terça-feira, 21 de julho de 2026

A segunda exclusão de Lídice da Matta

Pela segunda vez no grupo governista, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) acabou excluída da chapa majoritária. Todo mundo sabia que desde o princípio a parlamentar queria ter sido indicada à suplência do senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição ao Senado, na expectativa de que, ao completar 80 anos, em 2030, ele se aposente, entregando quatro anos de mandato a ela.

<><> Enrolation

Mas depois de enrolarem Lídice no que puderam, Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) acabaram por abrir o espaço da suplência para o ex-vereador em Salvador Edvaldo Brito (PSD) - um excelente quadro, por sinal - para atender um pedido do senador Otto Alencar, cacique do seu partido na Bahia. A primeira experiência de exclusão a então senadora viveu em 2018.

<><> Frita

Naquele ano, depois de deixarem-na fritando numa panela de pressão, os petistas a privaram de disputar a reeleição para o Senado para colocar o hoje senador Angelo Coronel (PSD), também atendendo a um pedido de Otto. Hoje, os dois estão divorciados e Coronel disputa a reeleição na chapa do candidato a governador das oposições ACM Neto (União Brasil).

<><> Old fashion

A Lídice restou um protesto silencioso, baseado em duas premissas: a primeira é a de que Wagner na chapa encarna o envelhecimento do projeto petista no Estado e da própria chapa. A segunda é a de que o partido acabou apresentando ao eleitor um conjunto de opções absolutamente masculinas. Nesse ponto, também se assemelha ao oposicionismo, que lançou quatro homens na chapa.

<><> Coordenadores e eleitores

Na reunião em que a chapa majoritária governista se reuniu com os candidatos com base em Salvador, esta semana, alguns quadros voltaram a se queixar da mais completa ausência de coordenação da campanha na capital baiana e no Estado. Ao se queixar a um cacique petista sobre a situação, um deputado ouviu de volta uma crítica a Neto: - O que adianta ter mais coordenadores do que eleitores?, retrucou, referindo-se à campanha do adversário.

<><> Ódio estampado

O momento mais picante do encontro, no entanto, ocorreu enquanto o ex-ministro Rui Costa (Casa Civil) discursava. Ao tergiversar, dizendo que não trabalhava com ódio, com que nem os aliados concordam, Rui foi praticamente interrompido pela desaforada deputada Olívia Santana (PCdoB), que gritou da plateia: - Então, porque está com esta cara de ódio? A intervenção provocou gargalhadas.

<><> Alvos

Colocando a treta entre ele e a deputada de lado, Rui prosseguiu na fala pedindo que o exército presente no encontro atue em Salvador para desgastar a imagem do ex-prefeito ACM Neto (União). Em fala inflamada, Rui disse que a gestão de Bruno Reis (União) também não deve ser poupada de críticas. Ele pediu "coragem" aos aliados.

<><> PGPs

Um prefeito da base governista, que ficou até os últimos dias matutando sobre se migrava para a base de Jerônimo, como acabou fazendo, revelou o motivo da opção pelo governo nestas eleições à Radar do Poder: sua participação, com pompa e circunstância, numa plenária do Programa de Governo Participativo (PGP), uma iniciativa do governo estadual e do PT que reúne pelo interior movimentos sociais e sociedade civil na formulação de políticas públicas.

<><> Cativantes

"Rapaz, isso é uma máquina de cativar prefeitos", disse ele, afirmando que nem no auge do carlismo viveu o sentimento de pertencimento a um grupo político como o que experimentou na plenária do PT, na presença do governador, por quem foi pessoalmente chamado para ir ao palco e falar sobre as necessidades de seu município e região na frente de 'tanta gente'.

•        Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou

O senador petista Jaques Wagner (BA) tentou efetuar a venda de um terreno por R$ 15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de recebimento de propina do Banco Master. A transmissão de propriedade, porém, foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Procurado, o senador disse, por meio de sua defesa, não haver irregularidades, mas não explicou os detalhes do negócio. “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, afirmou o advogado Pablo Domingues.

Wagner também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF. Com a ordem de André Mendonça, o negócio também foi bloqueado e a transmissão de propriedade na matrícula do imóvel não foi autorizada pelo cartório.

Mesmo com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, Wagner já recebeu ao menos R$ 12 milhões pelos negócios. Ele deixou o posto de líder do governo Lula no Senado após a operação da PF, por pressão do Palácio do Planalto, e atualmente é pré-candidato à reeleição para o cargo de senador.

O Estadão obteve cópia da documentação com detalhes desses negócios, registradas em cartórios da Bahia. A PF cumpriu busca e apreensão contra o senador na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois, em 19 de junho de 2026, o senador protocolou no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari um contrato de compra e venda de um terreno de 51 mil m², que ele havia comprado no ano 2000.

“Em cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registrou o cartório.

A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e que o de Jaques Wagner correspondia a 4% do total. Disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de que Wagner solicitou ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador, que seria destinado à sua filha. O imóvel efetivamente foi comprado por uma empresa em nome de laranja, com recursos enviados pela corretora Reag, suspeita de participar em conjunto dos crimes financeiros do Banco Master.

<><> Petista solicitou R$ 2 milhões e lotes de empreendimento

Antes de protocolar o pedido de compra e venda do terreno no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, Jaques Wagner assinou uma escritura com a empresa compradora acertando detalhes da forma de pagamento, em 18 de maio de 2026. Primeiro, ele iria receber R$ 15,8 milhões com uma nota promissória que venceria em 2029. Pouco depois, decidiu mudar a forma do recebimento. Solicitou o pagamento à vista de R$ 2 milhões, já quitado, e outros R$ 13,8 milhões por meio de lotes de 5.510 m² do empreendimento imobiliário a ser construído.

