Terapia
hormonal melhora humor
Prescrita,
principalmente, para aliviar sintomas da menopausa como ondas de calor, insônia
e ressecamento genital, a terapia hormonal também está associada à melhora de
alterações de humor durante a fase de transição, a chamada perimenopausa. A
conclusão é de pesquisadores da NYU Grossman School of Medicine e da NYU
Langone Health, em Nova York, nos Estados Unidos. O estudo acompanhou 260
mulheres que iniciaram o tratamento e encontrou uma redução significativa de
depressão, ansiedade, irritabilidade e exaustão física e mental.
O
artigo foi publicado na revista Menopause e baseia-se em dados de pacientes
atendidas entre janeiro de 2023 e abril de 2025 em um centro especializado em
saúde da meia-idade e menopausa. Nenhuma delas fazia uso da terapia hormonal na
primeira consulta, mas todas passaram a receber o tratamento. Antes e depois do
início, as participantes passaram pela avaliação dos sintomas. O tempo médio de
acompanhamento foi de 144 dias, ou 4,5 meses.
A
maioria das participantes — 96,5% — recebeu estradiol transdérmico,
principalmente por meio de adesivo, em doses individualizadas. As mulheres que
tinham útero (90,8% da amostra) também fizeram uso de progesterona micronizada,
ou seja, de moléculas do hormônio em tamanho reduzido.
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Escala
Para
medir a intensidade de sintomas relacionados à menopausa, os autores recorreram
a Menopause Rating Scale (MRS), um instrumento validado com 11 itens
distribuídos em três áreas: psicológica, somático-vegetativa e urogenital. Na
avaliação da saúde mental, os pesquisadores consideraram especificamente humor
depressivo, ansiedade, irritabilidade e exaustão.
Na
avaliação inicial, 62,3% das participantes apresentavam pontuação classificada
como grave no domínio psicológico da escala. No acompanhamento, esse percentual
caiu para 24,6%. A redução média foi de 2,7 pontos, uma diferença considerada
estatisticamente significativa pelos pesquisadores. Segundo os autores, a
mudança foi particularmente expressiva entre as mulheres que chegaram à clínica
com os sintomas mais intensos. Nesse grupo, a queda foi de 3,85 pontos.
Os
autores observam que a melhora não pareceu depender de características clínicas
específicas. "As análises não identificaram diferenças significativas na
resposta de acordo com idade, estágio da menopausa, ansiedade ou depressão
prévias, etnia ou uso de antidepressivos", escreveram. Segundo os
pesquisadores, mais da metade das participantes (51%) tinha histórico de
transtorno de humor. Entre elas, 45% haviam recebido anteriormente diagnósticos
de ansiedade; e 27,7%, de depressão. Além disso, 20,8% foram identificadas com
ambas as condições.
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Manifestações
Depressão,
irritabilidade, ansiedade e exaustão mental estão entre as manifestações
descritas durante a transição para a menopausa. Segundo o artigo, estudos
epidemiológicos estimam que entre 45% e 68% das mulheres apresentem algum grau
de alteração do humor na perimenopausa, contra 28% a 31% entre aquelas na
pré-menopausa.
A
médica ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, de São Paulo, explica que,
na fase de transição, a flutuação do estrogênio pode provocar mais
instabilidade do que a própria queda hormonal observada posteriormente. Segundo
a especialista, isso acontece porque o cérebro recebe sinais hormonais
irregulares e precisa se adaptar repetidamente a essas mudanças. O resultado
pode aparecer na forma de ansiedade que vai e volta, noites fragmentadas e
períodos de névoa mental.
"A
perimenopausa não é apenas um momento de falta de estrogênio. É uma fase de
oscilação, e o cérebro precisa responder continuamente a sinais que
mudam", explica Fabiane. "Essa inconsistência na sinalização
estrogênica interfere em regiões que participam do controle do estresse, do
sono e da cognição. Por isso, a mulher pode estar bem em uma semana e, na
seguinte, sentir que perdeu completamente o próprio eixo", explica.
"A
transição para a menopausa pode ser um período muito turbulento, e uma das
coisas que mais ouço das pacientes é: 'Não me sinto mais eu mesma', e, então,
as lágrimas vêm", descreve a ginecologista Monica Christmas, médica
associada da Sociedade da Menopausa dos Estados Unidos, que não participou do
estudo. "Pode ser incrivelmente angustiante, afetando os relacionamentos
pessoais e interferindo no desempenho no trabalho. Reconhecer e lidar com os
sintomas relacionados ao humor pode fazer toda a diferença."
Fonte:
Correio Braziliense

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