Marcelo
Zero: Brasil é Lula
Quem
prejudica as relações bilaterais entre Brasil e os EUA é a extrema-direita. Não
é o governo Lula.
As
sanções adicionais de 40% sobre todos os produtos brasileiros, que tanto
prejudicaram nossa economia, e ainda prejudicam (embora em grau bem menor),
foram articuladas diretamente por Eduardo Bolsonaro e outros. Jair Bolsonaro o
enviou aos EUA exatamente para isso.
O mesmo
aconteceu ou acontece no caso da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de
Moraes, no cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, nas investigações
contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, na
pressão para caracterizar as organizações criminosas do Brasil como
“narcoterroristas”, etc.
Todos
esses atritos foram e são articulados por nossa extrema-direita.
Agora,
a mesma coisa se verifica no rumoroso caso Ramagem, foragido da justiça do
Brasil, condenado a mais de 16 anos por participação abundantemente comprovada
na tentativa do golpe de Estado de 2022/2023.
Esse
cidadão fugiu do Brasil pela fronteira de Roraima e a Guiana. Está na lista
vermelha da Interpol há meses. O Brasil pediu sua extradição em 30 de dezembro
do ano passado.
Independentemente
disso, seu passaporte foi anulado e seu visto estadunidense está vencido. Está,
portanto, em situação irregular, nos EUA
Ou
seja, está qualificado para a deportação.
É o que
os EUA, sob Trump, vêm fazendo com milhares de imigrantes, inclusive
brasileiros.
Esses
migrantes vêm sendo deportados de forma abrupta e automática, independentemente
de terem processos para se regularizar ou para buscar asilo ou refúgio.
Muitos
são presos quando comparecem, disciplinadamente, a audiências jurídicas para
tratar de seus casos.
Ao que
consta, o policial brasileiro, o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo, que
atuava junto ao Departamento de Segurança Interna (ICE) nos EUA, como oficial
de ligação do Brasil, apenas informou que Alexandre Ramagem, preso devido a um
incidente de trânsito e sem documentação regular nos EUA, era procurado no
Brasil.
Poderia
ter sido deportado, independentemente do pedido de extradição. Ou poderia ter
ficado por lá, como ficou, esperando a extradição. O delegado brasileiro não
burlou nada, somente informou a situação e pediu o envio do criminoso ao
Brasil. Cumpriu a função dele.
Contudo,
o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, que odeia governos
progressistas da América Latina, resolveu expulsar não o criminoso foragido,
mas o policial brasileiro que apenas cumpria sua função. E o mandou fazer pelo
twitter, sem nenhuma explicação oficial e sem nenhum diálogo com quaisquer
autoridades brasileiras.
O
Brasil de Lula reagiu à altura: chamou a encarregada de negócios para cobrar
explicações e retirou as credenciais do oficial da justiça estadunidense que
trabalha junto à PF, nas atividades de cooperação bilateral contra a
criminalidade.
A nossa
grande imprensa comprou a historinha ridícula e mentirosa do Departamento de
Estado.
Quer,
obviamente, colocar a culpa de tudo no governo Lula e classifica as críticas de
Lula à guerra no Irã como “provocações”.
Ora, o
mundo inteiro está criticando Trump por causa da guerra no Irã, um erro
estúpido e crasso de um presidente totalmente desclassificado para o cargo, que
está prejudicando fortemente a economia internacional.
Até
mesmo a Itália de Meloni está procurando manter distância de Trump,
principalmente depois que ele atacou o próprio Papa. Trump está se tornando
cada vez mais “tóxico”.
Em
breve, Trump deverá ser um “pato manco”. Deverá, segundo as previsões, perder a
maioria na House e no Senado. Nem o Maga aguenta mais tanta incompetência e
arrogância.
Os
candidatos trumpistas do Brasil, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Caiado etc.
tendem a se desgastar, com essas demonstrações desavergonhadas de submissão
vil.
