quinta-feira, 14 de maio de 2026

Ricardo Nêggo Tom: Jesus não tem caráter na assembleia dos falsos profetas evangélicos

Um puro suco de bolsonarismo foi servido como vinho na "Santa Ceia" da Empresa da Fé de Silas Malafaia no último domingo. Tendo o ódio aos mais pobres como o pão que alimenta e fortalece o projeto de poder neopentecostal no país, fiéis comeram e beberam do corpo e do sangue de candidatos que simbolizam a falsa salvação que o projeto de poder político evangélico oferece àqueles que dobram o joelho diante de sua autoridade religiosa. Corpos imersos em corrupção e mentiras, cujo sangue é ruim e denota a essência perversa de tais figuras. Flávio Bolsonaro, Sóstenes Cavalcante, Cláudio Castro, Marcelo Crivella, estavam entre os “ungidos” que subiram ao altar para serem abençoados por Malafaia e suas ovelhas sem raciocínio.

Se aqui estivesse, Jesus teria entrado de voadora no peito do leviano pastor, e chicoteado a ele, e os homens que ele pôs no altar e apresentou como escolhidos por Deus na política brasileira. Da mesma forma que destruiu o templo em Jerusalém, Jesus colocaria abaixo a masmorra edílico-religiosa construída pelo falso profeta, e que aprisiona milhões de mentes sob a égide da vontade divina. Como se não bastasse a unção política ministrada pelo histriônico charlatão, ele ainda atacou a igreja católica - a qual chamou de berço do PT - e amaldiçoou o Bolsa-Família, um programa de já tirou milhões de pessoas da extrema pobreza e da completa e absoluta fome. Um evangelho oposto ao que Jesus pregou, e alinhado a uma extrema direita que odeia pobres e pretende escravizá-los de forma moderna e neoliberal.

Silas Malafaia é um delinquente religioso, assim como seu colega de púlpito Marco Feliciano, que durante um congresso evangélico em Santa Catarina apresentou Carlos Bolsonaro – outro filho do verdadeiro Messias Salvador da maioria dos evangélicos brasileiros - como escolhido de Deus para o Senado naquele estado. Feliciano chegou a dizer que “Deus ungiu a família Bolsonaro para governar o país”, e convocou a igreja a orar por todos eles. “Quando oramos por um Bolsonaro, oramos por todos da família”, decretou ele, com a cara mais lavada e cheia de Botox do mundo. Uma orgia político-religiosa de fazer inveja às surubas nas casas de banho que Calígula organizava no Império Romano. Ode a cafajestice em nome de Deus.

Ambos, Malafaia e Feliciano, são contra os trabalhadores, querem manter a escala 6x1, querem reduzir ainda mais os direitos trabalhistas que restaram, mas se dizem homens de Deus encarregados de conduzir suas ovelhas para o paraíso. Ao lado de Bolsonaro, Silas Malafaia já questionou “por que os trabalhadores têm tantos privilégios neste país”, e apoiou o fim dos direitos trabalhistas para aliviar os patrões. Marco Feliciano considera o fim da escala 6x1 “uma excrescência”, e defende o trabalho até a exaustão para obter a prosperidade. Nem Malafaia, nem Feliciano, trabalham até a exaustão, porque vivem às custas do dízimo de seus fiéis, e dos impostos pagos pelos cidadãos, no caso do pastor deputado. Isso é uma excrescência!

Tais falas e posicionamentos vindos de líderes religiosos que ficaram milionários com suas empresas da fé, deveria provocar um forte clamor popular pelo fim da isenção tributária para igrejas no Brasil. Outra excrescência que conta com a benção de um Estado que vive enxugando gastos quando se trata de benefícios para os mais pobres, mas que continua alimentando a ganância e a esperteza dos mais ricos com benesses tributárias. Em qualquer país sério, esses picaretas da fé estariam na cadeia, e nem Jesus iria visitá-los. A igreja virou palanque eleitoral e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro - o primogênito do "Pai" - teve seu início antecipado nas barbas do TSE, que agora é presidido por mais um terrivelmente diabólico, digo, evangélico. É o Brasil largando na frente para o apocalipse. O fim realmente nunca esteve tão próximo. Cada vez mais próximo deste país.

<><> Magno Malta e a violência dos homens da extrema direita contra as mulheres

Após ter sido acusado de agressão por uma enfermeira do hospital onde se encontra internado em Brasília, o senador Magno Malta veio a público através de suas redes sociais, desmentir a acusação e sugerir que tudo não passa de uma armação da esquerda para destruir a sua reputação. Como se ele mesmo já não fizesse o suficiente para destruí-la. Segundo relatos da funcionária, o parlamentar bolsonarista teria dado um tapa em seu rosto, o que teria entortado seus óculos, e a chamado de “imunda” e “incompetente”, em função de uma intercorrência durante um procedimento. Fato que ele nega, chama de “fake News”, classifica como injustiça e diz que quem o conhece sabe que ele só faz o bem e que jamais agrediria uma mulher

Magno Malta - que agora se diz injustiçado e vítima de fake News - é um conhecido criador de factoides e disseminador de mentiras em sua vida pública. Como uma falsa acusação de pedofilia que resultou na prisão de um motorista de ônibus em 2009, quando o senador presidia a CPI da pedofilia. Segundo matéria do The Intercept Brasil, de 2018, Luiz Alves de Lima – o motorista acusado por Malta de ter violentado a própria filha, relata que “sua filha tratava, em um hospital público, uma infecção por oxiúro, parasita que pode provocar coceira e irritação vaginal. Um médico suspeitou de abuso sexual e chamou o Conselho Tutelar.”  Ele e sua esposa foram presos preventivamente, e Magno Malta, então exercendo seu primeiro mandato como Senador, foi até a delegacia para interrogá-lo e criar um caso de pedofilia para a sua CPI.

O motorista conta que após a presença de Malta na delegacia, ele sofreu uma sessão de tortura e que a ordem teria sido dada pelo senador. Sua esposa e mãe da menina, foi liberada após 42 dias de detenção, mas ele seguiu preso injustamente por nove meses. Deixando a cadeia em 2010 cego do olho direito, e apenas com 25% de visão no olho esquerdo. Segundo outro trecho da mesma matéria do Intercept Brasil, “decidido a provar sua inocência, correu atrás de médicos e laudos e comprovou que a menina tinha oxiúro, fato ignorado no exame clínico que o incriminou. O processo foi encerrado em julho de 2016, quando a Justiça o absolveu de todas as acusações, uma vez constatada a integridade do hímen da filha.”

Como se pode constatar, Magno Malta é um sujeito perigoso e capaz de tudo para justificar as suas “verdades” e se beneficiar politicamente delas. Agora, ele tenta mais uma vez destruir a vida de mais um membro da classe trabalhadora para escapar da acusação de violência que lhe foi feita. Ao se filmar num leito hospitalar cheio de eletrodos na cabeça, o senador repete uma estratégia muito utilizada pela extrema-direita, que é a da vitimização diante de um estado de saúde considerado mais frágil. Bolsonaro cansou de fazer isso, exibindo seu bucho esfaqueado ou andando com dificuldade pelos corredores do hospital. Para além da vitimização, Magno Malta acusa a profissional de enfermagem de ter feito uma falsa acusação de crime, algo que ele sabe muito bem como fazer, como no caso do motorista de ônibus que teve a vida destruída por ele.

Alguém acha mesmo que uma simples enfermeira iria fazer uma acusação desta gravidade contra um Senador da República? E alguém sóbrio e em sã consciência, acha que um homem capaz de inventar que um pai estuprou uma filha só para ganhar o título de combatente da pedofilia, não seria capaz de dar um tapa no rosto de uma pessoa? Não estou dizendo que ele o fez. Estou apenas analisando o contexto histórico de uma figura marcada por controvérsias na vida pública. Vale lembrar que ao ser internado, o senador - que também é conhecido por suas falas "etílicas" e "ébrias" - alegou estar sendo vítima de um ataque espiritual, após ter sido abordado por um homem no estacionamento do Senado, e desmaiado logo em seguida. O homem se chamava Pirassununga, e vestia uma camisa com o número 51, onde se lia: “boa ideia”

É a batalha espiritual que alguns precisam travar contra o espírito da "marvada", contra a "caninha do diabo" e a "cachaça de satanás". A "manguaça" diabólica que embriaga, alucina e faz o homem se ajoelhar diante de pneus, invocar alienígenas para defender o seu país e entregar a alma para um messias miliciano que não faz milagre. Mentiroso contumaz, o referido senador já se gravou saindo de um bar na Itália, dizendo que estava saindo do presídio em que Carla Zambelli estava presa. Mesmo traído pela fachada do bar que aparecia no início da filmagem, ele sustentava que acabara de sair do presídio, e que havia levado a palavra de Deus à então deputada.

O fato é que esta enfermeira precisa ser protegida, ou enfrentará o mesmo processo que destruiu a vida do motorista de ônibus que Magno Malta acusou de pedofilia. Ao afirmar que “é uma mentira, e não sei qual a intenção dessa pessoa ao fazer esta acusação.”, ele tenta criminalizar a suposta vítima frente a opinião pública, aludindo a uma possível armação política contra ele. Ele também exige que o hospital tome providências quanto ao fato, o que nos faz deduzir que a profissional pode perder o emprego, e sair ainda mais prejudicada de toda esta situação. Bem fez Calígula, quando nomeou o seu cavalo como senador. O doce Incitatus nunca deu coice na cara de ninguém, e nem saia espalhando fake news pelo Império Romano. Acho que está na hora de termos mais cavalos e menos bolsonaristas no Senado. Os equinos são mais civilizados e menos mentirosos. Além de só beberem água mesmo. 

•        A extrema direita não teme a grande imprensa. Por Moisés Mendes

Os ditadores da América Latina temiam o jornalismo das corporações. Temiam até alguns donos de organizações de mídia que começavam apoiando seus golpes, o que era a regra, e depois se dedicavam ao que viria a ser mais atraente: a defesa da democracia como arma para conter a intromissão dos militares em seus negócios e como oportunidade de mercado.

Ser democrata, mesmo que genericamente, era charmoso e lucrativo no final do século 20. Eram os tempos dos direitos humanos, do abaixo a ditadura e a tortura e de todas as ações antitotalitárias. Em algum momento, até os jornalões se consideravam transgressores como desafiadores dos poderosos.

Aconteceu assim no Brasil, na Argentina e em outros países da vizinhança, enquanto a imprensa americana inspirava e denunciava as atrocidades das guerras deles. Jornais que apoiaram ditadores quando da tomada do poder acabavam sendo absorvidos pelas mobilizações pró-democracia.

Assim os donos dos jornais foram empurrados, no exemplo clássico brasileiro, para o movimento das Diretas Já. As redações eram redutos quase incontroláveis andando na direção do que o povo desejava. Os ditadores passaram a ter medo do jornalismo da grande imprensa, e não só da imprensa dita alternativa e que chamavam de nanica.

Hoje, fascistas e simpatizantes em geral de ditadores não temem Globo, Folha ou Estadão. Porque os herdeiros dos donos já não agem como seus antecessores, que pelo menos faziam a remissão de pecados.

E as redações não têm as virtudes da bravura e do improviso dos anos 70 e 80. Os jornalistas driblavam até os patrões. Mas não há mais drible na grande imprensa brasileira, só há toque para os lados, quase sempre para a direita.

Bolsonaro, seus filhos e seus cúmplices são inimigos pessoais dos jornalões e das corporações de mídia porque nunca se entenderam. Mas não temem essas corporações. Nem Alcolumbre teme. Nem Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira, Gilberto Kassab, Tarcísio de Freitas.

O centrão e as quadrilhas das emendas não têm medo dos jornalões. Nem os sócios do PCC dentro das fintechs que fazem lavagem de dinheiro na Faria Lima temem os jornalões. A grande imprensa fala do PCC, mas não fala de seus parceiros no mercado financeiro.

A regra é essa: as pautas dos jornalões, e em especial o colunismo de intrigas e de 'opinião', não têm conexão com que o jornalismo já fez no passado recente na tentativa de conter os avanços da extrema direita.

Não há um exemplo, um só, que o jornalismo possa apresentar como resultado de investigação sobre a tentativa de golpe contra Lula. Nada sobre o plano dos assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes pela gangue dos kids pretos. Nada sobre os bloqueios de rodovias. Nenhuma linha sobre os atentados às torres de energia. Nada sobre os grandes financiadores do golpe.

Não há nada porque a reportagem um dia chamada de investigativa foi substituída pela preguiça do jornalismo de vazamentos. Com exceções cada vez mais raras e afirmadoras de uma regra que deveria constranger as empresas e seus profissionais.

Colunistas passaram a comer pela mão de vazadores e se tornaram dependentes das suas rações. Desde que a informação vazada seja contra Lula e as esquerdas e, agora, contra o Supremo.

A democracia deixou de ser um bem relevante para a sobrevivência dos jornais, e é provável até que o contrário seja o que mais interesse hoje para que as corporações fidelizem audiência e mercados.

Os jornalões já não temem riscos apostando de novo na derrota de Lula, mesmo que a única alternativa seja Flávio Bolsonaro e o retorno do fascismo ao poder. A missão maior de defesa de democracia perdeu sentido. Até a história de que a grande imprensa é a única arma na briga contra as fake news virou uma conversa gasosa.

As corporações só não se atiraram sem disfarces nos braços do bolsonarismo porque é por ele esnobada e porque ainda enfrenta a guerrilha do jornalismo progressista, como o deste Brasil 247. Os jornalões são gatinhos ronronando no sofá da direita brasileira.

 

Fonte: Brasil 247

 

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