quinta-feira, 1 de agosto de 2024

8 sintomas de gravidez antes do atraso (e como saber se é gravidez)

Alguns sintomas de gravidez antes do atraso menstrual são seios doloridos, corrimento rosado, náuseas frequentes, cólicas, dores abdominais leves ou cansaço excessivo sem motivo aparente, por exemplo.

No entanto, esses sintomas também podem surgir por qualquer outro motivo ou ser indicativo de que o período menstrual está próximo, não sendo necessariamente sinal de gravidez.

Para confirmar se os sintomas são de fato indicativos de gravidez, é importante que a mulher espere pelo atraso da menstruação e vá ao ginecologista ou faça exames de urina ou de sangue, para identificar o hormônio relacionado com a gravidez, o beta-HCG.

•        Sintomas de gravidez antes do atraso

Alguns dos sintomas que podem aparecer antes do atraso menstrual e ser indicativos de gravidez são:

1.       Dor nos seios, que acontece devido ao aumento da produção de hormônios, que leva ao crescimento das glândulas mamárias;

2.       Escurecimento das aréolas;

3.       Corrimento rosado, que pode acontecer até 15 dias após a fecundação;

4.       Inchaço ou dor abdominal;

5.       Cansaço excessivo sem motivo aparente;

6.       Aumento da frequência para urinar;

7.       Prisão de ventre;

8.       Náuseas frequentes.

Os sintomas de gravidez antes do atraso menstrual são comuns na maioria das mulheres e surgem devido às alterações hormonais que acontecem após a fecundação, principalmente devido à produção de progesterona, que aumenta logo após a ovulação com o objetivo de preservar o endométrio e permitir que exista a implantação do óvulo fecundado no útero.

Por outro lado, esses sintomas também podem surgir no período pré-menstrual, não sendo necessariamente indicativo de gravidez. Por isso, no caso de surgirem esses sintomas, o melhor é esperar para que se confirme o atraso menstrual e depois realizar os exames que confirmam a gravidez.

•        Como saber se é gravidez

Para que se tenha mais certeza de que os sintomas apresentados antes do atraso são de gravidez, é importante que a mulher esteja atenta ao seu ciclo menstrual, para entender se há possibilidade de ter tido relação durante o período fértil.

O período fértil é o momento do ciclo menstrual em que acontece a ovulação e dura aproximadamente 6 dias e acontece 10 a 14 dias após o primeiro dia da menstruação, sendo que nessa fase a mulher tem maiores chances de engravidar.

•        Testes de gravidez

Além do cálculo do período fértil, também se pode realizar um teste de gravidez de farmácia que pode ser feito em casa a partir do primeiro dia do atraso da menstruação. Caso o resultado seja negativo, é recomendado que a mulher volte a repetir o teste 3 a 5 dias após o primeiro, de forma a confirmar o resultado.

No entanto, a melhor forma de se saber se realmente se está grávida, é consultar um ginecologista para explicar a situação e fazer um exame de sangue que deteta a presença do hormônio beta-HCG, que tem sua concentração aumentada durante a gravidez.

Este exame, além de confirmar se a mulher está grávida também indica a semana de gestação de acordo com a concentração de  beta-HCG no sangue.

•        Quantos dias de atraso menstrual é considerado gravidez

Para mulheres com ciclo menstrual regular, um atraso superior a 5 dias da data esperada para a menstruação descer pode ser considerado um sinal de gravidez, caso a mulher tenha tido contato sexual desprotegido no período fértil.

No entanto, o atraso da menstruação é muito normal para a maioria das mulheres e nem sempre indica gravidez, podendo também surgir devido a estresse, ovários policísticos ou problemas na tireoide, por exemplo.

 

•        Teste de gravidez de sangue: qual é o exame e possíveis resultados

O teste de gravidez de sangue é um exame que detecta a quantidade de beta hCG no sangue, sendo indicado para confirmar a gravidez. Normalmente, é considerado positivo quando os níveis de beta hCG são maiores que 25 IU/L. 

Este exame geralmente é feito no laboratório e pode identificar a gravidez ainda nas primeiras semanas após a relação íntima sem preservativo. No entanto, resultados falsos positivos podem ser causados por alguns tumores, como câncer de mama ou do endométrio, e alterações do sistema imune, por exemplo.

Em caso de um resultado positivo ou indeterminado no teste de gravidez de sangue, é recomendado consultar um obstetra e, se confirmada a gravidez, iniciar o acompanhamento do pré-natal.

<><> Possíveis resultados

O resultado do teste de gravidez de sangue pode ser:

•        Negativo: nível de beta hCG é menor que 5 IU/L;

•        Indeterminado: quantidade de beta hCG entre 5 a 25 IU/L;

•        Positivo: dosagem de beta hCG maior que 25 IU/L.

Os níveis de beta hCG no sangue aumentam durante a gravidez e normalmente chegam até em torno de 100.000 IU/L por volta da 10ª semana de gestação.

<><> Alterações em caso de gravidez ectópica

O teste de gravidez de sangue pode indicar uma gravidez ectópica quando os níveis de beta hCG param de aumentar antes das 8 semanas de gravidez ou aumentam mais lentamente do que o esperado.

Além disso, quando a quantidade de beta hCG é maior que 3.500 IU/mL e o ultrassom não encontra o bebê no interior do útero, também pode ser indicativo de uma gravidez ectópica.

<><> Resultado falso positivo ou falso negativo

O resultado do teste de gravidez de sangue pode ser falso positivo em caso de:

•        Mola hidatiforme;

•        Coriocarcinoma;

•        Mieloma múltiplo;

•        Alguns tumores, como câncer de mama ou endométrio;

•        Alterações do sistema imune, como deficiência de IgA ou presença de fator reumatóide no sangue;

•        Doença renal crônica.

