A
fuga de Flávio Bolsonaro no espelho venezuelano
A
espetacular vitória de Lula, por mais de 4 milhões de votos de diferença, não
encerrou a controvérsia eleitoral e política. Como de praxe na gramática da
extrema-direita, o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, recusou-se a
reconhecer o resultado do pleito, agarrando-se, num primeiro momento, à
polêmica em torno da prorrogação do horário de votação. A controvérsia ganhou
corpo com a atuação paquidérmica do presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), Kassio Nunes Marques, tanto diante do boicote aos ônibus em Salvador –
episódio que levou à determinação de prisão do secretário municipal de
Mobilidade – quanto na apreciação dos pedidos de prorrogação formulados pelas
chapas de Lula, em razão dos problemas no transporte público, e de Flávio
Bolsonaro, diante das condições climáticas adversas no Sul e no Sudeste. Mesmo
após a decisão do ministro Cristiano Zanin, Nunes Marques levou cerca de 45
minutos para comunicá-la aos tribunais regionais, tornando sua concretização
quase inexequível. Estava criada uma “eine grosse konfusion” para recorrer à
expressão frequentemente utilizada por Gilmar Mendes no STF.
O
discurso derrotista, já anunciado na véspera por Eduardo Bolsonaro,
concretizou-se na primeira manifestação de Flávio Bolsonaro: primeiro, com o
pedido de anulação das eleições; depois, com a denúncia de cassação da chapa
Lula-Alckmin. A iniciativa, contudo, foi perdendo sustentação até mesmo entre
seus aliados. Republicanos, União Brasil e Podemos reconheceram a vitória de
Lula; o próprio PL, presidido por Valdemar Costa Neto, aceitou o resultado
proclamado pelo TSE, embora mantivesse críticas à campanha.
Importante
lembrar que, na Nova República, o questionamento da legitimidade eleitoral não
nasceu com o bolsonarismo. Após a derrota de Aécio Neves, em 2014, o PSDB
solicitou uma auditoria da eleição presidencial, que não encontrou evidências
de fraude, mas ajudou a alimentar a besta. Em 2022, o inconformismo com a
derrota de Jair Bolsonaro ultrapassou os limites da mera contestação
jurídico-política e integrou uma crise institucional que desembocou em uma
trama golpista, da qual os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 foram a ponta
de lança. Por essa trama, o ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal
Federal em setembro de 2025.
Em 28
de outubro de 2026, com as informações que tenho neste momento, consta que
Flávio Bolsonaro já deixou o Brasil e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos.
Sua saída ocorreu após o descumprimento de uma ordem judicial de entrega de
passaportes, no âmbito de investigações bastante graves vinculadas à corrupção.
Uma autoridade norte-americana anunciou a emissão de vistos para ele e sua
família, com o próprio Donald Trump declarando publicamente que aprovaria sua
entrada no país. Embora tenham surgido informações sobre sua passagem pela
Argentina e pelo Equador, a rota e, sobretudo, as circunstâncias de sua saída
do Brasil ainda não estão inteiramente esclarecidas, permanecendo envoltas em
denso “nevoeiro”, no qual os crimes que se tentou sepultar e esquecer insistem
em retornar. Os EUA como paragem não são um destino casual. Tampouco surpreende
que o trânsfuga da vez tenha aparecido justamente na Flórida, uma vez que esse
estado, particularmente Miami, possui uma longa história como refúgio e centro
de articulação de setores contrarrevolucionários latino-americanos,
especialmente desde a Revolução Cubana de 1959.
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A Flórida e a contrarrevolução: da Doutrina Monroe à Donroe
A
Flórida não se tornou um Eldorado do golpismo latino-americano por acaso.