Em 18 de junho, porém, Wagner foi alvo da operação da Polícia Federal. No dia seguinte, 19 de junho, a escritura de venda do imóvel foi apresentada ao 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, com o objetivo de efetivar a venda e transmitir a propriedade dele à empresa. Foi nesse momento, então, que o cartório bloqueou a transação, seguindo a determinação do ministro André Mendonça. Com isso, a propriedade do terreno não pode ser transferida para a compradora e, na prática, a venda não se concretiza.

De acordo com um corretor de imóveis da região, há um aumento nos preços no local por causa de uma futura expansão imobiliária, mas um terreno nas mesmas condições do de Jaques Wagner valeria entre R$ 9,5 milhões e R$ 12 milhões. Ele foi adquirido no ano 2000 por apenas R$ 28 mil.

Dias antes da operação da PF, Wagner realizou outra transação imobiliária. Acertou a venda do apartamento onde ele morava em Salvador, no Corredor da Vitória, região de prédios luxuosos com vista para o mar. O apartamento de quatro suítes e 152 m² foi vendido por R$ 10 milhões a um político do União Brasil, legenda adversária do PT. Trata-se do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo. O valor já foi integralmente quitado.

Essa venda foi protocolada no cartório do 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Salvador em 10 de junho. O cartório estava providenciado os trâmites para a transferência de propriedade, mas recebeu a ordem de bloqueio de bens do STF pouco tempo depois. Por isso, antes que o negócio fosse concretizado, também foi realizado o bloqueio.

Procurado, Araújo afirmou que a compra do imóvel estava pactuada desde o ano passado e que a última parcela do pagamento foi quitada em abril. Ele disse que apresentou uma petição ao cartório solicitando que a transferência da propriedade fosse efetivada para seu nome porque o negócio é anterior à ordem de bloqueio de bens. Afirmou que também enviou uma manifestação ao ministro André Mendonça com os comprovantes dos pagamentos e relatando ter agido de boa-fé no negócio, solicitando o desbloqueio para a concretização da transmissão de propriedade.

“Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos comprovam isso. O contrato de compra e venda data de dezembro de 2025, todos os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jacques Wagner até meados de abril e a escritura foi lavrada em maio. Em 10 de junho demos entrada para registro, portanto, antes da deflagração da operação. Infelizmente, acabei figurando nessa história como terceiro de boa fé”, afirmou.

<><> Defesa contesta reportagem do Estadão e afirma que venda de imóvel começou a ser negociada em 2024

A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) contestou supostas irregularidades sugeridas em reportagem do Estadão, publicada neste sábado (18), que afirmou que o parlamentar tentou vender um terreno de R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo de operação da Polícia Federal.

Em nota, a defesa afirma que a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, holding que administra o Esporte Clube Bahia. O acordo previa “a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões”, valor “devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025)”.

A nota sustenta ainda que “a escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta”, além de que todos os trâmites legais e tributários foram cumpridos, descaracterizando qualquer relação com a ação policial.

<><> Jaques Wagner diz que ACM Neto esconde ligação com bolsonarismo

Em entrevista à Rádio Eldorado FM nesta sexta-feira (17), o senador e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), afirmou que o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), apresenta uma “contradição eleitoral”.

Segundo o petista, o ex-chefe do Palácio Thomé de Souza tenta, estrategicamente, se desvincular da imagem da família do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), por conveniência eleitoral, em função da baixa aprovação do ex-mandatário entre o eleitorado baiano.

“O candidato tenta fugir dessa identidade com os Bolsonaro porque quer puxar votos do eleitor lulista. ACM não quer falar mal de Lula, mas a linha de atuação dos partidos que estão com ele mostra a verdade: um senador dele é do PL, o outro é do Republicanos. Então, é o elefante no armário com o rabo de fora, tentando se esconder para não ter prejuízo”, ironizou.

O senador ainda aproveitou a ocasião para fazer críticas aos índices sociais da capital baiana nas áreas de saúde, educação infantil e mobilidade, além de defender a continuidade do modelo de gestão petista no estado.

“Ele diz que vai consertar a mobilidade urbana da Bahia, mas matou o sistema de ônibus da capital. Quantos hospitais municipais construíram em 16 anos em Salvador? Dois! Recife, que é menor que Salvador, tem oito; Fortaleza tem dez. A Bahia vive 20 anos de progresso e modernização. Prova disso é que temos mais de 350 dos 417 prefeitos baianos apoiando a candidatura de Jerônimo Rodrigues. O povo reconhece quem realmente move a Bahia”, finalizou.

•        ACM Neto reafirma apoio a Ronaldo Caiado na disputa presidencial

O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou que seu apoio na eleição presidencial de 2026 será ao ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Durante evento realizado em Feira de Santana, no sábado (18), o ex-prefeito de Salvador disse que sua posição é motivada pela relação de amizade e parceria política construída ao longo dos anos, embora tenha ressaltado que respeita aliados, como José Ronaldo, Angelo Coronel e João Roma, que apoiam a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A informação é do G1.

Apesar da declaração pública, a assessoria de ACM Neto informou que o apoio ainda não foi formalizado oficialmente e não há previsão para esse anúncio. A aproximação entre Neto e Caiado é antiga e ganhou força quando o ex-governador lançou sua pré-candidatura à Presidência, em abril de 2024, em Salvador, à época ainda filiado ao União Brasil, partido do qual Neto é vice-presidente nacional.

Na corrida pelo governo da Bahia, ACM Neto também recebeu apoio do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que, durante visita a Salvador neste mês, declarou apoio ao ex-prefeito na disputa estadual. A convenção que oficializará a candidatura de ACM Neto ao governo baiano está marcada para a próxima quarta-feira (22), em Salvador.

 

Fonte: Política Livre

 

Nenhum comentário: