Irã
ameaça enriquecer urânio a 90% caso EUA voltem a atacar
O
porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã, Ebrahim Rezaei, afirmou nesta terça-feira
que (12/05), caso seu país volte a ser atacado, uma das opções é enriquecer
urânio a 90%, nível adequado para uso em armas nucleares.
"Uma
das opções do Irã em caso de um novo ataque poderia ser o enriquecimento a
90%", escreveu o político conservador na rede social X.
"Avaliaremos
isso no Parlamento", assegurou.
O nível
mais alto de enriquecimento de urânio atingido pelo Irã até o momento foi de
60%, dos quais possui 440 quilos em paradeiro incerto após os ataques
israelenses e americanos contra suas instalações nucleares em junho do ano
passado e na guerra atual.
Desde
os ataques de junho, a república islâmica não tem enriquecido urânio devido aos
danos sofridos em suas instalações nucleares.
As
negociações entre o Irã e os Estados Unidos estão
estagnadas depois que Teerã rejeitou a última proposta de paz americana por
considerá-la "unilateral e irracional".
Ao
mesmo tempo, o país estabeleceu suas próprias condições para pôr fim ao
conflito: reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, pagamento
de reparações, liberação de ativos bloqueados, levantamento das sanções e fim
do conflito no Líbano.
O
presidente americano, Donald Trump, classificou a proposta iraniana como um
"pedaço de lixo" e alertou que o cessar-fogo com o Irã, vigente desde
8 de abril, é "incrivelmente frágil".
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Qual será o destino do urânio enriquecido do Irã?
O
programa nuclear do Irã é fonte de conflito há décadas, e duas gerações de
iranianos já o associa à guerra. A insistência do regime no enriquecimento de urânio expôs o país a
pesadas sanções, e algumas estimativas calculam o prejuízo econômico direto em
cerca de 3,5 trilhões de dólares (R$ 17 trilhões).
Ao
longo dos recentes conflitos militares e dos frágeis cessar-fogos entre Teerã e
Washington, o programa voltou a ocupar o centro das
atenções.
Acredita-se que Teerã tenha mais de 440 quilos de urânio já enriquecido a 60%,
muito acima do necessário para fins civis. Teoricamente, esse material poderia
chegar a 90% em um período relativamente curto, tornando-se adequado para uso
em armas nucleares.
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EUA querem tomar posse de material nuclear do Irã
O
presidente dos EUA, Donald Trump, costuma se referir ao material como
"poeira nuclear", em referência a um bombardeio americano de
junho de 2025 às instalações de Fordo, Natanz e Isfahan, no qual ele
afirma ter "obliterado" o programa nuclear do Irã.
No
entnato, Trump declara repetidamente que pretende tomar posse desse
estoque nuclear, mas apresenta versões contraditórias sobre como isso
ocorreria. Em uma das afirmações, disse que usaria escavadeiras, com
auxílio de Teerã, para desenterrá-lo debaixo dos escombros,
presumivelmente após um acordo de paz.
Já
na semana passada, pareceu indicar que os EUA "sofrerão um
impacto" porque terão que "fazer uma jornada até o Irã para pegar a
arma nuclear". Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro israelense afirmou
que ouviu de Trump o interesse de entrar no Irã e retirar o material
enriquecido do país.
O Irã
ainda não confirmou nenhum acordo envolvendo a transferência de seu estoque. Em
entrevista à emissora americana CBS, em março, o ministro das Relações
Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que o material permanece sob os
escombros após o ataque do ano passado e que não há
qualquer programa ou plano para recuperá-lo.
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Localização do estoque nuclear do Irã é incerta
No
entanto, Araghchi também não exclui a possibilidade de diluir o urânio
altamente enriquecido como parte de um acordo futuro com os EUA.
Reportagens
recentes indicam que o país avalia diluir parte de seu estoque enquanto
transfere o restante para um terceiro país. Neste fim de semana, o
presidente russo Vladimir Putin afirmou que
Moscou está pronta para armazenar o urânio enriquecido do Irã.
Ainda
assim, não está claro onde o material se encontra nem quais desafios técnicos
precisariam ser superados para acessá-lo. As três principais instalações
nucleares do Irã — Fordo, Natanz e Isfahan — sofreram danos severos durante a
operação americana no ano passado.
Rafael
Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse
no fim de abril de 2026 que a maior parte desse urânio altamente enriquecido
provavelmente segue localizada no complexo nuclear de Isfahan.
Segundo
ele, 18 contêineres azuis, que se acredita transportarem cerca de 200 quilos de
urânio enriquecido, entraram em um túnel no Centro de Tecnologia Nuclear de
Isfahan em 9 de junho de 2025, apenas quatro dias antes do início da guerra
daquele ano, que durou 12 dias.
