terça-feira, 21 de abril de 2026

Fim da CLT e privatizações: os detalhes do assustador plano de governo de Zema

Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo) apresentou, na quinta-feira (16), seu plano de governo intitulado “O Brasil Sem Intocáveis”, com 16 diretrizes que vão guiar políticas em diferentes áreas. Entre as principais propostas, está a flexibilização das leis trabalhistas, imposição de limites à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e redução da atuação do Estado.

De acordo com o documento, Zema pretende reformular o STF, impondo limites à sua atuação e dando mais poder ao Congresso para interferir nas decisões dos ministros. Entre as propostas, estão o aumento para 60 anos a idade mínima dos ministros do STF, a redução de matérias que podem ser levadas ao STF, acabando com competências como matérias criminais e tributárias e o limite das possibilidades de reversão de decisões do Congresso pelo STF

Além disso, o ex-governador quer dar ao Senado mais poder sobre a Suprema Corte, tornando obrigatória a investigação de ministros do quando apoiada pela maioria do Senado ou por iniciativa popular. O plano também prevê o fim do foro privilegiado aos ministros.

<><> Flexibilização das leis trabalhistas

Outro ponto que se destaca no plano de governo de Zema é a flexibilização das leis trabalhistas. O pré-candidato do Novo afirma que deseja criar uma “alternativa flexível à CLT” que permita uma “negociação das regras da contratação” entre trabalhador e empregador. De acordo com sua proposta, haverá uma “prevalência do negociado sobre o legislado”, ou seja, a proposta do empregador estará acima das leis.

O plano prevê que o percentual e o valor da remuneração seja variável de acordo com performance do trabalhador, e que o pagamento de salários possam ser feitos em períodos diários, semanais ou quinzenais.

Além disso, Zema quer permitir que jornada de trabalho diária possa ultrapassar mais de 8 horas – limite fixado atualmente pela CLT -, desde que não ultrapasse as 44 horas semanais.

<><> Estado mínimo e privatizações

Extremamente liberal, Zema propõe reduzir a atuação do Estado com uma “ampla Reforma Administrativa”. A principal proposta é privatizar todas as empresas estatais, além de ampliar parcerias público-privadas em todos os serviços públicos, inclusive saúde e educação, e vender imóveis e ativos públicos sem uso ou não essenciais.

•        Mesmo inelegível, Marçal prepara estratégia da direita para 2026

O empresário Pablo Marçal afirmou que pretende apoiar candidatos da direita nas eleições e intensificar sua atuação política nos próximos meses. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele aparece ao lado do pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo), em uma gravação em tom descontraído.

Na publicação, Marçal declarou que pretende contribuir para ampliar a votação de adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O empresário já havia sinalizado esse posicionamento, ao declarar apoio público ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em agendas recentes.

O vídeo com Zema também faz referência direta a um dos episódios mais marcantes da eleição municipal de São Paulo em 2024. Na gravação, o governador mineiro segura uma cadeira e simula um gesto de arremesso em direção a Marçal, em alusão à agressão protagonizada pelo apresentador José Luiz Datena durante um debate naquele ano.

Apesar da movimentação política, Marçal está atualmente inelegível por decisão da Justiça Eleitoral. Ainda assim, ele afirmou que pretende participar ativamente da campanha, atuando como apoiador de nomes da direita em diferentes estados.

•        Idade mínima no Supremo? Congresso articula novas regras para ministros. Por Denise Rothenburg

Começa a surgir no Congresso um certo consenso sobre a necessidade de dar uma resposta em relação ao desgaste que recai sobre o Supremo Tribunal Federal. Já que o Poder Judiciário tem evitado o que se convencionou chamar de “autocontenção”, a ideia é estabelecer idade mínima para os novos ministros do STF, na casa dos 60 ou 65 anos. É que, nessa altura da vida, um jurista já teria sido testado e teria uma carreira mais sólida. O deputado Danilo Forte (PP-CE) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) estão convencidos de que o Supremo, sozinho, não criará um código de conduta, e querem uma atuação mais enfática no Congresso.

A ideia é caminhar no sentido de uma regulamentação mais rígida, sob vários aspectos. Damares já tem uma PEC que elenca vários fatores. Danilo tem projetos, assim como outros parlamentares também. A ideia de alguns é juntar tudo e ver o que pode ser feito ainda este ano em vários aspectos. A idade mínima para ingressar na Suprema Corte é vista como a saída mais viável no curto prazo, assim como revisar e apertar uma legislação sobre o exercício da advocacia na Suprema Corte por filhos e esposas de ministros do STF.

<><> Paulo Henrique e Daniel Vorcaro

Com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preso e tendendo a fazer uma delação, os investigadores terão condições de comparar tudo o que ele propuser com as informações que o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro apresentará para se livrar da prisão. Se alguém mentir, a PF saberá.

