Empresas
investigadas por fraude na prefeitura de Salvador têm mais de R$ 11 mi em
contratos com governo da BA
As
empresas LN Distribuidora e Comércio Ltda, G3 Polaris Serviços Ltda, MP2
Construções Eireli e Podium Distribuidora Ltda, investigadas pelo Ministério
Público da Bahia (MP-BA) na operação que apura um suposto esquema de fraudes
envolvendo contratos da Prefeitura de Salvador, também mantiveram contratos com
o Governo da Bahia.
O
levantamento realizado pelo Bahia Notícias com base em registros oficiais de
pagamentos aponta que, juntas, as quatro companhias receberam R$ 11.023.318,93
da administração estadual entre 2023 e 2026. A empresa com maior volume de
recursos é a LN Distribuidora e Comércio Ltda, que acumula R$ 5.265.843,34 em
pagamentos.
Os
principais repasses foram feitos pelo Fundo Estadual de Saúde, responsável pela
maior parte dos contratos, além da Defensoria Pública do Estado, que realizou
pagamentos de maior valor individual, como R$ 65.961,48, em dezembro de 2023, e
R$ 38.078,27, em março do mesmo ano. Os registros abrangem o período entre
janeiro de 2023 e junho de 2026.
Na
sequência aparece a G3 Polaris Serviços Ltda, que recebeu R$ 2.352.114,56. Os
maiores contratos foram firmados com a Secretaria da Administração (Saeb),
incluindo pagamentos de R$ 304.256,49, em setembro de 2025, R$ 189.127,97, em
março de 2026, e R$ 183.108,36, em novembro de 2025. A empresa também prestou
serviços para a Polícia Civil da Bahia, vinculada à Secretaria da Segurança
Pública (SSP-BA).
A
Podium Distribuidora Ltda aparece com R$ 1.737.364,82 em recursos recebidos do
Estado. Os contratos estão distribuídos entre diversos órgãos, como Gabinete do
Governador, Secretaria da Educação, Secretaria da Saúde, Tribunal de Contas do
Estado (TCE), Defensoria Pública, Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e outras
secretarias estaduais, com pagamentos recorrentes entre 2023 e 2024.
Já a
MP2 Construções Eireli soma R$ 1.667.996,21, com todos os pagamentos
concentrados na Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia
(Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). Entre os
maiores valores estão R$ 262.223,24, em março de 2025, e R$ 216.493,27, em
agosto de 2024.
As
contratações estaduais, no entanto, não fazem parte da investigação da operação
que levou ao afastamento do então secretário municipal de Articulação
Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e do vereador George, o
Gordinho da Favela. Até o momento, a apuração do Ministério Público está
restrita aos contratos firmados no âmbito da administração municipal da capital
baiana.
CONTRATOS COM MUNICÍPIOS
A
revelação amplia o alcance das empresas investigadas pelo MP-BA. Como mostrou o
BN, além dos contratos com a Prefeitura de Salvador, as companhias também
mantiveram vínculos com 34 municípios baianos entre 2018 e 2026.
• TCU acha irregularidades em 82% das
emendas Pix fiscalizadas em maior auditoria sobre o tema
O TCU
(Tribunal de Contas da União) identificou superfaturamento, indícios de fraude
em licitações, pagamentos sem comprovação, desvio de finalidade e um conjunto
de falhas de transparência e rastreabilidade na maior auditoria já realizada
sobre as emendas parlamentares.
Na
amostra de 100 emendas Pix auditadas, a fiscalização do tribunal encontrou
problemas em 82% delas, direcionadas a 61 dos 74 entes (estados e municípios)
fiscalizados.
Como há
indícios de crime, os achados serão encaminhados à Polícia Federal, ao
Ministério Público e à CGU (Controladoria-Geral da União) para eventual
instauração de investigações criminais e administrativas. Entre os casos que
chamaram a atenção dos auditores, estão contratos para festas, shows e eventos
culturais e esportivos bancados com emendas.
Com
nome técnico de transferências especiais, as emendas Pix foram criadas pelo
Congresso por emenda constitucional em 2019, permitindo que os recursos fossem
transferidos diretamente para o caixa de estados e municípios, sem necessidade
de convênios com a União. Mas passaram a ser alvo de questionamentos por causa
da dificuldade de acompanhar sua execução.
