segunda-feira, 10 de março de 2014

07 lições que já deveríamos ter aprendido sobre o golpe de 1964 - Antonio Lassance

Há 50 anos, o Brasil foi capturado pela mais longa, mais cruel e mais tacanha ditadura de sua história.
Meio século é mais que suficiente tanto para aprendermos quanto para esquecermos muitas coisas.
É preciso escolher de que lado estamos diante dessas duas opções.
1ª. LIÇÃO: AQUELA FOI A PIOR DE TODAS AS DITADURAS
No período republicano, o Brasil teve duas ditaduras propriamente ditas. Além da de 1964, a de 1937, imposta por Getúlio Vargas e por ele apelidada de "Estado Novo". 
A ditadura de Vargas durou oito anos (1937 a 1945). A ditadura que começou em 1964 durou 21 anos. 
Vargas e seu regime fizeram prender, torturar e desaparecer muita gente, mas não na escala do que ocorreu a partir de 1964.
Os torturadores do Estado Novo eram cruéis. Mas nada se compara em intensidade e em profissionalismo sádico ao que se vê nos relatos colhidos pelo projeto "Brasil, nunca mais" ou, mais recentemente, pela Comissão da Verdade.
Em qualquer aspecto, a ditadura de 1964 não tem paralelo.
2ª. lição: QUALIFICAR A DITADURA SÓ COMO “MILITAR” ESCAMOTEIA O PAPEL DOS CIVIS
Foram os militares que deram o golpe, que indicaram os presidentes, que comandaram o aparato repressivo e deram as ordens de caçar e exterminar grupos de esquerda.
Mas a ditadura não teria se instalado não fosse o apoio civil e também a ajuda externa do governo Kennedy.
O golpismo não tinha só tanques e fuzis. Tinha partidos direitosos; veículos de imprensa agressivos; empresários com ódio de sindicatos; fazendeiros armados contra Ligas Camponesas, religiosos anticomunistas. Todos tão ou mais golpistas que os militares.
Sem os civis, os militares não iriam longe. A ditadura foi tão civil quanto militar. Tinha seu partido da ordem; sua imprensa dócil e colaboradora; seus empresários prediletos; seus cardeais a perdoar pecados.
3ª. LIÇÃO: NÃO HOUVE REVOLUÇÃO, E SIM REAÇÃO, GOLPE E DITADURA
Ernesto Geisel (presidente de 1974 a 1979) disse a seu jornalista preferido e confidente, Elio Gaspari, em 1981:
"O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma ideia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento contra, e não por alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar, nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".
Quase ninguém usa mais o eufemismo “revolução” para se referir à ditadura, à exceção de alguns remanescentes da velha guarda golpista, que provavelmente ainda dormem de botinas, e alguns  desavisados, como o presidenciável Aécio Neves, que recentemente cometeu a gafe de chamar a ditadura de “revolução” (foi durante o 57º Congresso Estadual de Municípios de São Paulo, em abril de 2013).
Questionado depois por um jornal, deu uma aula sobre o uso criterioso de conceitos: “Ditadura, revolução, como quiserem”.
A ditadura foi uma reação ao governo do presidente João Goulart e à sua proposta de reformas de base: reforma agrária, política e fiscal.
4ª. LIÇÃO: A CORRUPÇÃO PROSPEROU MUITO NA DITADURA
Ditaduras são regimes corruptos por excelência. Corrupção acobertada pelo autoritarismo, pela ausência de mecanismos de controle, pela regra de que as autoridades podem tudo.
