A
era Trump na política está terminando
O povo
norte-americano impôs uma derrota acachapante a Donald Trump e ao Partido
Republicano na noite de ontem. Eis cinco conclusões a partir dos resultados das
eleições de meio de mandato:
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1. Trump é o dono desta derrota
Tudo
nesta derrota aponta para uma forma diferente pela qual Donald Trump
enfraqueceu o Partido Republicano.
No
Texas e na Carolina do Sul, ele pressionou seus candidatos preferidos, Ken
Paxton e Darline Graham, para o Senado, acima das primeiras escolhas dos
partidos estaduais. Ambos eram péssimos candidatos e péssimos “ativistas” que
facilitaram enormemente o trabalho dos democratas. Na Flórida, ele promoveu uma
opção agressiva que energizou os eleitores democratas, mas não conseguiu
garantir quaisquer assentos a mais para os republicanos. Em todo o país, a
guerra abertamente criminosa contra o Irã, combinada com a sua recusa em
aplacar a raiva dos eleitores face ao custo de vida, pesou sobre todos os
republicanos do país.
Nas
últimas semanas, Trump implorou aos eleitores que fingissem que ele fazia parte
das chapas que estavam concorrendo. Eles seguiram seu conselho.
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2. O dinheiro bilionário não era suficiente
Uma das
razões pelas quais Trump e o resto do partido se sentiram capacitados para
simplesmente ignorar sinais claros do eleitorado foi a sua enorme vantagem
financeira.
Algumas
dezenas de multimilionários, incluindo Elon Musk, Miriam Adelson, os irmãos
Winklevoss e Ken Griffin, investiram quantias verdadeiramente espantosas de
dinheiro nas plataformas eleitorais dos republicanos. A plataforma pessoal de
Trump, MAGA, Inc., tinha mais de US$ 400 milhões em sua conta. Isso foi mais dinheiro do que as
plataformas do Senado, Câmara e Comitês de Campanha dos democratas juntos. A
maior parte da vantagem financeira republicana foi gasta no Senado, onde o
Partido Republicano gastou mais que os democratas em
cerca de 50%.
Os
republicanos esperavam poder usar esta mina de ouro para simplesmente esmagar
os democratas em estados como o Texas. Não foi suficiente – um fato que deveria
ser encorajador para qualquer pessoa consternada com os efeitos
antidemocráticos do dinheiro na política.
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3. As facas vão aparecer para Trump
Por
causa dos dois pontos anteriores, os políticos republicanos vão se virar contra
Trump em breve.
O ano
de 2028 está escrito na parede. Não há razão para pensar que um presidente que
está visivelmente mais impopular a cada semana que passa será capaz de reverter
a sua popularidade nos próximos dois anos. Qualquer republicano com ambições
para o futuro correrá para se distanciar do atual governo.
Os
poucos republicanos que se opuseram abertamente a Trump nos últimos anos, como Ron DeSantis, já culpam Trump
pela derrota e apelam a uma nova direção para o partido. Determinar essa
direção será um processo confuso e conflituoso, com brigas abertas entre as
diferentes facções do partido. Mas a cada dia que passa, haverá cada vez menos
razões para que os membros do partido continuem a prestar obediência a Trump.
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4. Os democratas conquistaram a maioria no Congresso igual o Partido
Republicano em 2014
Otamanho
da maioria democrata é impressionante. Na manhã de quarta-feira, a maioria das
projeções apontava para os democratas conquistando cerca de 245 cadeiras na
Câmara e 54 ou 55 cadeiras no Senado. Isto coloca os democratas numa posição
semelhante à dos republicanos em 2014, quando o Partido Republicano ampliou a
sua maioria na Câmara e finalmente recapturou o Senado das mãos dos Democratas.
Desde o
início da era Trump, nenhum partido teve maiorias deste tamanho tanto na Câmara
como no Senado.
Tanto
na Câmara como no Senado, isto diminui enormemente a influência nas pequenas
minorias das convenções. No Senado, John Fetterman não será capaz de bloquear a
legislação progressista como Joe Manchin e Kyrsten Sinema fizeram durante o
governo Biden. Da mesma forma, na Câmara, mesmo a grande maioria de
legisladores socialistas não chegará perto de proporcionar a margem de vitória
à maioria democrata.
