Oliveiros
Marques: A derrota de Orbán e o recado ao bolsonarismo
A
recente derrota de Viktor Orbán na Hungria ultrapassa as fronteiras europeias e
se impõe como um símbolo global: trata-se de um revés significativo para a
extrema-direita mundial. Após 16 anos de poder marcados por práticas
autoritárias, controle institucional e restrições a liberdades civis, a queda
de Orbán sinaliza que projetos políticos baseados na erosão democrática
encontram, mais cedo ou mais tarde, limites impostos pela própria sociedade.
No
Brasil, o impacto político dessa derrota é inevitável. Orbán foi uma das
principais referências ideológicas de Jair Bolsonaro, que não apenas o admirava
publicamente como foi chamado de “irmão” pelo líder húngaro. A relação entre
ambos nunca foi protocolar: representava uma aliança simbólica entre governos
que flertavam com o autoritarismo, o nacionalismo exacerbado e o
enfraquecimento de instituições democráticas.
Não por
acaso, após ser derrotado nas eleições de 2022, Bolsonaro passou duas noites
hospedado na embaixada da Hungria em Brasília - um gesto que claro de ensaio
por busca de refúgio diplomático. O episódio, por si só, já evidencia o grau de
identificação política entre os dois líderes e o tipo de projeto que
compartilhavam.
Durante
seus anos no poder, Orbán promoveu mudanças profundas que servem de alerta.
Reformou a Constituição para concentrar poderes, interferiu diretamente no
Judiciário, restringiu a atuação da imprensa independente, perseguiu
organizações da sociedade civil e atacou universidades. Além disso, implementou
políticas de controle ideológico sobre a educação e utilizou o aparato estatal
para favorecer aliados políticos e econômicos. Em resumo, construiu um modelo
que se auto-denominava de “democracia iliberal”, onde eleições existiam, mas um
regime em que o jogo era desigual e as instituições progressivamente
capturadas.
É
justamente esse modelo que inspira setores do bolsonarismo. Não é difícil
imaginar que figuras como Flávio Bolsonaro, em um imaginário retorno da
extrema-direita ao poder, buscariam adaptar elementos desse projeto ao contexto
brasileiro. Ataques ao Supremo Tribunal Federal, escola cívico-militares,
tentativas de controle da imprensa, deslegitimação do processo eleitoral e
perseguição a opositores que já fazem parte da experiência recente do país - e
poderiam se aprofundar.
Por
isso, a derrota de Orbán não é apenas um fato local: é uma vitória simbólica da
democracia em escala global. Representa a capacidade de resistência das
instituições e, sobretudo, da população diante de projetos que buscam corroer
direitos e liberdades.
No
Brasil, essa mensagem ecoa com força. Em 2022, a sociedade brasileira já
demonstrou seu compromisso com a democracia ao rejeitar o autoritarismo nas
urnas. Agora, ao observar o que ocorre na Hungria, reforça-se a percepção de
que esse não é um fenômeno isolado, mas parte de uma disputa maior entre
democracia e extremismo.
Se a
história recente serve de guia, há motivos para acreditar que, assim como na
Hungria, o Brasil seguirá reafirmando sua escolha democrática. E, em outubro,
mais uma vez, poderemos celebrar não apenas uma vitória eleitoral, mas a
reafirmação de um princípio fundamental: a democracia, apesar de constantemente
ameaçada, continua sendo mais forte do que o autoritarismo.
• “Que a derrota histórica de Orbán sirva
de recado ao Brasil”, diz Lindbergh
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou neste domingo (12) que a
derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, deve servir de
referência para o cenário político brasileiro. A declaração foi feita após a
confirmação do resultado das eleições parlamentares no país europeu.
Em
publicação nas redes sociais, Lindbergh comentou diretamente o desfecho do
pleito. “Hoje a Hungria escreveu uma página histórica. Com participação
recorde, o povo derrotou Viktor Orbán e impôs uma derrota devastadora à
extrema-direita, encerrando um ciclo de 16 anos de autoritarismo, obscurantismo
e ataque à democracia”, afirmou.
