sábado, 30 de junho de 2012

SEJA RESPONSÁVEL. SEU VOTO PODE MUDAR.

No Brasil, a cada dia fica mais claro para população, que em política os “princípios éticos” sempre correspondem a necessidade da classe política em se locupletar, e que tudo é realizado contrariando todas as normas morais e legais. Os políticos jamais demonstram preocupação em promover o bem comum da população, ao contrário, utilizam ou lançam mão de qualquer meio e subterfúgios para alcançar os seus objetivos. 
 De há muito deixaram de ser éticos, já que sempre se utilizam da mentira para convencer ou ganhar o eleitor, iludindo-os com promessas que sabem jamais cumprirá ou sequer pensam em um dia cumprir, já que o objetivo traçado é unicamente o de obter um mandato que lhes permita legislar em seu próprio benefício ou daqueles que os financiaram. Outros almejam administrar os bens públicos, não com a meta de gestar políticas visando o bem comum, pelo contrário, tem como meta fazer uso e proveito, retirando deles o máximo que puderem para si e aliados. 
Qualquer que seja o caso, parte da população tem a clareza, que o político brasileiro não tem e nem adota a ética como fim, dela se desviando, fazendo da política o meio encontrado de favorecimento para si e para uma minoria. Isto quando não estão envolvidos com criminosos. 
Tem sido comum, principalmente entre aqueles que defendem a forma de fazer política nos dias atuais, afirmar em defesa dos seus argumentos, que a falta de ética é uma prática utilizada por uma minoria e que há uma grande quantidade de bons políticos. Ora, se esta afirmativa fosse verdadeira, não assistiríamos tantos escândalos que estouram diariamente, envolvendo a tudo e a todos. Com raríssimas exceções. 
O que temos visto na prática e as nossas observações nos levam a concluir, que há bem poucos políticos bem intencionados e estes poucos ao conviverem neste meio podre, logo se decepcionam e em sua grande maioria chegam a abandonar a carreira por não concordarem em se chafurdar no lamaçal e na podridão em que vivem a maioria. Outros também bem intencionados são obrigados a se afastarem por não suportarem a pressão que lhes fazem para que se aliem ou apoiem às suas falcatruas. Esta é a verdade. E esta podridão a gente assiste a partir das Câmaras Municipais. 
Não sei se tivemos anteriormente, um ambiente político tão imundo como nos dias atuais. São homens públicos envolvidos em todo tipo de falcatruas e maracutaias, sem que nada lhes ocorra. A situação está a tal ponto, que parece que no Brasil só se dá bem quem se envolve com este ambiente, fazendo com que as pessoas honestas e éticas sintam vergonha de alardear esta virtude. 
Vivemos hoje em uma sociedade em que a maioria se vê sem motivação para esboçar qualquer reação, pois se sentem marionetes nas mãos dominadas por interesses minoritários e escusos. São homens públicos que envergonham a história deste País, vivendo em uma sociedade apodrecida, envolvidos em elevados níveis de corrupção, onde diariamente a sociedade assiste um relacionamento promíscuo daqueles que se dizem seus representantes, associados a grupos criminosos, organizados e até armados, e se fazendo passar como seus protetores e benfeitores. 
O que se vê hoje nas Casas Parlamentares, nas práticas do Executivo e de parte do Judiciário, já seria suficiente para que a população se enchesse de indignação, em uma Nação onde 25% da sua população, resistem vivendo abaixo da linha da miséria, sendo que cerca de 9 milhões deles passam fome literalmente, ocasionado por um modelo econômico concentrador de renda e de pouca absorção da mão de obra, fruto de uma política educacional pública sucateada que não oferece perspectiva de futuro digno daqueles que dela necessita. 
Enquanto assiste este quadro desalentador, os homens públicos estão a se preocupar em atender os seus próprios interesses, sem nenhum compromisso em criar políticas públicas eficazes visando buscar resolver os nossos graves e estruturais problemas. Não se vê no semblante dos nossos políticos a mínima preocupação. 
Talvez, este ano, por estarmos em ano eleitoral, demagogicamente se apresentem a população com projetos e promessas para a solução dos problemas. Cada um terá uma solução milagrosa. Passadas as eleições os miseráveis continuarão mais miseráveis, o pobre continuará mais pobre e assim caminhará a passos largos a política nacional. 
A situação chegou a tal ponto, que segmentos da população consideram como normal o manancial de escândalos de corrupção em que nos encontramos; aceita passivamente a má aplicação dos recursos o públicos pela grande maioria dos nossos gestores, e até concordam com os desvios éticos e morais de nossos políticos e juristas. 
Quando os escândalos explodem, a mídia que está sempre omissa, passa a explorar de forma exagerada os fatos, parecendo inclusive e em muitos casos está a serviço de grupos de oposição. Passado o período de audiência, esta mesma mídia se encarrega de levar estes mesmos fatos para o baú do esquecimento, como se nada tivesse ocorrido, de forma que este esquecimento leve a IMPUNIDADE. 
E este esquecimento parece ser feito de forma proposital, de forma que esses mesmos políticos envolvidos nos mais variados escândalos de corrupção, que em sua grande maioria poderiam ser enquadrados em crimes hediondos e que enojam a maioria dos brasileiros, acabam levando-os a serem reeleitos, pois são homens que como ninguém aprenderam a arte de manipular as massas, seja com discursos bonitos ou mesmo utilizando dos recursos apropriados ilegalmente. São reeleitos provavelmente por grande parte da população, mantida na miséria e com baixa escolaridade, pois é exatamente com esse propósito, que eles perpetuam a situação que hoje se encontra. 
Não se vê qualquer interesse de alguém em punir alguém, o que faz crer que nos três níveis de governo - Executivo, Legislativo e Judiciário - todos têm algum tipo de culpa no cartório, e que existe um pacto entre eles onde ninguém mexe com ninguém, e que cada um siga o seu caminho sem incomodar ao outro, desde que todos continuem se dando bem. 
E mesmo com tanto roubo e desvios éticos, podemos afirmar sem medo de errar que vivemos em um país abençoado. Apesar de todos os desmandos e desvios de conduta, de recursos e de práticas imorais dos políticos e das nossas instituições, onde o legislativo vive a aprovar leis baseadas em princípios aéticos, obscuros e imorais, o Brasil é um País grandioso que, com tantos maus tratos ainda é fantasticamente belo, próspero e grandioso, com uma economia forte e pujante, e um povo valente, dotado de talentos mil, capaz de superar e passar por cima de todas as dificuldades e continuar crescendo, chegando a incomodar as maiores economias, aquelas chamadas de desenvolvidas. Apesar de tudo e de nossos políticos ainda chegaremos lá. 
Pela grandeza do seu povo é que é esta Nação sobrevive. E está chegando a hora de darmos os primeiros passos para modificar este quadro que aí está. Temos o dever moral de nos unir, àqueles que já não suportam tantos desmandos, e dá o grito de alerta. Começar a se opor a esses desmandos, orientar aqueles que ainda não acordaram, para que de forma pacífica, busquem priorizar os interesses da coletividade, dando um basta aqueles políticos e homens públicos que apenas utilizam do bem público em benefício próprio. Pense bem. 
O Brasil e sua cidade necessitam e merecem que todos se unam em benefício da coletividade, com uma sociedade feliz, e com sua população sem ter que passar pelo dissabor da miséria física e moral a que hoje estão submetidos, pela falta de ética na política. E tenha cuidado, pois este será o ano em que os lobos se apresentarão em vestes de cordeiro. Em que os ladrões do dinheiro público, se apresentarão como os homens mais honestos deste País ou da sua cidade. Mais caberá a você decidir. Uma dica apenas: pesquise a vida daqueles que se apresentarem pedindo votos. Quem era, onde trabalhou, que cargo exerceu, como chegou ao patamar ou ao status financeiro que demonstra hoje. O que fez como político, agiu honestamente? O que obteve o foi com honestidade ou no cargo que exerceu fez todo tipo de falcatrua? Estaria ele se utilizando de órgãos públicos para alavancar a sua candidatura? Se estiver enquadrado em algum dos itens que o desabone, negue o seu voto. Ele não merece ser votado. Ele não é digno em ser seu representante. 
Lembre-se que é você quem decide os destinos da sua cidade. Ela está em suas mãos. Depois não se arrependa, pois um voto errado a cidade é punida por quatro anos.

