segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA ao Brasil fortalecerá o BRICS e terá maior impacto sobre o país, diz especialista

A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros deve causar mais prejuízos à economia norte-americana do que ao Brasil e ainda acelerar a aproximação entre os países do BRICS. A avaliação é do presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior do Brasil (FCCE), Adair Roberto Carneiro, em entrevista à Sputnik.

Segundo ele, embora as empresas brasileiras sintam os efeitos da medida, o país deverá buscar novos mercados e ampliar as relações comerciais com parceiros do bloco. "Vamos nos reorganizar, encontrar novos mercados e o governo federal ajudará a enfrentar essa tempestade. Vamos superar isso", afirmou.

Para Carneiro, o cenário tende a impulsionar a consolidação de uma nova ordem econômica internacional, com maior protagonismo do BRICS.

"Vejo um fortalecimento cada vez maior do BRICS. China, Índia, Brasil e os novos membros ganham mais relevância. Está surgindo uma nova ordem internacional, baseada em novos mecanismos de monetização, tributação e equilíbrio fiscal. Esse tarifaço não será benéfico para ninguém, mas principalmente para os Estados Unidos, porque provoca um afastamento natural de seus parceiros", disse.

Dados do governo federal indicam que, apesar de mais de 2 mil produtos terem ficado de fora da medida, cerca de 17% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão atingidas. O montante equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões (R$ 37,8 bilhões) por ano.

<><> Empresas buscam alternativas

Carneiro afirmou que os exportadores acompanham o cenário com preocupação, já que a cobrança das novas tarifas começa em 22 de julho, reduzindo o tempo para adaptação. O especialista destacou que setores como os de calçados e madeira estão entre os mais afetados e deverão enfrentar perdas significativas.

"O governo está criando linhas de crédito, mas seremos obrigados a buscar novos mercados. É o momento de o BRICS se unirem ainda mais", afirmou.

Na avaliação do dirigente, a China tende a absorver parte das exportações que deixarem de seguir para os Estados Unidos. Carneiro lembrou que, após a primeira rodada de tarifas anunciada pelo presidente Donald Trump há um ano, as vendas brasileiras para o mercado chinês cresceram 27%.

<><> Críticas às justificativas dos EUA

O presidente da FCCE também contestou os argumentos apresentados por Washington para justificar as novas tarifas, classificando-os como políticos. Entre eles está a alegação de que o Pix prejudicaria empresas norte-americanas.

"O que incomoda é que o Pix escapa um pouco do controle do sistema financeiro internacional. Os Estados Unidos querem concentrar esse controle por meio do SWIFT, mas diversos países querem copiar o modelo brasileiro", afirmou.

Na avaliação de Carneiro, a administração Trump criou um pretexto para justificar a medida e poderá enfrentar consequências. "Os Estados Unidos estão ficando cada vez mais isolados, e isso não é bom nem para eles nem para o restante do mundo", disse.

<><> Retaliação exige cautela

Após o anúncio das tarifas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite a adoção de medidas equivalentes contra produtos norte-americanos.

Na quinta-feira (16), porém, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que uma eventual resposta será adotada "no momento adequado". Para Carneiro, a posição é acertada. Segundo ele, uma reação imediata poderia ampliar o conflito comercial e abrir espaço para novas sanções dos Estados Unidos, inclusive contra bancos brasileiros.

"Isso significaria intensificar o confronto e cair em uma armadilha, o que não seria positivo. Mas também não podemos permanecer passivos diante desse movimento hostil", concluiu.

<><> Brasil sobe ao 2º lugar entre países mais tarifados pelos EUA com nova sobretaxa

O tarifaço de 25% imposto pelos EUA deve elevar a tarifa média sobre produtos brasileiros a 18,2%, colocando o país como o segundo mais tarifado pelos norte‑americanos e ameaçando mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio.

As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, válidas a partir de 22 de julho, devem elevar o Brasil ao segundo lugar entre os países mais tarifados pelo mercado norte‑americano. Segundo a plataforma internacional de monitoramento de políticas comerciais Global Trade Alert, a tarifa efetiva média aplicada ao país chegará a 18,2%, atrás apenas da China.

O cálculo considera a soma temporária das sobretaxas da Seção 301 com a tarifa global de 10% da Seção 122, cuja vigência expira em 25 de julho. As medidas, anunciadas no fim de fevereiro, podem durar até 150 dias, prazo que se encerra na próxima semana.

A tarifa de 25% foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em 15 de julho, após a conclusão de uma investigação que apontou políticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. Indústrias brasileiras tentaram reverter a decisão durante audiência pública em Washington, mas sem sucesso.

