sábado, 25 de abril de 2026

Moisés Mendes: O alerta do maquiador - Flávio Bolsonaro está nu

Os recados dos donos dos partidos da direita, Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, só confundem e não ajudam a entender o que se passa no entorno de possíveis aliados vacilantes de Flávio Bolsonaro.

Não ouçam essas figuras, porque elas só enrolam e pensam no negócio que vai surgir mais adiante. Ouçam o maquiador de Michelle, Agustin Fernandez. Ele é quem ilumina os ambientes escuros da extrema direita frequentados por Flávio.

Fernandez ataca Flávio sem os medos da Faria Lima, do que resta de lideranças do empresariado, das igrejas, do agro e dos partidos. Fernandez diz o que não só Michelle, mas todos eles gostariam de dizer: que Flávio entrou de gaiato no navio.

Fernandez é atrevido quando diz que Flávio produziu “uma das situações mais deploráveis que um ser humano pode passar”, ao divulgar a carta do pai doente que o ungia como candidato. Quando afirma que o filho tomou o lugar que seria de Michelle.

Quando define Flávio como um bacana arrumadinho, apesar dos vínculos com milicianos. E quando prevê, como maldade, que Lula vai vencer a eleição. Fernandez produz diagnósticos e alertas.

Não diz nada que Kassab, Ciro e Valdemar não saibam. Que Flávio era um tomate murcho na feira do bolsonarismo, como mostravam as pesquisas, sempre com Michelle à frente das preferências para suceder o marido.

Que Tarcísio de Freitas também estava acima do filho nessas preferências. Que Eduardo era o lembrado, quase compulsoriamente, como o sucessor natural do chefe da organização criminosa agora preso em casa.

Todos eles sabem que Flávio é competitivo, segundo as pesquisas, porque, se tirarem o filho e colocarem Damares ou Cleitinho, a diferença nessas pesquisas será pequena. Porque Flávio incorporou o anti-Lula do momento, que alguém teria que assumir.

Flávio é percebido por boa parte da direita como a nova tartaruga no poste, porque o pai o colocou lá, como poderia, se tivesse coragem, ter colocado Michelle.

O nome capaz de se consolidar como agregador de toda a direita era o de Michelle, a esnobada pela família e contida pelo marido, que não suportaria vê-la em campanha para o cargo que ele não conseguiu manter, nem na eleição nem no golpe.

O maquiador é o papagaio do bolsonarismo, que reproduz publicamente o que todos falam nas internas. O bolsonarismo não confia em Flávio, como já repetiu, a reboque de Fernandez, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão – que recomenda a Flávio que peça perdão pelo desprezo por Michelle.

Nem as igrejas e o centrão confiam em Flávio. Michelle sabe que pode entrar numa fria se for uma agregada incondicional do ungido. Flávio é, como até Miriam Leitão já disse, depois que o Diário de Quiraxamirim já havia alertado, apenas o herdeiro de toda a estrutura fascista montada pelo pai. Da estrutura, das ideias, da índole e dos projetos.

Mas não tem tutano para ser comparado a Michelle, que teria o apoio automático da raiz bolsonarista, dos pastores, dos fiéis e da direita católica absorvida pelo poder político evangélico.

Com Michelle, nem existiriam Caiado e Zema como falsas alternativas, e Tarcísio não precisaria ir a Minas para elogiar o mineiro, como fez esses dias, para assim expressar desprezo por Flávio.

Michelle é hoje a única bolsonarista que poderia se desplugar da família. Todos os que tentaram antes se deram mal e perderam apoios e mandatos, ou morreram ou foram mortos. Mas Michelle não depende mais do marido e dos enteados.

A extrema direita sabe disso, a velha direita também sabe. O maquiador falou por Michelle e por todos os que vacilam em torno de Flávio. Para Michelle, o que importa hoje é a batalha fácil para se eleger senadora por Brasília.

É melhor do que se engajar a um projeto que pode perder força logo adiante e associar seu nome a mais um fracassado. Michelle terá mais valor como senadora de oposição a Lula do que como simples ajudadora dos esquemas do enteado.

Seu maquiador sabe a verdade que velhas e novas direitas tentam esconder e só falam pelas costas: Flávio pode se transformar num fardo. Agradeçam pelo alerta de Agustin Fernandez: o filho está nu.

•        Ruy Castro implode o mito do "Flávio Bolsonaro moderado"

O jornalista e escritor Ruy Castro publicou uma análise contundente sobre o senador Flávio Bolsonaro, desmontando a tentativa de construção de uma imagem moderada do parlamentar. O artigo foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo e examina, com tom crítico, as inconsistências entre o discurso atual e o histórico político da família Bolsonaro.

Logo na abertura, Castro ironiza a estratégia de reposicionamento: “Flávio Bolsonaro apresenta-se ao eleitorado como um ‘Bolsonaro moderado’. Equivale ao círculo quadrado e ao fato imaginário, especialidades da família Bolsonaro.” A frase sintetiza o argumento central do texto, que questiona a viabilidade dessa imagem diante das práticas associadas ao bolsonarismo.

<><> Pandemia expõe contradições

Um dos principais pontos da crítica recai sobre a atuação durante a pandemia de Covid-19. Segundo o colunista, o fato de Flávio Bolsonaro ter se vacinado não sustenta a tese de moderação.

“Um de seus argumentos é que se vacinou contra a Covid. E daí?”, escreve Castro, antes de aprofundar: “Se achava a vacina tão importante a ponto de tomá-la, o que fez para sustar a política omnicida de seu pai?”

O texto relembra a condução do governo federal durante a crise sanitária, marcada por ataques às vacinas e promoção de tratamentos ineficazes, e associa esse contexto ao elevado número de mortes no país. “Dos 700 mil brasileiros mortos pela Covid, quantos não terão sido crédulos bolsonaristas?”, questiona.

<><> Subordinação política e risco institucional

Castro também levanta dúvidas sobre a autonomia política de Flávio Bolsonaro em um eventual cenário eleitoral. Para ele, o senador não representaria uma ruptura com o passado recente.

“Flávio Bolsonaro no Planalto será um boneco de engonço do Bolsonaro titular”, afirma, sugerindo que Jair Bolsonaro manteria influência direta sobre um possível governo do filho.

O colunista ainda critica a relação da família com as instituições democráticas: “A desfaçatez com que acham normal passar de moto por cima das instituições [...] permite qualquer conjetura.”

<><> Discurso conservador sob questionamento

O artigo também aborda o lema “Deus, pátria e família”, frequentemente associado ao bolsonarismo. Castro questiona a coerência desse discurso no caso do senador.

“Não se conhecem as relações de Flávio Bolsonaro com Deus. Será religioso o suficiente para merecer os votos dos evangélicos?”, escreve. Ele também menciona homenagens concedidas a indivíduos acusados de crimes graves, colocando em dúvida a consistência do discurso de segurança pública.

<><> Alinhamento externo e críticas a Trump

No campo internacional, o colunista critica o alinhamento com os Estados Unidos, especialmente com Donald Trump, atual presidente norte-americano.

Segundo Castro, Flávio Bolsonaro “planeja abertamente entregar [a pátria] a Donald Trump”. O autor também menciona o custo da política externa dos EUA, destacando que a guerra contra o Irã consumiria bilhões de dólares diariamente, com impactos humanitários significativos.

<><> Silêncio estratégico sobre corrupção

Encerrando o texto, Castro faz uma crítica irônica ao posicionamento do senador sobre corrupção: “Numa coisa Flávio Bolsonaro será, com razão, moderado. Não dará um pio sobre corrupção.”

<><> Debate sobre moderação na direita brasileira

A análise se insere em um momento de disputa de narrativas dentro da direita brasileira, em que figuras associadas ao bolsonarismo buscam reposicionamento político. O artigo de Ruy Castro aponta que essa tentativa encontra resistência diante de fatos recentes e do legado político da família.

O debate sobre o que significa ser “moderado” no cenário atual permanece aberto, especialmente quando confrontado com episódios como a gestão da pandemia, a relação com instituições democráticas e o alinhamento internacional.

•        Flávio Bolsonaro avança em aliança com União-PP, enquanto Lula se aproxima do PSD

A seis meses das eleições presidenciais, a corrida por alianças com partidos de centro intensifica a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com movimentos estratégicos nos estados para fortalecer palanques regionais e ampliar a base política, relata o jornal O Globo.

Os dois pré-candidatos concentram esforços para garantir apoio de siglas do chamado 'centrão', como União Brasil, PP, PSD e Republicanos, consideradas fundamentais para dar sustentação eleitoral e tempo de campanha.

O senador Flávio Bolsonaro aparece com leve vantagem numérica nas articulações estaduais, tendo encaminhado alianças em 18 unidades da federação com partidos de centro. Já o campo liderado por Lula soma acordos em 16 estados com essas mesmas legendas, em um cenário ainda em consolidação.

No caso da federação União-PP, o PL deve integrar a mesma base em ao menos nove estados. Entre os exemplos estão o Distrito Federal, onde há sinalização de apoio à candidatura de Celina Leão (PP), e a Bahia, onde Flávio tende a dividir palanque com ACM Neto (União). Apesar disso, dirigentes da federação mantêm cautela quanto a um alinhamento nacional com o senador.

O presidente do PP, Ciro Nogueira, indicou que a decisão dependerá da postura política do pré-candidato. “Só depende dele (Flávio)”, afirmou. Segundo ele, a definição sobre eventual apoio deve ocorrer até junho.

Enquanto a federação União-PP ainda não formalizou posição nacional, há estados em que lideranças locais se aproximam do campo petista. No Amapá, por exemplo, o governador Clécio Luís (União) deve disputar a reeleição com alinhamento ao grupo de Lula. Já na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro (PP) declarou apoio ao presidente em sua campanha.

Em outros casos, as alianças permanecem indefinidas. Em Pernambuco, a federação União-PP reúne lideranças com posições divergentes, incluindo nomes ligados ao bolsonarismo e outros mais próximos do governo federal. A tendência é de apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), enquanto o PT deve apoiar João Campos (PSB).

Dentro do União Brasil, há expectativa de alinhamento nacional com Flávio Bolsonaro. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, indicou preferência pelo senador: “Não tem neutralidade, quem não tem lado, não tem vez. Eu acho que vai ser Flávio”.

Situação semelhante ocorre no Republicanos, que já tem acordos com o PL em seis estados, incluindo São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas deve disputar a reeleição com apoio do bolsonarismo. Em contrapartida, há aproximações com o PT em outras regiões, como Pernambuco. O presidente da sigla, Marcos Pereira, afirmou que a decisão nacional ainda não foi tomada: “Está indefinido. Temos muito tempo pela frente ainda”.

Se Flávio Bolsonaro avança em alianças com União-PP e Republicanos, o presidente Lula apresenta vantagem estratégica no PSD, partido que tem priorizado acordos com o PT nos estados. A legenda estará ao lado do petista em pelo menos nove unidades da federação, incluindo Rio de Janeiro e Mato Grosso.

Até o momento, são apenas três estados em que PSD e PL compartilham o mesmo palanque. Em Minas Gerais, há possibilidade de composição, mas sem definição concreta. Em outras dez unidades da federação, o partido ainda não firmou alianças com nenhum dos principais pré-candidatos.

O PSD lançou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência, mas enfrenta dificuldades para consolidar apoio nacional. Caiado tem articulações em estados como Paraná e Santa Catarina, porém deve dividir espaço com Flávio Bolsonaro nesses territórios.

No campo petista, a estratégia considera a possibilidade de que partidos de centro evitem um alinhamento nacional formal. O vice-presidente nacional do PT, Jilmar Tatto, avalia que as legendas devem liberar diretórios estaduais para decisões autônomas. “MDB e PSD não vão apoiar Flávio oficialmente. E a confusão é tão grande dentro do União e dentro do PP que não sei vão conseguir apoiar o Flávio. A tendência do Centrão é liberar”, afirmou.

O cenário revela uma disputa fragmentada e dinâmica, em que alianças regionais ganham peso decisivo na construção das campanhas presidenciais e podem influenciar diretamente o equilíbrio de forças na eleição de 2026.

 

Fonte: Brasil 247

 

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