Patriotismo,
na oposição, é tão raro quanto os minerais críticos que eles querem entregar.
Brasil
é Lula.
• ‘Lobby bolsonarista nos EUA’ protege
Ramagem e obriga Brasil a usar princípio de reciprocidade, avalia especialista
O
“princípio da reciprocidade” é o dispositivo diplomático que permitiu a
revogação do visto de trabalho de um agente estadunidense que trabalhava no
Brasil. A decisão anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao
lado do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na quarta-feira (22) é
uma resposta à determinação de que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atua
na Flórida, deixasse os Estados Unidos.
Carvalho,
que atuava junto ao ICE, a polícia de imigração dos EUA, participou da prisão
do foragido ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
O
conceito do princípio, universalmente reconhecido, especialmente no sistema
multilateral, é nortear as relações entre os países do ponto de vista do
comércio, do direito, das relações diplomáticas como um todo.
Segundo
Antonio Marcos Roseira, professor de Relações Internacionais na Universidade
Federal do ABC (UFABC), esses princípios garantem que haja uma certa
previsibilidade na relação entre os países. “Depois da Segunda Guerra Mundial,
o princípio de reciprocidade ganha uma importância ainda maior. Então, quando
uma nação toma uma decisão que fere a reciprocidade, isso de certa forma, gera
um pequeno terremoto, ou um grande terremoto, na relação entre os países.”
Roseira
chama a atenção para o certo nível de influência que a família Bolsonaro exerce
junto a lideranças da extrema direita estadunidense e que culminou, agora, em
uma interferência direta nas relações entre os dois países.
“As
autoridades americanas foram influenciadas pelos brasileiros que pertencem ao
bolsonarismo e estão atuando e fazendo lobby perante as instituições americanas
para que as coisas não aconteçam da forma que o governo Lula está conduzindo.
Ou seja, a gente está falando de um criminoso condenado por tentativa de golpe,
que é um foragido da Justiça brasileira, que foi presidente da Abin no governo
Bolsonaro, que é acusado de chefiar a Abin paralela. Isso é, aos olhos do nosso
sistema de Justiça, ele foi julgado e é um criminoso e precisa ser extraditado
para cumprir sua pena”, avalia.
Para
Roseira, a decisão do Itamaraty de acionar o princípio de reciprocidade é
acertada para responder a uma decisão irracional por parte do governo Trump. “O
governo Trump toma decisões muito sem pé nem cabeça em vários aspectos, no
campo da guerra, no campo das relações diplomáticas. Não há uma estabilidade em
que a gente possa confiar para estabelecer um norte das relações”, diz. “Eles
[governo Trump e apoiadores] entendem que figuras como Ramagem são importantes
para desestabilizar sistemas políticos como o nosso. São traidores da pátria
que atuam junto às instituições americanas. Então é uma mera desculpa para
conseguir fazer o que eles querem, ou seja, não deixar que seja punida uma
figura política brasileira que, na prática, funciona como um agente da política
americana”, aponta.
• O dever de reciprocidade: a necessária
resposta do Brasil no caso Ramagem. Por Marcelo Copelli
decisão
do governo de Donald Trump de determinar a saída de um delegado brasileiro que
atuava junto às autoridades americanas no caso envolvendo o ex-deputado
Alexandre Ramagem — já acompanhada pela nomeação de um substituto — não
constitui um gesto administrativo trivial. Trata-se de um movimento com
implicações diplomáticas diretas, que desloca o episódio do plano operacional
para o campo da política externa e impõe ao Brasil uma definição inequívoca de
posição.
O
elemento que agrava a situação é o fato de que a cooperação entre a Polícia
Federal e estruturas americanas ligadas à área de imigração vinha ocorrendo
dentro de parâmetros técnicos consolidados. A interrupção unilateral desse
arranjo, sem transparência quanto aos critérios adotados, introduz uma variável
política em um ambiente até então regido por lógica institucional. Para
analistas, a medida sinaliza uma decisão orientada menos por necessidade
administrativa e mais por conveniência estratégica, o que altera
substancialmente a natureza da resposta exigida.
A
leitura ganha densidade quando se consideram os vínculos de Alexandre Ramagem
com o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como a relação
historicamente próxima entre este e Donald Trump. Ainda que tais elementos não
constituam prova formal de motivação, eles compõem um contexto político que não
pode ser ignorado na análise estratégica. Em relações internacionais, decisões
raramente são neutras; elas refletem, em maior ou menor grau, o ambiente
político no qual são produzidas.
É nesse
cenário que o princípio da reciprocidade assume centralidade. Longe de
representar um gesto reativo ou impulsivo, constitui um dos pilares clássicos
do direito internacional, operando como mecanismo de equilíbrio entre Estados
soberanos. Sua função não é escalar tensões, mas impedir que práticas desiguais
se consolidem como norma. Ao deixar de responder a uma medida que afeta
diretamente seus agentes institucionais, um país não apenas absorve o impacto
imediato — contribui para a formação de precedentes que passam a moldar
interações futuras.
A
relação entre Brasil e Estados Unidos sempre se estruturou sobre uma assimetria
administrada com pragmatismo. Ao longo do tempo, consolidou-se um arranjo no
qual o país preserva espaços de atuação desde que não ultrapasse limites
informais, raramente explicitados, mas claramente perceptíveis em momentos de
tensão. Esses limites não são fixos nem declarados; eles são testados. E é
justamente nesses testes que a ausência de resposta deixa de ser neutralidade e
passa a funcionar como validação tácita.
Sob a
ótica do direito internacional contemporâneo, a previsibilidade de
comportamento é um ativo central. Estados observam menos declarações formais e
mais padrões concretos de ação. A repetição de condutas sem resposta efetiva
tende a cristalizar expectativas, reduzindo a capacidade de dissuasão e
estreitando a margem de manobra. Nesse contexto, a omissão não preserva
estabilidade — ela a redefine, frequentemente em termos menos favoráveis.
É
evidente que qualquer medida envolve custos. A relação bilateral com os Estados
Unidos atravessa dimensões estratégicas, do comércio à cooperação tecnológica e
de segurança, e decisões dessa natureza produzem efeitos que se estendem além
do episódio imediato. No entanto, o cálculo de longo prazo não pode ignorar que
a erosão gradual de autonomia também gera impactos cumulativos. Estabilidade
construída sobre concessões reiteradas tende, com o tempo, a se converter em
dependência operacional.
O
ambiente político doméstico adiciona uma camada adicional de complexidade. Em
um cenário de polarização, decisões de política externa são rapidamente
absorvidas pelo conflito interno, comprimindo o espaço para avaliações
estratégicas de longo prazo. Ainda assim, reduzir a necessidade de resposta a
mero reflexo desse ambiente seria um erro de leitura. A pressão por ação
expressa, em parte, a percepção de que há limites que, uma vez ultrapassados
sem reação, reconfiguram a posição do país de maneira duradoura.
A
tradição diplomática oferece instrumentos capazes de conciliar firmeza e
racionalidade. A chamada reciprocidade calibrada permite respostas
proporcionais, juridicamente defensáveis e politicamente inteligíveis, sem
ruptura aberta. Trata-se de agir com precisão, sinalizando limites sem
comprometer canais essenciais de interlocução. Essa abordagem exige controle
político e clareza estratégica — atributos ainda mais decisivos em cenários de
desnível estrutural.
Sem
reciprocidade, a soberania deixa de operar como princípio efetivo e se reduz a
enunciado formal. A consistência de uma política externa se mede pela
capacidade de sustentar decisões custosas quando elas definem padrões de
relacionamento. A previsibilidade que fortalece um Estado não é a da inação,
mas a da coerência entre discurso e prática.
Estados
não testam declarações — testam comportamentos. E são eles que delimitam até
onde podem avançar. O caso Ramagem, portanto, não é apenas um episódio
circunstancial. É um ponto de verificação. A resposta brasileira indicará se o
país está disposto a exercer sua autonomia de forma concreta — ou se continuará
operando dentro de limites cuja definição, na prática, permanece condicionada
por outros.
• Lula manda recado a Trump após retirar
credenciais de policial dos EUA
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu seguir adotando a reciprocidade
com relação às medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil.
Em
vídeo divulgado através das redes sociais na noite desta quarta-feira (22),
Lula parabenizou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por
retirar as credenciais de um policial estadunidense que atuava junto à PF no
Brasil.
A
medida se deu como reação à retirada de credenciais do delegado brasileiro
Marcelo Ivo de Carvalho por parte do governo dos EUA. Ivo, que atuava em
cooperação com a polícia de imigração estadunidense, foi peça fundamental para
a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido da Justiça brasileira, na
Flórida. Ramagem, contudo, foi liberado e o governo Trump acusou Ivo de tentar
manipular o sistema de imigração dos EUA para fins políticos.
Ao
parabenizar Andrei Rodrigues por retirar as credenciais do policial dos EUA que
atuava no Brasil, Lula mandou um recado direto a Donald Trump:
“Parabéns
por sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade. O
que eles fizerem conosco, nós vamos fazer com eles. Esperando que eles estejam
dispostos a voltar a conversar para voltar à normalidade”.
No
mesmo vídeo, Lula anunciou ainda a contratação de mil novos policiais federais
para fortalecer o combate ao crime organizado. Segundo o presidente, essa será
a primeira vez na história que a PF terá todos os seus cargos ocupados.
Assista:
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Expulsão de delegado da PF dos EUA e reciprocidade; entenda
A
decisão da Polícia Federal de retirar as credenciais de um agente
norte-americano no Brasil foi uma resposta direta a um movimento anterior do
governo dos Estados Unidos contra um delegado brasileiro.
Na
segunda-feira (20), o governo norte-americano determinou a retirada das
credenciais do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami como
oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Na prática, a medida inviabilizou sua atuação no país e levou à sua saída da
função.
Autoridades
dos EUA acusaram o delegado de tentar manipular o sistema de imigração com
objetivos políticos — alegação que surge após sua participação na operação que
resultou na prisão, na Flórida, do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido da
Justiça brasileira. Ramagem acabou sendo liberado posteriormente.
Diante
da decisão, a Polícia Federal reagiu com base no princípio da reciprocidade.
Nesta quarta-feira (22), o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues,
anunciou a retirada das credenciais de um agente de imigração dos Estados
Unidos que atuava dentro da sede da PF, em Brasília.
“Eu
retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da
reciprocidade”, afirmou Rodrigues em entrevista à GloboNews.
Segundo
ele, a medida impede o agente de acessar instalações da PF e sistemas de
informação utilizados na cooperação bilateral entre os dois países.
Rodrigues
fez questão de diferenciar a ação de uma expulsão formal. De acordo com o
diretor, nem o delegado brasileiro foi expulso dos Estados Unidos, nem o agente
norte-americano será retirado do território brasileiro.
“Tanto
o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal,
não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, disse.
Ele
ressaltou que eventuais medidas diplomáticas mais amplas cabem ao Itamaraty,
que já iniciou contatos com autoridades norte-americanas para tratar do caso.
Apesar
da reação, o diretor da PF afirmou que a situação é indesejada. “À medida que
uma agência tira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do
policial norte-americano que está aqui — e faço isso com muito pesar”,
declarou.
O
episódio expõe uma escalada de tensão na cooperação policial entre Brasil e
Estados Unidos, em um contexto político marcado por atritos entre o governo de
Donald Trump e decisões recentes da Justiça brasileira envolvendo aliados do
ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte:
Viomundo/Brasil de Fato/Fórum

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