Fulgêncio Batista viveu no estado após deixar a presidência cubana em 1944,
antes de retornar ao poder pelo golpe de 1952. Marcos Pérez Jiménez, deposto na
Venezuela em 1958, encontrou abrigo em Miami, assim como Anastasio Somoza
Debayle, depois da queda da ditadura nicaraguense em 1979. As trajetórias são
distintas, mas revelam uma geografia política que ultrapassa o simples
acolhimento de antigos governantes. Sobretudo após a Revolução Cubana de 1959,
Miami consolidou-se como centro de articulação da contrarrevolução, abrigando
organizações anticastristas e a estação JM/WAVE da CIA, de onde foram
coordenadas operações clandestinas contra Cuba. Mais do que refúgio de
trânsfugas, a Flórida tornou-se um dos pontos de irradiação da política
contrarrevolucionária norte-americana para a região e dos interesses do
colonialismo estadunidense.
Essa
geografia da contrarrevolução não pode ser compreendida fora da luta pelo
controle da América Latina como zona de influência. A Doutrina Monroe,
proclamada em 1823 sob o argumento de impedir novas intervenções coloniais
europeias, converteu-se progressivamente em instrumento da expansão
norte-americana. Com o Corolário Roosevelt, de 1904, os Estados Unidos
reivindicaram expressamente o direito de exercer funções de polícia
internacional no continente. Ao longo do século XX, a defesa dessa zona de influência
se materializou em intervenções militares, golpes de Estado e apoio a governos
alinhados aos interesses de Washington. A derrubada de Jacobo Árbenz na
Guatemala, em 1954, a participação direta dos Estados Unidos no apoio ao golpe
brasileiro de 1964, inclusive por meio da Operação Brother Sam, e sua atuação
na desestabilização do governo de Salvador Allende e na criação das condições
políticas para o golpe chileno de 1973 são expressões históricas dessa
política. A intervenção externa, contudo, jamais atuou sobre um terreno vazio:
as classes dominantes locais não apenas aderiram aos golpes, mas participaram
de sua organização e articularam seus próprios interesses à reprodução da
dependência, como verdadeiros CEOs das novas colônias.
A
atualização dessa tradição ganhou contornos particularmente explícitos com
Donald Trump. A Estratégia de Segurança Nacional de 2025 estabeleceu
oficialmente um Trump Corollary to the Monroe Doctrine, posteriormente
popularizado pelo próprio presidente como Doutrina Donroe. O documento
reivindica a restauração da preeminência norte-americana no hemisfério, a
contenção de potências concorrentes e o controle de posições e ativos
estratégicos, além de anunciar o incentivo a governos, partidos e movimentos
alinhados à política de Washington. A intervenção militar na Venezuela, em
janeiro de 2026, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua
transferência forçada para responder a acusações perante a Justiça
norte-americana, tornou ainda mais evidente o conteúdo dessa orientação. As
denúncias de ingerência norte-americana em sucessivos processos eleitorais
latino-americanos, como na Argentina, em Honduras e na Colômbia, numa ofensiva
para “pintar de azul” o mapa político da região, ajudam a compreender também a
declaração dúbia de Trump sobre a eleição brasileira: ao mesmo tempo que
afirmou gostar de Lula e manter uma boa relação com ele, classificou como
“muito estranha” a prorrogação do horário de votação e insinuou a ocorrência de
fraude. Sob uma retórica de segurança nacional, reaparece a antiga pretensão de
determinar os destinos políticos e econômicos da América Latina, agora em um
cenário de disputa sobretudo por petróleo e minerais críticos.
É nesse
ponto que a crítica de Evguiéni Pachukanis, em Imperialismo e política
colonial, recuperando a análise de Lênin, permanece particularmente atual. O
imperialismo não se reduz à agressividade de determinada política externa, mas
expressa uma configuração histórica do capitalismo marcada pelo domínio dos
monopólios, pelo capital financeiro e pela disputa por matérias-primas e
esferas de influência. A crise da hegemonia norte-americana, diante do avanço
de uma ordem internacional cada vez mais multipolar, recoloca essa disputa em
novos termos. A dominação tampouco exige necessariamente a anexação territorial
ou a supressão formal da soberania. Os mecanismos econômicos, políticos e
jurídicos podem subordinar países formalmente independentes, sem que isso
elimine a importância das lutas nacionais pela autodeterminação. Na América
Latina, como demonstra Ruy Mauro Marini, os marcos da dependência não são
somente externos: ela também se estrutura e se reproduz internamente, por meio
dos interesses e da atuação das classes dominantes locais, articulados aos
mecanismos de transferência de valor e superexploração da força de trabalho
próprios do capitalismo dependente.
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O cardápio venezuelano e a pergunta brasileira
A
Venezuela oferece um verdadeiro cardápio de tentativas de desestabilização
política, que vão das manobras parlamentares e judiciais às tentativas de
golpes de Estado, passando pelo reconhecimento de governos paralelos, sanções
econômicas e, finalmente, pela intervenção militar estrangeira direta. Em
Pachukanis em Caracas, artigo que escrevi em 2020 com Ricardo Prestes Pazello,
examinamos a escalada dessa crise a partir do governo de Nicolás Maduro. Após
sua apertada vitória eleitoral em 2013, a oposição conquistou ampla maioria na
Assembleia Nacional em 2015, abrindo um período de enfrentamento entre os
poderes. A tentativa de convocação de um referendo revogatório, prevista na
Constituição venezuelana, conviveu com iniciativas mais radicais: a abertura de
processo de impeachment contra Maduro, a surreal declaração parlamentar de
abandono da Presidência, propostas para restringir os poderes do Tribunal
Supremo de Justiça (TSJ) e iniciativas para retirar do Executivo o controle
sobre o setor petrolífero. Configurava-se, assim, aquilo que identificamos como
uma tentativa de golpe parlamentar, embora nem todas essas iniciativas
possuíssem a mesma natureza.
O
conflito institucional aprofundou-se em 2017. O Tribunal Supremo de Justiça,
considerado chavista e ilegítimo pela oposição, declarou nulos os atos da
Assembleia Nacional por descumprimento de suas decisões judiciais,
especialmente a que suspendia a proclamação de três deputados oposicionistas. O
Tribunal chegou a assumir competências legislativas, decisão posteriormente
parcialmente revertida. A oposição, por sua vez, organizou um Tribunal Supremo
de Justiça no exílio, com magistrados que passaram a realizar sessões e
proferir decisões a partir dos Estados Unidos e da Colômbia, inclusive de
Miami. A disputa já não se limitava à interpretação da Constituição, mas
alcançava a própria definição de quais instituições poderiam exercer
legitimamente o poder estatal. A convocação de uma Assembleia Constituinte por
Maduro, também em 2017, agravou a duplicidade institucional. Depois do boicote
de parte da oposição às eleições presidenciais de 2018 e da contestação
internacional de seus resultados, essa estratégia atingiu seu ápice com a
autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino, em janeiro de 2019.
Sem controlar efetivamente o aparato estatal e sem hegemonia na sociedade
civil, Guaidó recebeu reconhecimento dos Estados Unidos e de outros governos,
enquanto o Grupo de Lima e a Organização dos Estados Americanos se
transformavam em espaços de disputa pela legitimidade internacional da
Presidência venezuelana. O reconhecimento diplomático foi acompanhado de
sanções econômicas e medidas sobre ativos externos da PDVSA, procurando
conferir eficácia material a um governo que não exercia o poder internamente.
O
fracasso dessas iniciativas não encerrou o repertório de desestabilização. Em
fevereiro de 2019, a tentativa de introduzir ajuda humanitária pelas fronteiras
venezuelanas converteu-se em novo episódio de confronto político e diplomático.
Em abril, Guaidó e Leopoldo López promoveram uma tentativa frustrada de levante
civil-militar contra Maduro. No ano seguinte, a chamada Operação Gideon
representou outra modalidade de ação: uma incursão armada organizada por
dissidentes venezuelanos e ex-militares norte-americanos, vinculada à empresa
privada Silvercorp USA, sediada na Flórida, que pretendia capturar Maduro e
derrubar seu governo. A operação fracassou, e seus vínculos com representantes
da oposição foram objeto de investigações.
Em
janeiro de 2026, a intervenção militar direta dos Estados Unidos, com a captura
de Nicolás Maduro em território venezuelano e sua transferência forçada para a
Justiça norte-americana, introduziu um novo patamar nessa história. A
ingerência já não se limitava ao reconhecimento diplomático, à pressão
econômica ou ao apoio a forças políticas internas: a própria potência
estrangeira empregava diretamente seus meios militares para retirar o
presidente do país e estabelecer um governo títere. A pretensão colonial chegou
ao ponto de Trump sugerir, em 27 de outubro de 2026, a transformação da
Venezuela no 51º estado norte-americano, substituindo a eleição presidencial
pela escolha de um governador – uma direta e agressiva política colonial.
Em A
política colonial e seus novíssimos apologistas, Pachukanis já criticava o
formalismo jurídico que pretendia definir uma colônia por sua posição
administrativa dentro de determinado Estado, lembrando que a incorporação da
Argélia à estrutura estatal francesa não eliminava seu caráter colonial. Ao
mesmo tempo, rejeitava a redução puramente econômica do colonialismo, que
terminava por negar a importância da independência política e da
autodeterminação dos povos. É justamente essa contradição que a Venezuela
recoloca. Diante do fracasso das sucessivas tentativas de constituir um governo
aliado aos interesses de Washington, por meio da oposição e de setores da
burguesia local, a intervenção militar estrangeira direta passou a integrar o
repertório de imposição colonial. Não se trata de uma novidade histórica. Na
tradição intervencionista da Doutrina Monroe, que incluiu ocupações militares
no Caribe e na América Central nas primeiras décadas do século XX, os Estados
Unidos também invadiram o Panamá, em 1989, depuseram Manuel Noriega e o levaram
para julgamento em território norte-americano, em uma operação que apresenta
evidente semelhança histórica com a captura de Nicolás Maduro em 2026.
A
Doutrina Donroe parece recuperar essa tradição: quando os mecanismos indiretos
de dominação não conseguem assegurar governos alinhados aos interesses
norte-americanos, a intervenção militar direta reaparece como instrumento de
subordinação colonial. Afinal, como já advertia Pachukanis, o caráter colonial
dessas relações não depende de sua formalização jurídica, mas tampouco dispensa
a disputa pela soberania política e pelo controle das riquezas dos povos
submetidos ao imperialismo.
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O momento Guaidó ou María Corina Machado? O patriotismo dos trânsfugas
A
partir da experiência venezuelana, é possível encontrar uma chave de leitura
para compreender melhor o que se passa no Brasil, sobretudo pelo modus operandi
e pelo cardápio de alternativas de intervenção. Por óbvio, não se trata de
nenhum determinismo histórico, tampouco da ousadia de anunciar, por meio dessa
aproximação, um “Pachukanis em Brasília”. Nesse sentido, nem todos os detalhes
da fuga de Flávio Bolsonaro estão nítidos, tampouco se sabe o que fará, de
fato, no exterior em curto e médio prazo. Tudo permanece envolto em densa
névoa, como já referido, e dependente dos resultados das eleições para o
congresso dos EUA, mas cabe arriscar algumas hipóteses. O fato de ter ido para
os Estados Unidos se juntar a seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e a outros tantos
foragidos ligados à tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro é muito
relevante. Interessante ressaltar que há uma mudança logística, pois parece que
a Argentina, tal como a Flórida, também se tornou um hub da extrema-direita. No
entanto, sua carta golpista, que passou por pelo menos quatro versões, oferece
pistas importantes para compreender suas intenções. Primeiro, autoproclamou-se
o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, para depois recuar à condição de
“líder do Brasil”. As mudanças de apresentação, entretanto, não alteraram o
conteúdo fundamental: a recusa em reconhecer a derrota eleitoral e a tentativa
de construir uma liderança política a partir do exterior.
