Tuberculose
ainda desafia diagnóstico precoce no Brasil
Antiga
e amplamente conhecida, a tuberculose segue presente no cotidiano da população
brasileira e ainda representa um desafio para o diagnóstico precoce. Dados do
último Boletim Epidemiológico apontam
que o país registrou cerca de 85 mil novos casos em 2024, uma média de 10 novos
diagnósticos por hora, reforçando a
necessidade de ampliar a informação e a atenção aos sintomas respiratórios. A
falsa percepção de que se trata de uma doença rara contribui para atrasos na
identificação, o que favorece a transmissão e o agravamento dos quadros
clínicos.
Causada
por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, a tuberculose também pode
atingir outras partes do corpo, como gânglios linfáticos, ossos e o sistema
nervoso central. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas liberadas
quando uma pessoa infectada tosse, fala ou espirra. Ambientes fechados, com
pouca ventilação e alta circulação de pessoas, aumentam significativamente o
risco de contágio, especialmente em situações de convivência prolongada.
De
acordo com o médico clínico geral Erickson Blun, um dos principais desafios
está justamente na identificação dos primeiros sinais, que costumam ser
silenciosos. Segundo ele, sintomas como tosse persistente por mais de duas ou
três semanas, cansaço excessivo, febre baixa no fim do dia, suor noturno e
perda de peso sem explicação são frequentemente ignorados. "Muita gente
acha que é uma gripe mal curada ou estresse, e acaba adiando a busca por
atendimento", explica.
O
especialista destaca que a tosse prolongada é o principal ponto de alerta e não
deve ser negligenciada. Quando ultrapassa três semanas, especialmente se
associada a outros sintomas, a recomendação é procurar uma unidade básica de
saúde para investigação. O diagnóstico, segundo ele, é mais simples do que se
imagina e pode ser feito, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com exames como
análise de escarro, testes rápidos moleculares e radiografia de tórax,
permitindo a confirmação e o início do tratamento de forma acessível.
Apesar
de ter cura, a tuberculose exige disciplina durante o tratamento, que dura, no
mínimo, seis meses e envolve o uso contínuo de antibióticos. A interrupção
precoce pode trazer consequências graves, como o retorno da doença, o
desenvolvimento de formas resistentes e o aumento do risco de transmissão. Além
disso, mesmo nos casos em que a infecção é controlada, a falta de adesão
adequada pode deixar sequelas pulmonares permanentes, comprometendo a qualidade
de vida do paciente.
Para a
pneumologista Letícia Arantes, o avanço de testes rápidos tem contribuído para
melhorar o controle da doença. "Esses exames permitem um diagnóstico mais
ágil, possibilitando iniciar o tratamento no mesmo dia e reduzir o tempo em que
o paciente ainda pode transmitir a tuberculose", afirma.
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Contágio
Transmissão
acontece pelo ar, por meio de tosse, fala ou espirra
O risco
de contágio é maior em locais fechados e grande circulação de pessoas
A
convivência prolongada com alguém infectado aumenta significativamente as
chances de transmissão
Contatos
rápidos até oferecem risco, mas são menos comuns como forma de infecção
Pessoas
com baixa imunidade têm maior probabilidade de desenvolver a doença
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Sintomas
Tosse
persistente
Febre
Sudorese
noturna
Perda
de peso
Dor no
peito (associada à intensidade da tosse)
Cansaço
e fadiga
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Tuberculose (extrapulmonar)
Tuberculose
pleural (membrana do pulmão): dor e falta de ar
Tuberculose
laríngea (garganta): rouquidão ou perda da voz, dor ao engolir e tosse
Tuberculose
óssea: inchaço e dor articular
Tuberculose
no sistema nervoso (meningite): febre, dor de cabeça, confusão e pescoço rígido
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Sequelas a longo prazo
Danos
permanentes aos pulmões, mesmo após a cura
Redução
da capacidade respiratória
Maior
risco de desenvolver doenças pulmonares crônicas
Possibilidade
de sequelas em outros órgãos
Retorno
da doença em casos de tratamento interrompido ou inadequado
Desenvolvimento
de formas resistentes da bactéria
Aumento
do risco de complicações graves e até óbito
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Vacina
Sabe
aquela marquinha de vacina no braço direito? Ela é a principal forma de
proteção contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e
meníngea. A vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz
significativamente o risco de complicações.
E não
apenas a BCG. A manutenção da cobertura vacinal é essencial para o controle da
doença na população.
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Palavra do especialista - Letícia
Arantes é pneumologista e gerente médica do Instituto de Neurologia de Goiânia
(ING)
• Quais são os principais entraves para o
início oportuno do tratamento, mesmo quando o paciente já apresenta sinais
clínicos sugestivos da doença?
O
entrave inicial é o diagnóstico. Paciente avaliado por médico com a hipótese
diagnóstica aventada consegue de maneira relativamente fácil o teste
diagnóstico nas unidades públicas de saúde. Com o diagnóstico, o início do
tratamento também não costuma ser demasiadamente burocrático. Nas unidades
públicas de saúde, o esquema de tratamento está disponível para qualquer
cidadão com prescrição médica. Após o início do tratamento, o entrave é
adaptar-se a ele, pois não é fácil e tem efeitos colaterais muito frequentemente,
além da adesão até o fim do tratamento, já que o tempo mínimo é de seis meses.
• Quais fatores aumentam o risco de
evolução para formas mais graves da doença ou para sequelas pulmonares
permanentes?
Os
fatores de risco para evolução para as formas graves e para as sequelas estão
relacionadas a um sistema imunológico incompetente, permitindo que a bactéria
se desenvolva mais facilmente, como por exemplo infecção pelo HIV/aids,
diabetes descontrolada, alcoolismo, usuários de drogas, desnutrição, uso de
medicamentos imunossupressores ou a um pulmão desprotegido, como nos indivíduos
tabagistas ou usuários de drogas inalatórias.
• Quais têm sido os principais desafios
atuais no diagnóstico precoce da tuberculose pulmonar, especialmente em
pacientes com sintomas inespecíficos ou sobreposição com outras doenças
respiratórias?
O
desafio desse diagnóstico continua o mesmo. O principal sintoma é a tosse
persistente, contudo esse sintoma é comum a muitas outras doenças respiratórias
e inclusive não respiratórias e, por isso, muitas vezes negligenciada. Na forma
avançada, e sendo avaliado por especialista, a suspeição clínica fica mais
fácil, mas nos seu estágios iniciais exige que o doente valorize a persistência
do sintoma e que o médico levante a suspeita para pedir o exame necessário para
o diagnóstico.
Fonte:
Correio Braziliense

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