segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Economia do cuidado: o trabalho invisível das mulheres

Economia do cuidado, também chamada de care economy em inglês, é uma expressão que foi definida, em 1993, pela cientista política Joan Tronto. Segundo Tronto, é todo tipo de trabalho, remunerado ou não, motivado pelo objetivo de melhorar a vida de outra pessoa.

O tema começou a ser estudado no início dos anos 1980 na Inglaterra e nos Estados Unidos. Porém, foi retomado pelas cientistas sociais francesas em meados dos anos 2000. A partir de então, passou a fazer parte de estudos brasileiros sobre economia e feminismo.

•                        O que é economia do cuidado?

Economia é uma palavra de origem grega em que “eco” (originalmente oikos) significa “casa” e “nomia” (originalmente nomein) significa “administração”. Portanto, em suma, significa administração da casa. Economia do cuidado, por sua vez, diz respeito às formas de administração do cuidado.

Normalmente, em estudos sociológicos, a economia é resumida ao campo dos bens e serviços. Entretanto, a administração da vida humana também inclui afetos e relações. Os seres humanos precisam suprir suas necessidades fisiológicas com alimentação, atividade sexual, proteção contra calor e frio e sono de qualidade, por exemplo. Neste sentido, o cuidado é fundamental, mas também há a necessidade de entretenimento, educação, carinho, bem-estar e relações afetivas de qualidade em uma comunidade.

Embora essas duas áreas (bens e serviços x cuidados) sejam importantes para a manutenção da vida, o segundo grupo é menos valorizado socioeconomicamente. Ele é visto como um dever natural das mulheres e, por isso, muitas vezes é realizado gratuitamente ou de forma mal remunerada.

Entretanto, segundo levantamento realizado em 2020 pela Lab Think Olga, o trabalho envolvido no cuidado realizado pelas mulheres ao redor do mundo representa uma economia 24 vezes maior que a do Vale do Silício. E, apenas no Brasil, corresponde a 11% do PIB nacional.

Estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que a necessidade por esse tipo de trabalho aumentará em todo o mundo. Isso porque a tendência é de aumento da população que demanda maiores níveis de dependência, como crianças, idosos e pessoas com deficiência.

•                        Herança colonial

Em seu livro “O Segundo Sexo”, a filósofa Simone de Beauvoir começa um discussão sobre as origens da crença de que os serviços domésticos são naturalmente femininos. A filósofa analisa os fatores materiais que levaram a cultura ocidental a determinar que as mulheres estão pré-destinadas à vida privada e o homem, à vida pública.

Beauvoir argumenta que, antes da descoberta do bronze, não havia desigualdade socioeconômica entre homens e mulheres. Apesar destes grupos se ocuparem de tarefas distintas. Normalmente homens caçavam e mulheres se ocupavam de colher frutas e confeccionar vasilhames, por exemplo.

Entretanto, com o acesso do homem às ferramentas de bronze, este passou a aumentar a produção extraída da terra. Isso permitiu a sedentarização e a estratificação social, levando ao surgimento da propriedade privada e vida pública. Enquanto isso, a atuação da mulher ficou restrita aos mesmos afazeres, que se restringiam ao âmbito privado.

Diferente de povos matriarcais, a maior parte da população brasileira, que é absolutamente influenciada pela colonização europeia, herdou a divisão sexual do trabalho relatada por Beauvoir como uma de suas bases culturais.

Dessa forma, atividades de cuidado são consideradas “naturalmente” femininas, como:

•                        Preparar alimentos para a família

•                        Fazer a manutenção da casa

•                        Educar e cuidar dos filhos

•                        Cuidar dos doentes e incapacitados

Por outro lado, o direito ao pleno gozo da vida pública é considerado um direito universal masculino. De fato, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua de 2022 mostraram que mulheres dedicaram 9,6 horas por semana a mais do que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas.

•                        A mão invisível que balança o berço

Pesquisadoras da economia do cuidado, como as autoras Nalu Faria, Renata Moreno, Maria Lucia Silveira e Taís de Viudes de Freitas, pontuam que existe uma diferença crucial entre os trabalhos remunerados e não remunerados.

Em sua série de cadernos publicados pela editora Sempreviva Organização Feminista (os quais foram utilizados como base para redigir este artigo), as autoras argumentam que o trabalho doméstico não remunerado é feito gratuitamente pelas mulheres com base no que é entendido como “amor” natural pelos familiares. Diferente do trabalho remunerado, que normalmente é delegado aos homens.

“A divisão sexual do trabalho, determinada histórica e culturalmente, não apenas destina os homens à esfera produtiva e as mulheres à esfera reprodutiva, como também atrela os primeiros às funções de maior visibilidade social. O movimento feminista procurou denunciar essa questão, apontando que essa separação dentro do mercado de trabalho não representava o destino natural de cada sexo, mas era fruto da organização do trabalho e da economia” , explica Taís de Viudes de Freitas, no caderno Trabalho, Corpo e Vida das Mulheres: Crítica à Sociedade de Mercado.

•                        Trabalho doméstico

Apesar de não entrar na contabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) como atividade produtiva, o trabalho doméstico é crucial para o funcionamento da sociedade.

Atividades essenciais para o desenvolvimento da economia global, como a amamentação (se a criança não for amamentada e cuidada, morrerá e não servirá para repor a mão de obra no futuro), somente nos primeiros seis meses de vida de um bebê, demanda cerca de 650 horas, de acordo com levantamento divulgado pela Lab Think Olga. Mas o trabalho de reprodução e cuidado realizado pelas mulheres é invisibilizado como uma espécie de “mão invisível”, que produz “do nada”.

Os trabalhos de cuidado de pessoas, remunerados, normalmente profissões da área da saúde, também reforçam a divisão sexual da força de trabalho com salários mais baixos para cargos tradicionalmente considerados femininos. Profissões nas quais as mulheres são maioria, como enfermagem, hotelaria, alimentação, limpeza, e assistência social, pagam salários inferiores em comparação às profissões majoritariamente masculinas, ainda que na área de cuidado.

Na medicina, por exemplo, em que a maioria é masculina, os profissionais são melhor remunerados em comparação a outras profissões da área da saúde. Isso porque os médicos são considerados como técnicos a serviço da ciência, enquanto as enfermeiras, em sua maioria mulheres, são relacionadas às necessidades básicas, ao cuidado.

Dessa forma, há uma relação de subordinação e de dependência das enfermeiras em relação ao saber médico; da mulher em relação ao homem.

Jornadas extenuantes

Mal remuneradas e muitas vezes com a função de dupla e tripla jornada, as mulheres encontram-se em uma situação socioeconômica extenuante. De acordo com artigo publicado na revista Fapesp, no Brasil, França e Japão, as mulheres são centrais na oferta de serviços de cuidados e dedicam três vezes mais do seu tempo de vida a trabalhos domésticos de cuidados (como trabalho de cuidado não remunerado).

Em alguns casos, com o aumento de mulheres em cargos de prestígio e em “profissões intelectuais superiores”,  ocorre a externalização do seu trabalho doméstico por meio do recurso a outras mulheres de estrato social mais baixo. Entretanto, organizações feministas argumentam que externalizar os deveres domésticos para mulheres de baixa renda não resolve o problema.

Afinal de contas, as empregadas domésticas, muitas vezes latino-americanas, caribenhas e negras, não desfrutam de salários justos e não têm a possibilidade de terceirizar seus afazeres domésticos, ficando com o encargo de jornadas de trabalho dentro e fora do lar.

•                        Trabalhadoras domésticas

No Brasil, as trabalhadoras domésticas remuneradas, compostas majoritariamente por mulheres negras, possuem rotinas exaustivas. Além de trabalharem oito horas por dia ou mais na casa “do patrão”, utilizam horas do seu dia para o deslocamento e ainda precisam cuidar da gestão doméstica de suas próprias casas, limpando e cozinhando para seus familiares em jornadas duplas e triplas, sem tempo para autocuidado e lazer.

O filme “Que Horas Ela Volta”, dirigido por Anna Muylaert e protagonizado por Regina Casé, retrata bem o drama da mulher brasileira empregada doméstica, que precisa “abandonar” sua família para cuidar da família de outro grupo social mais rico. Para além da questão de classe, há ainda o racismo.

Nesse sentido, o livro  “Eu, empregada doméstica”, escrito pela historiadora, rapper e feminista Preta Rara, é uma das obras que retrata as violências sofridas por mulheres negras em suas rotinas de trabalho como diaristas e empregadas domésticas. A obra traz relatos absolutamente tristes e revoltantes. Trabalhadoras domésticas contam que são proibidas de usarem o banheiro no trabalho ou até mesmo as louças da casa para beber água e almoçar.

•                        Existe solução?

Culturalmente, acredita-se que a igualdade entre homens e mulheres será conquistada com este último grupo imitando o estilo de vida do homem-provedor. Entretanto, isso só é possível para mulheres de renda elevada, em sua maioria, brancas, que se beneficiam da desigualdade econômica externalizando “seus deveres domésticos” para mulheres mais pobres, o que não resolve o problema.

•                        Sustentabilidade da vida humana

Como alternativa a esse cenário de desigualdade social, estudiosas da economia do cuidado propõem a sustentabilidade da vida humana. Essas mulheres defendem que é preciso haver a implementação de políticas públicas em prol das tarefas domésticas, como o aumento da disponibilidade de creches de qualidade e ampliação de atendimento de serviços a pessoas que demandam mais cuidados, como idosos, crianças e doentes.

O ponto crucial defendido por feministas que estudam a economia do cuidado é uma mudança de paradigma em direção à sustentabilidade da vida humana. A solução proposta defende uma mudança no centro dos objetivos sociais, em que a lógica da cultura do lucro ficaria submetida à lógica da cultura do cuidado.

Os horários da jornada de trabalho que visa o lucro teriam que ser adaptados à jornada do trabalho doméstico, e não o contrário, como é atualmente. O tempo mercantil teria que se adaptar às necessidades humanas, de modo que haveria a valorização do tempo não mercantilizado do trabalho. Os homens, por sua vez, seriam demandados a participarem das tarefas domésticas, compreendendo o seu valor.

 

Fonte: eCycle

 

Como é viver com doença que impede de sentir dor: 'Luto para sobreviver'

Fraturar um osso e não perceber, ou colocar a mão no fogo e não sentir o calor e a dor — situações incomuns para a maioria das pessoas, mas não para Kaylany Corrêa de Lima.

A jovem de 19 anos, que vive em Palhoça (SC), tem uma doença rara que faz com que ela não sinta dores físicas, chamada da neuropatia hereditária sensitiva e autonômica tipo 5 (NHSA5).

A doença é caracterizada por uma mutação genética, ou seja, Kaylany já nasceu com a doença, que não tem cura.

“Quando eu tinha uns 10 meses e já tinha alguns dentes, minha mãe conta que eu comecei a morder o dedo e precisava enrolar tecido nas minhas mãos para evitar as mordidas”, conta Kaylany.

"Depois, passei a morder a língua constantemente, machucando tanto que eu ficava com a roupa toda suja de sangue. Essa situação fez com que minha língua ficasse toda irregular."

Com o passar dos anos, os pais notaram que ela não chorava ao cair ou ao se machucar, como as outras crianças. Até mesmo fraturas não eram sentidas.

Apesar de insistirem com os pediatras que havia algo de errado com a filha, os médicos não davam nenhum diagnóstico, conta Kaylany.

“Aos 4 anos, trinquei o fêmur e continuei andando sem notar. Dois dias depois, a fratura já estava mais grave. Foi quando meus pais perceberam o inchaço e a vermelhidão”, lembra ela.

"Também tive uma fratura na coluna e, mesmo assim, andava normalmente, até dançava."

Na tentativa de descobrir o que a filha tinha e levar algumas hipóteses aos médicos, a mãe de Kaylany passou a pesquisar sobre doenças raras.

Foi quando uma geneticista ouviu a mulher, solicitou um exame genético e encontrou uma mutação. Nessa época, Kaylany já tinha 13 anos.

“O sonho da minha mãe era descobrir o que eu tinha, e conseguir o diagnóstico foi libertador, pois tivemos a confirmação de que não era coisa da nossa cabeça e começamos a lidar melhor com a condição", diz.

"Não é bom. Eu digo isso, porque muitos acham que por não sentir dor sofro menos, mas a dor serve para o corpo avisar que tem algo errado.”

Por ter tido uma infância com restrições, como não poder fazer as aulas de educação física e nem brincar de correr como as outras crianças, Kaylany conta que sofreu bullying na escola: "Isso acabou me excluindo da sociedade".

Aos 18 anos, Kaylany também recebeu o diagnóstico de autismo. Para cuidar da saúde mental, ela faz acompanhamento com psicólogos e psiquiatra.

Por conta da doença rara, ela diz que precisou deixar de lado o sonho de cursar faculdade e não consegue emprego. “Agora, luto para sobreviver", diz Kaylany.

"Em agosto, fiz duas cirurgias na coluna que me fizeram perder o movimento nas pernas por um tempo, mas com a fisioterapia os movimentos voltaram", acrescenta.

"Sei que não poderei mais viver e trabalhar como uma pessoa comum, terei que ficar mais em casa e me mover menos do que antes, porque o que tenho tende a piorar.”

Kaylany destaca que a expectativa de vida para quem tem a NHSA5 é mais baixa do que na população geral, o que foi endossado por especialistas entrevistados pela BBC News Brasil.

"Vivi desde a infância achando que eu iria morrer cedo. Foi pesado, mas me sinto uma guerreira de estar aqui ainda."

•                        O que é a neuropatia hereditária sensitiva e autonômica

A neuropatia hereditária sensitiva e autonômica tipo 5 (HSAN5) é uma condição genética rara que afeta os nervos sensoriais e autonômicos do corpo.

Esses nervos são os responsáveis por oferecer sensações como dor e temperatura, além de controlar funções automáticas do corpo humano, como a pressão arterial e a produção de suor.

Pessoas com essa mutação genética têm capacidade reduzida ou ausente de sentir dor e temperatura, o que pode fazer com que elas se machuquem e não percebam.

A doença é considerada ultrarrara, ou seja, é registrado menos de um caso a cada 50 mil pessoas.

“A HSAN5 acontece devido a mutações em um gene específico, o NGF ou o NTRK1, que são responsáveis pela formação e funcionamento adequado dos nervos sensoriais e autonômicos”, explica Luiz Severo, neurocirurgião e membro da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor.

"Essas mutações prejudicam o desenvolvimento ou o funcionamento dos nervos."

A doença é hereditária e se manifesta desde cedo — o principal sinal é quando o bebê não reage a estímulos dolorosos.

Neuton Magalhães, neurocirurgião e especialista em dor pela Universidade de São Paulo (USP), aponta que a condição pode afetar uma variedade de atividades cotidianas.

“A perda da sensibilidade à dor interfere no mecanismo de proteção do corpo, no sono, na mobilidade e nutrição”, diz Magalhães, professor de neurologia do curso de medicina do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).

"A parte autonômica interfere em disfunções básicas como, por exemplo, a micção, evacuação e, consequentemente, afeta o estado emocional, bem-estar e qualidade de vida dos pacientes."

Para o diagnóstico da doença, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, é necessário realizar uma combinação de exames clínicos e genéticos.