A carta
não se limita à denúncia vaga e infundada de fraude eleitoral. Flávio Bolsonaro
apresenta como uma “impossibilidade matemática” o crescimento da votação de
Lula entre os turnos, aponta supostas irregularidades na prorrogação do horário
de votação e defende expressamente a cassação da chapa Lula-Alckmin — alegações
que não encontram respaldo nos dados já apurados e divulgados pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). Também acusa ministros do Supremo Tribunal Federal de
perseguição política e retoma a intenção, já manifestada durante a campanha, de
promover o impeachment desses magistrados. Ao mesmo tempo, dirige-se à
comunidade internacional, convoca senadores, deputados e governadores que
ajudou a eleger e anuncia que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos,
indicando, inclusive, Rogério Marinho como seu candidato à presidência do
Senado. Parece querer, da mesma forma que lideranças oposicionistas
venezuelanas, coordenar o espólio do bolsonarismo a partir de Miami.
A
autoproclamação inicial, acompanhada da possibilidade de formação de um governo
paralelo defendida por alguns de seus aliados, parecia buscar seu momento
Guaidó. E não apenas por semelhança: Juan Guaidó é citado nominalmente na
carta, ao lado de Edmundo González e María Corina Machado. Flávio Bolsonaro
também procura se apresentar como uma liderança política no exílio, evocando
Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí – pasmem! –, e sustenta que sua
saída seria uma forma de continuar a luta pelo país. Importante ressaltar que
Guaidó, autoproclamado presidente interino, fracassou em seu intento golpista
na Venezuela, apesar do reconhecimento diplomático norte-americano e de parte
dos países latino-americanos. Sem falar do destino de Edmundo González que
seria seu futuro sombrio de líder esquecido na Europa.
A
referência a María Corina Machado ganha outro sentido quando seu irmão Eduardo
Bolsonaro chega a falar, em piada patriótica, em mandar os Marines ao Brasil
caso Flávio Bolsonaro perdesse as eleições. O sonho do agora autoproclamado
“líder do Brasil”, e não mais “presidente eleito”, parece ser retornar ao país
nos braços de Trump, à semelhança da líder golpista María Corina Machado, que,
curiosamente, retornou à Venezuela no mesmo dia da eleição de Lula – um roteiro burlesco difícil de imaginar. Por
enquanto, porém, o presidente norte-americano autorizou sua entrada nos Estados
Unidos, mas declarou, ao menos publicamente, que não pretendia se envolver na
contestação eleitoral.
Isso,
entretanto, não impede que Flávio Bolsonaro, caso consiga coordenar o espólio
do bolsonarismo, recorra a outros expedientes de desestabilização: insistir na
cassação da chapa Lula-Alckmin, com a mobilização de seus apoiadores para atos
de rua; fomentar processos de impeachment contra o presidente da República ou
ministros do Supremo Tribunal Federal; instigar sabotagens ou mesmo ações
diretas; e continuar buscando a imposição de tarifas e sanções contra a
economia brasileira. Não se trata apenas de possibilidades abstratas, uma vez
que boa parte desse repertório já foi utilizado contra nosso país. Para não
repisar todos os acontecimentos, basta lembrar que até mesmo ações de caráter
terrorista, como a tentativa de atentado com explosivos nas proximidades do
aeroporto de Brasília, foram levadas a cabo.
No fim
das contas, é interessante observar como a esquerda foi acusada de tentar
“venezuelizar” o Brasil, quando, na realidade, estamos diante de um mundo ao
revés: quem reproduz os expedientes da direita venezuelana são justamente os
grupos que integram o denominado bolsonarismo. Contudo, por mais farsesco que
tudo isso possa parecer, é fundamental não subestimar essas iniciativas, pois,
como advertiu o historiador Carlos Fico, “Todo golpe fracassado é
ridicularizado”. O problema é que a história não nos permite saber
antecipadamente quais tentativas fracassarão.
Fonte:
Por Moisés Alves Soares, no Blog da Boitempo

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