Com a entrada em vigor da medida, entidades empresariais alertam para impactos significativos sobre a competitividade nacional. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirma que o país passa a figurar entre aqueles com condições mais restritivas de acesso ao mercado norte‑americano.

Segundo apuração de um portal de notícias brasileiro, a entidade estima que mais de US$ 11 bilhões (mais de R$ 56,21 bilhões) em exportações da indústria e do agronegócio podem ser afetados, ou seja, cerca de 26% das vendas brasileiras aos EUA. O tratamento, segundo a Amcham, contrasta com o superávit de US$ 41,8 bilhões (aproximadamente R$ 213,6 bilhões) dos EUA na relação bilateral em 2025.

De acordo com o relatório citado por Felipe Cima, da Manchester Investimentos, projeta-se uma tarifa efetiva de 16,8% e impacto de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) no fluxo comercial, além de redução de aproximadamente 0,03% no produto interno bruto (PIB) brasileiro.

Ainda segundo a apuração, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também expressa preocupação e destaca que 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os EUA no primeiro trimestre de 2026, tendência que deve se intensificar com o novo tarifaço.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reforça que os efeitos vão além das vendas externas, aumentando a insegurança no comércio internacional e afetando investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas, destacou a mídia.

¨      Com orçamento militar recorde, Brasil se torna a maior potência militar da América Latina, diz revista

Com um orçamento militar impressionante, o Brasil provou seu status de maior potência militar entre os países latino-americanos e ocupou o 11º lugar no ranking Global Firepower 2026, ultrapassando Alemanha, Israel e Irã, relatou a revista Sociedade Militar.

De acordo com a publicação, no ranking Global Firepower 2026, um dos indicadores mais prestigiosos do poder bélico mundial, o país, com um orçamento que supera a soma de todos os outros países sul-americanos combinados, subiu uma posição em relação ao ano anterior e ficou em 11º lugar entre os 145 países que participaram da avaliação.

O índice Global Firepower leva em conta mais de 60 fatores, como poder militar, diversidade de equipamentos, capacidade logística, posição geográfica e condição financeira de cada país. Quanto mais próximo o índice (PwrIndx) estiver de zero, maior será o poder militar estimado.

Assim, em 2026, o índice do Brasil foi de 0,2374, um bom resultado para a América Latina, já que, por exemplo, a Argentina teve índice de 0,6013 e ficou apenas em 28º lugar no ranking mundial.

Destaca-se que, ao contrário de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil é menos dependente da importação de tecnologia e tem apostado no desenvolvimento da produção doméstica de equipamentos militares críticos: veículos blindados, radares, aviões e até submarinos são produzidos internamente.

"O cenário de 2026 marca uma mudança de postura: o Brasil deixa de ser visto apenas como um país de grande extensão territorial e passa a ser reconhecido por sua capacidade de produzir, manter e operar equipamentos militares de ponta, um fator que, segundo o próprio Global Firepower, pesa tanto quanto o orçamento ou o efetivo das Forças Armadas", destaca a matéria.

Hoje, o país tem cerca de 370 mil soldados, o maior contingente da América do Sul. O orçamento de defesa do país é de R$ 142 bilhões (US$ 27,1 bilhões), que é a quarta maior dotação do governo federal.

¨      IA e robôs podem aumentar PIB da América Latina em R$ 2,3 trilhões até 2030, diz estudo

Dependendo da velocidade de integração das novas tecnologias de automatização, o Brasil e outros países da região podem aumentar as suas economias em um total de até US$ 450 bilhões (R$ 2,3 trilhões) até o fim da década, segundo o recente estudo do McKinsey Global Institute.

Mesmo as tecnologias já existentes bastam para automatizar mais da metade das horas de trabalho na América Latina, apontou a pesquisa, observando que vários setores industriais do continente já estão implementando o modelo híbrido de combinar os empregados humanos com os robôs e IA.

Quanto às chances de substituição completa de humanos por robôs, o estudo aponta que tais capacidades puramente humanas como resolução de problemas, trabalho em equipe e comunicação eficiente seguirão sendo insubstituíveis.

<><> China mina dominância dos EUA na IA com modelos que custam 40% menos, informa portal

A vantagem que os Estados Unidos outrora detinham na área de inteligência artificial (IA) avançada desapareceu à medida que a China alcançou rapidamente os modelos que, até recentemente, definiam a superioridade americana, e o fez a um custo muito menor, escreve um portal estadunidense.

O portal aponta que o lançamento do novo e colossal modelo Kimi K3, da Moonshot AI, abala os pilares fundamentais que sustentam o crescimento da IA nos Estados Unidos.

"O Kimi saltou imediatamente para o topo do ranking mundial de IA, superando o Fable 5, da Anthropic, e o GPT-5.6 Sol, da OpenAI, em testes de programação front-end realizados pela Arena, empresa especializada em avaliação de IA. No ranking geral de texto da Arena, o Kimi ficou à frente do Opus 4.8, modelo carro-chefe da Anthropic até o lançamento do Fable 5 em junho, custando 40% menos", detalha a matéria.

Segundo a publicação, a Moonshot AI oferecerá ao mundo um sistema de ponta que qualquer governo ou empresa poderá operar e personalizar internamente, algo que os laboratórios de ponta fechados dos Estados Unidos simplesmente não conseguem igualar.

Enquanto as autoridades norte-americanas se consolavam com estimativas de uma vantagem de seis a 12 meses, a chegada iminente do Kimi destrói essa ilusão, provando que a China pode eliminar a lacuna em tempo recorde e superar as expectativas estadunidenses.

Com preços mais baixos do que os modelos americanos e total personalização, o Kimi não precisa ser o melhor absoluto para quebrar o poder de fixação de preços dos Estados Unidos, desmontar suas fantasias de avaliação bilionária e tornar seus gastos colossais com data centers extremamente ineficientes, observa o artigo.

As proibições de chips por parte de Washington e as acusações de "destilação" soam vazias quando a China demonstra repetidamente que pode produzir IA de ponta com menos recursos e por meio de pura engenhosidade, transformando as barreiras tecnológicas norte-americanas em meros obstáculos.

A verdade fundamental é que, mesmo que os laboratórios dos EUA lancem o GPT-6 ou o Claude Opus 5, a China já provou que pode alcançá-los em questão de meses. Enquanto os Estados Unidos debatem regulamentações de segurança que podem retardar seus próprios laboratórios, a China avança com um modelo mais barato e acessível, que o resto do mundo adotará de bom grado, conclui a reportagem.

Anteriormente, o jornal chinês South China Morning Post escreveu que a China está montando superclusters de computação que integram mais de dez mil chips aceleradores de IA, capazes de dinamizar ainda mais o desenvolvimento tecnológico e reduzir significativamente o tempo de treinamento de modelos.

<><> Como a China está se posicionando como líder na regulamentação global da IA?

A Conferência Mundial sobre Inteligência Artificial e a Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA, inauguradas recentemente em Xangai, confirmam o gigante asiático como ator central na definição do futuro tecnológico, segundo o Global Times.

Segundo o artigo da mídia asiática, a realização de ambos os eventos reflete a crescente expectativa global pelas soluções e propostas regulatórias promovidas por Pequim diante dos rápidos avanços nessa tecnologia. A proposta de Pequim, resumida pelo presidente Xi Jinping, defende uma abordagem centrada nas pessoas, visando tornar a inteligência artificial (IA) um motor de prosperidade compartilhada e segurança comum.

De acordo com a apuração, essas diretrizes buscam corrigir o curso histórico das revoluções industriais ocidentais anteriores, que geraram profundas desigualdades socioeconômicas, exploração e conflitos devido à falta de consenso global em termos de distribuição e regulamentação.

A estratégia de Pequim se baseia em quatro pilares essenciais: promover a inovação aberta, mitigar rigorosamente os riscos regulatórios, fomentar a inclusão cultural e fortalecer a solidariedade internacional. Para a mídia, essa estrutura normativa e conceitual fornece à comunidade internacional ferramentas concretas para superar as atuais divisões tecnológicas e a chamada "exclusão digital", que afeta principalmente os países em desenvolvimento.

A publicação também destaca que a liderança do país asiático nessa área não é apenas conceitual, mas também sustentada por suas capacidades técnicas e comerciais na indústria de código aberto. Segundo o Global Times, o sucesso e a alta eficiência de modelos chineses de grande escala, como o DeepSeek, demonstram que o desenvolvimento de IA de ponta não é mais monopólio exclusivo de algumas potências ocidentais, democratizando o acesso a essas ferramentas essenciais para o Sul Global.

O editorial enfatiza que as promessas de Pequim se traduziram em ações diplomáticas e multilaterais concretas, citando a adoção consensual da Resolução da Assembleia Geral da ONU (AGNU) sobre o desenvolvimento de capacidades em IA. Nesse sentido, iniciativas como a recente fundação da Organização Mundial de Cooperação em IA em Xangai e a implantação de infraestrutura digital acessível no Sudeste Asiático e na África consolidam a posição da China como fornecedora de bens públicos globais essenciais.

Ainda segundo a mídia, a participação massiva de mais de 1.100 empresas de mais de 100 países na Conferência Mundial de Inteligência Artificial demonstra que a comunidade internacional valida o caminho traçado por Pequim. Alinhar-se com as iniciativas regulatórias e de cooperação propostas pela China, acrescenta, equivale a avançar rumo a um futuro digital equitativo, seguro e totalmente integrado para a civilização humana.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Nenhum comentário: