sábado, 25 de abril de 2026

Marcelo Zero: Brasil é Lula

Quem prejudica as relações bilaterais entre Brasil e os EUA é a extrema-direita. Não é o governo Lula.

As sanções adicionais de 40% sobre todos os produtos brasileiros, que tanto prejudicaram nossa economia, e ainda prejudicam (embora em grau bem menor), foram articuladas diretamente por Eduardo Bolsonaro e outros. Jair Bolsonaro o enviou aos EUA exatamente para isso.

O mesmo aconteceu ou acontece no caso da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, no cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, nas investigações contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, na pressão para caracterizar as organizações criminosas do Brasil como “narcoterroristas”, etc.

Todos esses atritos foram e são articulados por nossa extrema-direita.

Agora, a mesma coisa se verifica no rumoroso caso Ramagem, foragido da justiça do Brasil, condenado a mais de 16 anos por participação abundantemente comprovada na tentativa do golpe de Estado de 2022/2023.

Esse cidadão fugiu do Brasil pela fronteira de Roraima e a Guiana. Está na lista vermelha da Interpol há meses. O Brasil pediu sua extradição em 30 de dezembro do ano passado.

Independentemente disso, seu passaporte foi anulado e seu visto estadunidense está vencido. Está, portanto, em situação irregular, nos EUA

Ou seja, está qualificado para a deportação.

É o que os EUA, sob Trump, vêm fazendo com milhares de imigrantes, inclusive brasileiros.

Esses migrantes vêm sendo deportados de forma abrupta e automática, independentemente de terem processos para se regularizar ou para buscar asilo ou refúgio.

Muitos são presos quando comparecem, disciplinadamente, a audiências jurídicas para tratar de seus casos.

Ao que consta, o policial brasileiro, o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo, que atuava junto ao Departamento de Segurança Interna (ICE) nos EUA, como oficial de ligação do Brasil, apenas informou que Alexandre Ramagem, preso devido a um incidente de trânsito e sem documentação regular nos EUA, era procurado no Brasil.

Poderia ter sido deportado, independentemente do pedido de extradição. Ou poderia ter ficado por lá, como ficou, esperando a extradição. O delegado brasileiro não burlou nada, somente informou a situação e pediu o envio do criminoso ao Brasil. Cumpriu a função dele.

Contudo, o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, que odeia governos progressistas da América Latina, resolveu expulsar não o criminoso foragido, mas o policial brasileiro que apenas cumpria sua função. E o mandou fazer pelo twitter, sem nenhuma explicação oficial e sem nenhum diálogo com quaisquer autoridades brasileiras.

O Brasil de Lula reagiu à altura: chamou a encarregada de negócios para cobrar explicações e retirou as credenciais do oficial da justiça estadunidense que trabalha junto à PF, nas atividades de cooperação bilateral contra a criminalidade.

A nossa grande imprensa comprou a historinha ridícula e mentirosa do Departamento de Estado.

Quer, obviamente, colocar a culpa de tudo no governo Lula e classifica as críticas de Lula à guerra no Irã como “provocações”.

Ora, o mundo inteiro está criticando Trump por causa da guerra no Irã, um erro estúpido e crasso de um presidente totalmente desclassificado para o cargo, que está prejudicando fortemente a economia internacional.

Até mesmo a Itália de Meloni está procurando manter distância de Trump, principalmente depois que ele atacou o próprio Papa. Trump está se tornando cada vez mais “tóxico”.

Em breve, Trump deverá ser um “pato manco”. Deverá, segundo as previsões, perder a maioria na House e no Senado. Nem o Maga aguenta mais tanta incompetência e arrogância.

Os candidatos trumpistas do Brasil, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Caiado etc. tendem a se desgastar, com essas demonstrações desavergonhadas de submissão vil.

Patriotismo, na oposição, é tão raro quanto os minerais críticos que eles querem entregar.

Brasil é Lula.

•        ‘Lobby bolsonarista nos EUA’ protege Ramagem e obriga Brasil a usar princípio de reciprocidade, avalia especialista

O “princípio da reciprocidade” é o dispositivo diplomático que permitiu a revogação do visto de trabalho de um agente estadunidense que trabalhava no Brasil. A decisão anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na quarta-feira (22) é uma resposta à determinação de que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atua na Flórida, deixasse os Estados Unidos.

Carvalho, que atuava junto ao ICE, a polícia de imigração dos EUA, participou da prisão do foragido ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.

O conceito do princípio, universalmente reconhecido, especialmente no sistema multilateral, é nortear as relações entre os países do ponto de vista do comércio, do direito, das relações diplomáticas como um todo.

Segundo Antonio Marcos Roseira, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), esses princípios garantem que haja uma certa previsibilidade na relação entre os países. “Depois da Segunda Guerra Mundial, o princípio de reciprocidade ganha uma importância ainda maior. Então, quando uma nação toma uma decisão que fere a reciprocidade, isso de certa forma, gera um pequeno terremoto, ou um grande terremoto, na relação entre os países.”

Roseira chama a atenção para o certo nível de influência que a família Bolsonaro exerce junto a lideranças da extrema direita estadunidense e que culminou, agora, em uma interferência direta nas relações entre os dois países.

“As autoridades americanas foram influenciadas pelos brasileiros que pertencem ao bolsonarismo e estão atuando e fazendo lobby perante as instituições americanas para que as coisas não aconteçam da forma que o governo Lula está conduzindo. Ou seja, a gente está falando de um criminoso condenado por tentativa de golpe, que é um foragido da Justiça brasileira, que foi presidente da Abin no governo Bolsonaro, que é acusado de chefiar a Abin paralela. Isso é, aos olhos do nosso sistema de Justiça, ele foi julgado e é um criminoso e precisa ser extraditado para cumprir sua pena”, avalia.

Para Roseira, a decisão do Itamaraty de acionar o princípio de reciprocidade é acertada para responder a uma decisão irracional por parte do governo Trump. “O governo Trump toma decisões muito sem pé nem cabeça em vários aspectos, no campo da guerra, no campo das relações diplomáticas. Não há uma estabilidade em que a gente possa confiar para estabelecer um norte das relações”, diz. “Eles [governo Trump e apoiadores] entendem que figuras como Ramagem são importantes para desestabilizar sistemas políticos como o nosso. São traidores da pátria que atuam junto às instituições americanas. Então é uma mera desculpa para conseguir fazer o que eles querem, ou seja, não deixar que seja punida uma figura política brasileira que, na prática, funciona como um agente da política americana”, aponta.

•        O dever de reciprocidade: a necessária resposta do Brasil no caso Ramagem. Por Marcelo Copelli

decisão do governo de Donald Trump de determinar a saída de um delegado brasileiro que atuava junto às autoridades americanas no caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem — já acompanhada pela nomeação de um substituto — não constitui um gesto administrativo trivial. Trata-se de um movimento com implicações diplomáticas diretas, que desloca o episódio do plano operacional para o campo da política externa e impõe ao Brasil uma definição inequívoca de posição.

O elemento que agrava a situação é o fato de que a cooperação entre a Polícia Federal e estruturas americanas ligadas à área de imigração vinha ocorrendo dentro de parâmetros técnicos consolidados. A interrupção unilateral desse arranjo, sem transparência quanto aos critérios adotados, introduz uma variável política em um ambiente até então regido por lógica institucional. Para analistas, a medida sinaliza uma decisão orientada menos por necessidade administrativa e mais por conveniência estratégica, o que altera substancialmente a natureza da resposta exigida.

A leitura ganha densidade quando se consideram os vínculos de Alexandre Ramagem com o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como a relação historicamente próxima entre este e Donald Trump. Ainda que tais elementos não constituam prova formal de motivação, eles compõem um contexto político que não pode ser ignorado na análise estratégica. Em relações internacionais, decisões raramente são neutras; elas refletem, em maior ou menor grau, o ambiente político no qual são produzidas.

É nesse cenário que o princípio da reciprocidade assume centralidade. Longe de representar um gesto reativo ou impulsivo, constitui um dos pilares clássicos do direito internacional, operando como mecanismo de equilíbrio entre Estados soberanos. Sua função não é escalar tensões, mas impedir que práticas desiguais se consolidem como norma. Ao deixar de responder a uma medida que afeta diretamente seus agentes institucionais, um país não apenas absorve o impacto imediato — contribui para a formação de precedentes que passam a moldar interações futuras.

A relação entre Brasil e Estados Unidos sempre se estruturou sobre uma assimetria administrada com pragmatismo. Ao longo do tempo, consolidou-se um arranjo no qual o país preserva espaços de atuação desde que não ultrapasse limites informais, raramente explicitados, mas claramente perceptíveis em momentos de tensão. Esses limites não são fixos nem declarados; eles são testados. E é justamente nesses testes que a ausência de resposta deixa de ser neutralidade e passa a funcionar como validação tácita.

Sob a ótica do direito internacional contemporâneo, a previsibilidade de comportamento é um ativo central. Estados observam menos declarações formais e mais padrões concretos de ação. A repetição de condutas sem resposta efetiva tende a cristalizar expectativas, reduzindo a capacidade de dissuasão e estreitando a margem de manobra. Nesse contexto, a omissão não preserva estabilidade — ela a redefine, frequentemente em termos menos favoráveis.

É evidente que qualquer medida envolve custos. A relação bilateral com os Estados Unidos atravessa dimensões estratégicas, do comércio à cooperação tecnológica e de segurança, e decisões dessa natureza produzem efeitos que se estendem além do episódio imediato. No entanto, o cálculo de longo prazo não pode ignorar que a erosão gradual de autonomia também gera impactos cumulativos. Estabilidade construída sobre concessões reiteradas tende, com o tempo, a se converter em dependência operacional.

O ambiente político doméstico adiciona uma camada adicional de complexidade. Em um cenário de polarização, decisões de política externa são rapidamente absorvidas pelo conflito interno, comprimindo o espaço para avaliações estratégicas de longo prazo. Ainda assim, reduzir a necessidade de resposta a mero reflexo desse ambiente seria um erro de leitura. A pressão por ação expressa, em parte, a percepção de que há limites que, uma vez ultrapassados sem reação, reconfiguram a posição do país de maneira duradoura.

A tradição diplomática oferece instrumentos capazes de conciliar firmeza e racionalidade. A chamada reciprocidade calibrada permite respostas proporcionais, juridicamente defensáveis e politicamente inteligíveis, sem ruptura aberta. Trata-se de agir com precisão, sinalizando limites sem comprometer canais essenciais de interlocução. Essa abordagem exige controle político e clareza estratégica — atributos ainda mais decisivos em cenários de desnível estrutural.

Sem reciprocidade, a soberania deixa de operar como princípio efetivo e se reduz a enunciado formal. A consistência de uma política externa se mede pela capacidade de sustentar decisões custosas quando elas definem padrões de relacionamento. A previsibilidade que fortalece um Estado não é a da inação, mas a da coerência entre discurso e prática.

Estados não testam declarações — testam comportamentos. E são eles que delimitam até onde podem avançar. O caso Ramagem, portanto, não é apenas um episódio circunstancial. É um ponto de verificação. A resposta brasileira indicará se o país está disposto a exercer sua autonomia de forma concreta — ou se continuará operando dentro de limites cuja definição, na prática, permanece condicionada por outros.

•        Lula manda recado a Trump após retirar credenciais de policial dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu seguir adotando a reciprocidade com relação às medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

Em vídeo divulgado através das redes sociais na noite desta quarta-feira (22), Lula parabenizou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por retirar as credenciais de um policial estadunidense que atuava junto à PF no Brasil.

A medida se deu como reação à retirada de credenciais do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho por parte do governo dos EUA. Ivo, que atuava em cooperação com a polícia de imigração estadunidense, foi peça fundamental para a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido da Justiça brasileira, na Flórida. Ramagem, contudo, foi liberado e o governo Trump acusou Ivo de tentar manipular o sistema de imigração dos EUA para fins políticos.

Ao parabenizar Andrei Rodrigues por retirar as credenciais do policial dos EUA que atuava no Brasil, Lula mandou um recado direto a Donald Trump:

“Parabéns por sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade. O que eles fizerem conosco, nós vamos fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar para voltar à normalidade”.

No mesmo vídeo, Lula anunciou ainda a contratação de mil novos policiais federais para fortalecer o combate ao crime organizado. Segundo o presidente, essa será a primeira vez na história que a PF terá todos os seus cargos ocupados.

Assista:

<><> Expulsão de delegado da PF dos EUA e reciprocidade; entenda

A decisão da Polícia Federal de retirar as credenciais de um agente norte-americano no Brasil foi uma resposta direta a um movimento anterior do governo dos Estados Unidos contra um delegado brasileiro.

Na segunda-feira (20), o governo norte-americano determinou a retirada das credenciais do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Na prática, a medida inviabilizou sua atuação no país e levou à sua saída da função.

Autoridades dos EUA acusaram o delegado de tentar manipular o sistema de imigração com objetivos políticos — alegação que surge após sua participação na operação que resultou na prisão, na Flórida, do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido da Justiça brasileira. Ramagem acabou sendo liberado posteriormente.

Diante da decisão, a Polícia Federal reagiu com base no princípio da reciprocidade. Nesta quarta-feira (22), o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, anunciou a retirada das credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava dentro da sede da PF, em Brasília.

“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Rodrigues em entrevista à GloboNews.

Segundo ele, a medida impede o agente de acessar instalações da PF e sistemas de informação utilizados na cooperação bilateral entre os dois países.

Rodrigues fez questão de diferenciar a ação de uma expulsão formal. De acordo com o diretor, nem o delegado brasileiro foi expulso dos Estados Unidos, nem o agente norte-americano será retirado do território brasileiro.

“Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, disse.

Ele ressaltou que eventuais medidas diplomáticas mais amplas cabem ao Itamaraty, que já iniciou contatos com autoridades norte-americanas para tratar do caso.

Apesar da reação, o diretor da PF afirmou que a situação é indesejada. “À medida que uma agência tira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do policial norte-americano que está aqui — e faço isso com muito pesar”, declarou.

O episódio expõe uma escalada de tensão na cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos, em um contexto político marcado por atritos entre o governo de Donald Trump e decisões recentes da Justiça brasileira envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Fonte: Viomundo/Brasil de Fato/Fórum

 

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