quinta-feira, 14 de maio de 2026

Dormir pouco acelera envelhecimento, mas excesso também é prejudicial

Um estudo recente sugere que dormir pouco e dormir excessivamente pode acelerar o envelhecimento de diversos órgãos vitais do corpo. Cérebro, coração, pulmão e sistema imunológico podem ser prejudicados devido a um regime de sono desregulado, aumentando riscos de diversas doenças.

A pesquisa foi conduzida pela Faculdade de Médicos e Cirurgiões Vagelos da Universidade Columbia e publicada na revista Nature nesta quarta-feira (13). Os resultados se baseiam em "relógios biológicos", medidores cada vez mais populares para aferir quantos anos uma pessoa envelhece mais rápido ou mais devagar que sua idade cronológica. Embora a medida seja referente à idade do corpo por inteiro, os órgãos envelhecem em ritmos diferentes.

O líder do estudo, Junhao Wen, professor assistente de radiologia da Universidade Columbia, afirma que outros estudos já indicavam uma associação direta entre sono e envelhecimento. A novidade, no entanto, é que os resultados demonstraram que dormir pouco ou em excesso está associado a um envelhecimento mais rápido em praticamente todos os órgãos, reforçando a relação indissociável entre o corpo e o cérebro.

"O sono é importante para manter a saúde dos órgãos dentro de uma rede coordenada entre cérebro e corpo, incluindo o equilíbrio metabólico e um sistema imunológico saudável", explica o especialista.

O grupo de Wen está na vanguarda da construção de relógios biológicos para órgãos específicos do corpo, que podem fornecer informações mais personalizadas aos pacientes.

"Todos estão entusiasmados com esses relógios biológicos e sua capacidade de prever doenças e riscos de mortalidade", diz Wen. "A questão mais interessante é: podemos vincular os relógios biológicos a um fator de estilo de vida que possa ser modificado a tempo de retardar o envelhecimento?", questiona ele.

<><> Estudo indica relação direta entre o sono e idade no relógio biológico

Como base do estudo, Wen e sua equipe coletaram dados de mais de meio milhão de pessoas no Reino Unido e desenvolveram um sistema de machine learning para relacionar os indicadores de envelhecimento de órgãos. O sistema combinou fontes de dados, imagens médicas, proteínas específicas de cada órgão e moléculas do sangue.

Em seguida, a pesquisa avaliou a relação entre a duração do sono dos participantes, conforme relatado no banco de dados, e suas idades biológicas, com base nos relógios biológicos desenvolvidos, totalizando 23 tipos de 17 sistemas do organismo.

Os resultados demonstraram que tanto dormir pouco (menos de 6h) quanto dormir muito (mais de 8h) estão associados ao envelhecimento mais rápido. Por outro lado, aqueles que relataram dormir entre 6,4 h e 7,8 h demonstraram menor envelhecimento. Isso não significa que a duração do sono por si só faça com que os órgãos envelheçam mais rápido ou mais devagar, mas sugere que tanto a falta quanto o excesso de sono podem ser indicadores de uma saúde geral mais precária.

A relação entre sono e doenças sugere que existe uma conexão direta entre o cérebro e o corpo, além do que imaginamos. “O padrão amplo entre cérebro e corpo é importante porque nos mostra que a duração do sono é uma parte profundamente enraizada em toda a nossa fisiologia, com implicações de longo alcance em todo o corpo", conclui Wen.

<><> Sono é um dos pilares da saúde, afirmam especialistas

Em meio à rotina acelerada, com trabalho e responsabilidades domésticas, a privação de sono passou a ser considerada uma verdadeira epidemia silenciosa por especialistas. No entanto, a qualidade do sono é um dos pilares essenciais para uma vida saudável, ao lado da atividade física e da alimentação saudável.

Ao longo da entrevista, os médicos detalham os impactos no organismo, a curto e longo prazo, quando dormir mal se torna um hábito. Segundo os especialistas, a privação de sono está associada ao aumento do risco de doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares.

Geralmente, a baixa qualidade do sono pode estar relacionada ao estresse, ansiedade e uso excessivo de telas, mas também pode ser sinal de que algo não vai bem na saúde. Segundo os especialistas, os distúrbios do sono mais comuns, como insônia e apneia, ainda são subdiagnosticados no Brasil.

Com base em evidências científicas, os convidados também discutem a relação entre sono, memória, desempenho cognitivo e longevidade, além de apresentarem avanços recentes no diagnóstico e tratamento dos distúrbios do sono.

Por fim, os especialistas explicam o que é a "higiene do sono", conjunto de hábitos que podem ajudar a melhorar a qualidade do sono, e como aplicá-la no dia a dia.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: