como uma "ameaça".

Enquanto isso, parece que estamos testemunhando uma "fragmentação" na UE e na OTAN, provocada pela decisão da Europa de danificar o seu próprio nível de vida e cortar o fornecimento de energia da Rússia apoiando o conflito ucraniano, sugeriu Maloof.

"Suas indústrias estão falhando. E provavelmente teremos outro inverno frio chegando aqui em breve. E isso vai ter um impacto na Europa e sua perspectiva sobre como avançar e se eles realmente ainda querem seguir a liderança dos Estados Unidos, particularmente na estrutura da OTAN", concluiu ele.

¨      Visita de Xi à Rússia para cúpula 'amplia cooperação do BRICS e revitaliza Sul Global'

A recente visita do presidente Xi Jinping à Rússia para participar da 16ª Cúpula do BRICS oferece uma nova perspectiva sobre como a China responde efetivamente às mudanças no cenário global e reflete a vontade comum dos países do Sul Global, afirma uma análise do portal China Daily.

Em menos de 48 horas em Kazan, Xi participou de uma série de eventos multilaterais e bilaterais em uma agenda lotada. O evento também marcou a primeira cúpula do BRICS após a expansão histórica de membros do grupo em janeiro.

A visita de Xi à Rússia "abre uma nova fase de maior cooperação do BRICS, cria um novo consenso para a unidade e revitalização do Sul Global. A maior cooperação do BRICS está liderando a unidade do Sul Global e está tendo uma influência histórica importante e de longo alcance", disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, no final da visita, segundo a mídia.

Em seu discurso, Xi anunciou oito medidas práticas da China para apoiar o desenvolvimento de alta qualidade da cooperação do BRICS, como a construção de uma Rede de Cooperação do Ecossistema Digital do BRICS.

Wang disse que essas medidas "expandiram ainda mais a amplitude e a profundidade da cooperação do BRICS, fortaleceram seus pilares, melhoraram sua qualidade e a atualizaram", além de aumentar a autoconfiança e a autossuficiência dos países do bloco.

O chanceler chinês acrescentou que Xi tem "respondido às aspirações comuns do Sul Global por unidade, desenvolvimento e mudança, e demonstrado mais uma vez que a China nunca se envolveu apenas em palavras vazias, mas em ações reais".

Atualmente, o Sul Global é responsável por mais de 40% da economia mundial.

O diretor executivo da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, Atul Dalakoti, observou que o presidente chinês, em seu discurso, deu as boas-vindas aos novos membros da família BRICS e esperava que todos os países pudessem trabalhar juntos pela paz e segurança.

Durante a cúpula em Kazan, Xi também realizou reuniões bilaterais com vários líderes estrangeiros, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, marcando o primeiro encontro oficial entre os dois líderes em cinco anos.

"O reinício das relações Pequim-Nova Deli a partir de Kazan não só beneficiará os 2,8 bilhões de pessoas da China e da Índia, mas também fará a devida contribuição para facilitar a paz e a prosperidade na região e no mundo", acrescentou Wang.

¨      Suíços 'temem perda de soberania' com possível aproximação à UE, aponta pesquisa nacional

Os esforços do governo suíço para estreitar laços com a União Europeia serão difíceis de convencer os eleitores, de acordo com uma nova pesquisa, a qual apontou que cerca de metade deles está cética em relação ao bloco.

Embora os suíços vejam vantagens econômicas no acesso ao mercado da União Europeia, eles não compram a ideia de uma união de valores comuns, de acordo com a pesquisa da gfs.bern, publicada na sexta-feira (25) e citada pela Bloomberg.

Em vez disso, eles veem uma ameaça à soberania e temem uma perda de autodeterminação. Quase metade dos entrevistados tem sentimentos "bastante negativos" ou "muito negativos" sobre a UE. Para apenas 28%, a resposta foi positiva.

A sondagem foi feita on-line com quase 20 mil pessoas, foi realizada no final de setembro para a emissora pública SRG SSR. Cerca de 71% apoiam as negociações, mas as pessoas estão divididas sobre se a cooperação com a UE deve se aprofundar. Enquanto 37% dizem que deve ir mais longe, 40% querem reduzi-la.

"Isso sugere que a identificação com um projeto europeu comum não está tão profundamente ancorada na Suíça quanto em muitos países da UE. Em vez disso, uma perspectiva pragmática e orientada para o benefício domina", escreveu gfs.bern em seu relatório.

A pesquisa acontece em meio a negociações entre o país da Europa Central e o bloco europeu sobre como reescrever uma miríade de tratados que regem suas relações.

Espera-se que o governo suíço faça um balanço do progresso no início de novembro e ambas as partes querem concluir até o final do ano.

¨      G7 anuncia que empréstimos a Kiev de quase US$ 50 bilhões serão pagos até o final de 2027

Os chefes dos ministérios das Finanças do G7 anunciaram nesta sexta-feira (25) que os empréstimos a Kiev, no valor de quase US$ 50 bilhões (cerca de R$ 285 bilhões), serão reembolsados ​​de dezembro de 2024 a 31 de dezembro de 2027.

A parte principal do empréstimo e os juros serão reembolsados ​​com fundos provenientes de rendimentos de ativos congelados da Rússia, decorrentes de uma declaração conjunta dos ministros.

Os ministros esclareceram que o empréstimo à Ucrânia será atribuído por empréstimos bilaterais dos países-membros do G7. Cada empréstimo entrará em vigor até 30 de junho de 2025.

"Os empréstimos bilaterais serão integralmente reembolsados ​​à Ucrânia entre 1º de dezembro de 2024 e 31 de dezembro de 2027, em parcelas que refletirão as necessidades urgentes de financiamento da Ucrânia", diz o comunicado.

A União Europeia (UE) e o G7 bloquearam ativos russos no valor de € 300 bilhões (mais de R$ 1,8 trilhão) desde o início da operação militar da Rússia na Ucrânia.

Cerca de € 200 bilhões (R$ 1,2 trilhão) de fundos russos estão congelados nas contas da Euroclear, um dos maiores sistemas de compensação e liquidação de títulos financeiros da Europa, com sede na Bélgica.

Em 9 de outubro, os representantes permanentes dos países da UE chegaram a um acordo sobre determinado mecanismo para a concessão de um empréstimo a Kiev.

Meios de comunicação ocidentais relataram divergências entre os países da UE e os Estados Unidos quanto à questão das garantias para esse empréstimo.

Em particular, Washington alegadamente insiste que a UE torne indefinido o congelamento dos ativos russos, garantindo assim seu uso para reembolsar o empréstimo a Kiev. No entanto, entre os países da UE, onde está armazenada a maioria dos fundos russos congelados, não há consenso sobre a questão.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia descreveu a medida como um "roubo" que afeta não apenas investidores individuais, mas também fundos soberanos. O ministro da pasta, Sergei Lavrov, alertou que a Rússia responderia simetricamente com o confisco de bens europeus congelados no país.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em 20 de setembro, durante visita a Kiev, que a Comissão Europeia tinha aprovado o empréstimo de € 35 bilhões (cerca de R$ 216 bilhões), reembolsável a partir de rendimentos de ativos soberanos russos congelados.

Além disso, a Comissão Europeia propôs aumentar o período de congelamento de ativos russos como parte das sanções antirrussas de seis para 36 meses, a fim de proporcionar melhor garantia de reembolso dos empréstimos.

¨      Novo pacote de ajuda dos EUA é destinado a salvar o regime de Zelensky, diz coronel

O novo pacote de ajuda dos EUA à Ucrânia tem a intenção de prolongar a vida do regime de Vladimir Zelensky, disse o ex-conselheiro do Pentágono coronel Douglas Macgregor em entrevista ao canal no YouTube do professor norueguês Glenn Diesen.

