Um
genocídio extra-funcional
Talvez
onze milhões de africanos escravizados, embarcados em tumbeiros na África,
tenham chegado vivos ao dito Novo Mundo. Transferência fantástica diante da
baixa população mundial: em 1600, Portugal teria 1,6 milhão de habitantes.
Estima-se que 4.865.000 desembarcaram vivos no Brasil, dos séculos XVI ao XIX,
uns 45% dos 10.700.000 chegados às Américas.
Cerca
de 700 mil teriam morrido na travessia para o Brasil. [SLAVEVOYAGES, s. d.] Em
2022, segundo o IBGE, 20,7 milhões de brasileiros se reconheciam como “pretos”,
entre uns 220 milhões de habitantes. [IBGE, 2023.]
Por que
tão baixa porcentagem de brasileiros de forte afrodescendência, após três
séculos de desembarque fluvial e ininterrupto de cativos? A maior masculinidade
dos transportados não explica o fenômeno, devido sobretudo à alta mortalidade e
à expansão demográfica vegetativa negativa dos escravizados. [BORGES MARTINS,
2016.] Seu “crescimento populacional negativo” tendia à extinção, não fosse o
tráfico internacional, enquanto, no século 19, a população livre de todas as
cores possivelmente crescia em torno de 3%. [CONRAD, 1985, p. 26.].
Genocídio
descreve a eliminação intencional e sistemática, total ou parcial, de uma
comunidade, por motivos políticos, ideológicos, de limpeza étnica etc., como o
massacre nazista, sobretudo de judeus e ciganos europeus, e, atualmente, pelo
Estado de Israel contra a população palestina de Gaza. O tráfico para o Brasil
foi promovido pelas classes dominantes lusitanas, luso-brasileiras e, sobretudo
após 1822, brasileiras, responsáveis pelo massacre consciente e continuado de
milhões de africanos e descendentes.
Extermínio
de dimensão genocida, embora a destruição dos negro-africanos não fosse o
objetivo: pretendia-se desembarcá-los vivos e explorá-los até a medula, sabendo
que sua produção como cativos na África e sua existência no Brasil provocavam
tal excídio. [GORENDER, 2013.]
A
mortandade deveu-se ao escravismo colonial. A população escravizada, primeiro
nativa, depois negro-africana, conheceu condições de trabalho e vida para além
do exorbitante, com elevadíssima mortalidade para rentabilizar investimentos.
Intelectuais dominantes reconheceram o massacre em propostas formais, sem
aplicação real, para amenizá-lo: queriam preservar a ordem escravista com
menores gastos, mínima resistência do feitorizado e, paradoxalmente, maior
sobrevida. [MAESTRI, 2022, p. 94 et seq.]
Com
“Genocídio extra-funcional” designamos a dizimação, às vezes tendencialmente
total, de feitorizados nativos, como no atual Haiti, e a magna eliminação de
africanos e afrodescendentes no Brasil. “Genocídio” assinala o arrasamento
populacional consciente; “extra-funcional”, que o extermínio não era objetivo
perseguido, mas aceito e impulsionado pelas classes dominantes como condição
estrutural do escravismo mercantil.
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O tráfico negreiro: da África às costas do Brasil
O
tráfico intercontinental dizimou multidões de africanos e africanas. Alguns
autores estimaram dois mortos na captura, marcha, armazenamento, embarque e
transporte para cada cativo chegado vivo às Américas, dado superestimado
segundo estudos recentes. Talvez mais de 1.800.000 tenham morrido apenas na
travessia, excluídas mortes indiretas por razias e capturas na África.
[SLAVEVOYAGES, s. d.]
Os
europeus não penetraram no interior da África Negra, desconhecido para eles em
algumas regiões até o início do século 20. Ancoravam tumbeiros e construíam
castelos, fortes e feitorias no litoral, sem capturar diretamente africanos.
Apenas os portugueses avançaram pelo interior da atual Angola, organizando a
descida de prisioneiros até Luanda, embarcados sobretudo para o Rio de Janeiro
e Salvador da Bahia, centros consumidores e distribuidores de cativos. Em
Moçambique, a penetração foi menos significativa. [CAPELA, 2016.]
A costa
ocidental africana era despovoada em relação ao interior. Pequenas cheferias
litorâneas tornaram-se poderosos reinos escravizadores, vendendo prisioneiros
nos entrepostos lusitanos, espanhóis, ingleses, holandeses e franceses. Estados
africanos organizaram capturas. Famílias ampliadas, patriarcas e comunidades
vendiam africanos, por diversas razões, em troca de bens europeus valorizados.
