terça-feira, 14 de abril de 2026

Oliveiros Marques: A derrota de Orbán e o recado ao bolsonarismo

A recente derrota de Viktor Orbán na Hungria ultrapassa as fronteiras europeias e se impõe como um símbolo global: trata-se de um revés significativo para a extrema-direita mundial. Após 16 anos de poder marcados por práticas autoritárias, controle institucional e restrições a liberdades civis, a queda de Orbán sinaliza que projetos políticos baseados na erosão democrática encontram, mais cedo ou mais tarde, limites impostos pela própria sociedade.

No Brasil, o impacto político dessa derrota é inevitável. Orbán foi uma das principais referências ideológicas de Jair Bolsonaro, que não apenas o admirava publicamente como foi chamado de “irmão” pelo líder húngaro. A relação entre ambos nunca foi protocolar: representava uma aliança simbólica entre governos que flertavam com o autoritarismo, o nacionalismo exacerbado e o enfraquecimento de instituições democráticas.

Não por acaso, após ser derrotado nas eleições de 2022, Bolsonaro passou duas noites hospedado na embaixada da Hungria em Brasília - um gesto que claro de ensaio por busca de refúgio diplomático. O episódio, por si só, já evidencia o grau de identificação política entre os dois líderes e o tipo de projeto que compartilhavam.

Durante seus anos no poder, Orbán promoveu mudanças profundas que servem de alerta. Reformou a Constituição para concentrar poderes, interferiu diretamente no Judiciário, restringiu a atuação da imprensa independente, perseguiu organizações da sociedade civil e atacou universidades. Além disso, implementou políticas de controle ideológico sobre a educação e utilizou o aparato estatal para favorecer aliados políticos e econômicos. Em resumo, construiu um modelo que se auto-denominava de “democracia iliberal”, onde eleições existiam, mas um regime em que o jogo era desigual e as instituições progressivamente capturadas.

É justamente esse modelo que inspira setores do bolsonarismo. Não é difícil imaginar que figuras como Flávio Bolsonaro, em um imaginário retorno da extrema-direita ao poder, buscariam adaptar elementos desse projeto ao contexto brasileiro. Ataques ao Supremo Tribunal Federal, escola cívico-militares, tentativas de controle da imprensa, deslegitimação do processo eleitoral e perseguição a opositores que já fazem parte da experiência recente do país - e poderiam se aprofundar.

Por isso, a derrota de Orbán não é apenas um fato local: é uma vitória simbólica da democracia em escala global. Representa a capacidade de resistência das instituições e, sobretudo, da população diante de projetos que buscam corroer direitos e liberdades.

No Brasil, essa mensagem ecoa com força. Em 2022, a sociedade brasileira já demonstrou seu compromisso com a democracia ao rejeitar o autoritarismo nas urnas. Agora, ao observar o que ocorre na Hungria, reforça-se a percepção de que esse não é um fenômeno isolado, mas parte de uma disputa maior entre democracia e extremismo.

Se a história recente serve de guia, há motivos para acreditar que, assim como na Hungria, o Brasil seguirá reafirmando sua escolha democrática. E, em outubro, mais uma vez, poderemos celebrar não apenas uma vitória eleitoral, mas a reafirmação de um princípio fundamental: a democracia, apesar de constantemente ameaçada, continua sendo mais forte do que o autoritarismo.

•        “Que a derrota histórica de Orbán sirva de recado ao Brasil”, diz Lindbergh

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou neste domingo (12) que a derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, deve servir de referência para o cenário político brasileiro. A declaração foi feita após a confirmação do resultado das eleições parlamentares no país europeu.

Em publicação nas redes sociais, Lindbergh comentou diretamente o desfecho do pleito. “Hoje a Hungria escreveu uma página histórica. Com participação recorde, o povo derrotou Viktor Orbán e impôs uma derrota devastadora à extrema-direita, encerrando um ciclo de 16 anos de autoritarismo, obscurantismo e ataque à democracia”, afirmou.

