segunda-feira, 13 de abril de 2026

Desigualdade de gênero entre os pais afeta a saúde mental dos filhos? Estudo mostra que sim

🧠 Um levantamento indica que quando homens e mulheres têm condições mais equilibradas dentro de casa, todos os filhos colhem benefícios diretos na saúde mental, na escolaridade e na percepção de qualidade de vida.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As conclusões foram divulgadas na revista Cambridge Prism: Global Mental Health.

O estudo analisou 2.852 jovens da tradicional coorte de nascimentos de Pelotas, no Sul do RS, acompanhados desde 1993 até completarem 18 anos.

🔎 Coorte de nascimentos = grupo de pessoas que nasce no mesmo ano e é acompanhado ao longo de um período.

Para medir como desigualdades entre pai e mãe impactavam a vida dos filhos, os pesquisadores criaram o Índice de Desigualdade de Gênero do Casal (IDGC), que considera três dimensões:

•        nível de escolaridade;

•        renda;

•        autonomia reprodutiva da mãe.

Quanto maior a desigualdade nesses aspectos, menor o índice.

<><> Meninos também ganham com ambientes familiares mais equilibrados

Entre os principais resultados, jovens que cresceram em famílias mais igualitárias tiveram, aos 18 anos:

•        1,5 ano a mais de estudo;

•        melhor qualidade de vida, com cerca de 10 pontos acima na escala da OMS;

•        36% menor risco de depressão.

Os resultados se repetiram tanto entre meninas quanto entre meninos, mostrando que práticas mais justas dentro do lar não favorecem apenas as mulheres.

O levantamento também identificou que 5,9% dos jovens avaliados preencheram critérios para depressão aos 18 anos. Os pesquisadores observaram que a prevalência do transtorno foi maior entre aqueles expostos a maiores desigualdades entre pai e mãe durante a infância e adolescência.

A psiquiatra e pesquisadora Clarissa Severino Gama ainda reforça que os ganhos vão além da questão social:

"Quando falamos de igualdade de gênero neste estudo, não estamos falando apenas de justiça social, mas também de educação, saúde mental e do futuro das crianças", comenta.

<><> Retrato das famílias analisadas

Da amostra estudada:

•        62,9% dos casais tinham o mesmo nível de escolaridade ou as mulheres estudaram mais;

•        apenas 4,9% tinham renda igual ou maior para as mães;

•        69,7% das mulheres foram mães após os 20 anos e realizaram mais de oito consultas pré-natais.

A análise mostrou que quanto maior o equilíbrio entre pai e mãe, maior a chance de os filhos alcançarem mais anos de estudo e preservarem saúde mental na transição para a vida adulta.

Já ambientes com maior disparidade foram associados a níveis mais altos de depressão, sobretudo quando o IDGC era mais baixo.

•        A psicologia diz que algumas amizades acabam não por conflitos, mas porque deixam de existir quando o esforço não é mais unilateral

Muitas relações de afeto chegam ao fim de maneira silenciosa e sem qualquer briga aparente entre os envolvidos. Isso acontece quando uma das partes percebe que a manutenção do vínculo depende exclusivamente da sua própria iniciativa constante. Ao cessar esse movimento, a amizade simplesmente desaparece, revelando que a conexão já não possuía uma base de reciprocidade verdadeira para ambos continuarem.

Como o desequilíbrio de esforço desgasta os laços afetivos?

O investimento emocional em uma convivência exige que as duas pessoas demonstrem interesse em estar presentes na vida alheia. Quando apenas um indivíduo busca o diálogo ou organiza encontros, surge um sentimento de cansaço mental profundo. Essa carga desproporcional consome a energia de quem se dedica, transformando o carinho em uma obrigação pesada e muito desmotivadora para seguir adiante sempre.

A falta de retorno nas mensagens ou nos convites gera uma percepção de que a outra pessoa não valoriza a companhia oferecida. Com o tempo, a vontade de insistir diminui até que o contato cesse completamente de forma natural. Esse afastamento revela que a relação sobreviveu apenas enquanto existiu um esforço unilateral persistente e bastante cansativo para quem amava muito.

<><> Por que algumas pessoas param de investir na reciprocidade?

Existem fases da existência em que as prioridades mudam e o interesse por certos círculos sociais acaba diminuindo consideravelmente. Muitas vezes, o indivíduo entra em um modo de passividade total, esperando que os outros sempre tomem a iniciativa das interações. Esse comportamento acomodado sinaliza que o vínculo deixou de ser uma prioridade real e se tornou algo secundário de fato.

Estudos indicam que a manutenção de amizades requer “manutenção relacional ativa”; quando a motivação para esse esforço diminui — seja por mudanças de vida ou novos focos — o vínculo entra em um processo de “desbotamento” (fading out) por falta de reforço positivo mútuo (ResearchGate – The Use of Relational Maintenance Behaviors in Sustained Adult Friendships). O afastamento silencioso é o resultado dessa falta de compromisso com a continuidade daquela história compartilhada.

<><> Quais são os sinais de que uma amizade está acabando?

Identificar o fim de um ciclo social exige uma observação honesta sobre a dinâmica das interações que ocorrem no cotidiano. O silêncio prolongado e a falta de interesse genuíno pelos problemas alheios são indícios claros de distanciamento emocional profundo. Quando os encontros deixam de ser naturais e passam a ser forçados, a conexão já está seriamente abalada há bastante tempo.

Os principais comportamentos que sinalizam o término dessa convivência incluem:

<><> Como o silêncio pode ser uma forma de proteção pessoal?

Decidir parar de insistir em um laço sem reciprocidade é um ato de preservação da saúde mental individual. Ao aceitar que o outro não deseja o mesmo nível de proximidade, o indivíduo recupera o tempo gasto em tentativas vãs de reaproximação. Esse silêncio não representa mágoa, mas sim a aceitação madura da realidade que se apresenta aos envolvidos neste momento.

A energia que antes era desperdiçada em conexões unilaterais pode ser redirecionada para novas amizades mais equilibradas e sadias. Reconhecer os próprios limites evita que a frustração se transforme em amargura persistente e mude a visão sobre o mundo. Escolher o afastamento é uma maneira de garantir que a paz interior prevaleça sobre a ansiedade da rejeição bastante sofrida sempre.

Qual o papel da reciprocidade na manutenção dos vínculos?

<><> A sustentabilidade de qualquer relação humana depende da vontade mútua de nutrir o contato com respeito e muita consideração. Quando os dois lados investem tempo e afeto, a segurança emocional cresce e as dificuldades são superadas com mais facilidade. O equilíbrio nas ações demonstra que a pessoa é valorizada e que o esforço vale a pena integralmente para ambos os envolvidos.

Entender os fundamentos psicológicos das interações sociais ajuda a construir conexões muito mais resistentes aos imprevistos da vida atual. O amadurecimento permite identificar onde o carinho é real e onde existe apenas a conveniência de um lado só. Informações disponíveis na American Psychological Association reforçam a importância de relações baseadas no apoio emocional e na partilha verdadeira pelas pessoas amigas.

 

Fonte: g1/Correio Braziliense

 

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