O
que é um bloqueio naval e como ele funcionaria no estreito de Ormuz?
As
forças militares dos Estados Unidos afirmaram que começarão nesta segunda-feira
(13/04) a implementar o bloqueio de todo o tráfego marítimo chegando e saindo
de portos do Irã.
Por
outro lado, os militares americanos anunciaram que embarcações chegando ou
saindo de qualquer outra localidade serão autorizadas a passar pelo estreito de
Ormuz, uma via marítima crucial que foi fechada pelo Irã em resposta aos
ataques feitos pelos EUA e por Israel. Antes do conflito, passavam por ali
cerca de 20% do petróleo produzido no mundo, entre outros insumos.
O
bloqueio naval se deu após as negociações entre EUA e Irã não conseguirem
chegar a um acordo pelo fim da guerra, que começou em 28/2.
O
presidente americano, Donald Trump, afirmou que as conversas diretas entre os
dois países sediadas no Paquistão não foram bem-sucedidas porque o Irã
"não quer abrir mão de suas ambições nucleares".
Já o
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã culpou os EUA pelo
insucesso das negociações por causa de "demandas excessivas e pedidos
ilegais".
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O que Trump disse sobre o bloqueio naval?
Em
postagem na rede social Truth Social no domingo (12/4), Trump afirmou que os
EUA iriam começar a "BLOQUEAR todo e qualquer navio que entre ou saia pelo
estreito de Ormuz".
"Eu
também instrui a nossa Marinha a procurar e abordar todas as embarcações em
águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um
pedágio ilegal terá passagem segura em águas abertas", acrescentou Trump.
Ele
disse ainda que os EUA iriam começar a destruir as minas marítimas que acusa o
Irã de ter instalado no Estreito de Ormuz.
"Qualquer
iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será EXPLODIDO
PARA O INFERNO", escreveu Trump.
Segundo
o presidente americano, em "algum momento" um acordo sobre a livre
passagem pelo estreito de Ormuz será alcançado, mas o "Irã não permitiu
isso simplesmente dizendo 'Talvez existam algumas minas por aí, mas ninguém
sabe delas, exceto eles".
Trump
afirmou também em outra postagem que o "Irã prometeu abrir o estreito de
Ormuz [em meio ao cessar-fogo firmado entre os países em 7/4], mas eles têm
sabidamente falhado em fazer isso". "Tal como eles prometeram, é
melhor que eles comecem o processo de tornar essa VIA MARÍTIMA INTERNACIONAL
ABERTA E RÁPIDO".
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Como um bloqueio naval dos EUA funcionaria na prática?
O
manual do Comando Naval dos EUA acerca das regras jurídicas para operações
navais de 2022 define um bloqueio como "uma operação beligerante para
prevenir embarcações e/ou aeronaves de todos os Estados, inimigos ou neutros,
de entrarem ou saírem de portos, pistas de pouso e áreas costeiras específicas
que pertençam a, ou sejam ocupados por, ou estejam sob o controle de um Estado
inimigo".
Trump
afirmou inicialmente que a Marinha americana começaria o processo de bloqueio
"imediatamente".
Mas, no
domingo mais tarde, ele disse à emissora americana Fox News que o bloqueio
"vai demorar um pouco, mas deve ser efetivado em breve". Ele
descreveu a medida como "tudo ou nada".
Em
postagem na rede social X, o Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em
inglês) afirmou que as forças militares americanas começariam a implementar o
bloqueio por volta das 11h desta segunda-feira (horário de Brasília).
"O
bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações
chegando a e partindo de portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os
portos iranianos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã."
O
Comando Central dos EUA acrescentou que as forças americanas não impediram a
liberdade de tráfego de embarcações chegando a e partindo de localidades não
ligadas ao Irã, e que informações adicionais seriam transmitidas às embarcações
comerciais por meio de um aviso formal antes de o bloqueio começar.
Segundo
Trump, os EUA teriam o apoio de outros países para implementar o bloqueio, mas
não listou quais. A BBC apurou que o Reino Unido não participará da operação.
O
presidente americano disse à Fox News que a Otan (Organização do Tratado do
Atlântico Norte) se ofereceu para ajudar a "limpar" o Estreito de
Ormuz, e que a via marítima deve voltar a ser usada livremente "em
breve". "Entendo que o Reino Unido e outros países estão enviando
navios caça-minas."
O
primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou anteriormente que
embarcações do país desse tipo já estão na região.
"Nós
continuamos a apoiar a liberdade de navegação e a abertura do estreito de
Ormuz, que são urgentemente necessárias para dar suporte à economia global e ao
custo de vida", afirmou um porta-voz do governo britânico, que acrescentou
que o estreito de Ormuz "não deve estar sujeito à cobrança de
pedágio".