O parlamentar também avaliou o significado do resultado. “O mundo se torna mais feliz quando a extrema-direita perde. A vitória na Hungria mostra que nenhum projeto de ódio é invencível, nenhum autoritarismo é eterno e nenhum governo fundado no medo consegue calar para sempre a vontade popular. A democracia reage, o povo se levanta e a esperança vence”, disse.

Na mesma publicação, ele relacionou o episódio ao Brasil. “Que a derrota histórica de Orbán sirva de recado para o Brasil: em outubro, vamos derrotar a extrema-direita aqui também. Com voto, com povo e com coragem, vamos vencer o ódio, defender a democracia e enterrar o bolsonarismo”, declarou.

A eleição parlamentar na Hungria ocorreu neste domingo (12). Com 45,7% dos votos apurados, o Conselho Nacional Eleitoral projetou vitória da oposição liderada pelo partido Tisza, de centro-direita, com 135 das 199 cadeiras do Parlamento. O resultado garante maioria de dois terços. Após a apuração inicial, Viktor Orbán reconheceu a derrota e cumprimentou o vencedor, encerrando um período de 16 anos no poder.

•        Estadão tira “esqueletos” de Flávio Bolsonaro do armário e mostra que candidato do PL não unifica a elite

Em editorial publicado nesta segunda-feira 13, o jornal Estado de S. Paulo voltou a mirar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e procurou desmontar a imagem de candidato competitivo e consensual no campo conservador. Sob o título Os “esqueletos” de Flávio Bolsonaro, o texto sustenta que o filho de Jair Bolsonaro carrega passivos políticos e judiciais demais para se apresentar como nome capaz de unificar setores da elite brasileira numa disputa presidencial.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, Flávio vinha desfrutando de uma posição confortável como principal nome da oposição, embalado pelo capital político transferido pelo pai e por bons números em pesquisas de intenção de voto. O editorial, porém, afirma que essa zona de conforto começou a ruir no momento em que o senador passou a ser confrontado publicamente sobre temas que marcaram sua trajetória, especialmente o esquema das chamadas “rachadinhas” em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O texto recorda que, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., concedida no último dia 6, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre as investigações relativas à apropriação de salários de assessores quando era deputado estadual. Para o editorial, esse foi o momento em que vieram de novo à tona os “esqueletos no armário” do parlamentar, justamente num momento em que sua pré-candidatura tenta ganhar densidade nacional.

De acordo com o editorial, o caso está longe de ser irrelevante. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio sob a acusação de liderar uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos por meio da retenção de parte dos salários de funcionários lotados em seu gabinete. A estimativa mencionada é de que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 6 milhões.

No centro das investigações aparece Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador na Alerj, ex-policial militar e figura chave do caso. O editorial lembra que as revelações sobre o esquema vieram à tona em 2018 e se transformaram em um dos episódios mais emblemáticos da crise moral do bolsonarismo, que se apresentou como força anticorrupção enquanto acumulava suspeitas graves em torno de integrantes do próprio clã.

Ao comentar o tema no podcast, Flávio Bolsonaro classificou as investigações como “espuma” destinada a “destruir” sua reputação. Também insistiu na versão de que Queiroz teria agido por conta própria, sem seu conhecimento ou autorização. O editorial trata essa justificativa com ironia e dureza.

Na avaliação do texto, se a versão apresentada pelo senador fosse verdadeira, ela serviria como prova de incapacidade administrativa, já que um assessor de sua confiança teria operado por anos um esquema ilícito dentro do gabinete sem seu controle. Se a tese não for verdadeira, o raciocínio é ainda mais grave: reforça a suspeita de participação direta de Flávio Bolsonaro em um esquema de peculato e outros crimes contra a administração pública.