sábado, 23 de junho de 2012

COMO VENCER A VIOLENCIA

Devemos reconhecer que se instalou em nossa sociedade a cultura da esperteza, da violência, da imoralidade e da falta de amor. 
Este procedimento aceito por setores da sociedade tem deixado aqueles que não admitem este modo de viver confusos, alguns acuados, outros adoecidos, diante da banalização do mal e da inversão de valores. 
Vivemos hoje num contexto de violência, grosserias, falta de educação e respeito. 
Isso em todos os lugares e ambienteS, seja dentro de casa, no trabalho, nas escolas, nos lugares públicos, enfim há uma falta de paciência que está generalizada. 
A coisa chegou a tal ponto que ninguém consegue compartilhar nada com ninguém. É um mundo cão, onde cada qual se acha dono do espaço que ocupa. 
Chegamos a um estágio que ninguém é capaz de ceder o lugar para um idoso, uma mulher com criança ou grávida, um deficiente físico sequer no coletivo, imagine em outros lugares. 
Olhe em sua volta e veja em quantas famílias os irmãos não conversam entre eles; quantos filhos se recusam a falar com os pais, vivem mudos como se estes fossem seus inimigos, quando não os agridem fisicamente ou por palavras. 
Veja nas ruas como anda o clima. 
As pessoas se agridem, se xingam; no trânsito é cada um por si, procuram não dá espaço; brigam e matam por qualquer bobagem; não respeitam os pedestres, jogando o carro em cima das pessoas, quando não enchem a cara e saem por aí matando inocentes. Este é o tipo de relacionamento dos dias atuais. Falta solidariedade. 
Infelizmente, tudo é motivo para agressão e violência. 
No Brasil de hoje, ser socialmente "correto" é sinônimo de desonestidade e de esperteza,em razão do  desrespeito às leis, onde o império da corrupção deslavada predomina, levada por uma justiça cada vez mais condescendente com os criminosos. 
Diante disso, assiste-se o domínio da impunidade e da intolerância. 
Este quadro tem colaborado para o aumento da violência urbana, levando todos a viverem em permanente tensão, acarretando um crescente nível de estresse. Adoecendo a todos. 
Infelizmente, temos que reconhecer que o medo excessivo em razão desta violência que a cada dia tem aumentado, está muito perto de nós, batendo nas nossas portas, sem que vejamos uma luz no final do túnel. 
É visível e notório que as pessoas em razão deste estado de coisas, estão mudando seus hábitos, tentando se protegerem desta violência. 
São casas com muros que mais parece um presídio, portas e janelas trancadas e gradeadas, carros blindados e o medo de saírem às ruas têm levado a sociedade para o isolamento, acabando com a antiga solidariedade entre as famílias, trazendo a todos a triste sensação de inutilidade. 
Hoje o que mais se escuta são notícias de espancamentos, estupros, desrespeito a idosos, às mulheres, às crianças e a deficientes. Isto tem levado as pessoas a ter medo de sair de casa, de deixar seus filhos brincar livremente como antigamente. 
Diante disto, as pessoas estão se privando do direito à liberdade. 
Nada justifica a violência que hoje impera, exceto a omissão dos Poderes constituídos em buscarem alternativas e soluções. De buscar o diálogo e junto com a comunidade se tornar aliados para dar um fim este atual estágio de barbárie que vivemos. 
A situação chegou a tal estágio, que hoje todos estão sendo atingidos. Não mais escolhem a condição social, religião e idade, para praticá-las. 
Somado a violência física, temos a violência verbal que se junta ao preconceito presente em nossa sociedade, diante da exclusão social, sendo este último uma excrescência nos dias atuais e que não tem levado a lugar algum. 
Enquanto nossos governantes não descerem do palanque e darem o devido valor a Educação, não poderemos sonhar com dias melhores. 
É sabido por todos, que só através da educação poderíamos proporcionar uma vida mais digna para todos os cidadãos. 
Se muitos atos violentos são cometidos, muitos deles devido ao desespero de não conseguir sustentar a família, por exemplo, só através do conhecimento estas pessoas seriam induzidas a procederem mudanças de comportamento, pois estariam conscientizadas da responsabilidade dos seus atos e pelo que fazem. 
Ora, o homem sabendo da punição que poderá receber da sociedade, o levará ao caminho do respeito pelo próximo, que é à base do bom relacionamento e da convivência entre as pessoas e passará, a saber lidar com cada situação sem a necessidade de utilizar a força, como forma de obter o desejado. Com certeza, isto ocorrendo deixaremos de conviver com tantos índices de violência. 
Não imaginamos um mundo onde todos pensem de uma mesma maneira. Muito pelo contrário, até pelas diversas formações culturais sempre haverá divergências, porque cada ser humano tem a sua forma de pensar. 
Lógico que somos diferentes, não só fisicamente, mas também intelectualmente e educacionalmente, mas não existe um método melhor de resolver as divergências que não seja pelo diálogo. 
A força e a violência é o caminho encontrado pelos fracos, que acreditam que assim agindo estarão demonstrando todo seu poderio. Como estão enganados. 
É, portanto, pelo diálogo que aprendemos a perdoar. 
E  os homens, infelizmente, ainda não aprenderam a perdoar, exatamente porque ainda não estão educados para dialogar, e o único caminho para que os homens aprendam o que é perdoar, seria através do conhecimento e, se bem educados, talvez, aprendessem o sentido do que seria a compaixão. Este seria o caminho. 
O País em que vivemos, não é mesmo que vemos, mas ele é fruto do que construímos. 
Se como diz os diversos segmentos religiosos “que o homem é a imagem e semelhança de Deus”, então que busquemos dentro de nós esta semelhança e ao alcançá-la passemos todos a viver em paz, e que tenhamos a consciência de que todos somos iguais. A partir deste instante, com certeza, a violência irá se dissipar e será vencida pelo amor e pelo saber. 
Quando cada um obtiver o conhecimento e a educação que ofereça oportunidades iguais a todos e o homem passar a colocar o amor ao próximo em primeiro lugar, nada o levará a violência. 
Não serão as desigualdades sociais, o medo, a vergonha, a humilhação, a pobreza, as drogas, que irá ditar as regras, ou que irá convencer a entrar no caminho errado. 
Não serão os outros que irão ditar as regras ou dizer e pensar por você. 
Não, você estará suficientemente preparado para enfrentar cada situação e tirar de letra. 
No dia em que a humanidade colocar o amor em primeiro lugar, as pessoas procurarão levar alegria e esperança àquelas que talvez nunca tenha visto antes, que não sabe como se chama ou mesmo onde mora, mas terá a sensação de felicidade por ter feito alguém feliz e que teve como pagamento um sorriso. 
Aí sim você terá a certeza de que vale a pena colocar o amor em primeiro lugar. 
Para isto precisamos nos auto-avaliar, e começar a nos conscientizar que colhemos o que plantamos. Se plantarmos amor, receberemos amor, se plantamos raiva e ódio colherá o mesmo. 
Portanto, usemos da liberdade que possuímos para amar e levar amor às pessoas por mais difíceis que aparentem ser ou por mais insuportáveis que se apresentem, mesmo que não recebamos o mesmo em troca. 
Amar a quem nos amam é beleza não há dificuldades, porém amar os difíceis  é aí que está o nosso maior desafio. E só com o amor e levando amor para estes complicados é que venceremos a violência e o medo.

