A pílula diária que pode ajudar a manter peso após parar o uso de canetas emagrecedoras
Uma
nova pílula diária pode ajudar pessoas que deixam de usar canetas emagrecedoras
a permanecerem magras depois, afirma uma pesquisa.
O
medicamento já está disponível nos EUA e poderá ser lançado em breve no Reino
Unido.
Estudos
descobriram que os pacientes que receberam o comprimido orforglipron todos os
dias durante um ano evitaram recuperar grande parte do peso que haviam perdido
— um risco conhecido ao se usar injeções de canetas emagrecedoras.
O
estudo publicado na revista Nature Medicine foi financiado pelo fabricante Eli
Lilly, que também faz o medicamento Mounjaro, para perda de peso.
Mais
pesquisas são necessárias para descobrir quanto tempo alguém pode precisar
ficar em tratamento — algo que pode durar até a vida toda, dizem especialistas.
Engolir
uma pílula pode ser mais atraente para os pacientes do que ter que se injetar,
diz Marie Spreckley, especialista em pesquisa de controle de peso da
Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que não esteve envolvida no estudo.
Mas ela
acrescenta: “Ainda não sabemos o quão duradouros esses efeitos serão por longos
períodos de tempo".
“Este
estudo reforça o crescente reconhecimento de que a obesidade é uma doença
crônica e recorrente que geralmente requer tratamento e apoio contínuos.”
O
orforglipron funciona de forma semelhante às injeções contra obesidade,
imitando um hormônio natural que reduz o apetite e faz você se sentir saciado
por mais tempo.
Nos
EUA, onde está disponível, o preço é mais barato do que os injetáveis atuais,
em torno de US$ 149 (cerca de R$ 720) por mês para a dose mais baixa, em
comparação com mais de US$ 1 mil (cerca de R$ 4,8 mil) por mês para algumas
injeções — embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha anunciado acordos
que visam reduzir o custo de medicamentos populares para perda de peso.
A
fabricante rival Novo Nordisk também tem uma versão oral de seu medicamento
injetável Wegovy, que foi aprovada nos EUA.
O
estudo incluiu 376 participantes nos EUA que já haviam tomado doses do hormônio
GLP-1 — a tirzepatida (Mounjaro) ou a semaglutida (Wegovy) — por mais de um ano
e perderam peso com sucesso.
Eles
foram convidados a interromper as doses e receberam uma pílula contendo
orforglipron ou nenhum medicamento (placebo) para tomar todos os dias durante
um ano. Eles não foram informados do que estavam tomando.
No
final do estudo, os participantes que tomaram orforglipron mantiveram mais de
70% de sua perda de peso anterior, enquanto o grupo placebo manteve cerca de
38-50%.
Os
efeitos colaterais foram comuns, mas leves — incluindo náuseas, constipação ou
diarreia.
Simon
Cork, da Anglia Ruskin University, diz que este é um “estudo muito importante”
que aborda uma limitação fundamental dos medicamentos injetáveis para perda de
peso à base de GLP-1: que os pacientes experimentem uma recuperação
significativa de peso após interrompê-los".
"O
que também é importante observar é que a diminuição da pressão arterial,
lipídios e glicose no sangue também foi mantida nos pacientes que tomavam
medicamentos orais", acrescenta.
Isso,
por sua vez, poderia ajudar a reduzir alguns dos riscos à saúde de longo prazo
da obesidade, como doenças cardíacas.
Fonte:
BBC News

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