O editorial também critica a tentativa do senador de sugerir que sua situação judicial estaria esclarecida em seu favor. Durante a entrevista, Flávio afirmou que nunca chegou a ser réu em ação penal, num raciocínio que, segundo o texto, busca transmitir ao público a impressão de que teria sido inocentado.

O Estado de S. Paulo rebate essa narrativa e sustenta que os procedimentos contra o senador não foram arquivados por reconhecimento de inocência, mas interrompidos por decisões de natureza processual. Ou seja, o editorial deixa claro que não houve julgamento de mérito que autorizasse qualquer discurso de absolvição política ou moral.

O texto faz ainda um paralelo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sustentar seu argumento jurídico. Segundo o editorial, assim como Lula não teria sido “inocentado” no âmbito da Lava Jato, por ter tido processos anulados em razão de vícios processuais, Flávio Bolsonaro também não poderia usar esse tipo de formulação, já que não foi julgado e absolvido quanto ao mérito das acusações.

Além do caso das rachadinhas, o editorial retoma outro ponto sensível da trajetória de Flávio Bolsonaro: sua relação com milicianos e com a naturalização da ação desses grupos no Rio de Janeiro. O texto relembra um discurso de 2007, quando o então deputado estadual elogiou a milícia como um “novo tipo de policiamento

<><> Flávio ataca Lula com imagens de miséria no governo Bolsonaro

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou neste domingo (12) um vídeo nas redes sociais em que critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), associando o aumento do endividamento das famílias brasileiras a imagens de pessoas buscando alimentos em um caminhão de coleta de lixo. As cenas utilizadas, no entanto, não correspondem ao período atual e foram registradas em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

As imagens exibidas no vídeo foram gravadas em setembro de 2021, em Fortaleza (CE), quando episódios de insegurança alimentar ganharam grande repercussão nacional. À época, registros semelhantes circularam amplamente, incluindo cenas de distribuição de restos de carne e ossos no Rio de Janeiro e filas de pessoas em busca de doações de ossos de boi em Cuiabá (MT).

No vídeo publicado, Flávio Bolsonaro critica a economia sob Lula e menciona o endividamento das famílias, mas utiliza imagens que remetem a um contexto anterior, associado ao governo de seu pai.

<><> Flávio Bolsonaro intensifica agenda em igrejas após racha evangélico

O senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma série de visitas às principais igrejas evangélicas do país nos próximos meses, em meio a sinais de divisão no segmento religioso sobre seu nome na disputa presidencial. A estratégia busca reforçar o apoio entre lideranças e fiéis após movimentos recentes que indicaram possíveis dissidências no grupo, segundo o Metrópoles.

O cenário ganhou novos contornos no fim de março, quando o bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, declarou apoio ao pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD). A manifestação surpreendeu integrantes do meio político e religioso, especialmente após a migração de parlamentares ligados à denominação para o PL, movimento que sugeria alinhamento com Flávio Bolsonaro.

Diante desse contexto, a pré-campanha do senador passou a organizar uma agenda estruturada de encontros com diferentes denominações. No último dia 6 de abril, Flávio esteve na sede da Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste de São Paulo, onde participou de uma reunião com o pastor José Wellington, presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara e pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que vem coordenando a aproximação com base em critérios objetivos. “Eu fiz um trabalho para a aproximação do Flávio com o segmento, por ordem de tamanho e de grandeza. Eu peguei todo o planejamento e falei: ‘vamos sentar com cada um desses líderes denominacionais’. O Bolsonaro, da vez passada, até se encontrou com eles, mas como não parametrizou pelos dados do IBGE, o que acontecia é que, às vezes, ele ia num líder menor e aí o líder maior ficava enciumado”, declarou.

A agenda prevê encontros com igrejas como a do Evangelho Quadrangular, considerada a terceira maior do país, além de lideranças da Igreja Batista. Também está em articulação um evento nacional da Congregação Cristã, uma das maiores denominações pentecostais, apesar de não possuir liderança centralizada. Em maio, Flávio deve participar de um encontro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ligada ao pastor Silas Malafaia.

Nos bastidores, no entanto, há relatos de insatisfação entre lideranças evangélicas quanto à condução da pré-campanha. Interlocutores apontam falta de diálogo e dificuldade de acesso ao senador. Um integrante da bancada evangélica afirmou: “Não sei o que pode acontecer daqui para frente, mas tem um versículo na Bíblia que diz que a arrogância precede a ruína. A pessoa acha que já está tudo ganho e não está”.

As tensões ficaram evidentes durante o encontro na Assembleia de Deus do Belém, quando o deputado Marco Feliciano (PL-SP) pediu a palavra para cobrar compromissos políticos. Segundo ele, o partido não estaria cumprindo um acordo firmado com Jair Bolsonaro (PL) em 2022, que previa sua candidatura ao Senado em São Paulo.

Apesar das divergências, aliados do senador avaliam que o apoio evangélico tende a se consolidar. O pastor Silas Malafaia minimizou o impacto da adesão de Samuel Ferreira a Caiado. “Não acho nada demais o bispo Samuel Ferreira apoiar o Caiado. O Caiado também é a direita. Isso aí são as preferências. Acredito que o Flávio vai levar o maior quinhão do mundo evangélico. O Ministério de Madureira é um grande ministério, só que a Convenção Geral é maior. É a maior organização evangélica do país”, afirmou.

Nos bastidores, há diferentes interpretações sobre a posição do Ministério de Madureira. Entre elas, a avaliação de que a denominação mantém diálogo com diversos campos políticos, sinalizando simultaneamente ao bolsonarismo, ao centro e até a setores ligados ao governo federal.

Mesmo diante das divergências, a expectativa de aliados é de que Flávio Bolsonaro amplie sua presença nas igrejas e consolide apoio entre as principais lideranças evangélicas ao longo dos próximos meses.

<><> Centrão vê Zema como “bomba eleitoral” após falas sobre Nordeste

Lideranças do Centrão intensificaram a resistência ao nome do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como possível vice em uma eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro. Segundo a jornalista Andréia Sadi, do G1, a avaliação predominante no bloco é de que declarações recentes de Zema sobre o Nordeste podem provocar forte desgaste eleitoral e impactar negativamente o desempenho da candidatura.

Interlocutores do grupo político consideram que as falas do governador representam um risco estratégico significativo, com potencial de serem exploradas por adversários, especialmente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentro do Centrão, cresce a preferência por alternativas consideradas mais seguras, como a ex-ministra Tereza Cristina.

Na análise de dirigentes do bloco, as declarações de Zema foram classificadas como prejudiciais do ponto de vista político. Integrantes avaliam que o episódio pode ampliar resistências regionais e comprometer a viabilidade eleitoral de uma chapa com Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, o entendimento é de que o tema tende a ganhar força durante a campanha e alimentar críticas da oposição.

O debate ganhou ainda mais visibilidade após uma publicação conjunta nas redes sociais, feita no último sábado (11), em que Zema e Flávio Bolsonaro aparecem em tom descontraído. No vídeo, o governador mineiro diz: “Pessoal, estou aqui fazendo um convite para o Flávio ser meu vice. O que vocês acham?”. Em resposta, o senador reage com ironia: “Será?”, antes de ambos brindarem e rirem.

A repercussão negativa também se estendeu a entidades regionais. Em nota, o Consórcio Nordeste afirmou que Zema demonstra “uma leitura preocupante do Brasil” e destacou que as regiões Norte e Nordeste foram historicamente prejudicadas por políticas de desenvolvimento nacional.

Nos bastidores políticos, o episódio é visto como mais um elemento de tensão na articulação de alianças para as eleições presidenciais, evidenciando divergências dentro do campo político que busca consolidar uma candidatura competitiva.

 

Fonte: Brasil 247

 

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