Na segunda-feira (21), o chefe do Pentágono Lloyd Austin anunciou durante sua visita a Kiev um pacote de suprimentos militares para a Ucrânia de US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões).

"Não tenho certeza de que o regime de Zelensky dure muito tempo, mas este pacote [de ajuda militar] foi destinado a salvar suas vidas", disse o oficial.

Segundo Macgregor, a situação atual na Ucrânia recorda a situação dos anos da Guerra do Vietnã, quando os Estados Unidos prometeram apoiar o Vietnã do Sul até o fim, com a atual assistência militar à Ucrânia sendo puramente simbólica e sem qualquer intenção séria.

Soldados de unidades de assalto do Distrito Militar Central das Forças Armadas da Rússia praticam alinhamento de combate em um campo de tiro na área de retaguarda da operação militar especial russa, na direção de Avdeevka, foto publicada em 6 de julho de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 25.10.2024

Operação militar especial russa

Prisioneiro: militares ucranianos foram treinados a usar lança-granadas sem poder disparar

Ontem, 11:11

"Zelensky ficou com um prêmio de consolação de várias centenas de milhões de dólares [...] que serão pagos a generais e políticos [...] do parlamento ucraniano", observou o especialista.

Na quinta-feira (24), a mídia informou que Zelensky pretendia desenvolver outro plano de ação antes do final do ano após o fracasso do anterior "plano de vitória".

<><> 'Não esperem que esta guerra acabe quando os lados começarem a conversar', diz assessor de Zelensky

O chefe de gabinete de Vladimir Zelensky disse na sexta-feira (27) que a retirada total das tropas russas, e não apenas negociações de paz, eram essenciais para encerrar o conflito na Ucrânia.

Andrei Yermak discursava em uma reunião internacional dedicada à implementação de um plano de paz, uma das várias reuniões organizadas como acompanhamento da "cúpula da paz" mundial de junho do ano passado, sediada pela Suíça.

"Não esperem que esta guerra acabe quando os lados em guerra começarem a conversar uns com os outros. Não se deixem enganar. [...]", afirmou Yermak, segundo a Reuters.

O presidente russo, Vladimir Putin, falando antes da cúpula de junho, disse que a Rússia estava disposta a manter negociações, mas que a Ucrânia deve primeiro reconhecer como território de Moscou as quatro regiões ucranianas integradas após o começo da operação em fevereiro de 2022.

Na sexta-feira (25), Putin disse que todo o acordo sobre a Ucrânia deve basear-se "nas realidades do campo de batalha", acrescentando que "sem dúvida, não vamos fazer nenhum tipo de concessão aqui", afirmou o líder russo, conforme noticiado.

¨      Rússia tem provas de plano ucraniano para atacar centrais nucleares do país, diz embaixador na ONU

A Rússia possui provas de que os serviços especiais do Ocidente treinaram grupos de sabotagem ucranianos para realizar ataques contra centrais nucleares no território do país, declarou nesta sexta-feira (25) o embaixador russo na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzya.

"Temos informações confiáveis de que os serviços especiais ocidentais, principalmente o MI6 [Serviço de Inteligência Secreto] britânico, preparavam periodicamente grupos de sabotagem e inteligência ucranianos para organizar provocações nas centrais nucleares da Rússia", disse Nebenzya durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

No início de outubro, o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov denunciou um crescente nível de desinformação divulgada por veículos de comunicação europeus sobre uma suposta ameaça de bombardeio das plantas ucranianas pelas tropas russas.

Segundo o chanceler, essas informações têm o objetivo de desviar a atenção dos crimes de Kiev. Em particular, no dia 7 de outubro, a Rússia informou que o plano da incursão armada ucraniana na província de Kursk incluía a captura e a minagem da central nuclear da região.

Por sua vez, o chefe da corporação estatal russa Rosatom, Aleksei Likachev, afirmou que as autoridades ucranianas ignoram as normas de segurança nuclear, bombardeando cidades russas como Energodar, que fica perto da planta de Zaporozhie, e Kurchatov, próxima à central de Kursk.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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