Ofensiva contra o Hezbollah, morte de
lideranças e ataques com mísseis: a escalada sem precedentes entre Irã e Israel
Explosões foram reportadas no Irã na noite desta sexta-feira
(25), de acordo com informações da imprensa local. Testemunhas ouviram aeronaves perto da capital, Teerã,
e Israel assumiu a autoria do ataque.
No dia 1º de outubro,
o Irã lançou cerca de 200 mísseis contra Israel em retaliação à morte de
aliados, como Hassan Nasrallah, ex-chefe do Hezbollah. Desde então, Israel prometeu um contra-ataque ao Irã. Os Estados
Unidos também disseram que estavam
trabalhando junto com o governo israelense para uma resposta ao ataque
iraniano.
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Veja a linha do tempo do conflito:
# Abril de
2024
Veja abaixo uma linha
do tempo das tensões entre Irã e Israel, desde o ataque israelense na embaixada
do Irã até os mísseis lançados por Irã contra Israel:
▶️ 1º de abril - Israel bombardeou a embaixada do Irã na Síria, matando três comandantes da Guarda Revolucionária iraniana,
incluindo Mohammad Reza Zahedi, comandante sênior da guarda -- veja quem foi Zahedi.
▶️ 1º de abril - Irã diz à ONU que tem o direito de revidar o ataque de Israel, que chamou de terrorista, e pediu que
a entidade bilateral responsabilizasse o país pela agressão.
▶️ 2 de abril - O
presidente do Irã, Ebrahim Raisi, disse que o ataque ao consulado "não ficará sem resposta".
▶️ 5 de abril - O
chefe do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, disse que a resposta do Irã está a
caminho. O Hezbollah é um grupo terrorista do Líbano que recebe apoio iraniano
-- saiba o que é o Hezbollah.
▶️ 10 de abril - Líderes
de Irã e Israel voltaram a trocar ameaças. O aiatolá Ali Khamenei, líder
supremo do Irã, voltou a prometer um revide. O ministro das Relações Exteriores
israelense, Israel Katz, disse que Israel responderá um possível ataque
iraniano.
▶️ 11 de abril - O
governo iraniano sinalizou à Casa Branca que a resposta
ao ataque de Israel será “contida”.
▶️ 12 de abril - A
ameaça do Irã de retaliar o ataque de Israel é "real" e
"viável", segundo a Casa Branca. Os Estados Unidos são o maior aliado
de Israel e devem dar algum tipo de apoio ao país em um eventual ataque
iraniano.
▶️ 13 de abril - Netanyahu
afirma que Israel está preparado para um "ataque direto" do
Irã. O Irã envia mais de 300 drones e mísseis para atacar
Israel. Nos dias seguintes, Israel promete
responder, e o Irã ameaça revidar se isso acontecer.
▶️ 18 de abril - Israel ataca o Irã. O alvo foi
uma base militar de Isfahan, uma das maiores cidades iranianas, a 450 km da
capital, Teerã. A base tem instalações nucleares, que não foram afetadas.
# Setembro
de 2024
▶️ 17 e 18 de setembro - Centenas de pagers e walkie-talkies usados pelo Hezbollah explodiram em uma ação militar coordenada. Após as explosões, o
ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que estava começando "uma nova fase na guerra".
▶️ 18 de setembro - A imprensa norte-americana
afirmou que os Estados Unidos foram avisados por Israel de que uma operação do
tipo seria realizada. Entretanto, o governo israelense não assumiu a autoria.
▶️23 de setembro - Israel
bombardeou diversas áreas do Líbano. Cerca de 500 pessoas morreram e centenas
ficaram feridas. O dia foi o mais sangrento desde a guerra de 2006.
▶️ 27 de setembro - Israel matou o chefe do
Hezbollah por meio de um bombardeio em Beirute. No mesmo dia,
o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que "estamos vencendo" a guerra e que
"não há nenhum lugar no Irã que Israel não possa alcançar".
# Outubro
de 2024
▶️ 1 de outubro - Irã lança mísseis contra Israel.
▶️ 25 de outubro - Israel ataca o Irã, e explosões são ouvidas em Teerã
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Guerra fria
Irã e Israel estão em uma espécie de "guerra fria" há
anos. O Irã tenta mostrar poder no Oriente
Médio e a sua rede de influência regional
contra os EUA e Israel sem precisar entrar em conflito direto por meio de
ataques do chamado “Eixo da Resistência” em
múltiplas regiões do Oriente Médio. O “eixo” coordenado pelo Irã é
predominantemente formado por milícias xiitas e tem entre os pilares principais
Hezbollah, Houthis, Hamas (o único sunita) e facções de apoio no Iraque e
na Síria.
¨ Israel diz que concluiu ataques a alvos militares; Irã promete
retaliar
Israel afirmou em um comunicado na madrugada deste sábado (26)
que concluiu os ataques aéreos contra o Irã, que começaram na noite de sexta-feira (25), pelo horário de
Brasília. Várias explosões foram ouvidas em Teerã, capital do país. A imprensa
local informou que o governo iraniano irá responder de forma
"proporcional". As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em
inglês) afirmaram que os bombardeios foram "precisos e direcionados"
contra alvos militares em diversas áreas do Irã. Segundo comunicado, foram realizadas
três ondas de ataques ao território iraniano.
Na madrugada deste
sábado, pelo horário local, explosões também foram ouvidas em Damasco, na Síria. A mídia local disse que Israel atacou alvos militares no país.
"Nossos aviões
retornaram com segurança para casa. O ataque foi realizado em resposta aos
ataques do regime iraniano contra o Estado de Israel e seus cidadãos nos
últimos meses. A missão de retaliação foi concluída com sucesso", afirmou
o comunicado de Israel. Segundos os israelenses, aeronaves da força aérea
atingiram instalações de fábricas de mísseis utilizados pelo Irã contra o
Estado de Israel ao longo do último ano. "As IDF (forças israelenses)
atacaram sistemas de mísseis e outras capacidades aéreas iranianas que tinham o
objetivo de restringir a liberdade de operação aérea de Israel no Irã."
No comunicado, Israel afirmou que está sendo atacado pelo Irã desde 7 de
outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram o
território israelense. Naquele dia, centenas de pessoas foram mortas e mais de
200 foram sequestradas. O Hamas e o Irã são aliados.
Além disso, no dia 1º
de outubro deste ano, o Irã lançou cerca de 200 mísseis contra Israel. O ataque foi uma retaliação a mortes de aliados do governo
iraniano, como Hassan Nasrallah, que era chefe do grupo extremista
Hezbollah. Ao anunciar que estava atacando o Irã na sexta-feira, Israel
disse que estava exercendo o direito de se defender. "Como qualquer outro
país soberano no mundo, o Estado de Israel tem o direito e o dever de
responder. Nossas capacidades defensivas e ofensivas estão totalmente
mobilizadas", afirmaram. "Faremos o que for necessário para defender
o Estado de Israel e o povo de Israel."
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'Danos limitados'
Os militares do Irã
disseram neste sábado que os ataques de Israel contra eles visaram bases
militares nas províncias de Ilam, Khuzestan e Teerã, causando "danos
limitados". A declaração dos militares iranianos foi lida na televisão
estatal, que não mostrou imagens dos danos descritos. Os militares iranianos
alegaram que a defesa aérea limitou os estragos causados pelos ataques, sem
apresentar evidências.
De acordo com a
imprensa norte-americana, Israel evitou atacar estruturas nucleares e
petrolíferas do Irã. Oficiais dos EUA e de Israel afirmaram que a segunda e a
terceira ondas se concentraram em bases de mísseis e locais de produção de
drones.
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Vingança de Israel
Desde o início de
outubro, Israel vinha prometendo um contra-ataque contra o Irã. Os Estados Unidos disseram que estavam trabalhando junto com o
governo israelense para uma resposta ao ataque iraniano. O presidente Joe Biden recomendou que Israel evitasse instalações petroleiras. Além disso, as autoridades norte-americanas desaconselharam
bombardeios em ativos nucleares do Irã.
A imprensa dos Estados
Unidos informou que uma resposta de Israel contra Irã aconteceria antes das
eleições norte-americanas, que estão marcadas para 5 de novembro.