Além disso, o resultado do teste de sangue também pode ser falso negativo em alguns casos, especialmente quando é feito muito cedo ou quando os níveis de beta hCG estão anormalmente elevados.

<><> O teste de sangue é melhor que o de farmácia?

O teste de gravidez de sangue é o mais indicado para confirmar a gravidez, por mostrar a quantidade exata de beta hCG no sangue. Este teste é feito em laboratório e pode identificar até mesmo pequenas concentrações de beta hCG, que poderiam não ser detectadas no exame de urina.

Além disso, o teste de gravidez de sangue pode ser feito após 8 a 10 dias da relação íntima sem preservativo, dando um resultado mais cedo que os testes de farmácia.

 

•        O que pode causar sangue nas fezes na gravidez e o que fazer

A presença de sangue nas fezes durante a gravidez pode ser causada por situações como as hemorroidas, que são muito comuns nesta fase, fissura anal devido a prisão de ventre, mas também pode indicar alguma situação mais grave, como uma úlcera gástrica ou pólipo intestinal, por exemplo.

Ao se verificar a presença de sangue nas fezes, é recomendado passar por uma consulta com o médico, que vai fazer uma avaliação clínica e solicitar alguns exames, para identificar as possíveis causas e recomendar o tratamento mais adequado.

Assista o vídeo a seguir e saiba as principais causas do sangue nas fezes:

>>>>> Principais causas

Algumas causas comuns de sangue nas fezes nesta fase são:

<><> 1. Hemorroidas

As hemorroidas são comuns durante a gravidez devido ao aumento do peso na região abdominal e podem ser agravadas pela prisão de ventre que também geralmente se desenvolve na gestação. Na presença de hemorroidas, o principal sinal indicativo é a presença de sangue vermelho vivo nas fezes ou no papel higiênico após se limpar, além de dor anal quando está de pé ou evacuando. No caso de hemorroida externa pode-se sentir uma pequena bolinha macia em volta do ânus.

O que fazer: É recomendado observar se os sintomas se mantém por mais de 3 dias e, em caso positivo, é indicado entrar em contato com o médico para que possa ser indicada a realização de exame de fezes e avaliação da região anal para verificar se existem hemorroidas externas.

<><> 2. Fissura anal

A fissura anal também é comum de acontecer, isso porque devido à diminuição do trânsito intestinal as fezes ficam mais ressecadas, o que obriga a mulher a fazer força no momento de evacuar, levando ao aparecimento de fissuras que sangram sempre que as fezes passam pelo local.

Dessa forma, é possível identificar a fissura quando é observada a presença de sangue vermelho vivo nas fezes, no papel higiênico após se limpar, além de dor anal quando está de pé ou evacuando.

O que fazer: Nesse caso, o melhor a se fazer é tornar as fezes mais moles a partir do aumento do consumo de fibras e do aumento da ingestão de água, além de praticar exercícios, pois isso também pode ajudar a melhorar o trânsito intestinal. É indicado também evitar fazer força ao evacuar e limpar o ânus com lenços umedecidos ou água e sabão, evitando o papel higiênico.

<><> 3. Pólipo intestinal

Os pólipos são pequenos pedículos que se desenvolvem no intestino. Normalmente são descobertos antes da mulher engravidar mas quando não são retirados, podem causar sangramento quando as fezes secas passam no local onde se encontram.

O que fazer: Nesses casos é importante consultar o gastroenterologista e o obstetra para que seja avaliada a necessidade e o risco da colonoscopia, que é um procedimento usado para o diagnóstico e tratamento para pólipos intestinais, no entanto é contraindicado durante a gravidez. Dessa forma, o médico deverá avaliar a mulher e indicar a opção terapêutica mais adequada.

<><> 4. Úlcera gástrica

A úlcera gástrica pode piorar na gravidez quando a mulher encontra-se muito irritada ou apresenta vômitos frequentes. Nesse caso o sangue nas fezes pode estar quase que imperceptível, porque está parcialmente digerido. Assim as características incluem fezes pegajosas, escuras e muito mal cheirosas.

O que fazer: É recomendado ir ao médico para que seja solicitados exames que ajudem no diagnóstico da úlcera e/ou para seja indicado o tratamento, que normalmente envolve o uso de antiácidos, estratégias para manter a calma e alimentação pastosa e de fácil digestão.

Apesar de parecer assustador encontrar sangue nas fezes, este é um sinal comum na gravidez devido as alterações que acontecem no corpo da mulher e geralmente são decorrentes da prisão de ventre ou da presença de hemorroidas, que podem surgir na gestação.

<><> Quando ir ao médico

É recomendado buscar ajuda médica se observar a presença de:

•        Grande quantidade de sangue nas fezes;

•        Se tiver febre, mesmo que baixa;

•        Se tiver diarreia em sangue;

•        Se está ou esteve doente nos últimos dias;

•        Se houver sangramento anal mesmo sem evacuar.

O médico poderá solicitar exames para identificar o que está acontecendo e então indicar o tratamento mais indicado para cada necessidade.

Saiba como recolher as fezes corretamente para proceder ao exame:

Se a mulher preferir poderá entrar em contato com seu obstetra, indicando seus sinais e sintomas, porque como ele já está acompanhando a gravidez poderá ter mais facilidade em entender o que está acontecendo.

 

Fonte: Tua Saúde

 

A mineração de ouro como atividade colonizadora na Amazônia brasileira

O ouro foi fundamental para a colonização do Mato Grosso. Cuiabá foi fundada por bandeirantes São Paulo que descobriram ouro em 1719. Ao explorarem a região, encontraram ouro na parte superior do Rio Guaporé, o que levou à criação da primeira capital de Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade, em 1731. Os depósitos de placer facilmente exploráveis logo se esgotaram, mas a ânsia por ouro foi reacendida durante a década de 1970, quando os garimpeiros se apressaram em explorar uma região com depósitos aluviais e saprolíticos em quatro grandes garimpos: Baixada Cuiabá, Serra de Aguapeí, Novo Xavantina e Alta Floresta-Juruena.

A corrida do ouro nas décadas de 1970 e 1980 atraiu dezenas de milhares de garimpeiros para regiões antes remotas. Não há estimativas confiáveis da quantidade de ouro que eles extraíram, mas é amplamente aceito que o aumento demográfico e o capital derivado do ouro aceleraram o desenvolvimento da economia agrícola do estado. Muitos garimpeiros tornaram-se pequenos agricultores e pecuaristas, principalmente nos municípios do norte, onde o INCRA patrocinou meia dúzia de projetos de assentamento. Como no Pará, eles mantiveram o conhecimento e a propensão para explorar o ouro aluvial, o que mostrou um ressurgimento da atividade nos antigos garimpos localizados perto de Alta Floresta e Pontes e Lacerda.

Na Baixada Cuiabana, uma dúzia de minas de placer de tamanho moderado se transformaram em operações de mineração a céu aberto, explorando depósitos de minério primário que usam cianeto para separar e concentrar o ouro elementar. Há três minas a céu aberto em operação no cinturão de Aguapeí, próximo à fronteira com a Bolívia, e uma mina de ouro em escala industrial está em desenvolvimento no cinturão de Alta Floresta-Juruena. Provavelmente haverá mais em breve, já que várias empresas detêm licenças de exploração na região. Como no leste do Pará, muitas esperam explorar tanto o cobre quanto o ouro.

•        Rondônia e Amazonas

As formações geológicas que são a fonte de ouro no noroeste do Mato Grosso se estendem até os municípios fronteiriços de Rondônia, onde vários garimpos invadiram as terras indígenas dos Cinta Larga (TI Roosevelt e TI Aripuanã). Não houve corridas de ouro em massa nesse setor da Amazônia na década de 1980; no entanto, a porção oeste do estado está repleta de centenas de minas de placer abandonadas, estabelecidas nas décadas de 1960 e 1970 durante o boom da cassiterita. Esses locais de mineração abandonados são indistinguíveis das minas de ouro de aluvião; consequentemente, é difícil documentar o impacto histórico dos garimpeiros de pequena escala.

O distrito garimpeiro contínuo mais longo de Rondônia é o canal do Rio Madeira, onde as dragas de placer exploram o ouro aluvial desde o início da década de 1980. Esse “garimpo aquático” único é a consequência das forças de deposição de um rio de águas brancas carregado de sedimentos maciços e da quantidade extraordinária de ouro liberada pelos processos erosivos desencadeados durante o Pleistoceno que deram origem aos campos de ouro em Madre de Dios e nos Yungas de La Paz. Antes da construção das barragens em Santo Antônio e Jirau, as dragas trabalhavam no rio a montante de Porto Velho, produzindo cerca de 38,5 toneladas de ouro entre 1980 e 2010. Essa área agora está essencialmente fora dos limites e a maior parte dos garimpeiros de dragas opera agora a jusante de Porto Velho.

As atividades das dragas de placer são mais visíveis em Humaitá, que é a base operacional de centenas dessas barcaças fluviais especializadas. Praticamente todas operam à margem da lei: não pagam royalties nem cumprem as regulamentações ambientais. Uma série de investigações policiais em 2017 provocou uma reação dos garimpeiros, que queimaram os escritórios do IBAMA e do ICMBio. Isso chamou a atenção das autoridades eleitas para as demandas das famílias de garimpeiros que residem em mais de 170 vilas ribeirinhas. Sob a direção do governador, as autoridades ambientais do Amazonas (SEMA – Amazonas) emitiram licenças provisórias e as dragas continuaram a expandir suas operações até a foz do rio. Em 2021, havia mais de 400 barcaças operando em uma série de “corredores” no canal do rio no município de Autazes. Outra ação policial (Operação Uiara) confiscou e destruiu 130 barcaças em novembro de 2021. Os garimpeiros reagiram protestando junto às autoridades locais e seus representantes no Congresso e, mais uma vez, foram autorizados a se reagrupar e retornar ao rio.

Em março de 2022, o governo de Jair Bolsonaro lançou um programa especificamente para apoiar os garimpeiros: o “Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala” (PROMAPE). Em um comunicado à imprensa, a administração declarou “que a mineração artesanal e em pequena escala é uma fonte de riqueza e renda para centenas de milhares de pessoas e é essencial que o governo tome medidas para reconhecer as condições em que vive o pequeno minerador, o âmbito de sua atividade e as necessidades primárias da sociedade circundante”. Em julho de 2022, havia dezenas de barcaças explorando novamente o ouro aluvial no Rio Madeira com o apoio público de políticos proeminentes de todos os principais partidos.

Os garimpos terrestres não são comuns no estado do Amazonas devido à sua história geológica. No entanto, há alguns garimpos ativos em municípios fronteiriços que compartilham uma província geológica com um estado ou nação adjacente. O mais destacado é o garimpo do Juma, localizado próximo à vila de Apuí, onde uma descoberta de placer desencadeou uma corrida do ouro em 2007. Um depósito relativamente pequeno, que cessou as atividades após uma ação policial em 2017, quando a SEMA-Amazonas interveio na tentativa de forçar a associação de garimpeiros a cumprir os regulamentos pertinentes.

Dragas montadas em barcaças foram reportadas em vários rios no setor oeste do estado do Amazonas. É improvável que os rios localizados ao sul do Rio Solimões (Purus, Juruá e Javari) sejam palco de uma corrida do ouro porque nenhum deles drena uma área com formações geológicas auríferas. Por outro lado, o Solimões, o Japurá (Caquetá) e o Putumayo drenam partes dos Andes com depósitos de ouro conhecidos ou suspeitos; foram registradas dragas nesses rios, mas não em níveis suficientes para se qualificar como uma corrida do ouro. A bacia hidrográfica do alto Rio Negro drena paisagens conhecidas por conter reservas significativas de ouro, principalmente em Roraima e ao longo da fronteira com a Colômbia. Os garimpeiros ainda não conseguiram instalar com sucesso um garimpo fluvial ou terrestre no curso médio e superior do Rio Negro, provavelmente porque as autoridades locais estão intimamente ligadas aos povos indígenas.

•        A Calha Norte: Roraima e Amapá

Roraima passou por corridas de ouro periódicas ao longo de várias décadas, começando na de 1970 após a descoberta de ouro nas fronteiras entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil. O regime militar facilitou a migração para a região como uma estratégia deliberada para ocupar a fronteira norte (Calha Norte), e milhares de garimpeiros se dirigiram para a região. Infelizmente, a fronteira era a terra natal de várias tribos indígenas, especialmente os Yanomami a oeste e os Macuxi a leste. Os Yanomami são habitantes da floresta sem contato, enquanto os Macuxi tinham pouca experiência de interação com os militares e fazendeiros. Nenhum dos grupos estava preparado para o ataque dos garimpeiros.

À medida que a corrida do ouro aumentava, seu impacto sobre os povos indígenas foi intensificado pelas ações de Romero Jucá, um político influente que migrou para Roraima como um jovem e ambicioso funcionário público. Ele foi nomeado chefe da FUNAI em 1986, onde procurou desmembrar e reduzir a extensão do território Yanomami. Em 1989, foi nomeado o primeiro governador do novo estado e adotou políticas para facilitar a migração de milhares de garimpeiros para as áreas de fronteira. Assim como no Tapajós, os garimpeiros organizaram um sistema logístico que usava aeronaves leves para abastecer suas operações em mais de oitenta remotas pistas de pouso que se estendiam por mais de oito milhões de hectares.

Os Yanomami resistiram, mas os invasores responderam com força brutal e, em um episódio, mataram 16 homens, mulheres e crianças em um massacre que foi considerado um ato de genocídio. Jucá perdeu a eleição para governador em 1990 e uma nova liderança na FUNAI reconstituiu a TI Yanomami em seus 9,6 milhões de hectares originais.

Pouco tempo depois, uma campanha de lei e ordem removeu fisicamente cerca de 5.000 garimpeiros dos territórios Yanomami. Conhecida como Operação Selva Livre, a ação policial foi organizada pela FUNAI em coordenação com o Ministério Público Federal (MPF) e unidades especializadas do exército e da polícia federal. Operações semelhantes foram realizadas em 1997, 1998 e 1999 e periodicamente ao longo da década seguinte. Apesar desses esforços, os garimpeiros continuam a invadir a TI Yanomami, principalmente em quatro afluentes do Rio Branco (Uraricoera, Mucajaí, Apiaú e Catrimani), cujos trechos mais baixos são facilmente acessíveis por estrada a partir das áreas populosas de Roraima.

Os campos de ouro de Roraima são diferentes dos garimpos do Tapajós, do leste do Pará e do Mato Grosso, onde a mineração de aluvião deixou cicatrizes evidentes nas paisagens, visíveis em imagens de satélite décadas depois de terem sido criadas. Ainda não está claro por que isso acontece. Talvez eles estejam explorando depósitos de rocha dura com veios localizados ou estejam trabalhando em depósitos de placer muito pequenos sob o dossel da floresta. A incapacidade de monitorar suas atividades ilegais usando a tecnologia de sensoriamento remoto exige um esforço de acompanhamento mais intenso no local, o que é perigoso e mais caro. A disponibilidade de imagens de alta resolução facilitará muito os esforços de monitoramento. A incapacidade de monitorar a região de forma eficaz facilitou uma nova invasão de garimpeiros durante a administração de Bolsonaro, que acabou com os esforços para controlar os garimpos ilegais e apoiar a saúde e o bem-estar das comunidades indígenas Yanomami.

A mineração de ouro no Amapá data da última metade do século XIX, quando houve uma corrida do ouro no que hoje são os municípios de Oiapoque e de Calçoene, ao norte. Os garimpeiros foram atraídos pelos ricos depósitos de ouro associados à formação do cinturão verde que se estende pelas colinas da Costa da Guiana. Eles têm tido uma presença contínua no Garimpo São Lourenço, que também foi o local da primeira mina de ouro subterrânea do estado (Salamangone), que extraiu aproximadamente 20 toneladas de ouro (cerca de US$ 250 milhões) entre 1984 e 1995.

O próximo grande desenvolvimento foi uma mina a céu aberto em Gaivota, em 1991, embora essa empresa tenha perdido (parte) de seu investimento quando a concessão foi invadida por garimpeiros em 1997. O próximo empreendimento corporativo foi a mina de Tucano, que se beneficiou das extensas explorações geológicas de sua vizinha, a mina de manganês de Serra do Navio. A unidade de Tucano abriu oito minas a céu aberto e uma subterrânea desde 2012. Em 2021, ela havia produzido mais de 44 toneladas de ouro com um valor nominal de ~US$ 2,5 bilhões.

Situada a leste dessas duas minas industriais está a reserva mineral RENCA, na qual se acredita haver um ou mais depósitos de classe mundial de ouro, cobre e outros minerais estratégicos. A RENCA está fechada para mineração, mas os garimpeiros têm explorado depósitos de superfície em várias localidades, principalmente na Serra de Ipatinga, uma serra baixa localizada a oeste do Rio Jari, no norte do Pará. Estimados em cerca de 5.000 pessoas, eles operam entre trinta e quarenta pistas de pouso clandestinas.

•        Belo Sun e o Projeto Volta Grande

O projeto corporativo mais controverso da Amazônia brasileira está localizado próximo à Volta Grande, no rio Xingu, a poucos quilômetros da usina hidrelétrica de Belo Monte. A mina proposta exploraria um depósito de ouro de classe mundial em um depósito de rocha verde que foi explorado pela primeira vez por garimpeiros na década de 1960 (Garimpo Itatá). O desenvolvedor do projeto, a empresa canadense Belo Sun, adquiriu a concessão em 2013. A mina a céu aberto proposta tem reservas “comprovadas ou prováveis” de 3,8 milhões de onças de ouro e deve gerar lucros de US$ 2 a US$ 5 bilhões ao longo de dezessete anos de vida. A oposição ao projeto tem se concentrado no perigo de uma falha catastrófica de suas lagoas de cianeto e instalações de armazenamento de rejeitos que contaminariam os trechos inferiores do Rio Xingu. A preocupação com o impacto potencial é ampliada pela redução do fluxo de água causada pela barragem de Pimentel, que desvia cerca de 75% do fluxo de água do rio para a usina hidrelétrica de Belo Monte.

A oposição à mina é liderada por comunidades indígenas cuja subsistência depende da pesca natural do rio Xingu. A análise de impacto ambiental (EIA) foi aceita pelo órgão ambiental estadual (SEMAS), mas a licença de operação foi rejeitada por um tribunal federal devido ao fato de a empresa não ter obtido o consentimento livre, prévio e informado das comunidades indígenas próximas. A empresa alega que chegou a um acordo com as comunidades, uma posição validada pelos funcionários da FUNAI durante o governo Bolsonaro e pela Suprema Corte do estado. No entanto, o projeto permanece suspenso até a resolução de um processo judicial separado que questiona o processo de licenciamento, argumentando que o órgão federal (IBAMA) é o competente e não o órgão estadual (SEMAS). Se for autorizado a seguir adiante, Belo Sun será a maior mina de ouro do Brasil.

 

Fonte: Mongabay

 

Quem são os principais líderes do Hamas e que papel têm no conflito com Israel

Hamas anunciou que Ismail Haniyeh, um de seus mais proeminentes líderes, foi morto em Teerã, no Irã, na madrugada desta quarta-feira (31/7).

Haniyeh morreu após um ataque aéreo realizado por volta das 2h, no horário local, segundo o grupo.

O Hamas culpa Israel pelo ataque — as forças israelenses ainda não se manifestaram, mas já haviam prometido anteriormente eliminar os líderes do grupo palestino.

Haniyeh — que era de Gaza, mas viveu no Catar durante vários anos — estava em Teerã para assistir à posse do presidente iraniano.

Mas quem era Ismail Haniyeh? Conheça a seguir o que se sabe sobre ele — e sobre outros cinco líderes políticos e militares do Hamas.

·        Ismail Haniyeh

Ismail Haniyeh, também conhecido como “Abu Al-Abd”, nasceu num dos campos de refugiados palestinos.

Ele era chefe do gabinete político do Hamas e foi primeiro-ministro do décimo governo da autoridade palestina, entre 2006 e 2007.

Antes, em 1989, Israel o prendeu por três anos. Depois, ele foi para o exílio com vários líderes do Hamas em Marj al-Zuhur, na fronteira entre o Líbano e a Palestina, onde passou um ano inteiro em 1992.

Depois desse ano no exílio, voltou a Gaza e, em 1997, foi nomeado chefe do gabinete do xeque Ahmed Yassin, o líder espiritual do Hamas, o que reforçou a posição dele no movimento islâmico.

Em 2003, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato realizada por Israel. Na ocasião ele estava junto com o fundador do Hamas.

Um ano depois de sua nomeação como primeiro-ministro, Haniyeh foi destituído do cargo pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

A saída do cargo ocorreu após as brigadas Al-Qassam tomarem controle da Faixa de Gaza, expulsando membros do grupo Fatah durante uma semana de violência que deixou muitos mortos.

À época, Haniyeh classificou a destituição como “inconstitucional” e proclamou que o seu governo continuaria “cumprindo as suas responsabilidades nacionais para com o povo palestino”.

Desde então, Haniyeh defendeu a reconciliação com o movimento Fatah em diversas ocasiões e, em 6 de maio de 2017, foi eleito chefe do escritório político do Hamas.

Considerado um político pragmático, Haniyeh mantinha boas relações com outros grupos palestinos rivais.

Ele foi eleito chefe do gabinete político do Hamas em 2017. Nos últimos anos, viveu no exílio, deslocando-se entre a Turquia e o Catar.

Ele desempenhava um papel fundamental nas negociações sobre um acordo de cessar-fogo em Gaza.

·        Mohammed Deif

Assim que a fundação do Hamas foi anunciada, Mohammed Deif juntou-se às suas fileiras sem hesitar.

As autoridades israelenses prenderam Deif em 1989 e ele passou 16 meses na prisão.

Durante o tempo na prisão, Al-Deif se juntou a Zakaria Al-Shorbagy e Salah Shehadeh para criar um movimento separado do Hamas com o objetivo de capturar soldados israelenses. Tratava-se das brigadas Izz al-Din al-Qassam.

Após a sua libertação, as brigadas al-Qassam surgiram como uma formação militar, e Deif foi um dos seus fundadores.

Ele também foi o engenheiro responsável por construir os túneis através dos quais os combatentes do Hamas se infiltraram em Israel a partir de Gaza e promoveu a estratégia de lançar um maior número de foguetes contra o território israelense.

As acusações mais graves contra ele incluem o planejamento e a supervisão de uma série de operações de vingança pelo assassinato de Yahya Ayyash — responsável no Hamas por produzir bombas, entre as quais aquelas alocadas em um ônibus e que mataram cerca de 50 israelenses no início de 1996.

Ele também é acusado de participar da captura e morte de três soldados israelenses em meados da década de 1990.

Israel o prendeu em 2000, mas ele conseguiu escapar logo no início do que é conhecido como a “Segunda Intifada” e está foragido desde então.

Há três fotografias dele: uma é bem antiga, na segunda ele aparece mascarado e a terceira é uma imagem de sua sombra.

Em uma das tentativas de matá-lo, em 2002, Deif sobreviveu milagrosamente, mas perdeu um olho. Israel diz que ele também perdeu um pé e uma mão e tem dificuldade para falar por causa dos ataques sofridos.

Em 2014, durante a guerra iniciada por Israel na Faixa de Gaza, que durou mais de 50 dias, o exército israelense também não conseguiu matá-lo, mas matou a esposa dele e dois dos seus filhos.

Sua capacidade de sobreviver lhe rendeu o apelido de “O Gato de 9 vidas”.

Mas, acima de tudo, ele é conhecido como “O Hóspede”, porque não fica no mesmo lugar mais de uma noite e todos os dias pernoita numa nova casa para escapar da perseguição israelense.

Ele também ficou conhecido com o apelido de "Abu Khaled", por seu papel em uma peça chamada O Palhaço, na qual interpretou a figura histórica que viveu no período entre as dinastias Omíada e Abássida. Na Universidade Islâmica de Gaza, onde cursou biologia, ele era apaixonado por atuar e tinha um grupo de teatro.

·        Marwan Issa

Marwan Issa, conhecido como “O Homem das Sombras” e braço direito de Mohamed Al-Deif, foi vice-comandante-chefe das brigadas al-Qassam e membro do gabinete político e militar do Hamas.

As forças israelenses o mantiveram preso por cinco anos durante a chamada “Primeira Intifada” devido à sua atividade nas fileiras do Hamas, grupo ao qual se juntou ainda jovem.

Israel o descreve como um homem de “ações, não de palavras” e assegura que ele é tão inteligente que “pode transformar plástico em metal”. O país considerava que, enquanto ele estivesse vivo, a “guerra de cérebros” com o Hamas continuaria.

Em 26 de março, as FDI afirmaram ter matado Marwan Issa. Considerado um dos homens mais procurados de Israel, ele seria o líder mais importante do grupo que foi morto desde o início da guerra. Os Estados Unidos disseram acreditar que ele foi morto, mas o Hamas não confirmou.

Issa se destacou como jogador de basquete e foi apelidado de “O Comando Palestino”. No entanto, ele não progrediu em sua carreira esportiva, pois Israel o prendeu em 1987, após acusá-lo de pertencer ao Hamas.

A Autoridade Palestina posteriormente o deteve em 1997 e só o libertou depois da eclosão do que é conhecido como a "Intifada Al-Aqsa", em 2000.

Após a sua libertação, Issa desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento dos sistemas militares das brigadas Al-Qassam.

Devido ao seu papel de destaque no Hamas, Issa foi perseguido por Israel, que incluiu o nome dele na lista dos mais procurados e tentou assassiná-lo em 2006 durante uma reunião que incluía Deif e os líderes de primeiro escalão das brigadas Al-Qassam, mas ele só ficou ferido na ocasião.

Os aviões de guerra israelenses também destruíram a casa dele em Gaza duas vezes, em 2014 e 2021, matando o irmão dele.

O rosto dele só foi conhecido em 2011, quando apareceu em uma foto em grupo tirada durante a recepção de prisioneiros libertados no acordo de troca para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit.

·        Yahya Sinwar

Yahya Ibrahim Al-Sinwar, líder do Hamas e chefe do seu gabinete político na Faixa de Gaza, nasceu em 1962.

Ele fundou o serviço de segurança do Hamas conhecido como “Majd”, que cuida da segurança interna, incluindo interrogatórios de suspeitos de colaborar com Israel. Esse órgão evoluiu para rastrear também os serviços de inteligência e segurança israelenses.

Sinwar foi preso três vezes. A primeira, em 1982, quando as forças israelenses o mantiveram em detenção administrativa durante quatro meses.

Em sua terceira prisão, em 1988, Sinwar foi condenado a quatro penas de prisão perpétua. Enquanto estava na prisão, o tanque do soldado israelita Gilad Shalit foi alvo de um ataque de mísseis do Hamas, tornando-o refém.

Shalit era, de certa forma, apenas uma pessoa normal, um homem comum. O público considerava que poderia ser seu filho ou irmão e pressionou o governo de Israel a fazer todo o possível para libertá-lo.

Isso aconteceu por meio de uma troca de prisioneiros à qual alguns palestinos se referiram como "Lealdade dos Livres", que incluiu muitos prisioneiros dos movimentos Fatah e Hamas, entre os quais estava Yahya Sinwar, libertado em 2011.

Sinwar regressou então à sua posição de líder sênior do Hamas e membro de seu gabinete político.

Em setembro de 2015, os Estados Unidos incluíram o nome dele na sua lista de “terroristas internacionais”.

Em 13 de fevereiro de 2017, Yahya Sinwar foi eleito chefe do gabinete político do Hamas.

·        Abdullah Barghouti

Abdullah Ghaleb Al-Barghouti nasceu no Kuwait em 1972 e mudou-se para a Jordânia após a Guerra do Golfo, em 1990.

Ele obteve a cidadania jordaniana e depois estudou engenharia eletrônica em uma universidade sul-coreana por três anos, quando aprendeu a fabricar explosivos.

Ele não concluiu os estudos porque conseguiu uma permissão de entrada nos territórios palestinos.

As pessoas ao redor dele desconheciam suas habilidades na fabricação de explosivos até que, um dia, ele levou seu primo Bilal Al-Barghouti a uma área remota na Cisjordânia e demonstrou suas habilidades, detonando uma pequena quantidade de material explosivo.

Bilal Al-Barghouti partiu para a cidade de Nablus para relatar os detalhes do que tinha visto ao então comandante das brigadas, que pediu que Abdullah se juntasse às fileiras das brigadas al-Qassam.

Abdullah Barghouti trabalhou na produção de artefatos explosivos, detonadores e substâncias tóxicas. Ele criou uma fábrica especial para produção militar em um armazém em sua cidade. O número total de mortos nas operações coordenadas e dirigidas por Abdullah passa de 66 israelenses, além de 500 feridos.

Ele foi preso por acaso em 2003 pelas forças especiais israelenses e interrogado durante três meses consecutivos.

Dezenas de familiares dos israelenses mortos compareceram ao julgamento dele, que recebeu a sentença mais longa da história do país. Outros consideraram a pena mais longa para um prisioneiro na história, com 67 penas de prisão perpétua e um total de 5.200 anos de reclusão.

Ele realizou uma greve de fome que pôs fim ao seu confinamento solitário.

Barghouti, que continua preso em Israel, foi apelidado de “O príncipe das Sombras” depois de escrever dentro da prisão um livro com esse título, no qual ele fala sobre a vida dele e os detalhes das operações que realizou ao lado de outros prisioneiros.

No livro, ele descreveu como contrabandeou explosivos através dos postos de controle militares israelenses e realizou operações de bombardeio remoto, com detalhes precisos.

·        Khaled Meshaal

Khaled Meshaal ou “Abu Al-Walid” nasceu na aldeia de Silwad, em 1956. Ele recebeu educação primária lá antes da família migrar para o Kuwait, onde completou sua educação na escola primária e secundária.

Meshaal é considerado um dos fundadores do Hamas e é membro do seu gabinete político desde a sua criação.

Ele assumiu a presidência do gabinete político do Hamas, entre 1996 e 2017, e foi nomeado líder após a morte do xeque Ahmed Yassin, em 2004.

Em 1997, o Mossad israelense tentou assassiná-lo sob instruções diretas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que pediu ao chefe da agência de inteligência que preparasse um plano para levar a operação a cabo.

Dez agentes do Mossad entraram na Jordânia com passaportes canadenses falsos e injetaram uma substância tóxica em Khaled Meshaal enquanto ele caminhava por uma rua da capital, Amã.

As autoridades jordanianas descobriram a tentativa de assassinato e prenderam dois membros do Mossad envolvidos.

O falecido rei jordaniano Hussein bin Talal pediu ao primeiro-ministro israelense o antídoto para a substância tóxica que tinha sido injetada em Khaled Meshaal.

Netanyahu inicialmente rejeitou o pedido, mas a tentativa de assassinato adquiriu uma dimensão política e o então presidente dos EUA, Bill Clinton, convenceu o primeiro-ministro a finalmente enviar o antídoto.

Khaled Meshaal voltou à Faixa de Gaza em 7 de dezembro de 2012. Foi a sua primeira visita aos territórios palestinos desde que os deixou, aos 11 anos. Ele foi recebido por líderes palestinos e multidões a caminho da cidade de Gaza.

Em 6 de maio de 2017, o Conselho Shura do Hamas elegeu Ismail Haniyeh para sucedê-lo como chefe do seu gabinete político.

·        Mahmoud Al-Zahar

Filho de pai palestino e mãe egípcia, Mahmoud Al-Zahar nasceu em 1945 na cidade de Gaza e viveu os primeiros anos da infância na cidade de Ismailia, no Egito.

Ele teve sua educação primária, média e secundária em Gaza. Al-Zahar recebeu o diploma de bacharel em medicina geral pela Universidade Ain Shams, no Cairo, em 1971, e o título de mestre em cirurgia geral em 1976.

Após se formar, ele trabalhou como médico em hospitais em Gaza e Khan Younis até que as autoridades israelenses o demitiram devido às suas posições políticas.

Al-Zahar é considerado um dos líderes de maior destaque no Hamas e membro da liderança política do movimento.

Ele ficou preso em Israel durante seis meses, em 1988, um semestre após a fundação do Hamas, e estava entre os deportados por Israel, em 1992, para Marj Al-Zuhur, onde passou um ano inteiro.

Depois que o Hamas venceu as eleições legislativas de 2005, Al-Zahar serviu como ministro das Relações Exteriores no governo do primeiro-ministro Ismail Haniyeh — até que o então presidente Mahmoud Abbas anunciou a dissolução do governo.

Israel tentou assassinar Al-Zahar em 2003 com uma bomba de meia tonelada lançada de um avião F-16 sobre a casa dele, no bairro de Al-Rimal, na cidade de Gaza. Na ocasião, ele teve alguns ferimentos leves, mas o filho mais velho dele, Khaled, morreu.

Em 15 de janeiro de 2008, o segundo filho dele, Hossam, que era membro das brigadas Al-Qassam, foi morto junto com outras 18 pessoas numa ofensiva aérea israelense no leste de Gaza.

Al-Zahar escreveu obras intelectuais, políticas e literárias, incluindo O Problema da Nossa Sociedade Contemporânea... Um Estudo do Alcorão e Sem lugar sob o Sol, em resposta ao livro O discurso político islâmico, de Benjamin Netanyahu.

 

¨      Quem é Ismail Haniyeh, líder do Hamas morto no Irã em ataque que grupo atribui a Israel

Considerado um dos principais líderes do Hamas, Ismail Abdel Salam Haniyeh foi morto na madrugada de quarta-feira (31/7) numa residência em Teerã, no Irã. Ele havia viajado ao país para acompanhar a posse do novo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

Segundo um comunicado do Hamas, o ataque foi conduzido por Israel. O Exército israelense ainda não se manifestou.

O assassinato ocorre apenas algumas horas depois de um ataque israelense matar um importante comandante do Hezbollah, em Beirute, no Líbano, em retaliação pelo lançamento de um foguete que matou 12 pessoas nas Colinas de Golã, território ocupado por Israel.

A morte de Haniyeh pode ter consequências importantes e potencialmente alastrar o conflito pelo Oriente Médio, segundo especialistas.

O assassinato aproxima a região de uma guerra total, avalaia Nader Hashemi, professor de Estudos do Médio Oriente na Universidade de Georgetown.

"Penso que também tem impacto nos acontecimentos no Líbano porque apenas algumas horas antes Israel tentou assassinar um líder importante do Hezbollah no sul de Beirute. Acreditava-se que Irã e o Hezbollah não estavam interessados ​​numa escalada."

Mas o assassinato de Haniyeh alterou esses cálculos, acrescenta. “Agora o Irã tem todos os incentivos para tentar escalar este conflito.”

Alguns meses atrás, em 11 de abril, Ismail Haniyeh já havia sofrido um duro golpe de Israel. Três dos seus filhos e dois netos foram mortos em ataque das Forças de Defesa de Israel em Gaza. O Exército israelense afirmou que os três irmãos eram “militares do Hamas” e confirmou que eles foram mortos, dizendo que foram “eliminados”.

Na época, Haniyeh, também conhecido como “Abu Al-Abd”, disse à rede de televisão Al Jazeera que recebeu a notícia enquanto visitava palestinos feridos que haviam sido transferidos para a capital do Catar para tratamento.

Ele disse que agradeceu a Deus pela “honra que me foi concedida pelo martírio dos meus filhos e netos” e garantiu que isso não afetaria o posicionamento do Hamas nas negociações do grupo com Israel sobre um cessar-fogo em Gaza.

“O inimigo tem ilusões se pensa que atacar os meus filhos, no auge das negociações e antes de enviarmos a resposta, levará o Hamas a mudar seu posicionamento”, disse ele à Al Jazeera

“O sangue dos meus filhos não é mais valioso do que o sangue do nosso povo”, acrescentou Haniyeh.

Aquela não era a primeira vez que a família do líder do Hamas é atingida por Israel. Sabe-se que outro de seus filhos morreu em fevereiro, enquanto seu irmão e sobrinho foram mortos em outubro, seguidos por um neto em novembro.

Mas quem foi Haniyeh e qual a relevância dele para a guerra em Gaza?

·        A ascensão de Haniyeh

Haniyeh viveu exilado no Catar nos últimos anos, incluindo os meses que se seguiram ao ataque de Hamas a Israel que desencadeou um conflito em grande escala em Gaza.

O líder político do Hamas tinha 62 anos e nasceu em um dos campos de refugiados palestinos em 1962.

Ele se envolveu na causa palestina desde muito jovem. Em 1989 foi preso por Israel e, após três anos de prisão, exilou-se com vários líderes do Hamas em Marj al-Zuhur, uma “terra de ninguém” na fronteira entre o Líbano e o território palestino da Cisjordânia em 1992.

Depois desse ano no exílio, ele voltou à Gaza e em 1997 foi nomeado chefe de gabinete do xeque Ahmed Yassin, líder do Hamas, o que fortaleceu sua posição no movimento islâmico.

Em fevereiro de 2006, o Hamas o nomeou primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), a organização política que governa os territórios palestinos, em um acordo com o Fatah, um grupo político palestino rival do Hamas.

Um ano depois, Haniyeh foi removido do cargo pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, quando a votação que elegeu o Hamas para o controle de Gaza foi considerada inválida pelo Fatah. Então as Brigadas al-Qassam (o braço armado do Hamas) assumiram violentamente o controle de Gaza, expulsando o Fatah da região.

O Fatah passou a ter o controle político apenas da Cisjordânia, embora oficialmente estivesse no controle da ANP, que teria autoridade sobre todos os territórios palestinos.

No entanto, na prática, Haniyeh continuou sendo o líder em Gaza, cargo que deixaria em 2014.

Anos mais tarde, em 6 de maio de 2017, ele foi eleito chefe político do Hamas, considerada a posição mais alta na estrutura do grupo.

Pouco depois ele se exilou no Catar, onde o Hamas tem uma espécie de embaixada de onde foram realizadas algumas negociações com Israel em crises anteriores.

O Departamento de Estado dos EUA tinha Haniyeh na sua lista de terroristas procurados.

Embora Haniyeh tenha liderado a organização remotamente nos últimos anos, o controle em Gaza é relegado a Yahya Sinwar, enquanto Mohamed Deif lidera as Brigadas Al Qassam ao lado de Marwan Issa.

Apesar da retórica bélica, Haniyeh era considerado por especialistas como mais moderado que Sinwar e Deif.

Também são considerados líderes proeminentes os fundadores do Hamas Khaled Meshaal e Mahmoud Zahar.

 

Fonte: BBC News Arabic