O
que disse Renan Santos, candidato à
Presidência, na entrevista à TV Globo
O
candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu, em
entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (26/8), que o Brasil inicie
investimentos no desenvolvimento de uma bomba atômica para que o país se torne
"uma das cinco maiores nações do mundo nos próximos 30 anos".
Ele
também propôs o endurecimento de leis e mais orçamento para ações de combate a
facções criminosas, como gastos de R$ 6 bilhões na construção de novos
presídios e R$ 5 bilhões ao ano com operações contra o crime organizado.
Santos
também voltou a defender ações adotadas pelo governo linha-dura de Nayib
Bukele, em El Salvador, na área de segurança pública, minimizando as denúncias
de abusos e medidas de exceção feitas por organizações internacionais.
"Muitos
elementos que foram adotados em El Salvador, de maneira muito similar, vão ser
adotados por mim", disse.
"Eu
vou dar um exemplo: a ideia de enfrentamento usando um regime especial, aqui o
Estado de Defesa, em áreas dominadas pelo crime, eu vou adotar. Vai ter um
regime de exceção em favelas para eu retomar a favela", continuou.
Santos
também prometeu cortar R$ 1,1 trilhão em gastos para interromper a atual
trajetória de crescimento do endividamento público e liberar recursos para
ampliar investimentos em infraestrutura.
Entre
as medidas que ele defendeu está uma nova reforma da Previdência, para contar
gastos com aposentadorias, e alterar as regras atuais que destinam,
obrigatoriamente, parte do Orçamento da União para despesas com saúde e
educação.
Santos
foi o terceiro dos candidatos presidenciais sabatinados pela TV Globo, após
Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), em ordem definida por sorteio. A
entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está prevista para
quinta-feira (27/8). Flávio Bolsonaro está agendado para sexta-feira (28/8),
enquanto Augusto Cury (Avante) será entrevistado no sábado (30/8).
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Bomba atômica
Santos
defendeu o desenvolvimento de armas nucleares como algo fundamental para
garantir a soberania do Brasil. Na sua visão, o país só será respeitado
globalmente se possuir uma bomba atômica.
Questionado
pela TV Globo sobre o risco de isso tensionar a relação do Brasil com países
vizinhos e o fato de os Estados Unidos estarem em guerra contra o Irã por não
aceitar seu projeto nuclear, o candidato do Missão insistiu na proposta.
"Se
o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a
sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter
a soberania sobre seu próprio território, soberania militar e vai ter que
discutir ter bombas atômicas".
"Eu
não acho que o Brasil dispõe de condições, nos próximos dez anos, de ter armas
nucleares, nem tem condição de fazer ainda a pesquisa e desenvolver isso. Mas o
Brasil tem que iniciar um processo de recuperação de soberania, de pesquisa,
para ele poder sentar à mesa e discutir com o mundo", insistiu.
O
candidato também foi questionado sobre os impedimentos legais que existem hoje
para que o Brasil desenvolva uma bomba atômica, já que a Constituição
brasileira só permite o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos,
mas não explicou como conseguiria aprovar no Congresso essa alteração.
Quanto
a compromissos internacionais, defendeu que o Brasil deixe o Tratado de Não
Proliferação de Armas Nucleares, seguindo o exemplo da Coreia do Norte.
"Pelo
menos a Coreia do Norte, por mais que seja um regime que eu considero opressivo
e que eu não o respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente de
maneira que a Venezuela não foi. Ter armas nucleares é uma forma de defender a
sua própria soberania", reforçou.
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Feminicídio e violência contra crianças
Renan
Santos respondeu sobre a falta de propostas para combater o feminicídio e a
violência contra as crianças.
Segundo
ele, sua candidatura não tem propostas contra crimes específicos, inclusive
homicídios e latrocínios, porque seu foco é o combate ao crime organizado.
"A
nossa política de segurança, que está escrito no nosso livro de propostas, ela
é focada, acima de tudo, no combate ao crime organizado".
"A
guerra ao crime organizado, ela pressupõe uma ação do governo federal,
alteração nas leis penais, alteração das leis de execução penal, que vão pegar,
de maneira extensiva, também crimes que acontecem contra mulheres,
crianças".
Segundo
ele, medidas específicas para combater a violência contra esses grupos é função
de Estados e municípios. "Nós respeitamos o princípio federativo",
afirmou.
O
candidato também foi questionado sobre o fato de seu partido ter um índice
muito elevado de filiados homens (92%) e sobre declarações machistas de
lideranças do Missão que podem estar afastando as mulheres, como um áudio do
ex-deputado estadual Arthur do Val.
Nesse
áudio, de 2022, quando Arthur do Val esteve na Ucrânia, no início da guerra com
a Rússia, ele dizia que as ucranianas "são fáceis porque são pobres".
Após isso, do Val teve seu mandato cassado.
Santos
disse não concordar com o áudio, mas destacou que se tratava de uma gravação
privada.
