Moisés
Mendes: O alerta do maquiador - Flávio Bolsonaro está nu
Os
recados dos donos dos partidos da direita, Valdemar Costa Neto, Gilberto
Kassab, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, só confundem e não ajudam a entender o
que se passa no entorno de possíveis aliados vacilantes de Flávio Bolsonaro.
Não
ouçam essas figuras, porque elas só enrolam e pensam no negócio que vai surgir
mais adiante. Ouçam o maquiador de Michelle, Agustin Fernandez. Ele é quem
ilumina os ambientes escuros da extrema direita frequentados por Flávio.
Fernandez
ataca Flávio sem os medos da Faria Lima, do que resta de lideranças do
empresariado, das igrejas, do agro e dos partidos. Fernandez diz o que não só
Michelle, mas todos eles gostariam de dizer: que Flávio entrou de gaiato no
navio.
Fernandez
é atrevido quando diz que Flávio produziu “uma das situações mais deploráveis
que um ser humano pode passar”, ao divulgar a carta do pai doente que o ungia
como candidato. Quando afirma que o filho tomou o lugar que seria de Michelle.
Quando
define Flávio como um bacana arrumadinho, apesar dos vínculos com milicianos. E
quando prevê, como maldade, que Lula vai vencer a eleição. Fernandez produz
diagnósticos e alertas.
Não diz
nada que Kassab, Ciro e Valdemar não saibam. Que Flávio era um tomate murcho na
feira do bolsonarismo, como mostravam as pesquisas, sempre com Michelle à
frente das preferências para suceder o marido.
Que
Tarcísio de Freitas também estava acima do filho nessas preferências. Que
Eduardo era o lembrado, quase compulsoriamente, como o sucessor natural do
chefe da organização criminosa agora preso em casa.
Todos
eles sabem que Flávio é competitivo, segundo as pesquisas, porque, se tirarem o
filho e colocarem Damares ou Cleitinho, a diferença nessas pesquisas será
pequena. Porque Flávio incorporou o anti-Lula do momento, que alguém teria que
assumir.
Flávio
é percebido por boa parte da direita como a nova tartaruga no poste, porque o
pai o colocou lá, como poderia, se tivesse coragem, ter colocado Michelle.
O nome
capaz de se consolidar como agregador de toda a direita era o de Michelle, a
esnobada pela família e contida pelo marido, que não suportaria vê-la em
campanha para o cargo que ele não conseguiu manter, nem na eleição nem no
golpe.
O
maquiador é o papagaio do bolsonarismo, que reproduz publicamente o que todos
falam nas internas. O bolsonarismo não confia em Flávio, como já repetiu, a
reboque de Fernandez, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão – que
recomenda a Flávio que peça perdão pelo desprezo por Michelle.
Nem as
igrejas e o centrão confiam em Flávio. Michelle sabe que pode entrar numa fria
se for uma agregada incondicional do ungido. Flávio é, como até Miriam Leitão
já disse, depois que o Diário de Quiraxamirim já havia alertado, apenas o
herdeiro de toda a estrutura fascista montada pelo pai. Da estrutura, das
ideias, da índole e dos projetos.
Mas não
tem tutano para ser comparado a Michelle, que teria o apoio automático da raiz
bolsonarista, dos pastores, dos fiéis e da direita católica absorvida pelo
poder político evangélico.
Com
Michelle, nem existiriam Caiado e Zema como falsas alternativas, e Tarcísio não
precisaria ir a Minas para elogiar o mineiro, como fez esses dias, para assim
expressar desprezo por Flávio.
Michelle
é hoje a única bolsonarista que poderia se desplugar da família. Todos os que
tentaram antes se deram mal e perderam apoios e mandatos, ou morreram ou foram
mortos. Mas Michelle não depende mais do marido e dos enteados.
A
extrema direita sabe disso, a velha direita também sabe. O maquiador falou por
Michelle e por todos os que vacilam em torno de Flávio. Para Michelle, o que
importa hoje é a batalha fácil para se eleger senadora por Brasília.
É
melhor do que se engajar a um projeto que pode perder força logo adiante e
associar seu nome a mais um fracassado. Michelle terá mais valor como senadora
de oposição a Lula do que como simples ajudadora dos esquemas do enteado.
Seu
maquiador sabe a verdade que velhas e novas direitas tentam esconder e só falam
pelas costas: Flávio pode se transformar num fardo. Agradeçam pelo alerta de
Agustin Fernandez: o filho está nu.
• Ruy Castro implode o mito do
"Flávio Bolsonaro moderado"
O
jornalista e escritor Ruy Castro publicou uma análise contundente sobre o
senador Flávio Bolsonaro, desmontando a tentativa de construção de uma imagem
moderada do parlamentar. O artigo foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo e
examina, com tom crítico, as inconsistências entre o discurso atual e o
histórico político da família Bolsonaro.
Logo na
abertura, Castro ironiza a estratégia de reposicionamento: “Flávio Bolsonaro
apresenta-se ao eleitorado como um ‘Bolsonaro moderado’. Equivale ao círculo
quadrado e ao fato imaginário, especialidades da família Bolsonaro.” A frase
sintetiza o argumento central do texto, que questiona a viabilidade dessa
imagem diante das práticas associadas ao bolsonarismo.
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Pandemia expõe contradições
Um dos
principais pontos da crítica recai sobre a atuação durante a pandemia de
Covid-19. Segundo o colunista, o fato de Flávio Bolsonaro ter se vacinado não
sustenta a tese de moderação.
“Um de
seus argumentos é que se vacinou contra a Covid. E daí?”, escreve Castro, antes
de aprofundar: “Se achava a vacina tão importante a ponto de tomá-la, o que fez
para sustar a política omnicida de seu pai?”
O texto
relembra a condução do governo federal durante a crise sanitária, marcada por
ataques às vacinas e promoção de tratamentos ineficazes, e associa esse
contexto ao elevado número de mortes no país. “Dos 700 mil brasileiros mortos
pela Covid, quantos não terão sido crédulos bolsonaristas?”, questiona.
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Subordinação política e risco institucional
Castro
também levanta dúvidas sobre a autonomia política de Flávio Bolsonaro em um
eventual cenário eleitoral. Para ele, o senador não representaria uma ruptura
com o passado recente.
“Flávio
Bolsonaro no Planalto será um boneco de engonço do Bolsonaro titular”, afirma,
sugerindo que Jair Bolsonaro manteria influência direta sobre um possível
governo do filho.
O
colunista ainda critica a relação da família com as instituições democráticas:
“A desfaçatez com que acham normal passar de moto por cima das instituições
[...] permite qualquer conjetura.”
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Discurso conservador sob questionamento
O
artigo também aborda o lema “Deus, pátria e família”, frequentemente associado
ao bolsonarismo. Castro questiona a coerência desse discurso no caso do
senador.
“Não se
conhecem as relações de Flávio Bolsonaro com Deus. Será religioso o suficiente
para merecer os votos dos evangélicos?”, escreve. Ele também menciona
homenagens concedidas a indivíduos acusados de crimes graves, colocando em
dúvida a consistência do discurso de segurança pública.
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Alinhamento externo e críticas a Trump
No
campo internacional, o colunista critica o alinhamento com os Estados Unidos,
especialmente com Donald Trump, atual presidente norte-americano.
Segundo
Castro, Flávio Bolsonaro “planeja abertamente entregar [a pátria] a Donald
Trump”. O autor também menciona o custo da política externa dos EUA, destacando
que a guerra contra o Irã consumiria bilhões de dólares diariamente, com
impactos humanitários significativos.
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Silêncio estratégico sobre corrupção
Encerrando
o texto, Castro faz uma crítica irônica ao posicionamento do senador sobre
corrupção: “Numa coisa Flávio Bolsonaro será, com razão, moderado. Não dará um
pio sobre corrupção.”
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Debate sobre moderação na direita brasileira
A
análise se insere em um momento de disputa de narrativas dentro da direita
brasileira, em que figuras associadas ao bolsonarismo buscam reposicionamento
político. O artigo de Ruy Castro aponta que essa tentativa encontra resistência
diante de fatos recentes e do legado político da família.
O
debate sobre o que significa ser “moderado” no cenário atual permanece aberto,
especialmente quando confrontado com episódios como a gestão da pandemia, a
relação com instituições democráticas e o alinhamento internacional.
• Flávio Bolsonaro avança em aliança com
União-PP, enquanto Lula se aproxima do PSD
A seis
meses das eleições presidenciais, a corrida por alianças com partidos de centro
intensifica a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), com movimentos estratégicos nos estados para
fortalecer palanques regionais e ampliar a base política, relata o jornal O
Globo.
Os dois
pré-candidatos concentram esforços para garantir apoio de siglas do chamado
'centrão', como União Brasil, PP, PSD e Republicanos, consideradas fundamentais
para dar sustentação eleitoral e tempo de campanha.
O
senador Flávio Bolsonaro aparece com leve vantagem numérica nas articulações
estaduais, tendo encaminhado alianças em 18 unidades da federação com partidos
de centro. Já o campo liderado por Lula soma acordos em 16 estados com essas
mesmas legendas, em um cenário ainda em consolidação.
No caso
da federação União-PP, o PL deve integrar a mesma base em ao menos nove
estados. Entre os exemplos estão o Distrito Federal, onde há sinalização de
apoio à candidatura de Celina Leão (PP), e a Bahia, onde Flávio tende a dividir
palanque com ACM Neto (União). Apesar disso, dirigentes da federação mantêm
cautela quanto a um alinhamento nacional com o senador.
O
presidente do PP, Ciro Nogueira, indicou que a decisão dependerá da postura
política do pré-candidato. “Só depende dele (Flávio)”, afirmou. Segundo ele, a
definição sobre eventual apoio deve ocorrer até junho.
Enquanto
a federação União-PP ainda não formalizou posição nacional, há estados em que
lideranças locais se aproximam do campo petista. No Amapá, por exemplo, o
governador Clécio Luís (União) deve disputar a reeleição com alinhamento ao
grupo de Lula. Já na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro (PP) declarou apoio ao
presidente em sua campanha.
Em
outros casos, as alianças permanecem indefinidas. Em Pernambuco, a federação
União-PP reúne lideranças com posições divergentes, incluindo nomes ligados ao
bolsonarismo e outros mais próximos do governo federal. A tendência é de apoio
à governadora Raquel Lyra (PSD), enquanto o PT deve apoiar João Campos (PSB).
Dentro
do União Brasil, há expectativa de alinhamento nacional com Flávio Bolsonaro. O
líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, indicou preferência pelo
senador: “Não tem neutralidade, quem não tem lado, não tem vez. Eu acho que vai
ser Flávio”.
Situação
semelhante ocorre no Republicanos, que já tem acordos com o PL em seis estados,
incluindo São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas deve disputar a
reeleição com apoio do bolsonarismo. Em contrapartida, há aproximações com o PT
em outras regiões, como Pernambuco. O presidente da sigla, Marcos Pereira,
afirmou que a decisão nacional ainda não foi tomada: “Está indefinido. Temos
muito tempo pela frente ainda”.
Se
Flávio Bolsonaro avança em alianças com União-PP e Republicanos, o presidente
Lula apresenta vantagem estratégica no PSD, partido que tem priorizado acordos
com o PT nos estados. A legenda estará ao lado do petista em pelo menos nove
unidades da federação, incluindo Rio de Janeiro e Mato Grosso.
Até o
momento, são apenas três estados em que PSD e PL compartilham o mesmo palanque.
Em Minas Gerais, há possibilidade de composição, mas sem definição concreta. Em
outras dez unidades da federação, o partido ainda não firmou alianças com
nenhum dos principais pré-candidatos.
O PSD
lançou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência,
mas enfrenta dificuldades para consolidar apoio nacional. Caiado tem
articulações em estados como Paraná e Santa Catarina, porém deve dividir espaço
com Flávio Bolsonaro nesses territórios.
No
campo petista, a estratégia considera a possibilidade de que partidos de centro
evitem um alinhamento nacional formal. O vice-presidente nacional do PT, Jilmar
Tatto, avalia que as legendas devem liberar diretórios estaduais para decisões
autônomas. “MDB e PSD não vão apoiar Flávio oficialmente. E a confusão é tão
grande dentro do União e dentro do PP que não sei vão conseguir apoiar o
Flávio. A tendência do Centrão é liberar”, afirmou.
O
cenário revela uma disputa fragmentada e dinâmica, em que alianças regionais
ganham peso decisivo na construção das campanhas presidenciais e podem
influenciar diretamente o equilíbrio de forças na eleição de 2026.
Fonte:
Brasil 247

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