"Estamos
trabalhando de forma urgente com a França e outros parceiros para formar uma
ampla coalizão para proteger a liberdade de navegação", disse ainda o
porta-voz do governo britânico.
Três
especialistas jurídicos dos EUA disseram à BBC que um bloqueio naval poderia
violar o direito marítimo. Um deles afirmou, inclusive, que esse bloqueio
militar talvez viole o atual acordo de cessar-fogo de duas semanas entre EUA e
Irã firmado em 7/4.
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Por que os EUA bloqueariam o estreito de Ormuz se pretendem reabri-lo?
A
geografia do estreito de Ormuz permitiu que o Irã utilizasse essa via marítima
crucial como moeda de troca durante toda a guerra contra os EUA e Israel,
impedindo seletivamente a passagem de embarcações e, por consequência, levando
a uma alta dos preços do petróleo negociados ao redor do mundo.
O
governo iraniano tem cobrado somas exorbitantes de algumas embarcações para
permitir que elas trafeguem pelo estreito de Ormuz.
Portanto,
ao fechar essa via para essas embarcações, Trump poderia cortar uma importante
fonte de receita para o governo iraniano. Por outro lado, esse bloqueio naval
pode levar a um aumento ainda maior dos preços de petróleo e outros insumos.
Trump
disse à emissora Fox News que "não vamos deixar o Irã lucrar vendendo
petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam", afirmando
que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de
"tudo ou nada" pelo estreito de Ormuz.
Analistas
sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a
fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos
dias.
No
programa Face the Nation (Encarando a Nação, em tradução livre), da emissora
americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o
bloqueio naval americano era uma forma de forçar uma resolução para o
fechamento do estreito de Ormuz.
"Ao
dizer que não vamos deixar que eles [os iranianos] decidam quem passa, o
presidente está certamente convocando todos os nossos aliados e todos os
envolvidos para a mesa de negociações", disse Turner, que faz parte do
mesmo partido que Trump. "Isso precisa ser resolvido."
Mas o
senador democrata Mark Warner, da Virgínia, principal membro da oposição na
Comissão de Inteligência do Senado, disse à emissora americana CNN no domingo:
"Não entendo como bloquear o estreito vai, de alguma forma, forçar os
iranianos a abri-lo".
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Qual seria o impacto do bloqueio?
A curto
prazo, a ameaça de Trump de bloquear o estreito de Ormuz só vai afetar um
pequeno número de embarcações que ainda consegue trafegar pela via marítima,
explicou Lars Jensen, especialista em transporte marítimo e diretor executivo
da Vespucci Maritime, em entrevista à BBC. "No contexto geral, não muda
muita coisa."
Para
Jensen, a ameaça de Trump de impedir a passagem segura de qualquer navio que
pague pedágio ao Irã também teria pouco impacto, já que qualquer empresa que
esteja fazendo isso atualmente já está sujeita a sanções por pagar o regime
iraniano.
"Em
primeiro lugar, são poucos os navios que passam. São menos ainda aqueles que
pagam, e esses já estão sujeitos a sanções americanas", disse Jensen.
A
maioria das empresas de transporte marítimo, avaliou Jensen, continuará
aguardando um acordo de paz provisório e se ele conseguirá se manter. Se isso
ocorrer, daí sim haveria a retomada gradual do transporte marítimo na região,
disse ele.
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Qual é a situação atual no estreito de Ormuz?
O
cessar-fogo de duas semanas firmado entre os EUA e o Irã em 7/4 inclui que
seria garantida a condição de "passagem segura" pelo estreito de
Ormuz.
Mas
embarcações na área receberam mensagens informando que seriam "alvos e
destruídas" caso tentassem cruzar o estreito de Ormuz sem permissão do
Irã, e apenas alguns poucos navios fizeram essa travessia nos primeiros dias
após o anúncio do cessar-fogo.
Pelo
menos 60 embarcações passaram pelo estreito — uma média de 10 por dia — desde
que o cessar-fogo foi anunciado na noite da última terça-feira (7/4).
Trata-se
de um aumento significativo em relação ao período anterior ao cessar-fogo, mas
ainda é apenas uma fração do volume pré-guerra, quando cerca de 138 navios
atravessavam o estreito diariamente, segundo o Joint Maritime Information
Centre.
• Tensão no Oriente Médio volta a
pressionar o petróleo. Por Paulo Gala
As
negociações de paz no Oriente Médio fracassaram neste fim de semana. A comitiva
americana, que havia realizado conversas com autoridades iranianas e
paquistanesas nos dias anteriores, não conseguiu avanços concretos. Em
resposta, os Estados Unidos anunciaram que navios que atraquem em portos
iranianos ficarão sujeitos a bloqueio e sanções — criando, na prática, um duplo
bloqueio no Estreito de Ormuz: americano de um lado, iraniano do outro. O preço
do petróleo voltou a subir. A situação não representa o grau de conflito aberto
visto semanas atrás, mas tampouco aponta para qualquer solução diplomática no
horizonte.
O
Relatório Focus divulgado hoje trouxe um dado preocupante: a inflação esperada
para 2025 saltou para 4,71%, bem acima do teto da meta. O ano começou com
expectativas em torno de 3,70%–3,80%, o que representa uma alta de cerca de 100
pontos-base nas projeções. A discussão agora se volta para o Banco Central: ele
interrompe o ciclo de cortes ou avança com passos menores? A avaliação é que o
BCB deve seguir com mais dois ou três cortes de 0,25 ponto percentual e
encerrar o ciclo próximo a 14% ao ano — nível consideravelmente mais alto do
que o inicialmente projetado. O mercado de juros futuros já precifica a Selic
nessa faixa, embora o Focus ainda aponte 12,50%.
Apesar
do cenário inflacionário, há notícias positivas para os ativos brasileiros. O
real fechou a R$ 5,01 na sexta-feira, mesmo diante do IPCA de 0,88% no mês e do
PPI americano de 0,9% em março. É a moeda que mais se valoriza no mundo em
2025, com ganho próximo de 10%. A bolsa acumula alta de 20% no ano — o que
representa, em dólares, uma valorização de aproximadamente 30%. A explicação
está na posição do Brasil como um dos maiores produtores mundiais de petróleo,
entre o 6º e o 7º do ranking global. Na cabeça dos investidores internacionais,
o choque do petróleo beneficia o Brasil, e a balança comercial de março
confirmou isso, vindo forte puxada pelas exportações do setor.
O
choque atual age de forma ambígua sobre a economia brasileira. Há um canal
negativo — a alta da gasolina, do diesel e do querosene de aviação, pressão
inflacionária que a Petrobras por ora segura — e um canal positivo: a
valorização do real e o fluxo de capital estrangeiro atraído pela condição de
exportador líquido de petróleo e pelo enorme diferencial de juros, com a Selic
a 14,75%. Esse segundo canal ajuda o Banco Central a controlar a inflação pela
via cambial.
Na
agenda da semana, os destaques são a Pesquisa Mensal de Serviços e a Pesquisa
Mensal do Comércio no Brasil, além do PPI americano, após o salto registrado no
CPI de sexta-feira. O acompanhamento dos desdobramentos no Oriente Médio segue
essencial. O cenário já está em boa parte desenhado: alguns cortes adicionais
de juros ainda devem vir, o ciclo se encerra em breve, e o real tende a
continuar se valorizando, beneficiado pelo pré-sal e pela nova condição do
Brasil como grande player global de petróleo.
• Países da OTAN rejeitam plano de Trump
para bloquear Estreito de Ormuz
Aliados
dos EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) anunciaram nesta
segunda-feira (13) que não participarão do plano do presidente Donald Trump de
impor um bloqueio ao Estreito de Ormuz. A proposta estadunidense prevê a
interrupção do tráfego marítimo na região, após o fracasso de negociações no
fim de semana para encerrar o conflito com o Irã. As informações são da agência
Reuters.
Segundo
autoridades militares, a medida se aplicaria a embarcações com destino ou
origem em portos iranianos. Apesar disso, países como Reino Unido e França
afirmaram que não irão se envolver na iniciativa.
O
primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou: "Não estamos apoiando
o bloqueio". Starmer também indicou que a decisão busca evitar
envolvimento direto no conflito. "Não vamos ser arrastados para a
guerra", disse.
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Pressões e divergências
A
recusa amplia tensões dentro da aliança militar. O governo estadunidense tem
pressionado aliados a apoiar sua estratégia, ao mesmo tempo em que avalia
reduzir sua presença militar na Europa.
O
secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, indicou que o governo dos Estados Unidos
busca compromissos concretos dos membros da aliança para garantir a segurança
da rota marítima.
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Soluções alternativas
Países
europeus defendem a retomada da navegação por meios diplomáticos. O Estreito de
Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, foi afetado pelas
tensões com o Irã desde o início do conflito iniciado pelas agressões dos EUA e
Israel ao país persa.
O
presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que pretende organizar uma
conferência com outros países para discutir a criação de uma missão
multinacional voltada à restauração da navegação. "Missão estritamente
defensiva", afirmou. Segundo o mandatário francês, a iniciativa será
independente das partes envolvidas no conflito e deverá ser implementada quando
houver condições de segurança.
Autoridades
europeias também discutem medidas para reduzir custos de seguro de embarcações
na região após o fim das hostilidades. Já o ministro das Relações Exteriores da
Turquia, Hakan Fidan, declarou que a reabertura do estreito deve ocorrer por
meio da diplomacia.
Fonte:
BBC News/Brasil 247

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