A
segunda exclusão de Lídice da Matta
Pela
segunda vez no grupo governista, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) acabou
excluída da chapa majoritária. Todo mundo sabia que desde o princípio a
parlamentar queria ter sido indicada à suplência do senador Jaques Wagner (PT),
candidato à reeleição ao Senado, na expectativa de que, ao completar 80 anos,
em 2030, ele se aposente, entregando quatro anos de mandato a ela.
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Enrolation
Mas
depois de enrolarem Lídice no que puderam, Wagner e o governador Jerônimo
Rodrigues (PT) acabaram por abrir o espaço da suplência para o ex-vereador em
Salvador Edvaldo Brito (PSD) - um excelente quadro, por sinal - para atender um
pedido do senador Otto Alencar, cacique do seu partido na Bahia. A primeira
experiência de exclusão a então senadora viveu em 2018.
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Frita
Naquele
ano, depois de deixarem-na fritando numa panela de pressão, os petistas a
privaram de disputar a reeleição para o Senado para colocar o hoje senador
Angelo Coronel (PSD), também atendendo a um pedido de Otto. Hoje, os dois estão
divorciados e Coronel disputa a reeleição na chapa do candidato a governador
das oposições ACM Neto (União Brasil).
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Old fashion
A
Lídice restou um protesto silencioso, baseado em duas premissas: a primeira é a
de que Wagner na chapa encarna o envelhecimento do projeto petista no Estado e
da própria chapa. A segunda é a de que o partido acabou apresentando ao eleitor
um conjunto de opções absolutamente masculinas. Nesse ponto, também se
assemelha ao oposicionismo, que lançou quatro homens na chapa.
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Coordenadores e eleitores
Na
reunião em que a chapa majoritária governista se reuniu com os candidatos com
base em Salvador, esta semana, alguns quadros voltaram a se queixar da mais
completa ausência de coordenação da campanha na capital baiana e no Estado. Ao
se queixar a um cacique petista sobre a situação, um deputado ouviu de volta
uma crítica a Neto: - O que adianta ter mais coordenadores do que eleitores?,
retrucou, referindo-se à campanha do adversário.
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Ódio estampado
O
momento mais picante do encontro, no entanto, ocorreu enquanto o ex-ministro
Rui Costa (Casa Civil) discursava. Ao tergiversar, dizendo que não trabalhava
com ódio, com que nem os aliados concordam, Rui foi praticamente interrompido
pela desaforada deputada Olívia Santana (PCdoB), que gritou da plateia: -
Então, porque está com esta cara de ódio? A intervenção provocou gargalhadas.
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Alvos
Colocando
a treta entre ele e a deputada de lado, Rui prosseguiu na fala pedindo que o
exército presente no encontro atue em Salvador para desgastar a imagem do
ex-prefeito ACM Neto (União). Em fala inflamada, Rui disse que a gestão de
Bruno Reis (União) também não deve ser poupada de críticas. Ele pediu
"coragem" aos aliados.
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PGPs
Um
prefeito da base governista, que ficou até os últimos dias matutando sobre se
migrava para a base de Jerônimo, como acabou fazendo, revelou o motivo da opção
pelo governo nestas eleições à Radar do Poder: sua participação, com pompa e
circunstância, numa plenária do Programa de Governo Participativo (PGP), uma
iniciativa do governo estadual e do PT que reúne pelo interior movimentos
sociais e sociedade civil na formulação de políticas públicas.
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Cativantes
"Rapaz,
isso é uma máquina de cativar prefeitos", disse ele, afirmando que nem no
auge do carlismo viveu o sentimento de pertencimento a um grupo político como o
que experimentou na plenária do PT, na presença do governador, por quem foi
pessoalmente chamado para ir ao palco e falar sobre as necessidades de seu
município e região na frente de 'tanta gente'.
• Jaques Wagner tentou vender terreno de
R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou
O
senador petista Jaques Wagner (BA) tentou efetuar a venda de um terreno por R$
15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por
suspeita de recebimento de propina do Banco Master. A transmissão de
propriedade, porém, foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que
recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Procurado,
o senador disse, por meio de sua defesa, não haver irregularidades, mas não
explicou os detalhes do negócio. “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece
que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha
eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados
judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos.
Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, afirmou o advogado Pablo
Domingues.