domingo, 17 de junho de 2012

SONHOS QUE O PT NEGOU

O ideário neoliberal traz no seu bojo graves ameaças as conquistas sociais historicamente obtidas, pelo fato de privilegiar o mercado ao pleitear um desenvolvimento econômico com um único viés,  através da desregulamentação da economia, cujos fundamentos representam grande possibilidade de liquidar as conquistas sociais duramente conquistada, acarretaando em aumento ainda em maior nível e de forma alarmante as desigualdades sociais. 
As propostas daqueles que são contra esse modelo, a  nova esquerda brasileira, tem como ponto de partida a manutenção, ampliação e defesa dos direitos sociais, aliado a obtenção de novas conquistas e de novos progressos em termos de justiça social, de forma que se possa construir uma nova economia mais humana, menos desigual, menos injusta socialmente e com uma melhor distribuição de renda. 
Que fique claro, o sonho das esquerdas é o de apontar para um novo modelo econômico, independente do ideal socialista, este um sonho a ser alcançado em longo prazo. É um modelo que  aponta alternativas à modernização, como caminho alternativo ao modelo neoliberal, seja no âmbito de partidos políticos ou dos movimentos sociais. Pena que o PT, partido que lidera uma coligação que vai da direita a esquerda, não tenha entendido o recado e passe para a história, como o partido que acuou as esquerdas, ao dar uma guinada de 180º graus para a direita, jogando no lixo tudo que plantou no passado. 
Caberia ao PT coordenar ações que levasse a convergência entre as múltiplas forças políticas que está ao seu redor e apontasse para um caminho onde imperasse a justiça social em lugar da imposição do mercado como atualmente, desconsiderando totalmente os ideais de justiça social. 
Pelo simples fato do PT ter emergido através de uma coligação a qual historicamente tinha os partidos de esquerda como primeiro e fortes aliados, esperava-se ao assumir o Poder a apresentação de uma inovadora conjuntura sociopolítica, a qual expressasse um novo modelo, onde a política econômica ganhasse um novo contorno e priorizasse os ideais de justiça social, acarretando em um novo um processo de reformulação e revisão do pensamento e do discurso político da direita de um novo colonialismo implantado através da política neoliberal. 
A ascensão do PT ao Poder se deu fundamentada nos princípios dos ideais de justiça social, que sempre orientou o pensamento da esquerda brasileira e que população assimilou. 
Porém, o que se vê, é uma administração não tem expressado esses ideais, dando a essa luta um novo formato, através da continuidade a uma política econômica estabelecida pelas elites desde que o País foi colonizado, acrescido de alguns programas sociais, aceitos pelos neoliberais, sem permitir, no entanto, que se ampliem as conquistas e a justiça social, de forma que a desigualdade continue e que a injustiça social campeie em nossa sociedade. 
Hoje, o que se busca, é a redução do fosso das desigualdades. Um caminho onde seja implantada uma sociedade mais humana e menos desigual, bastante diferente do modelo defendido pelos atuais ideólogos petistas. Pena que o PT não entenda ou não queira participar deste sonho. 
Na realidade, o mais importante no momento é garantir a manutenção das garantias e dos benefícios sociais e trabalhistas já conquistados, hoje bastante ameaçados pela política neoliberal implantada, para num segundo momento lutar para obter, conquistar e ampliar os direitos e progressos em termos de justiça social para as camadas mais baixas da sociedade. 
Caberia ao PT liderar essa nova esquerda brasileira, atuando ativamente no cenário político e social com o objetivo de mobilizar a sociedade, principalmente as camadas populares. Infelizmente o PT abriu mão deste sonho e caiu nos braços neoliberais, deixando as esquerdas acuadas, sem maiores argumentos, para se contrapor aqueles que consideram o neoliberalismo como o sistema ideal e “socialmente mais justo”. 
O PT, desta forma, pode ser considerado o responsável pela derrocada dos sonhos e ideais da esquerda, uma vez que não implementou as transformações estruturais impostas pelo sistema capitalista, de forma que pudesse superar e que permitisse o País respirar uma nova ordem social e política. 
Essas foram bandeiras e lutas relegadas após a ascensão do PT ao Poder, que tem se mantido na defensiva, em lugar de ser mais ofensivo, de forma que pudesse se contrapor ao ideário neoliberal. 
O sonho de construir uma sociedade menos desigual deixou de serem prioridade, e o que se observa é a cada dia uma maior aproximação da manutenção da política econômica encontrada e implantada, relegando os ideais de justiça social. 
O que está claro para a sociedade é a derrocada dos ideais pregados no passado e que, as transformações estruturais do sistema econômico capitalista, junto com a criação de um Estado de justiça social já não são prioridades, estando superados, apesar de alguns entenderem que os sonhos da esquerda ainda estão adormecidos, mesmo que essas transformações para serem alcançadas e operacionalizadas o sejam de forma gradual, sem o radicalismo apregoado no passado. 
É preciso que saibamos, que em pleno sec. XXI, a direita continua aí e  um dos motivos e o incentivo obtido tem vindo do deslocamento do PT da esquerda para o centro – direita e ao optar por se aliar ao que há de mais podre no cenário político nacional, convivendo lado a lado com políticos que fizeram e fazem da administração pública o seu trampolim para ilícitos e enriquecimento, encurralou a esquerda, deixando-a momentaneamente sem discursos ou argumentos. 
Mesmo vendo seu eleitorado minguando, a direita continua viva, e buscando sobreviver. Para enganar a população muitas vezes utilizam do discurso do centro - esquerda, chegando a defenderem investimentos no social. Hoje defendem uma máquina governamental menos inchada, logo eles que fizeram do serviço público o seu cabedal de empreguismo, de enriquecimento ilícito e de manutenção do Poder. 
Portanto, torna-se necessário que as reformas tragam no seu conteúdo um conjunto de medidas e políticas econômicas que busquem não apenas o Estado ideal e possível de justiça social, mas que procurem instaurar um modelo de desenvolvimento global, fundamentado e alicerçado num amplo programa de distribuição de renda e, em uma efetiva e eficiente reforma agrária, de forma o desenvolvimento proposto seja um agente estimulador e de incentivo, não apenas para o crescimento econômico, mas que efetivamente, ocorra uma valorização e crescimento dos salários e que estimule a participação dos salários na renda nacional, acarretando, como isso, o aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

MÁGOA: sentimento que adoece

Começo citando uma frase de Augusto Cury: “As coisas mais importantes da vida não se resolvem rapidamente. Um pai pode saber todos os conflitos e necessidades dos filhos, mas ainda precisa que o filho se abra, se comunique, revele seus sentimentos. Não basta saber, é preciso cruzar os mundos”. 
O ser humano é um conjunto complexo, constituído de diferentes formas, com suas qualidades, imperfeições e limitações. 
É normal o ser humano se indignar ou se revoltar se por algum motivo sente que foi vítima de injustiças. São reações normais. O preocupante é quando esse sentimento se transforma em mágoa e amargura. 
Segundo estudos científicos, quando a raiva se transforma em mágoa, o cérebro se sente sobrecarregado e reage como se estivesse em perigo, produzindo substâncias químicas e hormônios ligados ao estresse. A parte pensante do cérebro fica limitada e, diante da “ameaça” age sem pensar, tentando fugir da sensação de perigo. 
Escolher bem o sentimento que iremos transportar ao cérebro é fundamental, para que a mente esteja sempre bem preparada. 
Pense no que seria melhor: guardar no “peito” a mágoa, perpetuando o sofrimento, sobrecarregando a mente com algo ruim, ou optar por enviar mensagens do quanto fomos fortes diante do fato acontecido e a ele conseguimos sobreviver, saindo da experiência “negativa” tomando-a como lição para o futuro? 
Repisar o fato sempre que possível é demonstrar fraqueza e uma sensação de que jamais será esquecido. 
É querer ser vítima de um ato que não tenha ocorrido como queremos que os outros acreditem. 
Lembre-se: muitas vezes o acusado sequer tem noção do mal que causou, já que a ação praticada pode não ter sido intencional e, quem vai está sofrendo será você, ao manter a mágoa dentro de si. 
É preciso ter dignidade e o altruísmo. E isto só acontece quando a pessoa colocando-se no lugar do “acusado”, conhece as causas e pratica o perdão. 
Nada é mais dignificante que admitir que o acusado é inocente por ter agido com ignorância ou movidos por falta de opção. Mas, cabe a quem guarda mágoa entender se o ato foi ou não premeditado, se agiu ou não de má fé, ou se não houve opção e, talvez, se tivesse escolha teria agido de forma diferente. 
Não entendo. Guardamos mágoas de familiares ou amigos muito próximos pela mínima coisa, porém, não temos o mesmo sentimento com aqueles que não estão no mesmo círculo de intimidade que nos ferem muito mais, e até de forma intencional, mesmo sabendo que foram dadas as opções e ela optou pela pior, por causa de seu caráter. Porque não se utiliza o mesmo peso e medida para os mais íntimos? 
Perdoamos o erro intencional e maldoso daqueles que não tem o nosso sangue e, facilmente guardamos mágoas de familiares e amigos que, de forma impensada ou sem intenção nos machucou, causou algum mal? É fundamental que as pessoas saibam o quanto é bonito perdoar. 
E se queremos ser perdoados temos que praticar a ação de também saber absolver aqueles que muitas vezes no nosso imaginário tenha nos“causado” algum mal. 
Não sabem as pessoas que priorizam a mágoa, o quanto é belo perdoar, porque nós não estamos aqui para julgar. Estamos aqui para pagar os erros cometidos no passado e se optamos por levar a mágoa para o túmulo, continuaremos errando. 
PERDOE e verá como seus pensamentos se tornarão leves e os sentimentos se tornarão aprazíveis. Coloque na cabeça que a vida pede para ser saboreada minuto a minuto, e para a saborearmos, devemos ter pensamentos elevados e tirar do peito todo e qualquer sentimento que o conduza à MÁGOA. LEMBRE-SE: viver amargurado é um mal que mata pouco a pouco, nos envolvendo de tal forma, que não conseguimos raciocinar com clareza, impedindo um bem viver, um sorriso abundante e feliz. 
A amargura impede que você tenha confiança no outro. 
A pessoa magoada não consegue ter um melhor raciocínio. É um sentimento gerado a partir do seu entendimento do que é errado. 
Mas será que a atitude do outro não lhe trouxe uma nova realidade inesperada e que você desconhecia, por isso não aceita? E o que fazer quando a realidade nua e crua se apresentar e você ver o quanto estava errado? Porque não aproveita o pensar ou o fazer diferente do que você estabeleceu e dele extrair o máximo proveito, de forma que venha a servir de aprendizado? 
Agindo assim será mais fácil para lidar com a realidade. 
Ao construir um relacionamento, o faça sem conceitos preconcebidos e que tire deste relacionamento um aprendizado, identificando os limites de cada um. Que não magoemos e que não sejamos magoados. 
Não sejamos juiz, pois não temos o conhecimento suficiente para julgar. 
Remoer a MÁGOAS é trazer sofrimento para si e fazer mal para a saúde, principalmente para o coração. Se não consegue acabar com este sentimento, busque ajuda. 
Procure os recursos que possa ajudá-lo a superar este sentimento. Trabalhe sua autoestima, olhe para si mesmo, em vez de culpar o outro pela mágoa que traz no peito seu sofrimento. Se ajude. Perdoe. 
Lembra os psicólogos que “perdoar não é esquecer o que te fez mal e sim superar, se libertar do sentimento ruim”. E você só obterá a cura se permitir virar a página da sua vida e, para que isso possa ocorrer, é preciso ter disposição e muita paciência. 
Por fim deixo uma mensagem: LEMBRE-SE: GUARDAR MÁGOAS É COMO TOMAR VENENO E FICAR ESPERANDO QUE O OUTRO MORRA...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

GOVERNO WAGNER: DA ESPERANÇA À DECEPÇÃO

“Nada acontece por acaso”. Esta é uma frase que resume toda a realidade da vida e explica a situação de descrédito que hoje atravessa o governo da Bahia.
Coincidência ou não, acredito que esta frase no momento não sai da cabeça daqueles que compõem a atual equipe de governo, onde grande parte está esperando se aproximar 2014 para saltar do bonde, diante dos fatos que está acontecendo na administração estadual, principalmente neste ano de 2012. 
Vive o governo da Bahia um inferno astral, colhido por ele, pelo que plantou. Já diz o ditado popular: “a gente colhe hoje o que plantou ontem”. 
Enfrenta no momento, uma das piores secas, e os malefícios causados é fruto da incompetencia, omissões e de falta de projetos estruturantes que preparasse o semiárido para as estiagens cíclicas que se abatem sobre a região. Deitou e dormiu no berço esplêndido de um período de regularidades das chuvas e esqueceu que deveria aproveitar o bom tempo, para com calma implantar projetos práticos e viáveis para o enfrentamento das estiagens. Optou por gastar rios de dinheiro para propagar um programa, que na primeira longa estiagem se viu ter sido um fracasso. 
Nem bem o ano começou, e voltou a colher o fruto das promessas não cumpridas, com greves da Polícia Militar e agora dos professores público estadual, e ainda sofre a ameaça da área de saúde e das universiddes estaduais. 
A primeira durou 12 dias e a segunda já está se aproximando de dois meses. 
Quanto a primeira, o governo, aliado a grande mídia, conseguiu jogar a população contra o movimento, através de flashes e montagens de diálogos gravados. Já para a segunda se encontra sem argumentos, uma vez que foi ELE próprio que não cumpriu um acordo assinado. Aí não dá para envolver a grande mídia. 
Voltemos ao passado, quando se começou a plantar o que colhe hoje. 
Lembra-se dos belos discursos do então candidato e hoje governador? Quantas promessas, quantas soluções mágicas, quantos sonhos transmitiu para a sociedade prometendo mudanças, não apenas nos métodos, mas também na forma governar e com a participação daqueles que com ele comeram sal e poeira. 
Analise agora, quanta diferença do discurso e dos métodos utilizados hoje pelo atual governador da Bahia e as suas táticas e estratégias utilizadas há aproximadamente 08 anos atrás quando o então candidato ao cargo máximo do poder executivo baiano, brandia indignado os contracheques de servidores públicos. 
Lembre-se daquele galego que incentivava movimentos reivindicatórios e que apoiava incondicionalmente as greves como um direito do trabalhador. Tudo em nome da conquista do Poder. Hoje, nada é permitido, tudo é ilegal. Só não é ilegal o governo deixar de pagar os professores. Só não é ilegal, rasgar compromissos assumidos e assinados. 
Naquela época, quando ainda candidato, aproveitou da ingenuidade dos servidores públicos e os iludiu com promessas as quais seriam rapidamente transformadas em mentiras, os quais jamais acreditariam que suas reivindicações seriam transformadas em censura ou castigos. 
Foi sonhando em melhores dias, que as diversas categorias dos servidores públicos – policiais, professores, área da saúde e demais setores -, se uniram às demais entidades organizadas da sociedade, e como fogo em monturo, minaram a reeleição do então imbatível candidato carlista, e conscientemente, ludibriaram os institutos de pesquisas, que não captaram a insatisfação popular e a tendência clara de mudança. 
Mas, da mesma forma que enganaram os institutos de pesquisas, infelizmente também foram ludibriados. 
Não tiveram sensibilidade em perceber o quanto estavam sendo enganados e, de como estava calçado de mentira o candidato em que estavam depositando a sua confiança. 
A falta de esperança era tanta que só as promessas já os satisfaziam, acreditando que assumindo o Poder, elas seriam cumpridas. 
Ledo engano, tem sido um governo que nada cumpriu do prometido. 
E utilizando da lógica da mentira, foi eleito e reeleito. A segunda vez até se entende, não havia muitas boas opções oferecidas à população. 
Assim só restou a continuidade como forma de se dá mais um credito de confiança, já que admitiam que 04 anos foram insuficientes para organizar o Estado e cumprir as promessas feitas, esperando que, com mais tempo abria-se a oportunidade de cumprir o prometido. 
Mais uma vez a sociedade se enganou e o uso da mentira, cooptação daqueles que por décadas serviram ao carlismo e se serviram do Estado para se locupletar, passou a ser o mecanismo de conveniência, tornando-se a ferramenta de trabalho e “estratégia” de sucesso, transformando o governo a ser movido dessa lógica, que faz uso dela da forma mais natural, utilizando-a sem limites, varrendo qualquer resquício de pudor, escrúpulo ou reserva de verdade. 
Esta tem sido a realidade do governo Wagner, transformado em engodo devido as promessas não cumpridas, das falácias engendradas e da veiculação de uma propaganda enganosa, sempre proferidas em nome do Estado e de obras que sequer saíram do papel, tem levado o conjunto da sociedade a mais uma vez se decepcionar de um governo cheio de mentiras travestido de verdades ditas por seus dirigentes, procurando apenas esconder com justificativas no mínimo suspeitas, os interesses da sobrevivência do seu grupo, mesmo que para isto tenha que vender a alma ao diabo. Esquecem eles que a história será seu juiz, e sua nódoa ficará para sempre. 
Lembremo-nos das palavras de Jaques Wagner, “nas sociedades democráticas, as liberdades de palavra e reunião são concedidas mesmo aos inimigos mais irredutíveis”. São palavras ditas cujos efeitos só soam da boca para fora, como o diz o ditado popular “Quem tem boca que diga o que quiser” como quem tem dinheiro ou administre o erário público, com talento ou uma boa assessoria escreva e publique onde puder. 
Hoje, vendo os métodos implantados no governo da Bahia, passa a ter sentido e soar como atual, a famosa frase do chanceler alemão Otto von Bismarck: “as pessoas nunca mentem tanto quanto após uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”. 
Utiliza a administração Wagner/PT do argumento que a mentira já faz parte do comportamento político rotineiro, e que estes senhores compõem a categoria de pessoas que têm mais razões para mentir, sair-se com evasivas ou omitir dados. Desta forma, o problema não estaria no fato da mentira por si só, mas o de saber até quando a sociedade estará disposta em continuar acreditando em nossos políticos. 
Enquanto isso a população já começa a sonhar e pedir que esse dois últimos anos passem o mais rápido posível, para se ver livre de um governo que foi o maior engôdo da recente história política baiana. 
E esse desgoverno, trará como resultado a derrota que o seu partido obterá nos principais centros econômicos e políticos do Estado, nas próximas eleições. Quem viver, verá.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PORQUE É TÃO DIFICIL CUMPRIR O PROMETIDO

Inicio este nosso diálogo com uma questão, que sempre é discutida em qualquer roda de conversa que você se encontre: porque será que os políticos brasileiros não cumprem as promessas de campanha? Essa é sem dúvida uma pergunta que mereceria uma resposta, até para demonstrar o mínimo de consideração à pessoa humana. 
Da mesma forma que sempre ficamos estarrecidos quando ouvimos discursos inflamados de políticos de oposição ao denunciar daqueles que estão no poder, de utilizar órgãos públicos e programas, principalmente sociais, como forma de aliciamento de votos, como se ele quando se encontra na situação não fizesse o mesmo. 
Apenas para ilustrar o fato, vou narrar o ocorrido em uma Casa Legislativa (omitirei os nomes para não criar algum dissabor), quando o político foi a Tribuna e em um discurso bem elaborado fazia críticas a políticos que estavam utilizando do Programa Minha Casa Minha Vida para fins eleitores, e bradou ameaças que estaria se documentando para denunciar ao Ministério Público, dá os nomes aos bois, que iria criar um disque denúncia e por aí foi. Aí, alguém ao meu lado lembrou o quanto de incoerência estava ouvindo e sendo falado, pois, segundo o eleitor, enquanto o político tecia aquelas críticas, ele mesmo estaria apoiando um pré – candidato que como aqueles que ele estava acusando, estaria se utilizando de um órgão público, do qual foi chefe por algum tempo, com cerca de 600 cargos de livre indicação e todos passíveis de demissão a qualquer hora, pois não são concursados, para ter a sua candidatura alavancada. 
Logo nos veio à mente, tudo isso faz parte da encenação e do jogo político. 
Mas, voltando a pergunta inicial, tal qual aquela denuncia da tribuna, todos sabem que não há interesse do político em cumprir as promessas, pois se assim o fizer, não terá o que prometer nas próximas campanhas. 
Observe que as promessas são sempre as mesmas, quer esteja na oposição ou com o Poder na mão, sempre repetidas exaustivamente, em sua grande maioria as mesmas feitas no passado e ele no Poder ou fora dele, nunca as cumpriu e não será agora que cumprirá. 
E porque não as cumpre? Porque são promessas difíceis de serem realizada já que em sua grande maioria não dependem única e exclusivamente da sua vontade. É como dizia um antigo cacique político, nada é mais trabalhoso do que inventar uma promessa, por isso a sua repetição, fica menos cansativa. 
Vamos entrar em um novo período eleitoral e já antecipo as promessas principais de todos os nossos candidatos: POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE: SAUDE PÚBLICA PARA TODOS; MAIS SEGURANÇA PÚBLICA; GERAÇÃO DE MILHARES DE EMPREGOS; ACABAR COM A MISÉRIA E A FOME; CUIDAR DO DINHEIRO PÚBLICO E NÃO DEIXAR ROUBAR (esta é a primeira promessa que esquecem), entre outras. 
Agora pare e pense, estas promessas para se concretizarem dependem unicamente deles, ou exigirá envolvimento de diversos outros segmentos e da própria sociedade que deveria está organizada? 
Ora, seria bom que nós os eleitores deixássemos de sofrer da conhecida amnésia pós – eleitoral, já que esta doença é típica e faz parte do caráter de nossos políticos e, que as promessas feitas fossem cobradas diuturnamente, e não aceitássemos passivamente que ela só dure o tempo da campanha, permitindo que passada as eleições suma feito fumaça, levando-nos ao esquecimento. 
Poderíamos até querer entender que os “coitadinhos de nossos políticos” fossem tomados de uma amnésia repentina, tendo em vista, a forte pressão porque passam para ser eleitos ou reeleitos, e diante disso, os sintomas da doença se façam aparecer após as eleições. 
Poderíamos até entender que os efeitos da doença lhe acometa após a campanha e siga até a véspera da reeleição, onde eles humildemente nos relembrem as promessas feitas, quando justificam que 04 anos foram poucos para poder cumprir o prometido. 
Mas não dá para entender é porque nenhuma promessa ele pode cumprir. 
Não dá para compreender é porque ao assumir o mandato faz exatamente tudo o contrário do prometido. 
Será que só sobrou tempo para cumprir aquilo que estava fora do seu caderno de promessas? 
Aliás, o mais comum é executar as promessas a pedidos daqueles que nada contribuíram para o sua eleição, muito pelo contrário, tudo fizeram para derrota-lo. 
Como não dá para entender o discurso moralizante feito na Tribuna, criticando os adversários, quando está convivendo com correligionários que estão utilizando as mesmas práticas dos acusados, se locupletando nos cargos assumidos e fazendo dos órgãos públicos a muleta de amparo de suas candidaturas. Ou o pau que dá em Chico não dá em Francisco? 
Aí é que ninguém consegue entender. 
Mas para acabar com este mal que grassa na política nacional, só nós eleitores temos o antídoto para a cura dessa doença: o VOTO. 
Se soubermos prescrever o remédio na dosagem certa, se votarmos com consciência e passarmos a exigir que o paciente de tempos em tempos realize os exames periódicos de praxe, se cobrar regularmente que preste conta dos seus atos e o que tem feito para concretizar as promessas, estará fiscalizando com rigor este nosso paciente, exigindo respeito e que sejamos tratados com a mesma atenção que era dedicada no período eleitoral.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A ESQUERDA ACUADA – CENA Nº 2

A continuidade do modelo neoliberal, desvinculando o Estado de qualquer papel social, sem compromisso com as questões populares, ocasionando a desintegração da sociedade, impondo o seu ideário, desvinculando a dimensão social da cidadania que é o que caracteriza o Estado do bem-estar, se dá mesmo com o PT no Poder. 
O prato que tem sido colocado à mesa do brasileiro, é o da manutenção dos pressupostos básicos que orientam e estruturam as políticas neoliberais, ou seja, a desregulamentação da economia, a livre circulação do capital e que os recursos gerados pela economia sejam repartidos através de regras estabelecidas pelo do próprio mercado,que como é sabido, nunca se mostrou competente ou capaz de repartir de maneira equilibrada, beneficiando igualitariamente a todos. 
É preciso que os formuladores das politicas econômicas petistas entendam, que a economia brasileira é formada de grandes monopólios, oligopólios, cartéis, além de ser dominada pelo capital privado internacional, logo, a desregulamentação da economia traz como consequência, tornar a competição e o mercado ainda mais desigual e mais excludente do que já é, produzindo ainda maiores desequilíbrios econômicos. 
Por mais críticas e falhas que o Estado defendido pelas esquerdas possa apresentar,com certeza ele irá trazer uma melhoria da qualidade de vida e aumento nos níveis de conforto material dos trabalhadores, possibilitando grandes avanços na área social. 
Este enfrentamento a gestão do PT não teve coragem de fazer. 
Três pilares sustentam os argumentos dos neoliberais, de cuja cartilha tão criticada pela esquerda, os governos petistas tem feito a sua bíblia administrativa, que são: a desregulamentação da economia, a privatização e o corte do déficit público. 
Quanto a desregulamentação até pode ser fator gerador de desenvolvimento. Mas nos moldes que aí está, será este modelo de desenvolvimento que a sociedade clama? O desenvolvimento econômico gerado estaria trazendo realmente progresso e benefícios aos diversos setores da sociedade a ponto de ser transformado em vetor de distribuição de renda, contribuindo para reduzir a desigualdade social, ou estamos gerando um desenvolvimento restritivo, desigual, que só tem trazido benefícios para as camadas sociais e que se tem mantida graças e com base na concentração de renda?
Esta são questões que deveriam ser respondidas por aqueles que se dizem esquerdistas, mas que no governo do PT, não passam de executores das ordens emanadas da direita. 
Os programas de privatização têm como meta reduzir a presença do Estado na economia. Faz parte do receituário neoliberal como forma de garantir a expansão do setor privado, mesmo em áreas como o social. 
Ela complementa o pilar de sustentação da desregulamentação da economia. 
Esse processo perverso de substituição da presença do Estado em setores prioritários e estratégicos serve unicamente para o avanço do setor privado, de forma gradual, em áreas que tradicionalmente tinha uma atuação significativa do setor público. 
Áreas de educação, saúde, habitação, telecomunicações, hoje chegamos ao extremo de permitir o controle do capital privado sobre as mesmas, trazendo graves consequências em relação aos direitos sociais, já que os mesmos, direta ou indiretamente, dependem da presença do Estado e de um setor público eficiente e fortalecido. 
Quanto ao corte do déficit público, tem como consequência direta a redução significativa dos investimentos públicos, através da execução de uma política de contenção das despesas. E quando se trata de contenção de despesa, os mais afetados são os gastos com pessoal e as políticas públicas sociais,trazendo significativo prejuízos para as camadas mais pobres, as quais dependem, em grande parte dessas políticas. 
Para os neoliberais esses gastos são geradores de inflação além de responsáveis pelo descontrole das contas públicas, devendo ser eliminados ou reduzidos drasticamente. 
Ao estabelecer uma política de contenção, fica claro quem serão os prejudicados, a população pobre. Importante esclarecer da necessidade de um setor público forte e com investimentos maciços nas áreas sociais, como forma de atender às demandas dos setores mais carentes, garantindo as conquistas preconizadas na Declaração dos Direitos Humanos. 
Além do mais, é sabido por todos, que uma política rígida de contenção dos gastos públicos, traz no seu conteúdo claro ameaça ao conjunto de garantias e direitos trabalhistas, já que em sua maioria são prerrogativas que dependem da intermediação do Estado, principalmente no que se refere à questão da Previdência Social. Com isto, mais uma vez a classe mais pobre e os trabalhadores certamente serão os mais prejudicados, além de afetar diretamente os funcionários públicos, já que todos os benefícios e garantias conquistados dependem do tesouro estatal. 
O que tem caracterizado hoje, não é a luta pela destruição do sistema capitalista, e sim, criar mecanismos para a construção de uma nova sociedade, onde impere a justiça social e que sejam estabelecidas políticas públicas de transformações estruturais abrangentes, de forma que sejam definidas diretrizes para a completa reformulação do atual modelo, oferecendo vias alternativas de modernização e desenvolvimento, sem que esteja apegada ao modelo neoliberal aplicado hoje, e cujos caminhos estejam norteados pelo ideal de construir uma sociedade mais humana e menos desigual. 
Este talvez seja o maior sonho das esquerdas hoje, diante da atual conjuntura, ou seja, construir um país democrático através de um processo de humanização de forma que esta via de modernização se confronte as alternativas propostas pelo neoliberalismo. 
Desta forma, a esquerda brasileira propõe uma reforma transformadora, adotando os ideais de justiça social que se efetivadas, na prática, ocasionará profunda mudanças da visão social. 
Seriam reformas que passariam pela consolidação e redefinição do papel do Estado, através da destinação de investimentos maciços nas áreas sociais, transformando-o e capacitando-o para atender as grandes demandas desta área e que se fazem necessárias, através da ampliação das políticas sociais, aliado a sua participação na economia de forma que tenha o papel de agente regulador. Defende como alternativa ao neoliberalismo, um projeto democrático/popular com ampla dimensão social de modernização, ou seja, consolidar os direitos sociais e o conjunto de benefícios e garantias e direitos trabalhistas já conquistados, ampliar a dimensão coletiva da cidadania e fortalecer o aparato social do Estado, de forma a ratificar o seu papel social, efetivadas através de políticas públicas como meio de reafirmar os avanços e progressos obtidos no que se refere a justiça social, cujas conquistas favorecerá o aumento significativo da qualidade de vida e dos níveis de bem estar material das classes trabalhadoras e das camadas humildes.

sábado, 19 de maio de 2012

EDUCAÇÃO DO CAMPO: quem assumirá esta tarefa?

A educação disponibilizada para os jovens que vivem na zona rural brasileira, não possui uma proposta pedagógica adequada à sua realidade. O currículo não observa as suas necessidades e não tem como referencia as peculiaridades de cada localidade e da região onde está situada, tratando os alunos que vivem na zona rural, como se tivessem os mesmos anseios dos alunos da cidade.
Com isso, não estamos afirmando que a educação do campo deve ter um currículo diferenciado dos alunos das cidades em razão da sua baixa capacidade ou por serem inferiores. Não. O que defendemos é que o currículo para os alunos da zona rural seja elaborado tendo como fundamento o seu ambiente, se fazendo necessário que seja contextualizado com base nas necessidades e a situação vivida por esses alunos, sem que lhes seja colocado sonhos inatingíveis ou só obtidos por aqueles que moram nos grandes centros urbanos.
Logo, ao pensar no currículo escolar, este deve ter como pressuposto o cotidiano daqueles que residem na zona rural, incluindo toda uma dinâmica de relações existentes.
Ou seja, a realidade dos alunos que moram nas fazendas, nos assentamentos, nas comunidades ribeirinhas, etc, cada uma com suas peculariedades e que devem ser levadas em consideração quando se pensar em construir a grade currícular escolar voltada para estes usuários.
Devem ser levadas em consideração que são modos e modelos de vida bem diferentes daqueles vivenciados entre eles e principalmente nas cidades.
Senão vejamos: as dificuldades enfrentadas pelo aluno que vive na roça ou de um aluno ribeirinho para se deslocar até a sua escola é a mesma dos alunos de um assentamento? E se compararmos com os alunos da cidade as dificuldades serão as mesmas? Lógico que são situações diferentes, por isso, a importância que o currículo seja adaptado, adequado e apropriado para cada localidade e para cada tipo de aluno.
Sabem os educadores existir exemplos exitosos de experiências pedagógicas aplicada em diversos países, principalmente na Europa, cujos currículos escolares são baseados na realidade dos alunos que vivem na zona rural, inclusive com a utilização das novas técnicas agrícolas, de forma que valorize os esforços do seu trabalho.
Independente da adaptação curricular, não impede no entanto, que os alunos aprendam conteúdos regulares e iguais aos alunos da zona urbana. Porém, ao seu currículo deve ser acrescido disciplinas específicas para o meio em que vive, como por exemplo, zootecnia e agropecuária, já que este é o seu dia a dia.
Aliado a um currículo adaptado, deve ser observado e também ajustado o seu calendário escolar, permitindo que no período de plantio e de colheita os educandos estejam de férias escolares possibilitando que as crianças participem juntamente com seus pais da colheita. Bem diferente do que ocorre hoje, já que as suas férias segue o mesmo roteiros das crianças das cidades.
Devemos, pois, transformar a escola da zona rural em um ambiente que possibilite as populações ribeirinhas, extrativista, dos movimentos sociais, etc., em uma satisfação de ali está, estimulando alunos e professores a conviver e aplicar os seus ensinamentos devidamente conectados à cultura local.
Se assim procedermos, unindo a novas formas de gestão, com certeza estaremos dando um significativo passo não só para a manutenção do homem no seu meio, mas estaremos caminhando para obter significativo sucesso da escola rural.
Deve entender o Gestor Público, que a ele não é dado o direito de privar as pessoas da zona rural de atender aos seus anseios, simplesmente porque achamos que eles por não residerem nas cidades, não têm acesso à chamada “sociedade moderna” ou as tecnologias ditas avançadas; pelo simples fato de residirem no campo e optarem por não terem a vida igual a das cidades não significa que elas não têm desejos e anseios de realizar seus sonhos, de ver seus filhos cursando uma faculdade, de forma que no futuro tenham uma qualidade de vida melhor e diferente da sua.
Muito pelo contrário, o homem do campo também sonha com seus filhos “doutores”.
O que falta são os nossos dirigentes políticos assumirem compromissos com o seu povo e oferecer uma educação de qualidade para todos, independente onde resida, não deixando principalmente os moradores da zona rural a mercê das chamadas organizações não-governamentais, muitas delas montadas para serem centros de picaretagem.
Não devemos negar o direito dos moradores das fazendas, dos assentamentos, os ribeirinhos, quilombolas, etc., de frequentar a escola.
Não devemos permitir que este direito lhes seja negado pelo simples fato de não querer se submeter aos ditames da lei do mercado.
Não podemos continuar a assistir e ficar calados, o funcionamento de escolas, principalmente na zona rural do norte e nordeste brasileiro em precárias condições e com turmas multisseriadas, em que um único professor ensina para alunos de diferentes séries numa mesma sala.
A educação rural deve ser vista e ter como principal critério a valorização do aluno e do professor, das suas experiências e da realidade social, familiar e econômica de cada educando, e diante desta realidade é que então irá se formar uma classe escolar.
Se estes critérios forem observados, com certeza a instituição escola rural estará se capacitando para oferecer uma educação de qualidade e ao aluno estará dando oportunidade de um verdadeiro aprendizado baseado na parceria, escola/professor/aluno/comunidade tendo a consciência de que o que está sendo transmitido representa o dia a dia e a vida de cada aluno ali presente.
Só assim, a qualidade da educação do campo sairá das estatísticas apenas pela quantidade de programas oferecidos pelos governantes, e se apresentará no quadro da qualidade e da sua adequação e aplicação à realidade dos alunos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A ESQUERDA ACUADA – CENA Nº 1

A ascensão do PT ao Poder, trouxe não só aos partidos aliados de primeiro momento, aqueles que tinham um histórico de ideologia à esquerda, mas também aos Movimentos Sociais e a população em geral, uma esperança de que mudanças significativas ocorreriam, não só em relação ao método de administrar, mas e principalmente, na política econômica, de forma que a concentração de renda reduzisse significativamente, não pela queda do poder aquisitivo daqueles que se encontram no topo da pirâmide, mas pela ascensão daqueles que se encontram na sua base e pela melhoria das condições de vida daqueles chamados classe média. 
Vivemos em um País onde predomina o modelo econômico que não possibilita maiores alterações da ordem sócia - política, cujas chances de mudanças se apresentam bastante reduzidas para a grande maioria da população, que não vê meios para operar qualquer transformação. 
Assim, o capitalismo é apresentado para a população como a única alternativa, servindo como base e fundamento para qualquer sociedade que pense ou queira progredir economicamente, e só através dele, podem ser efetivados os ideais democráticos e as liberdades civis. 
Diante disso, para a sociedade o termo Capitalismo passa a ser sinônimo de desenvolvimento, progresso, democracia e liberdade, e que para alguns, só ele pode fazer tudo girar de forma eficiente. Porém, o que temos visto é que diante da hegemonia capitalista, estamos enfrentando um mundo cheio de contradições, conflitos e contrastes, em sua grande maioria ocasionada pelos problemas de natureza social, ficando cada dia mais visível a divisão do planeta entre desenvolvidos e subdesenvolvidos, e o Brasil em poucos ricos e muitos pobres. 
Devemos reconhecer os avanços tecnológicos, o progresso científico e a modernização alcançada por grande parte dos países e em especial do Brasil, porém, por outro lado, não temos como esconder e negar a gritante desigualdade social, o crescimento da miséria, da fome, da injustiça e o aumento do fosso do subdesenvolvimento presente na outra parte do mundo, que não obteve os mesmos avanços, cujos problemas são muito maiores do que o sucesso da primeira. 
É desta forma que o mundo capitalista se apresenta, de um lado países que alcançaram o ápice,  do outro o império da miséria, da desigualdade e do subdesenvolvimento. E o preocupante, é que é deste lado onde se concentra a maioria da população. 
Foi dentro desse contexto sócio-político que o PT assumiu o Poder e a partir dessa ascensão a “Esquerda” passou a sonhar nas transformações da ordem social e política, transformações essas que resultassem na instauração de uma nova ordem social e na reformulação da ordem econômica vigente. Mesmo que o grau das mudanças não tivesse a marca do radicalismo que apregoavam. Porém, o que se tem visto, é a manutenção da ordem política social implantada a séculos pela “direita”, sob o comando das elites econômicas, mais preocupadas em conservar a ordem que aí está e não alterar o sistema imposto, amplamente favorável aos seus interesses - econômicos, sociais e políticos -, mantido pelas forças conservadoras, já que eles não veem qualquer vantagem em alterar o modelo, e sim preservá-lo. 
Na queda de braço braço entre a direita e a esquerda do governo petista, o que estamos a assistir é que quem tem levado vantagem são as forças políticas mais conservadoras e retrógradas vigente, derrotando aqueles que se contrapõem e propõem lutar por mudanças do sistema capitalista, não só contestando-o, mas reformulando-o e indo mais fundo, ou seja, superando-o e instituindo um novo sistema ou modelo econômico. 
Com o PT no Poder, o que não só a esquerda esperava, mas também aqueles que nele depositaram suas esperanças acreditavam, que seriam criados caminhos alternativos para a construção de uma nova sociedade e que novas ideias seriam apresentadas para a superação do capitalismo, e o surgimento de uma nova ordem de justiça social a ser implantada no País. 
Esperava-se que, com a sua ascensão, seria cumprido o que reza o seu Estatuto e o que seus líderes  apregoavam e, que o neoliberalismo, sistema econômico responsável pelas crises sociais, políticas e econômicas, fomentador da exploração do trabalhador e alimentador das injustiças sociais, da pobreza, da fome e da miséria, estaria com seus dias contados, transformando a sua gestão no grande divisor de águas, encerrando ciclo de uma doutrina econômica que privilegia o mercado em detrimento do social, acenando para um futuro e um caminho de desenvolvimento e modernização econômica com justiça social e redução significativa das desigualdades. 
Não é necessário que comungue dos ideais da esquerda, para que se compreenda que o neoliberalismo é o pensamento, o figurino e a bandeira que a direita e os segmentos mais conservadores desfraldam, cujos segmentos compõem uma parcela minoritária, mas que é composta da elite econômica e política da sociedade brasileira e com esta bandeira tentam, cada vez mais maximizar seus interesses econômicos, pouco se importando se com isso acarretam ainda mais o aumento das desigualdades sociais no país. 
Não entendeu os ideólogos petistas que o neoliberalismo é um modelo econômico de modernização e de desenvolvimento que tem como característica a hegemonia e o predomínio do mercado e que em seus fundamentos desconsideram o termo justiça social. Que é um modelo exclusivista e discriminatório e que as vantagens a serem obtidas serão exclusivas de parcelas da sociedade, principalmente dos segmentos ligados ao capital privado, financeiro e monopolista. 
Como se vê, é um modelo que para se concretizar o faz à custa do aumento das desigualdades sociais e que se contrapõe frontalmente a qualquer proposta de inclusão social. 
Além do mais, traz em sua concepção a constante ameaça da supressão dos direitos sociais e as conquistas coletivas duramente obtidas e efetivadas e a eliminação dos avanços e os progressos em termos de justiça social. 
É um sistema político e econômico que impossibilita qualquer tentativa de implementação de reformas sociais, visando o bem estar das camadas mais pobres da sociedade. 
Com a visão clara dessa situação, os ideólogos da esquerda brasileira têm lutado e demonstrado com clareza por que se opõem ao modelo neoliberal, expressando para a sociedade o seu caráter antipopular e antissocial, além de vários outros motivos, que somados traziam a esperança de que, ao assumir o Poder, o PT apresentaria alternativas à crise verificada no chamado Estado do bem-estar social, com uma consistente intervenção na economia visando obter um crescimento prolongado, através de grandes investimentos estatais, pela concessão de créditos e subvenções fiscais estimulando o desenvolvimento e, pela execução de políticas sociais reparadoras. 
Sonhou a esquerda brasileira com um Estado que em suas ações minimizasse as desigualdades sociais, consolidando um conjunto de direitos sociais que amenizasse as graves sequelas sociais provocadas pelo neoliberalismo. 
Porém, o que se pode concluir, é que tudo não passou de um sonho que logo se transformou em pesadelo, já que o progresso propiciado em termos de justiça social tem deixado falhas e lacunas, movidas por uma política voltada apenas por atos e ações compensatórias, sem procurar atingir o centro nervoso do problema, perpetuando a situação. 
Diante da continuidade do modelo recebido, a esquerda está acuada e sem argumentos para se contrapor àqueles que insistem em defender a ideologia neoliberal como modelo ideal para a solução dos problemas, já que estes não entendem ser o capitalismo o mal maior e gerador de todos os problemas enfrentados pela sociedade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O NORDESTE MUDOU.

Mais uma vez a população nordestina localizada no semiárido enfrenta uma das suas piores secas, e novamente os governos estaduais e federais se mostraram omissos e nada fizeram para evitar e com certeza nada irão fazer para prevenir que no futuro volte a ocorrer. Enquanto o nordeste levou cerca de 12 meses para ser visto e atendido no seu sofrimento, no sul maravilha quando o fato ocorre, a situação é minorada em apenas dois meses. São dois pesos e duas medidas, ou então as lideranças de lá são mais competentes do que as nordestinas. 
Mais uma vez a população baiana localizada no polígono da seca foi enganada pela propaganda oficial que invadia os lares da região afirmando que o Programa Agua Para Todos teria resolvido o problema. Enquanto o governo do Estado gastava rios de dinheiro para mentir, a seca rapidamente se instalava. A situação foi tão vexatória, que tiraram a Propaganda do ar, na tentativa de fazer as pessoas esquecerem. Substituíram por outras mentiras. 
Agora criaram o Programa Água para o Sertão. Dá vontade de rir, porque para chorar as lágrimas já secaram. 
Porém, mesmo enfrentando um longo período de estiagem, parece que já se foi o tempo em que acordávamos ouvindo notícias que nada dignificava o homem nordestino, resultado de ações de grupos de pessoas famintas ocasionada pela seca, que lhes tirava a esperança, incentivando saques ou outras ações correlatas. Lembram-se? 
Será que o tempo mudou ou mudou o nosso sertanejo? 
Na verdade, o que será que vem ocorrendo no semiárido nordestino, onde o cenário de caos que normalmente se abate em um longo período de estiagem, aliado a uma serie enorme de problemas e tragédias que faziam parte do cenário do campo no Nordeste, durante os períodos de seca, a qual ocorre anualmente, deixamos de ouvir? 
O que mudou realmente? Mudou o clima, que pelo que sabemos este continua até pior, ou o sertanejo aprendeu a viver e conviver com esta realidade, já que nada espera dos governantes? 
Bom, em relação ao clima como se sabe não mudou, alíás mudou para pior, em razão da desertificação, cujo processo só tem aumentado principalmente se considerarmos que nossos governantes tem se omitido, já que não tem procurado tomar medidas eficazes e sérias para evitar, pois todos sabem que este processo de desertificação é controlável, desde que ações sejam tomadas, através de políticas públicas adequadas e voltadas para o seu combate. 
O semiárido a cada ano está ficando mais quente, logicamente que com a elevação da temperatura, o calor acelera a evaporação das suas poucas águas, com isto, o resultado deveria ser bem pior do que antigamente. 
Observe ainda que as chuvas que tem ocorrido, elas estão cada vez mais concentradas, caindo de forma diluviana e sempre nas mesmas áreas, trazendo, no seu bojo, também, grandes prejuízos. 
O mais triste é ainda ter que ouvir técnicos ou representantes governamentais a cada seca ou catástrofe, utilizar os mesmos argumentos. Entra e sai ano a desculpa é a mesma “esse ano choveu menos que no ano passado ou comparar com algum período seco”. Já observaram? 
Mas ninguém ouve destes mesmos, qualquer tipo de sugestão voltadas para a solução do problema e que a médio e longo prazo não volte a se repetir. 
Vou mais longe e pergunto: que medidas práticas os nossos governantes tem tomado para enfrentar e resolver a situação? Eu falo em medidas práticas e eficazes, não propagandas e programas mentirosos, que nunca saem do papel e só existe com o único objetivo captar recursos, mas seus resultados não chegam a quem interessa: o sertanejo que mora no semiárido. 
Esta tem sido a pura realidade. 
Respondendo a pergunta sobre o que está ocorrendo, podemos concluir que as mudanças observadas são frutos da conscientização da sociedade, principalmente do homem do campo, que diante da omissão do Poder Público, passou a desenvolver ações e adaptar tecnologias que permitam conviver harmoniosamente com o problema. 
Ao adaptar cisternas para captar água de chuva para beber, já lhes deu uma sobrevida para produzir; ao respeitarem ao meio ambiente, tem procurado minimizar os efeitos da desertificação; ao procurarem utilizar animais e plantação de forrageiras mais adaptados ao clima do semiárido, estão conseguindo criar alternativas de adaptabilidade; ao introduzir a criação de abelhas, por exemplo, estão buscando outros meios de produção e renda; ao buscarem cultivares de colheita precoce e resistente a seca, estão criando alternativas de permanência no meio rural; entre outras. 
Portanto são técnicas utilizadas que levaram o sertanejo a uma melhor convivência e até aceitar a seca como mais um componente do seu dia a dia. 
Outro fator fundamental tem sido a conquista da terra, que apesar de ainda não estarmos no ponto ideal, mas pelo menos passou a lhes dá a segurança mínima, aliado ao incentivo ao desenvolvimento da agricultura familiar, tem contribuído para que o homem do campo fosse se adaptando. 
Devemos reconhecer ainda que algumas políticas sociais implantadas pelo governo federal têm dado sua contribuição. Políticas como o estabelecimento do salário mínimo aos aposentados conquista esta alcançada fruto da luta social; Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, até mesmo o Bolsa Família, tem sido fundamental para que o homem do campo fique firme e insista em permanecer na zona rural apesar das dificuldades climáticas. O acesso a energia elétrica e a novas tecnologias, como o celular e a internet, por exemplo, tem sido políticas que tem dado significativa contribuição. 
Porém, devemos reconhecer que outras políticas públicas deverão ser acopladas, para que definitivamente possamos deixar para o passado, a fome, a sede e a miséria, mesmo que as mudanças climáticas continuem a piorar. 
Deve os organismos públicos procurar pesquisar e disseminar tecnologias simples e eficazes de convivência com a seca, amplamente aplicada em outros países e que são perfeitamente adaptáveis ao semiárido. Criar um programa de captação das águas através de barragens e açudes, visando atender as necessidades da região, e não de alguns produtores, como ocorreu no passado. Estabelecer metas para perfuração de poços artesianos para ser utilizados em projetos de pequenas irrigações são soluções simples e perfeitamente possível, falta apenas vontade política. Realizar uma reforma agrária séria, eficiente e adequada à região, oferecendo não apenas a terra, mas a assistência técnica, financiamento da produção garantia da sua comercialização, seriam medidas que complementariam. Assim, se queremos ser um país desenvolvido, não podemos abandonar o produtor do semiárido a sua própria sorte. 
O que podemos avaliar é que de tudo que foi feito no passado nada contribuiu para mudar ou melhorar a situação do nordestino. 
O que ocasionou mudanças foram situações e políticas simples que o fizeram se adaptar e aprender a conviver com a situação, se assim não o fosse, estaríamos assistindo como em todos os anos, levas de pessoas famintas saqueando cargas de caminhões e invadindo armazéns e supermercados nas cidades nordestinas, haja vista que, os problemas com o clima continuam, aliás, está piorando.