Zelensky
precisa ser questionado sobre corrupção no seu governo, diz ministro demitido
na Ucrânia
O
presidente ucraniano Volodymyr
Zelensky deve ser questionado sobre a corrupção em seu governo, disse à BBC o
ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, que foi demitido.
Fedorov,
um ministro popular que modernizou as forças armadas e foi pioneiro na guerra
com drones, foi demitido no mês passado após
supostamente ter entrado em conflito com o chefe das Forças Armadas da Ucrânia.
Ele
disse à BBC que a investigação sobre lavagem de dinheiro anunciada na semana
passada indica que Zelensky deveria ser questionado sobre seu conhecimento de
possíveis casos de corrupção em seu círculo íntimo.
Mas ele
afirmou que não viu o presidente se envolver em nenhuma atividade corrupta.
"Durante
todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi dele qualquer tarefa ou
incumbência que fosse contra a lei ou meu senso de integridade", disse
Fedorov.
O
ex-ministro também reiterou seu apelo para a realização de eleições na Ucrânia,
dias depois de divulgar um vídeo no qual pedia uma votação em tempos de guerra.
"A
democracia não deve ser refém de Putin", disse ele — sem declarar suas
próprias ambições políticas.
Houve
protestos acalorados contra a demissão de Fedorov, mas seu apoio diminuiu e as
manifestações terminaram na quarta-feira, após a confirmação de seu substituto.
Ao ser
questionado se sentia falta do antigo emprego, respondeu que não, mencionando o
estresse permanente de gerenciar a guerra da Ucrânia com a Rússia e, ao mesmo
tempo, reformar o Ministério da Defesa.
A
Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão pela Rússia em 2022, o que
significa que as eleições estão suspensas. O mandato presidencial de cinco anos
de Zelensky terminou em maio de 2024.
Mas
Fedorov disse que é seu "direito moral" iniciar a conversa sobre as
eleições.
"Não
devemos ter medo de discutir isso. É disso que se trata a democracia. Se eu não
posso compartilhar minhas ideias e ser transparente sobre elas com a minha
própria sociedade, então pelo que estamos lutando?"
Se as
eleições nunca fossem realizadas, disse ele, "então deixaríamos de ser uma
democracia".
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Eleições e guerra
Em sua
declaração em vídeo anterior, Fedorov argumentou que "as pessoas não podem
viver indefinidamente em um estado em que não entendem por que certas decisões
são tomadas".
Ele
evitou criticar o presidente diretamente e se recusou a responder se apoia
Zelensky para vencer qualquer eleição.
Zelensky
afirmou, em declarações divulgadas no domingo, que acreditava que eleições em
tempos de guerra seriam muito perigosas para a Ucrânia no momento.
"Acredito
que, em uma guerra como esta, as eleições representam um risco enorme",
disse ele. "As eleições agora são um tsunami para o país, que dividirá a
Ucrânia."
Especialistas
apontaram diversos obstáculos à realização da votação, entre eles a definição
de como votariam os soldados, os milhões de refugiados ucranianos e os
moradores dos territórios ocupados, além do risco de campanhas de desinformação
promovidas pela Rússia.
O vídeo
de Fedorov, que denunciava a corrupção política na semana passada, foi
divulgado um dia antes do anúncio de uma investigação de lavagem de dinheiro
envolvendo parlamentares e banqueiros.
O
gabinete anticorrupção da Ucrânia afirmou ter descoberto um esquema para
desviar o equivalente a mais de US$ 3 milhões em moeda ucraniana para pagar a
fiança de um ex-ministro da Energia acusado de lavagem de dinheiro.
Um
funcionário de alto escalão do gabinete de Zelensky, supostamente envolvido no
caso, foi demitido.
Fedorov
disse que havia dúvidas sobre o conhecimento do presidente a respeito de uma
possível corrupção em seu círculo íntimo.
"Deixem
que ele responda a essa pergunta... Acredito que ele esteja preparado para esse
tipo de questionamento. É responsabilidade dele nos dizer se ele tinha
conhecimento de tudo isso ou não... Não quero fazer suposições."
Um
porta-voz do presidente havia declarado anteriormente à BBC News: "Como o
ex-ministro fez parte de todos os governos desde 2019, é estranho que ele se
expresse como se fossem governos diferentes sem ele. Como todos se lembram, não
ouvimos nenhuma declaração contundente dele naquela época."
Fedorov
afirmou ter eliminado focos de corrupção do ministério da Defesa, mas alertou
que isso ainda afetava a capacidade da Ucrânia na linha de frente.
O
ex-ministro afirmou que não tinha tido contato com o presidente "há
algumas semanas" e que não possuía provas de que o presidente fosse
pessoalmente corrupto.
"Durante
todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi dele qualquer tarefa ou
incumbência que fosse contra a lei ou meu senso de integridade. Essa é a minha
experiência pessoal com ele."
Como
ministro da Defesa e, anteriormente, ministro da Transformação Digital, Fedorov
é reconhecido por ter inovado ao substituir soldados por um "exército de
drones", salvando vidas no campo de batalha e possibilitando ataques
ucranianos de longo alcance contra alvos militares russos, refinarias de
petróleo e armazéns de distribuição — a milhares de quilômetros além da
fronteira.
Ele
afirmou que continuará promovendo novas formas de travar a guerra e confirmou
uma visita aos Estados Unidos nas próximas semanas, onde espera se encontrar
com Elon Musk.
O
sistema de comunicações via satélite Starlink, do bilionário empresário, tem
sido fundamental para o sucesso da Ucrânia. Fedorov pretende convencer Musk a
estender a tecnologia ao espaço aéreo russo para auxiliar os ataques
ucranianos, sem que o Kremlin se beneficie do acesso.
"As
melhores empresas de tecnologia do mundo estão nos apoiando e investirão em
nossa vitória, no fim desta guerra. E precisamos manter contato com elas,
independentemente da minha posição. Tenho um histórico de sucesso trabalhando
com elas e preciso manter contato com elas pelo bem do meu país", disse
ele.
Fedorov
criticou a burocracia no Reino Unido e em outros países que apoiam a Ucrânia
pelos atrasos no fornecimento de armas.
O Reino
Unido é um apoiador de longa data da Ucrânia, tendo gasto US$ 21 bilhões no
fornecimento de armas desde o início da guerra. Foi confirmado na semana
passada que drones de fabricação britânica foram usados para atacar alvos
russos.
Fedorov
disse estar grato pelo apoio britânico, mas culpou a "burocracia e a
papelada" pelos atrasos no recebimento do equipamento prometido.
"Os
governos estão ficando para trás em relação à realidade no terreno. Não é um
problema apenas do Reino Unido, mas também de outros países que anunciam alguma
ajuda e nós só a recebemos no final do ano."
Fedorov
defendeu o financiamento direto da mais recente produção de drones ucranianos,
em vez de habilidades e equipamentos obsoletos de outras nações: "Não
precisamos de reparos em tanques quando não os utilizamos mais."
Ele
afirmou que as entregas em tempo hábil ajudariam a salvar não apenas vidas
ucranianas.
"Infelizmente,
nossas perdas, nosso sangue, nossa experiência militar são benéficas para todos
vocês. Vocês podem obter essa experiência por toda a ajuda que nos dão."
Fedorov
negou ter ambições políticas imediatas, mas não descartou uma futura
candidatura à Presidência.
"Tudo
dependerá de quão cedo conseguiremos relançar este processo eleitoral
democrático, [...] quanta energia eu terei, se conseguirei preservar minha
equipe, se serei capaz de responder à pergunta pessoalmente, se conseguirei
lidar com este cargo de presidente ou não."
"O
mais importante é se as pessoas me dirão: 'Sim, podemos confiar em você para
desempenhar essa função'."
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Zelensky pede à UE antecipação de parte de crédito de 2027 para cobrir déficit
da Ucrânia
Vladimir
Zelensky pediu neste domingo (23) à União Europeia que antecipe parte dos
recursos de um crédito previsto para a Ucrânia em 2027 para cobrir o déficit de
financiamento das despesas de defesa do país.
Mais
cedo, Zelensky reconheceu, durante uma reunião com jornalistas ucranianos, que
o orçamento do país enfrenta um déficit de US$ 27 bilhões (R$ 138,7
bilhões) para as Forças Armadas da
Ucrânia.
"Atualmente,
temos um déficit significativo de financiamento. Uma das principais formas de
cobri-lo é transferir para este ano parte do financiamento de crédito europeu
previsto para o próximo ano", afirmou Zelensky em discurso aos
participantes da cúpula Ucrânia-Países Nórdicos e Bálticos.
O líder
ucraniano pediu aos participantes do encontro que ajudem Kiev a obter uma
decisão das instituições europeias para antecipar a
liberação dos recursos. "Precisamos de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 51
bilhões) desse valor para garantir armas aos nossos militares em janeiro,
fevereiro e março de 2027. Por isso, precisamos começar a pagar e produzir já
agora", afirmou.
Anteriormente,
o comissário europeu Valdis Dombrovskis informou que a Comissão Europeia e a
Ucrânia haviam assinado um memorando de entendimento para conceder a Kiev um
crédito de 90 bilhões de euros (R$ 540,5 bilhões) para 2026 e 2027.
Desde
2013, quando houve um golpe de Estado no país em meio ao Euromaidan, a dívida
pública externa e interna da Ucrânia cresceu mais de 30 vezes, mostram
dados estatísticos analisados pela Sputnik.
Em
dezembro de 2013, em meio às manifestações que ocorriam no país, a dívida
pública externa da Ucrânia era de US$ 4,9 bilhões (R$ 25,1 bilhões),
segundo o Ministério das Finanças ucraniano. Em junho de 2026, o valor havia
chegado a US$ 161,6 bilhões (R$ 830,5 bilhões), de acordo com os dados
oficiais do órgão.
As
estatísticas também mostram um forte aumento da dívida pública total
da Ucrânia,
que inclui os compromissos externos e internos. No fim de 2013, o montante era
de US$ 10,7 bilhões (R$ 54,9 bilhões). Em junho de 2026, havia chegado a mais
de US$ 211 bilhões (R$ 1 trilhão), um crescimento de 19,8 vezes.
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Forças ucranianas não têm sucesso no front, por isso atacam cidades russas
As
formações armadas do regime de Kiev não têm sucesso no campo de batalha, por
isso tentam compensar os fracassos com ataques a cidades russas, disse à
Sputnik o enviado especial da chancelaria russa para os crimes do regime de
Kiev, Rodion Miroshnik.
"A
Ucrânia está tentando redirecionar seus esforços para atingir a população civil
e cometer crimes. Kiev não quer falar sobre a situação em
Konstantinovka,
nas direções de Zaporozhie, Dnepropetrovsk e Carcóvia, porque não há nada de
que se gabar", disse Miroshnik.
Segundo
ele, a Ucrânia usa um grande número de drones para atacar as regiões do Tatarstão, Krasnodar, Crimeia,
Kherson e Belgorod, instalações logísticas e armazéns em diferentes regiões, na
tentativa de piorar as condições de vida da população civil.
Recentemente,
o diplomata britânico aposentado Alastair Crooke disse que a Ucrânia não deve
esperar que a pressão pare até que a Rússia tenha alcançado os objetivos da
operação militar especial.
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Rússia não tolerará que a Ucrânia tenha colocado
neonazismo como base de sua ideologia estatal, diz Putin
A
Rússia não tolerará o fato de que as atuais autoridades na Ucrânia coloquem o
neonazismo na base de sua ideologia estatal, disse o presidente russo, Vladimir
Putin.
"As autoridades
ucranianas de
hoje baseiam a sua ideologia estatal no neonazismo. Isso é terrível. E não
podemos e não toleraremos isso", disse Putin em entrevista a uma agência
de notícias russa.
É a
luta contra o neonazismo, a russofobia e a tentativa de erradicar tudo o que é
russo na Ucrânia que constitui uma das razões para o início da operação militar
especial, observou ele.
"Esta
é uma das razões para a condução da operação militar
especial –
a luta contra o neonazismo, para nós com a russofobia e tentativa de erradicar
tudo o que é russo, a nossa cultura, a nossa história", enfatizou Putin na
entrevista.
O líder
russo observou que o nazismo na Ucrânia hoje é visto
até mesmo por países que estão longe de simpatizar com a Rússia.
“Ironicamente,
mesmo na situação extremamente difícil de hoje, consideramos importante
que circunstâncias desse tipo também são notadas em outros países além de
nós, mesmo aqueles que estão longe da simpatia pela Rússia", disse Putin.
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'Só falta erguer panteões para Hitler': Medvedev critica a glorificação de
figuras nazistas na Ucrânia
O
vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou
que Vladimir Zelensky está agindo por "medo" e "se humilhando
perante os nazistas", para quem ele não passa de "material
descartável".
"[Zelensky]
está apavorado e é por isso que se humilha perante os nazistas, para quem ele
próprio é material descartável", escreveu o oficial russo em seu
canal no Telegram.
O
vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia enfatizou que Zelensky age
deliberadamente "contra suas próprias raízes e o legado de seus
ancestrais" ao continuar glorificando
nazistas e
traidores de todos os tipos.
"A canonização política de [Stepan]
Bandera, o novo sepultamento dos restos mortais de Andrei [Melnik] e [Yevgeny]
Konovalets e, agora, um concurso para erguer um monumento a Mazepa. Só falta
erguer panteões dedicados a Hitler e Mussolini em Kiev", acrescentou
Medvedev.
Na
véspera da publicação de Medvedev, Zelensky anunciou um concurso para
o projeto de um monumento ao traidor Ivan Mazepa em Kiev. O decreto
correspondente foi publicado no site de Zelensky.
O
documento ordena ao governo ucraniano que organize o
concurso e assegure o projeto e a construção do monumento. Após o
resultado, o governo e a administração municipal de Kiev serão responsáveis por determinar a sua
localização e garantir a sua instalação.
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Discurso de Kiev sobre o amor pelas crianças é desmentido pelos fatos de seus
assassinatos, afirma Zakharova
Todas
as afirmações do regime de Kiev sobre a importância dada às crianças são
desmentidas pelos fatos de seus assassinatos brutais, afirmou a representante
oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, comentando o recente ataque à
região de Krasnodar.
Segundo
a diplomata, Zelensky e o regime são completamente indiferentes ao destino
das crianças. Todas as alegações de que suas vidas são importantes para eles
são refutadas pelos assassinatos brutais de crianças de todas as idades.
"Todo
o discurso sobre a importância dada às suas preciosas crianças é
desmentido pelos fatos dos assassinatos brutais de crianças de todas as
idades, de bebês a estudantes, cometidos pelo regime de Kiev", declarou.
Ela
acrescentou que as organizações internacionais, as instituições de direitos
humanos no exterior e a mídia global deveriam se envergonhar de sua
cegueira e indiferença ao sofrimento das crianças que foram vítimas do
regime de Kiev.
Na
madrugada de segunda-feira (24), a região de Krasnodar foi atingida por um
ataque maciço, resultando na queda de destroços de um drone ucraniano sobre um
centro infantil privado. Segundo informações preliminares, três
adolescentes morreram e 12 pessoas ficaram feridas.
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Professor americano sugere expansão da zona de controle da Rússia na Ucrânia
A
Rússia expandirá significativamente a zona de controle na Ucrânia, disse o
professor da Universidade de Chicago, John Mearsheimer, em entrevista no
YouTube.
"Quando
o conflito terminar, penso que haverá uma situação em que os russos controlarão
pelo menos quatro regiões no leste da Ucrânia onde já estão presentes. As
quatro regiões e a Crimeia. Talvez, sob o seu controle também esteja várias outras regiões, e a oeste deste
Estado russo ampliado haverá apenas um pequeno pedaço da Ucrânia", sugeriu ele.
O
professor também acredita que muitos russos étnicos da Ucrânia Ocidental podem
se mudar para a Rússia após a operação militar especial.
A
Crimeia tornou-se uma região russa em março de 2014, após um referendo realizado
após um golpe na Ucrânia. No referendo, 96,77% dos eleitores na Crimeia e 95,6%
em Sevastopol votaram pela adesão à Rússia. A Ucrânia ainda considera a Crimeia
seu território temporariamente ocupado, e muitos países ocidentais apoiam Kiev
nessa questão.
Por sua
vez, a liderança russa tem afirmado repetidamente que os moradores da Crimeia
votaram pela reunificação com a Rússia democraticamente, em total conformidade
com o direito internacional e a Carta da ONU. Segundo Putin, a questão da
Crimeia está "encerrada".
Em
outubro de 2022, após referendos, as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e
Lugansk (RPL), bem como as regiões de Kherson e Zaporozhie, tornaram-se parte
da Rússia.
Fonte: BBC
News em Kiev (Ucrânia)/Sputnik Brasil

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