Estudo
associa miopia elevada ao olho seco em crianças
Um
estudo que analisou a relação entre o grau de miopia e a síndrome do olho seco
(SOS) em crianças identificou que aquelas com miopia mais elevada apresentaram
menor estabilidade do filme lacrimal, estrutura responsável por manter a
superfície dos olhos lubrificada e protegida.
Os
pesquisadores também observaram uma associação entre o aumento do comprimento
axial do olho e a redução da estabilidade das lágrimas.
A
pesquisa que analisou 83 participantes, com idades entre 7 e 15 anos, foi
publicada nesta terça-feira (3), na revista científica BMC
Ophthalmology.
O
oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos Mayo Tavares explica que crianças com
miopia precisam de acompanhamento regular, para controlar a progressão do grau
e avaliar a saúde do olho.
Assim,
o especialista ressalta que o filme lacrimal, analisado pelos pesquisadores, é
uma parte importante da qualidade visual, visto que é a primeira superfície por
onde a luz passa no olho.
"Se
essa camada está instável, a qualidade da visão fica pior. A criança com o olho
ressecado começa a piscar mais, mas não consegue compensar essa falha da
lágrima, e a visão embaça. Em algumas crianças, a gente tem até relato de baixa
visão, quando na verdade é só a lágrima que não está estável", disse o
médico Mayo Tavares.
<><>
Aumento do comprimento axial e a redução da estabilidade da lágrima
O
estudo observou que há uma associação entre o aumento do comprimento axial
do olho e a redução da estabilidade das lágrimas. O oftalmologista explica que
a miopia infantil tem relação direta
com comprimento axial e grau.
"A
miopia infantil acontece porque o olho cresce mais do que deveria, então
comprimento axial e grau caminham juntos. Mas existe um fator que pode estar
por trás dessa associação: a tela", destaca o médico.
O tempo de tela é um fator crucial.
Muitas crianças que já apresentam algum grau de miopia, adquirem a condição por
conta dos grandes intervalos de tempo em frente aos tables, televisões e
celulares.
"A
criança com miopia mais alta costuma passar mais tempo em telas e menos tempo
ao ar livre. Diante da tela, a gente pisca bem menos, e isso faz a lágrima se
romper mais rápido. Então é possível que o uso excessivo de
tela
explique, ao mesmo tempo, o aumento da miopia e o olho mais seco",
analisa.
<><>
Diferenças entre miopia baixa, moderada e alta
O
oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos Mayo Tavares ressalta que quanto maior
o grau, mais instável a lágrima.
"Na
minha visão, o hábito de tela é uma peça importante para entender esse
resultado. O recado é que a criança com miopia, principalmente a de grau mais
alto, merece uma avaliação também da superfície do olho",
analisa.
Já nos
adultos, o olho seco já é mais comum em mulheres, muito pela influência
hormonal, e isso pode começar a aparecer na adolescência.
¨
Coçar os olhos pode intensificar doenças oculares,
alertam médicos
Você
costuma coçar os olhos e sente dor quando coça? De acordo com especialistas,
essa reação pode aumentar a pressão sobre a córnea e intensificar doenças
oculares, como ceratocone e glaucoma, que podem causar perda visual
irreversível.
Nem
sempre é possível evitar o aparecimento dessas enfermidades, mas é possível
tratá-las antes que elas tirem a visão total do paciente. Dados da OMS
(Organização Mundial da Saúde) apontam que, dos aproximadamente 2,2 bilhões de
casos de deficiência visual, pelo menos um bilhão poderiam ter sido evitados ou
tratados.
Uma
prática que deve ser evitada é a de coçar os olhos intensamente. Isso porque, a
força feita sobre esta área aumenta a pressão dentro dos globos oculares e pode
contribuir para um deslocamento da retina.
Além
disso, quando a dor aparece durante este ato é necessário ficar atento, pois
pode indicar um sinal de alerta, segundo aponta a oftalmologista Dra. Nubia
Vanessa Lima, do CBV-Hospital de Olhos.
A
dor ocular intensa também pode estar associada a condições que ameaçam a visão
e precisam de tratamento urgente. Nessas situações, não se deve esperar que os
sintomas desapareçam espontaneamente: é necessário procurar atendimento de
emergência, pois o diagnóstico e o tratamento rápidos podem ser decisivos para
preservar a visãoDra.
Nubia Vanessa, oftalmologista do Hospital dos Olhos
<><>
Prevenir doenças
Por
outro lado, o oftalmologista do HOC (Hospital dos Olhos de Cuiabá), Antônio
Sardinha, explica que, além de evitar coçar os olhos, é importante manter o
cuidado rotineiro com esta área. Por exemplo, mantendo consultas e, dia com um
oftalmologista, principalmente aqueles que possuem histórico familiar de
doenças oculares.
“Quem
tem diabetes tipo 2 deve fazer o exame de fundo de olho já no diagnóstico e
repeti-lo pelo menos uma vez por ano. No tipo 1, o acompanhamento começa cerca
de cinco anos após o diagnóstico. Controlar glicemia, pressão e colesterol, não
fumar e tratar a apneia do sono protegem diretamente os vasos e o nervo dos
olhos. Também é essencial não usar colírios por conta própria, especialmente os
que contém corticoide”, afirmaDr. Antônio Sardinha, oftalmologista do
Hospital dos Olhos
Essas
condições também estão relacionadas ao diagnóstico de glaucoma, retinopatia
diabética e NOIA (neuropatia óptica
isquêmica anterior).
<><>
Quem corre risco?
Os
fatores de risco variam conforme as doenças.
Entre
as enfermidades mais comuns está o glaucoma. Os principais grupos de risco são
pessoas acima dos 40 anos, com histórico familiar, miopia alta e que fazem uso
prolongado de colírios ou remédios com corticoide e traumas oculares.
Já na
retinopatia diabética, os especialistas apontam que o tempo de diabetes, o
controle ruim da glicemia, a hipertensão, o colesterol alto, a doença renal e o
tabagismo estão entre fatores correspondentes à pessoas com maior risco de
doenças oculares.
Já na
Noia (neuropatia óptica isquêmica anterior), estão mais propensas pessoas com
hipertensão, diabetes, apneia do sono, queda da pressão arterial durante a
noite e uma característica anatômica do próprio olho, o nervo óptico pequeno e
"apertado".
<><>
Como tratar?
As
doenças oculares nem sempre podem ser evitadas, mas devem ser tratadas para
evitar a perda total da visão.
Quando
se trata de pacientes com diabetes, o exame recorrente do fundo do olho é
importante para a identificação de alterações na retina antes que compormetam
muito a visão do paciente.
No caso
do glaucoma, é necessário realizar o uso correto de
colírios
prescritos pelo médico especialista e realizar exames de acompanhamento para
controlar a doença.
Fonte:
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário