quinta-feira, 14 de maio de 2026

Climatério e qualidade de vida: como atravessar fase com saúde e equilíbrio

Muitas mulheres chegam ao consultório médico relatando cansaço, alterações no sono, irritabilidade, ondas de calor e mudanças no corpo — e frequentemente escutam que “é só menopausa”. Essa simplificação pode ser injusta. O climatério é um período de transição hormonal complexo, que merece atenção cuidadosa, sem dramatização, mas também sem negligência.

Entender o que acontece no organismo é o primeiro passo para viver essa fase com mais tranquilidade.

<><> Climatério não é o mesmo que menopausa

O climatério corresponde ao período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher. Ele pode começar anos antes da última menstruação e se estender por um tempo após ela. Já a menopausa é um marco específico: caracteriza-se pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos.

Durante o climatério, há uma queda progressiva na produção de estrogênio e progesterona. Essa oscilação hormonal explica sintomas como irregularidade menstrual, ondas de calor, sudorese noturna, alterações de humor e dificuldade para dormir.

Essa fase não deve ser tratada de forma automática, como se todas as mulheres precisassem do mesmo tipo de intervenção. Tampouco deve ser ignorada, especialmente quando os sintomas impactam a qualidade de vida.

O que realmente merece atenção clínica

As alterações hormonais do climatério repercutem em diferentes sistemas do corpo. O sono costuma ser um dos primeiros a sofrer impacto, seja pelas ondas de calor noturnas, seja por alterações na arquitetura do sono. O cansaço persistente pode afetar humor e produtividade.

Mudanças metabólicas também são frequentes. Muitas mulheres relatam maior facilidade para ganhar peso, especialmente na região abdominal. Essa redistribuição de gordura está associada ao aumento do risco cardiovascular e à resistência à insulina.

A saúde óssea é outro ponto central. A redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose ao longo dos anos.

Do ponto de vista emocional, ansiedade, irritabilidade e sintomas depressivos podem surgir ou se intensificar. Nem toda alteração de humor é exclusivamente hormonal, mas a influência biológica é real e deve ser considerada.

<><> Estratégias para viver melhor essa fase

O climatério não precisa ser sinônimo de sofrimento. Estratégias bem orientadas fazem diferença significativa. A prática regular de atividade física ajuda no controle do peso, protege a saúde cardiovascular e fortalece ossos e músculos. Exercícios de resistência são particularmente importantes para a preservação da massa óssea.

A alimentação equilibrada, rica em proteínas adequadas, cálcio, vitamina D e fibras, contribui para a manutenção metabólica e intestinal. O cuidado com o sono e o manejo do estresse também fazem parte do tratamento.

A terapia hormonal pode ser indicada em casos selecionados, especialmente quando os sintomas são intensos e não há contraindicações. Trata-se de uma decisão individualizada, baseada em avaliação clínica detalhada, riscos e benefícios para cada mulher.

O acompanhamento médico regular permite identificar precocemente alterações metabólicas, cardiovasculares e ósseas, ajustando condutas conforme necessário.

O climatério marca uma transição, não um declínio inevitável. Com orientação adequada e cuidado integral, é possível manter qualidade de vida, autonomia e saúde física e emocional. Informação e acompanhamento são as ferramentas mais poderosas para transformar essa fase em um período de equilíbrio e amadurecimento saudável.

•        44% das brasileiras com menopausa não fazem tratamento, diz estudo

Apesar de a menopausa causar sintomas físicos e emocionais, como cansaço, ondas de calor, insônia e mudanças de humor, 44% das brasileiras não realizam nenhum tipo de tratamento para a condição. É o que aponta uma pesquisa recente realizada pela Ipsos a pedido da Bayer.

O levantamento foi realizado com 800 mulheres de 18 a 60 anos de todas as regiões e classes sociais do Brasil. A pesquisa mostra que, além da falta de tratamento, a menopausa ainda é deslegitimada pela sociedade médica e por familiares das pacientes.

Segundo a pesquisa, metade das mulheres afirma que os sintomas sentidos durante a menopausa já foram tratados como "exagero" ou "algo normal", número que sobe para 65% entre as mulheres na pré-menopausa. Os familiares são citados por 41% delas como a origem do problema, enquanto 38% apontam os profissionais de saúde como os principais "deslegitimadores" — esse índice chega a 55% entre as mulheres de 50 a 60 anos de idade.

"Essa naturalização do sofrimento feminino é um problema histórico. A mulher é ensinada a suportar suas dores, não a tratá-las, e isso pode ter consequências graves na saúde física e mental", afirma Ilza Monteiro, ginecologista e livre-docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A falta de informação sobre a menopausa e suas opções terapêuticas aparece como um obstáculo em comum entre os grupos, atingindo aproximadamente uma em cada cinco mulheres (19%).

"Estamos falando de uma condição biológica e previsível, que deveria ser discutida por todos. Mas, em contrapartida, temos um cenário no qual as mulheres enfrentam tabus e, consequentemente, não conhecem os sintomas, as opções de tratamento e o caminho para encarar essa fase com saúde e qualidade de vida", completa Monteiro.

Além disso, o levantamento mostra que desigualdades no acesso ao tratamento da menopausa são uma das barreiras para que as mulheres tenham os sintomas controlados. Entre as usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), a principal dificuldade está na demora para conseguir consulta com especialistas, enquanto mulheres com plano de saúde citam burocracia ou falta de cobertura como entraves.

<><> Como é feito o tratamento da menopausa?

A terapia de reposição hormonal é uma das principais opções de tratamento para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor e insônia, e para melhorar a vida sexual. No entanto, deve ser personalizada, considerando o histórico de saúde e fatores de risco de cada mulher.

Também existem alternativas não hormonais, como fitoterápicos, antidepressivos em doses adequadas e técnicas complementares, que também podem reduzir desconfortos.

Apesar disso, mais da metade (53%) das mulheres questionadas pela Ipsos este ano relatou que o médico nunca apresentou opções de reposição hormonal, enquanto 14% afirmaram que tiveram apenas um tipo de tratamento prescrito, sem discussão prévia sobre as alternativas disponíveis.

"É um direito da mulher saber sobre todas as opções de tratamento para os sintomas da menopausa e, para isso, a relação com o médico deve ser pautada em evidências científicas e transparência. Só assim conseguiremos combater os medos e mitos que ainda são relacionados à TRH, além de evitar complicações futuras decorrentes da falta de tratamento adequado, como osteoporose, doenças cardiovasculares e outros impactos na qualidade de vida", reforça Monteiro.

Entre aquelas que justificaram por que não fazem uso da TRH, o medo de desenvolver câncer é citado por 22%. Entre a base total de entrevistadas, quando questionadas sobre os medos e receios relacionados à TRH, o câncer também aparece (20%), além do ganho de peso (27%) e risco cardiovascular (18%).

"A ideia de que a terapia de reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama tem origem em estudos antigos ou mal interpretados, como o Women’s Health Initiative, de 2002, que associou o uso prolongado de hormônios a um pequeno aumento de risco. Para a maioria das mulheres, a TRH é segura e altamente eficaz no controle dos sintomas da menopausa. O medo muitas vezes impede que pacientes recebam um tratamento que poderia melhorar significativamente sua qualidade de vida", explica.

 

Fonte: CNN Brasil

 

 

Nenhum comentário: