sexta-feira, 31 de julho de 2026

Inspiradas pela ‘Mãe da Pátria’, mulheres negras na Argentina reivindicam pautas históricas

Na Argentina, a Mãe da Pátria é negra. María Remedios del Valle, nascida em Buenos Aires na segunda metade do século XVIII, foi um dos principais nomes da independência do país e ficou conhecida pela bravura e pela solidariedade aos colegas de luta. Em 2024, em um gesto de reconhecimento, o país estampou a imagem do rosto de Remedios del Valle nas notas de 10 mil pesos. Antes, ela se tornou a primeira mulher representada em um quadro na Câmara dos Deputados.

Com tamanho simbolismo, seria de se pensar que o tema do racismo, especialmente contra mulheres negras, estivesse no centro da pauta política do país vizinho. Essa não é a realidade, muito embora a agenda tenha avançado nos últimos anos.

“O racismo é um tema delicado e difícil. Em nossa sociedade, ele praticamente não era debatido até muito recentemente. Mesmo agora, a discussão costuma acontecer de forma dicotômica, sem levar a uma reflexão mais profunda. ‘A Argentina é um país racista’ ou ‘A Argentina não é racista’. Mas a imagem que muitas pessoas têm de um país racista não corresponde à realidade vivida pelos afrodescendentes na Argentina”, explica, em conversa com o Brasil de Fato, a professora Miriam Gomes Lima, afroargentina de origem caboverdeana, intelectual, ativista e criadora da Cátedra África na América Latina, da Universidad Nacional de las Artes (UNA).

Para ela, o racismo é estrutural na Argentina. “Ele se manifesta nas instituições, na quase inexistente presença negra nos meios de comunicação, no sistema educacional e nos três Poderes do Estado. Além disso, enfrentamos diariamente diversas formas de microrracismo”, salienta.

Nada muito diferente do Brasil, apesar de que as proporções devem ser guardadas, por conta dos diferentes processos históricos, lá e cá. Segundo o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) no último dia 23 de julho, o Brasil experimentou um aumento de 13% nos casos de racismo e de 9,2% nos de injúria racial, entre 2024 e 2025. Essa é uma amostra mínima, mas exemplificadora, de uma prática que atravessa a sociedade brasileira desde a sua própria constituição.

<><> O quadro dos movimentos de mulheres negras na Argentina

No país vizinho, o mito da “Argentina Branca” contribuiu e contribui para a disseminação de uma certa ideia de país em que suas elites são, a grosso modo, o espelho das elites europeias, só que residentes no lado ocidental do Rio da Prata. Com certa frequência – como na Copa do Mundo em 2026 –, o debate sobre o racismo na Argentina ganha contornos mais amplos.

No caso das mulheres negras argentinas, o exemplo de Maria Remedios está longe de ter se perdido no tempo. “Historicamente, foram as mulheres que criaram e dirigiram a maior parte das organizações negras em nosso país. Desde séculos atrás, com as confrarias, as nações ou casas de nação, as sociedades de ajuda mútua e, mais recentemente, as ONGs, essas iniciativas foram, em sua maioria, criadas e lideradas por mulheres negras”, diz Miriam Gomes.

Algumas conquistas importantes demoraram, mas chegaram. Em 2010, o país passou a incluir no censo perguntas sobre afrodescendência para uma amostragem. A questão só passou a ser aplicada de modo universal em 2022. Já em 2023, o Legislativo argentino aprovou a Lei 26.852, que instituiu o dia 8 de novembro (dia do falecimento de Maria Remedios del Valle) como o Dia Nacional dos Afro-Argentinos e da Cultura Afro.

Em relação à violência de gênero, a Argentina é uma das pioneiras na criminalização da prática, com uma lei que remonta a 2012. Pouco tempo depois, em 2015, surgiu no país o movimento “Ni Una Menos“, na esteira de protestos realizados naquele mesmo ano, quando meio milhão de pessoas foram às ruas em protesto contra o feminicídio de Chiara Páez, adolescente grávida assassinada pelo namorado.

Além disso, em 2025, o país registrou 200 casos diretos de feminicídio, segundo dados do Registro Nacional de Feminicídios do Sistema Judiciário Argentino (RNFJA), elaborado pela Secretaria da Mulher da Suprema Corte do país. Esse dado, que corresponde a um feminicídio a cada 44 horas, é o mais baixo de toda a série histórica. Enquanto isso, no Brasil, foram 1.517 vítimas do mesmo crime no ano passado, segundo o Anuário. O número é 4% superior ao do ano passado, e os casos de feminicídio seguem batendo recordes, ano após ano.

Como então articular na Argentina as pautas dos movimentos de mulheres negras com as demandas dos movimentos feministas não negros? A pergunta é especialmente sensível, dadas as diferenças de condições entre feministas argentinas brancas de classe média e as migrantes negras, na hora de participar de greves e movimentos.

Miriam Gomes destaca aquilo que é comum. “Essa articulação ocorre, sobretudo, por meio do Encontro Nacional de Mulheres, realizado há mais de 30 anos na Argentina. Em 2017, em Rosário, foi criado, pela primeira vez na história desse encontro, um espaço específico para mulheres afrodescendentes”, diz.

Os movimentos de mulheres negras na Argentina comungam pautas, embora sejam diversos nas suas atividades. Estão, muitas vezes, inseridos no arco de ações de movimentos negros mais amplos. São os casos da África Vive (fundado pela histórica líder ‘Pocha’ Lamadrid), da Afro Mujeres y Disidencias Rosario, da Associación Misibamba, da Agrupación Xangô e da Sociedad Caboverdiana, que teve Miriam Gomes como primeira presidenta.

<><> Interlocução com o Brasil

“Aqui, sempre me perguntam: ‘O que vocês fizeram no Brasil para conseguir isso [a institucionalização brasileira do combate ao racismo]?”, conta ao Brasil de Fato a historiadora brasileira Danielle Santana, ativista afrofeminista e residente em Buenos Aires há quase uma década.

Segundo Santanna, há uma articulação importante entre ativistas brasileiras e argentinas. Ela cita as mobilizações do 25 de julho (Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha) e do 8 de novembro. No último caso, mulheres negras brasileiras participaram do processo de criação da lei que estabeleceu o marco simbólico da data.

“Existe abertura para sermos convidadas a participar de espaços institucionais, como a Assembleia Nacional”, diz Santana, que apresenta uma diferença: em geral, as mulheres negras argentinas costumam ser mais regionalistas que as do Brasil, em matéria de ativismo.

“Elas conseguem buscar referências em Lélia Gonzalez, em Marielle Franco e nas políticas públicas brasileiras. Procuram entender o que deu certo no Brasil e que ainda não aconteceu aqui”, explica. Marielle Franco, aliás, é um caso emblemático. Em 2021, uma placa em homenagem à vereadora carioca, assassinada em 2018, foi inaugurada na estação “Rio de Janeiro” do metrô portenho, no bairro de Caballito.

Em termos de comparação, uma dificuldade a mais para as mulheres negras argentinas tem a ver com a ausência de dados censitários consolidados, quando se compara com o Brasil. “Ao longo da história argentina, houve um apagamento da população afrodescendente. As organizações daqui estimam que existam cerca de dois milhões de pessoas afrodescendentes, justamente por causa da questão do colorismo”, avalia Santanna.

<><> O governo Javier Milei ajudou a piorar o quadro.

Foi do ultradireitista a ideia de desmontar o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (Inadi), criado em 1996 pela Lei de Atos Discriminatórios. O presidente argentino argumentou que o órgão seria um “cabide de empregos” e que carecia de utilidade.

“Quando deixa de existir um órgão em que as pessoas podem denunciar discriminações, elas ficam sem referência institucional. Se o próprio presidente afirma que essa pauta não importa, a sensação é justamente essa: não há para onde levar essas denúncias”, explica Danielle Santana, pontuando que nota um aumento da xenofobia desde o início do governo Milei.

Apesar de Milei ter extinto o órgão (algo que nem governos anteriores de direita, como o de Mauricio Macri, conseguiram), o presidente argentino não revogou a lei que deu origem ao Inadi.

O que restou, então, às mulheres negras argentinas? “Começamos a articular com organismos supranacionais, como as Nações Unidas e a ONU Mulheres. São organismos com os quais temos um diálogo interessante, mas que não podem interferir nas políticas internas do país. Ainda assim, tentamos algumas ações em conjunto”, explica Miriam Gomes.