Empreendedores promoviam pequenas razias nas cercanias das aldeias, capturando
sobretudo crianças e adolescentes, escambados por álcool, armas, pólvora,
utensílios de ferro, tecidos etc. [MEILLASSOUX, 1975; KOPYTOFF e MIERS, 1977.]
O
controle das rotas do interior da atual Angola às praias atlânticas motivou
disputas entre comunidades nativas e com os europeus. A festejada rainha Ginga
– Nzinga Mbundi –, hábil diplomata e comandante militar, resistiu à penetração
lusitana até pactuar com os portugueses a divisão do controle do tráfico
humano. Era escravizadora desapiedada, como as classes dominantes africanas
envolvidas.
A
justiça aldeã produzia cativos comercializados acusados de feitiçaria,
adultério, roubo, dívidas etc. Em disputas políticas, derrotados podiam ser
mortos, desterrados ou vendidos aos empórios europeus. Poderosos exércitos
africanos capturavam e vendiam periodicamente prisioneiros, sobretudo homens;
vencedores comumente retinham mulheres jovens e púberes como esposas. A maior
masculinidade do tráfico não se devia essencialmente a preços superiores dos
homens nas Américas. [MEILLASSOUX, 1975; MAESTRI, 2022 I.]
Não
havia identidade social inter e extra-comunitária na população negra africana,
como não havia entre nobres e plebeus brancos europeus ou, no Magrebe, entre
aristocratas muçulmanos e populações islamitas trabalhadoras. Não havia
“negros”, na África, antes do tráfico. As díspares comunidades identificavam-se
por etnias, línguas, religiões, linhagens, posições sociais e econômicas –
aristocratas, guerreiros, comerciantes, agricultores, pastores, pescadores etc.
Era
enorme a diversidade de cores, características físicas, culturas, religiões e
línguas ao sul do Saara. Boa parte dos cativos embarcados jamais vira um
europeu branco. [VASSA, 2022.] Branco e negro foram categorias de valores
assimétricos, produzidas pelas classes dominantes europeias no contexto da
escravidão de negro-africanos.
Aprisionados
no interior marchavam ao litoral presos em libambos, carregando à cabeça
marfim, cera, peles etc. Eram mal alimentados e alojados, duramente castigados
se resistiam ou afrouxavam o passo. Os que não suportavam a marcha eram
abandonados ou degolados, ainda longe dos postos de venda. Podiam ser vendidos
diversas vezes, afastando-se de suas regiões natais. [PARK, 1980, p. 310 et
seq.]
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Pesadelo sem fim
Cativos
e cativas podiam permanecer longo tempo nos entrepostos europeus, com pouca
alimentação, antes da venda aos negreiros. O embarque em pirogas, acorrentados,
causava acidentes e mortes por afogamento quando as embarcações emborcavam;
muitos jamais haviam visto o mar e não sabiam nadar.
A
mortandade e as condições terríveis da travessia não foram invenções
abolicionistas ou de historiadores materialistas. A viagem demorava de um a
três meses, sobretudo quando partia de Moçambique ou se descaminhava no
Atlântico. [CLARKSON, 1823; SALVADOR, 1981.]
Joseph
C. Miller estimou, para a África Central Ocidental, mortalidade de 45% a 50%
antes do embarque: 10% na captura, 25% na marcha ao litoral e 10% a 15% nas
feitorias. Os mortos poderiam superar os desembarcados vivos, pois, nesse
cálculo, não se incluíram óbitos no embarque e na travessia. [MILLER, 1988.]
Para cerca de 4,8 milhões de desembarcados vivos no Brasil, teriam sido
capturados talvez dez milhões, morrendo una 5 milhões antes de chegar. O
cálculo exclui sequelas indiretas das razias e campanhas escravizadoras.
Nas
razias, assaltantes saqueavam e destruíam rebanhos, plantações, paióis e
reservas alimentares, condenando à fome os escapados da captura, sobretudo
crianças e velhos. No litoral angolano, a mandioca americana difundiu-se
rapidamente, em parte porque permanecia protegida sob a terra por mais de um
ano. [MAESTRI, 1978.]
A
historiografia neopatriarcal procura inocentar os responsáveis pela mortandade
de multidões de crianças, adolescentes e adultos escravizados. Desanca
abolicionistas, apresentando suas descrições como exageradas ou hipócritas, a
serviço do capitalismo inglês, e acusa a historiografia marxista de
invencionices.
A
leitura neopatriarcal, consagrada por Gilberto Freyre nos anos 1930, defendeu a
civilização escravista sobretudo nordestina, frequentemente com justificativas
dos proprietários, sendo desconstruída academicamente desde os anos 1950.
[FREYRE, 1969; MAESTRI, 2022, p. 238 et seq.] Ser escravo no Brasil, de Kátia
de Queirós Mattoso, publicado em francês em 1979 e traduzido ao português em
1982, contribuiu para a reabilitação da escravidão, conforme Jacob Gorender em
A escravidão reabilitada. [GORENDER, 1990; MATTOSO, 1982.]
Em
resenha “Como era gostoso ser escravo no Brasil”, critiquei os tropeços e
invenções historiográficas de Mattoso. [MAESTRI, 2015.] Ela adulça o tráfico,
aproxima-o do transporte de imigrantes e sugere marinheiros quase tão sofridos
quanto os cativos. Propõe escravizados que pouco trabalhavam, comiam à farta e
quase nunca apanhavam.
A
edição brasileira recebeu enorme acolhida acadêmica e prefácio elogioso de Ciro
Flamarión, antes pioneiro na formulação marxista do modo de produção escravista
colonial. Embora desconsiderado hoje pela historiografia científica, o livro
ainda apoia historiadores neopatriarcais e, agora, do identitarismo negro, ou
ignorantes do tema.
Em
2012, Reinaldo Bernardo Tavares defendeu dissertação de mestrado em Arqueologia
para delimitar o antigo Cemitério dos Pretos Novos, na Gamboa, Rio de Janeiro.
[TAVARES, 2012.] Embora não atingisse o objetivo, o trabalho é instigante. Seu
segundo capítulo, “A Imigração [sic] Forçada: Os Pretos Novos”, inspira-se
fortemente em Mattoso.
Promete
“desconstruir a visão tradicional [sic] de inferno dantesco[do tráfico]” e
recriar transporte de “carga viva [sic]” quase similar ao de tropas e colonos.
[TAVARES, 2012, p. 58.] “Carga viva” designa animais; nos tumbeiros, é bom
lembrar, transportavam-se seres humanos.
Imaginem
minha surpresa: meus bisavós paternos e filharada partiram, em fins do século
19, de Misano di Gera d’Adda, próximo a Milão, de trem até Gênova, embarcando
na terceira classe para o sul do Brasil e terminando produtores de vinho na
periferia de Porto Alegre. Teriam sofrido como cativos enlatados nos tumbeiros!
A
memória oral dos Maestri registra que meus bisavós e tios-avós comeram e
beberam bem na viagem, melhor que na Itália de camponeses pobres. Há relatos
numerosos. Rossato, 27 anos, embarcou no Scrivia com Raquel, 23 anos, em 22 de
novembro de 1883, chegando a São Sebastião do Caí em 27 de dezembro. Em carta
de 1884, relatou comida, vinho duas vezes ao dia – três nos feriados – e frutas
duas vezes por semana.
Alimentação
abundante e de qualidade relativa era estratégia dos armadores para conter
reclamações sobre preço e superlotação da terceira classe, jamais comparável à
dos tumbeiros. [MAESTRI, 2026, p. 79.] Vi um velho menu da travessia,
enquadrado em moradia camponesa da Região Colonial Italiana do Rio Grande do
Sul, dos avós de colonos idosos que entrevistei. Não há notícia de africanos
pagando para viajar como cativos e lembrando vinho diário e carne três vezes
por semana – mas quem sabe o que se inventará!
Reinaldo
Bernardo Tavares, em narrativa absolutória dos negreiros, armadores e
escravistas, de viés identitário, apoia-se em dois argumentos para defender
suas teses: normas reais lusitanas do início do século XIX, regulando
pretensamente em favor dos cativos a carga humana máxima e outras condições; e
a suposta racionalidade econômica do transporte.
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Comprando barato, vendendo caro
Para
Reinaldo Bernardo Tavares, sendo o cativo um valor, capitães evitariam
superlotação e forneceriam água e comida suficientes, pois cada morte
representaria prejuízo. Cita ordenações régias para manter a “carga viva [sic]
em perfeitas condições” e “punições severas” por descumprimento. [TAVARES,
2013, p. 60.]
Determinações
da Coroa contrárias aos interesses essenciais dos escravistas eram formalmente
obedecidas ou ignoradas, sem punição dos negreiros. O fim legal do tráfico em
1831, decorrente dos acordos de Pedro I com os ingleses, transferiu
desembarques dos portos, sobretudo do Valongo, para praias clandestinas por
mais devinte anos. A lei limitava punições a cinquenta chicotadas, mas a
justiça escravista aplicava até 1.500 açoites, cinquenta por dia. [LIMA, 1997.]
Reinaldo
Bernardo Tavares deveria apresentar exemplos, ao menos pontuais, de punições e
prêmios efetivamente aplicados. A quase total impunidade dos negreiros no
tráfico clandestino até a Lei nº 581, de 4 de setembro de 1850, Eusébio de
Queiroz, é conhecida.
Para
Reinaldo Bernardo Tavares, não seria vantajoso aos mercadores e ao governo
perder a “carga de escravos”. Direitos de embarque e desembarque existiam, mas
não determinavam a superlotação. O negócio era diferente.
Em
1812, um adulto custava cerca de 60 mil-réis na África e era vendido por 150
mil-réis no sul do Brasil: duas vezes e meia o custo. Com 450 cativos,
cinquenta acima do limite ideal, a compra custaria 27 contos de réis. Admitindo
mortalidade normal de 7%, mais dez mortes pela sobrecarga, chegariam cerca de
409 sobreviventes, vendidos por 61 contos e 350 mil-réis. Restariam 34 contos e
350 mil-réis de ganho bruto.
Com 400
cativos e mortalidade de 7%, chegariam 372, rendendo 55 contos e 800 mil-réis.
Descontados 24 contos da compra, o ganho bruto seria 31 contos e 800 mil-réis:
2 contos e 550 mil-réis menos que o negreiro guloso. O armador despediria o
capitão “humanitário” por incompetente. Esse cálculo não inclui despesas gerais
do tumbeiro – água, alimentos, marinheiros, tributos etc.
Reinaldo
Bernardo Tavares, inspirado em Kátia Mattoso, propõe acomodações “bem
parecidas” para escravos e marujos. Mesmo apertados, marinheiros descansavam em
redes, jogando, fumando e conversando. Não temos notícias de marinheiros
trabalhando e dormindo acorrentados a companheiros. [TAVARES, 2012, p. 66.]
“Morriam
tanto homens da tripulação (equipagem) quanto escravos.” [TAVARES, 2012, p.
72.] Havia, em média, até dez cativos por tripulante. Se morressem trinta de
cada grupo, o navio ficaria ao léu, sem quase todos os marujos. Se os cerca de
1.800.000 africanos mortos na travessia fossem acompanhados por igual número de
marinheiros, estes teriam de serem embarcados encadeados!
A
mortalidade dos tripulantes era alta. Entre 1810 e 1830, no Brasil, os
marinheiros eram homens de saúde periclitante, recrutados entre livres pobres,
libertos etc. Faziam viagens de ida e volta à África, às vezes superiores a
três meses. Os cativos eram crianças e adultos selecionados pela boa ou
excelente saúde. [MACHADO, 2006.] Viajavam pouco mais de um mês, mas em
condições terríveis em relação às dos marinheiros.
Mesmo
nas últimas décadas do tráfico, a mortalidade dos cativos sadios permanecia
elevada. Perda de 7% da carga era um sucesso. Em 1825, Bernardino de Sá enviou
tumbeiro do Rio de Janeiro a Luanda, embarcando 466 africanos. Na torna-viagem,
concluída em 27 de julho, morreram 44 –
quase 10%. Nada que abalasse o negócio.
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Mortos ao desembarcar
Somavam-se
aos mortos na travessia os falecidos ao chegar ao Brasil ou logo após. Dados de
meados do século XIX indicavam mortalidade de 9% dos enviados ao interior no
primeiro ano e 6% no segundo: 15% do carregamento, fora mortes na aportagem.
Estimativas de perda anual de 10% da população escravizada não parecem
exageradas, incluindo os inutilizados para o trabalho. [CONRAD, 1985, p. 24.]
A alta
mortalidade decorria sobretudo das péssimas condições de transporte e da
ganância dos negreiros. O preço de venda nas Américas superava muitíssimo o de
compra na África. Nos porões, africanos viajavam semiempilhados, acorrentados
dois a dois; mulheres, adolescentes e crianças podiam ficar nos conveses. O
cálculo econômico determinava também o embarque somítico de água e alimentos.
Nos
porões infectos, escuros e sufocantes, viajavam nus para dificultar parasitas,
urinando e defecando em baldes quando os alcançavam. Cabeleiras cortadas e
unhas aparadas evitavam parasitas e ferimentos nas disputas por ar, água e
comida. Proliferavam doenças da pele, conjuntivites, disenteria, sarna,
sarampo, escorbuto; a varíola podia dizimá-los. Marinheiroseram habitualmente
vacinados contra a bexiga. [CANOT, 1855.]
Os
prisioneiros chegavam física e psicologicamente dilacerados pela captura,
marcha até o litoral, prisão nas feitorias, embarque em pirogas e travessia
terrível. Muitos temiam ser devorados por europeus ou gigantes antropófagos.
[EQUIANO, 1789; MENDES, 1977.] O tráfico era a porta do inferno escravista,
descrito por historiadores como vida quase aprazível, em que os cativos
dobrariam os escravizadores em negociações por eles impostas.
Fonte:
Por Mário Maestri em A Terra é Reonda

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