O
volume de recursos fiscalizado pelo TCU alcançou R$ 198,11 milhões. O
levantamento, obtido pela reportagem, consolida os resultados de 24 auditorias
conduzidas em todo o país sobre as emendas Pix executadas entre 2020 e 2024 e
será encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para subsidiar o julgamento
da ação relatada pelo ministro Flávio Dino que trata do tema.
Segundo
o relatório, os auditores identificaram R$ 55,4 milhões em potenciais danos ao
erário na amostra fiscalizada.
Desse
total, R$ 26,4 milhões estão relacionados ao uso irregular das contas bancárias
destinadas às emendas Pix, prática que compromete a rastreabilidade dos
recursos.
Os
auditores apontam a utilização das contas como “contas de passagem”, com
movimentação dos recursos para outras contas sem a devida identificação da
aplicação final do dinheiro.
Outros
R$ 15 milhões se referem a pagamentos sem comprovação jurídica ou fiscal
idônea, despesas incompatíveis com a finalidade da transferência e pagamentos
sem comprovação da execução
Também
houve desembolsos sem comprovação da quantidade ou do objeto executado e
despesas sem cobertura contratual.
Outros
R$ 14,1 milhões estão ligados à não execução de obras, superfaturamento e
outras irregularidades na execução física dos contratos.
O TCU
relata ter encontrado casos de fraude em licitação, concorrência forjada,
restrição à competitividade, contratação direta irregular, contratação de
empresas declaradas inidôneas, publicidade inadequada e sobrepreço.
Em
parte dos casos, os auditores identificaram indícios de direcionamento de
certames, participação de licitante único, empresas ligadas a agentes públicos
e os mesmos representantes atuando em empresas concorrentes.
Também
foi constatada a ausência de relatórios de gestão no Transferegov, sistema do
governo federal que centraliza o processo de repasse. Segundo o TCU, essas
práticas comprometem a transparência e a rastreabilidade das emendas e precisam
ser revistas.
O
relatório não informa quem são os parlamentares autores das emendas. Fontes do
tribunal argumentam que a intenção do trabalho é mostrar falhas na gestão e a
necessidade de maior transparência.
Segundo
o tribunal, as situações envolvendo fraude à licitação e contratação de
empresas inidôneas podem configurar crimes previstos no Código Penal. No TCU, o
processo será relatado pelo ministro Walton Alencar Rodrigues, decano da corte.
Na
execução física dos contratos, os auditores encontraram casos de não execução
total ou parcial de obras, pagamentos por serviços não executados,
superfaturamento qualitativo e preços acima dos praticados no mercado.
O
trabalho foi elaborado em cumprimento a determinações do STF no âmbito da ação
que declarou o chamado “orçamento secreto” inconstitucional.
Em
decisões proferidas desde o fim de 2024, o ministro Flávio Dino passou a exigir
maior transparência sobre as emendas Pix, determinando, entre outras medidas, a
apresentação de planos de trabalho e o fortalecimento dos mecanismos de
controle. Coube ao TCU realizar a auditoria nacional sobre as transferências
especiais executadas entre 2020 e 2024.
O
tribunal afirma que parte das fragilidades encontradas ocorreu em razão da
ausência de regras específicas nos primeiros anos de funcionamento das
transferências especiais. Segundo o relatório, houve um “vácuo legislativo”
após a criação da modalidade, sem exigências claras de prestação de contas ou
mecanismos de rastreabilidade.
O
tribunal afirma que esse cenário começou a mudar com a edição da Instrução
Normativa nº 93, de 2024, e com as decisões posteriores do STF, que passaram a
exigir plano de trabalho, relatório de gestão e movimentação dos recursos em
contas específicas.
Como
resultado da fiscalização, a corte propõe a abertura de tomadas de contas
especiais para ressarcir prejuízos identificados. Também propõe representações
para aprofundar a apuração de irregularidades sem dano financeiro direto.
Também recomenda o envio do relatório ao STF e determina que o Ministério da
Gestão e da Inovação (MGI) faça novos ajustes no módulo de transferências
especiais do Transferegov para ampliar a transparência e a rastreabilidade dos
recursos.
No
início do mês, o TCU lançou uma plataforma que permite a qualquer cidadão
rastrear as emendas parlamentares com o nome de deputados e senadores, partidos
e recursos envolvidos.
Fonte:
Bahia Notícias/ICL Notícias

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