sábado, 25 de abril de 2026

Emir Sader: O futuro do Brasil - Lula ou Bolsonaro

Desde que a direita brasileira se tornou bolsonarista e Lula se consolidou como a alternativa que unifica toda a esquerda, o futuro do país está resumido à alternativa Lula ou Bolsonaro (ou o filho que ele indicar).

A chamada terceira via já nasceu morta. Dizer que vai superar a polarização e pacificar o país é como afirmar: nem direita, nem esquerda. Como se a polarização fosse um ato de vontade, e não algo que nasce das profundezas da sociedade.

Desde que o capitalismo internacional aderiu ao neoliberalismo, as alternativas se reduziram a aceitar esse modelo ou resistir e lutar por sua superação. O neoliberalismo ou o antineoliberalismo, que deve desembocar no pós-neoliberalismo — período ainda por definir.

A direita, com seus distintos possíveis candidatos, quer herdar o caudal de votos de Bolsonaro, o que a condena ao bolsonarismo, com todas as suas formas de negacionismo e sua herança totalmente negativa de governo.

O que tem a direita brasileira a propor? Somente o “Fora Lula”? Para colocar o quê em seu lugar? Apenas liquidar as conquistas sociais — a começar pelo salário mínimo —, incluindo a indenização aos grandes empresários pela diminuição da jornada de trabalho, proposta apresentada como “genial” por Tarcísio, ex-governador de São Paulo, para restabelecer o neoliberalismo?

O neoliberalismo teve seu auge; hoje, pode-se dizer que fracassou, tanto no Brasil quanto na América Latina e no mundo. Basta comparar dois modelos contrapostos: o Brasil e a Argentina.

No Brasil, um modelo antineoliberal, com prioridade às políticas sociais, pleno emprego e fortalecimento e democratização do Estado, apresenta indicadores econômicos e sociais positivos. Já a Argentina enfrenta um desastre econômico e retrocessos sociais inimagináveis há algum tempo. Lula se fortalece até mesmo nas pesquisas, enquanto Axel Kicillof, candidato da oposição a Javier Milei, já chega a ter 10 pontos de vantagem sobre o presidente, que está em um declínio acelerado.

No Chile, o presidente neopinochetista recém-eleito tenta impor retrocessos políticos e econômicos que só podem levar o país a um novo desastre. Enquanto isso, no Brasil e no México, as economias se expandem, os direitos sociais se consolidam e o neoliberalismo vai sendo superado.

Dessa maneira, a mídia deveria se convencer de que, ao se concentrar em atacar Lula, acaba favorecendo a única alternativa ao ex-presidente: o filho designado por Bolsonaro para ser candidato.

A história não é um processo absolutamente aberto, em que todas as alternativas são possíveis. Hoje, o futuro do Brasil, a ser decidido na próxima eleição presidencial, está circunscrito a Lula ou ao filho de Bolsonaro — gostem ou não jornalistas e defensores de uma terceira via que só existe na vontade desesperada deles.

<><> Campanha de Lula avalia escritório próprio para o Nordeste

Integrantes da campanha do presidente Lula avaliam novas estratégias para manter a vantagem no Nordeste, considerado principal reduto eleitoral do PT.

Segundo apuração da coluna, auxiliares defendem a criação de um comitê próprio na região. A avaliação interna é de que o petista precisa manter e ampliar mais diferença de votos nesse eleitorado.

A campanha também aposta na adoção de uma linguagem específica para fortalecer a comunicação com o público nordestino.

A ideia é que Lula intensifique as viagens aos estados da região até outubro. No próximo mês, por exemplo, ele deve cumprir uma série de agendas e entregas em Sergipe.

•        Flávio aposta no agro; Lula em soberania

Os recentes discursos do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelam estratégias distintas para conquistar o eleitorado brasileiro. A análise é de Matheus Teixeira, ao CNN Novo Dia.

Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tem buscado uma imagem mais moderada em comparação ao pai, apresentando-se como "o Bolsonaro que tomou vacina". Segundo Teixeira, há uma pressão no entorno de Flávio para que ele assuma um compromisso com as instituições democráticas e com o respeito ao resultado das eleições, tentando realizar uma inflexão mais ao centro.

Em sua estratégia eleitoral, Flávio Bolsonaro participou recentemente de um evento em Sinop, Mato Grosso, com o objetivo de fortalecer sua base no agronegócio. O analista explica que o senador busca angariar apoio não apenas dos grandes empresários do setor, "e não só os grandes empresários, mas, como os pequenos produtores também, e toda cadeia de negócios do agronegócio para seu lado", aponta.

<><> A aposta de Lula na soberania nacional

Por outro lado, o presidente Lula tem apostado no discurso da soberania nacional como sua principal bandeira. Matheus Teixeira destaca que Lula elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, especialmente após o episódio envolvendo Alexandre Ramagem, que foi detido pela polícia norte-americana (ICE) numa suposta parceria com a Polícia Federal brasileira.

O analista lembra que, após os Estados Unidos retirarem a credencial do delegado brasileiro que teria auxiliado na detenção de Ramagem, Lula e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, responderam "na mesma moeda", retirando a credencial de um policial americano que estava no Brasil.

"Justamente porque o presidente Lula está nesse objetivo e nesse mote de campanha da soberania nacional", explica Matheus Teixeira.

Teixeira também menciona outros episódios recentes em que Lula reforçou seu discurso de soberania: a reação ao tarifaço dos Estados Unidos no meio do ano passado, considerado pelo analista como "o melhor momento do seu governo"; a crítica à tentativa de Donald Trump de vetar o presidente da África do Sul no encontro do G20; e a solidariedade prestada ao Papa, que teve embates com o presidente americano. Segundo o analista, essa estratégia de Lula está alinhada com seu objetivo de campanha focado na defesa da soberania nacional.

•        PT deve defender união nacional contra a extrema direita em manifesto

O Partido dos Trabalhadores (PT) deve apresentar, em seu próximo congresso nacional, um manifesto que defende a união entre partidos de centro e de esquerda para enfrentar o que classifica como avanço da extrema direita no país. Segundo a CNN Brasil, a proposta faz parte da estratégia eleitoral da legenda para este ano e inclui articulações políticas mais amplas e intensificação do debate público.

O encontro ocorrerá neste fim de semana, em Brasília, e servirá para consolidar diretrizes políticas do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que o documento também reforce a linha adotada por Lula em agendas internacionais, buscando associar adversários políticos a posições consideradas radicais.

Entre os pontos centrais do manifesto está a tentativa de mobilizar partidos de centro em torno de uma frente comum. A iniciativa pretende apresentar o cenário político como um embate em defesa da democracia, com referência a episódios recentes, como os atos de 8 de janeiro, apontados por lideranças petistas como uma ameaça institucional.

Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que a estratégia inclui ampliar o enfrentamento político nas redes sociais, especialmente em relação ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. O objetivo é reforçar a narrativa de polarização e consolidar apoio entre diferentes segmentos do eleitorado.

•        Por voto moderado, Flávio Bolsonaro toma distância dos irmãos, dizem fontes

Na medida em que o time de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começa a se ambientar, ganha consistência nos bastidores um plano mais detalhado para suavizar a imagem do senador.

Nas últimas semanas, segundo relatos de aliados próximos, Flávio foi convencido de uma das principais medidas nesse sentido: tomar alguma distância dos irmãos com o objetivo de ampliar sua aceitação junto ao eleitorado de centro.

A decisão já foi sacramentada pela coordenação de campanha de Flávio, segundo relatou à CNN um interlocutor próximo ao pré-candidato do PL à Presidência.

Como parte desse movimento, aliados próximos de Flávio têm aconselhado o senador a evitar falar sobre nomear alguns dos irmãos para cargos num eventual governo, por exemplo. Causou desconforto na campanha, inclusive, a ideia de que Eduardo Bolsonaro poderia chefiar o Itamaraty.

Há preocupação, em especial, quanto a Eduardo, pelo fato de ele seguir na mira da Justiça por coação. Ou seja, pode vir a protagonizar fatos novos com potencial de respingar na campanha.

Além disso, a figura de Eduardo contribui para trazer para o debate eleitoral a relação com o governo de Donald Trump em um momento delicado para o presidente norte-americano, por conta do conflito no Oriente Médio.

Ainda segundo os relatos, outro foco é Carlos Bolsonaro, peça-chave da estratégia digital de seu pai, Jair Bolsonaro, no período em que o ex-presidente esteve no Palácio do Planalto.

A ideia é transmitir a mensagem de que um eventual governo de Flávio passaria longe de medidas como o resgate do “gabinete do ódio”, como ficou conhecida a estrutura de disseminação de informações arquitetada sob comando de Carlos.

Os irmãos – junto com o caçula Jair Renan – seguirão presentes na campanha, mas a ideia é que evitem discursos muito casados nesse estágio.

Flávio deve aproveitar para centrar esforços, neste momento, em conquistar o eleitor mais moderado, deixando para o restante da família e a aliados a missão de mobilizar a base eleitoral mais radical do bolsonarismo.

Flávio, segundo os relatos, sempre ressalta nas conversas reservadas a consideração em relação aos irmãos. Ainda assim, tem se mantido bastante aberto às recomendações.

•        Flávio é aconselhado a firmar compromisso com estabilidade democrática

O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, tem sido aconselhado a firmar um compromisso com a estabilidade democrática.

A ideia sugerida por dirigentes de direita seria incluir no programa de governo do postulante ao Palácio do Planalto uma defesa enfática ao regime democrático e o respeito ao resultado das urnas.

O objetivo seria ter uma “vacina eleitoral” e rebater a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de vincular ao primogênito de Jair Bolsonaro (PL) ao rótulo de radical, além de enfraquecer as acusações sobre a possibilidade de um novo episódio golpista do 8 de janeiro de 2023, que levou o pai do senador à prisão.

Desde o início da pré-campanha, Flávio tem se apresentado como um Bolsonaro de postura moderada, ou seja, tentado se diferenciar do pai em busca de um eleitorado de centro insatisfeito com a gestão petista.

Em viagem à Europa, Lula reforçou o discurso eleitoral de avanço do que ele chamou de “extrema direita” no mundo e de que ele representa a defesa da soberania e do diálogo.

A ideia defendida é de que, no programa de governo, Flávio também faça um aceno de diálogo com o STF (Supremo Tribunal Federal), para distensionar a relação com a Suprema Corte, e sugira políticas públicas focadas a minorias, como mulheres e negros.

•        Carlos Bolsonaro atua como "fiscal de engajamento" de aliados de Flávio

Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, tem atuado como uma espécie de "fiscal de engajamento" da pré-candidatura à Presidência da República de seu irmão, Flávio Bolsonaro.

De acordo com apuração do analista de política Pedro Venceslau, durante o CNN 360º desta quarta-feira (22), Carlos Bolsonaro tem criticado abertamente a falta de empenho de aliados em relação à candidatura de Flávio.

Venceslau comentou que teve uma conversa reservada com um dos parlamentares que estaria na lista dos "não engajados". Segundo o analista, o próprio político quem utilizou justamente a expressão "fiscal de engajamento" para se referir à atuação de Carlos.

"Ele disse que seria mais interessante se Carlos Bolsonaro estivesse empenhado em fazer campanha em Santa Catarina, onde ele está mal nas pesquisas de intenção de voto, com dificuldades para se eleger, do que ficar navegando pelas redes sociais dos aliados para saber quem está postando ou não mensagens a favor do Flávio Bolsonaro", destacou Venceslau.

O analista lembra que Eduardo Bolsonaro, lá dos Estados Unidos, também havia cumprido papel semelhante. "Ele pegou muito no pé de Nikolas Ferreira (PL-MG), postou mensagens cobrando que o Nikolas atue mais pela campanha do Flávio, algo que o próprio Flávio não faz", observou o analista

Na terça-feira (21), Carlos Bolsonaro publicou na rede social X (antigo Twitter) um longo texto criticando os aliados. Em um trecho da publicação, ele afirmou: "É estarecedor perceber que a esmagadora maioria [dos aliados] não tem sequer uma postagem há mais de quatro meses citando o Flávio Bolsonaro".

Na mesma publicação, Carlos disse ainda que "sem as tias do Zap e tios do churrasco, o Brasil teria ido para o brejo", e finalizou informando que levará essa questão para a executiva nacional do PL, partido ao qual a família é filiada.

 

Fonte: Brasil 247/CNN Brasil

 

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