A Casa Branca disse
que foi avisada sobre a ação israelense pouco antes de ela ser lançada. Segundo
a agência de notícias Reuters, ocorreu uma conversa entre os secretários de
Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e o de Israel, Yoav Gallant, após os ataques. A fonte
da agência não informou detalhes da conversa nem quanto tempo durou a ligação.
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O ataque do Irã
No dia 1º de outubro,
mísseis lançados pelo Irã cruzaram os céus de cidades israelenses importantes,
como Tel Aviv e Jerusalém. Boa parte do ataque foi interceptada pelos sistemas
de defesa de Israel. Uma operação do tipo contra o território israelense era
aguardada desde o fim de julho, quando Ismail Haniyeh, então chefe do Hamas, foi assassinado em Teerã.
O Irã responsabilizou
Israel pela morte de Haniyeh e disse que a operação representava uma violação
da soberania do país.
No fim de setembro, o
Irã voltou a prometer uma resposta a Israel pelas mortes de Hassan Nasrallah, chefe do grupo extremista Hezbollah, e Abbas Nilforoushan,
membro da cúpula da Guarda Revolucionária do Irã. Ambos foram mortos em
bombardeios israelenses em Beirute, no Líbano.
Após o ataque
iraniano, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou a ação
iraniana como um "grande erro" e afirmou que o Irã irá
"pagar" pelo ataque.
O governo de Israel
informou que duas pessoas ficaram feridas sem gravidade durante o ataque
iraniano e que não houve registro de prédios ou residências atingidos. O
governo do Irã garantiu que qualquer contra-ataque de Israel resultaria em uma
resposta "subsequente e esmagadora", além de uma "grande
destruição" para infraestruturas israelenses. Além disso, o aiatolá Ali
Khamenei — autoridade máxima do Irã — foi colocado em um local protegido.
¨
Israel x Irã: quem tem
o arsenal mais poderoso?
O g1 preparou
um infográfico que descreve e detalha os principais mísseis e caças que Israel
e Irã possuem, além de outros números militares dos dois países, segundo
levantamento feito pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS,
na sigla em inglês) em fevereiro de 2024.
<><> As
diferenças entre os arsenais
O professor de
Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin disse
ao g1 que os arsenais aéreos de Israel e Irã tem algumas
diferenças: enquanto Israel possui mais tecnologia, Irã tem uma quantidade
maior de equipamentos.
Segundo Brustolin, os
caças de Israel são melhores e mais novos que os do Irã. O país governado
por Benjamin Netanyahu tem
aeronaves de última geração importadas dos Estados
Unidos, seu maior aliado. Em contrapartida, o Irã
é o segundo país mais sancionado do mundo, atrás apenas da Rússia – que invadiu
a Ucrânia em 2022 e está em guerra desde então.
Enquanto Israel tem
caças de última geração, como o F-35, a frota do Irã é composta por jatos mais
antigos ou obsoletos, de modelos F mais antigos e caças da União Soviética, nos
modelos SU-22 e SU-24. A Força Aérea israelense tem 39 caças F-35 e foi o primeiro
país do mundo a operar esse modelo, fabricado pelos EUA.
"Israel controla
os céus do Oriente Médio desde
a Guerra dos Seis Dias [conflito entre Israel e países árabes em 1967]. O país
não tem profundidade territorial, então precisa ter uma estratégia em caso de
ataque iminente, e a aviação é muito importante para isso", afirmou
Brustolin.
Entretanto, o Irã
é uma potência militar no Oriente Médio: tem o segundo maior efetivo militar da
região, com 610 mil militares na ativa, orçamento militar anual de US$ 44
bilhões (R$ 232,6 bilhões) em 2022, mísseis poderosos – como o Sejil e o Kheibar
– e 13 vezes mais veículos de artilharia e lançadores de mísseis que
Israel, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na
sigla em inglês).
Veículos de
artilharia, lançadores de mísseis, navios e jatos podem carregar e lançar os
mísseis de que Israel e Irã dispõem, aumentando o alcance.
Ainda segundo o IISS,
Israel tem um orçamento militar anual de US$ 19,4 bilhões (R$ 102,5 bilhões) em
2022 e efetivo de 169,5 mil militares na ativa e 465 mil reservistas. O Irã tem
350 mil reservistas.