Essas ações, conclui Gomes, visam ampliar a resistência e a capacidade de mobilização dos movimentos de mulheres negras argentinas, que, ano após ano, seguem existindo e se fazendo presentes no debate público do país.

¨      Cristina Kirchner denuncia perseguição da Justiça argentina à ONU: 'jamais me dobrarei'

A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta quarta-feira (29/07) ter apresentado uma comunicação ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas contra sua condenação, que determinou seis anos de prisão e a proibição de exercer cargos públicos.

Em carta aberta, intitulada “O custo democrático da politização da Justiça”, a ex-presidente argentina diz que as decisões da Justiça argentina contra ela configuram graves violações de direitos humanos. “Todas e cada uma das arbitrariedades cometidas contra mim têm um só objetivo: proscrever-me da vida política”, afirma.

“A proscrição perpétua é, na realidade, a pena principal. A privação da liberdade por seis anos é apenas a acessória”, avalia, ao destacar que a ofensiva judicial, não atinge apenas sua trajetória individual, mas “tem como destinatário um projeto político e, acima de tudo, a vontade soberana do povo argentino”.

Cristina atribuiu parte da perseguição ao “machismo” existente em setores do sistema judicial argentino. “Durante anos se pretendeu julgar-me não apenas por meus atos, mas fundamentalmente por minha condição de mulher”. “Por ter exercido a liderança política com firmeza e por nunca ter aceitado os privilégios daqueles que sempre acreditaram que o poder lhes pertencia exclusivamente”, acrescentou.

“Sendo a única mulher eleita e reeleita Presidente da República Argentina e, ao mesmo tempo, com os desastres que foram causados ao longo da história em nosso país… Ser o único ex-presidente condenado pela Suprema Corte? Alguém realmente pode achar que isso é coincidência?”, questionou. Ela mencionou que o grau de violência, estigmatização e arbitrariedade dessa perseguição judicial incentivaram o atentado que sofreu em setembro de 2022.

“Não estamos simplesmente diante de uma injustiça individual”, afirmou. A presidente argentina lembrou que, após o episódio, um grupo de juristas internacionais, incluindo magistrados do Brasil, Itália, Espanha e Equador, denunciaram as violações de seus direitos. “Depois veio a condenação e a proibição no caso ‘Vialidad'”, disse.

<><> Juízes terão de responder

O recurso encaminhado às Nações Unidas, explicou, parte do entendimento de que os instrumentos internacionais devem atuar “quando os mecanismos internos de um país deixam de proteger as pessoas diante dos abusos do poder”.

Segundo Cristina, todos os magistrados argentinos que participaram de seu julgamento serão submetidos ao escrutínio do Direito Internacional dos Direitos Humanos. “Ali deverão responder não perante um governo nem perante um partido político, mas perante os princípios universais de independência judicial, devido processo, igualdade perante a lei e proteção efetiva dos direitos fundamentais”, acrescentou.

Para reforçar a nova fase de sua defesa, ela anunciou a incorporação de dois advogados estrangeiros: o espanhol Javier Borrego e o brasileiro Rafael Valim. Segundo ela, ambos possuem trajetória internacional na proteção dos direitos humanos. “Sua experiência, sua autoridade acadêmica e seu compromisso com o Estado de Direito contribuirão para que esta causa concreta seja examinada com o rigor jurídico que merece”, afirmou.

A ex-presidente denunciou seu caso como lawfare, a utilização do sistema judicial contra lideranças políticas, afirmando que “mudam os países, mudam os nomes, mudam as circunstâncias, mas o método é o mesmo: converter o Direito e o sistema de Justiça em uma arma política para eliminar adversários que não puderam ser derrotados pelo voto”.

<><> ‘Não desistam’

Cristina disse pretende responder às decisões judiciais “não com ódio ou violência”, mas com “mais Direito, democracia e verdade” recorrendo aos mecanismos internacionais de proteção dos direitos humanos. E acrescentou: “jamais me dobrarei diante daqueles que acreditam que podem vencer mediante a perseguição e o medo. Nunca poderão quebrar minhas convicções nem meu compromisso com a Argentina”.

Ela pediu a seus apoiadores que “não desistam” e “não permitam que lhes roubem a esperança”. E prometeu: “voltaremos a caminhar juntos. Voltaremos a construir uma Argentina onde a solidariedade volte a ser um valor, onde a equidade volte a orientar o destino da Nação e onde a dignidade do povo esteja sempre acima de qualquer privilégio”.

¨      Rachaduras estão aparecendo na base eleitoral de Trump. Por Steven Greenhouse

Se algum grupo demográfico foi fundamental para as vitórias eleitorais de Donald Trump em 2016 e 2024, foram os eleitores brancos da classe trabalhadora. Mas, em uma notícia talvez perigosa para os republicanos, o apoio a Trump por parte desse grupo despencou — à medida que muitos eleitores brancos da classe trabalhadora se mostram descontentes com tudo, desde o aumento da inflação e dos preços da gasolina até a guerra de Trump contra o Irã. Essas rachaduras gritantes na base de apoio de Trump entre os operários apontam para grandes problemas para os republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro.

Em 2024, Trump conquistou 66% dos eleitores brancos sem diploma universitário, mas uma nova pesquisa da CBS News revelou que 54% desse grupo demográfico desaprovam seu desempenho. Esse número representa um aumento em relação aos 45% de desaprovação em fevereiro (antes de Trump iniciar os bombardeios ao Irã) e um aumento acentuado em relação aos 32% de fevereiro de 2025.

Isso revela profundas fissuras na base eleitoral de Trump, composta por eleitores brancos da classe trabalhadora, um grupo que o então candidato Trump cortejou prometendo endurecer as leis de imigração, reduzir os preços desde o primeiro dia de mandato , trazer de volta empregos na indústria e não iniciar novas guerras no exterior. Muitos eleitores da classe trabalhadora percebem que Trump não cumpriu nenhuma dessas promessas, com exceção de sua repressão massiva contra imigrantes – repressão que, no entanto, se tornou impopular após agentes mascarados de Trump terem assassinado Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis.

A base eleitoral de Trump , composta por trabalhadores da classe operária, não obteve os preços mais baixos que ele prometeu; em vez disso, enfrenta uma inflação dolorosa de 4,2% , a maior taxa em três anos. Trump falhou completamente em outra promessa importante para os americanos da classe trabalhadora: aumentar os empregos na indústria. Desde que Trump retornou ao cargo, o número de empregos em fábricas diminuiu em 68.000 . Quanto à promessa de Trump de não iniciar nenhuma guerra no exterior, muitos americanos da classe trabalhadora estão furiosos com o fato de ele ter lançado sua guerra fracassada contra o Irã, que, para seu enorme desgosto, elevou os preços da gasolina e dos alimentos.

Peggy Liff, uma soldadora de 57 anos de Ohio que votou três vezes em Trump, disse que ficou entusiasmada com a baixa inflação durante o primeiro mandato de Trump, mas agora está chateada com ele. "Ele está se concentrando em outras coisas, como no exterior, o Irã", disse ela ao Washington Post . "Ele diz que está fazendo isso por nós, mas não vejo onde isso está acontecendo."

O fato de uma parcela considerável da base operária de Trump ter se desiludido com ele deveria ser uma vantagem para os candidatos democratas em Iowa, Carolina do Norte, Ohio, Texas e outros estados com uma grande classe trabalhadora branca. Para aumentar suas chances de retomar a Câmara e o Senado, os democratas precisam explorar o crescente descontentamento da classe trabalhadora com Trump e os republicanos. E não podemos esquecer que não são apenas os eleitores brancos da classe trabalhadora que se voltaram contra Trump – muitos afro-americanos, hispânicos e asiático-americanos da classe trabalhadora também estão descontentes com o fato de Trump ter mergulhado os EUA na guerra, com a disparada dos preços da gasolina, com o aumento de 32% no preço do tomate , 17% no preço do café e 13% no preço da carne bovina no último ano .

Enquanto Trump se concentrava em guerrear contra o Irã e construir seu luxuoso salão de baile e o arco de 76 metros de altura que servirá principalmente como monumento ao seu ego, os americanos da classe trabalhadora estavam descontentes com muitas das políticas de Trump. Eles não gostam das tarifas, que aumentaram os preços de muitos itens, de móveis a café e frutas frescas. Muitos americanos estão irritados porque, embora Trump tenha apoiado mais de US$ 1 trilhão em cortes de impostos para os ultrarricos em seu "grande e belo projeto de lei", ele prejudicou os americanos da classe trabalhadora ao defender um projeto que cortou o Medicaid e a assistência alimentar em mais de US$ 1 trilhão .

Os americanos da classe trabalhadora percebem o rápido aumento da desigualdade de renda e riqueza no país. Uma manchete do New York Times capturou o sentimento de muitos americanos menos abastados: "Salários estão caindo. Riqueza está aumentando. Não é de se admirar que os americanos estejam infelizes." A reportagem do Times observou que, na mesma semana em que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo, um relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho constatou que a alta dos preços da energia havia anulado 18 meses de ganhos salariais para o trabalhador americano médio. Muitos americanos da classe trabalhadora certamente não gostam do fato de Trump gostar de ter bilionários ao seu lado, de Trump ter pressionado repetidamente para enfraquecer os sindicatos e de ter permitido que Musk agisse sem controle, cortando verbas de agências federais e demitindo funcionários federais dedicados.

Por conta de todos esses fatores, a popularidade de Trump está em baixa entre os americanos da classe trabalhadora, mesmo enquanto ele tenta conquistá-los com debates acalorados na Casa Branca. De acordo com uma pesquisa recente da Fox News, apenas 33% dos eleitores brancos da classe trabalhadora aprovam a forma como Trump lidou com a economia e apenas 25% aprovam sua gestão da inflação. Em uma boa notícia para os democratas, uma pesquisa recente da NPR/PBS News/Marist revelou que 44% dos eleitores brancos sem diploma universitário disseram que eram mais propensos a votar em um candidato democrata ao Congresso este ano do que em um republicano, um aumento em relação aos 30% registrados pouco antes das eleições de meio de mandato de 2018.

John McLaughlin, um pesquisador de opinião republicano que trabalha há muito tempo para Trump , afirma que esse desencanto é perigoso para os republicanos. "São os eleitores da classe trabalhadora que não estão satisfeitos com o Partido Republicano e podem não comparecer às urnas", disse McLaughlin ao New York Times .

Trump piorou a situação para os republicanos com algumas declarações insensíveis que demonstraram uma enorme indiferença em relação às dezenas de milhões de americanos que enfrentam dificuldades econômicas. Na semana passada, com a inflação em alta, Trump disse a repórteres: " Eu adoro a inflação ". Isso aconteceu um mês depois de Trump ter dito: " Eu não penso na situação financeira dos americanos ", supostamente porque estava muito preocupado em vencer a guerra contra o Irã.

Esses comentários renderiam ótimos anúncios de campanha para os democratas. Mas os democratas precisam fazer mais do que apenas atacar Trump. Precisam apresentar ideias que empolguem os americanos da classe trabalhadora, como a criação de novos impostos sobre bilionários para liberar bilhões de dólares e, por exemplo, tornar o cuidado infantil muito mais acessível. Os democratas também deveriam impulsionar algumas das ideias defendidas pelo grupo progressista do Congresso , entre elas tornar a gasolina mais acessível por meio da imposição de um imposto sobre lucros extraordinários das grandes petrolíferas e usar esse dinheiro para subsidiar a compra de gasolina. (Os lucros das grandes petrolíferas dispararam recentemente devido à guerra com o Irã.) Com os preços dos imóveis em alta, os democratas deveriam oferecer uma forma de tornar a moradia mais acessível, propondo um auxílio de US$ 20.000 para a entrada de compradores de primeira viagem.

Um número crescente de democratas entende a importância de uma mensagem pró-trabalhador, mas ainda não o suficiente. Está cada vez mais claro que Trump e os republicanos praticamente não estão fazendo nada para melhorar a situação dos trabalhadores americanos, e isso significa que os democratas precisam se mobilizar. À medida que a base de apoio de Trump se desilude com ele, as chances dos democratas nas eleições de meio de mandato aumentam consideravelmente.

 

Fonte: Por André Lucena, em Brasil de Fato/Opera Mundi/The Guardian

 

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