A ditadura foi pródiga em escândalos de corrupção, como o da Capemi, justo a Caixa de Pecúlio dos Militares. As grandes obras, ditas faraônicas, eram o paraíso do superfaturamento.
Também ficaram célebres o caso Lutfalla (envolvendo o ex-governador Paulo Maluf, aliás, ele próprio uma criação da ditadura) e o escândalo da Mandioca.
5ª. LIÇÃO: A DITADURA ACABOU, MAS AINDA TEM MUITO ENTULHO AUTORITÁRIO POR AÍ
O Brasil ainda tem uma polícia militar que segue regulamentos criados pela ditadura.
A Polícia Civil de S. Paulo, em outubro de 2013, enquadrou na Lei de Segurança Nacional (LSN) duas pessoas presas durante protestos.
A tortura ainda é uma realidade presente, basta lembrar o caso Amarildo.
Os corredores do Congresso ainda mostram um desfile de filhotes da ditadura - deputados e senadores que foram da velha Arena (Aliança Renovadora Nacional, que apoiava o regime).
6ª. LIÇÃO: BANALIZAR A DITADURA É ACENDER UMA VELA EM SUA HOMENAGEM
Há duas formas de se banalizar a ditadura. Uma é achar que ela não foi lá tão dura assim. A outra é chamar de ditadura a tudo o que se vê de errado pela frente.
O primeiro caso tem seu pior exemplo no uso do termo "ditabranda" no editorial da Folha de S. Paulo de 17 de fevereiro de 2009.
Para a Folha de S. Paulo, a última ditadura brasileira foi uma branda (“ditabranda”), se comparada à da Argentina e à chilena.
A ditadura brasileira de fato foi diferente da chilena e da argentina, mas nunca foi “branda”, como defende o jornal acusado de ter emprestado carros à Operação Bandeirantes, que caçava militantes de grupos de esquerda para serem presos e torturados.
Como disse a cientista política Maria Victoria Benevides, que infâmia é essa de chamar de brando um regime que prendeu, torturou, estuprou e assassinou?
A outra maneira de se banalizar a ditadura e de lhe render homenagens é não reconhecer as diferenças entre aquele regime e a atual democracia. Para alguns, qualquer coisa agora parece ditadura.
A proposta de lei antiterrorismo foi considerada uma recaída ditatorial do regime dos “comissários petistas” e mais dura que a LSN de 1969. Só que, para ser mais dura que a LSN de 1969, a proposta que tramita no Congresso deveria prever a prisão perpétua e a pena de morte.
O diplomata brasileiro que contrabandeou o senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil comparou as condições da embaixada do Brasil na Bolívia à do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), a casa de tortura da ditadura.
Para se parecer com o DOI-CODI, a Embaixada brasileira em La Paz deveria estar aparelhada com pau de arara, latões para afogamento, cadeira do dragão (tipo de cadeira elétrica), palmatória etc.
Banalizar a ditadura é como acender uma vela de aniversário em sua homenagem.
7ª. LIÇÃO: JÁ PASSOU DA HORA DE PARAR COM AS HOMENAGENS OFICIAIS DE COMEMORAÇÃO DO GOLPE
Por muitos e muitos anos, os comandantes militares fizeram discursos no dia 31 de março em comemoração (isso mesmo) à “Revolução” de 1964.
A provocação oficial, em plena democracia, levou um cala-a-boca em 2011, primeiro ano da presidência Dilma. Neste mesmo ano também foi instituída a Comissão da Verdade.
A referência ao 31 de março foi inventada para evitar que a data de comemoração do golpe fosse o 1º. de abril – Dia da Mentira.
A justificativa é que, no dia 31, o general Olympio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, em Minas Gerais, começou a movimentar suas tropas em direção ao Rio de Janeiro.
Se é assim, a Independência do Brasil doravante deve ser comemorada no dia 14 de agosto, que foi a data em que o príncipe D. Pedro montou em seu cavalo para se deslocar do Rio de Janeiro para as margens do Ipiranga, no estado de São Paulo.
A palavra golpe tem esse nome por indicar a deposição de um governante do poder. No dia 1º. de abril, João Goulart, que estava no Rio de Janeiro, chegou a retornar para Brasília. Em seguida, foi para o Rio Grande do Sul e, depois, exilou-se no Uruguai  mas só em 4/4/1964. Que presidente é deposto e viaja para a capital um dia depois do golpe?
O Almanaque da Folha é um dos tantos que insistem na desinformação:
“31.mar.64 — O presidente da República, João Goulart, é deposto pelo golpe militar”. Entende-se. Afinal, trata-se do pessoal da ditabranda.
O que continua incompreensível é o livro “Os presidentes e a República”, editado pelo Arquivo Nacional, sob a chancela do Ministério da Justiça, trazer ainda a seguinte frase:
“Em 31 de março de 1964, o comandante da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora, Minas Gerais, iniciou a movimentação de tropas em direção ao Rio de Janeiro. A despeito de algumas tentativas de resistência, o presidente Goulart reconheceu a impossibilidade de oposição ao movimento militar que o destituiu”.
De novo, o conto da Carochinha do 31 de março.
Ainda mais incompreensível é o livro colocar as juntas militares de 1930 e de 1969 na lista dos presidentes da República.
A lista (errada) é reproduzida na própria página da Presidência da República como informação sobre os presidentes do Brasil.
Nem os membros das juntas esperavam tanto. A junta governativa de 1930 assinava seus atos riscando a expressão “Presidente da República”.  
No caso da junta de 1969, o livro do Arquivo Nacional diz (p. 145) que o Ato Institucional nº. 12 (AI-12) "dava posse à junta militar" composta pelos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Ledo engano.
O AI-12, textualmente: “Confere aos Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar as funções exercidas pelo Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, enquanto durar sua enfermidade”. Oficialmente, o presidente continuava sendo Costa e Silva.
Há outro problema. Uma lei da física, o famoso princípio da impenetrabilidade da matéria, diz que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo – que dirá três corpos. 
Não há como três chefes militares ocuparem o mesmo cargo de presidente da República. Que república no mundo tem três presidentes ao mesmo tempo?
O que os membros da Junta de 1969 fizeram foi exercer as funções do presidente, ou seja, tomar o controle do governo. O AI-14/1969 declarou o cargo oficialmente vago, quando a enfermidade de Costa e Silva mostrou-se irreversível. 
Os três comandantes militares jamais imaginaram que um dia seriam listados em um capítulo à parte no panteão dos presidentes. A Junta ficaria certamente satisfeita com a homenagem honrosa e, definitivamente, imerecida.
Que história, afinal, estamos contando?
Uma história que ainda não faz sentido.

Uma história cujas lições ainda nos resta aprender.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Teatro de desavergonhados

O povo brasileiro alcançou um grau de mediocridade inimaginável. Ganhou incrível força a figura do “imbecil útil”. É ignorante, mesquinho, fanático por mentiras calorosas, preguiçoso, viciado em esmolas fáceis e famélico por excrescências, mas sempre está à disposição para rir da desgraça que o cerca e defender a distopia da trupe insolente que governa o Brasil. Um grosso caldo medíocre, em suma. Não há outra definição.
“O idiota raivoso fala sempre com força de bando e, na democracia de massa em que vivemos, ele sim tem o poder absoluto de destruir todos os que não se submetem a sua regra de estupidez bem adaptada”, escreveu com brilhantismo Luiz Felipe Pondé em sua obra “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia” (Editora Leya, 2012, pág. 54), ao buscar um diálogo entre o pensamento do francês Alexis de Tocqueville, do britânico Michael Oakeshott e do brasileiríssimo Nelson Rodrigues, capaz de chancelar sua competente e corajosa assertiva: “a mediocridade anda em bando e a democracia ama os medíocres”.
É sob esse manto de mau-caratismo que estamos subsistindo. Convenhamos: que nação, com algum vestígio de dignidade e vergonha na cara, aceitaria tão candidamente que sua presidente da República, a despeito do caos e do descaso com a infraestrutura miserável do país, fosse inaugurar sua primeira grande obra em Cuba? Não bastasse o descalabro de financiar o monumental porto cubano com quase R$ 2 bilhões dos cofres públicos brasileiros e dos R$ 40 milhões anuais pela participação — em regime quase escravagista — no programa “Mais Médicos”, “Sua Alteza” ainda teve a cara de pau de prometer mais R$ 700 milhões para a ditadura comunista dos irmãos Castro.
Um dia antes, a presidente do Brasil ficou furiosa porque alguns “ridículos”, que ainda tem a ousadia de pensar neste país de debiloides, utilizaram as redes sociais para questioná-la sobre os R$ 26 mil pagos — com recursos da União, fique claro! — por um pernoite na suíte presidencial de um hotel em Lisboa e as demais quatro dezenas de quartos ocupados por sua monstruosa comitiva oficial, cujo transporte exigiu dois aviões da Força Aérea Brasileira. Não fosse pela “imprensa que avacalha” — na acepção de um certo “ex” —, a folia portuguesa dos “bem-aventurados” jamais chegaria ao conhecimento do (ir)respeitável público.
Diante da explosão desses dois casos escabrosos revelados num curto espaço de 48 horas e da cereja do bolo de tolos que foi a divulgação das fotos tétricas da presidente e sua turma em animada bacalhoada num elegante restaurante de Portugal e carregando sacolas de vinhos à saída, entraram em ação os “imbecis úteis”. A militância, “com força de bando”, tratou de caçar os subversores ainda pensantes e, para além de golpes abaixo da cintura — modus operandi de quem não tem capacidade intelectual e moral para juntar “lé-com-cré” na argumentação de um debate —, assumir seu protagonismo no teatro dos desavergonhados.
“A ‘presidenta’ não precisa dar satisfações de onde come ou dorme”, foi a genial frase escolhida pelos “úteis”, enquanto recolhiam sua contribuição à “vaquinha” pra pagar multas milionárias impostas pela justiça aos “companheiros” condenados por institucionalizar o roubo aos cofres públicos em nome da tal “causa” e por comprarem a fidelidade de parlamentares. Um verdadeiro bacanal que, diuturnamente, enxovalha princípios democráticos basilares.
 Eu estava sofrendo um ataque feroz da militância, quando um caríssimo leitor tratou de resumir a ópera dos malandros: “Não adianta discutir com essa gente, porque é o mesmo que tentar jogar xadrez com um pombo. Ele derruba as peças, defeca no tabuleiro e ainda sai com o peito estufado”. É fato. Não dá pra falar em democracia com quem olha para o Estado e só enxerga tetas. Não dá pra ser gentil e educado com essa maioria ululante que assumiu adoração à mediocridade e total subserviência à “regra de estupidez bem adaptada”, no apogeu do espetáculo de nossa miséria metida à besta.
Autor: HELDER CALDEIRA: Escritor e Jornalista Político. www.heldercaldeira.com.br  helder@heldercaldeira.com.br. *Autor dos livros “ÁGUAS TURVAS” e “A 1ª PRESIDENTA”.


A PERGUNTA CERTA

É tamanho o descrédito dos partidos políticos que eles desistiram de proclamar suas virtudes. Ao contrário, dedicam-se a demonstrar que os outros chafurdam em ainda maiores vícios. Nesse contexto, nesse indiscutível contexto, fica imensamente favorecida a vida de quem está no poder. Ali, as facilidades voam em jatinhos militares devidamente decorados para os prazeres da vida civil. Ali, roda a ciranda em torno do Erário, que abre portas na hora certa para alegria dos folgazões. Ali há dinheiro, empregos, poder, honrarias, favores. E tudo isso, no tempo devido, vira mercadoria ou moeda eleitoral.
"E a oposição?", indagará o leitor atento à relevância política deste ano de 2014. Ora, a oposição é aquele pequeno reduto onde só ficam os que não se deixaram seduzir pelo que de mais atraente existe nas tentações do poder. No Brasil destes anos constrangedores, só é oposição quem faz muita questão de sê-lo. O poder tem do bom e do melhor para todos os seus. A oposição é trincheira de poucos e mal apetrechados combatentes.
 Quem acompanha a política nacional com interesse cívico sabe, também, que o PT muito pouco pode apresentar como resultado positivo de suas três administrações que não provenha de políticas que antes condenou e, posteriormente, adotou. Mas, convenhamos: isso não serve para estabelecer diferenças. Bem ao contrário. A estratégia oposicionista precisa ser outra. Para vencer o desequilíbrio estabelecido entre as forças do governo e as da oposição é preciso identificar e apontar ao juízo soberano dos eleitores certos abismos que as separam. A contribuição que trago nestas linhas é uma lista de pautas, de condutas e de políticas pelas quais esse rio de águas turvas chamado Partido dos Trabalhadores ganha corpo com seus afluentes pela margem esquerda e pela margem direita. Elas me levam ao que chamo de a pergunta certa: qual o partido brasileiro que se identifica com as seguintes políticas, condutas e pautas?
Marco regulatório da imprensa; marco civil da internet; PLC 122 (da "homofobia") e seus disparates; imposição do "politicamente correto" e da novilíngua; confabulações do Foro de São Paulo; apoio e refúgio a terroristas (Cesar Battisti é apenas um dos casos); captura e devolução a Fidel dos boxeadores cubanos; apoio aos governos comunistas de Cuba, Venezuela e Bolívia; incondicional afeição a qualquer patife adversário do Ocidente; homenagens e nomes de ruas para líderes comunistas; memorial para Luiz Carlos Prestes; apoio explícito a companheiros condenados pela justiça por graves crimes; verdadeira fobia por presídios e órgãos de segurança, resultando em gravíssima instabilidade social; absoluta e incondicional dedicação aos direitos humanos dos bandidos; empenho em inibir a ação armada das instituições policiais; dedicação à causa do desarmamento dos cidadãos; recusa à redução da maioridade penal; criação do MST e apoio às suas truculentas invasões de propriedades rurais; apoio a invasões no meio urbano e a políticas que restringem o direito de propriedade; cobertura às estripulias imobiliárias dos quilombolas; avanços do Código Florestal contra o direito de propriedade; expansão das reservas indígenas sobre áreas de lavoura; mudança, para pior, do Estatuto do Índio; supressão de símbolos religiosos em locais públicos; lei da palmada; apoio à legalização do aborto; políticas de gênero; kit gay nas escolas; apoio à parada gay, à marcha das vadias e à marcha pela maconha; leis de cotas raciais; uso de livros didáticos para doutrinação ideológica; fim da lei de anistia e manipulação da História; aparelhamento da administração pública e dos órgãos de Estado pelos partidos do governo; e mais recentemente, defesa dos rolezinhos e suas perturbações em locais de comércio.
Examine bem a lista acima e depois me diga se não é urgente espantar, pela força do voto, esse mau agouro político que lança sortilégios sobre nossa sociedade e sobre a democracia brasileira.


Autor: Percival Puggina

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Artigo: ‘Rolezinho’ de cínicos

O cinismo é uma arma preciosa... e perigosa. Especialmente em nações miseráveis, fartamente desiguais e com população com nível político-cultural muito abaixo do que se espera como mínimo. Cumpre aos cínicos a tarefa de vestir a máscara do que imagina ser seu tempo e seu espaço, pretendendo romper o pragmatismo das fronteiras e princípios basilares à convivência nas sociedades contemporâneas.
 Por óbvio, o duelo entre o cinismo e a legalidade é bastante conveniente aos nebulosos interesses de uma espécie bizarra: os ideólogos discursistas. Aquela raça tacanha, de apoucada responsabilidade, sempre pronta a fermentar supostos conceitos politicamente corretos, servidos à bandeja do caráter duvidoso e da má-fé. Eia, pois, a resumir a ópera dos malandros cínicos em argumento de palanque político brasileiro.
Neste início de 2014, o charlatanismo de bananeira é o “rolezinho”. A garotada da geração “nem-nem” — nem trabalha, nem estuda, nem joga futebol, nem virou modelo, nem entrou no reality show — utiliza o democrático neodivã freudiano das redes sociais para agendar a reunião de milhares em espaços públicos e privados, preferencialmente algum shopping center, taxado de “templo do consumo capitalista”, demonizado nas mal traçadas linhas e mal versados discursos construídos sob a égide do analfabetismo funcional crônico deste país, mas desejado pelo supremo instinto de quem quer ser “alguém” na flagelada terra verde-e-amarela de poucos,“quase ninguém”.
“Os babaca tá noiado. Bora cola no shop sem arrasta só cata mulher, encoxa no banheiro, fumá maconha, bebe e tira foto :D vamo que vamo!” [sic], diz a chamada numa rede social para mais um “rolezinho”, com mais de 10 mil convidados. Em seguida, um comentário pede adesão à petição pública contra o “apartheid urbano”, enquanto uma ala medíocre dos veículos de comunicação alterna imagens de uma pequena trupe em cantoria inofensiva (audição exclusa ao adjetivo) na praça de alimentação e uma multidão desenfreada correndo, gritando, quebrando e, nalguns casos, saqueando lojas.
Tal como os vinte centavos de junho de 2013, a onda modista está ganhando o país, inclusive com “variações”, digamos, pretensamente edificantes e solidárias: na biblioteca, no ensino médio e até no asilo. O cinismo está na alma do brasileiro feito a lendária Excalibur, encravada à pedra.
Imediatamente, entram em ação os cínicos institucionais e oportunistas, com políticos desprezíveis e agrupamentos de mamateiros da sociedade civil bradando contra o suposto “preconceito contra pobres e crioulos” que querem“se divertir” nos “ambientes da elite”. “São jovens com alta demanda por cultura e lazer não atendida pelos governos”, argumentou um representante da turma dos direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil.
Em que planeta a “alta demanda por cultura e lazer” pode servir de combustível e justificativa à baderna, ao vandalismo, à bandalheira e ao descalabro? Estudar, trabalhar e se empenhar integra o desejo de poucos. O Estado brasileiro é tetado e tem dispensado tais esforços.
O que falta ao país das bananas e jabuticabas é ter coragem e dignidade. Entre outras coisas, para assumir que o“rolezinho” é uma vertente pueril do glamourizado crime organizado sob o abraço carinhoso e fraterno de nossas instituições falidas. Como muito bem disse o escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé em seu artigo “Covardia chique”, publicado na Folha de S.Paulo: “Logo, vamos exigir a abolição do trabalho como direito. Ganhar a vida com o suor do rosto será considerado contra os direitos humanos. [...] É a corrosão do caráter causada pelo enriquecimento das sociedades e suas demandas de supressão das condições reais da vida como dor, luta e trabalho”.
Noutras palavras, são “rolezinhos” de cínicos, insatisfeitos com seus modelos de telefone celular, videogames, tênis e bonés, em busca de privilégios e facilidades. É claro, convenientemente travestidos em lutas de classes, preconceitos periféricos e pedestres bandeiras políticas em nome de pseudodireitos. Assustar, vandalizar, roubar, fotografar e postar, aguardando curtidas e compartilhamentos. Realmente, são muito cínicos!

Autor: HELDER CALDEIRA* - Escritor e Jornalista Político

*Autor dos livros “ÁGUAS TURVAS” e “A 1ª PRESIDENTA”.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DILMA, PT E A FANTASIA DO INIMIGO OCULTO

Confesso a você, caro leitor do Blog Visão Panorâmica, que muitas vezes me sinto impelido a não escrever nada sobre o governo federal e a desastrosa administração petista. Quer para fugir da formação de uma ideia errada de antagonismo partidário (que infelizmente os petistas adoram insuflar), quer para não acabar me tornando repetitivo e cansativo ao leitor, já que as mazelas petralhas se multiplicam como um vírus agressivo e fora de controle.
Contudo, certas coisas são difíceis de ignorar. Ainda mais quando são vendidas pela falta de competência administrativa e magistralmente pensadas pelos serviços de propaganda de um governo corrupto e mal intencionado.
Numa entrevista a rádios de Minas Gerais nesta segunda-feira (20/01), Dilma afirmou que o governo petista não está imóvel diante das alarmantes taxas de violência nos estados brasileiros e que isso era a tônica das “administrações anteriores”.
Ora, caro leitor, por mais sectário e partidarista que você possa ser (e, em especial, por mais petista roxo que seja); aceitar a ideia de “administrações anteriores” serem as culpadas pela falência no combate a violência atual, diante de uma administração realizada (de forma contínua) por uma coalizão partidária dona do poder há mais de dez anos é algo surreal.
Guardadas as devidas proporções, Dilma e o PT repetem o discurso venezuelano que agora culpa as novelas pela violência descontrolada naquele país (o “paraíso” bolivariano e das esquerdas saudosistas brasileiras). Isso depois de já ter culpado os inimigos de sempre: os “satânicos americanos” e a “imprensa burguesa”.
Sem citar a desastrosa administração de seu principal dono – a Oligarquia Sarney – Dilma comenta de forma aleatória que os estados detêm o dever principal de lutar contra a violência e que o governo federal nunca “lavou as mãos” em relação a isso. Mas, ao mesmo tempo, se contradiz ao dizer que “pela constituição depende de um pedido dos estados” para implementar qualquer ação federal de combate à violência.
Mais uma vez, caro leitor, neste ponto me vem à mente aquele famoso e premiadíssimo comercial da Folha em que as conquistas do Regime Nazista eram apregoadas como grandes realizações para o povo alemão, enquanto uma imagem pontilhada de Hitler recuava na tela e, ao preenchê-la, o comercial terminava com a frase “matadora”: “É possível dizer um monte de mentiras, falando apenas a verdade”.
Essa é a máxima de todos os responsáveis pela propaganda em regimes autoritários ou com aspirações nesse sentido. E, com o PT, não deixa de ter a mesma diretriz.
Ao afirmar que a constituição lhe proíbe agir à revelia dos poderes estaduais, Dilma diz uma verdade. Pois, salvo por uma situação de calamidade, um pedido direto ou a aprovação do Congresso; a União não pode intervir com tropas no combate a criminalidade “de rua” nos estados da federação.
Mas, o que Dilma e o PT omitem criminosamente é que a União pode muito bem, com o auxílio dos serviços de informação e da Polícia Federal, realizar suas obrigações de segurança pública de forma autônoma. Sem pedir qualquer autorização ou dar conhecimento aos estados. Bastaria fazer coisas como: intensificação no patrulhamento de fronteiras, visando diminuir a entrada de armas de grosso calibre e drogas; atuar na linha costeira com o mesmo objetivo e para impedir a fuga e o refúgio de criminosos “além-mar”; operar com a inteligência das Forças Armadas e da Polícia Federal para “limpar” as polícias e o sistema carcerário de agentes corruptos ou prevenir ações de grande impacto das organizações criminosas; ordenar que os mesmos equipamentos de inteligência foquem no poder econômico das quadrilhas, descobrindo e confiscando bens e contas correntes obtidos e usados pela atividade criminosa. Além disso, muitas outras ações que um governo sério e realmente preocupado com seu povo, podem ser realizadas sem dar qualquer satisfação aos governos estaduais ou mesmo pedir autorização a seus aliados.
Mas, para isso, seriam necessárias competência, vontade, seriedade e vontade de trabalhar.
Contudo, sabemos que trabalho é coisa que petista odeia, competência eles têm apenas para sugar os cofres públicos, vontade é algo restrito apenas a sua sede de poder e seriedade… bem… isso eles nunca tiveram mesmo.
E você, o que pensa disso?


Enviado por Fernandes Fernandes

O silencio vergonhoso do PT

Os decapitados de Roseana também são os decapitados do PT. Ou: Ainda o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e... Dilma
Os decapitados da governadora Roseana Sarney também são os decapitados do PT, o que explica o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos, e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a quem está subordinado o sistema penitenciário nacional.
Pouco destaque se dá ao fato, mas o PT elegeu o vice-governador na chapa encabeçada por Roseana. A composição foi uma imposição de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. O petista Washington Luiz era o vice-governador até novembro do ano passado. Renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Deu-se bem: arrumou um emprego permanente até os 70 anos....
No Maranhão das decapitações, o PT é poder, o que explica o silêncio dos companheiros, inclusive da companheira Dilma Rousseff. Por muito menos, essa gente já falou pelos cotovelos.
Lembremo-nos da gritaria quando se deu a tal desocupação do Pinheirinho, em São Paulo. A Polícia Militar cumpria uma decisão judicial.
Os extremistas de esquerda infiltrados entre os moradores incitaram o confronto com a polícia. Um assessor do ministro Gilberto Carvalho estava na turma. Maria do Rosário falou. José Eduardo Cardozo falou. Gilberto Carvalho falou. Dilma falou — achou a desocupação uma "barbárie". Felizmente, ao contrário do que alardearam petistas e afins, não morreu ninguém na operação. Denúncias de maus-tratos e espancamentos vieram a se provar falsas.
Em Pedrinhas, no entanto, é tudo verdade. Os petistas não disseram um "a". Dilma não deve achar aquilo... barbárie!
O governo do Maranhão comentou, sim, o vídeo que exibe as decapitações. Por incrível que pareça, numa nota que espanca o bom senso e a língua, preferiu criticar a divulgação das imagens. Numa nota, disparou o seguinte:
"Divulgar esse tipo de gravação é repudiante, pois só corrobora com uma ação no mínimo criminosa, com apelo sensacionalista e que fere todos os preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família [dos detentos mortos], que se vê novamente diante de uma exposição brutal".
Repudiante? O valente que redigiu esse troço pode ter querido dizer "repugnante".
O Maranhão desafia a lógica e o bom senso. Há estiagens, sim, no estado — neste ano 81 municípios sofrem com a falta de chuvas. Mas não há a seca propriamente. Não obstante, como demonstrou reportagem da VEJA.com, está em penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano. Só ganha de Alagoas. E tem, - atenção! - , a menor renda per capita do país: apenas R$ 348 reais. Só 4,5% dos 217 municípios do estado contam com rede de esgoto. Segundo o IBGE, 20,8% dos maranhenses são analfabetos.
Por que evocar esses dados num texto que trata da decapitação de detentos? Porque tanto esse show de horrores como os dados sociais do estado remetem a uma mesma questão: a verdadeira tragédia do Maranhão não está na geografia; a verdadeira tragédia do Maranhão não está no clima; a verdadeira tragédia do Maranhão não está na natureza. O mal do Maranhão muda de prenome, mas não muda de sobrenome. Chama-se Sarney.
O homem está no poder, no estado, pessoalmente ou por intermédio de prepostos, desde 1966. Só a ditadura dos Irmãos Castro, em Cuba, é mais longeva, Sarney também construiu a sua ilha de atraso. Nestes 48 anos em que o estado está sob a gestão da família, sucessivos governos se encarregaram de transformar a vida da população numa rotina de pobreza e desesperança.
Mas vocês não precisam acreditar em mim. Acreditem na voz do patriarca. Em dezembro, ele concedeu uma entrevista à Rádio Mirante, que pertence à sua família. Em um ano, 59 detentos já haviam sido assassinados. O homem disse esta preciosidade: "Aqui no Maranhão, nós conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua".
Graaande pensador! Como se nota, ele conseguia ver algo de positivo naquelas ocorrências trágicas. Os detentos devem ter ouvido a sua ladainha macabra e ordenaram aos "companheiros" que estavam nas ruas que botassem o terror na população.
A menina Ana Clara Santos Souza, de 6 anos, morreu às 6h45 de segunda-feira no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, em São Luís. Ela teve 95% do corpo queimado em um ataque a um ônibus ocorrido no dia 3. A ordem para atacar os ônibus saiu... dos presídios para as ruas.
Não creio que Dilma tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Maria do Rosário tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que José Eduardo Cardozo tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Gilberto Carvalho tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Os petistas só são defensores fanáticos dos direitos humanos no quintal dos adversários.


Autor: Reinaldo Azevedo