quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Eleição na Venezuela 'não pode ser considerada democrática', dizem observadores do Centro Carter

A eleição na Venezuela "não pode ser considerada democrática", segundo o Centro Carter, renomada organização que participou das eleições venezuelanas como observadora.

O Centro Carter publicou um comunicado na noite de terça-feira (30/7) no qual afirma que as eleições não obedeceram os "parâmetros e padrões internacionais para processos eleitorais".

Dois dias depois das eleições, a instituição, que tem sede em Atlanta, nos EUA, afirmou que não tem condições de realizar um trabalho de verificação e, portanto, não pode chancelar a autenticidade dos dados.

"O fato de a autoridade eleitoral não ter anunciado os resultados desagregados por assembleias de voto constitui uma grave violação dos princípios eleitorais", diz o comunicado de imprensa, publicado no site da instituição.

O Centro Carter observou mais de 100 eleições em 43 países diferentes.

Segundo o comunicado, o centro esteve na Venezuela no fim de semana da votação — a convite do próprio governo do país sul-americano — com uma equipe de 17 observadores.

Além de os registros eleitorais não terem sido publicados, a instituição aponta outros erros, como a desqualificação de candidatos da oposição e o desequilíbrio de recursos, com uma larga vantagem do partido no poder para se promover.

"[As eleições venezuelanas] não atingiram os padrões internacionais de integridade eleitoral em nenhuma das fases relevantes e violaram numerosos preceitos da própria legislação nacional", detalha o comunicado do Centro Carter.

Na noite de domingo, com 80% dos votos contabilizados, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela informou que Nicolás Maduro foi reeleito presidente para um terceiro mandato de cinco anos com uma vantagem "irreversível" de 51,2% dos votos, ante 44,2% do adversário Edmundo González Urrutia.

Mas a coligação da oposição denunciou a "fraude" eleitoral e disse ter até 70% dos registros de votação que confirmam a vitória de González.

Desde então, o país tem vivido intensos protestos, que por vezes se tornaram violentos tanto na capital, Caracas, como no interior.

Milhares de pessoas pedem que Maduro aceite o resultado, enquanto o presidente acusa a oposição de tramar um "golpe" contra ele. O governo também instou correligionários e apoiadores a saírem às ruas.

Até o momento, há 11 mortos e centenas de detidos, segundo informações divulgadas pelas organizações Foro Penal, Justicia, Encuentro y Perdón, Provea e Laboratorio de Paz.

O governo venezuelano não fez comentários sobre o comunicado.

·        As falhas das eleições na Venezuela

Entre as falhas apontadas pelo Centro Carter, há menção ao CNE ter favorecido o partido no poder e restringido as liberdades dos meios de comunicação social, das organizações sociais e dos atores políticos.

O órgão eleitoral também colocou obstáculos no recenseamento dos eleitores que moram no país e no exterior, algo que ficou evidenciado pela pouca informação sobre o processo, pelos prazos curtos e pelos poucos locais de recenseamento, segundo a instituição.

As autoridades venezuelanas também teriam dificultado as candidaturas da oposição.

"O registro de candidaturas das principais forças da oposição ficou sujeito ao arbítrio das autoridades eleitorais, que tomaram decisões sem respeitar os princípios jurídicos básicos", diz o Centro Carter.

Antes das eleições, a líder da oposição María Corina Machado foi barrada na corrida presidencial.

A sucessora, Corina Yoris, também não conseguiu registrar a candidatura e relatou falhas no sistema de inscrição de candidatos.

Por fim, o escolhido para encabeçar a chapa da oposição foi González Urrutia, que enfrentou Maduro e outros oito candidatos.

Na Venezuela, também houve um "desequilíbrio de recursos" que favoreceu o partido no poder e que foi predominante na visibilidade da campanha de Nicolás Maduro, diz o Centro Carter.

Segundo o Centro Carter, "foi observado o abuso de recursos públicos, com o uso de veículos [de mídia], a mobilização de funcionários para a campanha e a promoção de programas sociais".

Nos centros de votação, descrevem os observadores, havia restrições de acesso aos observadores nacionais e, sobretudo, às testemunhas dos partidos.

Também foram observados incidentes de tensão e violência em algumas localidades.

Mesmo assim, o Centro Carter destacou a participação popular e disse que, em grande parte, os venezuelanos votaram pacificamente.

"As equipes de observadores do Centro Carter verificaram a disposição dos cidadãos venezuelanos em participar de um processo eleitoral democrático e demonstrar o compromisso cívico como membros da mesa, testemunhas partidárias e observadores. Esses esforços foram prejudicados pela falta de transparência da CNE na divulgação dos resultados", conclui o comunicado da instituição.

 

¨      Quem são as principais figuras da oposição na Venezuela — e o que aconteceu com elas?

María Corina Machado, a principal voz da oposição na Venezuela, e o candidato Edmundo González Urrutia tornaram-se na terça-feira (30/7) alvo de declarações contundentes por parte de um dos nomes mais importantes do regime chavista — Jorge Rodríguez, presidente do legislativo do país, que pediu a prisão dos dois e afirmou que ambos estão tentando provocar uma guerra civil.

Desde as eleições presidenciais de domingo (28/7), o governo de Nicolás Maduro e a oposição, representada por Machado e González, disputam os resultados do pleito.

O Comitê Nacional Eleitoral (CNE) declarou Maduro o vencedor da disputa com 5,1 milhões de votos (51,2% do total), à frente do adversário Edmundo González Urrutia, com 4.4 milhões de votos (44,2%), com 80% das mesas de votação apuradas.

O presidente da autoridade eleitoral venezuelana afirmou que o resultado era irreversível.

María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, porém, rejeitaram a afirmação, dizendo ter em mãos dados suficientes para comprovar a derrota de Maduro.

Segundo eles, González teria recebido 6,27 milhões de votos, enquanto Maduro teria tido 2,75 milhões. De acordo com Machado, a oposição teria em seu poder 73,2% das atas de votação (algo como o boletim de urna no Brasil).

“Com as atas que nos faltam, mesmo que o CNE tenha dado 100% dos votos a Maduro, não alcançaria o que já temos. A diferença foi tão grande, tão grande, avassaladora, em todos os Estados da Venezuela, em todos os estratos, em todos os setores… Ganhamos", disse Machado.

González se tornou candidato depois que as candidaturas de Machado e de sua substituta, a historiadora Corina Yoris, foram impedidas.

María Corina Machado, porém, é vista como a figura principal na contestação a Maduro, responsável por atrair apoio para a candidatura de Edmundo González.

Em torno dos dois, gravita o apoio de opositores notórios na história recente da Venezuela, como Juan Guaidó e Henrique Caprilles.

>>>> Entenda abaixo a trajetória dos principais nomes da oposição venezuelana e a relação entre eles.

<><> María Corina Machado

A política iniciou sua carreira há 22 anos, à frente da organização não governamental Súmate, que defende transparência eleitoral e a participação cidadã.

Seu papel foi crucial para a obtenção de mais de quatro milhões de assinaturas que abriram caminho para um referendo revogatório em 2004 contra o então presidente Hugo Chávez.

Desde então, o governo atribuiu a María Corina o papel antagônico.

Esse confronto teve momentos de pico. Um deles aconteceu em janeiro de 2012, durante o pronunciamento anual de Hugo Chávez à Assembleia Nacional.

Então deputada, Machado interrompeu o discurso do presidente e, diante de todos, proferiu a frase que ficou famosa: “Expropriar é roubar”.

De lá para cá, ela se tornou uma das lideranças mais radicais da oposição: promoveu protestos em 2017 e 2019, passou a classificar o governo como uma ditadura, rejeitou todas as tentativas de negociação com o chavismo, defendeu o uso da força para destituir Maduro e se opôs aos principais partidos da oposição, que acusou de serem “colaboradores”.

Por suas falas incendiárias e suas posições radicais, ela chegou a ser excluída do núcleo das decisões da própria liderança.

Mas a María Corina Machado atual tem se mostrado mais estratégica. Mudou seu discurso político, uniu forças e foi a vencedora das eleições internas organizadas pela Plataforma Democrática Unitária, a aliança partidária da oposição, em 22 de outubro de 2023, com 93% dos votos.

Sem carregar a bandeira dos partidos tradicionais, tornou-se a nova cara do bloco de oposição e ressuscitou um grupo que havia perdido força nos últimos anos.

Na época das primárias, Machado já tinha sido inabilitada a disputar cargos eletivos por 15 anos por suposto envolvimento com corrupção e formação de quadrilha.

Ela nega as acusações e afirma que sua desclassificação das eleições é ilegal.

O acordo selado entre a Plataforma Unitária e o partido no poder, em Barbados, uma semana antes das eleições internas, abriu a possibilidade de autorizar a participação de “todos os candidatos e partidos políticos” na corrida.

Mas nem mesmo as condições estabelecidas pelos Estados Unidos para a retirada das sanções ao petróleo, ouro e gás venezuelanos reverteram a decisão.

Machado, de 56 anos, ficou de fora do pleito. Mas não da preferência do eleitorado.

“Ninguém se importou que ela [Machado] estivesse inabilitada, porque ela capitalizou o descontentamento contra a oposição tradicional", afirma à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) Eugenio Martínez, jornalista especialista na cobertura de questões eleitorais.

<><> Corina Yoris

Diante da impossibilidade de María Corina Machado de concorrer em 2024, a oposição apontou Corina Yoris como sua primeira substituta.

Aos 80 anos, ela é filósofa e professora universitária. Como ela nunca havia ocupado um cargo político, a oposição acreditava que não correria o risco de ser desqualificada nas eleições.

Mas Yoris também não conseguiu formalizar sua candidatura devido a uma suposta falha no site do órgão eleitoral.

A coligação política da oposição afirmou que não conseguiu acesso ao sistema de registro de candidaturas para registrar Yoris antes do término do prazo dado pelo CNE.

<><> Edmundo González

O diplomata Edmundo González entrou então como terceira opção.

A Plataforma Democrática Unitária conseguiu inscrevê-lo no sistema eleitoral antes do final do prazo e ele foi confirmado como candidato pelo CNE no final de março deste ano.

Ex-embaixador da Venezuela na Argentina e na Argélia, González era pouco conhecido no país até então. Aos 74 anos, de perfil discreto e fala pontuada, ele nunca havia ocupado cargos públicos eletivos e nem mesmo era amplamente popular nos círculos da oposição.

Seu último cargo foi como embaixador na Argentina durante os primeiros anos da presidência de Hugo Chávez.

Mais recentemente, González trabalhou como consultor de relações internacionais e escreveu um livro sobre a história da Venezuela durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas a entrada na corrida presidencial mudou a rotina desse avô de quatro netos e apreciador de beisebol, do Real Madrid, de churrascos e aves — como muitos moradores de Caracas, ele alimentava as guacamayas (araras) com sementes de girassol na varanda de seu apartamento todas as manhãs.

Antes da eleição, grande parte das pesquisas apontava uma vantagem confortável para González frente a Maduro, o que elevou as expectativas internamente e no exterior de uma vitória da oposição.

<><> Juan Guaidó

Ele ganhou relevância na cena política venezuelana após se autoproclamar presidente do país em 2019.

Guaidó era o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e se consolidou como representante da oposição afirmando ter como objetivo “conseguir o fim da usurpação, um governo de transição e ter eleições livres".

A autoproclamação de Guaidó aconteceu pouco após Maduro ser reeleito em uma eleição contestada e boicotada pela oposição em 2018.

Poucos dias depois da posse, realizada em janeiro do ano seguinte, a Assembleia Nacional, então controlada pela oposição, declarou o presidente um "usurpador" do cargo de presidente. Em seguida, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), controlado por Maduro, considerou "nulos" todos os atos aprovados pelo Parlamento.

Como resposta, Guaidó e a oposição convocaram uma grande manifestação popular para 23 de janeiro de 2019.

Pela primeira vez em muitos meses, milhares de pessoas voltaram às ruas e, ao final do protesto, Guaidó se declarou presidente interino.

Sua reivindicação foi apoiada pelos EUA e por cerca de 50 países que não reconheceram a reeleição de Maduro em 2018, como o Brasil sob o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Muitas dessas nações também apoiaram a iniciativa de Guaidó de tentar entrar na Venezuela pela fronteira da Colômbia e do Brasil com comboio de caminhões com toneladas de doações internacionais.

Mas a ofensiva fracassou, e o que aconteceu foi considerado um revés para a liderança de Guaidó — que na época tinha mais de 60% de aprovação popular, segundo as pesquisas.

Apesar do apoio internacional, o opositor não conseguiu concretizar suas promessas e Maduro continuou a governar o país, com apoio das Forças Armadas e outras forças políticas internas.

Em janeiro de 2020, Guaidó perdeu a eleição para a presidência da Assembleia Nacional em uma votação marcada por discussões acaloradas e denúncias de golpe.

No mesmo ano, a oposição perdeu o controle da Casa e a reivindicação de Guaidó perdeu ainda mais apoio e legitimidade. Em dezembro de 2022, a própria oposição votou para dissolver o governo paralelo de Juan Guaidó.

Dos quatro grandes partidos da oposição que apoiaram a autoproclamação em 2019, apenas o próprio partido de Guaidó não votou para remover o líder.

Ele deixou a Venezuela em abril de 2023 para viver com a família em Miami, nos Estados Unidos, após cruzar a fronteira com a Colômbia a pé para participar de uma conferência internacional sobre a Venezuela.

O governo colombiano afirmou que Guaidó não havia sido convidado para o evento - Maduro também não recebeu convite - e que sua entrada no país havia acontecido de forma ilegal.

Alguns meses depois, o Ministério Público da Venezuela emitiu um mandado de prisão contra ele.

Segundo o procurador-geral do país, Tarek William Saab, ele teria utilizado recursos da petrolífera estatal PDVSA “para se financiar, pagar as suas despesas legais e forçou a PDVSA a aceitar os seus termos de refinanciamento”.

Guaidó nega as acusações, que diz fazerem parte de uma “máquina de promover mentiras”.

Do exterior, ele apoiou a campanha de Edmundo González e tem sustentado as alegações da oposição de uma fraude na votação do último domingo.

<><> Henrique Caprilles

Assim como María Corina Machado, ele teve sua candidatura barrada em 2017 após ser impedido de ocupar cargos públicos por 15 anos.

Ele foi acusado pela Controladoria Geral da Venezuela de uma série de infrações enquanto era governador do estado de Miranda, incluindo aceitar doações, contratar sem licitação e não apresentar um projeto de lei de orçamento.

Caprilles nega as acusações.

Mas antes das eleições de 2017, o advogado já havia concorrido contra Maduro em 2013, quando, segundo os resultados oficiais, perdeu por uma pequena margem (a diferença foi de menos de 2% dos votos válidos). O candidato da oposição se recusou a contestar o resultado nas ruas.

Ele também disputou a presidência com Hugo Chávez em 2012, um ano antes da morte do ex-presidente.

Em 2008, ele já havia surpreendido muitos ao derrotar um dos aliados mais próximos de Chávez, Diosdado Cabello, e ser eleito governador de Miranda, o segundo estado mais populoso da Venezuela.

No ano passado, Caprilles se inscreveu para disputar as primárias da oposição contra María Corina Machado, mas desistiu da candidatura alegando que abriria caminho para outro competidor que não estivesse inabilitado para concorrer.

Em janeiro deste ano, a Suprema Corte da Venezuela negou uma contestação aberta pela sua defesa para rever a decisão que o tornou inelegível por 15 anos.

Ele também foi um dos apoiadores da campanha de Edmundo González e vem apoiando a contestação aos resultados da eleição de domingo.

¨      Candidato de oposição na Venezuela agradece ao Brasil por sua posição sobre as eleições

O candidato da oposição venezuelana nas eleições contra o presidente Nicolás Maduro, Edmundo González, agradeceu ao Brasil em postagem no X, antigo Twitter, nesta quarta-feira (31) por sua postura diante do resultado contestado da disputa presidencial na Venezuela. "Agradecemos à ONU, OEA, União Europeia, Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Chile, México, Argentina, Espanha, Itália, Portugal, Peru, Costa Rica, El Salvador, Uruguai, Equador, Panamá, Guatemala, República Dominicana e Paraguai, por apelarem ao respeito pela vontade dos venezuelanos manifestada em 28 de julho, exigindo a publicação pelas assembleias de voto dos registros de votação da CNE, tal como expressa o nosso sistema jurídico e a declaração publicada pelo Carter Center, observador internacional convidado pela CNE. A comunidade internacional e os venezuelanos pedem respeito pelos resultados eleitorais e transparência com a publicação de todas as atas. A verdade é o caminho para a paz".

A oposição, liderada por María Corina Machado e representada nas urnas por González, questiona o resultado das eleições presidenciais, que foi anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na segunda-feira (29). Segundo o CNE, Maduro teria vencido com 80% dos votos. O órgão, porém, não apresentou todas as atas de votação, o que gerou desconfiança sobre o resultado do pleito. Maduro enfrenta também pressão internacional para que haja uma recontagem dos votos. Na terça-feira (30), a Organização dos Estados Americanos (OEA) publicou um relatório que identificou irregularidades nas eleições venezuelanas e não reconheceu os resultados do pleito.

Neste contexto, o presidente Lula (PT) disse na terça-feira (30) que reconhecerá o resultado da eleição na Venezuela, em entrevista à TV Centro América. No entanto, ele afirmou ser necessário que as autoridades da Venezuela apresentem as atas das eleições para resolver o impasse entre oposição e situação no país. “É normal que tenha uma briga. Como é que vai resolver essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com recurso e vai esperar a Justiça tomar o processo. E aí vai ter uma decisão que a gente tem que acatar”.

 

Fonte: BBC News Mundo/Brasil 247

 

Maria Camila Moura: Abertura olímpica, a pobreza do debate e a intolerância coletiva

Desde a abertura das olimpíadas, na sexta-feira (26), a esquete representada, em sua maioria, por drag queens e pessoas da comunidade LGBT+, repercute nas redes sociais e nas mídias em geral. Após inúmeras manifestações de desagrado, neste domingo, durante uma conferência de imprensa do Comitê Olímpico Internacional, Anne Dechamps, porta-voz das Olimpíadas de Paris 2024, esboçou um pedido de desculpas (disse lamentar ‘muito, muito mesmo’) às pessoas que se sentiram ofendidas na abertura dos jogos pela cena.

Infelizmente, nossa sociedade parece carecer de pensamento crítico, reduzindo a rica oportunidade de debate em decorrência da cena a um embate polarizado entre defensores de tal manifestação artística x ofendidos pela mesma, em face do qual nenhum dos lados parece disposto a refletir sobre o acontecido.

Como torcedores fanáticos, são incapazes de reconhecer as virtudes do outro time e as falhas das próprias ações.

De um lado, muitos dos arautos de uma suposta moralidade aproveitaram a oportunidade para disseminarem discursos transfóbicos. O ódio na fala de muitos que se posicionaram contra a manifestação artística vai de encontro aos ensinamentos de Cristo, apesar de muitos se autodenominarem cristãos. Pessoalmente, creio que se tivessem lido, ao menos uma vez na vida, os belíssimos Evangelhos e os ensinamentos de Jesus aí contidos, certamente, adotariam outro tom, lembrariam que não são eles a guardarem as chaves do céu e que, inúmeras vezes, Jesus quebrou regras e protocolos de seu tempo, acolheu àqueles que a sociedade rechaçava.

Outras pessoas minimizaram a questão dizendo não se tratar de uma referência ao quadro A Última Ceia, mas à pintura do holandês Jan van Bijlert, “A Festa dos deuses”. Em uma cegueira coletiva, negaram que, na pequena encenação, podemos ver referências a ambas as obras e, de todo modo, a obra de Bijlert foi pintada por volta de 1635, ou seja, mais de cem anos depois do quadro de Da Vinci, datado de 1498 e, podendo, portanto, ter inspirações do mesmo. Neste ângulo do debate, a riqueza e a polissemia da arte passaram despercebidas.

Houve ainda aqueles que defenderam ferrenhamente a manifestação artística em questão, se referindo a todos aqueles que dela se desagradaram como ‘retrógrados’, ‘de extrema-direita’ e ‘conservadores’, ignorando, por completo, que é possível sentir certo desgosto pela cena por outros motivos que não uma inclinação pessoal ao proselitismo ou por um alinhamento com a agenda de discriminação à comunidade LGBT+.

Para compreender o desagrado vindo de pessoas razoáveis é preciso, primeiramente, não ter uma mente limitada, polarizada entre bons x maus, oprimidos x opressores - somos mais de oito bilhões no mundo, nem todos cabem em categorias diametralmente opostas. É preciso ainda entender que o quadro de Da Vinci, ao longo dos últimos cinco séculos, transcendeu seu valor como bela arte e se tornou, no imaginário coletivo, um símbolo do Cristianismo e das mais diversas religiões daí advindas - e isto é algo sério.

Diferente de outros animais, o ser humano é um ser simbólico – alguns objetos adquirem um valor que ultrapassam seu sentido original, dizem de uma história pessoal e coletiva. Os objetos que adquirem um valor simbólico não podem ser monetizados, dinheiro nenhum no mundo pode comprar e isso é o ápice do valor em um mundo capitalista. Talvez você tenha um objeto de um parente já falecido, algo da sua infância, um talismã ou mesmo sua aliança de casamento com seu grande amor que tenham se tornado simbólicos na sua existência e que você jamais irá se desfazer deles, ainda que lhe oferecessem uma fortuna por eles. Objetos simbólicos dizem de nossa história de vida, se tornam parte de nós mesmos e dói quando mexem neles.

Assim, o quadro A Última Ceia se tornou simbólico para milhões de pessoas, faz parte da história coletiva da comunidade cristã ainda que, talvez, a cena real de Jesus e seus apóstolos sequer tenha acontecido como foi pintada por Da Vinci. De tal modo, parodiar este símbolo pode sim ser motivo de ofensa pessoal para muitos. Não se trata necessariamente de um preconceito contra a comunidade LGBT+ (apesar de sabermos que alguns adentraram nesse debate por puro preconceito), afinal, ainda que a cena tivesse sido representada por homens e mulheres cis, naquele contexto de entretenimento, o sagrado se tornaria profano, continuaria sendo ofensivo.

Em um mundo plural e em busca de ser democrático, os símbolos devem ser respeitados e conservados. Entretanto, creio que a imposição dos símbolos de um determinado grupo à coletividade, por vezes, provoca um efeito reverso: não uma maior aceitação desses símbolos, mas um ressentimento, uma vontade de destruição e de zombaria, pura iconoclastia sem um sentido mais elevado.

É preciso assumir que no Brasil há, com frequência, a imposição em espaços públicos de símbolos cristãos, especificamente católicos. Como muitos nordestinos, sou devota de Maria, encontrei Nela o colo acolhedor de uma mãe, mas não posso concordar com as inúmeras praças em meu Estado (Ceará) com imagens de Maria, afinal, isso pode ser um ultraje a alguém com uma fé divergente da minha, que enxerga Maria com outros olhos.

Como a maioria dos brasileiros, sou cristã, mas não posso concordar que crucifixos sejam expostos em repartições públicas, afinal, esta não é a fé de todos os brasileiros - e a laicidade é garantida pela Constituição vigente. Do mesmo modo, posso não me sentir à vontade que símbolos de outras religiões sejam impostos à coletividade, mas, nem por isso, poderia me autorizar a parodiar estes símbolos pelos quais não tenho nenhum afeto, mas que são profundamente importantes para pessoas de outras religiões.

Os símbolos, cada um ao seu modo, são sagrados. Todos merecem ser conservados, respeitados e guardados para aqueles que os consideram preciosos. Pode ser um idealismo, mas ainda acredito que podemos conviver com as mais diversas religiões, ideologias e modos de ser, desde que sejamos norteados pela empatia, compreendendo que o que é valoroso e sagrado para o outro, não merece ser banalizado (muito menos parodiado).

 

¨      Não foi "A Última Ceia": drag queens encenaram outro quadro famoso na abertura das Olimpíadas. Por Ivan Longo

encenação feita por drag queens na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris, na última sexta-feira (26) gerou revolta entre conservadores por, supostamente, fazer referência ao famoso quadro "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, que retrata Jesus Cristo e seus 12 apóstolos. 

O fato de pessoas queer representarem uma cena cultuada pelo cristianismo foi vista por setores da igreja católica e evangélica como uma "blasfêmia" contra as religiões. 

A performance, entretanto, não fez referência à pintura "A Última Ceia", mas sim a outra obra que de cristã não tem nada. Tratou-se, na verdade, de uma releitura do quadro "Festa dos Deuses", de Jan Harmensz van Bijlert, pintado por volta de 1635 e mantido no Museu Magnin em Dijon.

A obra traz elementos da mitologia cultura greco-romana, particularmente ao culto de Baco (ou Dionísio, como é conhecido na mitologia grega). Baco (nome romano) ou Dionísio (nome grego) é o deus do vinho, da fertilidade, do teatro e das festividades. Ele é frequentemente representado em cenas de celebração, que refletem os festivais e os ritos em sua honra, conhecidos por serem alegres e exuberantes.

No centro da mesa da encenação, portanto, a drag queen não representava Jesus Cristo, mas sim o deus Apolo coroado. Em primeiro plano, pintado de azul, um ator interpreta Baco/Dionísio. 

Veja a comparação do quadro com a encenação: 

Quem deu o esclarecimento sobre a performance confundida com o quadro de Leonardo da Vinci foi o próprio perfil oficial dos Jogos Olímpicos de Paris nas redes sociais. 

"A interpretação do deus grego Dionísio nos conscientiza do absurdo da violência entre os seres humanos", diz a publicação. 

 

•        Pastor, mãe de santo, padre juntos para distribuir comida a quem tem fome

Pastor, padre, mãe de santo e representantes de várias religiões decidiram unir forças e distribuir comida para quem tem fome e vive em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro. A iniciativa faz parte do Pacto Inter-Religioso Contra à Fome.

Assim o grupo formado por padre, pastor, mãe de santo e integrantes dos mais diversos credos ocupou um cartão-postal da Cidade Maravilhosa: os Arcos da Lapa, no centro do Rio. A ideia é levar comida para quem sente fome com amor e acolhimento, unindo palavras de esperança e fé.

Ali serviram, na hora do almoço, refeições saudáveis para quem quisesse e estivesse com fome . No local, vivem muitas pessoas em situação de rua. O Pacto Inter-religioso Contra à Fome foi lançado no último dia 27, no Rio, com muita união e parceria.

<><> Ação coletiva

O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) é um dos que lideram o movimento. Segundo ele, é uma iniciativa coletiva para combater a fome e a miséria

“É um movimento que reúne o povo de fé, de diversas discussões, e movimentos sociais no combate à miséria e na partilha do pão”, afirmou Vieira.

De acordo com o pastor, unidos será possível avançar no combate à fome e à miséria.

“Juntos, em nossa diversidade, nos comprometemos a lutar contra a desigualdade e a unir esforços para acolher nossos irmãos e irmãs que precisam.”

<><> Sabedoria ancestral

O pastor ressaltou que a sabedoria ancestral aliada a políticas públicas ajudará nos esforços.

“Ao aprender com as tradições que promovem segurança alimentar, criaremos um futuro de justiça e solidariedade”, disse.

Em seguida, Henrique Vieira: “Juntos, faremos uma revolução de amor e generosidade para garantir uma mesa farta e justa para todos”.

 

•        Padre bolsonarista dirige bêbado e tenta subornar PMs: "sou famoso, vão se arrepender"

Apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e negacionista durante a pandemia da Covid-19, o padre goiano Danillo Joaquim Costa Netto foi preso na rodovia GO-010, no município de Bonfinópolis,  na região metropolitana de Goiânia, ao dirigir bêbado e tentar subornar policiais no último domingo (28).

Danillo foi parado após dirigir em zigue-zague pela rodovia e quase atropelas dois ciclistas. Em vídeo divulgado nas redes, gravado durante a abordagem, o padre confessa que tomou umas cervejas e está "embriagado".

Ele ainda tenta usar a "influência" para oferecer subornos aos policiais para o acompanharem até a casa onde mora.

"Eu pago o valor que vocês quiserem, mas por favor, só me acompanhem até à minha casa para que eu possa dormir. Quem você acha que é? Eu tenho influência", disse o bolsonarista.

No carro, a PM encontrou latas de cerveja e uma arma de fogo com 17 munições.

Na hora da abordagem, o padre ainda se recusou a entregar os documentos. "Eu sou o padre famoso que aparece no jornal, vocês vão se arrepender de fazer isso", teria dito, segundo a afiliada local da Globo.

Em seguida, ele teria ameaçado os PMs ao ser colocado dentro da viatura. "Amanhã vocês vão estar em todos os jornais, eu vou acabar com vocês", disse o padre segundo a Polícia Penal.

Danillo, que estava sem o documento do veículo, ainda teria desacatado uma PM mulher que participou da abordagem.

"Com você, eu falo do jeito que eu quiser. Me fala seu nome que amanhã você vai perder esse seu cargo aí. Eu não vou te obedecer", disse Danillo Costa de acordo com os relatos da Polícia Penal.

Danillo, então, começou a agredir os PMs e teve que ser algemado para ser colocado no camburão. Chutando a grade, ele continuou atacando os PMs.

Ele passou por audiência de custódia nesta terça-feira (30) e vai responder por dirigir embriagado, porte ilegal de arma de fogo e por tentativa de suborno.

Ao G1, a defesa afirmou que houve possíveis abusos de autoridade por parte dos policias.

<><> Arrancou a batina

Danillo Netto tem histórico de chiliques e abuso de autoridade, sempre atrelado à defesa de Jair Bolsonaro (PL).

Em novembro de 2022, após a derrota do ex-presidente para Lula, o padre surtou, tirou a batina durante a missa e jogou sobre o púlpito ao ser confrontando em uma discussão política no sermão.

O caso aconteceu em uma igreja de Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia.

Durante a missa, Danillo teria pedido aos que votaram em Lula para irem embora da igreja. Uma mulher se recusou e começou a discutir com ele. Outros fiéis se levantaram e fizeram o "L", de Lula.

Danillo, então, teve o chilique. “É? Então beleza. Vocês não precisam de padre. Então, estou deixando a paróquia”, disse o sacerdote antes de tirar a batina e deixar o altar.

Nas redes, o padre fez campanha para Bolsonaro e atacou Lula, além de se alinhar ao discurso negacionista na pandemia.

 

Fonte: Diário do Nordeste/Só Noticia Boa/Fórum

 

'Escandiculpa': como riqueza gera sentimento de culpa em noruegueses, segundo professora

Muitos noruegueses andam se sentindo culpados, segundo Elisabeth Oxfeldt, professora de Literatura Escandinava da Universidade de Oslo (Noruega).

Oxfeldt diz que os noruegueses ricos estão cada vez mais observando o contraste de suas vidas confortáveis com as de pessoas que estão passando por dificuldades, principalmente no exterior.

“Vimos o surgimento de uma narrativa de culpa sobre a vida privilegiada das pessoas em um mundo onde outros estão sofrendo”, diz ela.

Graças às suas significativas reservas de petróleo, as maiores da Europa depois da Rússia, a Noruega é um dos países mais ricos do mundo.

A força da sua economia, medida por cada integrante da população, é quase o dobro da taxa no Reino Unido, e maior até que a dos EUA.

A Noruega tem até um superávit orçamentário – sua renda nacional excede as despesas. Isso contrasta fortemente com a maioria das outras nações, incluindo o Brasil.

Especialista em como os livros, filmes e séries de TV escandinavos refletem a cultura mais ampla de seu tempo, Oxfeldt diz que vê cada vez mais esses meios explorando a culpa da riqueza da Noruega.

“Ao observar a literatura, os filmes e as séries de TV contemporâneos, descobri que o contraste entre o eu feliz, afortunado ou privilegiado e o 'outro' sofredor trazia sentimentos de culpa, mal-estar, desconforto ou vergonha.

“Nem todos sentem-se culpados, mas muitos se sentem”, acrescenta Oxfeldt, que cunhou o termo “Scan blame”, ou “escandiculpa” em português.

Enredos apresentados em dramas noruegueses recentes incluem membros da “classe de lazer”, que dependem dos serviços de migrantes que residem em quartos compartilhados em seus porões. Ou mulheres que acham que alcançaram a igualdade de gênero no local de trabalho, mas dependem de au pairs (babás) mal pagas vindas de países pobres para cuidar de seus filhos, diz Oxfeldt.

A vida tem o costume de imitar a arte. Em março, o governo norueguês disse que havia interrompido a concessão de autorizações de trabalho para au pairs de países em desenvolvimento.

O sentimento de culpa do povo norueguês também foi instigado por uma variedade de pessoas e organizações que questionam a ética da riqueza da Noruega.

Em janeiro deste ano, o Financial Times publicou uma reportagem especial que descobriu como o óleo de peixe feito de peixes inteiros moídos capturados na costa da Mauritânia, na África, era usado como ração nas extensas fazendas de salmão da Noruega.

Segundo o jornal, o peixe norueguês de viveiro, vendido por grandes varejistas na Europa, “está prejudicando a segurança alimentar na África Ocidental”.

O grupo de pressão ambiental Feedback Global insistiu que “o apetite voraz da indústria norueguesa do salmão por peixes selvagens está causando perda de meios de subsistência e desnutrição na África Ocidental, criando um novo tipo de colonialismo alimentar”.

O governo norueguês respondeu que queria “garantir uma alimentação sustentável” e estava trabalhando para “um maior uso de matérias-primas locais e mais sustentáveis”.

De fato, a Noruega diz que está ansiosa para impulsionar uma transição para uma economia verde e, assim, garantir que a aquicultura seja sustentável será essencial à medida que o setor de petróleo é reduzido para abrir caminho para a chamada "mudança verde".

Isso deve liberar financiamento, tecnologia e mão de obra para setores marítimos talvez mais preparados para o futuro, como energia solar e eólica offshore e produção de algas para alimentos e medicamentos.

Pelo menos por enquanto, no entanto, isso não será suficiente para silenciar os críticos vocais da lucrativa indústria petrolífera da Noruega. Os ativistas do clima se opõem à continuação da perfuração de petróleo e gás. Outros críticos dizem que a Noruega é muito dependente de seus ganhos com petróleo.

Por um lado, graças à riqueza proveniente do petróleo e do gás, as horas de trabalho na Noruega tendem a ser mais curtas do que na maioria das economias comparáveis, os direitos trabalhistas mais fortes e o sistema de bem-estar social mais generoso.

Assim, não surpreende que a Noruega tenha sido por muito tempo um dos países mais felizes do mundo, de acordo com o World Happiness Report. Atualmente, ocupa o sétimo lugar da lista.

Por outro lado, argumenta Børre Tosterud, um investidor e hoteleiro aposentado, a “total dependência da Noruega dos lucros do petróleo” resultou em um orçamento governamental excessivamente grande, um setor público inflacionado e uma escassez de mão de obra que restringe o setor privado. “Não é sustentável”, diz.

A Noruega sempre olhou para os oceanos em busca de otimismo. Os mares têm sido uma fonte de alimento e energia, um local de trabalho e uma fonte de riqueza há séculos.

No entanto, foi somente no final da década de 1960 que as descobertas de petróleo e gás ajudaram a mudar a sorte desta nação antes relativamente subdesenvolvida.

Desde então, a maior parte dos grandes lucros obtidos com o petróleo da Noruega são investidos internacionalmente pelo Norges Bank Investment Management, que faz parte do banco central da Noruega.

Seu principal fundo de investimento, o Government Pension Fund Global, também conhecido como “fundo petrolífero”, tem ativos avaliados em cerca de US$ 1,7 trilhão.

Os lucros com a exportação de petróleo da Noruega aumentaram após a invasão da Rússia em 2022. Críticos acusaram o país de estar lucrando com a guerra, ou ao menos falhando em compartilhar o suficiente com as vítimas da agressão que gerou esse lucro.

O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre rejeitou as acusações de lucro com a guerra, argumentando que a Noruega conseguiu fornecer a energia muito necessária à Europa em um momento de crise.

E ressaltou que a Noruega tem sido um dos maiores apoiadores financeiros da Ucrânia e superando as expectativas, dado o tamanho do país, que tem uma população de apenas 5,5 milhões.

Jan Ludvig Andreassen, economista-chefe do Eika Group, uma aliança de bancos noruegueses independentes, diz que os noruegueses “tornaram-se muito mais ricos do que esperávamos”.

Mas, ao mesmo tempo, ele diz que, após um período de altas taxas de juros e inflação dolorosa, causada em parte por uma moeda historicamente fraca, o que torna os bens e serviços importados caros, o norueguês comum não se sente rico.

A Noruega também é um dos principais doadores mundiais de ajuda humanitária no exterior.

“Acredito que os noruegueses são generosos colaboradores de boas causas”, observa a professora Oxfeldt.

No entanto, apontando para as exportações adicionais de petróleo da Noruega que surgiram como resultado do conflito na Ucrânia, Andreassen diz que as doações da Noruega “são insignificantes em relação aos ganhos extras decorrentes da guerra e do sofrimento”. Uma visão também ecoada por Tosterud.

Mas eles concordam com Oxfeldt que muitos noruegueses se sentem culpados?

“Na verdade, não, exceto talvez em alguns círculos como o movimento ambientalista”, diz Andreassen.

Tosterud concorda. “Não tenho nenhum sentimento de culpa, e nem acho que isso seja generalizado na Noruega.”

 

Fonte: BBC News Noruega