O
parlamentar também avaliou o significado do resultado. “O mundo se torna mais
feliz quando a extrema-direita perde. A vitória na Hungria mostra que nenhum
projeto de ódio é invencível, nenhum autoritarismo é eterno e nenhum governo
fundado no medo consegue calar para sempre a vontade popular. A democracia
reage, o povo se levanta e a esperança vence”, disse.
Na
mesma publicação, ele relacionou o episódio ao Brasil. “Que a derrota histórica
de Orbán sirva de recado para o Brasil: em outubro, vamos derrotar a
extrema-direita aqui também. Com voto, com povo e com coragem, vamos vencer o
ódio, defender a democracia e enterrar o bolsonarismo”, declarou.
A
eleição parlamentar na Hungria ocorreu neste domingo (12). Com 45,7% dos votos
apurados, o Conselho Nacional Eleitoral projetou vitória da oposição liderada
pelo partido Tisza, de centro-direita, com 135 das 199 cadeiras do Parlamento.
O resultado garante maioria de dois terços. Após a apuração inicial, Viktor
Orbán reconheceu a derrota e cumprimentou o vencedor, encerrando um período de
16 anos no poder.
• Estadão tira “esqueletos” de Flávio
Bolsonaro do armário e mostra que candidato do PL não unifica a elite
Em
editorial publicado nesta segunda-feira 13, o jornal Estado de S. Paulo voltou
a mirar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e procurou desmontar a imagem de
candidato competitivo e consensual no campo conservador. Sob o título Os
“esqueletos” de Flávio Bolsonaro, o texto sustenta que o filho de Jair
Bolsonaro carrega passivos políticos e judiciais demais para se apresentar como
nome capaz de unificar setores da elite brasileira numa disputa presidencial.
Segundo
o jornal Estado de S. Paulo, Flávio vinha desfrutando de uma posição
confortável como principal nome da oposição, embalado pelo capital político
transferido pelo pai e por bons números em pesquisas de intenção de voto. O
editorial, porém, afirma que essa zona de conforto começou a ruir no momento em
que o senador passou a ser confrontado publicamente sobre temas que marcaram
sua trajetória, especialmente o esquema das chamadas “rachadinhas” em seu
gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O texto
recorda que, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., concedida no último
dia 6, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre as investigações relativas à
apropriação de salários de assessores quando era deputado estadual. Para o
editorial, esse foi o momento em que vieram de novo à tona os “esqueletos no
armário” do parlamentar, justamente num momento em que sua pré-candidatura
tenta ganhar densidade nacional.
De
acordo com o editorial, o caso está longe de ser irrelevante. O Ministério
Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio sob a acusação de liderar uma
organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos por meio da
retenção de parte dos salários de funcionários lotados em seu gabinete. A
estimativa mencionada é de que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 6
milhões.
No
centro das investigações aparece Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador na
Alerj, ex-policial militar e figura chave do caso. O editorial lembra que as
revelações sobre o esquema vieram à tona em 2018 e se transformaram em um dos
episódios mais emblemáticos da crise moral do bolsonarismo, que se apresentou
como força anticorrupção enquanto acumulava suspeitas graves em torno de
integrantes do próprio clã.
Ao
comentar o tema no podcast, Flávio Bolsonaro classificou as investigações como
“espuma” destinada a “destruir” sua reputação. Também insistiu na versão de que
Queiroz teria agido por conta própria, sem seu conhecimento ou autorização. O
editorial trata essa justificativa com ironia e dureza.
Na
avaliação do texto, se a versão apresentada pelo senador fosse verdadeira, ela
serviria como prova de incapacidade administrativa, já que um assessor de sua
confiança teria operado por anos um esquema ilícito dentro do gabinete sem seu
controle. Se a tese não for verdadeira, o raciocínio é ainda mais grave:
reforça a suspeita de participação direta de Flávio Bolsonaro em um esquema de
peculato e outros crimes contra a administração pública.
O
editorial também critica a tentativa do senador de sugerir que sua situação
judicial estaria esclarecida em seu favor. Durante a entrevista, Flávio afirmou
que nunca chegou a ser réu em ação penal, num raciocínio que, segundo o texto,
busca transmitir ao público a impressão de que teria sido inocentado.
O
Estado de S. Paulo rebate essa narrativa e sustenta que os procedimentos contra
o senador não foram arquivados por reconhecimento de inocência, mas
interrompidos por decisões de natureza processual. Ou seja, o editorial deixa
claro que não houve julgamento de mérito que autorizasse qualquer discurso de
absolvição política ou moral.
O texto
faz ainda um paralelo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sustentar
seu argumento jurídico. Segundo o editorial, assim como Lula não teria sido
“inocentado” no âmbito da Lava Jato, por ter tido processos anulados em razão
de vícios processuais, Flávio Bolsonaro também não poderia usar esse tipo de
formulação, já que não foi julgado e absolvido quanto ao mérito das acusações.
Além do
caso das rachadinhas, o editorial retoma outro ponto sensível da trajetória de
Flávio Bolsonaro: sua relação com milicianos e com a naturalização da ação
desses grupos no Rio de Janeiro. O texto relembra um discurso de 2007, quando o
então deputado estadual elogiou a milícia como um “novo tipo de policiamento
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Flávio ataca Lula com imagens de miséria no governo Bolsonaro
O
senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
publicou neste domingo (12) um vídeo nas redes sociais em que critica o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), associando o aumento do
endividamento das famílias brasileiras a imagens de pessoas buscando alimentos
em um caminhão de coleta de lixo. As cenas utilizadas, no entanto, não
correspondem ao período atual e foram registradas em 2021, durante o governo de
Jair Bolsonaro (PL).
As
imagens exibidas no vídeo foram gravadas em setembro de 2021, em Fortaleza
(CE), quando episódios de insegurança alimentar ganharam grande repercussão
nacional. À época, registros semelhantes circularam amplamente, incluindo cenas
de distribuição de restos de carne e ossos no Rio de Janeiro e filas de pessoas
em busca de doações de ossos de boi em Cuiabá (MT).
No
vídeo publicado, Flávio Bolsonaro critica a economia sob Lula e menciona o
endividamento das famílias, mas utiliza imagens que remetem a um contexto
anterior, associado ao governo de seu pai.
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Flávio Bolsonaro intensifica agenda em igrejas após racha evangélico
O
senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma série de visitas às principais
igrejas evangélicas do país nos próximos meses, em meio a sinais de divisão no
segmento religioso sobre seu nome na disputa presidencial. A estratégia busca
reforçar o apoio entre lideranças e fiéis após movimentos recentes que
indicaram possíveis dissidências no grupo, segundo o Metrópoles.
O
cenário ganhou novos contornos no fim de março, quando o bispo Samuel Ferreira,
uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira,
declarou apoio ao pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD). A manifestação
surpreendeu integrantes do meio político e religioso, especialmente após a
migração de parlamentares ligados à denominação para o PL, movimento que
sugeria alinhamento com Flávio Bolsonaro.
Diante
desse contexto, a pré-campanha do senador passou a organizar uma agenda
estruturada de encontros com diferentes denominações. No último dia 6 de abril,
Flávio esteve na sede da Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste
de São Paulo, onde participou de uma reunião com o pastor José Wellington,
presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus.
O
deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara e
pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que vem
coordenando a aproximação com base em critérios objetivos. “Eu fiz um trabalho
para a aproximação do Flávio com o segmento, por ordem de tamanho e de
grandeza. Eu peguei todo o planejamento e falei: ‘vamos sentar com cada um
desses líderes denominacionais’. O Bolsonaro, da vez passada, até se encontrou
com eles, mas como não parametrizou pelos dados do IBGE, o que acontecia é que,
às vezes, ele ia num líder menor e aí o líder maior ficava enciumado”,
declarou.
A
agenda prevê encontros com igrejas como a do Evangelho Quadrangular,
considerada a terceira maior do país, além de lideranças da Igreja Batista.
Também está em articulação um evento nacional da Congregação Cristã, uma das
maiores denominações pentecostais, apesar de não possuir liderança
centralizada. Em maio, Flávio deve participar de um encontro da Assembleia de
Deus Vitória em Cristo, ligada ao pastor Silas Malafaia.
Nos
bastidores, no entanto, há relatos de insatisfação entre lideranças evangélicas
quanto à condução da pré-campanha. Interlocutores apontam falta de diálogo e
dificuldade de acesso ao senador. Um integrante da bancada evangélica afirmou:
“Não sei o que pode acontecer daqui para frente, mas tem um versículo na Bíblia
que diz que a arrogância precede a ruína. A pessoa acha que já está tudo ganho
e não está”.
As
tensões ficaram evidentes durante o encontro na Assembleia de Deus do Belém,
quando o deputado Marco Feliciano (PL-SP) pediu a palavra para cobrar
compromissos políticos. Segundo ele, o partido não estaria cumprindo um acordo
firmado com Jair Bolsonaro (PL) em 2022, que previa sua candidatura ao Senado
em São Paulo.
Apesar
das divergências, aliados do senador avaliam que o apoio evangélico tende a se
consolidar. O pastor Silas Malafaia minimizou o impacto da adesão de Samuel
Ferreira a Caiado. “Não acho nada demais o bispo Samuel Ferreira apoiar o
Caiado. O Caiado também é a direita. Isso aí são as preferências. Acredito que
o Flávio vai levar o maior quinhão do mundo evangélico. O Ministério de
Madureira é um grande ministério, só que a Convenção Geral é maior. É a maior
organização evangélica do país”, afirmou.
Nos
bastidores, há diferentes interpretações sobre a posição do Ministério de
Madureira. Entre elas, a avaliação de que a denominação mantém diálogo com
diversos campos políticos, sinalizando simultaneamente ao bolsonarismo, ao
centro e até a setores ligados ao governo federal.
Mesmo
diante das divergências, a expectativa de aliados é de que Flávio Bolsonaro
amplie sua presença nas igrejas e consolide apoio entre as principais
lideranças evangélicas ao longo dos próximos meses.
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Centrão vê Zema como “bomba eleitoral” após falas sobre Nordeste
Lideranças
do Centrão intensificaram a resistência ao nome do governador de Minas Gerais,
Romeu Zema, como possível vice em uma eventual chapa presidencial encabeçada
por Flávio Bolsonaro. Segundo a jornalista Andréia Sadi, do G1, a avaliação
predominante no bloco é de que declarações recentes de Zema sobre o Nordeste
podem provocar forte desgaste eleitoral e impactar negativamente o desempenho
da candidatura.
Interlocutores
do grupo político consideram que as falas do governador representam um risco
estratégico significativo, com potencial de serem exploradas por adversários,
especialmente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentro do
Centrão, cresce a preferência por alternativas consideradas mais seguras, como
a ex-ministra Tereza Cristina.
Na
análise de dirigentes do bloco, as declarações de Zema foram classificadas como
prejudiciais do ponto de vista político. Integrantes avaliam que o episódio
pode ampliar resistências regionais e comprometer a viabilidade eleitoral de
uma chapa com Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, o entendimento é de que o tema
tende a ganhar força durante a campanha e alimentar críticas da oposição.
O
debate ganhou ainda mais visibilidade após uma publicação conjunta nas redes
sociais, feita no último sábado (11), em que Zema e Flávio Bolsonaro aparecem
em tom descontraído. No vídeo, o governador mineiro diz: “Pessoal, estou aqui
fazendo um convite para o Flávio ser meu vice. O que vocês acham?”. Em
resposta, o senador reage com ironia: “Será?”, antes de ambos brindarem e
rirem.
A
repercussão negativa também se estendeu a entidades regionais. Em nota, o
Consórcio Nordeste afirmou que Zema demonstra “uma leitura preocupante do
Brasil” e destacou que as regiões Norte e Nordeste foram historicamente
prejudicadas por políticas de desenvolvimento nacional.
Nos
bastidores políticos, o episódio é visto como mais um elemento de tensão na
articulação de alianças para as eleições presidenciais, evidenciando
divergências dentro do campo político que busca consolidar uma candidatura
competitiva.
Fonte:
Brasil 247

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