‘Levarei
para o túmulo como cheguei até aqui’, diz Flávio Bolsonaro sobre fuga para os
EUA
A fuga
do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após sua derrota na
eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continua cercada de
mistério. Instalado na região de Miami, na Flórida, o senador afirmou que
organizou sozinho a viagem de aproximadamente 8 mil quilômetros, embora
autoridades estadunidenses tenham relatado a participação da Casa Branca na
operação. Questionado sobre os detalhes do trajeto, recusou-se a esclarecer
como deixou o Brasil.
Em
entrevista de 75 minutos ao jornal The New York Times, publicada nesta
quinta-feira (5), Flávio afirmou que não recebeu auxílio de governos
estrangeiros para escapar do país, apesar das informações obtidas pelo
periódico sobre o envolvimento de integrantes da administração de Donald Trump.
“Foi
tudo obra minha”, declarou o senador. “Não houve ajuda de absolutamente
ninguém, de nenhum governo”, afirmou.
Ao ser
pressionado a explicar como conseguiu chegar aos Estados Unidos depois de
receber uma ordem para entregar seus passaportes, respondeu: “Como cheguei até
aqui, levarei isso para o túmulo comigo.”
O avião
particular que transportou Flávio Bolsonaro até Miami foi providenciado por um
funcionário da Casa Branca, enquanto sua entrada em território americano
recebeu autorização direta de Trump. A viagem também incluiu passagens pelo
Equador e pela Argentina, onde um importante assessor do presidente de extrema
direita Javier Milei encontrou o senador em um aeroporto.
Flávio
Bolsonaro, no entanto, sustentou que a decisão de fugir foi tomada de maneira
improvisada, em conjunto com sua esposa, na manhã seguinte à derrota eleitoral.
Embora tenha reconhecido que possuía amigos fora do Brasil, negou que eles
tenham participado da organização da viagem.
“Pode
ter havido torcida, mas nada além disso”, afirmou.
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Temor de prisão motivou saída do Brasil
O
senador de 45 anos relatou que decidiu abandonar o país depois de ser informado
de que teria 24 horas para entregar seus passaportes às autoridades
brasileiras. Segundo sua versão, a comunicação ocorreu quando deixava a
residência onde seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), cumpre prisão
domiciliar por tramar um golpe de Estado após ser derrotado pelo então
candidato Luiz Inácio Lula da Silva no pleito presidencial de 2022.
Flávio
Bolsonaro afirmou que considerava praticamente inevitável uma futura condenação
caso permanecesse no Brasil. “Eu já sei que o desfecho final será a minha
prisão”, declarou.
O
parlamentar é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de
dinheiro e corrupção, mas, conforme ressalta o New York Times, não havia sido
formalmente acusado de nenhum crime até a publicação da entrevista.
Com o
encerramento de seu mandato no Senado, previsto para o início de 2027, Flávio
Bolsonaro perderá a imunidade parlamentar e poderá enfrentar processos
judiciais.
Durante
a conversa, ele reafirmou sua inocência e acusou o Judiciário brasileiro de
atuar por motivações políticas, mencionando especialmente o ministro do Supremo
Tribunal Federal responsável pela prisão de seu pai.
Jair
Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por sua participação na tentativa
de golpe de Estado após a derrota para Lula em 2022.
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Conversa com Jair Bolsonaro antes da fuga
Flávio
Bolsonaro também descreveu ao jornal seu último encontro com o pai antes de
deixar o Brasil.
Segundo
o senador, Jair Bolsonaro estava emocionado quando o chamou para uma conversa
reservada, pouco depois de as autoridades determinarem a entrega de seus
documentos.
“Ele me
olhou nos olhos e disse: ‘Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não
é?’”, relatou Flávio.
“Eu
disse: ‘Pai, eu já sei’. ‘E estou preparado, sei o que tenho que fazer.’ Virei
as costas e fui embora”, acrescentou.
O
senador afirmou que não discutiu qualquer plano de fuga com o ex-mandatário.
Horas
depois, publicou um vídeo nas redes sociais no qual prometia cumprir a
determinação judicial e entregar seus documentos. Na gravação, também descartou
a possibilidade de abandonar o país.
“Nunca
pensei em deixar o país”, declarou na ocasião.
Pouco
depois, desapareceu. Cerca de 42 horas mais tarde, reapareceu em Miami.
