O
extraordinário e a banalidade
Como
poderia ser possível algo extraordinário ser visto como banal? Comungo da
impressão de uma amiga de que a nova e já histórica missão à Lua passou como um
meteoro silencioso entrecortando um universo de banalidades virtuais. Você
também teve a sensação de que aquelas imagens sensacionais da superfície lunar
eram tão transitórias como um reels de receita rápida, uma fofoca ou um vídeo
de gato? Num hiato de segundos, apenas passamos por isso ou por tantas outras
importâncias de um jeito banal.
Sou do
tempo em que recortávamos jornais e revistas a fim de guardar fatos
importantes, não só para revivê-los na memória, mas para, de alguma forma,
transformá-los em perenes. Em tons de sépia e com resquícios de tinta de jornal
guardávamos, numa caixa de afetos, lembranças como testemunhos do tempo vivido.
Não se trata de um saudosismo aqui. Acho mesmo que o avanço da tecnologia é
extraordinário, tanto quanto assustador, sobretudo pelo alcance desmedido e
pelo acesso proporcionado.
Mas há
algo de estarrecedor nas redes sociais. Os estudos já mostram como elas têm
afetado a atenção, emburrecido uma geração, gerado transtornos e dependência,
além de ter transformado o jeito como interagimos com o mundo. Em um tribunal
da Califórnia, um júri popular estabeleceu um precedente inquietante ao
reconhecer a responsabilidade civil de plataformas digitais por danos à saúde
mental de usuários. O caso, movido por uma jovem de 20 anos que desenvolveu
vício e depressão, expôs com nitidez o que as big techs há muito evitam
admitir: a intencionalidade por trás de mecanismos de design pensados para
capturar, reter e explorar a atenção.
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Rolando
o feed, assistimos à missão Artemis II passar como mais um vulto, um instante
que reteve a atenção por poucos minutos. Em algum lugar, vi que a live da Nasa
chegou a reunir meio milhão de pessoas assistindo simultaneamente, seis vezes
menos que uma transmissão recorde de Casimiro no Brasil. É uma comparação
banal, sem critério ou rigor, mas não acredito que esteja muito longe da
verdade. Viagem espacial não consegue mesmo rivalizar com futebol. A imprensa
fez seu papel, inclusive nas redes, mas o recorde de proximidade com a Lua
seguirá menos como um feito notável e mais uma coisinha qualquer, com direito a
uma Lua colorida artificialmente pela IA.
De
verdades e mentiras, a internet está cheia. Hoje, com algum cuidado, ainda
saberemos o que é fake. Mas, e no futuro saberemos resgatar imagens e histórias
antigas e conferir a sua veracidade? Será que no futuro alguém irá questionar
se de fato ocorreu essa missão histórica? Posso estar exagerando, até porque a
verdade encontra um jeito também de se eternizar em outros meios que não seja
as nuvens virtuais.
O
problema de se criar um mundo paralelo e até agora sem regras e limites é
vivermos nele para sempre. Nas redes, passamos boa parte do tempo, interagimos,
choramos em público, curtimos de forma protocolar, admiramos personagens,
tangenciamos a verdade, cuspimos opinião sobre tudo, criamos provas contra nós
mesmos, julgamos e condenamos como selvagens em praça pública.
• Como diferenciar notícia de opinião e
evitar cair em fake news
Saber a
diferença entre uma notícia e um artigo de opinião é uma habilidade essencial
para navegar no volume intenso de informações diárias. Distinguir um fato de
uma análise pessoal é o primeiro passo para se proteger das fake news, que se
espalham rapidamente e podem gerar desinformação em larga escala.
Uma
notícia se concentra em relatar acontecimentos de forma objetiva. O texto
jornalístico factual responde a perguntas básicas como: o quê, quem, quando,
onde, como e por quê. O objetivo é apresentar os fatos de maneira imparcial,
sem incluir o julgamento de valor do repórter.
Por
outro lado, o artigo de opinião é, por natureza, subjetivo. Ele expressa a
visão do autor sobre um determinado tema. Embora possa se basear em fatos, seu
propósito principal é analisar, interpretar e convencer o leitor a concordar
com um ponto de vista específico. É comum que esses textos sejam assinados por
colunistas ou especialistas.
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Como diferenciar notícia de opinião na prática
Para
identificar o que é fato e o que é análise, preste atenção a alguns
elementos-chave. Notícias costumam apresentar diferentes lados de uma questão e
citar fontes claras para as informações. A linguagem é direta e evita adjetivos
que possam carregar um juízo de valor, como “excelente” ou “terrível”.
Já os
textos de opinião usam com frequência a primeira pessoa (“eu acho”, “na minha
visão”) e adjetivos que qualificam os fatos. O autor busca construir um
argumento, usando a retórica para defender sua tese. Esses artigos geralmente
aparecem em seções específicas de jornais e portais, identificadas como
“Opinião”.
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Exemplo prático
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Notícia: “O Banco Central anunciou um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa
de juros, elevando-a para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros
do Comitê de Política Monetária (Copom).” Este trecho apenas descreve o fato,
sem emitir juízo de valor.
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Opinião: “O lamentável aumento da taxa de juros anunciado pelo Banco Central é
um erro que vai prejudicar a economia. Na minha visão, essa medida freará o
crescimento e punirá desnecessariamente os consumidores.” Aqui, o autor usa
adjetivos como “lamentável” e expressões como “na minha visão” para expressar
seu ponto de vista.
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Dicas para evitar cair em fake news
Verifique a fonte: a informação foi
publicada por um veículo de imprensa conhecido e com credibilidade? Desconfie
de blogs desconhecidos e sites com nomes parecidos aos de grandes portais.
Leia a matéria completa: não se informe
apenas pelo título. Muitas vezes, a manchete é sensacionalista e não
corresponde ao conteúdo do texto.
Procure a mesma notícia em outros
lugares: se uma informação importante foi divulgada apenas por um único site,
suspeite. Notícias relevantes são rapidamente repercutidas por diversos
veículos.
Cheque a data: verifique se a notícia é
recente. É comum que conteúdos antigos sejam compartilhados como se fossem
atuais para gerar confusão.
Consulte agências de checagem: em caso de
dúvida, recorra a plataformas especializadas em verificar a veracidade de
informações, como Lupa e Aos Fatos.
Fonte:
Por Ana Dubeux, no Correio Braziliense

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