Da
Volkswagen à BMW - crise se espalha nas montadoras alemãs
A BMW
anunciou na quarta-feira (29/07) o corte de até 8 mil postos de trabalho em
todo o mundo, tornando-se a quinta montadora alemã a divulgar grandes reduções
de pessoal. O setor automobilístico enfrenta crescente pressão da concorrência
chinesa, especialmente no segmento de veículos elétricos.
Segundo
a empresa sediada em Munique, as demissões afetarão cerca de 5% da força de
trabalho global, que soma 154 mil funcionários. A BMW, proprietária também das
marcas Mini e Rolls-Royce, afirmou que o impacto será maior sobre as operações
na Alemanha.
Embora
fosse considerada mais resistente à concorrência chinesa, a BMW alertou no mês
passado que suas vendas na China estão caindo acentuadamente. A disputa no
mercado de veículos elétricos com as montadoras do gigante asiático diminuiu o
poder de precificação da alemã.
No ano
passado, as entregas de veículos da montadora na China caíram para o menor
nível desde 2017. No trimestre encerrado em junho, o recuo foi de 30% na
comparação com o mesmo período do ano anterior.
As
tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também
contribuíram para as dificuldades, juntamente com o aumento dos preços da
energia decorrente da guerra entre EUA, Israel e Irã e a expansão das
fabricantes chinesas em outros mercados importantes, incluindo Europa,
Ásia-Pacífico e América Latina.
Na
quinta-feira, a empresa informou que o lucro líquido do segundo trimestre caiu
35%, para 1,2 bilhão de euros (R$ 7 bilhões), enquanto a receita recuou de 34
bilhões (R$ 199 bilhões) para 31 bilhões de euros (R$181 bilhões). A BMW
revisou suas projeções para o restante do ano e alertou para uma "queda
significativa" nos lucros.
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Nem a Porsche escapa
Dois
dias antes, a Porsche anunciara planos para cortar mais 5 mil empregos na
Alemanha até o fim de 2035. O número corresponde a cerca de um em cada cinco
funcionários da empresa.
A
fabricante de carros esportivos informou que as novas medidas afetarão sua
principal fábrica, em Stuttgart-Zuffenhausen, e seu centro de pesquisa e
desenvolvimento na vizinha Weissach.
No ano
passado, a Porsche já previra a eliminação de 1,9 mil postos de trabalho na
região até 2029 e o encerramento de 2 mil contratos temporários.
A
empresa também vai adiar aumentos salariais, enquanto os bônus por desempenho
passarão a estar mais diretamente vinculados aos lucros.
A
Porsche, que pertence ao Grupo Volkswagen, mas opera com elevado grau de
independência, também reduziu vagas em sua fábrica de Leipzig e está fechando
três subsidiárias que empregam cerca de 500 pessoas.
No fim
do ano passado, a Porsche tinha quase 41,8 mil funcionários, dos quais cerca de
85% estavam na Alemanha.
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Cortes profundos na Volkswagen
A
Volkswagen, maior montadora da Europa, dobrou no mês passado seu programa de
redução de pessoal e anunciou planos para eliminar até 100 mil empregos. A
empresa também pretende fechar quatro fábricas na Alemanha.
Os
sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto na
companhia e tem poder de veto sobre decisões estratégicas, rejeitaram os novos
planos. Inicialmente, a Volkswagen havia informado que reduziria 50 mil postos
de trabalho.
A
montadora é conhecida por seu quadro de pessoal inflado, com cerca de 630 mil
funcionários em todo o mundo, ou 680 mil se consideradas as joint ventures
chinesas.
O grupo
sediado em Wolfsburg emprega aproximadamente 60% mais trabalhadores que a
Toyota, apesar de produzir quantidade semelhante de veículos.
O
grande contingente de funcionários, antes visto como símbolo da força
industrial alemã, se transformou em peso financeiro diante da intensificação da
concorrência das fabricantes chinesas de veículos elétricos.
A
Volkswagen mantém internamente mais etapas da produção do que os concorrentes,
o que aumenta a demanda por mão de obra. Além disso, os custos de produção nas
fábricas alemãs costumam ser até duas vezes maiores que os de seus rivais.
O
avanço considerado lento da empresa no segmento de veículos elétricos também
enfraqueceu suas vendas na China, mercado que já representou um terço das
entregas globais, além da Europa.
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Mercedes reduz quadro sem demissões
Em
março do ano passado, a Mercedes-Benz acertou com seu conselho de trabalhadores
um plano para economizar 5 bilhões de euros (R$ 29 bilhões) até 2027. No
entanto, a empresa descartou demissões compulsórias em suas fábricas alemãs,
defendendo que saídas voluntárias seriam suficientes para implementar as
mudanças.
Até
março deste ano, cerca de 5.500 funcionários das áreas administrativa, de
pesquisa e desenvolvimento e de tecnologia da informação haviam aderido a
programas de desligamento. Os trabalhadores da produção permaneceram
protegidos.
No mês
passado, a Mercedes adiou para 2027 o pagamento de um bônus a quase três
quartos de sua força de trabalho na Alemanha e propôs ampliar a jornada semanal
de 35 para 40 horas sem aumento salarial.
Executivos
da empresa indicaram que algumas funções poderão ser transferidas para outros
países. Foram relatadas ainda reduções de pessoal nas operações da montadora na
China.
Na
terça-feira, a Mercedes afirmou ter registrado baixas contábeis superiores a
700 milhões de euros (R$ 4 bilhões) devido à forte concorrência na China.
Embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha crescido 13,5%, alcançando 1
bilhão de euros (R$ 6 bilhões), o lucro operacional da principal divisão de
automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros (R$ 5 bilhões).
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Audi também sob pressão
A Audi,
controlada pela Volkswagen, anunciou no ano passado planos para eliminar até
7,5 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2029.
A
empresa descartou demissões compulsórias e informou que os cortes nas áreas
administrativa e de pesquisa e desenvolvimento ocorrerão por meio de programas
voluntários e aposentadorias antecipadas.
No
entanto, no mês passado, a fábrica da Audi em Neckarsulm foi incluída pela
controladora Volkswagen entre as unidades que poderão ser fechadas em 2030. A
medida pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.
Fonte:
DW Brasil

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