Durante a avaliação clínica, o médico investigará a história dos sintomas e examinará a capacidade do paciente de sentir dor e temperatura.

Testes genéticos são essenciais para confirmar a mutação nos genes responsáveis pela condição, o que oferece um diagnóstico mais preciso. Em alguns casos, uma biópsia de pele pode ser realizada para avaliar o funcionamento dos nervos.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a investigação de um possível diagnóstico de doença rara começa pela saúde primária, ou seja, o posto de saúde municipal.

Após o atendimento, o paciente pode ser encaminhado para um centro especializado em doenças raras.

Segundo o Ministério da Saúde, 36 centros de saúde do país estão habilitados para fazer esse atendimento aos pacientes com doenças raras.

Apesar de ser uma condição hereditária, a NHSA5 segue um padrão autossômico recessivo. Isso significa que tanto o pai quanto a mãe precisam ser portadores da mutação genética para que o filho nasça com a condição.

Se apenas um dos pais for portador, o filho não terá a doença, mas pode ser um portador e passar a mutação para as futuras gerações.

“Quando um casal tem um filho com a doença, há um risco de 25% de outro filho também apresentar”, acrescenta Roberto Giugliani, especialista em genética médica e coordenador de do setor dedicado a doenças raras no laboratório Dasa Genômica.

"Isso reforça a importância do diagnóstico preciso e do aconselhamento genético."

 

Fonte: BBC News Brasil

 

Bruno Paes Manso: Eleições, facções e execuções

A presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) no debate público aumentou nas últimas eleições municipais. A facção foi citada pelos cinco principais concorrentes à Prefeitura de São Paulo, cada qual tentando colar no outro a imagem de conivente com o grupo. Pablo Marçal, o candidato-surpresa que quase chegou ao segundo turno, foi implicado de diversas maneiras.

Foram lembradas desde suas antigas ligações com quadrilhas de golpe financeiro em Goiás, que levaram à sua condenação em 2010, até suspeitas de envolvimento de seus aliados e correligionários com a facção. Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, partido de Marçal, gabava-se em um áudio de WhatsApp de ter sido o responsável por “soltar o André do Rap”, considerado um dos principais traficantes internacionais brasileiros, que deixou a prisão em 2020 depois de obter um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Também voltou a público a investigação da Polícia Federal contra seu sócio e amigo, o influencer fitness Renato Cariani, denunciado por ter emitido notas frias em sua empresa para desvio de toneladas de insumos químicos para refino de crack e cocaína. Outros dois dirigentes do PRTB eram acusados de usar dinheiro da venda de carros para a compra de cocaína, mediada por integrantes da facção. Marçal ainda concedeu a um piloto de avião acusado de transportar cocaína uma procuração para que ele o representasse junto ao governo federal para regularizar uma aeronave recém-adquirida.

O prefeito reeleito, Ricardo Nunes, não saiu ileso. Sua gestão foi apontada como suspeita de ter sido condescendente com a facção, já que o grupo se mostrou presente e atuante na administração municipal. Em abril de 2024, proprietários de duas empresas de ônibus da capital, Transwolff e UpBus, responsáveis por transportar milhares de passageiros na cidade, foram denunciados pelo Ministério Público por ligações com o PCC. A Justiça determinou que o prefeito assumisse a operação das empresas para evitar o colapso do sistema de transporte. Durante a campanha, Nunes precisou explicar por que pagou subsídio aos empresários denunciados.

Depois, o prefeito teve que justificar por que a Secretaria de Infraestrutura e Obras, responsável por mais de R$ 5 bilhões em contratos de obras de emergência, feitas sem licitação, tinha na chefia de gabinete Eduardo Olivatto, cunhado de Marcola. Eduardo era irmão de Ana Maria Olivatto, primeira mulher do chefe do PCC, assassinada em outubro de 2002. A morte dela promoveu uma guerra entre lideranças do PCC, que levou Marcola a assumir a chefia da facção em 2003.

Apesar de tantas suspeitas comprometedoras, quem mais se prejudicou foi o candidato Guilherme Boulos. No dia da eleição para o segundo turno, o governador Tarcísio de Freitas, que apoiou Ricardo Nunes, disse a jornalistas durante uma entrevista coletiva que escutas tinham identificado um “salve” orientando a votar no candidato do PSOL. Boulos não teve tempo suficiente para desmentir a notícia.

A recorrência do nome do grupo se justifica? Até que ponto a influência do PCC é real? A presença da facção no imaginário e nas conversas podem ser exageradas? Às vezes, o grupo parece uma assombração, vagando invisível por todos os cantos, aguçando o medo das pessoas e causando confusão, já que ninguém sabe ao certo do que se trata. Essa névoa dá margens a massacres, como os ocorridos em Santos e Guarujá, em que 84 pessoas foram mortas pela polícia ao longo de 2023 e 2024.

De fato, é preciso ter cuidado para abordar o assunto. Em primeiro lugar, porque a facção, para seguir viva e influente, precisa estar em permanente processo de transformação, o que tona difícil defini-la. Autoridades, jornalistas e pesquisadores vivem o desafio de compreender o funcionamento dessa rede de criminosos em transformação permanente. De outro lado, pode haver exagero. Muitas vezes, eu mesmo me questiono: o que cabe ao PCC e o que é resultado desse novo contexto criminal, mais profissional e lucrativo?

Ou seja, mais do que uma facção onipresente, às vezes, o que ocorre são ações de criminosos cada vez mais endinheirados e influentes, integrantes de uma rede horizontal poderosa e capitalizada pelo dinheiro do crime, cujos rastros de ilegalidade se apagaram depois de uma lavagem bem-feita e do ingresso em investimentos feitos na economia formal. Apesar de terem contatos com membros da facção, essa rede é beneficiária dessa nova ordem mais profissional e sofisticada, surgida com a ajuda das regras e mediação exercida pelos integrantes do PCC.

Apesar do envolvimento comprometedor de políticos e da máquina pública com o grupo, resta sempre o benefício da dúvida. Até que ponto houve dolo ou foram as autoridades e empresários ludibriados pela fachada de legalidade dos negócios ligados ao crime?

O caso da execução do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach mostra a complexidade dessas relações. O assassinato dele ocorreu à luz do dia, às 16 horas de uma sexta-feira, no Aeroporto de Guarulhos, um local fortemente vigiado por câmeras e por policiais. A ousadia e a precisão dos assassinos, que conseguiram escapar, mostram que os matadores tinham treinamento e sabiam o que faziam. Não eram amadores e contaram com informações privilegiadas, que permitiram a eles surpreenderem a vítima na hora exata.

A novela envolvendo a morte de Gritzbach tinha se iniciado anos antes. Corretor de imóveis nascido e criado na Zona Leste, ele vinha ajudando Anselmo Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, apontado como traficante do PCC, que era acionista da UPBus, empresa de ônibus suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas. Além de imóveis, com a mediação de Gritzbach, parte dos recursos de Cara Preta passou a ser investida em criptomoedas.

Segundo uma das versões para o início das rusgas entre os dois, Gritzbach teria perdido parte do dinheiro do investidor numa das baixas do mercado de criptomoedas. Cara Preta queria o dinheiro de volta e passou a ameaçá-lo. Gritzbach teria, então, matado seus potenciais algozes contratando um pistoleiro. Além de Cara Preta, morreu na ação Antonio Corona Neto, o Sem Sangue, em dezembro de 2021.

Outras hipóteses relevantes surgiram para explicar o homicídio. Policiais envolvidos no esquema milionário associados a traficantes e lavadores de dinheiro poderiam ter sido responsáveis pelo crime. Gritzbach, afinal, havia prestado depoimento na Corregedoria da polícia oito dias antes de ser morto. Isso talvez ajudasse a explicar uma suposta ajuda dos policiais envolvidos em sua escolta com a execução do crime.

Ainda é preciso aguardar as investigações para saber o que de fato ocorreu. Mas há um fato inegável: o crime e o tráfico estão mais influentes nas altas esferas da economia e da política paulistana. Os pequenos traficantes de antigamente, que se envolviam em conflitos violentos nas quebradas paulistanas para ganhar uma mixaria no varejo das drogas, fazem parte do passado. Entra em cena o fluxo grosso de capital movimentado pelo atacado da cocaína, commodity cada vez mais importante na economia nacional, cujos lucros são mais elevados do que qualquer outro produto agrícola, por ser ilegal e assim alcançar valores estratosféricos no mercado internacional.

Além da estrutura de transporte da cocaína dos Andes para a Europa, o fluxo da mercadoria depende cada vez mais de empresários cheios de dinheiro para corromper as autoridades que facilitem esse trânsito, além de uma nova infraestrutura de lavagem, que passa por investidores em criptomoedas, exchanges, bancos virtuais, influenciadores digitais, donos de casas de apostas, articuladores de pirâmides financeiras, entre outros atores. Pelo rumo que as coisas vão, fica evidente a necessidade de mudanças na estratégia da polícia para lidar com o problema. Em vez da fracassada guerra às drogas nas favelas, um bom começo seria usar o tirocínio para a realização de flagrantes em donos de Porsches, Ferraris e BMWs e nos proprietários de apartamentos de luxo espalhados pelas diversas capitais do Brasil.

 

•                        Bando do novo ‘Marcola’ mata 3 do PCC em 15 segundos em Rio Claro

A cidade de Rio Claro, no interior paulista, se transformou em um campo de batalha no sábado (23) quando membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram executados em plena via pública por integrantes de uma quadrilha rival, conhecida como Bando do Magrelo. O conflito, motivado pela disputa de rotas de narcotráfico, levou a três mortes e aumentou a tensão na região.

As imagens de câmeras de segurança divulgadas pela imprensa local mostram o momento exato em que cinco criminosos, identificados como “soldados” de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo – que está preso desde 2023 –, executam três membros do PCC.

O assassinato de Daniel de Paula Sobrinho, conhecido como “Vovô”, teria sido o estopim para a vingança. Daniel foi morto no salão de cabeleireiro que possuía, no bairro Jardim Palmeiras, e a retaliação ocorreu cerca de 12 horas depois.

Por volta das 20h55, um Fiat Mobi branco se aproximou de quatro membros do PCC em frente a um terreno no bairro das Nações. Quatro homens desembarcaram do veículo e começaram a atirar, sendo acompanhados por um motociclista. As vítimas, Marcelo Henrique Ferreira (27), Gabriel Lima Cardoso (26) e José Cláudio Martins Nunes (50), foram alvos de disparos fatais.