Ainda segundo Vitelio
Brustolin, "não há nem comparação" entre os sistemas de defesa
aéreo de Israel e Irã. As defesas israelenses são mais avançadas,
com os sistemas Seta, Domo de Ferro e Viga de Ferro. Já as iranianas são compostas principalmente de sistemas
S300, de médio e curto alcance.
Veja abaixo um
detalhamento do contingente de caças dos países, segundo levantamento do
Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).
<><> Israel
tem 340 caças, entre eles os seguintes modelos e versões:
- 196 F-16 (modelos C, D e I);
- 75 F-15 (modelos A, B, C, D e I);
- 39 F-35 (modelo I Adir).
<><> O Irã
dispõe de 273 caças, entre eles os seguintes modelos e versões:
- 69 F-5;
- 55 F-4;
- 35 Mig-29;
- 29 SU-24;
- 18 F-7;
- 12 Mirage F-1;
- 10 F-14;
- 8 SU-22 (da Guarda Revolucionária iraniana);
- Ao menos 6 RF-4E;
- Até 6 HESA Azarakhsh;
- 6 HESA Saegheh;
- 3 P-3F.
<><> Capacidade
nuclear
Segundo Brustolin, o
Irã não quer uma guerra aberta contra Israel porque o país governado por
Benjamin Netanyahu tem cerca de 90 ogivas nucleares e tem os Estados Unidos
como seu principal aliado.
As ogivas nucleares
israelenses podem ser carregadas em mísseis modelo Jericho 2. Israel tem cerca
de 24 desses mísseis, segundo a IISS. Outros meios de entrega, de acordo com a
instituição, das ogivas são alguns caças F-15 e F-16, além de supostamente submarinos
da classe Dolphin/Tanin.
Por outro lado, além
dos jatos, o Irã produz drones de alta tecnologia, como o Shahed-136, utilizado
no ataque a Israel, e o Mohajer 10, lançado em agosto de 2023, e que tem um
alcance de 2.000 quilômetros e capacidade para viajar por 24 horas e carregar
300 quilos de explosivos.
Ainda segundo
Brustolin, o Irã tem um programa nuclear avançado e pode estar próximo de
ter uma bomba nuclear. Em março de 2023, a Agência Internacional de
Energia Atômica da ONU reportou que o país estava
enriquecendo Urânio, principal matéria-prima de uma ogiva. Um local bombardeado
por Israel em abril foi próximo à base militar de Natanz, em Ishafan, que tem
instalações nucleares.
<><> Histórico
▶️ Nos últimos meses, Israel e Hezbollah viveram um aumento nas
tensões. Um comandante do grupo extremista foi morto em um ataque israelense no
Líbano, em julho. No mês seguinte, o grupo preparou uma resposta em larga
escala contra Israel, que acabou sendo repelida.
Mais recentemente,
líderes israelenses emitiram uma série de avisos sobre o aumento de operações
contra o Hezbollah. O gatilho para uma virada no conflito veio após os
seguintes pontos:
- Nos dias 17 e 18 de setembro, centenas de pagers e
walkie-talkies usados pelo Hezbollah explodiram em uma ação militar
coordenada.
- A imprensa norte-americana afirmou que os Estados Unidos
foram avisados por Israel de que uma operação do tipo seria realizada.
Entretanto, o governo israelense não assumiu a autoria.
- Após as explosões, o ministro da Defesa de Israel, Yoav
Gallant, disse que estava começando "uma nova fase na guerra".
- Enquanto isso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
prometeu que levará de volta para casa os moradores do norte do país, na
região de fronteira, que precisaram deixar a área por causa dos
bombardeios do Hezbollah.
- Segundo o governo, esse retorno de moradores ao norte do
país só seria possível por meio de uma ação militar.
- Em 23 de setembro, Israel bombardeou diversas áreas do
Líbano. Cerca de 500 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. O dia
foi o mais sangrento desde a guerra de 2006.
- Em 27 de setembro, Israel matou o chefe do Hezbollah por
meio de um bombardeio em Beirute.
- Israel invade o Líbano e faz primeiros ataques em Beirute,
capital do país.
- Irã ataca Israel com mísseis.
Na semana passada, as
Forças de Defesa de Israel anunciaram que militares estavam se preparando para
uma possível operação terrestre no Líbano. Bombardeios aéreos executados pelos
israelenses seriam indícios de uma preparação de terreno.
¨ Irã x Israel: qual o tamanho dos efetivos militares dos dois
países
Um levantamento feito
pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês)
e atualizado pela última vez em fevereiro de 2023, mostra que o Irã tem um
contingente militar de 650 mil pessoas e que a guarda, que é uma divisão
importante das forças armadas iranianas, é responsável por 190 mil
combatentes. Trata-se do segundo maior contingente do Oriente Médio, atrás do
Egito. Já Israel tem 177,5 mil militares, entre Exército, Marinha, Aeronáutica
e outras forças. Esse número, no entanto, não considera os reservistas,
convocados quando há conflito.
O grande diferencial
de Israel é a posse de bombas nucleares. De acordo com a Federação dos
Cientistas Americanos (FAS), Israel é o único país da região que possui
armamento nuclear, embora o governo israelense não reconheça possuir bombas.
O Irã tem enriquecido
urânio a um nível próximo do necessário para se criar uma bomba nuclear,
segundo um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) obtido
em 2023 pela Agência France-Presse. No entanto, não há indícios de que o país
tenha ogivas nucleares.
<><> Mais
sobre o Irã
Os dados divulgados
pelo instituto mostram que a Guarda Revolucionária Iraniana tem um
efetivo superior ao de 11 países da região. É maior do que todo a força
militar da ativa de Israel, que conta com quase 180 mil combatentes e 400 mil
reservistas.
O governo iraniano tem
desempenhado um papel oculto na guerra. Oficialmente, critica a violência
empregada por Israel na Faixa de Gaza. Extraoficialmente, patrocina o Hamas,
que tem cerca de 20 mil combatentes e que luta em seu lugar por meio
de uma “guerra por procuração”.
O Irã também participa
de conflitos no Oriente Médio por meio dos outros grupos que patrocina. Um
deles é o Hezbollah, que tem um contingente militar superior ao do Líbano, país
que o grupo armado utiliza como base. Os cerca de 20 mil Houthis que lutam na
guerra civil no Iêmen também recebem apoio iraniano.
Foram os Houthis que atacaram com drones uma instalação da petrolífera estatal
saudita Aramco em 2022. O ataque expôs a fragilidade
da Arábia Saudita, um dos países mais influentes da região a conflitos armados.
“O Irã é um ator que,
através de uma coalizão de forças não estatais, atua de uma forma agressiva [no
Oriente Médio]. Qualquer ação dos Houthis, do Hezbollah e do Hamas, é feita em
coordenação com o Irã. Eles têm essa doutrina da defesa ativa”, afirma Rodrigo
Amaral, professor de relações internacionais da PUC de São Paulo.
A defesa ativa é termo
normalmente associado a ações de grupos armados que buscam marcar uma posição.
Pode ser o apoio a um grupo ou a um país aliado que esteja em conflito ou mesmo
uma demonstração de força por meio de um ataque.
Amaral explica que o
contingente militar é apenas uma das variáveis levadas em consideração quando o
assunto é a força de um Estado.
O relatório do IISS
mostra ainda que o Egito é o país com maior contingente militar no Oriente
Médio com mais de 835 mil pessoas. Apesar disso, o país não é tão
influente na região quanto Arábia Saudita e Irã, países que contam com mais
tecnologia militar, têm melhor desenvolvimento armamentista e são grandes
exportadores de petróleo.
Fatores como a
capacidade industrial de armamentos, a capacidade tecnológica militar, e a
quantidade de tanques, aviões e porta-aviões, por exemplo, fazem parte do
cálculo do jogo de poder regional.
Nas forças terrestres
e nas forças aéreas, os tipos de armamentos mais comuns são os tanques
blindados de batalha e as aeronaves de combate. Em ambos os casos, as duas
maiores frotas são as do Irã, que tem 1.513 tanques e 312 aeronaves, e as da
Arábia Saudita, com 1.010 tanques e 455 aeronaves.
Já no mar, são
pouquíssimos os países do Oriente Médio que têm submarinos. A maior frota é a
do Irã, com 17, seguida pela Turquia, com 12, Egito, 8, e Israel e Jordânia,
ambos com 5.
Fonte: g1

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