<><> Quitado, mas…

O empréstimo de R$ 3,1 milhões a juros amigos que o senador Flávio Bolsonaro conseguiu no BRB para comprar uma mansão em Brasília volta à baila com a prisão de Paulo Henrique Costa, presidente à época em que o negócio foi fechado. O valor total foi quitado por Flávio em três anos, 27 anos antes do prazo. Mas as dúvidas sobre a concessão dos juros camaradas persistem. Vem mais discussão por aí.

<><> Em apuração

Aliados do ex-deputado Alexandre Ramagem criaram uma espécie de frente parlamentar para descobrir qual grupo da Polícia Federal estava trabalhando com o ICE para que Ramagem fosse preso.

<><> Convergência

O governo desistiu de criar uma estatal para cuidar de terras raras, o que ajuda na construção de um acordo para votação da proposta em breve. Em vez da empresa, a ideia é fortalecer a Agência Nacional de Mineração. Os metais são importantes para fabricação de painéis solares, baterias e transição energética. Daí, a boa vontade para fechar logo uma regulamentação desse tema.

<><> Só falta aprovar

O deputado Zé Silva (União-MG), oriundo de uma região extremamente rica em terras raras, promoveu cursos de profissionalização com os moradores do Vale do Jequitinhonha, no Nordeste de Minas Gerais. A intenção é dar oportunidade para os moradores, em vez de importar profissionais de fora.

•        Deputados apresentam emendas que ameaçam meio milhão de vagas para jovens aprendizes

O Projeto de Lei nº 6.461/2019, conhecido como Estatuto do Aprendiz, está em pauta na Câmara dos Deputados, mas não consegue avançar para votação. A tramitação está travada após deputados, apoiados pela Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, apresentarem emendas que desobrigam 14 setores econômicos do dever de cumprir cotas de contratação de jovens aprendizes. A medida gerou polêmica e ameaça até meio milhão de vagas para jovens no país, segundo a Federação Brasileira de Associações Socioeducacionais de Adolescentes (Febraeda).

Entre outros pontos, as emendas defendem a exclusão de diversos cargos da base de cálculo da cota de aprendizagem, como motoristas, vigilantes, segmentos como call center, telemarketing, segurança e atividades externas. As alterações foram apresentadas pelos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Rodrigo Valadares (PL-SE), Caroline de Toni (PL-SC), Pedro Lupion (Republicanos), entre outros.

“Eles entendem a aprendizagem simplesmente como uma obrigação, e não como uma política de investimento em qualificação profissional”, critica Antônio Pasin, superintendente da Febraeda. Pasin também aponta que as emendas tendem a reduzir “drasticamente” as oportunidades de aprendiz, e que as mudanças introduzem temas “alheios” ao objetivo central do Estatuto, gerando “insegurança jurídica e desestimulando a contratação de aprendizes”.

<><> Entenda o cálculo

No Brasil, empresas com mais de sete empregados são obrigadas a contratar um número mínimo de aprendizes, conforme a legislação da aprendizagem (Lei 10.097/2000). A quantidade de aprendizes é determinada com base em um percentual de 5% a 15% aplicados sobre determinadas funções do quadro de funcionários da empresa. Por exemplo: se uma empresa tiver 100 funcionários incluídos na base, deverá contratar de 5 a 15 aprendizes. Caso parte desses cargos passem a ser desconsiderados, a oferta de vagas pode ser reduzida. Entram no cálculo apenas funções que podem ser aprendidas na prática e cargos que admitem formação profissional.

<><> O que pretende PL

O PL nº 6.461/2019, que fundamenta o chamado Estatuto do Aprendiz, ainda não foi aprovado e tramita na Câmara há seis anos. O objetivo do Estatuto, segundo Antônio Pasin, é modernizar a  mencionada Lei da Aprendizagem, que completou 25 anos em dezembro de 2025. O texto não prevê novas obrigações nem aumenta custos para as empresas. “Nenhuma obrigação nova está sendo criada, nenhum custo está sendo gerado. O Estatuto apenas operacionaliza a lei para trazer segurança jurídica e estabilidade aos programas de aprendizagem. O texto trata, por exemplo, da aprendizagem na administração pública direta, algo que nunca foi regulamentado. Também fala da possibilidade de contratação de aprendizes por segmentos que não são obrigados por lei. A intenção é compilar as principais normas infralegais, como portarias, instruções normativas e decretos que regulamentaram a lei ao longo desses 25 anos”, afirma.

<><> Dificuldade

Para Antônio, a dificuldade para aprovar o texto se deve ao fato de algumas empresas estarem “se aproveitando” da revisão do PL para contestar o projeto e, assim, livrar-se da obrigação de cumprir a norma de cotas. “É um problema grave, de ordem política, aliado a interesses econômicos de segmentos que, ao longo desses 25 anos, nunca cumpriram a Lei da Aprendizagem. São setores que tentam aproveitar a revisão da lei para incluir emendas e destaques com o objetivo de se desobrigar do cumprimento da aprendizagem. Entre eles estão segmentos como call center, telemarketing, transporte, transporte de valores e segurança”, critica.

 

Fonte: JB/Correio Braziliense

 

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