Marcelo foi atingido na cabeça e na nuca e morreu imediatamente. Já José Cláudio foi alvejado com cinco tiros no peito e dois na cabeça, enquanto Gabriel, embora tenha tentado fugir, foi alcançado e executado com seis tiros. O quarto homem, de 35 anos, também alvejado, sobreviveu e será ouvido pela polícia.

Após a chacina, as autoridades encontraram munições de calibre 9mm e um carregador prolongado próximo ao local. Até o momento, os pistoleiros continuam foragidos. A rivalidade entre o PCC e o Bando do Magrelo é uma disputa violenta pela rota do narcotráfico que atravessa Rio Claro e movimenta milhões de reais mensalmente.

Segundo investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o Bando do Magrelo já é responsável pela morte de pelo menos 30 integrantes do PCC. O líder da facção, Magrelo, se autointitula como o “novo Marcola” – uma referência a Marco Willians Herbas Camacho, o principal chefe do PCC.

Em uma denúncia obtida pelo Metrópoles, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que as execuções públicas promovidas pelo Bando do Magrelo, muitas vezes com fuzis, têm chamado a atenção e colocado Rio Claro em um cenário de crescente violência.

As investigações continuam e a polícia segue em busca dos responsáveis pela chacina. O caso reforça a gravidade da guerra entre facções no interior paulista e coloca em xeque a segurança nas áreas afetadas. Autoridades locais e o MPSP estão intensificando as operações para combater o tráfico de drogas e a atuação de quadrilhas como o Bando do Magrelo, que desafiam diretamente a maior facção criminosa do país.

Enquanto isso, os moradores de Rio Claro vivem com a constante ameaça da violência nas ruas, e o cenário de confronto entre o PCC e facções rivais segue sendo um problema crescente para as autoridades do estado.

 

Fonte: Jornal da USP/DCM

 

Gilbert Achcar: O cessar-fogo no Líbano não é uma “vitória divina”

Poderia o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano ser uma nova “vitória divina”? Foi assim que o Hezbollah descreveu o acordo que encerrou o ataque israelense ao Líbano em 2006. Na época, o partido exibiu essa frase em grandes outdoors, acompanhada de uma foto do Secretário-Geral Hassan Nasrallah, em um claro jogo de palavras, pois o slogan podia ser interpretado tanto como uma vitória atribuída a Deus quanto como uma vitória liderada por Nasrallah, cujo nome, em árabe, significa “vitória de Deus”.

Independentemente dessa suposta dimensão divina, a reivindicação de vitória fazia sentido em 2006, quando o ataque israelense não conseguiu desferir um golpe decisivo ao Hezbollah, que resistiu ferozmente. O Estado sionista foi forçado a interromper sua guerra com base em uma resolução internacional, a Resolução nº 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que não oferecia garantias reais para sua aplicação. Isso incluía até mesmo sua primeira cláusula, que exigia a retirada das forças do partido para o norte do rio Litani, sem mencionar a cláusula que reafirmava a resolução anterior nº 1559 (2004) do CSNU, que demandava o desarmamento do Hezbollah — a única organização que insistiu em manter armas no Líbano após 1990, sob o pretexto de resistir à ocupação israelense.

O partido conseguiu recuperar-se das feridas da guerra de 2006, que causou mais de mil mortes e uma destruição generalizada nas áreas sob seu domínio, em conformidade com o que mais tarde ficou conhecido como a “Doutrina Dahiya”. O financiamento iraniano permitiu ao Hezbollah pagar indenizações por perdas humanas e materiais, enquanto o armamento iraniano possibilitou não apenas compensar as perdas militares, mas também multiplicar sua capacidade de fogo em quantidade e qualidade, adquirindo um poder dissuasório contra o Estado sionista. Como é amplamente sabido, o poder militar do partido e o apoio iraniano cresceram ainda mais devido à sua intervenção na Síria para sustentar o regime de Assad, transformando-o, na prática, em uma divisão da Força Quds — a ala da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã especializada em operações no exterior — encarregada de missões militares que incluíam o Iraque e o Iêmen.

·        O contexto atual

A situação atual e o acordo de cessar-fogo, negociado lentamente ao longo de meses e intensamente nas últimas semanas, são completamente diferentes de 2006. A principal diferença é que o golpe infligido pelas forças armadas sionistas ao Hezbollah é hoje muito maior, ainda que não fatal. Israel não tem ilusões de que pode eliminar o partido apenas com bombardeios, pois o Líbano oferece diversos refúgios locais e regionais, diferentemente da Faixa de Gaza, que continua sendo uma grande prisão apesar da rede de túneis escavada pelo Hamas.

A ofensiva lançada pelas forças armadas israelenses no Líbano há dois meses e meio, que começou com a explosão de dispositivos de comunicação do Hezbollah, conseguiu decapitar o partido ao eliminar a maioria de seus líderes e destruir suas capacidades e infraestruturas militares de maneira muito mais eficaz do que há 18 anos, graças a avanços tecnológicos que aprimoraram a inteligência israelense. O Hezbollah sairá desta guerra exausto, em um estado incomparavelmente pior do que em 2006, com capacidade limitada para se reconstruir, muito menos para ampliar suas forças.

Como destacou recentemente o embaixador de Israel na ONU, aprenderam-se as “lições de 2006 e da resolução 1701”. Dessa vez, os israelenses estarão muito mais atentos para garantir a retirada total das forças do Hezbollah ao norte do rio Litani e impedir que o Irã reabasteça o partido por meio do território sírio. Israel exigiu garantias oficiais dos Estados Unidos para essas questões e manterá a liberdade de atacar qualquer movimento que viole o acordo, da mesma forma que atua contra operações iranianas na Síria.

·        Impacto financeiro e político

Além disso, a capacidade do Hezbollah de se recuperar perante sua base popular será mais limitada desta vez, não apenas porque as perdas humanas e materiais são maiores, mas também porque o Irã enfrenta hoje uma situação financeira mais difícil do que em 2006, antes das sanções mais rigorosas impostas pelos Estados Unidos.

Por fim, o Estado sionista conta com os esforços de Washington, em cooperação com Paris, para alterar o cenário político libanês, fortalecendo as forças armadas regulares do Líbano e impedindo o Hezbollah de se rearmar. Esse processo inclui a restauração das instituições governamentais libanesas, com a eleição de um novo presidente e a formação de um gabinete, pressionando pela escolha de Joseph Aoun, comandante das forças armadas libanesas.

O futuro dependerá da dinâmica entre Irã e Estados Unidos: se haverá um acordo político ou uma escalada de violência no Líbano, intensificando o confronto regional.

¨      Consulado do Irã na Síria é alvo de ataque terrorista

Ataque ocorreu pouco após Teerã e Moscou expressarem preocupação diante da escalada de violência na Síria; chanceler iraniano diz que aumento das atividades rebeldes no país é parte de um plano dos EUA e Israel para desestabilizar a região.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que o consulado iraniano na cidade de Aleppo, na Síria, foi atacado por terroristas neste sábado (30).

"O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, condenou veementemente o ataque de vários grupos terroristas armados ao consulado iraniano em Aleppo e, referindo-se às disposições da Convenção [de Viena] sobre Relações Consulares de 1963, que proíbem quaisquer ataques a edifícios consulares, observou que a violação dessa convenção é inaceitável por qualquer pessoa, grupo ou governo", disse o órgão em comunicado.

O ataque veio poucas horas após o Ministério da Defesa sírio informar que as Forças Armadas da Síria estavam engajadas em combates com grupos terroristas nas províncias de Aleppo e Idlib.

Baghaei enfatizou que Teerã avalia medidas legais e internacionais em resposta à ação, e destacou que os funcionários do consulado escaparam ilesos do ataque.

Anteriormente, veículos de mídia sírios informaram que funcionários do consulado iraniano estavam seguros em meio a confrontos armados entre o Exército e terroristas, acrescentando que declarações sobre a captura de um dos funcionários não foram confirmadas.

Rebeldes lançaram um ataque surpresa neste sábado, considerado o maior já realizado na Síria desde 2016, e conseguiram tomar o controle de parte de Aleppo, segunda maior cidade do país, atrás apenas da capital Damasco. A ação veio na esteira de outros ataques realizados ao longo da semana, que reacenderam a violência no país, que vive um conflito armado desde 2011, com vários grupos, incluindo organizações terroristas, em confronto entre si e contra as Forças Armadas Sírias.

O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, e seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, expressaram preocupação com a escalada de violência no país, em uma conversa telefônica realizada mais cedo.

"Durante a conversa, ambos os lados expressaram extrema preocupação com a perigosa escalada da situação na Síria em conexão com o ataque terrorista por grupos armados nas províncias de Aleppo e Idlib. Forte apoio à soberania e integridade territorial da Síria foi reafirmado", disse o MRE russo em comunicado.

Os chanceleres concordaram sobre a necessidade de intensificar esforços conjuntos visando estabilizar a situação na Síria e revisar urgentemente a situação de forma abrangente dentro da estrutura do formato de Astana.

O formato das negociações de Astana foi lançado em 2017, e inclui Rússia, Irã e Turquia como mediadores da crise síria.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano também divulgou um comunicado sobre a conversa telefônica, afirmando que ambos os diplomatas concordaram que a discussão sobre os acontecimentos na Síria deveria ocorrer no formato tripartite de Astana, incluindo a Turquia.

"Na conversa, as partes, expressando forte apoio à soberania nacional e à integridade territorial da Síria e apoiando o governo e o exército desse país na luta contra grupos terroristas, declararam a necessidade de considerar essa questão [a atuação de terroristas na Síria] dentro da estrutura do processo de Astana e a necessidade de coordenação entre Irã, Rússia e Turquia — os três países mediadores [do formato Astana]", disse o ministério iraniano.

Abbas Araghchi afirmou que o aumento da atividade de grupos terroristas na Síria faz parte do plano dos EUA e Israel para desestabilizar a região.

¨      EUA e Israel estão por trás da ofensiva dos militantes na Síria, acredita analista turco

O momento da ofensiva dos grupos terroristas em Aleppo e Idlib, no noroeste da Síria, não surge por acaso e atende aos planos dos EUA e de Israel, disse o dr. Ali Fuat Gokce, professor da Universidade de Gaziantep, em uma entrevista ao jornal turco Aydinlik.

Na manhã de quarta-feira (27), grupos pertencentes ao Tahrir al-Sham (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) violaram o acordo de desescalada e atacaram posições das Forças Armadas sírias nas províncias de Aleppo e Idlib, noroeste da Síria.

As forças sírias, junto com a Força Aérea russa instalada no país, responderam aos ataques causando baixas consideráveis aos terroristas.

No entanto, segundo o canal de TV Al-Mayadeen, os militantes conseguiram fazer um avanço e agora controlam supostamente cerca de 40% da maior cidade síria, Aleppo.

Em sua entrevista à mídia turca, Gokce nomeia o Tahrir al-Sham como forças que lutam por procuração dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Segundo ele, depois "da derrota de Israel no Líbano", Washington decidiu usar este grupo terrorista para cortar uma "rota essencial para o Hezbollah", movimento libanês com qual realmente lutou Israel e fez recentemente um acordo de cessar-fogo.

"No mesmo dia em que Israel foi derrotado na luta contra o Hezbollah e o cessar-fogo entrou em vigor, as formações do Tahrir al-Sham entraram em ação. Parece que o Tahrir al-Sham, controlado pelos EUA, está agindo em defesa de Israel", disse Gokce.

Ele disse que o objetivo dos EUA era capturar a região ao redor de Aleppo, pois alimentar conflitos inter-religiosos na área prejudicaria a retaguarda do Hezbollah.

¨      Centro Russo de Reconciliação para a Síria relata escalada de tensões no país

As tensões têm aumentado na Síria devido à ofensiva de grupos terroristas nas províncias de Aleppo e Idlib, localizadas no noroeste do país, informou nesta quinta-feira (29), Oleg Ignasyuk, vice-chefe do Centro Russo de Reconciliação para a Síria.

"O Centro Russo de Reconciliação para a Síria registrou uma deterioração contínua da situação na República Árabe Síria devido ao grupo terrorista Frente al-Nusra [antigo nome para Frente Fatah al-Sham, organização terrorista proibida na Rússia] e outros grupos armados de oposição radical que se deslocam para uma ofensiva conjunta contra as forças do governo sírio nas províncias de Aleppo e Idlib", disse Ignasyuk em um comunicado.

Para apoiar o país árabe, a Força Aérea russa tem atacado posições de grupos terroristas armados, bem como posições de seus equipamentos, postos de controle e armazéns, disse ele.

Nas últimas 24 horas, pelo menos 200 paramilitares foram mortos e a operação para repelir a ofensiva terrorista continua, acrescentou Ignasyuk.

Na manhã da quarta-feira (27), a Frente al-Nusra começou a bombardear aldeias e cidades nas províncias de Aleppo e Idlib, segundo o Ministério da Defesa sírio.

As forças sírias responderam aos ataques, causando baixas consideráveis ao grupo terrorista Tahrir al-Sham (anteriormente conhecido como Frente Fatah al-Sham, organização terrorista também proibida na Rússia e em vários outros países).

Já na quinta-feira (28), o Centro Russo de Reconciliação para a Síria informou que as Forças Armadas da Síria, com o apoio da Força Aérea russa, eliminaram cerca de 400 terroristas num dia.

Desde março de 2011, a Síria tem vivido um conflito em que as forças governamentais enfrentam grupos armados de oposição e organizações terroristas.

<><> Exército sírio está deslocando reforços para repelir ataques terroristas no norte do país

As Forças Armadas da Síria transferem reservas para as zonas de batalha nas províncias de Aleppo e Idlib para repelir ataques terroristas, informou o Comando-Geral do Exército da Síria.

Na quarta-feira (27), grupos pertencentes ao Tahrir al-Sham (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) violaram o acordo de desescalada e atacaram posições das Forças Armadas sírias nas províncias de Aleppo e Idlib, noroeste da Síria.

Eles atacaram vilarejos e povoados em uma grande parte da linha de contato.

O Exército sírio respondeu ao ataque. De acordo com Oleg Ignasyuk, vice-chefe do Centro Russo de Reconciliação para a Síria instalado no país, pelo menos 400 terroristas foram eliminados.

"Nossas Forças Armadas continuam a reforçar com efetivos e equipamentos todas as posições na linha de frente para impedir os avanços dos terroristas e repelir seus ataques", diz o comunicado.

Os militares sírios conseguiram recuperar o controle de vários territórios e o Exército vai continuar a atacar os terroristas até que eles sejam completamente expulsos dos territórios sob o controle das autoridades sírias ou até que sejam completamente destruídos.

As tropas sírias já eliminaram centenas de terroristas durante dias de combates, além da destruição de blindados e drones dos militantes, entre os quais há muitos mercenários estrangeiros, segundo a informação do comando.

A mídia síria relatou que a Força Aérea da Síria atacou os quartéis-generais dos terroristas nas cidades de Idlib, capital da província do mesmo nome, e de al-Dana, na mesma região.

 

Fonte: Correio da Cidadania/Sputnik Brasil