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Senador insiste em fraude eleitoral apesar da vitória de Lula
Mesmo
depois de seu partido aceitar o resultado da eleição presidencial, Flávio
Bolsonaro voltou a questionar a vitória de Lula, sem apresentar provas de
irregularidades capazes de comprometer a votação.
O
senador classificou o resultado como “matematicamente impossível” e afirmou que
teria sido prejudicado pelo funcionamento das instituições brasileiras.
“Sei
que isso não vai dar em nada”, declarou ao comentar suas contestações. “Perdi
para o sistema.”
A
vitória de Lula ocorreu por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de
votos. Dirigentes e lideranças do próprio partido de Flávio Bolsonaro, contudo,
reconheceram que não existem evidências de fraude, enquanto observadores
internacionais independentes atestaram a integridade do processo eleitoral.
O
senador concentrou parte de suas críticas na decisão da Justiça Eleitoral de
ampliar o horário de votação em determinadas regiões do país.
A
medida foi adotada depois que chuvas intensas e atrasos no transporte coletivo
dificultaram o deslocamento de eleitores. Ambos os candidatos haviam solicitado
a prorrogação.
De
acordo com as autoridades eleitorais, a decisão afetou apenas 34 mil votos,
quantidade insuficiente para alterar o resultado da disputa.
O
parlamentar, entretanto, levantou suspeitas de manipulação de votos e retomou
alegações já desmentidas sobre uma suposta violação de segurança na sala onde
ficam os computadores responsáveis pela totalização dos resultados.
“Tenho
minhas suspeitas”, afirmou. “Ninguém pode dizer com 100% de certeza que estou
certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”
A
Justiça Eleitoral rejeitou as acusações, e dezenas de países reconheceram a
vitória de Lula.
O New
York Times também destaca que a reação à derrota de Flávio contrasta com a
mobilização de apoiadores de Jair Bolsonaro após a eleição de 2022. Naquela
ocasião, manifestações em frente a quartéis militares antecederam os ataques
golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram as sedes dos
Três Poderes em Brasília.
Desta
vez, o resultado foi reconhecido inclusive por aliados internacionais da
direita, e não houve mobilizações de dimensão comparável.
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Trump autorizou entrada nos EUA, segundo autoridades estadunidenses
A
entrevista também abordou a relação de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, cuja
administração teria desempenhado papel importante na chegada do senador aos
Estados Unidos.
Segundo
autoridades estadunidenses ouvidas pelo New York Times, a autorização para sua
entrada no país partiu diretamente do presidente dos Estados Unidos.
Trump
ainda não reconheceu formalmente a vitória de Lula. Ao comentar a eleição
brasileira, limitou-se a dizer que o processo parecia “estranho”, sem declarar
quem considerava vencedor.
Flávio
elogiou essa postura.
“Ele
não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer”, afirmou.
O
senador também agradeceu ao presidente estadunidense pela autorização para
permanecer nos Estados Unidos.
Embora
Trump tenha declarado na semana anterior que não pretendia se encontrar com
Flávio Bolsonaro, integrantes da equipe do brasileiro ainda esperavam a
possibilidade de uma reunião durante a Conferência de Ação Política
Conservadora, prevista para ocorrer em Mar-a-Lago nos dias seguintes.
Questionado
sobre a possibilidade de pressionar o governo americano a adotar novas medidas
contra o Brasil, Flávio evitou responder diretamente.
A
reportagem lembra que Trump já havia recorrido a tarifas comerciais e sanções
para tentar pressionar o Brasil a abandonar o processo judicial contra Jair
Bolsonaro.
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Senador pretende fazer oposição a Lula a partir de Miami
Apesar
de reconhecer que uma contestação judicial ao resultado eleitoral teria poucas
chances de prosperar, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende continuar
questionando a eleição e participando da política brasileira à distância.
Entre
suas prioridades estão o apoio a aliados no Congresso, a redução da maioridade
penal e a aprovação de uma anistia que beneficie Jair Bolsonaro e os condenados
pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
O
senador também pretende preservar sua influência sobre a direita brasileira,
mesmo depois de perder a eleição e deixar o país.
A
situação representa uma mudança significativa para a família Bolsonaro. Além da
condenação de Jair, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro também
deixou o Brasil e permaneceu nos Estados Unidos após ser condenado por sua
atuação em favor de interferências americanas no julgamento do pai.
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Família poderá permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano
Flávio
Bolsonaro, sua esposa e suas duas filhas receberam autorização para permanecer
em território estadunidense por pelo menos um ano, mediante um status
migratório normalmente concedido por razões humanitárias.
O
senador afirmou que ainda não decidiu onde a família irá morar definitivamente.
Seu
irmão Eduardo vive no Texas e obteve recentemente residência permanente nos
Estados Unidos, conhecida como green card.
A
Flórida, entretanto, aparece como uma alternativa para a instalação da família.
Segundo a reportagem, o influenciador Paulo Figueiredo, aliado próximo dos
Bolsonaro, defendeu o estado como uma base adequada depois da vitória de um
democrata na disputa pelo governo do Texas.
Flávio
Bolsonaro afirmou que a família está se adaptando à nova realidade, embora
ainda considere a possibilidade de retornar ao Brasil.
“Preciso
seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”,
declarou.
Ao ser
questionado sobre seu futuro político, não descartou uma nova candidatura
presidencial.
“Se
houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
• Vitória democrata nos EUA pode
fragilizar presença de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país
A
conquista da maioria no Senado e na Câmara dos Estados Unidos pelo Partido
Democrata poderá ampliar a pressão política sobre Eduardo e Flávio Bolsonaro em
território norte-americano. A avaliação é do professor Lucas Souza Martins,
especialista em história dos Estados Unidos e docente da Temple University, na
Filadélfia. Em entrevista à coluna de Bela Megale, publicada pelo jornal O
Globo nesta quinta-feira (5), ele afirmou que a nova composição do Congresso
dará aos democratas mais instrumentos para questionar a atuação do governo de
Donald Trump em relação aos dois brasileiros.
Segundo
Martins, a presença dos filhos de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos deverá
entrar na agenda de fiscalização das comissões parlamentares, especialmente
daquelas responsáveis por assuntos internacionais. A articulação de setores da
sociedade civil brasileira com parlamentares democratas também poderá
contribuir para ampliar os questionamentos sobre o apoio oferecido pela
administração republicana à família Bolsonaro.
— A
presença do Flávio e do Eduardo se tornará parte deste processo de escrutínio
pelos democratas. Isso vai ocorrer porque há uma sociedade civil brasileira
relativamente organizada e em conexão com os democratas para pressionar o
governo Trump desde antes da eleição brasileira sobre esse tema. Agora, com os
democratas sendo maioria nas duas casas legislativas, eles terão muito mais
possibilidades de exigir respostas, de constranger mais o governo. Isso vai
colocar os Bolsonaros em uma situação muito delicada.
A
mudança no Congresso ocorre após as eleições de meio de mandato realizadas na
terça-feira (3), que alteraram a correlação de forças em Washington e reduziram
o espaço político do governo Trump no Legislativo. Com o controle das duas
Casas, os democratas poderão comandar comissões, convocar autoridades e ampliar
investigações sobre decisões da administração federal.
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Vitória democrata no Texas amplia pressão sobre Eduardo Bolsonaro
Um dos
resultados eleitorais destacados pelo professor foi a vitória democrata no
Texas, estado onde Eduardo Bolsonaro vive desde 2025. A eleição de
representantes do partido para o Senado e o governo estadual modifica o
ambiente político local e, na avaliação de Martins, poderá dificultar a
articulação do ex-deputado brasileiro.
Na
disputa pelo Senado, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken
Paxton, com 54,9% dos votos contra 43,2%. O resultado representou uma mudança
histórica, já que um candidato democrata não conquistava uma cadeira no Senado
pelo Texas desde 1988.
Os
democratas também venceram a eleição para o governo estadual. Gina Hinojosa
obteve 57,1% dos votos, superando o republicano Greg Abbott, que recebeu 41,6%.
Com a vitória, ela será a primeira governadora de origem latina do Texas.
Martins
avalia que a nova configuração política poderá afetar as condições de atuação
de Eduardo no estado, especialmente diante de possíveis divergências entre o
governo estadual democrata e a administração federal republicana.
—
Considerando que Eduardo Bolsonaro mora no Texas e o governo do Texas passa a
ser democrata, isso coloca a situação política do Eduardo como algo delicado.
Haverá dificuldades, por exemplo, de articulação federal, pensando que as
políticas implementadas pelo governo Trump podem ser recusadas ou ignoradas
pelo Texas. Os democratas farão pressão na questão da política externa, na
questão do asilo do Flávio e na presença do Eduardo naquele estado. Isso pode
colocá-lo numa situação complicada que o faça se mudar para a Flórida, que
segue com um governador republicano — disse o professor.
A
avaliação diz respeito principalmente ao ambiente político e à capacidade de
articulação dos irmãos Bolsonaro. A mudança no governo estadual do Texas, por
si só, não determina a situação migratória de Eduardo ou Flávio, uma vez que
decisões sobre vistos, autorizações de permanência e eventuais medidas de
remoção são atribuições das autoridades federais norte-americanas.
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Marco Rubio pode se tornar alvo de questionamentos democratas
Outro
ponto destacado pelo professor é a posição do secretário de Estado dos Estados
Unidos, Marco Rubio, considerado um dos principais interlocutores da família
Bolsonaro dentro do governo Trump.
Na
avaliação de Martins, Rubio poderá enfrentar questionamentos mais intensos dos
democratas por causa de sua atuação na política externa. O secretário também é
apontado como um dos nomes com maior visibilidade dentro do Partido Republicano
para uma eventual disputa presidencial futura.
— Para
os democratas, um dos principais temas de ataque político será a política
externa, até porque Marco Rubio é o presidenciável com mais visibilidade hoje.
Ele será uma fonte de ataques por parte dos parlamentares que coordenarão os
comitês da Câmara e do Senado.
A
fiscalização parlamentar poderá alcançar decisões relacionadas à política
externa norte-americana e à atuação do governo Trump em outros países,
incluindo as iniciativas envolvendo o Brasil. Nesse contexto, os democratas
terão condições de solicitar informações, convocar integrantes do Executivo e
questionar os critérios utilizados pela administração republicana em suas
relações internacionais.
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Flórida também registra avanço democrata
Embora
continue sob comando republicano, a Flórida também apresentou resultados
eleitorais que, segundo Martins, indicam dificuldades para o partido de Trump.
O professor destacou que os republicanos tiveram disputas mais apertadas e
enfrentaram divisões internas durante o processo eleitoral.
Um dos
exemplos citados foi a eleição para o governo estadual, vencida por um
candidato republicano com margem considerada estreita. O atual governador,
também do partido, deixa o cargo em meio a divergências com Trump sobre a
guerra no Irã e a interesses políticos próprios para o futuro.
O
professor também mencionou a disputa envolvendo a congressista Maria Salazar,
considerada próxima de Marco Rubio e de integrantes do grupo bolsonarista nos
Estados Unidos. Ela conseguiu preservar sua cadeira, mas enfrentou uma
competição mais acirrada do que o esperado.
— Os
republicanos saíram enfraquecidos e divididos na Flórida. Estamos falando de um
estado tradicionalmente republicano em que o novo governador do partido foi
eleito com margem magra. O atual governador, também republicano, deixa o cargo
com críticas a Trump na guerra do Irã e tem ambições presidenciais. Uma
congressista próxima a Rubio e ao bolsonaristas, Maria Salazar, correu risco de
perder sua cadeira e venceu com margem estreita. A onda azul também chegou à
Flórida dentro das proporções do estado — disse Lucas Martins.
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Nova composição do Congresso muda cenário para os Bolsonaro
A
avaliação do professor aponta para uma mudança nas condições políticas que
sustentavam a atuação de Eduardo e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. A
relação próxima com Trump e integrantes de seu governo oferecia aos dois
brasileiros interlocução com setores influentes da política norte-americana.
Com a
maioria democrata nas duas Casas legislativas, essa relação poderá passar a ser
objeto de maior fiscalização, sobretudo em assuntos relacionados à política
externa e às decisões do Executivo envolvendo cidadãos brasileiros.
A nova
correlação de forças, entretanto, não representa uma decisão automática sobre a
permanência dos irmãos no país. O impacto mais imediato apontado por Martins
está na ampliação dos questionamentos políticos e na possibilidade de o governo
Trump precisar prestar esclarecimentos ao Congresso sobre sua relação com a
família Bolsonaro.
Fonte:
Brasil 247

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