Outros,
no entanto, oferecem uma perspectiva diferente, incluindo especulações de que o
material esteja agora armazenado em Fordo ou na usina nuclear iraniana de
Bushehr.
O Irã
indicou que só recuperaria o material sob supervisão da Agência Internacional
de Energia Atômica (AIEA).
"Remover
esse material do Irã não é tecnicamente impossível, mas também depende de
muitos outros fatores. Sob rigorosa supervisão da AIEA, o material poderia ser
transportado e retirado do país. Medidas especiais de segurança teriam de ser
observadas. Como o Irã armazena urânio enriquecido no subsolo, em Fordo, o
acesso físico é difícil", afirmou Roland Wolff, especialista em física
médica e proteção radiológica.
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Líbia como modelo?
Os
desafios técnicos envolvidos na remoção de mais de 440 quilos de urânio
enriquecido são apenas um lado da equação, sendo provável que as questões de
segurança tenham prioridade.
John
Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU e conselheiro de segurança nacional
durante o primeiro mandato de Trump, apontou para o desmantelamento do programa de armas nucleares da Líbia no início dos
anos 2000, observando que o processo ocorreu em um "ambiente
permissivo", e não em meio a um conflito.
"No
caso do programa de armas nucleares da Líbia, por exemplo, que era muito menor
e estava em um estágio muito mais inicial do que o do Irã, é verdade, em 2003 e
2004, autoridades dos EUA e do Reino Unido entraram e literalmente empacotaram
tudo e levaram para Oak Ridge, no Tennessee, onde está até hoje", disse
Bolton à DW.
"Acho
que poderíamos fazer algo semelhante com o programa do Irã em um ambiente
permissivo, mas levaria muito mais tempo porque ele está muito mais
avançado", continuou.
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Regime se mantém apesar de queda de líderes
Bolton
também disse à DW que "a única maneira de ter certeza de que o Irã não
terá capacidade de produzir armas nucleares é remover o regime dos aiatolás e a
Guarda Revolucionária".
O
regime sofreu um baque após o assassinato de Ali Khamenei em 28 de
fevereiro, mas, desde então, Trump não indicou se tentará uma mudança real
de regime no país.
"Eles
podem fazer concessões temporárias. Eu não confiaria que cumpririam seus
compromissos no longo prazo, mas parece que estamos caminhando nessa direção,
em que pode haver restrições, inibições ou outras medidas tomadas contra o
programa nuclear, mas a realidade fundamental [de que o Irã ainda teria a
capacidade de desenvolver de armas nucleares] permaneceria."
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Secretário de Guerra de Trump evita confirmar se EUA intensificarão conflito no
Irã
O
secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth,
evitou detalhar os planos militares para o conflito no Irã durante duas audiências realizadas nesta
terça-feira na Câmara dos Representantes e no Senado, em um momento em que o
cessar-fogo parece estar em seu momento mais frágil.
"Temos
um plano para intensificar as medidas, se for necessário. Temos um plano para
reverter a situação, se for necessário. Temos um plano para realocar
recursos", declarou Hegseth.
Apesar
de a representante democrata de Minnesota, Betty McCollum, ter questionado o
secretário com insistência para que fornecesse detalhes sobre os planos do
Exército americano, este comentou que não revelaria publicamente os próximos
passos.
Hegseth
também não esclareceu se o cessar-fogo com o Irã está mantido, apesar da troca
de tiros entre iranianos e americanos nos últimos dias.
"Como
sabem, na maioria dos casos, um cessar-fogo significa que os disparos
cessam", limitou-se a dizer.
Outro
assunto tratado nas audiências no Capitólio foi a redução das reservas de
armamento do Exército dos Estados Unidos, uma preocupação que Hegseth
classificou como "exagerada", afirmando que o país conta com mais
reservas do que o necessário.
"Não
concordo com a afirmação de que as munições estão se esgotando. Isso não é
verdade", afirmou o secretário de Guerra americano.
Sobre a
mesma questão, que tem ocupado parte do debate público nos Estados Unidos pelo
temor de o país ficar desprotegido frente à China ou à Rússia, o general Dan
Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, também se pronunciou para tentar
dissipar os receios.
"Temos
munições suficientes para as tarefas que nos foram incumbidas neste
momento", garantiu Caine.
Durante
as sessões desta terça-feira, o tom de Hegseth foi mais moderado do que o
adotado no mês passado no Capitólio, quando atacou os legisladores, chamando-os
de "maior adversário" dos Estados Unidos por suas resistências em
relação à guerra no Irã.
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Trump diz que não precisa da Otan para lidar com o Irã e
critica aliados
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta
terça-feira que não precisa da ajuda da Otan para lidar com o Irã, porque
Washington já venceu militarmente a República Islâmica, e reiterou suas
críticas pela falta de apoio dos aliados na guerra.
"A
Otan me decepcionou profundamente. A Otan não esteve presente quando precisamos
dela. Não precisamos da Otan, mas, se precisássemos, simplesmente não estaria
lá", disse Trump à imprensa na Casa Branca antes de viajar a Pequim para
se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.
Trump
repetiu que não precisarão de "nenhuma ajuda" de seus parceiros no
Irã. "Venceremos de uma forma ou de outra. Venceremos pela via pacífica ou
de qualquer outro modo", acrescentou.
O
mandatário americano tem criticado repetidamente os países-membros da Otan por
não atenderem ao chamado dos EUA, que, junto a Israel, iniciaram a
guerra contra o Irã no último dia 28 de fevereiro, sem consultar ou avisar
previamente seus parceiros.
Em
resposta aos comentários do chanceler alemão, Friedrich Merz, de que Washington
havia sido "humilhado" por Teerã nas negociações de paz, Trump
ordenou o início da retirada de cerca de 5 mil militares americanos da
Alemanha,
número que pode ser ampliado.
Ele
também recriminou em mais de uma ocasião a decisão da Espanha de não autorizar
o uso das bases de Morón e Rota nas operações militares dos EUA e chegou a
ameaçar cortar todo o comércio com Madri e impor um embargo comercial ao
país.
O
presidente americano disse hoje que não tem pressa em fechar um acordo de paz
com Teerã que não cumpra os objetivos da guerra, já que o bloqueio naval às
costas e portos iranianos lhes dá vantagem no diálogo.
A
trégua na guerra contra o Irã encontra-se em seu momento mais frágil depois que
o próprio Trump classificou como "totalmente inaceitável" a resposta
iraniana à proposta de paz de Washington, cujos detalhes ainda são
desconhecidos.
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Kuwait acusa Irã de enviar membros da Guarda
Revolucionária para realizar ataques
O
Kuwait acusou nesta terça-feira (12/05) a Guarda Revolucionária do Irã de enviar uma equipe ao seu território para atacar
o país e anunciou a detenção de quatro de seus "membros", após um
tiroteio no qual um militar do país árabe ficou ferido.
Em
comunicado, o Ministério das Relações Exteriores kuwaitiano expressou sua
"enérgica condenação pela infiltração na ilha de Bubiyan (no Golfo
Pérsico) por parte de um grupo armado de elementos da Guarda Revolucionária da
República Islâmica do Irã, com o objetivo de realizar atos hostis contra o
Estado do Kuwait".
Além
disso, denunciou um "confronto com as Forças Armadas kuwaitianas antes da
detenção, que resultou em ferimentos a um membro das Forças Armadas do
Kuwait".
Esta é
a primeira vez que o Kuwait anuncia a infiltração em seu território de supostos
membros da Guarda Revolucionária desde o início da guerra, em 28 de fevereiro,
travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, embora as autoridades
kuwaitianas tenham denunciado ataques iranianos com drones e mísseis contra seu
território mesmo após a entrada em vigor da trégua, em 8 de abril.
Em seu
comunicado, a chancelaria salientou "a exigência do Kuwait à República
Islâmica para que cesse imediata e incondicionalmente suas ações hostis ilegais
que ameaçam a segurança e a estabilidade da região e minam os esforços
regionais e internacionais para reduzir a escalada".
Considerou,
ainda, que essas ações "hostis" constituem "uma flagrante
violação da soberania do Kuwait, uma grave infração do direito internacional e
da Carta das Nações Unidas", razão pela qual - ressaltou - o país árabe
"conserva seu pleno e inerente direito à legítima defesa".
Por sua
vez, o Ministério do Interior do Kuwait assegurou que os detidos
"confessaram sua relação com a Guarda Revolucionária" e que
"lhes havia sido encomendada a missão de se infiltrar na ilha de Bubiyan a
bordo de um barco de pesca que tinha sido fretado especialmente para realizar
atos hostis contra o Kuwait".
Informou
também que, no tiroteio, outros "dois dos infiltrados conseguiram
fugir" e que "serão tomadas as medidas legais necessárias contra os
infiltrados (detidos) de acordo com os procedimentos estabelecidos".
O
governo iraniano não reagiu, até o momento, às afirmações kuwaitianas.
O
Kuwait, assim como outros vizinhos árabes do Irã, incluindo Bahrein e Emirados
Árabes Unidos, deteve nas últimas semanas várias pessoas acusadas de espionar
para a Guarda Revolucionária ou de simpatizar com as "agressões
iranianas", em um processo no qual chegou a retirar a nacionalidade de
alguns de seus cidadãos.
Fonte:
DW Brasil

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