"Foi
um áudio privado, no ambiente privado, e ele perdeu o mandato dele. Ele sendo
um deputado estadual muito combativo na Alesp, não [perdeu] por conta do áudio
em si, ele perdeu o mandato porque ele era basicamente de oposição ao grupo
político dominante na Assembleia Legislativa de São Paulo. Dito isso, não foi
um bom áudio, de maneira alguma".
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Gastos em saúde e educação
Como
resposta ao aumento do endividamento público, o candidato defendeu acabar com
os pisos da Educação e Saúde, ou seja, o patamar mínimo de gastos previstos
hoje na Constituição.
"Desvinculações
do piso da educação e da saúde, até porque hoje eles estão irracionais e estão
quebrando pequenos municípios. Tem municípios do interior do Rio Grande do Sul
que a população envelheceu, não está nascendo gente. Então, eles precisam de
mais gastos com saúde e menos gasto com educação. As vinculações fazem que eles
sejam obrigados a gastar com educação, mesmo quase não tendo crianças",
disse.
"Em
outros lugares, como o Mato Grosso, que tem migração interna muito grande, eles
precisam de maiores gastos em educação. Essa liberdade precisa ser gerada.
Hoje, quando a liberdade não é gerada, você tem basicamente um gasto
ineficiente, pouco inteligente de dinheiro", continuou.
Segundo
ele, as desvinculações, somadas à reforma da Previdência, vão liberar recursos
para investimento em infraestrutura.
"Eu
vou transformar esse país num canteiro de obras gigantesco que vai fazer com
que a nossa produtividade aumente como nunca antes", prometeu.
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Quem é Renan Santos?
Renan
Santos tem 42 anos e está em sua primeira disputa eleitoral.
Se
projetou na política como liderança do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo
criado em 2014 que se tornou um dos principais articuladores dos protestos de
rua que pressionaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2015 e 2016.
Atualmente,
é presidente do partido Missão, que fundou em 2025, ao lado de outras
lideranças do MBL, como o deputado Kim Kataguiri (São Paulo).
Com
apenas um parlamentar, o partido não tem direito a tempo de propaganda
eleitoral gratuita em rádio e televisão, nem recursos do fundo público
eleitoral.
Sem
essa estrutura, Santos aposta em entrevistas como essa do Jornal Nacional e na
participação em debates para tentar se tornar mais conhecido.
Conseguiu
liderar as atenções nas redes sociais durante o primeiro debate eleitoral entre
presidenciáveis, promovido pela Band no domingo (23/8). Essa foi a
conclusão de agências de análise de dados nas redes sociais.
Segundo
a Palver, que monitora e analisa as redes e plataformas de mensagens, como
WhatsApp e Telegram, o candidato do Missão não só liderou as atenções em termos
de volume, como também foi aquele que teve o maior percentual favorável (38%)
das menções.
Atualmente,
sua intenção de voto é de 3% no primeiro turno, considerando os resultados das
pesquisas divulgadas até segunda-feira (24/8).
A
estimativa é do Agregador de
Pesquisas da BBC News Brasil, que compila os levantamentos das
instituições Datafolha, Quaest, AtlasIntel, MDA, Gerp, entre outros, e calcula
uma espécie de média para a intenção de voto de cada candidato.
Lula
lidera as pesquisas para o primeiro turno, com 40% das intenções, seguido por
Flávio Bolsonaro, com 34%, e Ronaldo Caiado, com 5%.
Depois,
vêm Pablo Marçal, com 4%, e Renan Santos, com 3%. Veja aqui os
resultados completos.
O
melhor desempenho de Renan Santos se dá entre homens de 16 a 24 anos, grupo em
que tem 11% de intenção de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 24 de
agosto.
O apoio
no eleitorado jovem foi construído pelo MBL por meio de conteúdos nas redes
sociais que abordam temas polêmicos, com imagens e falas rápidas.
Com
propostas liberais na economia, Santos também têm eleitores em parte do mercado
financeiro, mostrou uma
reportagem da BBC News Brasil.
O
combate à violência é outra das suas bandeiras de campanha, que, assim como
Flávio Bolsonaro, defende o governo
linha-dura de Nayib Bukele, em El Salvador, como modelo a ser
seguido.
Um de
seus uniformes nesta corrida eleitoral tem sido uma camiseta com os dizeres
"prendeu matou".
"Se
você faz parte de uma facção e você vem com uma metralhadora para receber a
polícia, ou você se entrega ou você vai morrer", explicou Renan Santos,
sobre o seu slogan, em uma entrevista recente.
O
candidato do Missão também defende as escolas militares, prisão perpétua, é
contrário à Lei da Misoginia e às cotas raciais.
Propõe
um "mutirão anti-Bolsa Família", que consiste em criar "frentes
de trabalho nas regiões mais humildes", com mutirões de emprego para
substituir o benefício social.
Antes
de ingressar na política, Santos estudou na Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2003, mas não chegou a
concluir o curso.
Fonte:
BBC News Brasil

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