Wagner
também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o
apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana
antes da operação da PF. Com a ordem de André Mendonça, o negócio também foi
bloqueado e a transmissão de propriedade na matrícula do imóvel não foi
autorizada pelo cartório.
Mesmo
com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, Wagner já recebeu ao menos R$ 12
milhões pelos negócios. Ele deixou o posto de líder do governo Lula no Senado
após a operação da PF, por pressão do Palácio do Planalto, e atualmente é
pré-candidato à reeleição para o cargo de senador.
O
Estadão obteve cópia da documentação com detalhes desses negócios, registradas
em cartórios da Bahia. A PF cumpriu busca e apreensão contra o senador na nona
fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois, em
19 de junho de 2026, o senador protocolou no 1.º Ofício de Registro de Imóveis
de Camaçari um contrato de compra e venda de um terreno de 51 mil m², que ele
havia comprado no ano 2000.
“Em
cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida
Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da
matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registrou o cartório.
A área
pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e
foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que
comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo
imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento
imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do
clube.
Questionada
sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram
comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios
de mercado, e que o de Jaques Wagner correspondia a 4% do total. Disse ainda
que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.
A
investigação da Polícia Federal apura suspeitas de que Wagner solicitou ao
então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo
de R$ 2,5 milhões em Salvador, que seria destinado à sua filha. O imóvel
efetivamente foi comprado por uma empresa em nome de laranja, com recursos
enviados pela corretora Reag, suspeita de participar em conjunto dos crimes
financeiros do Banco Master.
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Petista solicitou R$ 2 milhões e lotes de empreendimento
Antes
de protocolar o pedido de compra e venda do terreno no 1.º Ofício de Registro
de Imóveis de Camaçari, Jaques Wagner assinou uma escritura com a empresa
compradora acertando detalhes da forma de pagamento, em 18 de maio de 2026.
Primeiro, ele iria receber R$ 15,8 milhões com uma nota promissória que
venceria em 2029. Pouco depois, decidiu mudar a forma do recebimento. Solicitou
o pagamento à vista de R$ 2 milhões, já quitado, e outros R$ 13,8 milhões por
meio de lotes de 5.510 m² do empreendimento imobiliário a ser construído.
Em 18
de junho, porém, Wagner foi alvo da operação da Polícia Federal. No dia
seguinte, 19 de junho, a escritura de venda do imóvel foi apresentada ao 1.º
Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, com o objetivo de efetivar a venda e
transmitir a propriedade dele à empresa. Foi nesse momento, então, que o
cartório bloqueou a transação, seguindo a determinação do ministro André
Mendonça. Com isso, a propriedade do terreno não pode ser transferida para a
compradora e, na prática, a venda não se concretiza.
De
acordo com um corretor de imóveis da região, há um aumento nos preços no local
por causa de uma futura expansão imobiliária, mas um terreno nas mesmas
condições do de Jaques Wagner valeria entre R$ 9,5 milhões e R$ 12 milhões. Ele
foi adquirido no ano 2000 por apenas R$ 28 mil.
Dias
antes da operação da PF, Wagner realizou outra transação imobiliária. Acertou a
venda do apartamento onde ele morava em Salvador, no Corredor da Vitória,
região de prédios luxuosos com vista para o mar. O apartamento de quatro suítes
e 152 m² foi vendido por R$ 10 milhões a um político do União Brasil, legenda
adversária do PT. Trata-se do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de
Araújo. O valor já foi integralmente quitado.
Essa
venda foi protocolada no cartório do 1.º Ofício de Registro de Imóveis de
Salvador em 10 de junho. O cartório estava providenciado os trâmites para a
transferência de propriedade, mas recebeu a ordem de bloqueio de bens do STF
pouco tempo depois. Por isso, antes que o negócio fosse concretizado, também
foi realizado o bloqueio.
Procurado,
Araújo afirmou que a compra do imóvel estava pactuada desde o ano passado e que
a última parcela do pagamento foi quitada em abril. Ele disse que apresentou
uma petição ao cartório solicitando que a transferência da propriedade fosse
efetivada para seu nome porque o negócio é anterior à ordem de bloqueio de
bens. Afirmou que também enviou uma manifestação ao ministro André Mendonça com
os comprovantes dos pagamentos e relatando ter agido de boa-fé no negócio,
solicitando o desbloqueio para a concretização da transmissão de propriedade.
“Tenho
um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa
transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos
comprovam isso. O contrato de compra e venda data de dezembro de 2025, todos os
pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jacques Wagner até meados de
abril e a escritura foi lavrada em maio. Em 10 de junho demos entrada para
registro, portanto, antes da deflagração da operação. Infelizmente, acabei
figurando nessa história como terceiro de boa fé”, afirmou.
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Defesa contesta reportagem do Estadão e afirma que venda de imóvel começou a
ser negociada em 2024
A
defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) contestou supostas irregularidades
sugeridas em reportagem do Estadão, publicada neste sábado (18), que afirmou
que o parlamentar tentou vender um terreno de R$ 15,8 milhões um dia após ser
alvo de operação da Polícia Federal.
Em
nota, a defesa afirma que a venda do imóvel é resultado de uma negociação
iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, holding que
administra o Esporte Clube Bahia. O acordo previa “a permuta do imóvel por
lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões”, valor
“devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital
(DARF pago em 30/06/2025)”.
A nota
sustenta ainda que “a escritura pública foi lavrada em maio de 2026,
preservando a natureza da operação como uma permuta”, além de que todos os
trâmites legais e tributários foram cumpridos, descaracterizando qualquer
relação com a ação policial.
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Jaques Wagner diz que ACM Neto esconde ligação com bolsonarismo
Em
entrevista à Rádio Eldorado FM nesta sexta-feira (17), o senador e
pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), afirmou que o ex-prefeito de
Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil),
apresenta uma “contradição eleitoral”.
Segundo
o petista, o ex-chefe do Palácio Thomé de Souza tenta, estrategicamente, se
desvincular da imagem da família do ex-presidente da República, Jair Messias
Bolsonaro (PL), por conveniência eleitoral, em função da baixa aprovação do
ex-mandatário entre o eleitorado baiano.
“O
candidato tenta fugir dessa identidade com os Bolsonaro porque quer puxar votos
do eleitor lulista. ACM não quer falar mal de Lula, mas a linha de atuação dos
partidos que estão com ele mostra a verdade: um senador dele é do PL, o outro é
do Republicanos. Então, é o elefante no armário com o rabo de fora, tentando se
esconder para não ter prejuízo”, ironizou.
O
senador ainda aproveitou a ocasião para fazer críticas aos índices sociais da
capital baiana nas áreas de saúde, educação infantil e mobilidade, além de
defender a continuidade do modelo de gestão petista no estado.
“Ele
diz que vai consertar a mobilidade urbana da Bahia, mas matou o sistema de
ônibus da capital. Quantos hospitais municipais construíram em 16 anos em
Salvador? Dois! Recife, que é menor que Salvador, tem oito; Fortaleza tem dez.
A Bahia vive 20 anos de progresso e modernização. Prova disso é que temos mais
de 350 dos 417 prefeitos baianos apoiando a candidatura de Jerônimo Rodrigues.
O povo reconhece quem realmente move a Bahia”, finalizou.
• ACM Neto reafirma apoio a Ronaldo Caiado
na disputa presidencial
O
pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou que seu
apoio na eleição presidencial de 2026 será ao ex-governador de Goiás, Ronaldo
Caiado (PSD). Durante evento realizado em Feira de Santana, no sábado (18), o
ex-prefeito de Salvador disse que sua posição é motivada pela relação de
amizade e parceria política construída ao longo dos anos, embora tenha
ressaltado que respeita aliados, como José Ronaldo, Angelo Coronel e João Roma,
que apoiam a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A informação é do G1.
Apesar
da declaração pública, a assessoria de ACM Neto informou que o apoio ainda não
foi formalizado oficialmente e não há previsão para esse anúncio. A aproximação
entre Neto e Caiado é antiga e ganhou força quando o ex-governador lançou sua
pré-candidatura à Presidência, em abril de 2024, em Salvador, à época ainda
filiado ao União Brasil, partido do qual Neto é vice-presidente nacional.
Na
corrida pelo governo da Bahia, ACM Neto também recebeu apoio do pré-candidato à
Presidência Romeu Zema (Novo), que, durante visita a Salvador neste mês,
declarou apoio ao ex-prefeito na disputa estadual. A convenção que oficializará
a candidatura de ACM Neto ao governo baiano está marcada para a próxima
quarta-feira (22), em Salvador.
Fonte:
Política Livre

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