Neste
contexto, a política democrata irá provavelmente refletir o centro de gravidade
das convenções em cada câmara, em vez de fortalecer o poder de alguns
legisladores que detêm pontos de veto estratégicos.
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5. A esquerda continua crescendo
Em todo
o país, esta foi uma noite fantástica para a esquerda.
Os
candidatos dos Socialistas Democráticos da América (DSA), como esperado,
venceram as eleições gerais em lugares como Nova Iorque, Colorado e Michigan.
Além disso, os candidatos do DSA venceram as eleições para a Câmara estadual em
disputas acirradas em Kentucky e na Flórida. Candidatos como Troy Jackson e
Abdul El-Sayed, que são frequentemente associados ao DSA apesar de não serem
membros, também venceram disputas que foram amplamente vistas como testes para
a ala progressista do Partido Democrata. Angie Nixon, membro do DSA que obteve
uma vitória surpreendente nas primárias para o assento no Senado da Flórida,
ficou a poucos pontos de vencer num estado que a maioria dos liberais
considerava irremediavelmente vermelho. Entretanto, as sondagens de boca de
urna mostraram que três vezes mais eleitores jovens se autodenominavam
socialistas democráticos do que o MAGA.
O
projeto do DSA claramente ainda não atingiu o seu limite máximo, e estes
resultados mostram que é hora de levar a luta para novos campos de batalha.
¨ É pouco provável que
Trump mude seu rumo político após eleições parlamentares, diz senador russo
É
improvável que o presidente dos EUA, Donald Trump, mude seu rumo político após
as eleições para o Congresso, continuando a mesma linha que assumiu
anteriormente em questões estrangeiras e domésticas, disse Grigory Karasin,
vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação.
Em
entrevista a um veículo de imprensa russo, Karasin afirmou que os resultados
das eleições de meio de
mandato
para o Congresso dos Estados Unidos não se tornaram uma sensação e a nova
conjuntura no parlamento estadunidense não trará grandes mudanças na política
externa da administração do presidente norte-americano.
"Alguns
dos analistas previram resultados de votação ainda mais severos para Trump.
Eles realmente não ajudam a fortalecer sua posição dentro do país, mas de forma
alguma significam que ele se tornará um líder mais suave e elegante dos Estados
Unidos", disse Karasin à mídia russa.
Segundo
o senador, o líder norte-americano está determinado a continuar a mesma linha
política que mantinha antes em questões externas e domésticas. "Pode ser
ziguezagueado às vezes", mas a Rússia já está acostumada a tal narrativa,
acrescentou o político.
"A
principal coisa a entender é que Trump continua sendo o líder do país por mais
dois anos. No atual ambiente global dinâmico, este é um período de tempo
bastante significativo. Durante esses dois anos, muitas coisas construtivas e
úteis podem acontecer, assim como uma quantidade suficiente de coisas
negativas", sublinhou Karasin.
Karasin
também salientou que as eleições para o
Congresso dos EUA
e seus resultados não têm efeito sobre a política externa de Moscou. A retórica
da Rússia é bem conhecida e permanece inalterada, concluiu o senador.
Nas
eleições de meio de mandato de 3 de novembro, os norte-americanos elegeram
todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e 35 senadores.
De
acordo com a previsão da mídia estadunidense, os democratas ganharão maioria na Câmara
dos Representantes. Além disso, de acordo com a previsão de outro veículo de
imprensa ocidental, o partido também pode ganhar o controle do Senado,
garantindo ao menos 51 cadeiras.
¨ Analista revela qual
é a probabilidade do impeachment dos democratas a Trump
Os
democratas, após a vitória na disputa pelo Congresso, podem tentar o
impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, mas tais ações não terão
êxito, disse à Sputnik Rob Mellen Jr., professor assistente da Universidade do
Sul da Flórida.
Em
entrevista à agência, Mellen afirmou que há pouca probabilidade de que o
processo de impeachment do presidente Trump seja concluído com sucesso, já que
nem todas as decisões são tomadas pelos democratas no Congresso dos EUA.
"O
impeachment é possível, mas é uma ideia vazia. Mesmo com o controle da Câmara dos
Representantes,
a aprovação de artigos de impeachment é apenas uma acusação contra o
funcionário. O caso é então encaminhado ao Senado, que provavelmente se
recusará a conduzir um julgamento", explicou Mellen.
De
acordo com Mellen, a câmara alta pode realizar um julgamento demonstrativo, mas
ele ainda terminará com uma absolvição. "A probabilidade de um funcionário
ser destituído do cargo, ainda que não seja zero, é de um centésimo de um por
cento", disse Mellen.
O
processo de impeachment, caso instaurado, tem início na Câmara dos
Representantes dos EUA. Se as acusações forem apoiadas pela maioria dos
legisladores, o caso será encaminhado ao Senado. O processo ocorre
na forma de um processo judicial.
Em caso
de apoio ao impeachment por dois terços dos legisladores, o funcionário é
removido do cargo, mas, sem o número necessário de votos, o presidente é
absolvido.
O
parlamento norte-americano tentou o impeachment de quatro presidentes dos EUA:
Andrew Johnson, em 1868; Richard Nixon, em 1974; Bill Clinton, em 1998; e o
próprio Donald Trump, em 2019 e 2021.
Com a
exceção de Nixon, que renunciou à presidência antes da votação final na
primeira etapa do processo, a Câmara dos
Representantes
apoiou as acusações, mas o Senado sempre absolveu.
Nas
eleições de meio de mandato de 3 de novembro, os democratas fizeram progressos
significativos e esperam obter maioria em ambas as câmaras do Congresso. A nova composição
do legislativo começará a funcionar em 3 de janeiro de 2027.
O
próprio Trump disse que não estava preocupado com a perspectiva de um processo
de impeachment, acreditando que tal ação destruiria o Partido Democrata.
¨ Enfraquecido nos EUA,
Trump mantém poder para intervir no exterior
Donald Trump costuma recorrer a
superlativos e, por isso, há uma espécie de karma na dimensão da derrota
imposta a ele por uma ampla maioria dos eleitores americanos.
Não
espere que ele aceite tranquilamente os momentos finais de sua carreira
política. Perder o controle das duas Casas do
Congresso dos EUA
limita sua capacidade de ditar os rumos, manobrar e causar turbulência no país.
Mas, no
exterior, provavelmente será diferente.
Como
presidente dos Estados Unidos e
comandante-em-chefe de suas Forças Armadas, ele mantém amplos poderes para usar
o poderio militar americano.
Não é
fácil prever as ações e as oscilações de Donald Trump. Como presidente, ele
transformou mudanças de rumo político em armas.
Algumas
coisas, porém, são constantes.
Uma
delas é o seu desprezo por aqueles que considera perdedores e a sua
determinação de nunca ser visto como um deles. O presidente pode se sentir
tentado a ofuscar a derrota acachapante nas eleições de meio de mandato com
ações no exterior.
Ele
pode tentar tomar medidas que possa alardear como decisões decisivas e
vitoriosas de um presidente forte, que não foi enfraquecido por uma eleição
que, segundo insiste, apesar de todas as evidências, só foi perdida porque ele
não estava na cédula.
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A guerra com o Irã
Nas
semanas que antecederam as eleições de meio de mandato, a mobilização de forças
americanas e as próprias declarações de Trump, muitas vezes beligerantes,
intensificaram as especulações de que os EUA estavam se preparando para voltar
à guerra com o Irã.
Na
véspera das eleições, os EUA realizaram um bombardeio limitado
contra uma ilha iraniana no Golfo.
Antes
de ser hospitalizado por causa de um acidente vascular cerebral, o senador
americano Chris Murphy, do Partido Democrata, participou de uma reunião
sigilosa sobre possíveis opções militares para uma retomada da guerra com o
Irã.
Sem
entrar em detalhes, ele condenou os planos como "insanos", alertando
que provocariam uma "escalada devastadora".
Há
especulações de que os americanos tenham planos de bombardear infraestrutura
civil.
Além de
provavelmente constituir um crime de guerra, isso também poderia provocar, como
resposta, ataques iranianos devastadores contra alvos equivalentes em países
aliados dos EUA no Golfo.
A lista
de possíveis alvos do Irã poderia começar pelos Emirados Árabes, que mantêm
relações tão próximas com Israel quanto com os EUA.
O
regime de Teerã acompanha de perto os acontecimentos políticos nos EUA. E não
esconde sua satisfação com o fato de que as consequências do bloqueio do
Estreito de Ormuz se tornaram uma questão de política interna nos EUA.
Teerã
está ciente dos danos causados a Trump e aos
republicanos pela alta persistente dos preços de tudo (da gasolina e do
diesel aos fertilizantes agrícolas) provocada pela guerra e por seus ataques à
navegação no Estreito de Ormuz.
O
presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou um alerta
nas redes sociais.
Ele
disse: "Por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO
À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem. Se o governo dos EUA trair a vontade
de sua população para servir a financiadores e chantagistas internacionais,
aprenderá que nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo."
Benjamin
Netanyahu, agora primeiro-ministro interino de
Israel após a eleição no país na semana passada, e que faz intensas
articulações para formar um novo governo, reiterou que quer derrubar o regime
islâmico de Teerã.
Relatos
em Israel e nos EUA afirmam que ele está pressionando Trump a voltar à guerra.
Netanyahu
não tem cadeiras suficientes para formar um novo governo com a coalizão que
está deixando o poder.
Mas, se
uma guerra de grandes proporções recomeçasse e se prolongasse, e se os
israelenses ficassem sob ataque direto, ele poderia ter novas opções para
formar um governo de unidade.
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Guerra na Ucrânia
O outro
grande conflito para o qual Trump pode voltar sua atenção é o que envolve a
Ucrânia e a Rússia, que já dura mais do que a Primeira Guerra Mundial.
Antes
das eleições, Trump suspendeu sanções contra Moscou para comprar diesel russo.
Ele pode decidir prolongar e ampliar o alívio das sanções na esperança, de
alguma forma, de reduzir a pressão econômica sobre os consumidores americanos.
O
presidente americano também não parece demonstrar preocupação com o impacto dos
ataques de mísseis balísticos russos sobre a população civil ucraniana.
Esses
mísseis agora conseguem atravessar as defesas em maior número porque os pedidos
da Ucrânia por mais interceptadores de fabricação americana, financiados por
aliados europeus, não foram atendidos da maneira que o país precisa e deseja.
O
porta-voz do Kremlin disse que a Rússia espera que os resultados eleitorais não
afetem o que chamou de "esforços de Trump para alcançar a paz".
Donald
Trump tem tentado de forma persistente forçar o presidente da Ucrânia,
Volodymyr Zelensky, a fazer concessões territoriais à Rússia para chegar a um
acordo que equivaleria a uma capitulação de Kiev.
Trump
acrescentaria isso à sua improvável lista de guerras resolvidas e encerradas.
Sentindo
o impacto da derrota eleitoral, Trump pode tentar redobrar a pressão sobre
Zelensky para aceitar as concessões que o ucraniano tem rejeitado
repetidamente.
É
seguro dizer que Donald Trump continuará construindo monumentos a si mesmo em
Washington.
Além
disso, vale repetir que as previsões sobre seus próximos passos dentro e fora
do país correm o risco de estar erradas. Mas é certo que ele não vai se sentar
em uma cadeira de balanço presidencial e esperar seu tempo na Casa Branca
acabar.
Ao
longo de seu mandato, Donald Trump tem desfrutado de seu poder e demonstrado
determinação em usá-lo.
Isso
não vai mudar, e há uma grande chance de que ele queira mostrar que, se já não
consegue abalar os EUA, ele ainda pode abalar o mundo.
Fonte:
Por Paul Heideman - Tradução Cauê Seigner Ameni, para Jacobin Brasil/Sputnik
Brasil/BBC News

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